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segunda-feira, 28 de maio de 2018

"Conhecendo a Bíblia Sagrada"




"Conhecendo a Bíblia Sagrada 41. Como ler com proveito a Bíblia? Dedique um tempo diário para estudar e meditar a Bíblia: pode ser pela manhã, logo após acordar; ou, depois do almoço ou da janta; ou antes de dormir; ou, ainda, qualquer outro horário que se adapte ao seu tempo livre. A quantidade de tempo também pode ser livremente estabelecida: 10, 30, 60 minutos ou mais. Quanto mais tempo você tiver, melhor! Porém, divida o tempo total para as duas atividades que devem ser feitas: leitura e estudo. O ideal é dividir na ordem de 1/3 e 2/3, respectivamente. Assim, se você resolver dedicar 15 minutos diários, use 5 minutos para leitura e 10 minutos para o estudo. Após estabelecer o horário que melhor o satisfaça, cumpra-o rigorosamente, não esquecendo nem adiando nenhum dia, mesmo que se sinta cansado. Lembre-se: devemos amar a Deus sobre todas as coisas! Se você não tiver uma Bíblia, adquira uma. Compre, entretanto, em livrarias católicas pois as versões comercializadas por livrarias evangélicas são incompletas quanto ao Antigo Testamento (faltam 7 livros e alguns trechos de Ester e Daniel). Existem Bíblias com uma linguagem mais simples (ex.: "Bíblia Ave Maria") e outras mais técnicas (ex: "Bíblia de Jerusalém"); leve aquela que esteja dentro da sua linguagem e das suas condições. Além disso, compre um caderno e também um comentário bíblico. As editoras católicas disponibilizam diversos comentários, dos mais simples aos mais completos. Folheie-os com calma e encontre um que atenda seus requisitos de linguagem e complexidade. Adquirido o material e chegada a hora do estudo, com a Bíblia nas mãos, inicie com uma oração ao Espírito Santo, pedindo para que o ilumine. Pode ser a seguinte ou uma outra semelhante e espontânea: "Espírito Santo: Tu inspiraste estas palavras. Ilumina a minha mente para que eu possa compreendê-las. Vem, Espírito Santo, ilumina o meu coração e o meu entendimento. Ajuda-me a reconhecer a Verdade eterna que preciso para agradar a Deus. Amém." Selecione a leitura. Há várias formas de se fazer isto... Você pode seguir a sugestão da Igreja e ler as leituras selecionadas para o tempo litúrgico em que estiver (algumas Bíblias trazem essa seleção de textos em apêndice no final do volume; caso sua Bíblia não possua essa indicação, imprima as páginas das Leituras Dominicas e Semanais que disponibilizamos neste Site) ou ler a Bíblia na forma sequencial, a partir do primeiro livro (neste caso, particularmente sugiro que se inicie pelo Novo Testamento - por ser mais dinâmico - para só depois se passar para o Antigo Testamento). Leia com atenção - sem pressa e meditativamente - cada versículo. Não se incomode de precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na leitura anterior... Identifique-se com os personagens em cada cena. Se estiver lendo os Evangelhos, coloque-se no lugar do sofredor Lázaro, no lugar de Mateus convidando Jesus para uma refeição... Considere tudo o que Jesus fala como diretamente dirigido a você. Ao ler as epístolas, além da voz do Apóstolo e do Espírito Santo, reconheça a voz da Igreja, exortando-o a aumentar e amadurecer a fé. Termine a leitura também com uma oração ao Espírito Santo, como, por exemplo: "Fala, Senhor: teu servo está te ouvindo. Aqui estou, Senhor!", ou "Senhor: aqui estamos, Tu e eu, juntos agora. Fala-me, pois eu te escuto!". Faça, então, um breve silêncio. Inicie o estudo lendo com calma e atenção o comentário sobre o texto lido. Leia também todas as notas de rodapé existentes na sua Bíblia: elas são importantes principalmente para os pontos mais obscuros. Prossiga o estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugiro que se utilize o método do pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos: Promessas: é tudo aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São promessas em que podemos seguramente confiar. Ex.: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt 18,20); v.tb.: Jo 1,12; Lc 11,13; Ef 6,8. Ordens: são os mandamentos que devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a Deus. Ex.: "Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado" (Jo 13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28. Princípios Eternos: são as leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: "Para os puros, todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e consciência são corrompidas" (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7. Mensagem de Deus para Hoje: certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas próprias palavras. Como Aplicar a Leitura na Vida: é a parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o relacionamento com Deus. Para terminar o estudo, releia o comentário bíblico e as suas anotações. Observe, então, a incrível unidade que existe entre eles. Se você quiser - e é altamente recomendado!! - tente relembrar a leitura do dia anterior; se possível, memorize o versículo principal, o núcleo da mensagem. Termine o seu "dever de casa" com uma oração espontânea agradecendo a Deus pelas descobertas do dia e certo de ter aumentado a sua intimidade com Ele. Lembre-se sempre: Não caia no erro de querer ler somente a Bíblia sem a ajuda da Igreja, achando que pode interpretá-la de forma particular. Essa tese é protestante e anti-bíblica. Foi por causa disso que o sectarismo se instalou no mundo cristão, existindo hoje mais de 20.000 denominações - todas elas com mensagens "muito particulares" e distintas umas das outras. Autor: Carlos Martins Nabeto Fonte: Agnus Dei 
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?




São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Homilia «Os ricos podem salvar-se?»
Ignorar a Deus é morrer; pois a vida reside apenas em conhecê-Lo, viver n'Ele, amá-l'O e procurar assemelhar-se a Ele. Se quereis a vida eterna, [...] procurai antes de mais conhecê-l'O, ainda que «ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-l'O» (Mt 11,27). Em Deus, conhecei a grandeza do Redentor e a sua graça inestimável; pois, diz o apóstolo João, «a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (1,17). [...] Se a Lei de Moisés pudesse dar-nos a vida eterna, porque teria o nosso Salvador vindo ao mundo e sofrido por nós, desde o nascimento até à morte, percorrendo toda uma vida humana? Porque se teria este jovem, que tão bem cumpria desde a juventude os mandamentos da Lei, lançado aos pés de Jesus para Lhe pedir a imortalidade?

Este jovem observava a Lei na sua totalidade, e a ela se ligara desde a juventude. [...] Mas percebe bem que, se nada falta à sua virtude, lhe falta contudo a vida. É por isso que vem pedi-la Àquele que pode dar-lha; está seguro de estar em regra com a Lei, mas nem por isso deixa de implorar ao Filho de Deus. [...] As amarras da Lei não o defendem adequadamente das oscilações do navio, pelo que ele deseja abandonar esta navegação perigosa e lançar âncora no porto do Salvador.

Jesus não lhe censura a falta de cumprimento da Lei, mas olha-o com afeto, emocionado com a sua aplicação de bom aluno. Contudo, diz-lhe que é ainda imperfeito [...]: é bom trabalhador da Lei, mas preguiçoso para a vida eterna. A Lei santa é como um pedagogo que orienta para os mandamentos perfeitos de Jesus (Gal 3,24) e para a sua graça. Jesus é «o cumprimento da lei, para justificar todo aquele que crê n'Ele» (Rom 10,4).

"Onde há vontade, há um Caminho"

domingo, 27 de maio de 2018

«Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»



 
SANTÍSSIMA TRINIDADE - solenidade
Comentário do dia
Venerável Pio XII (1876-1958), papa
Alocução aos padres de Roma e aos pregadores de Quaresma, 17 de fevereiro de 1942
Cristo, nosso advogado (1Jo 2,1), está sentado à direita do Pai. Deixou de ser visível, na sua natureza humana, entre nós. Mas dignou-Se permanecer connosco até à consumação dos séculos, invisível sob as aparências do pão e do vinho, no sacramento do seu amor. É o grande mistério de um Deus presente e escondido, deste Deus que virá um dia julgar os vivos e os mortos.
É para este grande dia de Deus que avança a humanidade no seu todo, dos séculos passados, do presente e do futuro. É para este dia que avança a Igreja, mestra de fé e de moral para todas as nações, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E nós, assim como cremos no Pai, Criador do Céu e da Terra, no Filho, redentor do género humano, também cremos no Espírito Santo.

Ele é o Espírito que procede do Pai e do Filho, como seu amor consubstancial, prometido e enviado por Cristo aos apóstolos no dia de Pentescostes, virtude do alto que os enche. Ele é o Paráclito e o Consolador que permanece com eles para sempre, Espírito invisível, desconhecido do mundo, que lhes ensina e lhes recorda tudo o que Jesus lhes disse.

Mostrai ao povo cristão o poder divino e infinito deste Espírito criador, dom do Altíssimo, distribuidor de todos os carismas espirituais, consolador cheio de bondade, luz dos corações, que, nas nossas almas, lava o que está sujo, rega o que é árido, cura o que está ferido.

D'Ele, amor eterno, desce o fogo da caridade que Cristo quer ver acendida neste mundo; esta caridade que torna a Igreja una, santa, católica, que a anima e a torna invencível no meio dos assaltos da sinagoga de Satanás; esta caridade que une na comunhão dos santos; esta caridade que renova a amizade com Deus e redime o pecado.
 
"Onde há vontade, há um Caminho"

sábado, 26 de maio de 2018

«Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»


Comentário do dia:

Venerável Pio XII (1876-1958), papa
Alocução aos padres de Roma e aos pregadores de Quaresma, 17 de fevereiro de 1942
Cristo, nosso advogado (1Jo 2,1), está sentado à direita do Pai. Deixou de ser visível, na sua natureza humana, entre nós. Mas dignou-Se permanecer connosco até à consumação dos séculos, invisível sob as aparências do pão e do vinho, no sacramento do seu amor. É o grande mistério de um Deus presente e escondido, deste Deus que virá um dia julgar os vivos e os mortos.

É para este grande dia de Deus que avança a humanidade no seu todo, dos séculos passados, do presente e do futuro. É para este dia que avança a Igreja, mestra de fé e de moral para todas as nações, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E nós, assim como cremos no Pai, Criador do Céu e da Terra, no Filho, redentor do género humano, também cremos no Espírito Santo.

Ele é o Espírito que procede do Pai e do Filho, como seu amor consubstancial, prometido e enviado por Cristo aos apóstolos no dia de Pentescostes, virtude do alto que os enche. Ele é o Paráclito e o Consolador que permanece com eles para sempre, Espírito invisível, desconhecido do mundo, que lhes ensina e lhes recorda tudo o que Jesus lhes disse.

Mostrai ao povo cristão o poder divino e infinito deste Espírito criador, dom do Altíssimo, distribuidor de todos os carismas espirituais, consolador cheio de bondade, luz dos corações, que, nas nossas almas, lava o que está sujo, rega o que é árido, cura o que está ferido.

D'Ele, amor eterno, desce o fogo da caridade que Cristo quer ver acendida neste mundo; esta caridade que torna a Igreja una, santa, católica, que a anima e a torna invencível no meio dos assaltos da sinagoga de Satanás; esta caridade que une na comunhão dos santos; esta caridade que renova a amizade com Deus e redime o pecado.
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

Acusar a si mesmo e confiar em Deus!




No livro “Sobre a acusação de si mesmo”, Jorge Mário Bergoglio, na época, Arcebispo de Buenos Aires, agora Papa Francisco, expõe sobre esse tema na Assembleia Arquidiocesana. Com linguagem simples, o texto extrapola a dimensão temporal e regional, tornando-se um presente para a humanidade inteira.
Bergoglio propõe como grande penitência e mortificação o acusar a si mesmo, ou seja, o recolhimento pessoal diante de si, dos outros e de Deus das faltas cometidas. Visto que o preocupa o crescente vício de acusar, apontar e condenar, atitudes bastante presentes no meio eclesial atualmente. Baseia suas reflexões e apontamentos a partir de São Doroteu de Gaza, monge e abade do século VI e VII.
O espírito da unidade eclesiástica e cristã se vê prejudicado pela fofoca. “Há homens de juízo temerário, detratores, maldizentes, murmuradores, suspeitos do que não veem, procurando acusar o que nem mesmo suspeitam” (Sermão 47), nos dizeres de Santo Agostinho. Neste caso, a pessoa fabrica suas suspeitas. Falar mal dos outros é um mal para toda a Igreja. Grupos que lutam para impor a hegemonia de seu pensamento e de sua preferência são recorrentes, falta o respeito e a caridade.
Bergoglio propõe uma atitude no coração, acusar-se a si mesmo. Essa atitude, no entanto, implica valentia pouco comum para abrir a porta a coisas desconhecidas e deixar que os outros vejam além da própria aparência. Essa proposta vai ao encontro de um exacerbado individualismo, de uma crescente parcialidade na vida de comunidade, dentro de um enfraquecimento da verdade, real ou parcial, aparente ou falaciosa, e de um espírito de suspeita e desconfiança, onde sempre se encontra razões para se defender dos próprios erros, faltas e mediocridades.
Nesta superficial, fragmentada e volátil situação Deus não está presente, pois é o Senhor do tempo real, do passado constatável e do presente discernível. É o Senhor do futuro, da Promessa que pede confiança e abandono. Segundo o Beato jesuíta, Fabro, “nem sempre o demônio tenta com uma mentira, pode ser a tentação uma verdade, mas vivida no mau espírito”.
Na Doutrina de Doroteu de Gaza, é o próprio demônio que semeia a suspeita no coração para dividir. Fenomenologia inversa da Encarnação do Verbo: o demônio busca dividir (por meio da suspeita) para depois confundir; o Senhor, no entanto, apresenta-se sempre Deus e Homem – indivise et inconfuse – indivisível e não confuso. Ao semear a suspeita o demônio busca convencer por falácias, configura uma regra distorcida no coração, distorce toda a realidade “fizeram-me sem razão”. Daí o sentimento de ‘colecionador de injustiças’, espiritualidade de vítima e de complô.
Tais atitudes demonstram uma inteligência doente, onde se encontra orgulho de seu valor intelectual. Esquece-se de que o pecado original a afetou. Inteligências  profundamente feridas, doentes e destruidoras. Uma inteligência doente falseia as inteligências ao redor, mantém sua doença devido a uma paixão que aprisiona a verdade (cf. Rm 1,18ss). Uma inteligência que é sadia pronuncia palavras que nascem do coração e produz pontes e não de uma mente doente e produz muros.
Junto a essa atitude existe o estado de ansiedade, fruto combinado da ira e preguiça, daí se desconhece a paz própria da confiança no Senhor. No mecanismo da suspeita –sob roupagem de amor a verdade- esconde-se uma refinada busca de prazer (prazer sigiloso), onde se produz cascatas de argumentos na busca de salvaguardar uma vontade por traz das ideias. Move-se no pêndulo em busca de gozos imaginários para defender-se de temores imaginários. Suspeita e desconfiança conduz os homens à típica amargura de acusar a Deus. Atitudes eticistas que, pela fantasia condenam a priori, sob aparência de suspeita qualquer aproximação dos outros. A acusação de si mesmo, ou o ‘desprezo’ de si mesmo, espanta a suspeita e dá lugar para a ação de Deus, que é e faz a união dos corações.
Ao acusar, o coração se abaixa, abaixamento do Verbo,  abaixamento da Cruz, que é o que possibilita o acesso a Deus, o acesso ao irmão é realizado pelo próprio Cristo. Conduz a humildade, caminho da humilhação, caminho de luta, mas de vitória garantida. Deve-se lutar, submeter-se à tentação, atrair o diabo, mas por fim, vencer com Cristo.
A mansidão cristã transcende o âmbito das regras e dos bons costumes para alcançar – na mansidão do cordeiro –  sua raiz profunda e seu modelo acabado. Quem acusa a si mesmo abre espaço para a misericórdia de Deus, sempre se aproxima bem dos outros, como o bom samaritano, e nessa aproximação é o próprio Cristo que realiza o acesso aos outros de forma pacífica e humilde, como descrito nos capítulos 2 e 3 do clássico livro ‘Imitação de Cristo’. O caminho reto nos ensina a acusar a si mesmo, o caminho tortuoso acusar o próximo.
 

"Onde há vontade, há um Caminho"