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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Canonização de Abba (Ancião) Iakovos (Tsalikis) ocorrerá no início de junho e será presidida pelo Patriarca Bartolomeu e pelo Arcebispo Jerônimo da Grécia



Evia, Grécia, 16 de maio de 2018 — A canonização de Abba Iakovos (Tsalikis) de Épia será celebrada nos próximos dias 2 e 3 de junho, no Monastério de São Davi, na ilha de Evia, onde São Iakovos praticou o ascetismo e servir como hegúmeno (abade) por muitos anos.
Como previamente planejado, a celebração seria realizada com a participação de S. B. Jerônimo de Atenas e Toda a Grécia e outros membros do Santo Sínodo grego e, mais recentemente, anunciou-se que o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I irá presidir a cerimônia juntamente com o Arcebispo Jerônimo, de acordo com o que relata o Russian Athos.
O Bem-aventurado Abba Iakovos foi contado entre os santos pelo Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico em sua sessão de 27 de novembro de 2017. A iniciativa de sua canonização foi Santo Sínodo da Igreja da Grécia que enviou o pedido e os documentos relacionados ao Patriarcado de Ecumênico de Constantinopla.
Seu dia de festa foi estabelecido em 22 de novembro de acordo com o Novo Calendário.
Espera-se que os dois Primazes se reúnam na noite de 2 de junho para a celebração da Vigília (Vésperas) na Igreja Matriz do Monastério de São Davi, quando será feita a proclamação do Ato Sinodal do Patriarcado Ecumênico de Canonização de Abba Iakovos. No dia seguinte, Domingo de Todos os Santos, os Hierarcas presidirão a Divina Liturgia da festa na Igreja do monastério.



 

"Onde há vontade, há um Caminho"

O sal da humildade





São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre São Mateus, n.º 3
Se queres ser grande, não cultives o orgulho como o fariseu da parábola (Lc 18,9s), e serás verdadeiramente grande. Convence-te de que não tens méritos, e tê-los-ás. O publicano reconheceu que era pecador e, desse modo, tornou-se justo; quanto mais o justo que se reconhece pecador verá aumentar a sua justiça e os seus méritos! A humildade faz do pecador um justo, porque ele reconhece a verdade da sua vida; e a humildade verdadeira age na alma dos justos de forma ainda mais poderosa.

Não percas, pois, por vã glória, o fruto que conquistaste com o teu esforço, o salário das tuas dores, a recompensa dos labores da tua vida. Deus conhece melhor do que tu o bem que fazes. Um simples copo de água fresca será recompensado. Deus reconhece a mais pequena esmola e, se nada podes dar, reconhece até o teu suspiro de compaixão. Ele acolhe tudo e de tudo Se recordará para to devolver em cêntuplo.

Cessemos, pois, de contar os nossos méritos e de os tornar públicos. Se cantarmos os nossos méritos, não seremos louvados por Deus. Dediquemo-nos antes a gemer a nossa miséria, e Deus elevar-nos-á aos olhos dos outros. Ele não deseja que o fruto do nosso labor se perca. No seu amor ardente, quer coroar as nossas menores ações; pois Ele procura todas as oportunidades para nos livrar da geena.
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

Vigilância e Oração




A cura de nossa mente doente começa com o sacrifício do nosso "homem velho", o corte das paixões, o arrependimento. Ao falar da cura da mente (nous), os Santos Padres colocam muita ênfase na prática da vigilância. Devemos em todos os momentos vigiar nossos pensamentos, de modo a rejeitar - para cortar - pensamentos pecaminosos e apaixonados. Quando um pensamento pecaminoso vem à nós e nós o extirpamos de uma só vez, não é um pecado. Mas quando nos entretemos em um pensamento pecaminoso, quando o estimamos e o desenvolvemos, porque nós somos atraídos à ele, então ele se torna pecado, então ele nos separa de Deus. Quando entretemos pensamentos cheios de paixão, a nossa mente torna-se escura, privada da luz da graça divina. Estes pensamentos levam a sentimentos apaixonados, e os sentimentos incendeiam mais pensamentos. Logo estamos presos em uma paixão, e a paixão se torna habitual. É por isso que devemos extirpar a doença onde começa, em nossos pensamentos.
Para cortar pensamentos pecaminosos, precisamos primeiro reconhecer tais pensamentos como nosso inimigo. Temos de perceber que eles podem nos separar de Deus. Por exemplo, quando temos um pensamento de ódio e julgamento contra nosso próximo, devemos reconhecer que entreter esse pensamento nos colocará em inimizade com Deus. Por isso, nos recusamos a entretê-lo. Nós apenas o deixamos ir. E se ele voltar uma hora mais tarde, ou mesmo (como muitas vezes acontece) alguns minutos depois, novamente devemos extirpá-lo.
Na Igreja Ortodoxa, temos um meio especial de cortar pensamentos: a Oração de Jesus. Os efeitos dessa oração são dois. Em primeiro lugar, a oração nos ajuda a cortar e afastar pensamentos cheios de paixão. E em segundo lugar, a oração nos ajuda a voltar continuamente à Cristo, nosso Salvador em todos os momentos. Quando praticamos a vigilância com a ajuda da Oração de Jesus, nós tornamos a nossa alma aberta para receber a Graça do Espírito Santo, que nos transforma e nos diviniza. Nós já não estamos repelindo Graça, mas atraíndo-a. Estamos convidando Cristo para ter misericórdia de nossas almas escuras, para habitar em nós mais plenamente, para encher-nos com a sua vida sem fim, com a luz do Espírito Santo, enviado do Pai. Assim, a nossa mente obscurecida é iluminada pela luz da Graça de Deus. "Somente o Espírito Santo pode purificar a mente", escreve Diádoco de Foticéia na Philokalia. "Em todos os sentidos, em especial através de paz da alma, devemos nos tornar uma habitação para o Espírito Santo. Então teremos a lâmpada do conhecimento espiritual queimando sempre dentro de nós."
Juntamente com a repetição da Oração de Jesus todos os dias durante nossas tarefas diárias, é importante dedicar alguns momentos do dia para a oração, isto é, à uma regra de oração. O conteúdo desta regra de oração varia com cada pessoa, e às vezes ele muda. É bom ter a bênção de um padre ou pai espiritual em sua regra de oração. A regra pode consistir em orações do Livro de Orações ortodoxo, ou a Oração de Jesus, ou ainda melhor, uma combinação destes. São Teófano, o Recluso observa que, enquanto estamos lendo orações a partir de um livro de orações ou repetindo a Oração de Jesus, pode acontecer de sermos movidos pelo desejo sincero de apenas ficarmos em silêncio diante de Deus. Ele recomenda que então paremos de ler ou recitar as orações em tais ocasiões, e em seguida, as retomemos um pouco mais tarde.
Ter um tempo reservado para a oração diária é uma parte indispensável da vida espiritual. Nas famílias deve haver oração em comum diariamente diante de seu altar, canto de oração ou ícone. Mesmo que apenas um pouco de tempo seja reservado para isso, ele pode fazer uma enorme diferença na vida de uma família. Mas para que isso faça a diferença, deve ser regular e não esporádico.
A chave para regras de oração é a constância. Se pularmos nossa regra de oração, nossas leituras bíblicas e as nossas leituras espirituais por um dia, veremos que o mundo já começa a nos invadir: o mundo das paixões, o mundo das distrações. Se ignorarmos nossas orações por dois dias, seremos invadidos ainda mais, e assim por diante. Conforme o tempo passa, teremos menos da mente de Cristo e mais da mente do mundo. Vamos nos encontrar mais e mais "conformados com este mundo".
Para crescer na vida espiritual e colher frutos, precisamos criar raízes, como na parábola do semeador de Cristo. E, a fim de criar raízes, precisamos ter constância, consistência, em nossa oração diária e leitura espiritual. Nesta prática, também, nós podemos "nos renovar dia a dia", como São João Crisóstomo diz.
A prática diária, contínua de vigilância e oração, é claro, não pode tomar o lugar dos sacramentos da Igreja. Mas esta prática pode nos preparar para receber os Sacramentos, e pode aprofundar a nossa experiência deles. São Simeão, o Novo Teólogo diz que receber a Sagrada Comunhão é em si uma espécie de deificação - porque estamos recebendo o Corpo deificado e Sangue de nosso Salvador. A prática de vigilância e oração, juntamente com o nosso arrependimento, pode ajudar-nos a participar.
 
"Onde há vontade, há um Caminho"

SEMELHANTES A DEUS




A imagem de Deus no homem

"Façamos o homem … nossa imagem, conforme a nossa semelhança." (Vide Gên. 5:1; 9:6; Ecl. 7:29; Atos 17:26,28,29; 1 Cor. 11:7; 2 Cor. 3:18; 4:4; Efés. 4:24; Col. 1:15; 3:10; Tia. 3:9; Isa. 43:7; Efés. 2:10.)

O homem foi criado à semelhança de Deus, foi feito como Deus em caráter e personalidade. E em todas as Escrituras o ideal e alvo exposto diante do homem é o de ser semelhante a Deus. (Lev. 19:2; Mat. 5:45-48; Efés. 5:1.) E ser como Deus significa ser como Cristo, que é a imagem do Deus invisível. Consideremos alguns dos elementos que constituem a imagem divina no homem:

1. Parentesco com Deus.

A relação de Deus com as primeiras criaturas viventes consistia em essas, de maneira inflexível, obedecerem aos instintos implantados pelo Criador; mas a vida que inspirou ao homem foi resultado verdadeiro da personalidade de Deus. O homem, na verdade, tem um corpo feito do pó da terra, mas Deus soprou nas narinas o sopro da vida (Gên. 2:7); dessa maneira dotou-o de uma natureza capaz de conhecer, amar e servir a Deus.

Por causa dessa imagem divina todos os homens são, por criação, filhos de Deus. Mas, desde que essa imagem foi manchada pelo pecado, os homens devem ser recriados ou nascidos de novo (Efés. 4:24) para que sejam em realidade filhos de Deus.Um erudito da língua grega aponta o fato de uma das palavras gregas traduzidas por "homem" (anthropos) ser uma combinação de palavras significando literalmente "aquele que olha para cima". O homem é criatura de oração, e há ocasião na vida dos mais perversos quando eles invocam a algum Poder Supremo para socorrê-los.

O homem pode não entender a grandeza da sua dignidade, e assim se tornar semelhante aos irracionais que perecem (Sal. 49:20), mas ele não é irracional. Mesmo na sua degradação, o homem é testemunha da sua origem nobre, pois o animal não pode degradar-se. Por exemplo, ninguém pensaria em ordenar a um tigre dizendo: "Sê tigre!" Ele sempre foi e sempre ser tigre! Mas a ordem, "Sê homem", leva um verdadeiro significado àquele que se degradou. Por mais que se tenha o homem degradado, ainda ele reconhece que deveria estar em plano mais elevado.

2. Caráter moral.

O reconhecimento do bem e do mal pertence somente ao homem. A um animal pode-se ensinar a não fazer certas coisas, mas é porque essas coisas são contrárias à vontade do dono e não porque o animal saiba que estas coisas são sempre corretas e outras sempre erradas.

Em outras palavras, os animais não possuem natureza religiosa ou moral; não são capazes de ser instruídos nas verdades concernentes a Deus e à moralidade. Assim escreve um grande naturalista: Concordo plenamente com a opinião dos escritores que asseguram ser o sentido moral, ou seja, a consciência, a mais importante de todas as diferenças entre o homem e os animais inferiores. Esse sentido está resumido naquele curto mas imperioso "deve", tão cheio de significação. É o mais nobre de todos os atributos do homem.

3. Razão.

O animal é meramente uma criatura da natureza; o homem é senhor da natureza. Ele é capaz de refletir sobre si próprio e arrazoar a respeito das causas das coisas. Pensem nas invenções maravilhosas que surgiram da mente do homem — o relógio, o microscópio, o vapor, o telégrafo, o rádio, a máquina de somar, e outras numerosas demais para se mencionar. Olhem a civilização construída pelas diversas artes. Considerem os livros que foram escritos, a poesia e a música que foram compostas. E então adorem ao Criador por esse dom maravilhoso da razão! A tragédia da história é esta: que o homem tem usado esse dom para propósitos destrutivos, até mesmo para negar o Criador que o fez uma criatura pensante.

4. Capacidade para a imortalidade.

A existência da árvore da vida no Jardim do Éden indica que o homem nunca teria morrido se não tivesse desobedecido a Deus. Cristo veio ao mundo para colocar a Alimento da Vida ao nosso alcance, para que não pereçamos, mas vivamos para sempre.

5. Domínio sobre a terra.

O homem foi designado para ser a imagem de Deus com respeito à soberania; e como ninguém pode ser monarca sem súditos e sem reino, Deus deu-lhe tanto um "império" como um "povo". Deus os abençoou, e lhes disse: "Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra" (Gên. 2:28.Vide Sal. 8:5-8.) Em virtude dos poderes implícitos em ser o homem formado à imagem de Deus, todos os seres viventes sobre a terra estavam entregues na sua mão.

Ele devia ser o representante visível de Deus em relação às criaturas que o rodeavam. O homem tem enchido a terra com as suas produções. É um privilégio especial do homem subjugar o poder da natureza à sua própria vontade. Ele, o homem, obrigou o relâmpago a ser o seu mensageiro, tem circundado o globo, subido até às nuvens e penetrado as profundezas do mar. Ele tem jogado as forças da natureza umas contra as outras, mandando os ventos ajudá-lo em enfrentar o mar. Se é tão maravilhoso o domínio do homem sobre a natureza externa e inanimada, mais maravilhoso ainda é o seu domínio sobre a natureza animada.

Vejam o falcão treinado derribar a presa aos pés do seu dono e voltar quando os grandes espaços o convidam à liberdade; vejam o cão usar a sua velocidade a serviço do dono, tomar a presa que não será sua; vejam o camelo transportar o homem através do deserto, sua própria habitação. Todos eles mostram a capacidade criadora do homem e a sua semelhança com Deus o Criador. A queda do homem resultou na perda e no desfiguramento da imagem divina.

Isto não quer dizer que os poderes mentais e psíquicos (a alma) foram perdidos; mas que a inocência original e a integridade moral, nas quais foi criado, foram perdidas por sua desobediência. Portanto, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e está sem esperança, a não ser por um ato de graça que lhe restaure a imagem divina.Este assunto será tratado mais detalhadamente no capítulo seguinte.
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Excomunhão


Excomunhão é uma punição religiosa utilizada para se retirar ou suspender um crente de uma filiação ou comunidade religiosa. A palavra significa literalmente colocar [alguém] fora da comunhão. Em algumas religiões, excomunhão inclui condenação espiritual do membro ou grupo. Excomunhão estigmatiza e sanções, que incluem banimento do crente.
Segundo Dom Felício da Cunha Vasconcellos, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, entre 1930-1945, excomunhão na Bíblia se entende como: 
“Avisar aos crentes, fazer entender aos fiéis sobre algo que afete ao Credo a religião Cristã. É uma carta, uma mensagem, ou outro instrumento de divulgação religiosa dentro e fora das igrejas que avisem aos crentes sobre algo de anormal na religião professada, ou seja, a manifestação levada a indivíduos em particular e/ou a seitas religiosas e/ou políticas que costumam publicar ideologias em dois sentidos e/ou "Línguas Bífidas" para envolver os crentes.”

Os efeitos da excomunhão encontram-se claros no cânon 1331:
Cânon 1331
§1 – Proíbe-se ao excomungado:
1. Possuir qualquer participação ministerial na celebração do Sacrifício Eucarístico ou em quaisquer outras cerimônias de culto;
2. Celebrar os sacramentos ou sacramentais e receber os sacramentos;
3. Desempenhar ofícios, ministérios ou cargos eclesiásticos ou realizar atos de regime.
§2 – Quando a excomunhão foi imposta ou declarada, o réu:
1. Se quiser agir contra o que é prescrito no §1, deverá ser rejeitado ou deve cessar a cerimônia litúrgica, a não ser que obste uma causa grave;
2. Realiza invalidamente os atos de regime, que conforme o §1,3 são ilícitos;
3. Está proibido de gozar dos privilégios que anteriormente lhe foram concedidos;
4. Não pode obter validamente uma dignidade, ofício ou outra função na Igreja;
5. Não tem para si os frutos de uma dignidade, ofício, função ou pensão que tenha na Igreja.
O §1 se refere ao excomungado em geral, sem oferecer maiores especificações. Portanto, diz respeito a todos os excomungados, sejam “latae sententiae” ou “ferendae sententiae”. Por outro lado, o §2 refere-se apenas àqueles que foram excomungados “ferendae sententiae” (excomunhão imposta) ou “latae sententiae” declarada; excluem-se aqueles que incorreram em excomunhão “latae sententiae” não-declarada.
Além disso, deve-se considerar que o cânon 1355 suaviza os efeitos da excomunhão todas as vezes que objetive atender a um fiel em perigo de morte. Esta indicação se refere ao ministro que incorreu em excomunhão; o cânon 976, por sua vez, concede faculdade a qualquer sacerdote, ainda que não esteja aprovado, de absolver de qualquer censura.
Para a cessação da excomunhão deve-se ter em conta as normas do Direito Canônico sobre a cessação das censuras eclesiásticas.
O Brasil é um país cristão, de expressiva maioria católica. A informação de religião, portanto, merece atenção especial. É um segmento importante. A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística. Sobressai, entre eles, a falta de especialização, razoável desconhecimento técnico e, reconheçamos, certa dose de preconceito. Acresce a tudo isso, o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. Falta profissionalização da comunicação institucional da Igreja.