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segunda-feira, 21 de maio de 2018

APÓS O PENTECOSTES




A partir deste ano, na segunda-feira após Pentecostes, a Igreja celebra a memória obrigatória de Santa Maria, Mãe da Igreja.
"A feliz veneração em honra à Mãe de Deus da Igreja contemporânea, à luz das reflexões sobre o mistério de Cristo e sobre a sua própria natureza, não poderia esquecer aquela figura de Mulher (cf. Gal. 4,4), a Virgem Maria, que é Mãe de Cristo e com Ele Mãe da Igreja.
A Mãe, que estava junto à cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial.
Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Ao longo dos séculos, por este modo de sentir, a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, “Mãe da Igreja”, como aparece nos textos dos autores espirituais assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII."
Decreto Ecclesia Mater


"Onde há vontade, há um Caminho"

Solenidade de Pentecostes - Reflexões

( Por D. Emanuele Bargellini - Prior do Mosteiro da Transfiguração)

A solenidade de Pentecostes, constitui o  cume do mistério pascal de Cristo e da sua celebração.  Ao mesmo tempo   destaca a potência transformadora que do mesmo se irradia, pela efusão e a ação misteriosa do Espírito Santo, abrindo  um novo inicio e um novo  caminho.

            Pentecostes marca a meta da  longa peregrinação  de fé que iniciamos na quarta-feira das Cinzas, quando, acolhendo com humildade o austero sinal das cinzas, reconhecemos a necessidade de serem perdoados dos nossos pecados  pela misericórdia de Deus. Por quarenta dias (Quaresma) nos colocamos a caminho, seguindo Jesus,  até  o sagrado tríduo da são morte, sepultura e ressurreição (Páscoa).

Como num grande  dia de Páscoa sem interrupção, por cinqüenta dias, até hoje, (pentecostes= dia qüinquagésimo),  ficamos mergulhados nessa  graça e neste clima de renovação, procurando que o dom do  Espírito, se tornasse  sempre mais efetivamente, manancial da nossa própria  vida, inspirada pelo mesmo amor que conduziu Cristo a dar sua vida para todos nós. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações  pelo Espírito santo que nos foi dado “(Rm 5,5), afirma o apostolo Paulo.

O Espírito nos introduz na vida divina, realça em nós as potencialidades do amor, a intimidade filial com Deus na liberdade própria dos seus filhos e filhas, e a recíproca fraternidade entre nós.”Os que são conduzidos pelo Espírito  de Deus,  são filhos de Deus...recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos “Aba, Pai” (Rm 8, 14-15).

Deixar-nos animar e conduzir pelo Espírito do Senhor, é o que nos faz homens e mulheres “espirituais” ! Homens e mulheres, capacitados  pelo próprio Espírito, e chamados a viver segundo os critérios e o estilo de Deus, estilo pascal, marcado pela gratuidade e sua extensão a todos! Ninguém fica fora do amor de Deus. E ninguém tem que ficar fora do nosso amor, enquanto discípulos de Jesus, guiados pelo seu Espírito.

         A narração dos eventos de Pentecostes, oferecida na I leitura (At 2, 1-11), mostra  a surpreendente iniciativa de Deus, para fazer-se próximo à comunidade dos discípulos de Jesus , e, através deles, à toda a humanidade.

            A linguagem simbólica daquela narração, vislumbra a gratuita iniciativa,  com que Deus se fez  solidário com seu povo de Israel, libertando-o da escravidão  do Egito, e estabelecendo com o mesmo um pacto de aliança ao Monte Sinai (Ex 19).

Evocando aquela experiência,  Lucas afirma que em Jesus, morto e ressuscitado, a proximidade de Deus  com a humanidade  se fez intimidade, partilha da própria vida, ao doar seu Espírito.  E que a aliança do Sinai,  nele,  se tornou plena e definitiva, enquanto inscrita nos corações de cada um, pelo seu próprio Espírito, segundo o anúncio dos profetas ( Jer 31, 31-34; Joel 3, 1-5).

Se o pecado dos homens foi o de presumir   contrapor-se a Deus, “ ao tentar construir uma torre capaz de penetrar até o céu”, mas de fato determinando a incomunicabilidade entre os homens  e a dispersão deles,  (Gen 11, 1-11), no dia de Pentecostes, com o dom pascal do Espírito  Santo,  “que desce do céu” em formas de línguas de fogo,  e que permite a  cada um  de escutar proclamar a obra salvifica  de Deus na própria língua  ”(At 2, 1-8), inicia uma nova historia. A nova historia, aberta por Jesus, é história de relação  livre e  de filial obediência a Deus,  bem como  de acolhida fraterna entre os homens e as mulheres renovados pelo Espírito de Jesus.

Jesus Ressuscitado(evangelho), vencendo as barreiras do medo e da desconfiança  nas quais os discípulos continuavam a ficar  fechados, se apresenta a eles e, com o anúncio da paz, sopra sobre os mesmos o Espírito  Santo, e, com o Espírito, doa a sua própria vida divina, indicada com a remissão dos pecados.

Eles são capacitados a viver na plena comunhão com o Pai, e na comunhão recíproca, inspirada e construída pela força vital  do Espírito, que todos os habita  e os reconduz à unidade, como a único principio vital. “ Como o  corpo é um, embora tenha muitos membros, e como  todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo” (I Cor 12, 12).

As diversidades entre as personalidades, sensibilidades, experiências, culturas e religiões, a partir desta pertença ao único principio divino de vida que nos precede e nos transcende,  não se tornam mais motivo de divisão e dispersão, mas  de amor convergente  e de louvor a Deus, como as diferentes vozes  e notas de uma sinfonia. “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor” (I Cor 12, 4-5).

A nossa profissão de fé, bem como toda nossa relação, na dinâmica das diferencias que experimentamos cada dia, encontram no Espírito o principio da recíproca acolhida e colaboração.

Enriquecidos de tal  dom divino, que de hoje em diante deveria animar nossa vida cotidiana, na simplicidade do dia dia,  que a linguagem litúrgica chama de “tempo ordinário”,  uma pergunta há de nos acompanhar constantemente: “Vivo e atuo como filho da páscoa e do pentecostes, ou ainda como  os homens de Babel ?”

Em cada celebração da eucaristia, invocamos a descida do Espírito (Epiclése),  para que ele transforme o pão e o vinho, por nós oferecidos, no corpo e no sangue do Senhor, a fim de que nós, participando a eles, nos tornemos um só corpo e um só espírito com Ele e entre nós.  Esta é nossa esperança, nossa vocação e nosso compromisso cotidiano.

Que o Senhor nos conceda viver   cada dia um “novo Pentecostes”, como o Bem-aventurado papa João XXIII, preanunciou para toda a igreja, através  do evento do concilio vaticano II.

“Será verdadeiramente o “novo Pentecostes”, que fará florescer a igreja nas suas riquezas interiores e na sua atenção materna a todos os campos da atividade humana: será novo passo em frente, do reino de Cristo no mundo”( Discurso de conclusão da I Sessão do conc. 8/12/63) 

50 anos depois, papa Francisco nos alerta: "Falando claro, o Espírito Santo nos incomoda. Porque mexe conosco, nos faz caminhar, empurra a Igreja para ir pra frente...Pareceria que hoje temos mais alegria pela presença do Espírito Santo, mas não é assim. Basta olhar para o Concílio Vaticano II “obra do Espírito Santo”. João XXIII foi fiel ao Espírito Santo, mas hoje, 50 anos depois,  fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no Concílio?  Não.

Festejamos o aniversário, fazemos um monumento, mas que não nos incomode. Não queremos mudar. E pior: há pessoas que querem ir para trás. Isso é que se chama ser teimoso, isso se chama querer domesticar o Espírito, tornar-se tardos e lentos de coração” (Hom. 17/4/13).



"Onde há vontade, há um Caminho"

A lâmpada de São Charbel



 

Um dia, Padre Charbel levou sua lâmpada - não havia na época energia elétrica - à cozinha a fim de que o servente a abastecesse de azeite.
O servente e seu companheiro, que eram adolescentes, querendo zombar do humilde monge, encheram a lâmpada de água.
Padre Charbel, agradecendo gentilmente o servente, se recolhe à sua cela e acende a lâmpada, e ela permanece acesa.
Os serventes brincalhões estavam observando.
Ao ver a luz na cela de nosso Santo, perturbaram-se e correram a relatar o fato ao padre superior. Este vai imediatamente à cela e verifica que, de fato, a lâmpada está acesa, mesmo contendo só água.
Um destes serventes, de nome Saba Mussa, sobreviveu ao Padre Charbel e,
na idade de 60 anos, deu, sob juramento, testemunho do ocorrido.

No dia seguinte, o Padre Geral da Ordem, avisado deste milagre, autorizou imediatamente Padre Charbel a ocupar, no eremitério dos Santos Pedro e Paulo que pertence ao mosteiro de Annaya, a cela do padre Eliseo Kassab Al-Hardini, irmão de nosso novo Beato Nimatullah, que acabava de morrer. Assim Padre Charbel se tornou eremita no dia 15 de fevereiro de 1875, que era Ano Santo. Este eremitério está situado a 1.400 metros de altitude, e foi construído no ano 1798, dois séculos antes da morte de nosso Santo.

O eremita tem de procurar ser um novo crucificado, um novo cordeiro da Páscoa na Igreja de Cristo. Assim, seus dias são divididos entre as preces e meditações continuas, e trabalhos braçais nas propriedades do convento, mas nas vizinhas do eremitério. O regulamento permite-lhe dormir cinco horas por dia, para passar o resto do tempo rezando, pois, conforme São Charbel: "A prece relaxa os membros mais eficazmente que o sono". Às vezes, nosso Santo permanecia horas e horas a fio ajoelhando diante o Santíssimo Sacramento. Sua cela tinha seis metros quadrados. Se encontrava nela : um colchão de folhas de carvalho, uma lâmpada de azeite, um prato de madeira sobre um banquinho, uma pedra que serve de cadeira, os livros de preces, particularmente "A Imitação de Jesus Cristo ".

O eremita maronita tinha só uma refeição às 14:ao horas, que é composta por comida simples, em geral legumes verdes ou cozidos, cereais, azeitonas. Nunca comeu carne, nem frutas. Esta refeição é sempre entregue pelo convento. Bebeu só água. Padre Charbel dizia: "A pobreza favorece a salvação. A frugalidade fortalece a alma. Quero viver nas privações, ignorando os prazeres e as doçuras deste mundo. Quero ser o servidor de Cristo e de meus irmãos". Assim, o eremita Padre Charbel mal vestido, mas com vestes limpas, mal alimentado, mas com boa saúde, exposto sem defesa ao frio e ao calor, privado de qualquer conforto e qualquer ternura humana, era, entretanto, o homem mais feliz do mundo, pois o Senhor tornara-se sua verdade, sua força, sua riqueza, sua alegria e a razão da sua vida. Por isso, magro, seu rosto estava sempre radiante.

Morte: No dia 16 de dezembro de 1898 às 11:00 horas, o eremita Padre Charbel celebrava como de costume a santa missa na capela do eremitério quando foi atacado de paralisia no momento exato da Grande Elevação, enquanto recitava em aramaico "Aba Dcushto", a seguinte oração da Liturgia Maronita: "Ó Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima de Vosso agrado, aceitai-O pois Ele sofreu a morte para minha justificação...Eis aqui o Seu sangue derramado sobre a gólgota para minha salvação... aceitai minha oferenda". A agonia durou 8 dias; após 23 anos de uma vida de eremita exemplar, São Charbel morreu no dia 24 de dezembro de 1898, na véspera do Natal, aos 70 anos de idade.

Ele morreu como morrem os Justos! Foi enterrado com simplicidade no cemitério do convento de São Marun de Annaya com outros monges já falecidos. Faleceu, mas podemos dizer que a sua verdadeira vida começou com a sua morte, pois, no Líbano como no mundo inteiro, São Charbel é sempre invocado.

"Onde há vontade, há um Caminho"

A ciência em busca de Jesus:Assim era Jesus: o misterioso Homem do Sudário, reconstruído em 3D





Arrepiante: "Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra", diz o cientista responsável
Estaremos diante de uma reconstituição do corpo real de Jesus Cristo?
“Esta estátua é a representação tridimensional do Homem do Sudário, em tamanho natural, feita com base em medidas milimétricas tomadas do pano em que o corpo de Cristo foi envolvido após a crucificação”.
Quem explica é Giulio Fanti, professor de medições mecânicas e térmicas na Universidade de Pádua e estudioso da relíquia, uma das mais enigmáticas e apaixonantes do mundo cristão (e também do mundo incrédulo). Com base em suas medições, o professor fez a reconstituição em 3D que, a seu ver, permite afirmar que essas são as reais características do Cristo crucificado.
“Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra. A partir de agora não será mais possível retratá-lo sem levar em conta este trabalho”.
O professor concedeu à revista italiana Chi a conversa exclusiva em que afirmou:
“Segundo os nossos estudos, Jesus era um homem de extraordinária beleza. Longilíneo, mas muito robusto, tinha 1m80 de altura, quando a altura média naquele tempo era de cerca de 1m65. E tinha uma expressão real e majestosa” (cf. Vatican Insider).
Mediante os estudos e a projeção tridimensional, Fanti pôde também computar as numerosas feridas no corpo do Homem do Sudário:
“No Sudário eu contei 370 feridas de açoites, sem considerar as laterais, que o pano não revela porque envolveu apenas a parte anterior e a posterior do corpo. Mas podemos supor pelo menos 600 golpes. Além disso, a reconstrução tridimensional permitiu observar que, na hora da morte, o Homem do Sudário pendeu para a direita, porque o ombro direito foi deslocado de modo tão grave que lesou os nervos” (cf. Il Mattino di Padova).
As perguntas envoltas no mistério do Sudário são desafiadoras. Mais informações científicas e históricas podem ser encontradas acessando-se este artigo.
É notório que, nesse homem torturado, vemos sinais inquestionáveis de sofrimento. Os olhos da fé enxergam nele o homem por excelência, aquele que foi apresentado pela arrepiante frase “Ecce Homo”, “Eis o homem”; aquele que foi visto manso e majestoso diante de Pilatos, mas que sofreu terrível flagelação, espancamentos, coroação de espinhos, subida ao Calvário carregando aos ombros a própria cruz, crucificação como inocente e morte pela nossa redenção.
Acreditar na autenticidade do Sudário não é obrigatório para nenhum cristão. Mas o carácter excepcional daquele pano fúnebre e seus séculos e séculos de mistério fascinante e desafiador provoca o nosso entendimento e as nossas certezas, tal como fez aquele Nazareno que desafiou as nossas certezas ao amar os seus perseguidores, a perdoá-los do alto da cruz e derrotar a morte para sempre.
 
"Onde há vontade, há um Caminho"