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segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Bíblia Católica

Durante cinco séculos a versão Douay-Rheims da Bíblia permaneceu como padrão das traduções da Bíblia em inglês para os Católicos Romanos de todo o mundo. Como primeira e também a mais duradoura tradução da Vulgata Latina, a Douay-Rheims foi traduzida nos finais do século XVI por iniciatia de Gregory Martin. A sua popularidade cresceu rapidamente entre os católicos ingleses - tornando-se parte essencial da identidade católica durante a contra-reforma inglesa - tendo sido re-impressa centenas de vezes durante os séculos que se seguiram.
Este é um pequeno estudo em que se comparam as duas das versões da Bíblia católica mais conhecidas, a Vulgata Latina e a Douay-Rheims, com outra versão em língua inglesa - a versão do Rei Jaime (Tiago) ou King James (KJV) [see ver: KJV - Vulgata - em paralelo]
  • A tradução latina mais cohecida - a Vulgata Latina [Vulgate] foi feita por São Jerónimo, sob patrocínio do Papa Damásio, tendo a sua primeira edição em 383 DC. Foi traduzida inicialmente do Septuaginto, a versão grega do Antigo Testamento, mas a versão revista em 405 DC era:
    AT [Antigo Testamento] do hebraico (S. Jerónimo considerou que o grego não era o adequado e traduziu-o de novo.), e novas traduções para Latim dos Salmos (o chamado Saltério Gallico)
    O NT (Novo Testamento) foi compilado, essencialmente, a partir das versões em Latim que já existiam. A Bíblia de 80 livros (39 AT, 14 A, 27 NT) foi revista e corrigida através dos anos, as primeiras versões impressas foram a respeitadas edições da Universidade de Paris, do século XIII.
    Em 1546 o Concílio de Trento decretou que a Vulgata era a autoridade bíblica exclusiva em Latim. Requeria que a sua impressão fosse feita com o mínimo de erros possível, o que resultou na chamada versão da Vulgata do Papa Clementino (VIII), de 1592, com 80 livros. Tornou-se no texto Bíblico com a mais alta autoridade na Igreja Católica Romana. A partir dessa versão foi traduzida a da Confraria, em 1941 e em 1965, cuja edição revista foi autorizada pelo Concílio Vaticano II. Em 1582 Roma proclamou o seu Édito de "Só Latim" e o preambulo da Grande Bíblia chegou ao fim. Em 1609-10 a Bíblia Douay/Rheims foi publicada. A primeira tradução católica em inglês (80 livros), traduzida da Vulgata (uma desvantagem) que se tornou a semente bíblica de todas as versões da Bíblia católica
  • No entanto, este importante evento foi ofuscado no ano seguinte. Em 1611 o rei Jaime colocou o seu nome na "King James", a 3ª versão autorizada, utilizada por muitos até ao presente, e criticada por alguns como agarrada ao passado. Era uma obra-prima, o culminar do trabalho desenvolvido durante o século XVI. Incluía o melhor do que já tinha sido feito em estilo, prosa, divisão de capítulos e versículos e de tradução muito precisa. Um passo literário e espiritual gigantesco, o que para aquele tempo era impressionante. Estava baseada na Grande Bíblia e em vários textos TR (textus receptus) com a influência da Vulgata. Reinou suprema até 1881. Uma revisão substancial da Bíblia Douay-Rheims foi publicada em 1752, uma Bíblia Católica traduzida por Richard Challoner. Challoner, um bispo inglês convertido ao protestantismo, usou extensivamente a versão KJV no seu trabalho de tradução. A edição revista de Challoner da Bíblia Douay-Rheims ainda é utilizada hoje em muitas Igrejas Católicas. A Douay-Rheims correntemente no mercado também não é a versão original de 1609. Tecnicamente é chamada de versão Douay-Challoner porque é uma revisão da Douay-Rheims feita em meados do século XVIII pelo Bispo Richard Challoner. O bispo Challoner actualizou a Douay substituindo muitas palavras arcaicas (por exemplo, "blood" em vez de "bloud"). Ele consultou também manuscritos Gregos e Hebraicos antigos, o que significa que a Bíblia Douay correntemente no mercado não é uma tradução directa da Vulgata (Jerónimo) (o que muitos dos seus defensores não se apercebem).
  • Se pretende fazer um estudo sério da Bíblia, uma tradução literal, como a KJV (não denominacional ou inter denominacional) ou a DRC (Católica) é o que precisa (a versão JFA, em português, é a que mais se assemelha à KJV). Isto permite que consiga compreender melhor as implicações detalhadas do texto, embora seja mais difícil de ler. Também evita ter que se preocupar com os diversos pontos de vista dos tradutores que não se poupam em colorir o texto. Uma segunda questão que é preciso colocar é se pretende uma tradução moderna ou antiga. Versões antigas, tais como a KJV (JFA em português) ou a Douay-Rheims, soam mais dignas, autoritárias e inspiradas. Mas são ligeiramente mais difíceis de ler e entender porque o inglês mudou em quase 400 anos desde que foi feita a sua tradução (JFA é do século XVII)
  • No entanto, um dos inconvenientes em usar algumas das traduções modernas é que não usam a versão tradicional de algumas frases e o leitor pode achar isso problemático. Por exemplo, a maior parte das pessoas já ouviram o versículo em Isaías 9 que diz: "For to us a child is born, to us a son is given, and the government will be on his shoulders. And he will be called Wonderful Counselor, Mighty God, Everlasting Father, Prince of Peace" (Isaiah 9:6 - KJV ). A versão "New American Bible" (uma vesão moderna católica) oferece esta tradução: "For a child is born to us, a son is given us; upon his shoulder dominion rests. They name him Wonder-Counselor, God-Hero, Father-Forever, Prince of Peace" (Isaiah 9:5, NAB). Esta versão católica, por sua vez varia de outra versão católica, a DR (Douay-Rheims) que diz: “For a CHILD IS BORN to us, and a son is given to us, and the government is upon his shoulder: and his name shall be called, Wonderful, Counselor, God the Mighty, the Father of the world to come, the Prince of Peace.” [Isaiah 9:6]. Imaginemos escutar no Messias de Handell (Handell's Messiah), "For unto us a Child is Born" (Porque um filho nos nasceu) - cuja letra provém da KJV, ser cantado na versão NAB de 'God-Hero, Father-forever' ... Se aprecia o Messias de Handell o "Halleluya Chorus" [som], cuja letra são simplesmente versículos bíblicos, como tantos católicos em todo o mundo, sabe bem que não é possível cantar esta obra-prima usando qualquer outra versão que não a KJV. Excepto se, possivelmente, se usasse a versão mais antiga da Bíblia católica em inglês, a Douay-Rheims, que é muito próxima da KJV.
    Mas, mesmo outras versões da Bíblia católica são por vezes confusas quando comparadas umas com as outras: a Bíblia Pastoral (Pastoral Bible), por exemplo, apresenta uma versão desse mesmo versículo (Isaías 9:6), que é completamente igual ao da KJV, mas coloca-o como versículo 5 (quando devia ser 6), resultando numa apresentação diferente das outras Bíblias católicas [?].
Outras questões:
  • KJV: 'Jesus answered, Verily, verily, I say unto thee, Except a man be born of water and of the Spirit, he cannot enter into the kingdom of God. [John 3:5]
    Vulgata: respondit Iesus amen amen dico tibi nisi quis renatus fuerit ex aqua et Spiritu non potest introire in regnum Dei [John 3:5]
    Douay-Rheims: Jesus answered: Amen, amen I say to thee, unless a man be born again of water and the Holy Ghost, he cannot enter into the kingdom of God. [John 3:5]
  • O original na Vulgata (a versão católica com mais autoridade) não diz Spiritus Sanctus (Espírito Santo) como em João 14:26, mas somente Spiritus - o que a KJV confirma.
    A Douay-Rheims, neste caso, adicionou a palavra "Holy" (Santo)
    A KJV foi traduzida dos originais em grego e hebraico, tais como a Vulgata, que precede a DRC.
  • [Grego, Latin e Inglês em paralelo AQUI]
  • Assim, a KJV e a Vulgata provêm basicamente da mesma fonte. A semelhança da Vulgata com a KJV mostram isso mesmo.
  • Pelo exposto supra, podemos deduzir que a KJV deveria ser mais fácil de aceitar pelos católicos do que outras versões católicas modernas, isto porque a versão católica autorizada por muitos séculos, foi sempre a Vulgata Latina, e a KJV é comprovadamente mais alinhada com a Vulgata do que as versões católicas modernas. Em 1943, na Encíclica Divino Afflante Spiritu, o Papa Pio XII declarou que a Vulgata, tendo sido usada pela Igreja Católica por tantos séculos, provou estar livre de erros doutrinais e morais.
  • Alguns factos históricos sobre a versão KJV da Biblia: King James Bible Turns 400.
Livros Apócrifos
  • Os livros apócrifos são uma selecção de livros que foram publicados na versão original de 1611 da KJV. Estes livros foram posicionados entre o Antigo e o Novo testamentos (também contêm mapas e genealogias). Os apócrifos foram parte da KJV por 274 anos até serem removidos e 1885 DC. Uma porção destes livros era chamada de livros deuterocanónicos por algumas entidades, como a Igreja Católica.
    Muitos reclamam que os apócrifos nunca deveriam ter sido incluídos, suscitando dúvidas sobre a sua validade e sustentando que não eram inspirados por Deus (por exemplo, uma referência sobre magia parece inconsistente com o resto da Bíblia: Tobias, capítulo 6, versículos 5-8). Outros creem que são válidos e que nunca deveriam ter sido removidos - que foram considerados parte da Bíblia durate quase 2000 anos antes de terem sido recentemente removidos há pouco mais de 100 anos. Alguns dizem que foram removidos por não se encontrarem nos manuscritos originais em hebraico. Outros reivindicam que não foram removidos pela Igreja mas pelos tipócrafos a fim de reduzirem os custos de distribuição da Bíblia nos Estados Unidos. Ambos os lados têm tendência a citar os mesmos versículos que avisam sobre o adicionar ou retirar partes da Bíblia: Apocalipse 22:18. A palavra apócrifo significa escondido. Alguns dos Manuscritos do Mar Morto, com data anterior a 70 DC, contêm partes dos livros apócrifos em hebraico, incluindo Sirácida e Tobias. Lembre-se ao ler os livros apócrifos do que disse Martinho Lutero: "os apócrifos - ou seja, livros que não são considerados iguais às escrituras sagradas, são úteis e bons para ler.
Diversidade de Bíblias Católicas

Há dezenas de edições da bíblia disponíveis nas livrarias do Brasil. Neste post, você viu por que existem tantas edições diferentes e quais são as variações que existem entre elas. Agora, você vai conhecer cinco edições católicas que têm diferenciais interessantes. Os critérios usados para avaliá-las foram os mesmos que o post anterior explicou: quais as características da tradução presente em cada edição; quais elementos complementares cada edição traz; e como é a aparência de cada uma delas. Confira estas cinco edições diferentes e, no final, ainda uma outra de bônus:
Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulus, R$ 60 (média encadernada)

É a versão brasileira de uma célebre edição francesa feita por acadêmicos da Escola Bíblica de Jerusalém.
Tradução: Traduzida diretamente do hebraico e do grego, a Bíblia de Jerusalém é largamente considerada a tradução mais fiel à letra do texto bíblico disponível nas livrarias do Brasil. É perfeita para o estudo e também para a oração pessoal. Para a pregação e a catequese, requer um pouco de cuidado, porque a tradução soa bastante diferente das edições populares.
Elementos complementares: As introduções são bastantes sérias ao apresentar o contexto de cada livro e a sua formação. As notas são de cunho científico e se atêm a esclarecimentos necessários, evitando interpretações pessoais. Apresenta ainda referências cruzadas e alguns mapas e anexos.
Design: Sóbria e elegante, apresenta edições em tamanho médio com capa dura, cristal ou zíper e uma edição grande em capa dura. A edição pequena, que seria ótima para levar na bolsa, está fora de circulação há anos.
Bíblia do Peregrino, Ed. Paulus, R$ 72 (encadernada)

A edição tem uma característica única entre as bíblias católicas editadas no Brasil: a tradução, os comentários e as notas são fruto do trabalho hercúleo de um só homem, o jesuíta espanhol Luis Alonso Schökel.
Tradução: Foi traduzida a partir do espanhol, seguindo o texto belo e fluido da tradução dos originais feita pelo padre Schökel. Por valorizar o texto bíblico como literatura é muito boa para a leitura contínua da bíblia, bem como para a oração. A unidade do texto – obra de um só tradutor – é perceptível e também é um ponto positivo.
Elementos complementares: A Bíblia do Peregrino é repleta de notas de rodapé – elas geralmente ocupam mais da metade de cada página. São comentários que ajudam na compreensão do texto bíblico, aprofundando o seu contexto e fazendo notar aspectos interessantes do texto.
Design: A bela capa é de autoria de Cláudio Pastro. Há edições em capa cristal ou capa dura, tanto com a bíblia completa ou apenas com o Novo Testamento. A edição completa é enorme – melhor deixar em cima da escrivaninha, onde pode ser manuseada sem problemas.

Bíblia Católica do Jovem, Ed. Ave Maria, R$ 79
Trata-se da edição brasileira de um projeto do Instituto Fe y Vida, que trabalha com a comunidade latina nos Estados Unidos. Participaram do projeto pessoas de 11 países da América, em sintonia com o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).
Tradução: A editora usou a mesma tradução de suas bíblias populares, a Bíblia Ave Maria, um clássico das salas de catequese brasileiras. É uma tradução de uma edição célebre em língua francesa, que por sua vez é uma tradução dos originais grego e hebraico feita pelos monges beneditinos de Maredsous, na Bélgica.
Elementos complementares: É uma das edições católicas mais completas disponíveis no Brasil. Além dos textos introdutórios a cada livro, conta com mais de 800 comentários em boxes durante o texto, que abordam desde perfis de personagens bíblicos até perspectivas da cultura latino-americana, afro-americana e outras seis tradições, passando por textos de apoio à oração, comentários sobre símbolos e sobre a liturgia católica e reflexões.
Design: As dimensões e o peso da Bíblia Católica do Jovem se assemelham ao tamanho robusto das edições de estudo evangélicas. O seu interior, porém, é bem ilustrado, com uma diagramação informal e algumas páginas coloridas.

A Bíblia, Ed. Paulinas, R$ 19,50 (Novo Testamento encadernado)
Novo projeto das Paulinas, por enquanto estão disponíveis apenas edições contendo o Novo Testamento e os Salmos. A tradução dos outros livros bíblicos está em andamento. Tem tudo para ser a edição preferida para uso na catequese e em grupos de oração.
Tradução: Foi feita a partir dos originais grego e hebraico e apresenta uma linguagem bastante acessível e leve. Ótima para a catequese, a pregação e a oração pessoal ou em grupo.
Elementos complementares: É uma edição enxuta, mas tem bastantes notas de rodapé que ajudam a elucidar elementos mais difíceis do texto bíblico.
Design: Singela e caprichada, é talvez a edição mais bonita disponível nas livrarias hoje, sobretudo em sua versão encadernada. Os números dos capítulos e os títulos são impressos em vermelho e as páginas contam com belas ilustrações de Cláudio Pastro. É para levar na mochila – ainda mais a edição de bolso, ótima para dar de presente a pequenos grupos nas comunidades.

Bíblia Jovem – Youcat, Ed. Paulus, R$ 27
Recém-lançada no Brasil, é produzida pela mesma fundação que fez o Youcat, o catecismo católico para jovens publicado em 2011 com o apoio da Santa Sé, e o Docat, um compêndio da doutrina social da Igreja para jovens.
Tradução: A edição brasileira usa o mesmo texto bíblico da Nova Bíblia Pastoral, uma tradução bem acessível feita a partir dos idiomas originais.
Elementos complementares: É uma edição com a cara do Youcat: traz frases de santos, papas e escritores cristãos e não-cristãos, ilustrações, fotografias, testemunhos de jovens e curiosidades. E faz uma escolha ousada: a edição não apresenta o texto bíblico completo, mas uma seleção de trechos de todos os livros. O prefácio é assinado por ninguém menos que o papa Francisco.
Design: A editora, graças a Deus, conseguiu manter um preço acessível mesmo com um material de qualidade gráfica impressionante. A Bíblia Jovem é muito bonita, ricamente ilustrada e muito bem diagramada. Possui uma única versão, com capa cristal e papel couché.

Bônus: 
Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, R$ 103 (edição de estudo)
A TEB (ou TOB, na sigla em francês) não é uma edição católica, ou melhor, não é uma edição apenas católica: é uma edição empreendida em conjunto por católicos e protestantes (e mais tarde também por ortodoxos) na França, nos anos 1970. Esta é a sua edição brasileira, que segue à risca a estrutura do original francês.
Tradução: A tradução da edição brasileira foi feita a partir do francês, para respeitar as escolhas interpretativas da TEB francesa, mas cotejada com os originais grego e hebraico, o que faz dela uma tradução dos originais, de texto claro e fiel.
Elementos complementares: Apresenta tanto os livros aceitos por católicos e evangélicos como aqueles aceitos apenas pelos católicos (e em sua última edição francesa, inédita no Brasil, inclui ainda seis livros deuterocanônicos reconhecidos apenas pelos ortodoxos). A edição de estudos possui introduções, notas, comentários e referências cruzadas primorosos.
Design: O papel é um pouco mais espesso que o papel-bíblia tradicional. A edição de estudos é uma pequena gigante, quase um cubo, bem pouco prática de se levar por aí. Há uma edição menor, popular, com capa de zíper.

 

"Onde há vontade, há um Caminho"

A morte




A morte é a separação da alma do corpo pela qual o homem é introduzido no mundo invisível. Essa experiência descreve-se como "dormir" (João 11:11; Deut. 31:16), o desfazer da casa terrestre deste Tabernáculo (2Cor. 5:1), deixar este tabernáculo (2Ped. 1:4), Deus pedindo a alma (Luc. 12:20), seguir o caminho por onde não tornará (Jo 16:22), ser congregado ao seu povo (Gên. 49:33), descer ao silêncio (Sal. 115:17), expirar (Atos 5:10), tornar-se em pó (Gên.3:19), fugir como a sombra (Jo 14:2), e partir (Fil. 1:23).
A morte é o primeiro efeito externo ou manifestação visível do pecado, e será o último efeito do pecado, do qual seremos salvos. (Rom. 5:12; 1Cor. 15:26.) O Salvador aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho, (1Tim. 1:10.) A palavra "abolir" significa anular ou tornar negativo. A morte fica anulada como sentença condenatória e a vida é oferecida a todos. Entretanto, embora a morte física continue a manifestar-se, ela torna-se uma porta que conduz a vida para aqueles que aceitam a Cristo.

Qual a conexão entre a morte e a doutrina da imortalidade? Há dois termos, "imortalidade" e "incorrupção" que se usam em referência à ressurreição do corpo, (1Cor. 15:53,54.) A imortalidade significa não estar sujeito à morte, e nas Escrituras emprega-se em referência ao corpo e não à alma (embora esteja implícita a imortalidade da alma. Mesmo os cristãos estão sujeitos à morte por serem mortais os seus corpos. Depois da ressurreição e do arrebatamento da igreja, os cristãos desfrutarão da imortalidade. Isto é, receberão corpos glorificados que não estarão sujeitos à morte.

Os ímpios também serão ressuscitados. Mas isso quer dizer que desfrutarão dessa imortalidade do corpo? Não; sua inteira condição é a de morte, e separação de Deus. Embora tenham existência, não gozam de comunhão com Deus e nem da glorificação do corpo, a qual realmente constitui a imortalidade. Conscientemente existirão numa condição de sujeição à morte. A sua ressurreição não é a "ressurreição da vida", mas a "ressurreição para a condenação" (João 5:29). Se a "imortalidade", à qual se referem as Escrituras, se referisse ao corpo, como se justificaria a referência à imortalidade da alma? Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a morte é a separação do corpo e da alma; o corpo morre e volta ao pó, a alma ou o espírito continua a existir conscientemente no mundo invisível dos espíritos desencarnados.

Assim o homem é mortal, estando o seu corpo sujeito à morte, embora seja imortal a sua alma, que sobrevive à morte do corpo.

Qual a distinção entre imortalidade e vida eterna? A imortalidade é futura (Rom. 2:7; 1Cor. 15:53,54), e refere-se à glorificação dos nossos corpos mortais na ocasião da ressurreição. A vida eterna refere-se principalmente ao espírito do homem: é uma possessão que não é afetada pela morte do corpo. A vida eterna alcançará sua perfeição na vinda de Cristo, e será vivida em um corpo glorificado que a morte não mais poderá destruir.

Todos os cristãos, quer vivos quer falecidos, já possuem a vida eterna, mas somente na ressurreição terão alcançado a imortalidade.
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

EFATÁ: Abre-te

A aplicação da palavra Efatá era (e continua sendo parecida com a determinação verbal, em nome de Jesus) espiritual e física, para que houvesse a manifestação divina retirando o impedimento espiritual com efeito físico.
Ou seja: alguém que estava surdo ou cego, fisicamente, mas também espiritualmente.
Está explicado no Evangelho de Marcos: E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente, e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. E, tirando-o à parte de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá, isto é, abre-te. E logo se lhe abriram os ouvidos, e a prisão da língua e falava perfeitamente” (Mc 7:32-35).
Observe, o homem era surdo e falava com dificuldade.
Após Jesus cumprir esse ritual, se lhe abriram os ouvidos, e a prisão da língua se desfez completamente, e falava perfeitamente. Isso confirma a tese de que uma pessoa com deficiência auditiva não fala ou tem dificuldade para falar devido à surdez.
Tudo que Jesus fez ao longo de Seu ministério foram fatos inusitados que chamavam a atenção de todos que O procuravam. E não era pra menos.
Podemos dizer que a prática de Jesus em curar os enfermos pode ser comparada a uma luz apagada, mas que desde sua época na terra, e até agora está acesa clareando as mentes de todos aqueles que lhe seguem em espírito e em verdade.
Vale dizer, Jesus mudou conceitos, opiniões da época, e ampliou o conhecimento espiritual antes travado por conta da religiosidade oposta ao estilo de vida espiritual pleno e perfeito de Jesus Cristo.
Hoje, até professores se utilizam desta palavra para inspirar os alunos:
Certo dia um professor entrou na sala de uma turma qualquer, de um curso de informática, sentou-se em cima da mesa e disse: “quero que comecem um projeto ao gosto de vocês, algo que os inspire a programar EFATÁ!” (curiosidade extraída da Internet).
A conclusão que chegamos deste milagre extraordinário é que Jesus nos deixou todas as indicações de como agir, bastando o fazer em Seu Santo Nome. Mas, como explica o Pastor Juanribe Pagliarin: “Tudo Ele faz bem” e de forma perfeita.
Na explicação do Pastor Juanribe Pagliarin a história não dá nenhum exemplo desta natureza, porém, já estava tudo profetizado pelo profeta Isaías no texto: “Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, comrecompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.Então, os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então, os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo” (Is 8:4b-6).
E obviamente, não era possível esconder fatos desta magnitude, e, os beneficiados com os milagres eram as testemunhas de Jesus em toda parte, ainda que proibidas de fazê-lo.
E nós servos do Senhor Jesus, atualmente, podemos operar essas maravilhas?
Sem dúvida nenhuma. A dica é estar em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como o próprio Jesus ensina: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê  em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” (Jo 14:11-12).

"Onde há vontade, há um Caminho"

domingo, 22 de abril de 2018

Espíritos Maus



1. Anjos decaídos. 
Os anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e, como o homem, dotados de livre escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora do céu. (João 8:44; 2 Ped. 2:4; Jud. 6.) O pecado, no qual eles e seu chefe caíram, foi o orgulho. Alguns têm pensado que a ocasião da rebelião dos anjos foi a revelação da futura encarnação do Filho de Deus e da obrigação de eles o adorarem. 

Segundo as Escrituras, os anjos maus passam parte do tempo no inferno (2 Ped. 2:4) e parte no mundo, especialmente nos ares que nos rodeiam. (João 12:31; 14:30; 2 Cor. 4:4; Apoc. 12:4, 7-9.) Enganando os homens por meio do pecado, exercem grande poder sobre eles (2 Cor. 4:3, 4; Efés. 2:2; 6:11,12); este poder, não obstante, está aniquilado para aqueles que são fiéis a Cristo, pela redenção que ele consumou. (Apoc. 5:9; 7:13,14.) Os anjos não são contemplados no plano da redenção (1 Ped. 1:12), mas o inferno foi preparado para o eterno castigo dos anjos maus (Mat. 25:41).

2. Demônios. 
As Escrituras não descrevem a origem dos demônios; essa questão parece ser parte do mistério que rodeia a origem do mal. Porém as Escrituras dão claro testemunho da sua existência real e de sua operação. (Mat. 12:26, 27.) Nos Evangelhos aparecem como os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas pessoas, das quais se diz que têm demônio. Em alguns casos, mais de um demônio faz sua morada na mesma vitima. (Mar. 16:9. Luc. 8:2.) 

Os efeitos desta possessão se evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas principalmente com o sistema mental e nervoso. (Mat. 9:33; 12:22; Mat. 5:4, 5.) O indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o espírito mau fala por seus lábios ou o emudece à sua vontade; leva-o aonde quer e geralmente o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força sobrenatural. 

Assim escreve o Dr. Nevius, missionário na China, que fez um estudo profundo sobre os casos de possessão de demônios: Notamos, em pessoas possuídas de demônios na China, casos semelhantes aos expostos nas Escrituras, manifestando-se algumas vezes uma espécie de dupla consciência ou ações e impulsos diretamente opostos e contrários. Uma senhora em Fuchow, apesar de estar sob a influência de um demônio, cujo impulso era fugir da presença de Cristo, sentiu-se movida por uma influência oposta, a deixar seu lar e vir a Fuchow buscar ajuda de Jesus. 

O mesmo autor chega à seguinte conclusão, baseado num estudo da possessão de demônios entre os chineses: A característica mais surpreendente desses casos é que o processo de evidências de outra personalidade, e a personalidade normal nessa hora está parcial ou totalmente dormente. A nova personalidade apresenta feições de caráter diferentes por inteiro, daquelas que realmente pertencem à vitima em seu estado normal, e esta troca de caráter tende, com raras exceções, para a perversidade moral e impureza. 

Muitas pessoas, quando possuídas de demônios, dão evidências de um conhecimento do qual não podem dar conta em seu estado normal. Muitas vezes parece que conhecem o Senhor Jesus Cristo como uma pessoa divina, e mostram aversão e temor a ele. Notemos especialmente estas boas novas: Muitos casos de possessão de demônios têm sido curados por meio de adoração a Cristo, ou em seu nome; alguns mui prontamente, outros com dificuldades. Até onde temos podido descobrir, este método de cura não tem falhado em nenhum caso ao qual tenha sido aplicado; não importa ter sido o caso difícil ou crônico. 

E, em caso algum, até onde se pôde observar, o mal não voltou, uma vez que a pessoa se tornou crente e continuou a viver uma vida cristã... Como resultado da comparação feita, vemos que a correspondência entre os casos encontrados na China e aqueles registrados nas Escrituras é completa e circunstancial, cobrindo quase todos os pontos apresentados na narração bíblica. Qual o motivo que influi nos demônios a fim de apoderarem-se do corpo dos homens? O Dr. Nevius responde: A Bíblia ensina claramente que todas as relações de Satanás com a raça humana têm por objetivo enganar e arruinar, afastando a nossa mente de Deus e induzindo-nos a infringir suas leis, e trazer sobre nos o seu desagrado. 

Esses objetivos são conseguidos por meio da possessão de demônios. Produzem-se efeitos sobre-humanos que ao ignorante e desconhecedor parecem divinos. Ele exige e consegue a adoração e a obediência implícitas pela imposição de sofrimentos físicos e por falsas promessas e temíveis ameaças. Desse modo, os ritos e as superstições idólatras, entrelaçadas com os costumes sociais e políticos, têm usurpado em quase todas as nações da história o lugar da adoração única a Deus. (Vide 1 Cor. 10:20,21; Apoc. 9:20; Deut. 32:16; Isa. 65:3.) Quanto aos próprios demônios, parece que eles têm motivos pessoais e próprios. A possessão dos corpos humanos parece proporcionar-lhes um lugar muito desejado de descanso e prazer físico. 

Nosso Salvador fala dos espíritos maus andando por lugares áridos buscando especialmente descanso nos corpos das vitimas. Quando privados de um lugar de descanso nos corpos humanos, são representados como buscando-o no corpo dos animais inferiores. (Mat. 12: 3-5.) Martinho Lutero disse: "O diabo é o contrafator de Deus." Em outras palavras, o inimigo sempre está contrafazendo as obras de Deus. E certamente a possessão de demônios é uma grotesca e diabólica contratação da mais sublime das experiências — a habitação do Espírito Santo no homem. Note alguns paralelos: 

1) A possessão de demônios significa a introdução de uma nova personalidade no ser da vitima, tomando-a, em certo sentido, uma nova criatura. Note como o gadareno endemoninhado (Mat. 8:29) falava e se portava como que controlado por outra personalidade. Aquele que é controlado por Deus tem uma personalidade divina habitando nele. (João 14:23.) 

2) As elocuções inspiradas pelo demônio são imitações satânicas daquelas inspiradas pelo Espírito Santo. 

3) Já se observaram casos em que a pessoa que se rende conscientemente ao poder do demônio, muitas vezes recebe um dom estranho, de forma que pode ler a sorte, ser médium, etc. O Dr. Nevius escreve: "Nesse estado, o endemoninhado desenvolve certas habilidades psíquicas e se dispõe a ser usado. Ele é o escravo voluntário, treinado e acostumado com o demônio." é uma imitação satânica dos dons do Espírito Santo! 

4) Freqüentemente os endemoninhados manifestam uma força extraordinária e sobre-humana — uma imitação satânica do poder do Espírito Santo. O Senhor Jesus veio ao mundo para resgatar o povo do poder dos espíritos maus e pô-lo sob o controle do Espírito de Deus.

"Onde há vontade, há um Caminho"