Total de visualizações de página

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Santo Antão e São Paulo de Tebas



Antão nasceu cerca do ano 251, na aldeiazinha de Coma, hoje chamada Quemã-el-Arune, na província de Bení Suef, no Alto Egito. Ao ficar órfão, pediu conselhos a Deus para saber o que faria de sua vida. Foi assim que na missa ouviu o padre pregar o sermão dizendo: “Se queres ser perfeito, vai vender tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terá um tesouro nos céus; depois vem Seguir-me”. Então Antão levantou-se, deixou a igreja, foi e vendeu sua terra e seus rebanhos, e deu o dinheiro aos pobres da aldeia, pois sentiu que as palavras eram para ele. Depois colocou sua irmã num asilo de mulheres, e decidiu viver como eremita no meio do deserto, na mais completa solidão. Havia, todavia, naquela época certo número de cristãos piedosos, que viviam no Egito, verdadeiros “homens retos”, forçados a fugir às perseguições do imperador romano Décio, e que agora viviam sua fé numa reclusão sossegada. Um desses homens foi procurado por Antão. Lá aprendeu como viver sozinho. E assim partiu para o deserto. A história de Santo Antão é repleta de lutas contra demônios. Vivia ele rezando e sempre na companhia de Deus. Os homens cristãos começaram a imita-lo. Foi assim que surgiram as primeiras comunidades religiosas. Passaram-se muitos anos e a fama de santidade de Antão crescia muito. Um dia recebeu um presente do Bispo de Alexandria, Santo Atanásio: o manto episcopal. Antão guardou-o como um verdadeiro tesouro.

E assim passou sua vida no deserto através dos anos. A comunidade dos homens que o seguia já era enorme.


Um certo dia, já idoso, resolveu, por inspiração divina, procurar São Paulo de Tebas: Piedoso homem de nobre linhagem, que vivia na solidão do deserto também, e que desde os 21 anos de idade jamais tinha colocado os olhos sobre qualquer homem ou qualquer mulher. Noticia alguma se tinha dele, pois sua vida decorria em isolamento silencioso. Quando Antão foi visita-lo, em 342, Paulo havia passado noventa anos no deserto e estava com 113 anos de idade. Naquele tempo Antão já estava com mais de noventa anos. Antão andou por todos os lugares do deserto, procurou em cavernas, atravessou oásis, e por fim achou a caverna onde vivia São Paulo de Tebas. Como foi que ele achou? Simples. Estava cansado e deitou para dormir, logo ao acordar viu uma loba semimorta de sede. Foi seguindo tentando encontrar água também. Ao chegar numa caverna a loba entrou e não saiu mais. Antão então percebeu que Deus havia lhe indicado o caminho. Então gritou:

- “Vós que admitis a entrada dos animais do deserto, não a negareis a um filho dos homens! Andei à procura. Encontrei! Agora peço para ser recebido.”

A estas palavras São Paulo saiu da caverna com a loba. Os dois homens cumprimentaram-se, chamando-se pelos próprios nomes, pois Deus havia revelado a ambos. O Senhor havia prometido a Paulo enviar Antão, antes de o chamar a Si, a fim de que ainda pudesse ele falar, ser humano a outro ser humano, depois de nove décadas de silêncio e solidão. Os dois idosos santos conversaram a respeito das coisas da eternidade. Somente uma vez foram interrompidos. Um corvo chegou voando para eles. Trazia no bico um pão e colocou-o diante deles.

- “Vede! – disse Paulo – Deus nos manda nossa comida. Durante sessenta anos recebi cada dia meio pão; mas com a vossa chegada, Cristo dobrou a ração de Seus soldados.”

Terminada a refeição, ambos passaram a noite em oração. Paulo sabia que era sua última oração na terra, pois estava ciente de que a visita de Antão anunciava sua partida deste mundo. Para poupar a seu visitante o espetáculo de sua morte, pediu a Antão que voltasse à sua caverna e lhe trouxesse o manto da Igreja, que recebera de Santo Atanásio. Antão satisfez-lhe o desejo e apressou-se em voltar à sua caverna. Três dias de viajem separavam sua caverna da de Paulo. Longa jornada para tão velho homem! Mas Antão cobriu esta distância com a velocidade dum passarinho. Quando Antão chegou de novo à caverna, encontrou Paulo de joelhos, a rezar.

Ajoelhou-se também para rezar. Mas depois percebeu, pela rigidez do corpo de Paulo, que era um morto que ali estava de joelhos, na atitude de prece. Profundamente pesaroso, Antão tomou o corpo do santo, para preparar o lugar de seu derradeiro repouso. Não tinha instrumento para cavar uma cova. Mas ao circunvagar a vista, sem saber como fazer, viu dois leões que caminhavam em sua direção. Poucos passos adiante pararam e com suas garras começaram a cavar uma cova. Antão depositou o corpo nela e cobriu-o com o manto da Igreja.Depois ajoelhou-se ao lado da cova para chorar a morte de São Paulo. E ouviu o eco de sua voz multiplicado num grande coro de lamentação, e, quando ergueu a vista, viu todos os animais do deserto reunidos em torno do túmulo. Tinham vindo chorar a perda de seu amigo.

"Os Santos que abalaram o Mundo" - René Fullop Miler


"Onde há vontade, há um Caminho"

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Silêncio para viver a presença de Deus




«Já não vivo eu, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20)
Esta expressão de São Paulo é muito conhecida. Quer dizer que ao morrer alguma parte de si próprio pode entrar Cristo no seu coração. «Quando saio eu, entra Deus». Quando algo morre, Deus aparece.

O silêncio é para fazer presente a Deus. É ter a experiência do eterno na nossa vida. Quando algo está presente não o temos que imaginar. Estamos acostumados a pensar e a imaginar. É necessário sentir e não pensar. Assim passa-se com Deus. Pensamos n’Ele, mas não o sentimos como presença.

O silêncio pode fazer que Deus se faça evidente. Sem intermediários. Sem deter a possibilidade de um encontro cheio de vivência.
Na vida disfruta-se com a comunicação, com o encontro, com o diálogo. O silêncio deve formar parte desta relação. Primeiro fala-se, mas logo o silêncio torna-se primordial.

No que diz respeito a Deus, acontece o mesmo. Ao princípio, sente-se a necessidade de dizer algo porque se não parece que não se reza. Mas depois, é preciso ficar em silêncio porque Deus tem algo para dizer. O silêncio é para dar lugar a Deus. É dar luz verde para que Ele se faça presente. Este silêncio é a amostra da nossa abertura.
Abertos e acolhedores.

Na verdade, é que quando falo estou pendente de mim, não saio de mim e não pode dar-se um encontro profundo e puro. Normalmente estamos excessivamente pendentes de nós próprios, excessivamente agarrados ao que queremos e desejamos.
No silêncio nós somos os protagonistas. É Deus quem tem que o ser. Celebramos apenas a sua presença. E convém recordar que «se não vos fizerdes como crianças…», não entramos no silêncio. É preciso aprender deles a não «fazer nada». Absoluta dependência. Eu não posso fazer. Eu não sei fazer. Aprender a calar, a não fazer.

A nossa cultura é a que nos ensina a acreditar que só vivemos quando fazemos coisas. Na medida em que realizamos coisas acreditamos ingenuamente que vivemos. Na oração, às vezes, queremos dizer. Aprender a viver sem fazer…, não é fácil.

Algo tem que parar. Algo tem que morrer em ti para que Cristo viva. Há um provérbio árabe que diz: «Não desças até o jardim. O jardim está dentro de ti.» Se em ti há uma fonte, porquê buscar outra fonte?, outro poço? O manancial está em ti. O silêncio é para ir buscar a água desse poço.

Sem dúvida alguma, encontraremos resistência ao silêncio, mas não podemos prestar-lhe demasiada atenção, porque os nossos inimigos fazem-se valentes perante o nosso olhar. Se não lhes fazemos frente eles evaporam-se pouco a pouco.

A humildade, portanto, é a mestra de todas as virtudes, o fundamento inabalável do edifício celeste, o dom por excelência do Salvador. E só aquele que procura seguir o Senhor, não em Seu poderio e Seus prodígios, mas em Sua humildade e paciência, é capaz de realizar, sem perigo de envaidecimento, todos os milagres por seu Mestre. Quanto àquele que se mostra impaciente para comandar os espíritos malignos, curar os doentes e se fazer admirar pelo povo pelos prodígios que realiza, embora em suas operações invoque o Nome de Cristo, esse não pode ser Seu discípulo porque sua alma soberba não segue o Mestre da humildade.
por São João Cassiano
em sua obra Conferências

 

"Onde há vontade, há um Caminho"

Dia de São Marcos.

Nos livros do Novo Testamento, Marcos é lembrado dez vezes, com o nome hebraico de João, com o nome romano de Marcos ou com o duplo nome de João Marcos. Para alguns estudiosos deveríamos distinguir dois ou mesmo três Marcos. Nós, a esta altura, aceitamos a opinião mais comum, isto é, a de um só Marcos, filho daquela Maria em cuja casa reuniam-se os primeiros cristãos de Jerusalém e onde foi se refugiar o próprio Pedro após a libertação prodigiosa do cárcere.
Marcos, judeu de origem, nasceu provavelmente fora da Palestina, de família abastada. São Pedro, que o chama “meu filho’’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos escrevera o Evangelho. A antiguidade cristã, a começar por Pápias († 130), chama-o “intérprete de Pedro”. “Marcos, intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo de que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não ouviu diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouviu são Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades”.
Além da familiaridade com são Pedro, o evangelista Marcos pôde orgulhar-se de longa convivência com o apóstolo são Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos — conforme lemos nos Atos dos Apóstolos — “se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém”. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.
Em 66 são Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: “Traga Marcos contigo. Posso necessitar de seus serviços”. Os dados cronológicos da vida de são Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria. As Atas de Marcos, escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a essa lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão.

"Onde há vontade, há um Caminho"

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Bíblia Católica

Durante cinco séculos a versão Douay-Rheims da Bíblia permaneceu como padrão das traduções da Bíblia em inglês para os Católicos Romanos de todo o mundo. Como primeira e também a mais duradoura tradução da Vulgata Latina, a Douay-Rheims foi traduzida nos finais do século XVI por iniciatia de Gregory Martin. A sua popularidade cresceu rapidamente entre os católicos ingleses - tornando-se parte essencial da identidade católica durante a contra-reforma inglesa - tendo sido re-impressa centenas de vezes durante os séculos que se seguiram.
Este é um pequeno estudo em que se comparam as duas das versões da Bíblia católica mais conhecidas, a Vulgata Latina e a Douay-Rheims, com outra versão em língua inglesa - a versão do Rei Jaime (Tiago) ou King James (KJV) [see ver: KJV - Vulgata - em paralelo]
  • A tradução latina mais cohecida - a Vulgata Latina [Vulgate] foi feita por São Jerónimo, sob patrocínio do Papa Damásio, tendo a sua primeira edição em 383 DC. Foi traduzida inicialmente do Septuaginto, a versão grega do Antigo Testamento, mas a versão revista em 405 DC era:
    AT [Antigo Testamento] do hebraico (S. Jerónimo considerou que o grego não era o adequado e traduziu-o de novo.), e novas traduções para Latim dos Salmos (o chamado Saltério Gallico)
    O NT (Novo Testamento) foi compilado, essencialmente, a partir das versões em Latim que já existiam. A Bíblia de 80 livros (39 AT, 14 A, 27 NT) foi revista e corrigida através dos anos, as primeiras versões impressas foram a respeitadas edições da Universidade de Paris, do século XIII.
    Em 1546 o Concílio de Trento decretou que a Vulgata era a autoridade bíblica exclusiva em Latim. Requeria que a sua impressão fosse feita com o mínimo de erros possível, o que resultou na chamada versão da Vulgata do Papa Clementino (VIII), de 1592, com 80 livros. Tornou-se no texto Bíblico com a mais alta autoridade na Igreja Católica Romana. A partir dessa versão foi traduzida a da Confraria, em 1941 e em 1965, cuja edição revista foi autorizada pelo Concílio Vaticano II. Em 1582 Roma proclamou o seu Édito de "Só Latim" e o preambulo da Grande Bíblia chegou ao fim. Em 1609-10 a Bíblia Douay/Rheims foi publicada. A primeira tradução católica em inglês (80 livros), traduzida da Vulgata (uma desvantagem) que se tornou a semente bíblica de todas as versões da Bíblia católica
  • No entanto, este importante evento foi ofuscado no ano seguinte. Em 1611 o rei Jaime colocou o seu nome na "King James", a 3ª versão autorizada, utilizada por muitos até ao presente, e criticada por alguns como agarrada ao passado. Era uma obra-prima, o culminar do trabalho desenvolvido durante o século XVI. Incluía o melhor do que já tinha sido feito em estilo, prosa, divisão de capítulos e versículos e de tradução muito precisa. Um passo literário e espiritual gigantesco, o que para aquele tempo era impressionante. Estava baseada na Grande Bíblia e em vários textos TR (textus receptus) com a influência da Vulgata. Reinou suprema até 1881. Uma revisão substancial da Bíblia Douay-Rheims foi publicada em 1752, uma Bíblia Católica traduzida por Richard Challoner. Challoner, um bispo inglês convertido ao protestantismo, usou extensivamente a versão KJV no seu trabalho de tradução. A edição revista de Challoner da Bíblia Douay-Rheims ainda é utilizada hoje em muitas Igrejas Católicas. A Douay-Rheims correntemente no mercado também não é a versão original de 1609. Tecnicamente é chamada de versão Douay-Challoner porque é uma revisão da Douay-Rheims feita em meados do século XVIII pelo Bispo Richard Challoner. O bispo Challoner actualizou a Douay substituindo muitas palavras arcaicas (por exemplo, "blood" em vez de "bloud"). Ele consultou também manuscritos Gregos e Hebraicos antigos, o que significa que a Bíblia Douay correntemente no mercado não é uma tradução directa da Vulgata (Jerónimo) (o que muitos dos seus defensores não se apercebem).
  • Se pretende fazer um estudo sério da Bíblia, uma tradução literal, como a KJV (não denominacional ou inter denominacional) ou a DRC (Católica) é o que precisa (a versão JFA, em português, é a que mais se assemelha à KJV). Isto permite que consiga compreender melhor as implicações detalhadas do texto, embora seja mais difícil de ler. Também evita ter que se preocupar com os diversos pontos de vista dos tradutores que não se poupam em colorir o texto. Uma segunda questão que é preciso colocar é se pretende uma tradução moderna ou antiga. Versões antigas, tais como a KJV (JFA em português) ou a Douay-Rheims, soam mais dignas, autoritárias e inspiradas. Mas são ligeiramente mais difíceis de ler e entender porque o inglês mudou em quase 400 anos desde que foi feita a sua tradução (JFA é do século XVII)
  • No entanto, um dos inconvenientes em usar algumas das traduções modernas é que não usam a versão tradicional de algumas frases e o leitor pode achar isso problemático. Por exemplo, a maior parte das pessoas já ouviram o versículo em Isaías 9 que diz: "For to us a child is born, to us a son is given, and the government will be on his shoulders. And he will be called Wonderful Counselor, Mighty God, Everlasting Father, Prince of Peace" (Isaiah 9:6 - KJV ). A versão "New American Bible" (uma vesão moderna católica) oferece esta tradução: "For a child is born to us, a son is given us; upon his shoulder dominion rests. They name him Wonder-Counselor, God-Hero, Father-Forever, Prince of Peace" (Isaiah 9:5, NAB). Esta versão católica, por sua vez varia de outra versão católica, a DR (Douay-Rheims) que diz: “For a CHILD IS BORN to us, and a son is given to us, and the government is upon his shoulder: and his name shall be called, Wonderful, Counselor, God the Mighty, the Father of the world to come, the Prince of Peace.” [Isaiah 9:6]. Imaginemos escutar no Messias de Handell (Handell's Messiah), "For unto us a Child is Born" (Porque um filho nos nasceu) - cuja letra provém da KJV, ser cantado na versão NAB de 'God-Hero, Father-forever' ... Se aprecia o Messias de Handell o "Halleluya Chorus" [som], cuja letra são simplesmente versículos bíblicos, como tantos católicos em todo o mundo, sabe bem que não é possível cantar esta obra-prima usando qualquer outra versão que não a KJV. Excepto se, possivelmente, se usasse a versão mais antiga da Bíblia católica em inglês, a Douay-Rheims, que é muito próxima da KJV.
    Mas, mesmo outras versões da Bíblia católica são por vezes confusas quando comparadas umas com as outras: a Bíblia Pastoral (Pastoral Bible), por exemplo, apresenta uma versão desse mesmo versículo (Isaías 9:6), que é completamente igual ao da KJV, mas coloca-o como versículo 5 (quando devia ser 6), resultando numa apresentação diferente das outras Bíblias católicas [?].
Outras questões:
  • KJV: 'Jesus answered, Verily, verily, I say unto thee, Except a man be born of water and of the Spirit, he cannot enter into the kingdom of God. [John 3:5]
    Vulgata: respondit Iesus amen amen dico tibi nisi quis renatus fuerit ex aqua et Spiritu non potest introire in regnum Dei [John 3:5]
    Douay-Rheims: Jesus answered: Amen, amen I say to thee, unless a man be born again of water and the Holy Ghost, he cannot enter into the kingdom of God. [John 3:5]
  • O original na Vulgata (a versão católica com mais autoridade) não diz Spiritus Sanctus (Espírito Santo) como em João 14:26, mas somente Spiritus - o que a KJV confirma.
    A Douay-Rheims, neste caso, adicionou a palavra "Holy" (Santo)
    A KJV foi traduzida dos originais em grego e hebraico, tais como a Vulgata, que precede a DRC.
  • [Grego, Latin e Inglês em paralelo AQUI]
  • Assim, a KJV e a Vulgata provêm basicamente da mesma fonte. A semelhança da Vulgata com a KJV mostram isso mesmo.
  • Pelo exposto supra, podemos deduzir que a KJV deveria ser mais fácil de aceitar pelos católicos do que outras versões católicas modernas, isto porque a versão católica autorizada por muitos séculos, foi sempre a Vulgata Latina, e a KJV é comprovadamente mais alinhada com a Vulgata do que as versões católicas modernas. Em 1943, na Encíclica Divino Afflante Spiritu, o Papa Pio XII declarou que a Vulgata, tendo sido usada pela Igreja Católica por tantos séculos, provou estar livre de erros doutrinais e morais.
  • Alguns factos históricos sobre a versão KJV da Biblia: King James Bible Turns 400.
Livros Apócrifos
  • Os livros apócrifos são uma selecção de livros que foram publicados na versão original de 1611 da KJV. Estes livros foram posicionados entre o Antigo e o Novo testamentos (também contêm mapas e genealogias). Os apócrifos foram parte da KJV por 274 anos até serem removidos e 1885 DC. Uma porção destes livros era chamada de livros deuterocanónicos por algumas entidades, como a Igreja Católica.
    Muitos reclamam que os apócrifos nunca deveriam ter sido incluídos, suscitando dúvidas sobre a sua validade e sustentando que não eram inspirados por Deus (por exemplo, uma referência sobre magia parece inconsistente com o resto da Bíblia: Tobias, capítulo 6, versículos 5-8). Outros creem que são válidos e que nunca deveriam ter sido removidos - que foram considerados parte da Bíblia durate quase 2000 anos antes de terem sido recentemente removidos há pouco mais de 100 anos. Alguns dizem que foram removidos por não se encontrarem nos manuscritos originais em hebraico. Outros reivindicam que não foram removidos pela Igreja mas pelos tipócrafos a fim de reduzirem os custos de distribuição da Bíblia nos Estados Unidos. Ambos os lados têm tendência a citar os mesmos versículos que avisam sobre o adicionar ou retirar partes da Bíblia: Apocalipse 22:18. A palavra apócrifo significa escondido. Alguns dos Manuscritos do Mar Morto, com data anterior a 70 DC, contêm partes dos livros apócrifos em hebraico, incluindo Sirácida e Tobias. Lembre-se ao ler os livros apócrifos do que disse Martinho Lutero: "os apócrifos - ou seja, livros que não são considerados iguais às escrituras sagradas, são úteis e bons para ler.
Diversidade de Bíblias Católicas

Há dezenas de edições da bíblia disponíveis nas livrarias do Brasil. Neste post, você viu por que existem tantas edições diferentes e quais são as variações que existem entre elas. Agora, você vai conhecer cinco edições católicas que têm diferenciais interessantes. Os critérios usados para avaliá-las foram os mesmos que o post anterior explicou: quais as características da tradução presente em cada edição; quais elementos complementares cada edição traz; e como é a aparência de cada uma delas. Confira estas cinco edições diferentes e, no final, ainda uma outra de bônus:
Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulus, R$ 60 (média encadernada)

É a versão brasileira de uma célebre edição francesa feita por acadêmicos da Escola Bíblica de Jerusalém.
Tradução: Traduzida diretamente do hebraico e do grego, a Bíblia de Jerusalém é largamente considerada a tradução mais fiel à letra do texto bíblico disponível nas livrarias do Brasil. É perfeita para o estudo e também para a oração pessoal. Para a pregação e a catequese, requer um pouco de cuidado, porque a tradução soa bastante diferente das edições populares.
Elementos complementares: As introduções são bastantes sérias ao apresentar o contexto de cada livro e a sua formação. As notas são de cunho científico e se atêm a esclarecimentos necessários, evitando interpretações pessoais. Apresenta ainda referências cruzadas e alguns mapas e anexos.
Design: Sóbria e elegante, apresenta edições em tamanho médio com capa dura, cristal ou zíper e uma edição grande em capa dura. A edição pequena, que seria ótima para levar na bolsa, está fora de circulação há anos.
Bíblia do Peregrino, Ed. Paulus, R$ 72 (encadernada)

A edição tem uma característica única entre as bíblias católicas editadas no Brasil: a tradução, os comentários e as notas são fruto do trabalho hercúleo de um só homem, o jesuíta espanhol Luis Alonso Schökel.
Tradução: Foi traduzida a partir do espanhol, seguindo o texto belo e fluido da tradução dos originais feita pelo padre Schökel. Por valorizar o texto bíblico como literatura é muito boa para a leitura contínua da bíblia, bem como para a oração. A unidade do texto – obra de um só tradutor – é perceptível e também é um ponto positivo.
Elementos complementares: A Bíblia do Peregrino é repleta de notas de rodapé – elas geralmente ocupam mais da metade de cada página. São comentários que ajudam na compreensão do texto bíblico, aprofundando o seu contexto e fazendo notar aspectos interessantes do texto.
Design: A bela capa é de autoria de Cláudio Pastro. Há edições em capa cristal ou capa dura, tanto com a bíblia completa ou apenas com o Novo Testamento. A edição completa é enorme – melhor deixar em cima da escrivaninha, onde pode ser manuseada sem problemas.

Bíblia Católica do Jovem, Ed. Ave Maria, R$ 79
Trata-se da edição brasileira de um projeto do Instituto Fe y Vida, que trabalha com a comunidade latina nos Estados Unidos. Participaram do projeto pessoas de 11 países da América, em sintonia com o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).
Tradução: A editora usou a mesma tradução de suas bíblias populares, a Bíblia Ave Maria, um clássico das salas de catequese brasileiras. É uma tradução de uma edição célebre em língua francesa, que por sua vez é uma tradução dos originais grego e hebraico feita pelos monges beneditinos de Maredsous, na Bélgica.
Elementos complementares: É uma das edições católicas mais completas disponíveis no Brasil. Além dos textos introdutórios a cada livro, conta com mais de 800 comentários em boxes durante o texto, que abordam desde perfis de personagens bíblicos até perspectivas da cultura latino-americana, afro-americana e outras seis tradições, passando por textos de apoio à oração, comentários sobre símbolos e sobre a liturgia católica e reflexões.
Design: As dimensões e o peso da Bíblia Católica do Jovem se assemelham ao tamanho robusto das edições de estudo evangélicas. O seu interior, porém, é bem ilustrado, com uma diagramação informal e algumas páginas coloridas.

A Bíblia, Ed. Paulinas, R$ 19,50 (Novo Testamento encadernado)
Novo projeto das Paulinas, por enquanto estão disponíveis apenas edições contendo o Novo Testamento e os Salmos. A tradução dos outros livros bíblicos está em andamento. Tem tudo para ser a edição preferida para uso na catequese e em grupos de oração.
Tradução: Foi feita a partir dos originais grego e hebraico e apresenta uma linguagem bastante acessível e leve. Ótima para a catequese, a pregação e a oração pessoal ou em grupo.
Elementos complementares: É uma edição enxuta, mas tem bastantes notas de rodapé que ajudam a elucidar elementos mais difíceis do texto bíblico.
Design: Singela e caprichada, é talvez a edição mais bonita disponível nas livrarias hoje, sobretudo em sua versão encadernada. Os números dos capítulos e os títulos são impressos em vermelho e as páginas contam com belas ilustrações de Cláudio Pastro. É para levar na mochila – ainda mais a edição de bolso, ótima para dar de presente a pequenos grupos nas comunidades.

Bíblia Jovem – Youcat, Ed. Paulus, R$ 27
Recém-lançada no Brasil, é produzida pela mesma fundação que fez o Youcat, o catecismo católico para jovens publicado em 2011 com o apoio da Santa Sé, e o Docat, um compêndio da doutrina social da Igreja para jovens.
Tradução: A edição brasileira usa o mesmo texto bíblico da Nova Bíblia Pastoral, uma tradução bem acessível feita a partir dos idiomas originais.
Elementos complementares: É uma edição com a cara do Youcat: traz frases de santos, papas e escritores cristãos e não-cristãos, ilustrações, fotografias, testemunhos de jovens e curiosidades. E faz uma escolha ousada: a edição não apresenta o texto bíblico completo, mas uma seleção de trechos de todos os livros. O prefácio é assinado por ninguém menos que o papa Francisco.
Design: A editora, graças a Deus, conseguiu manter um preço acessível mesmo com um material de qualidade gráfica impressionante. A Bíblia Jovem é muito bonita, ricamente ilustrada e muito bem diagramada. Possui uma única versão, com capa cristal e papel couché.

Bônus: 
Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, R$ 103 (edição de estudo)
A TEB (ou TOB, na sigla em francês) não é uma edição católica, ou melhor, não é uma edição apenas católica: é uma edição empreendida em conjunto por católicos e protestantes (e mais tarde também por ortodoxos) na França, nos anos 1970. Esta é a sua edição brasileira, que segue à risca a estrutura do original francês.
Tradução: A tradução da edição brasileira foi feita a partir do francês, para respeitar as escolhas interpretativas da TEB francesa, mas cotejada com os originais grego e hebraico, o que faz dela uma tradução dos originais, de texto claro e fiel.
Elementos complementares: Apresenta tanto os livros aceitos por católicos e evangélicos como aqueles aceitos apenas pelos católicos (e em sua última edição francesa, inédita no Brasil, inclui ainda seis livros deuterocanônicos reconhecidos apenas pelos ortodoxos). A edição de estudos possui introduções, notas, comentários e referências cruzadas primorosos.
Design: O papel é um pouco mais espesso que o papel-bíblia tradicional. A edição de estudos é uma pequena gigante, quase um cubo, bem pouco prática de se levar por aí. Há uma edição menor, popular, com capa de zíper.

 

"Onde há vontade, há um Caminho"