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segunda-feira, 23 de abril de 2018

EFATÁ: Abre-te

A aplicação da palavra Efatá era (e continua sendo parecida com a determinação verbal, em nome de Jesus) espiritual e física, para que houvesse a manifestação divina retirando o impedimento espiritual com efeito físico.
Ou seja: alguém que estava surdo ou cego, fisicamente, mas também espiritualmente.
Está explicado no Evangelho de Marcos: E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente, e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. E, tirando-o à parte de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá, isto é, abre-te. E logo se lhe abriram os ouvidos, e a prisão da língua e falava perfeitamente” (Mc 7:32-35).
Observe, o homem era surdo e falava com dificuldade.
Após Jesus cumprir esse ritual, se lhe abriram os ouvidos, e a prisão da língua se desfez completamente, e falava perfeitamente. Isso confirma a tese de que uma pessoa com deficiência auditiva não fala ou tem dificuldade para falar devido à surdez.
Tudo que Jesus fez ao longo de Seu ministério foram fatos inusitados que chamavam a atenção de todos que O procuravam. E não era pra menos.
Podemos dizer que a prática de Jesus em curar os enfermos pode ser comparada a uma luz apagada, mas que desde sua época na terra, e até agora está acesa clareando as mentes de todos aqueles que lhe seguem em espírito e em verdade.
Vale dizer, Jesus mudou conceitos, opiniões da época, e ampliou o conhecimento espiritual antes travado por conta da religiosidade oposta ao estilo de vida espiritual pleno e perfeito de Jesus Cristo.
Hoje, até professores se utilizam desta palavra para inspirar os alunos:
Certo dia um professor entrou na sala de uma turma qualquer, de um curso de informática, sentou-se em cima da mesa e disse: “quero que comecem um projeto ao gosto de vocês, algo que os inspire a programar EFATÁ!” (curiosidade extraída da Internet).
A conclusão que chegamos deste milagre extraordinário é que Jesus nos deixou todas as indicações de como agir, bastando o fazer em Seu Santo Nome. Mas, como explica o Pastor Juanribe Pagliarin: “Tudo Ele faz bem” e de forma perfeita.
Na explicação do Pastor Juanribe Pagliarin a história não dá nenhum exemplo desta natureza, porém, já estava tudo profetizado pelo profeta Isaías no texto: “Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, comrecompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.Então, os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então, os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo” (Is 8:4b-6).
E obviamente, não era possível esconder fatos desta magnitude, e, os beneficiados com os milagres eram as testemunhas de Jesus em toda parte, ainda que proibidas de fazê-lo.
E nós servos do Senhor Jesus, atualmente, podemos operar essas maravilhas?
Sem dúvida nenhuma. A dica é estar em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como o próprio Jesus ensina: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê  em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” (Jo 14:11-12).

"Onde há vontade, há um Caminho"

domingo, 22 de abril de 2018

Espíritos Maus



1. Anjos decaídos. 
Os anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e, como o homem, dotados de livre escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora do céu. (João 8:44; 2 Ped. 2:4; Jud. 6.) O pecado, no qual eles e seu chefe caíram, foi o orgulho. Alguns têm pensado que a ocasião da rebelião dos anjos foi a revelação da futura encarnação do Filho de Deus e da obrigação de eles o adorarem. 

Segundo as Escrituras, os anjos maus passam parte do tempo no inferno (2 Ped. 2:4) e parte no mundo, especialmente nos ares que nos rodeiam. (João 12:31; 14:30; 2 Cor. 4:4; Apoc. 12:4, 7-9.) Enganando os homens por meio do pecado, exercem grande poder sobre eles (2 Cor. 4:3, 4; Efés. 2:2; 6:11,12); este poder, não obstante, está aniquilado para aqueles que são fiéis a Cristo, pela redenção que ele consumou. (Apoc. 5:9; 7:13,14.) Os anjos não são contemplados no plano da redenção (1 Ped. 1:12), mas o inferno foi preparado para o eterno castigo dos anjos maus (Mat. 25:41).

2. Demônios. 
As Escrituras não descrevem a origem dos demônios; essa questão parece ser parte do mistério que rodeia a origem do mal. Porém as Escrituras dão claro testemunho da sua existência real e de sua operação. (Mat. 12:26, 27.) Nos Evangelhos aparecem como os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas pessoas, das quais se diz que têm demônio. Em alguns casos, mais de um demônio faz sua morada na mesma vitima. (Mar. 16:9. Luc. 8:2.) 

Os efeitos desta possessão se evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas principalmente com o sistema mental e nervoso. (Mat. 9:33; 12:22; Mat. 5:4, 5.) O indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o espírito mau fala por seus lábios ou o emudece à sua vontade; leva-o aonde quer e geralmente o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força sobrenatural. 

Assim escreve o Dr. Nevius, missionário na China, que fez um estudo profundo sobre os casos de possessão de demônios: Notamos, em pessoas possuídas de demônios na China, casos semelhantes aos expostos nas Escrituras, manifestando-se algumas vezes uma espécie de dupla consciência ou ações e impulsos diretamente opostos e contrários. Uma senhora em Fuchow, apesar de estar sob a influência de um demônio, cujo impulso era fugir da presença de Cristo, sentiu-se movida por uma influência oposta, a deixar seu lar e vir a Fuchow buscar ajuda de Jesus. 

O mesmo autor chega à seguinte conclusão, baseado num estudo da possessão de demônios entre os chineses: A característica mais surpreendente desses casos é que o processo de evidências de outra personalidade, e a personalidade normal nessa hora está parcial ou totalmente dormente. A nova personalidade apresenta feições de caráter diferentes por inteiro, daquelas que realmente pertencem à vitima em seu estado normal, e esta troca de caráter tende, com raras exceções, para a perversidade moral e impureza. 

Muitas pessoas, quando possuídas de demônios, dão evidências de um conhecimento do qual não podem dar conta em seu estado normal. Muitas vezes parece que conhecem o Senhor Jesus Cristo como uma pessoa divina, e mostram aversão e temor a ele. Notemos especialmente estas boas novas: Muitos casos de possessão de demônios têm sido curados por meio de adoração a Cristo, ou em seu nome; alguns mui prontamente, outros com dificuldades. Até onde temos podido descobrir, este método de cura não tem falhado em nenhum caso ao qual tenha sido aplicado; não importa ter sido o caso difícil ou crônico. 

E, em caso algum, até onde se pôde observar, o mal não voltou, uma vez que a pessoa se tornou crente e continuou a viver uma vida cristã... Como resultado da comparação feita, vemos que a correspondência entre os casos encontrados na China e aqueles registrados nas Escrituras é completa e circunstancial, cobrindo quase todos os pontos apresentados na narração bíblica. Qual o motivo que influi nos demônios a fim de apoderarem-se do corpo dos homens? O Dr. Nevius responde: A Bíblia ensina claramente que todas as relações de Satanás com a raça humana têm por objetivo enganar e arruinar, afastando a nossa mente de Deus e induzindo-nos a infringir suas leis, e trazer sobre nos o seu desagrado. 

Esses objetivos são conseguidos por meio da possessão de demônios. Produzem-se efeitos sobre-humanos que ao ignorante e desconhecedor parecem divinos. Ele exige e consegue a adoração e a obediência implícitas pela imposição de sofrimentos físicos e por falsas promessas e temíveis ameaças. Desse modo, os ritos e as superstições idólatras, entrelaçadas com os costumes sociais e políticos, têm usurpado em quase todas as nações da história o lugar da adoração única a Deus. (Vide 1 Cor. 10:20,21; Apoc. 9:20; Deut. 32:16; Isa. 65:3.) Quanto aos próprios demônios, parece que eles têm motivos pessoais e próprios. A possessão dos corpos humanos parece proporcionar-lhes um lugar muito desejado de descanso e prazer físico. 

Nosso Salvador fala dos espíritos maus andando por lugares áridos buscando especialmente descanso nos corpos das vitimas. Quando privados de um lugar de descanso nos corpos humanos, são representados como buscando-o no corpo dos animais inferiores. (Mat. 12: 3-5.) Martinho Lutero disse: "O diabo é o contrafator de Deus." Em outras palavras, o inimigo sempre está contrafazendo as obras de Deus. E certamente a possessão de demônios é uma grotesca e diabólica contratação da mais sublime das experiências — a habitação do Espírito Santo no homem. Note alguns paralelos: 

1) A possessão de demônios significa a introdução de uma nova personalidade no ser da vitima, tomando-a, em certo sentido, uma nova criatura. Note como o gadareno endemoninhado (Mat. 8:29) falava e se portava como que controlado por outra personalidade. Aquele que é controlado por Deus tem uma personalidade divina habitando nele. (João 14:23.) 

2) As elocuções inspiradas pelo demônio são imitações satânicas daquelas inspiradas pelo Espírito Santo. 

3) Já se observaram casos em que a pessoa que se rende conscientemente ao poder do demônio, muitas vezes recebe um dom estranho, de forma que pode ler a sorte, ser médium, etc. O Dr. Nevius escreve: "Nesse estado, o endemoninhado desenvolve certas habilidades psíquicas e se dispõe a ser usado. Ele é o escravo voluntário, treinado e acostumado com o demônio." é uma imitação satânica dos dons do Espírito Santo! 

4) Freqüentemente os endemoninhados manifestam uma força extraordinária e sobre-humana — uma imitação satânica do poder do Espírito Santo. O Senhor Jesus veio ao mundo para resgatar o povo do poder dos espíritos maus e pô-lo sob o controle do Espírito de Deus.

"Onde há vontade, há um Caminho"

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Oração a Cristo, Papa Paulo VI Paulo VI




Ó Cristo, nosso único medianeiro.
Tu és necessário: para entrarmos em comunhão com Deus Pai; para nos tornarmos conTigo, que és Filho único e Senhor nosso, seus filhos adoptivos; para sermos regenerados no Espírito Santo.
Tu és necessário, ó único verdadeiro mestre das verdades ocultas e indispensáveis da vida, para conhecermos o nosso ser e o nosso destino, o caminho para o conseguirmos.
Tu és necessário, ó Redentor nosso, para descobrirmos a nossa miséria e para a curarmos; para termos o conceito do bem e do mal e a esperança da santidade; para deplorarmos os nossos pecados e para obtermos o seu perdão.
Tu és necessário, ó irmão primogénito do género humano, para encontrarmos as razões verdadeiras da fraternidade entre os homens, os fundamentos da justiça, os tesouros da caridade, o sumo bem da paz.
Tu és necessário, ó grande paciente das nossas dores, para conhecermos o sentido do sofrimento e para lhe darmos um valor de expiação e de redenção.
Tu és necessário, ó vencedor da morte, para nos libertarmos do desespero e da negação e para termos certezas que nunca desiludem.
Tu és necessário, ó Cristo, ó Senhor, ó Deus connosco, para aprendermos o amor verdadeiro e para caminharmos na alegria e na força da tua caridade, ao longo do caminho da nossa vida fatigosa, até ao encontro definitivo conTigo amado, esperado, bendito nos séculos.
 
"Onde há vontade, há um Caminho"

terça-feira, 17 de abril de 2018

SOBRE A IMPASSIBILIDADE - Apatheia ou Quietude de espírito



O objeto da guerra contra as paixões é a impassibilidade - estado abençoado atingido por muitos Santos.
"Aquele que tornou-se um amante de Deus e pretende participar, ainda que imperfeitamente, na impassibilidade de Deus, na santidade espiritual, na serenidade, quietude e humildade, e experimentar o gosto de júbilo e alegria que nasce dessas virtudes, deve esforçar-se em conduzir seus pensamentos às coisas divinas com olhos claros e desanuviados, fruindo insaciavelmente a Luz Divina. Um homem que tenha implantado essa atitude em sua alma torna-se deus, na medida em que isso seja possível, e é amado e recebido por Ele como alguém que corajosamente tomou para si esse trabalho grande e difícil. Ele torna-se capaz, apesar de sua natureza ainda estar ligada à matéria, de conversar com Deus enviando-lhe pensamentos puros despidos de paixões carnais"(São Basílio, o Grande).
Isso não significa que alguém que seja impassível nunca sinta nenhuma paixão. Ele ainda tem uma natureza decaída, e a terá até a morte. Assim, por serem as paixões inextrincavelmente parte dessa natureza, elas devem ser conquistadas, nunca porém desarraigadas.
"A impassibilidade não impede que seja atacado pelos demônios pois se esse fosse o caso, nós sairíamos fora do mundo (I Co. 5, 10). Melhor explicando, ser impassível significa perma­necer-se inconquistado quando atacado. E assim, como os guerreiros com armaduras ouvem o som de setas sibilantes quando são atacados, mas permanecem sem ferimentos dada a resistência das armaduras, imunes na batalha, assim também permaneceremos se estivermos vestidos com justiça na armadura da luz e com o elmo da salvação" (Diadochus).
"Graças a muitos tipos de virtudes, visíveis ou invisíveis, que os santos adquiriram, as paixões perdem poder sobre eles não podendo assim levantarem-se facilmente para atacá-los. Desse modo, a mente não precisa mais ficar prestando atenção nas paixões e pode ser ocupada com pensamentos, estudos e investigando as mais perfeitas contemplações... Assim que as paixões começam a se mover e serem excitadas, a mente é subitamente elevada por cima delas por uma percepção das coisas Divinas. Então, as paixões permanecem sem efeito" (São Isaac, o Sírio).
"As almas, que tem por Deus um amor ardente e insaciável, estão destinadas à vida eterna, por essa razão a libertação das paixões é concedida a elas e elas obtém perfeitamente a radiosa participação da inexprimível e mística amizade do Espírito Santo, a plenitude da Graça" (São Macário, o Grande - Homily 10).
"Como o céu é adornado pelas estrelas, a impassibilidade, é adornada pelas virtudes; pois a impassibilidade é nada mais do que o céu interno na mente, onde os jogos e armadilhas dos demônios são encarados como simples brinquedos. E assim o verdadeiro impassível é aquele que... elevou sua mente acima de todas as coisas criadas e subjugou todos os seus sentidos, mantendo sua alma na presença de Deus, dirigindo-se sempre para Deus mesmo quando isso está além de suas forças... Aquele a quem foi concedido tal estado, enquanto ainda no corpo, tem Deus sempre habitando nele como seu Guia para todas as palavras, atos e pensamentos... O impassível não vive mais, mas é Cristo que vive nele (Gal. 2, 20)" (São João Clímaco - A Escada Santa).
 
"Onde há vontade, há um Caminho"

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Nossa Senhora em Fátima - Aparições Marianas



“As aparições de Nossa Senhora trazem em si muitos elementos simbólicos, até incompreensíveis e quase nunca interpretados devidamente.
Por que Nossa Senhora em Fátima apareceu em uma árvore? Não poderia ter escolhido uma igreja, capela para se revelar? Poderia sim, mas não o quis. Por quê? Porque a árvore traz toda uma simbologia que nos remete à Bíblia e aos acontecimentos da salvação. Portanto, a mensagem da Aparição é sempre com conotação bíblica.
A mariologia das mariofanias de Fátima sempre se limitou às suas palavras e poucos estudaram seus gestos e o aspecto físico da mesma. Isto tem alguma importância? Sim, pois todas as mariofanias carregam não só uma mensagem falada, quando esta é uma visão ou locução interior, como também seu modo de aparecer, suas palavras, seus gestos etc., possuem uma mensagem. É dever da Igreja DECODIFICÁ-LAS à luz da doutrina.
Em Fátima, a Mãe de Deus escolhe para aparecer sobre uma árvore chamada Azinheira/Carrasqueira. Ora, as características desta árvore são: folhas espinhosas (Sacrifício e Penitência), tronco robusto de difícil decomposição (Assunção de Maria). Pode ser frondosa e de grandes proporções ou ser pequena. Seus frutos são ovóides.
Dois aspectos bíblicos sobre a árvore aplicados a Nossa Senhora foram aplicados pelos Santos Padres. A Sarça-ardente (cf. Ex 3,1-5) e o Cedro do Líbano (cf. Sir 24,13-14).
Tomamos da tradição oriental o melhor modo para se poder entender uma possível relação teológica com o modo como a Virgem Maria se apresenta na Serra d’Aire em 1917. É de tradição a veneração no Oriente de um famoso ícone datado do séc. XII no mosteiro de Santa Catarina, justamente ao pé do Monte Sinai. Este ícone tem como como título «Mãe de Deus como Sarça-ardente». Este ícone se inspira no texto de Ex 3,1-5. Mas, como a Igreja chegou a aplicar a Nossa Senhora o título de Sarça-ardente? Venerandos autores deixaram testemunhos, citamos de início o patriarca Severo de Antioquia (séc. VI). Ele diz: “O ventre de Maria é como uma Sarça na qual desceu o Fogo teofânico, no qual Javé se torna presente e visível a Moisés. Quando volto meu olhar à Virgem Mãe de Deus e tento esboçar uma simples reflexão sobre ela, daí me vem como que uma voz vinda de Deus e que me grita aos ouvidos: Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é terra santa!… Aproximar-se d'Ela é como aproximar-se de uma terra santa, chegar ao Céu.”
Do mesmo modo, os louvores dirigidos a Maria na liturgia por João Eucaita († 1079), onde aplica a Ela símbolos que mostram a sua participação na obra da redenção como Mãe de Deus. Ele canta: “Alegra-te, Virgem e Mãe Imaculada, sublime cipreste perfumado, que se levanta reto em direção à sumidade da divina contemplação; cedro vindo do Líbano (cf. Ct 4, 8), robusto e sensível aos humanos pensamentos, oliveira florida cujos frutos derramam a graça do Espírito Santo; vinha florida que produziu para o mundo a uva madura que alegra o coração de quantos te louvam justamente como Mãe de Deus”.
Tais exemplos iluminam perfeitamente a aparição da Virgem sobre a árvore da Azinheira que vai além de um simples pousar os pés em um arbusto. Contudo, também nos lembra a árvore do bem e do mau no jardim do Éden (cf. Gn 3,22), onde nossos primeiros pais fizeram sua escolha livre. Assim também em Fátima através do convite da Virgem, os videntes são convidados a aceitarem os sofrimentos para colaborarem na redenção de muitos que se perdem. Ora, aos pés da cruz do Redentor, que é o “fruto bendito” de Maria pendente no patíbulo, temos um outro aspecto da árvore da Vida. Esta árvore é associada a Maria pela sua escolha livre de estar “de pé junto à cruz” (Jo 19,25) e continuação do seu serviço (cf. Lc 1,26).
A Azinheira escolhida como a árvore da Aparição entra neste cenário de simbologia e teologia que nos indica todo o conteúdo da mensagem de Fátima. Fazer uma escolha de vida, entre o bem e mal… a árvore da Azinheira nos remete à árvore da Cruz de Cristo pela mediação de Maria, que por sua vez é a Sarça-ardente, pura e sem mancha na sua Imaculada Conceição e na sua Virgindade perpétua. Ela, o Cedro do Líbano, frondoso nas suas graças e perfumado com o odor da santidade, tão agradável Deus.
As aparições da Virgem em Fátima nos convidam a olhar a “Árvore da Vida”, a Cruz como sinal de vitória, mas também nos fazem um convite ardoroso de sermos frutos saborosos com a nossa perseverança nos Mandamentos do Senhor.”
(Dom Rafael Maria, O.S.B, A Virgem da Árvore do Bem e do Mal)

"Onde há vontade, há um Caminho"