SEXTA- FEIRA SANTA
Introdução
V. Vinde, ó Deus em meu auxílio. R. Socorrei-me sem demora.Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
O fel lhe dão por bebida
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados.
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados.
Ó cruz fiel sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.
Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais.
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.
Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais.
Árvore, inclina os teus ramos,
abranda as fibras mais duras.
A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas.
abranda as fibras mais duras.
A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas.
Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.
Quis o cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo.
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.
Quis o cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo.
Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho Louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.
Ao Pai e ao Filho Louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.
Ant. 1 Deus não poupou seu próprio Filho,
mas o entregou por todos nós.
Salmo 50(51)
Tende piedade, ó meu Deus!
Renovai
o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo (Ef 4,23-24). Tende piedade, ó meu Deus!
–3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor,purificai-me!
–4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa!
–5 Eu reconheço toda a minha iniquidade, *
o meu pecado está sempre à minha frente.
–6 Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, *
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! –
– Mostrais assim quanto sois justo na sentença, *
e quanto é reto o julgamento que fazeis.
–7 Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade *
e pecador já minha mãe me concebeu.
–8 Mas vós amais os corações que são sinceros, *
na intimidade me ensinais sabedoria.
–9 Aspergi-me e serei puro do pecado, *
e mais branco do que a neve ficarei.
–10 Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, *
e exultarão estes meus ossos que esmagastes.
–11 Desviai o vosso olhar dos meus pecados *
e apagai todas as minhas transgressões!
–12 Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
–13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
–14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
–15 Ensinarei vosso caminho aos pecadores, *
e para vós se voltarão os transviados.
–16 Da morte como pena, libertai-me, *
e minha língua exaltará vossa justiça!
–17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor!
–18 Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, *
e, se oferto um holocausto, o rejeitais.
–19 Meu sacrifício é minha alma penitente, *
não desprezeis um coração arrependido!
–20 Sede benigno com Sião, por vossa graça, *
reconstruí Jerusalém e os seus muros!
–21 E aceitareis o verdadeiro sacrifício, *
os holocaustos e oblações em vosso altar!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Deus não poupou seu próprio Filho,
mas o entregou por todos nós.
Ant. 2 Jesus Cristo nos amou até o fim
e lavou nossos pecados com seu sangue.
Cântico Hab 3,2-4.13a.15-19
Deus há de vir para julgar
Erguei
a cabeça, porque a vossa libertação está próxima (Lc 21,28). Deus há de vir para julgar
–2 Eu ouvi vossa mensagem, ó Senhor, *
e enchi-me de temor.
– Manifestai a vossa obra pelos tempos *
e tornai-a conhecida.
– Ó Senhor, mesmo na cólera, lembrai-vos *
de ter misericórdia!
–3 Deus virá lá das montanhas de Temã, *
e o Santo, de Farã.
– O céu se enche com a sua majestade, *
e a terra, com sua glória.
–4 Seu esplendor é fulgurante como o sol, *
saem raios de suas mãos.
– Nelas se oculta o seu poder como num véu, *
seu poder vitorioso.
–13 Para salvar o vosso povo vós saístes, *
para salvar o vosso Ungido.
–15 E lançastes pelo mar vossos cavalos *
no turbilhão das grandes águas.
–16 Ao ouvi-lo estremeceram-me as entranhas *
e tremeram os meus lábios.
– A cárie penetrou-me até os ossos, *
e meus passos vacilaram.
– Confiante espero o dia da aflição, *
que virá contra o opressor.
–17 Ainda que a figueira não floresça *
nem a vinha dê seus frutos,
– a oliveira não dê mais o seu azeite, *
nem os campos, a comida;
– mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos *
e o gado nos curais:
–18 mesmo assim eu me alegro no Senhor, *
exulto em Deus, meu Salvador!
–19 O meu Deus e meu Senhor é minha força *
e me faz ágil como a corça;
– para as alturas me conduz com segurança *
ao cântico de salmos.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim
e lavou nossos pecados com seu sangue.
Ant. 3 Adoramos, Senhor, vosso madeiro,
vossa ressurreição nós celebramos.
A alegria chegou ao mundo inteiro,
pela cruz que nós hoje veneramos. †
Salmo 147(147 B)
Restauração de Jerusalém
Vem!
Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro! (Ap 21,9). Restauração de Jerusalém
–12 Glorifica o Senhor, Jerusalém! *
Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!
–13 † Pois reforçou com segurança as tuas portas, *
e os teus filhos em teu seio abençoou;
–14 a paz em teus limites garantiu *
e te dá como alimento a flor do trigo.
–15 Ele envia suas ordens para a terra, *
e a palavra que ele diz core veloz;
–16 ele faz cair a neve como lã *
e espalha a geada como cinza. –
–17 Como de pão lança as migalhas do granizo, *
a seu frio as águas ficam congeladas.
–18 Ele envia sua palavra e as derrete, *
sopra o vento e de novo as águas corem.
–19 Anuncia a Jacó sua palavra, *
seus preceitos e suas leis a Israel.
–20 Nenhum povo recebeu tanto carinho, *
a nenhum outro revelou os seus preceitos.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Glorifica Adoramos, Senhor, vosso madeiro,
vossa ressurreição nós celebramos.
A alegria chegou ao mundo inteiro,
pela cruz que nós hoje veneramos.
CÂNTICO EVANGÉLICO(BENEDICTUS) Lc 1,68-79
Ant. Acima de sua cabeça puseram escrito o motivo
da culpa e do crime de Cristo:
Jesus Nazareno, o Rei dos judeus.
O Messias e seu Precursor
–68
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, * porque a seu povo visitou e libertou;
–69 e fez surgir um poderoso Salvador *
na casa de Davi, seu servidor,
–70 como falara pela boca de seus santos, *
os profetas desde os tempos mais antigos,
–71 para salvar-nos do poder dos inimigos *
e da mão de todos quantos nos odeiam.
–72 Assim mostrou misericórdia a nossos pais, *
recordando a sua santa Aliança
–73 e o juramento a Abraão, o nosso pai, *
de conceder-nos 74 que, libertos do inimigo,
= a ele nós sirvamos sem temor †
75 em santidade e em justiça diante dele, *
enquanto perdurarem nossos dias.
=76 Serás profeta do Altíssimo, ó menino, †
pois irás andando à frente do Senhor *
para aplainar e preparar os seus caminhos,
–77 anunciando ao seu povo a salvação, *
que está na remissão de seus pecados;
–78 pela bondade e compaixão de nosso Deus, *
que sobre nós fará brilhar o Sol nascente,
–79 para iluminar a quantos jazem entre as trevas *
= e na sombra da morte estão sentados
e para dirigir os nossos passos, *
guiando-os no caminho da paz.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant.Acima de sua cabeça puseram escrito o motivo
da culpa e do crime de Cristo:
Jesus Nazareno, o Rei dos judeus.
Ofício das Leituras
Primeira leitura
Da Carta aos Hebreus 10,19-39
Perseverança na fé. Expectativa do dia do julgamento
19Irmãos, temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. 20Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina,quer dizer, através da sua humanidade. 21Temos um grande sacerdote constituído sobre a casa de Deus. 22Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda a má consciência e o corpo lavado com água pura. 23Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa. 24Sejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras. 25Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.26De fato, se preferirmos continuar pecando, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não há sacrifícios que possam tirar os nossos pecados. 27Fica apenas a terrível expectativa do julgamento e o ardor de um fogo para devorar os rebeldes. 28Quem desobedece à Lei de Moisés, é condenado à morte, sem piedade, tendo como base o testemunho de duas ou três pessoas. 29Podeis então imaginar o castigo bem mais severo, que merecerá aquele que pisou o Filho de Deus, que profanou o sangue da Aliança, pelo qual foi santificado, e que insultou o Espírito da graça! 30Conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei”. E ainda: “O Senhor julgará o seu povo”. 31É terrível cair nas mãos do Deus vivo!
32Lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. 33Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados. 34Com efeito, participastes dos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável. 35Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. 36De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. 37Porque ainda bem pouco tempo, e aquele que deve vir, virá e não tardará. 38O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele. 39Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma.
Responsório Hb 10,35a.36; Lc 21,19
R. Não percais a confiança na palavra do Senhor;
é preciso ter constância
* Em fazer sua vontade e alcançar suas promessas.
V. Pela vossa persistência, salvareis as vossas vidas.
* Em fazer.
Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo Guelferbytanus 3:PLS 2,545-546)
(Séc.V)
Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!
A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência.Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?
Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus?
Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.
Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte.
Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.
Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos.
Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?
Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.
O apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo – mas afirmou:
Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).
Responsório
R. Adoramos, Senhor, a vossa cruz,
vossa paixão gloriosa recordamos.
* Vós que sofrestes por nós, tende piedade!
V. Suplicantes, Senhor, vos imploramos:
vinde logo ajudar os vossos servos,
que remistes pelo sangue precioso.
* Vós que sofrestes.
Oração
Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
Leitura do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito (Jo 18,1 – 19,42)
Dito isso, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Lá havia um jardim, no qual ele entrou com os seus discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com seus discípulos. Judas, pois, levou o batalhão romano e os guardas dos sumos sacerdotes e dos fariseus, com lanternas, tochas e armas, e chegou ali.Jesus, então, sabendo tudo o que ia acontecer com ele, saiu e disse: “A quem procurais?” – “A Jesus de Nazaré!”, responderam. Ele disse: “Sou eu”. Judas, o traidor, estava com eles. Quando Jesus disse; "Sou eu", eles recuaram e caíram por terra. De novo perguntou-lhes: "A quem procurais?" Responderam: "A Jesus de Nazaré". Jesus retomou: "Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, deixai que estes aqui se retirem". Assim se cumpria a palavra que ele tinha dito: "Não perdi nenhum daqueles que me deste". Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou-a, feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a ponta da orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus disse a Pedro: "Guarda a tua espada na bainha. Será que não vou beber o cálice que o Pai me deu?" O batalhão, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Primeiro, conduziram-no a Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote daquele ano. Caifás é quem tinha aconselhado aos judeus: "É conveniente que um só homem morra pelo povo". Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote. Ele entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou do lado de fora, perto da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a empregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada da porta disse a Pedro: "Não pertences tu também aos discípulos desse homem?" Ele respondeu: "Não". Os servos e os guardas tinham feito um fogo, porque fazia frio; estavam se aquecendo, e Pedro estava com eles para se aquecer. O sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito dos seus discípulos e do seu ensinamento. Jesus respondeu: "Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinai nas sinagogas e no templo, onde os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que eu falei: eles sabem o que eu disse". Quando assim falou, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: "É assim que respondes ao sumo sacerdote?" Jesus replicou-lhe: "Se falei mal, mostra em que falei mal; e se falei certo, por que me bates?" Anás, então, mandou-o, amarrado, a Caifás. Simão Pedro continuava lá, aquecendo-se. Disseram-lhe: "Não és tu, também, um dos discípulos dele?" Pedro negou: "Não". Então um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: "Será que não te vi no jardim com ele?" Pedro negou de novo, e na mesma hora o galo cantou. De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de madrugada. Eles mesmos não entraram no palácio, para não se contaminarem e poderem comer a páscoa. Pilatos saiu ao encontro deles e disse: "Que acusação apresentais contra este homem?" Eles responderam: "Se não fosse um malfeitor, não o teríamos entregue a ti!" Pilatos disse: "Tomai-o vós mesmos e julgai-o segundo vossa lei". Os judeus responderam: "Não nos é permitido matar ninguém". Assim se realizava o que Jesus tinha dito, indicando de que morte havia de morrer. Pilatos entrou, de volta, no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o Rei dos Judeus?”. Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isso de mim?”. Pilatos respondeu: “Acaso sou eu judeu? Teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”. Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não é daqui”. Pilatos disse: “Então, tu és rei?”. Jesus respondeu: “Tu dizes que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. Pilatos lhe disse: "Que é a verdade?" Dito isso, saiu ao encontro dos judeus e declarou: "Eu não encontro nele nenhum motivo de condenação. Mas existe entre vós um costume de que, por ocasião da Páscoa, eu vos solte um preso. Quereis que eu vos solte o Rei dos Judeus?" Eles, então, se puseram a gritar: "Este não, mas Barrabás!" Ora, Barrabás era um assaltante. Pilatos, então, mandou açoitar Jesus. Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça de Jesus e o vestiram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: "Viva o Rei dos Judeus!"; e batiam nele. Pilatos saiu outra vez e disse aos judeus: "Olhai! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que eu não encontro nele nenhum motivo de condenação". Então, Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Ele disse-lhes: "Eis o homem!" Quando o viram, os sumos sacerdotes e seus guardas começaram a gritar: "Crucifica-o! Crucifica-o!" Pilatos respondeu: "Levai-o, vós mesmos, para o crucificar, porque eu não encontro nele nenhum motivo de condenação". Os judeus responderam-lhe: "Nós temos uma Lei, e segundo esta Lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus". Quando Pilatos ouviu isso, ficou com mais medo ainda. Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: "De onde és tu?" Jesus ficou calado. Então Pilatos disse-lhe: "Não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e poder para te crucificar?" Jesus respondeu: "Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, quem me entregou a ti tem maior pecado". Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus continuavam gritando: "Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César". Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar conhecido como Pavimento (em hebraico: Gábata). Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: "Eis o vosso rei". Eles, porém, gritavam: "Fora! Fora! Crucifica-o!" Pilatos disse: "Vou crucificar o vosso rei?" Os sumos sacerdotes responderam: "Não temos rei senão César". Pilatos, então, lhes entregou Jesus para ser crucificado. Eles tomaram conta de Jesus. Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá, eles o crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio. Pilatos tinha mandado escrever e afixar na cruz um letreiro; estava escrito assim: "Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus". Muitos judeus leram o letreiro, porque o lugar onde Jesus foi crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes disseram então a Pilatos: "Não escrevas: 'O Rei dos Judeus', e sim: 'Ele disse: Eu sou o Rei dos Judeus'". Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi". Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima em baixo. Eles combinaram: "Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será". Assim cumpriu-se a Escritura: "Repartiram entre as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica". Foi isso que os soldados fizeram. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”. A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu. Depois disso, sabendo Jesus que tudo estava consumado, e para que se cumprisse a Escritura, até o fim, disse: "Tenho sede!" Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram num ramo de hissopo uma esponja embebida de vinagre e a levaram à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: "Está consumado". E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Era o dia de preparação do sábado, e este seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E um outro texto da Escritura diz: "Olharão para aquele que transpassaram". Depois disso, José de Arimatéia pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus; ele era discípulo de Jesus às escondidas, por medo dos judeus. Pilatos o permitiu. José veio e retirou o corpo. Veio também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido a Jesus de noite; ele trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e de aloés. Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado. Por ser dia de preparação para os judeus, e como o túmulo estava perto, foi lá que eles colocaram Jesus.
Palavras da Salvação. Glória a vós Senhor!
Preces
Adoremos com sincera piedade a Cristo, nosso Redentor, que por nós sofreu a Paixão e foi sepultado para ressuscitar ao terceiro dia; e peçamos humildemente:
R. Senhor, tende piedade de nós!
Cristo, nosso Mestre e Senhor, obediente até à morte por nosso amor,
– ensinai-nos a obedecer sempre à vontade do Pai.R.
Cristo, nossa vida, que morrendo na cruz, destruístes o poder da morte e do inferno,
– ensinai-nos a morrer convosco, para merecermos também ressuscitar convosco na glória.
Cristo, nosso Rei, que fostes desprezado como um verme e humilhado como a vergonha do gênero humano,
– ensinai-nos a imitar a vossa humildade salvadora.R.
Cristo, nossa salvação, que destes a vida por amor dos seres humanos, vossos irmãos e irmãs,
– fazei que nos amemos uns aos outros com a mesma caridade. R.
Cristo, nosso Salvador, que de braços abertos na cruz quisestes atrair para vós a humanidade inteira,
– reuni em vosso reino os filhos e as filhas de Deus dispersos pelo mundo. R.
(intenções livres)
Pai nosso.
Oração Final
Olhai
com amor, ó Pai, esta vossa família, pela qual nosso Senhor Jesus Cristo
livremente se entregou às mãos dos inimigos e sofreu o suplício da cruz. Por
nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Conclusão da Hora
O Senhor nos abençoe,
nos livre de todo o mal
e nos conduza à vida eterna. Amém.
Beatus Paschae
"Onde há vontade, há um Caminho"



