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segunda-feira, 12 de março de 2018

Temas da espiritualidade do deserto:




Fuge (foge): em sentido negativo, fugir, deixar a cidade, deixar as futilidades, deixar as paixões, deixar aquilo que afasta de Deus, fugir do que arrasta para o pecado (pecado é hamartia – errar o alvo, o esquecimento do Ser; ao contrário de anamnesis – “fazei anaminesis de mim”). “O mundo é o mundo do esquecimento” (Marcos, o Eremita). O mundo é de morte, pois “jaz no maligno”.  Em sentido positivo, fuga é fugir para Deus e para tudo o que leva a Ele, “fugir para o Alguém, fugir para o Único, fugir unificado para o único Um”. Sair do mundo e o mundo sair de dentro de ti. Sentido psicológico e sociológico: fuga como necessidade vital do ser humano. Fuga da opressão, das relações senhor/escravo (fuga do Egito), das competições hierárquicas, da necessidade de “status”. Fugir para evitar os males psicossomáticos. “Fugir para fora do mundo para Alguém que não é deste mundo, para se perceber que o mundo não tem em si seu sentido e fim” (Arsênio). Fuga implica em movimento, saída. Figuras bíblicas: Abraão, Jacó, os israelitas, Elias, João Batista, Jesus, Paulo. Jesus “fugiu dos céus, dos seus pais, dos seus perseguidores, dos seus aduladores, do mundo e dos seus discípulos”.

Tace (cala-te): “quem domina a língua domina o corpo” (Tiago). “De toda palavra ociosa que o homem disser dela dará conta no dia do juízo”, “a boca fala do que está cheio o coração”, “pela tua palavra será justificado ou condenado”, “o que sai da boca é que torna alguém impuro” (Jesus). “Não é preciso fazer silêncio, pois ele já existe”. “Derrubar uma árvore faz mais barulho do que o crescimento de toda uma floresta”. Calar-se para ouvir a Deus. Calar-se para ser capaz de Deus. Calar porque Deus habita no silêncio. “O Senhor está no seu Santo Templo, cale-se diante d’Ele toda terra” (Hc 2.20). “O julgar pode ser uma inconsciente autoprojeção sobre o outro”. “Quando ninguém lhe parece impuro, então te tornaste puro” (Isaac o Sírio). “A oração surge do silêncio e ao silêncio retorna”. “Tua palavra surge do silêncio e ao silêncio retornará”. “Que teu verbo venha de Deus e retorne para Deus”. Os perigos do muito falar (Anselm Grun): a curiosidade, pois leva a falar demais dos outros. “Um monge nunca deve andar atrás de saber como é este ou aquele; tais perguntas apenas o afastam da oração e levam às calúnias e às conversas vãs; por isso, o melhor é calar-se inteiramente” (Apo 996). O julgamento. “Quando dois irmãos marcavam para conversar, Satanás enviava para aquele local o demônio da maledicência”. A vaidade. “A tagarelice é o trono da vanglória, onde ela senta-se em juízo sobre si mesma e toca o trombone sobre si para o mundo inteiro” (São João Clímaco). A dispersão interior. “Assim como as portas do banho quando ficam sempre abertas rapidamente deixam o calor escoar-se de dentro para fora, assim também quem muito fala, mesmo que fale coisas boas, deixa sua lembrança fugir pelo portão da sua voz” (Diádoco). “Assim como para comer carne é preciso matar, é impossível falar muito, mesmo sobre coisas boas sem tocar as ruins” (S. Bento). “Às vezes, deformamos uma coisa ao falar muito a respeito dela” (H. Nouwen).  Cuidado com o silêncio doentio: “o que torna os mortos tão pesados é o peso das palavras que não souberam dizer”. Pela terapia, “faça sair o veneno da goela da serpente”. “Que teu silêncio não seja irresponsável”.

Quiesce (tranquiliza-te): repouso, descanso, paz, hesychia, shalom. É a paz interior decorrente do casamento da alma com Deus. “Encontra a paz interior e uma multidão será salva ao teu lado” (Serafim). “Um ser de paz comunica sua calma ao mundo inteiro”.  “O verdadeiro homem espiritual não é o homem poderoso, e sim o homem manso”. “Deus busca entre os homens um lugar para o seu repouso”. “Deus não pode repousar em um coração agitado”. “E vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe e aos que estavam perto” (Ef 2.17). “Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz” (Tg 3.18). Jesus é o nosso Shabbat, daí, fugimos para estar com Ele e n’Ele. “Todo trabalho deve conduzir ao descanso” (Leloup). “Não trabalhar um dia é tão mandamento quanto não roubar ou adulterar”. “Fiz sossegar a minha alma” (Sl 131.1-2). “Não andeis preocupados por coisa alguma” (Jesus). “Colocai toda sua ansiedade sobre Deus” (Paulo). “A principal obra da hesychia (sossego da alma) é a ameriminia (despreocupação) perfeita de todas as coisas, razoáveis ou não” (João Clímaco). “Quem abre a porta às preocupações razoáveis, abre também às que não são”. A quietude interior é um estado de alma que não sofre nenhuma partilha: ou é total, ou não existe. “Um pequeno cisco atrapalha a visão, uma pequena preocupação faz a alma perder a paz”. Eliminar a preocupação passa pelo contentamento: “deseja tudo o que tens e tens tudo o que desejas”. “Não está em paz quem se compara com os outros”. “Onde há inveja, não há paz”. “Só os humildes vivem em paz”. “Só vive em paz quem se coloca como último de todos e servo dos demais”. Acima de tudo, a paz não é algo que se conquista, mas um dom recebido: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (Jo 14.27).

Tratamento (terapeia) das paixões (pathos).
A contemplação de si faz com que os padres dos desertos fossem os primeiros psicólogos. “Vou para o deserto para poupar o mundo de mim mesmo”. O ser humano em estado patológico identificado nos logismoi (pensamentos): gastrimargia (gula); philarguia (avareza); porneia (obsessão sexual); orgè (cólera, patologia do irascível); lupè (tristeza, melancolia, sentir-se um lixo); acedia (perda de entusiasmo pela vida espiritual, depressão, impulso de morte, tudo foi inútil, demônio do meio dia); kenodoxia (inflação do ego, vanglória); uperèphania (orgulho). O objetivo é alcançar um estado de “apathea” (ausência de paixões = patologias). Evágrio Pôntico escreveu sobre esse tema no Oriente, e foi trazido ao Ocidente por João Cassiano, em que a “apathea” foi traduzida por “puritas cordis” (pureza de coração).

Ascética: exercício, batalha, luta, renúncia, “usufruir o máximo do mínimo” (palavras, natureza, alimentação, bens, etc). “A verdadeira ascese consiste em saborear” (Anselm Grün). “Portanto, para alcançar a pureza de coração e o amor, é necessário que façamos tudo quanto realizamos por meio das obras ascéticas; pois elas são os instrumentos que podem libertar nosso coração de todas as paixões prejudiciais que nos atrapalham no progresso para a plenitude do amor. Assim, nós praticamos o jejum, as vigílias noturnas, o recolhimento, a meditação nas Sagradas Escrituras, etc., por almejarmos a pureza de coração, que consiste no amor. Assim, o que quer que façamos, devemos fazê-lo a fim de tornar-nos verdadeiramente amantes. É por isso que o amor é normativo em tudo. Atingi-lo é a finalidade de nosso agir...” (João Cassiano) “Se a humanidade não assumir uma postura ascética diante da existência, corre o risco de destruir o mundo” (dimensão ecológica, L. Boff). Mas também há a advertência contra a ascese exagerada, o que não era incomum: “Há alguns que desgastaram seus corpos por meio da penitência. Mas por ter-lhes faltado o discernimento, acabaram se afastando de Deus” (Antão, Apot 8).

Caridade: “ter o mínimo para que possa dividir o máximo com o meu próximo”.

Theosis: deificação; divinização do ser; Cristo vivendo em si (Gl 2.20); divinos por coparticipação (2 Pe 1.4); tornar-se semelhante a Ele (I Jo 3.2), é o objetivo de Deus na vida dos eleitos (Rm 8.29). Salvação é participação na natureza divina. “Deus se fez homem para que o homem pudesse se tornar deus” (Atanásio de Alexandria). Deus realiza estes atos na vida dos fiéis, na concepção oriental, por intermédio principalmente dos sacramentos, que em princípio, não tinham um número limitado, pois em Cristo, toda a realidade é sacramental. Sacramento é o meio natural pelo qual a graça sobrenatural de Deus se revela, ou o meio visível pelo qual a graça invisível se manifesta. Exemplos de sacramentos: a natureza (Sl 19.1); a eucaristia (1 Co 10.16); a Palavra (Ef 5.15); a oração (Tiago 5.14); a congregação (Mt 18.20).

"Onde há vontade, há um Caminho"

O LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO




Existem diferentes formas de vida na vida eremítica!
Nosso Senhor se preocupa com a salvação das almas, levando as almas a acreditar que Deus existe, conhecer a santa religião católica, ser batizado, reconciliar-se com Deus, ser salvo e ter um aumento na fé, esperança e caridade. Consagrados para nós, eremitas, eremitas e reclusos, é interessante adorar e glorificar a Deus, louvá-lo, prostrar-se diante da Santíssima Trindade, reparar, fazer penitência, interceder e unir nossa vida, nossos louvores, nossos sacrifícios, jejum, luta e tristeza, para a paixão, para as feridas e para o sangue precioso de nosso Senhor Jesus Cristo, para ele, o sacrifício sagrado da Missa, no altar sagrado. Orando pelas almas dos pecadores e pela purificação das almas! Mortifiquemo-nos, cada vez mais arrependamo-nos dos nossos pecados, humilhemo-nos diante de Deus, melhoremos, rezemos e ofereçamos a Deus os sofrimentos de Cristo, os sofrimentos das almas vítimas e das almas que se encontram no purgatório, orando pela salvação das almas e a cura do coração ferido de Jesus, pedindo a Deus a sua misericórdia e a libertação das almas que sofrem, a oreção, move o Coração de Deus e contribui para o derramamento do Espírito Santo, que do Trono de Deus e do Sagrado Coração de Jesus é derramado na Terra .
A vida de renúncias e orações, dadas a Deus, ajuda aos necessitados, a serem encontrados por Cristo, a desejarem a Cristo e a reconhecê-lo. De repente, eles vieram de Cristo encontrados e salvos! Cristo quer salvar almas e, para fazer isso, ele nos pede nossa oração, nossa colaboração e santificação. Que Jesus Cristo seja louvado!
HERMITISMO URBANO

É POSSÍVEL?
À primeira vista, a vida eremítica e a cidade parecem incompatíveis, pelo simples motivo de que a cidade é composta por muitas pessoas que vivem juntas, enquanto o eremita é chamado a viver sozinho.
Na realidade, a solidão também é possível na cidade porque:
• muitas pessoas ficam sozinhas (um terço das unidades habitacionais em Pádua é ocupada por solteiros); Isso pode ser feito por escolha (jovens que deixam a casa paterna para serem auto-suficientes) ou por necessidade (pessoas separadas / divorciadas, idosos);
• estar imerso em uma massa produz a experiência do anonimato: as pessoas que se cruzam não têm nome e, na maioria das vezes, não desenvolvem relacionamentos pessoais, mesmo quando trocam informações e serviços.
O eremita pode viver sozinho na cidade porque:
• pode encontrar uma acomodação independente suficientemente silenciosa;
• pode limitar suas "saídas" ao estritamente necessário;
• pode passar despercebido na multidão ("o suficiente" e não inteiramente, por causa do vestido, mas a maioria das pessoas está com pressa e pensa em seus negócios).
É claro, no entanto, que a cidade não é o melhor lugar para um eremita porque:
• não é possível desfrutar de um silêncio perfeito;
• há várias ocasiões para se distrair e ter perturbado;
• um stress extra deve ser colocado na conta porque:
ou as possibilidades de movimento são reduzidas devido à necessidade de solidão;
ou falta de contato benéfico (para o corpo e a psique) com a natureza.

PORQUÊ?
Como a cidade não é o ambiente ideal para a vida do eremita, por que alguns eremitas escolhem viver na cidade?
Esta pergunta pode ser respondida por duas respostas:
1) Do ponto de vista da jornada pessoal, um eremita escolhe morar na cidade quando reconhece que esta é a vontade de Deus para ele.
2) Do ponto de vista do plano que a Providência divina está percebendo para a salvação de todos os homens, podemos pensar que o bom Senhor coloca os eremitas dentro de uma cidade para:
• lembrar aos homens, tão freqüentemente absorvidos pelas coisas terrenas, que o grande ganho de vida (Mt 16, 26) é construir uma história de amor com Deus, uma história de amor:
ou para o qual o eremita dedica toda a sua existência;
ou que, sozinho, permite amar autenticamente também o próximo;
• testemunhar os discípulos do Senhor e a todos aqueles que buscam Deus, a soledad e o silêncio;
ou são necessários para a vida interior e para a oração de todos;
ou também são possíveis na cidade, de acordo com as condições particulares de cada um;
• sugerir aos que são apenas por necessidade que a solidão possa se tornar um caminho de paz, comunhão e fecundidade, se vivido em uma íntima amizade com Cristo;
• compareça diante de Deus, na violação de oração e sacrifício contínuos, para interceder em benefício de todos (Ps 105, 23, CANONICAL LEY CODE, canon 603 § 1).

COMO?
A vida eremítica da cidade, embora difícil, é possível:
1) Porque o Deus bom com a vocação sempre dá também a graça de realizá-lo.
2) Elaboração de uma Regra de Vida (CÓDIGO DE DIREITO CANONICO, cânone 603 § 2) de acordo com o Bispo diocesano, que se torna para o eremita o ponto de referência eclesial, tanto para o discernimento como para a restrição de obediência.
3) Cultivando a "separação do mundo" por meio de:
• da habitação solitária;
• orientação para concentrar as saídas necessárias na metade do dia, manhã ou tarde;
• de todo o dia semanal do deserto;
• uma economia vigilante em relação às reuniões, relacionamentos com membros da família e uso de telefone, rádio, imprensa e computador (para o trabalho), sem prejuízo da escolha de não ter televisão.

APÊNDICE: A EXPERIÊNCIA "LAURA"

O QUE É LAURA
Os Laure eram agrupamentos de anacoretas, isto é, de monges que, apesar de viverem sozinhos, reuniram-se como discípulos em torno da figura de um Ancião, para compartilhar experiências e orações regularmente, especialmente a liturgia solene de sábado e domingo. O termo laura em grego significa "caminho" e foi escolhido com base na rede de caminhos que ligavam as células dos ermetas individuais ao site da comunidade central e entre eles.

OS BENEFÍCIOS DE LAURA
Laura, respeitando os aspectos específicos da vocação eremítica, oferece aos eremitas que aderem a ela:
1) momentos de oração e lectio comunitário;
2) um caminho orgânico de formação doutrinal e espiritual;
3) uma oportunidade simples, regular e concreta para a partilha fraterna;
4) um apoio financeiro mútuo.

O PERFIL CANONICO DE LAURA
Uma vez que todo eremita fez um voto de obediência ao bispo diocesano, cabe a eles aprovar a constituição de Laura e observar suas atividades. Uma vez que a "separação" faz parte do carisma específico do eremita, a participação em Laura não deve envolver quaisquer restrições canônicas, nem mesmo a simples associação dos fiéis.
Deus nosso criador: Em tí Tudo é graça tudo é luz!

"Onde há vontade, há um Caminho"

domingo, 11 de março de 2018

A Didaqué




O DOCUMENTO conhecido como Didaqué (Διδαχń) é antiquíssimo; remonta aos tempos da primeiríssima geração da Santa Igreja. É anterior a alguns livros da própria Bíblia Sagrada, tendo sido escrito provavelmente antes do Evangelho de S. João, do Apocalipse e de algumas das epístolas.
"Didaqué"
é uma palavra grega que significa "instrução" ou "doutrina", e a obra era conhecida como "A Instrução dos Doze Apóstolos", – o que lembra muito o que diz o livro de Atos (2,42) sobre "o ensinamento dos Apóstolos". Assim como ocorre com relação a alguns livros do Novo Testamento, torna-se uma tarefa mais do que complexa precisar se a obra foi escrita diretamente por algum(ns) dos Apóstolos de Jesus ou sob a sua orientação, e se foi produzida por um só ou por vários autores.

De todo modo, trata-se indiscutivelmente de uma preciosidade documental, um conjunto de textos que nos permite um mergulho profundo no inconsciente dos primeiros seguidores de Jesus, contemporâneos dos Apóstolos e/ou de seus sucessores diretos; um olhar impressionantemente vivo e preciso sobre a maneira de ser e pensar das comunidades cristãs de dois mil anos atrás.

Atualmente, a maior parte dos estudiosos parece concordar que a obra é fruto da reunião de várias fontes escritas e/ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do primeiro século. Os locais mais prováveis de sua origem são a Palestina e a Síria.

A Didaqué é um manual da Religião, uma espécie de Catecismo dos primeiros cristãos: era o principal referencial escrito com que os primeiros seguidores do Cristo contavam além das Escrituras hebraicas (o conjunto organizado de livros que compõem a Bíblia Cristã, tal como a conhecemos hoje, ainda não estava completo nem definido). Esse documento, portanto, nos permite entender melhor as origens do cristianismo, nos dá uma ideia de como eram a iniciação, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O(s) autor(es) dirige(m) seus ensinamentos especialmente às comunidades formadas pelos primeiros convertidos, que vinham principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos do século I dC. – O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e com diversos trechos dos Evangelhos canônicos. Dessa forma, esse Catecismo original é um testemunho incrivelmente preciso do modo de vida da Igreja primitiva. Entre outros elementos essenciais da fé da Igreja de sempre, o texto menciona Bispos e Diáconos, além dos Sacramentos do Batismo, da Confissão ou Penitência e da Eucaristia.

Um ponto notável é o clima de preocupação que a comunidade vive, dentro de uma sociedade estruturalmente pagã, de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas disfarçados de profetas. Sente-se também uma esperança um pouco nervosa de uma escatologia (fim dos tempos) próxima. O tema da perseverança heroica no caminho da fé é outra característica marcante das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo a sua vocação e a sua missão no mundo.

Abaixo, disponibilizamos o conteúdo integral da Didaqué, para todos aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos a respeito da fé, das origens da Igreja e das raízes da verdadeira doutrina cristã. Que seja útil.


A DIDAQUÉ: A INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS
"O Caminho da Vida e o caminho da morte"

Capítulo I

1 Existem dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Ecli 15,15-17]. A diferença entre ambos é grande.

2 O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Ecli 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].

3 Eis a doutrina relativa a estes mandamentos: Bendizei aqueles que vos amaldiçoam, orai por vossos inimigos, jejuai por aqueles que vos perseguem. Com efeito, que graça vós tereis, se amais os que vos amam? Não fazem os gentios o mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam e não tenhais inimizade [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

4 Abstém-te dos prazeres carnais [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e tu serás perfeito. Se alguém te obrigar a mil (passos), anda dois mil com ele. Se alguém tomar teu manto, dá-lhe também tua túnica. Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de todo o jeito não podes [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].

5 Dá a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a Vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último quadrante (centavo) [Mt 5,25s; Lc 12,58s].

6 Mas é verdade que a este propósito também foi dito: Que tua esmola sue em tuas mãos, até souberes a quem dar [Cf Ecli 12,1].


Capítulo II

1 O segundo mandamento da Instrução (dos Doze Apóstolos) é:

2 Não matarás, não cometerás adultério; não te entregarás à pederastia, não fornicarás, não furtarás, não exercerás magia nem bruxaria (charlatanice). Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida; não cobiçarás os bens do próximo.

3 Não serás perjuro [Cf Mt 5,33; Ex 20,7] nem darás falso testemunho; não falarás mal do outro nem lhe guardarás rancor.

4 Não usarás de ambiguidade nem no pensamento nem na palavra, pois a duplicidade é uma trama fatal [Cf Prov 21,6].

5 Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao contrário, seja cheia de sinceridade e seriedade (comprovada pela ação).

6 Não serás cobiçoso nem rapace, nem hipócrita, nem malicioso, nem soberbo. Não nutrirás má intenção contra teu próximo [Cf Ex 20,13-17; Dt 5,17-21].

7 Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e rezarás por outros, e ainda amarás aos outros mais que a ti mesmo (que tua alma).


Capítulo III

1 Meu filho, evita tudo o que é mau e semelhante ao mal.

2 Não sejas odiento ou rancoroso, pois o ódio conduz à morte; nem ciumento, nem brigão ou provocador, pois de tudo isso nascem os homicidas.

3 Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação. Evita a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo isto nascem os adúlteros.

4 Meu filho, não te dês à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Abstém-te também da encantação (feitiçaria) e da astrologia e das purificações, nem procures ver ou ouvir (entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.

5 Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não sejas avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo isto origina o roubo.

6 Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à blasfêmia; não sejas insolente nem malvado, pois tudo isto origina as blasfêmias.

7 Sê, antes, manso, pois os mansos possuirão a Terra [Cf Mt 5,5; Sl 31,11].

8 Sê longânime (têm grandeza de ânimo), misericordioso, sem falsidade, tranquilo e bom, e guarda com toda a reverência a instrução ouvida.

9 Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu coração à insolência; não vivas com os "grandes" (deste mundo), mas com os justos e humildes.

10 Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo bons, sabendo que a Deus nada daquilo que acontece é estranho.


Capítulo IV

1 Meu filho, lembra-te dia e noite daquele que te anuncia a Palavra de Deus e o honrarás como ao Senhor, pois onde se proclama sua Soberania aí está o Senhor presente [Cf Hb 13,7].

2 Todos os dias procurarás a companhia dos santos, para encontrar apoio em suas palavras.

3 Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam entre si. Julgarás de maneira justa, sem considerar a pessoa na correção das faltas [Cf Dt 1,16s; Pr 31,9].

4 Não te demorarás em procurar o que te há de acontecer (adivinhação do futuro) ou não.

5 Não terás as mãos sempre estendidas para receber, retirando-as quando se trata de dar.

6 Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos, dá-o em reparação por teus pecados.

7 Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois algum dia reconhecerás quem é o verdadeiro Dispensador da Recompensa.

8 Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo com teu irmão, não considerando nada como teu, pois, se divides os bens da imortalidade, quanto mais o deves fazer com os corruptíveis [Cf At 4,32; Hb 13,16].

9 Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas desde sua juventude os instruirás no temor a Deus.

10 Não darás ordens com rancor ao teu povo ou à tua serva, que esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos. Com efeito, Ele não virá chamar segundo a aparência da pessoa, mas segundo a preparação do espírito.

11 Vós, servos, sede submissos aos vossos senhores como se eles fossem uma imagem de Deus, com respeito e reverência [Cf Ef 6,1-9; Col 3,20-25].

12 Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.

13 Não violarás os mandamentos do Senhor e guardarás o que recebeste, sem acrescentar nem tirar algo.

14 Na assembleia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má consciência. – Este é o caminho da vida.


Capítulo V

1 O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, bruxarias (necromancias), rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambiguidades (falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme, insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus;

2 Perseguidores dos bons, inimigos da verdade, amantes da mentira, ignorantes da recompensa da justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo, vigilantes, não pelo bem, mas pelo mal, estranhos à doçura e à paciência, amantes da vaidade, cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os pobres, sem cuidado para com os necessitados, ignorantes de seu Criador, assassinos de crianças, destruidores da obra de Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos aflitos, defensores dos ricos, juízes iníquos dos pobres, pecadores sem fé nem lei. – Filho, fica longe de
tudo isso.


Capítulo VI

1 Vigia para que ninguém te afaste deste caminho da instrução, ensinando-te o que é estranho a Deus [Cf Mt 24,4].

2 Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não puderes, faze o que puderes.

3 Quanto aos alimentos, toma sobre ti o que puderes suportar, mas abstém-te completamente das carnes oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses mortos.


"Celebração Litúrgica"

Capítulo VII

1 No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente [Cf Mt 28,19].

2 Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente.

3 Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois dias.


Capítulo VIII

1 Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta (dia de preparação).

2 Também não rezeis como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu Evangelho: Nosso Pai no Céu, que Vosso Nome seja santificado, que Vosso Reino venha, que Vossa vontade seja feita na Terra, assim como no Céu; dá-nos hoje o pão necessário (cotidiano), perdoa a nossa ofensa assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal [Cf Mt 6,9-13; Lc 11,2-4], pois Vosso é o Poder e a Glória pelos séculos.

3 Assim rezai três vezes por dia.

Capítulo IX

1 No que concerne à Eucaristia, celebrai-a da seguinte maneira:

2 Primeiro sobre o Cálice, dizendo: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai,
pela santa vinha de Davi, vosso servo, que vós nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a
Glória pelos séculos! Amém.

3 Sobre o Pão a ser quebrado: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela
Vida e pelo Conhecimento que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos
séculos! Amém.

4 Da mesma maneira como este Pão quebrado primeiro fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da Terra seja unida a Vós vossa Igreja  em vosso Reino; pois vossa é a Glória e o Poder pelos séculos! Amém.

5 Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não estiver batizado em Nome do Senhor. Pois a respeito dela disse o Senhor: "Não deis as coisas santas aos cães!".

Capítulo X

1 - Mas depois de saciados, bendizei (agradecei) da seguinte maneira:

2 Nós vos bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por vosso Santo Nome, que fizestes habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

3 Vós, Senhor Todo-poderoso, criastes todas as coisas para a Glória de Vosso nome e, para o gozo deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim de que eles vos bendigam; mas a nós deste uma Comida e uma Bebida espirituais para a vida eterna por Jesus, vosso Servo.

4 Por tudo vos agradecemos, pois sois poderoso; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

5 Lembrai-vos, Senhor, de vossa Igreja, para livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no vosso Amor; reuni esta Igreja santificada dos quatro ventos no vosso Reino que lhe preparaste, pois vosso é o Poder e a Glória pelos séculos. Amém.

6 Venha vossa Graça e passe este mundo! Amém. Hosana à Casa de Davi [Cf Mt 21,15]. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência: Maranatá! [Cf 1Cor 16,22; Ap 22,20] Amém.

7 Deixai os profetas bendizer à vontade.


A Vida em comunidade

Capítulo XI

1 Se, portanto, alguém chegar a vós com instruções conformes com tudo aquilo que acima é dito, recebei-o.

2 Mas, se aquele que ensina é perverso e expõe outras doutrinas para demolir, não lhe deis atenção; se, porém, ensina para aumentar a justiça e o conhecimento do Senhor, recebei-o como o Senhor.

3 A respeito dos Apóstolos e profetas, fazei conforme os dogmas do Evangelho.

4 Todo o Apóstolo que vem a vós seja recebido como o Senhor.

5 Mas ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se necessário, mais outro. Se ele, porém, permanecer três dias, é um falso profeta.

6 Na sua partida, o Apóstolo não leve nada, a não ser o pão necessário até a seguinte estação; se, porém, pedir dinheiro, é falso profeta.

7 E não coloqueis à prova nem julgueis um profeta em tudo que fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas este pecado não será perdoado [Cf Mt 12,31].

8 Nem todo aquele que fala no espírito é profeta, a não ser aquele que vive como o Senhor. Na conduta de vida conhecereis, pois, o falso e o verdadeiro profeta.

9 E todo profeta que manda, sob inspiração, preparar a mesa não deve comer dela; ao contrário, é um falso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é falso profeta.

11 Mas todo profeta provado (e reconhecido) como verdadeiro, representando o Mistério cósmico da Igreja, não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não seja julgado por vós, pois ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.

12 O que disser, (supostamente) sob inspiração: "Dá-me dinheiro", ou qualquer outra coisa, não o escuteis; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue.

Capítulo XII

1 Todo aquele que vem a vós, em nome do Senhor, seja acolhido. Depois de o haverdes sondado, sabereis discernir a esquerda da direita (pois tendes juízo).

2 Se o hóspede for transeunte, ajudai-o quanto possível. Não permaneça convosco senão dois ou, se for necessário, três dias.

3 Se quiser estabelecer-se convosco, tendo uma profissão, então trabalhe para o seu sustento.

4 Mas, se ele não tiver profissão, procedei conforme vosso juízo, de modo a não deixar nenhum cristão ocioso entre vós.

5 Se não quiser conformar-se com isto, é alguém que quer fazer negócios com o cristianismo. Acautelai-vos contra tal gente.


Capítulo XIII

1 Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se entre vós é digno de seu alimento.

2 Do mesmo modo, também o verdadeiro mestre, como o operário, é digno de seu alimento.

3 Por isso, tomarás as primícias de todos os produtos da vindima e da eira, dos bois e das ovelhas e darás aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes.

4 Se vós, porém, não tiverdes profeta, dai-o aos pobres.

5 Se tu fizeres pão, toma as primícias e dá-as conforme manda a lei.

6 Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de óleo, toma as primícias e dá-as aos profetas.

7 E toma as primícias do dinheiro, das vestes e de todas as posses e, segundo o teu juízo, dá-as conforme a lei.

Capítulo XIV

1 Reuni-vos no dia do Senhor (Domingo) para a Fração do Pão e agradecei (celebrai a Eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

2 Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de se ter se reconciliado, a fim de que vosso Sacrifício não seja profanado [Cf Mt 5,23-25].

3 Com efeito, deste Sacrifício disse o Senhor: "Em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um Sacrifício puro, porque sou o Grande Rei – diz o Senhor – e o meu Nome é admirável entre todos os povos" [Cf Mal 1,11-14].

Capítulo XV

1 Escolhei-vos, pois, bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis, desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós a Liturgia dos profetas e doutores (mestres).

2 Não os desprezeis, porque eles são da mesma dignidade entre vós como os profetas e doutores.

3 Repreendei-vos mutuamente uns aos outros, não com ódio, mas na paz, como tendes no Evangelho. E ninguém fale com aquele que ofendeu o outro (próximo), nem o escute até que ele se tenha arrependido.

4 Fazei vossas preces, esmolas e todas as vossas ações como vós tendes no Evangelho de Nosso Senhor.


O Fim dos tempos

Capítulo XVI

1 Vigiai sobre vossa vida. Não deixeis apagar vossas lâmpadas nem solteis o cinto de vossos rins, mas estai preparados, pois não sabeis a hora na qual Nosso Senhor vem [Cf Mt 24,41-44; 25,13; Lc 13,35].

2 Reuni-vos frequentemente para procurar a salvação de vossas almas, pois todo o tempo de vossa fé não vos servirá de nada se no último momento não vos tiverdes tornado perfeitos.

3 Com efeito, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores; as ovelhas se transformarão em lobos e o amor em ódio [Cf Mt 24,10-13; 7,15].

4 Com o aumento da iniquidade, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente, e então aparecerá o sedutor do mundo como se fosse o filho de Deus. Ele fará milagres e prodígios e a Terra será entregue em suas mãos e ele cometerá crimes tais como jamais se viu desde o começo do mundo [Cf Mt 24,24; 2Tes 2,4-9].

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos se escandalizarão e perecerão. Mas aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão salvos por Aquele que os outros amaldiçoam [Cf Mt 24,10-13].

6 Aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da abertura no céu, depois o sinal do som da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos [Cf Mt 24,31; 1Cor 15-52; 1Tes 4,16].

7 Mas não de todos, segundo a Palavra da Escritura: O Senhor virá e todos os santos com Ele.

8 Então verá o mundo a vinda do Senhor sobre as nuvens do céu [Cf Mt 24,30; 26,64].

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Fonte:

• ALTANER, Berthold & STUIBER, Alfred. Patrologia, São Paulo: Paulinas, 1972, pp. 89/91

• DIDAQUÉ, O Catecismo Dos Primeiros Cristãos Para As Comunidade De Hoje. São Paulo: Paulus, 1997.

 

"Onde há vontade, há um Caminho"