O conhecido teólogo e hieromonge
(monge - sacerdote) Gabriel Bunge : A Tradição não é como um antigo folclore
que deve-se nutrir e manter artificialmente . Não! A tradição para esses
católicos é o meio pelo qual, em cada época se garante o contato pessoal com o
Cristo Vivo, sendo então todos os dias de uma vida colocados nas mãos de Deus.
Um eremita católico convertido à
ortodoxia
O conhecido teólogo e hieromonge (monge - sacerdote) Gabriel Bunge,
raramente dá entrevistas.
Ele leva uma vida de eremita em uma pequena Skete na Suíça, nunca usa a
Internet, e os único meio de comunicação com ele é o telefone, que na
verdade é uma cabine de telefone que não fica muito proxímo dos locais nos
quais o monge vive o seu dia a dia.
Contudo, o Monge concedeu uma entrevista a Konstantin Matsan do
informativo ortodoxo FOMA.
A razão da entrevista ? No dia 27 de agosto de 2010, Padre Gabriel se converteu
a Santa Ortodoxia, sendo oriundo do Catolicismo Romano.
Passamos aqui a reproduzir na sequencia a entrevista, na qual Monge Gabriel
relata as razões para a sua decisão e sobre muitos outros tópicos.
" Nós somos como uns esquisitões "
Repórter : Se alguém sai de uma tradição cristã e busca
outra, isso deve significar que tal pessoa sentia que faltava
alguma coisa de
Hieromonge Gabriel : Sim. E se esta pessoa fez tal escolha aos
setenta anos de idade, como eu, esta decisão não pode
ser considerada como precipitada, pode?
Repórter : Não, de fato não. Mas o que lhe faltava, sendo um
monge com uma grande experiência espiritual?
Hieomonge Gabriel : Para tratar disso tenho que falar não de uma decisão, mas
sim de toda uma jornada de vida, com a sua lógica interna: em um
ponto este evento aconteceu , mas ele estava sendo preparado por
toda a vida.
Como todos os jovens, eu estava procurando meu caminho na vida, por assim
dizer.
Entrei na Universidade de Bonn e comecei a estudar filosofia e teologia
comparativa. Não muito antes disso, eu tinha visitado a Grécia, e
passei dois meses na Ilha de Lesbos. Foi lá que eu vi um
verdadeiro Ancião monge ortodoxo pela primeira vez.
Nessa tempo, eu já estava interiormente atraído para o
monaquismo e tinha lido alguma literatura ortodoxa, incluindo fontes
russas. Isso me impressionou ainda mais quando vi o Ancião. Ele se
tornou a encarnação
do monásticismo que eu tinha encontrado antes apenas nos livros.
De repente, na minha frente, eu vi uma vida monástica que desde o início
parecia ser autêntica, verdadeira, a mais próxima da praticada pelos
primeiros monges cristãos. Depois pude manter contato com esse
Ancião por toda a minha vida toda. Então, eu tinha comigo um
ideal de vida monástica.
Quando voltei para a Alemanha, entrei para a Ordem de São Bento, que
parecia ser o mais próximo de minhas aspirações. A estrutura da própria
Ordem é semelhante ha aquilo que ocorria no início da Igreja
Cristã. Na Ordem, não há sistema vertical de subordinação, pois cada
comunidade existe por conta própria. O que garante a união das comunidades
é a tradição e o Typicon da Igreja.
Ou seja: Não é a ordem jurídica, mas o ideal espiritual que
consolida a unidade.
A propósito, nesse sentido eu acho que são os Beneditinos, de todos
os crentes ocidentais, aqueles que estão mais preparados para compreender
os crentes ortodoxos, com mais intensidade.
Contudo, meu Pai Espiritual e eu mesmo posteriormente, percebemos que a minha
noção a respeito do idela monástico, minhas leituras sobre o monaquismo
oriental , o meu amor pelo Oriente, e minha percepção sobre
o Cristianismo de forma geral eu não encontrava lugar nesta
ordem.
Portanto, o abade, um idoso e experiente homem, a qual eu
oferto toda honra, decidiu transferir-me para um pequeno mosteiro na
Bélgica, e então parti sem pensar duas vezes.
Passei 18 anos lá, adquiri grande experiência, e de lá, tendo bênção
para tal, fui para uma Skete(Um monastério para um ou poucos
monges) na Suíça. Todas essas transferências foram causadas por
uma razão: a tentativa de progresso rumo a uma vida monástica
autêntica, como era com os primeiros Cristãos, como era a vida
daqueles cristãos que eu vi na Europa Oriental.
E assim, posso dizer que a minha conversão a Ortodoxia foi apenas o mais
recente passo nesse caminho.
Repórter : Mas por que você decidiu dar esse passo ? Pois pode-se
amar Ortodoxia com todo o coração e ficar dentro de uma ala mais
tradicional do Catolicismo Romano. Há muitos exemplos assim no
Ocidente.
Hieromonge Gabriel : Sim, muitas pessoas que são atraídas para a
Ortodoxia, se mantem vinculados a Igreja Católica.
E isso é normal. Na maioria das catedrais ocidentais existem ícones
ortodoxos. Na Itália, há escolas profissionais de pintura de ícones ministradas
por especialistas russos e de outros centros ortodoxos.
Mais e mais crentes na Europa estão interessadas hoje em hinos
Bizantinos, e mesmo os tradicionalistas da Igreja Católica tem
sido visto descobrindo a hinografia bizantina. É claro que eles não os
utilizam durante o culto divino na igreja, mas fora dela
sim, como em shows. A literatura ortodoxa é traduzida em todos os países
europeus e os livros são publicados nas principais editoras católicas.
Em suma, no Ocidente, realmente não está perdido o interesse pelo
autêntico cristianismo que a tradição oriental tem preservado.
Mas, infelizmente tal forma de interesse não muda nada na vida real
das pessoas e na sociedade em geral.
O interesse na Ortodoxia é mais cultural. E os desgraçados como eu
que tem um
interesse espiritual na Ortodoxia, são severamente minoritários.
Nós somos como uns esquizitões, nós raramente somos compreendidos.
"Saber sobre as origens das coisas "
Repórter: Como teólogo, você tem falado muitas vezes sobre o problema do
Ocidente e sobre a separação do Oriente. Podemos dizer que a sua conversão
à ortodoxia é o resultado de sua meditação sobre este tema?
Hieromonge Gabriel: Quando eu estava na Grécia e comecei a migrar no
sentido do Cristianismo Oriental, comecei a perceber como muita dor, a
questão do cisma entre o Oriente e o Ocidente.
Tal tema deixou de ser uma teoria abstrata ou uma trama sobre a
história da Igreja descrita em um livro, mas sim algo que estava
afetando diretamente a minha vida espiritual. É por isso que a
conversão à ortodoxia começou a parecer um passo muito lógico.
Na juventude, eu sinceramente esperava que a união do Ocidente e do Cristianismo
Oriental fosse possível. Eu estava esperando por ela acontecer com todo
meu coração. E eu tinha alguns motivos para acreditar nela. No
Concílio Vaticano II, havia observadores da Igreja Ortodoxa Russa,
incluindo o atual Metropolita de São Petersburgo e Ladoga Vladimir
(Kotlyarov).
Naquela época o Metropolita Nikodim (Rotov) foi muito ativo nos
assuntos internacionais. E muitas pessoas achavam que as duas Igrejas
se moviam para eventualmente se encontrarem em um ponto comum.
Era o meu sonho que estava se tornando mais e mais real. Mas com o tempo, fui
envelhecendo e aprendendo algumas coisas mais profundas, deixei de
acreditar na possibilidade de uma reconciliação das duas Igrejas no
que diz respeito aos Serviços Divinos e unidade institucional.
O que então eu poderia fazer? Só me restava ir na busca
por esta unidade em mim mesmo, individualmente, restaurá-la em uma alma
separada, a minha . Eu não poderia fazer mais.
Eu apenas segui a minha consciência, e nela veio a Ortodoxia.
Repórter: Não é muito radical a sua opinião?
Hieromonge Gabriel: Ainda na Grécia, sendo católico, eu percebi que foi o
Ocidente que se separou do Oriente, não o contrário. Naquele momento,
tal constatação era impensável para mim. Eu precisava de tempo para
entender e aceitar isso. Não posso culpá ninguém, é claro que eu não
posso! Estamos falando de todo um grande processo histórico, e
nós não podemos dizer que esta ou aquele pessoa é a culpado por isso. Mas
os fatos são fatos: o que chamamos de Cristianismo Ocidental hoje em dia,
nasceu como uma cadeia de rupturas com o Oriente. Estas
rupturas foram a reforma gregoriana, seguido da separação das igrejas
na Século XI, em seguida, a Reforma no século XV, e finalmente, o
Concílio Vaticano II, no século XX. Este é, certamente, um posição
muito dura, mas acho que é a mais correta sobre o todo em questão.
Repórter: No entanto, existe uma leitura, no qual se determina que essas rupturas
são fruto de um processo histórico normal , porque qualquer fenômeno
social (e a Igreja Cristã não é excepção), vai se consolidar através
dos seus estágios de desenvolvimento. Qual é a tragédia então?
Hieromonge Gabriel : A tragédia está nas pessoas. Em uma situação radical,
quando há acontecimentos revolucionários, as pessoas acabam a
dividir a percepção da vida através de 'antes'
e 'depois'.
Então os revolúcionarios passam a querer contar a história apenas a
partir deste novo ponto, como se tudo o que aconteceu antes não tivesse
qualquer importancia.
Quando o Protestantes proclamaram a Reforma, eu não acho que
eles soubessem que tal ação levaria à separação da Igreja
Ocidental em dois grandes campos. Eles não vislumbravam isso, eles só
agiram.
E então, começaram a dividir os que estavam à sua volta, como existindo o
sadios - aqueles que aceitaram Reforma - e os insalubres, os doentes
- os Seguidores do Papa.
Além disso, a história se repete: o mesmo aconteceu agora em torno do
Concílio Vaticano II na Igreja Católica Romana. Há pessoas que não aceitam
as decisões do Concílio, e há as pessoas que o consideram
como uma espécie de novo ponto de partida.
Repórter : Qual é a sua opinião sobre os humores liberais entre os Católicos
modernos?
Hieromonge Gabriel : Estou muito feliz por ter a oportunidade de abordar este
temas para o público russo e dizer que você não deve reduzir todos os
católicos a um único nível.
Entre eles há sim de fato os que são mais seculares, mais liberais. É isso
não significa que são criminosos, é apenas o ponto de vista deles sobre a
vista.
Há outros também que são completamente dedicados à tradição. Eu
não os chamaria de tradicionalistas, porque a Tradição em si não é tão importante
para eles. A Tradição não é como um antigo folclore que deve-se
nutrir e manter artificialmente . Não! A tradição para
esses católicos é o meio pelo qual, em cada época
se garante o contato pessoal com o Cristo Vivo, sendo então todos os dias
de uma vida colocados nas mãos de Deus.
Repórter : E qual deve ser a nossa atitude para aqueles que não
são muito dedicados a tradição?
Hieromonge Gabriel: Não devemos os constranger e é claro que nós não
devemos persegui-los. Qualquer pessoa é merecedora da misericórdia
cristã.
Se eu, sendo um ortodoxo, vejo uma pessoa Católica em uma igreja ortodoxa,
eu gostaria de abordar essa pessoa e dizer-lhe abertamente, suavemente, e
confidencialmente:
"Ouça,
irmão, talvez você goste de saber que no início, todos nós
faziamos o Sinal da Cruz desta forma: a partir de direita para a esquerda. Agora
tudo mudou. Não, eu não estou o convidando a reconsiderar toda a sua
vida e correr para o Igreja Ortodoxa. Eu só quero que você
possa saber sobre as origens das coisas."
Repórter : E por que você escolheu a Igreja Ortodoxa Russa?
Hieromonge Gabriel : Acho que o fator-chave em uma decisão como essa, são
as pessoas que nos são mais próximas.
Quando os bispos da Igreja Russa souberam que eu estava
adotando a Ortodoxia, eles me disseram: "Nós não
estamos nem um pouco surpresos! Você sempre esteve conosco. Mas
agora vamos ter a definitiva e Sagrada Comunhão, em um só Cálice
"
Conheço o Metropolita Hilarion, o atual chefe do Departamento de
relações externas do Patriarcado de Moscou já faz um longo tempo. Nós
nos conhecemos em 1994 quando ele era um hieromonge.
Eu o considero como meu amigo e valorizo essa amizade.
O Hierarca Hilarion é uma das pessoas mais competentes e
bem informadas que já conheci. Ele realmente se tornou para mim a
pessoa mais capacitada para me auxiliar em meu processo de mudança, pois
me conhecia, assim como minhas crenças e minha situação específica. E
foi isso que aconteceu.
Repórter
: Como essa transição vai ajudá-lo a alcançar o seu ideal de vida
espiritual?
Hieromonge Gabriel : Se você deseja ouvir de mim alguma profecia, isso
não vou poder lhe dar, pois não sou nenhum profeta. Eu simplesmente vou vivendo,
sem saber o que vai acontecer.
Até agora já encontrei muitas coisas na Rússia que despertaram o meu
interesse.
Por exemplo, pude visitar Valamo. Não
sei se você sabe, mas se no Ocidente um crente é atraido por buscar
uma vida de máxima reclusão monástica, ele simplesmente não tem para onde ir.
Ermidas, como há na Rússia, não existem no Ocidente. Lá
,esta forma de vida parece ser "ultrapassada"...
Como um monge estou constantemente em busca da máxima reclusão, até da
solidão.
Em Valamo,pude sentir que tudo isso se
encontrava lá.
Repórter : Mas não havia solidão suficiente em sua skete na Suíça?
Pois é certo que Valamo recebe muitos peregrinos regularmente.
Hieromonge Gabriel : A Suíça é um país pequeno e densamente povoado. A
skete é cercada por uma floresta, mas em 15 minutos andando a
pé, existe uma aldeia com cerca de uma centena pessoas vivendo
lá.
Em Valamo é muito mais silencioso. Sim, claro, há muitos peregrinos que
vão até lá. Mas o lugar em si, como eu imaginava, está mesmo isolado do
resto do mundo. Talvez seja assim porque é uma ilha, ou talvez seja
mesmo por outras razões, não-geográficas.
Parece-me que essas razões, podem ser a origem deste estado
desejável de reclusão no coração , encontrado por todos aqueles que vão
até lá.
Repórter : É mais difícil encontrar lugares assim na Europa?
Hieromonge Gabriel : Para uma definição em linhas gerais, podemos
dizer que isto simplesmente não existe em todo o Ocidente.
A autêntica tradição monástica Ocidental foi praticamente erradicada no
curso da revolução burguesa francesa de 1789. Eu tenho uma firme
convicção que as conseqüências desta revolução para a Europa foram não
menos pesadas que as consequências da revolução de 1917 e os 70
anos de poder ateu foram para a Rússia.
Na França, depois daqueles acontecimentos sangrentos, o monaquismo teve
de ser restaurado quase do zero. E foram sacerdotes comuns, não
monges, os responsáveis por realizar isso, pois não havia mais
ninguém que o pudesse fazer.
Na Rússia o monaquismo sobreviveu, apesar de todos os choques e horrores.
Sim, isso aconteceu ao nível dos indivíduos particulares, ou seja, dos
anciãos. Mas elas existiam!
E eles mantiveram a tradição espiritual, a vida monástica e
a fé.
Parece-me que em tudo o que diz respeito a vida monástica , a
Rússia não de começar do zero em absolutamente nenhum quesito. E é por
isso que fico entristecido quando ouço os russos as vezes
dizendo : "nós tivemos todas as igrejas destruídas, a
Igreja foi erradicada, etc... "
Eu sempre busco responder : " Na minha opinião, vocês tem,
considerando tudo isso, além dos novos mártires e confessores, os
anciãos monásticos. Eles estão todos próximos, basta esticar o braço
para os tocar. Só que você tem de esticá-lo, buscar essa riqueza
e utilizá-la na prática, por assim dizer, em sua vida."
Eu sempre tenho a impressão de que a maioria das pessoas na Rússia
não valorizam isso. Ou simplesmente não entendem como isso
é valioso.
Repórter
: Por que, na sua opinião, isso acontece ?
Hieromonge Gabriel : Quando falam de problemas, as pessoas se concentram
no material, e às dificuldades externas que os mosteiros e as Igreja
enfrentam hoje em dia são o principal enfoque.
Sim, há muito o que reconstruir. Mas esta é apenas a parte
técnica, por assim dizer, apenas as paredes e os telhados. Mas então
as pessoas reclamam que telhados e paredes custam dinheiro, e elas
se angustiam sobre o como encontrar o dinheiro ...
Mas se nós mentalmente buscarmos ir alem, acima do telhado
por assim dizer, ainda que tenhamos que ver este além pelos buracos das ruínas,
nós veremos que as paredes e demais aspectos não são a coisa
principal, pois é mais importante saber com que tipo de coração se
entra nos edifícios materialmente concebidos.
E
esta é a coisa mais importante, essa tradição espiritual, que ainda
está presente na Rússia, pois os anciãos monásticos e os novos
mártires preservaram tudo isso para nós.
Às vezes as pessoas discutem, "Mas há tão poucos anciãos hoje,
a maioria deles já morreu , não há mais ninguém para nos
ensinar." Diante disso sempre respondo: "Se você
não pode ter a vida dos Anciãos como um meio
de ensiná-lo, então você já está morto. Você tem suas
hagiografias, seus textos, ensinamentos.
Leia-os, e os correlacione com sua vida."
"É
necessário saltar na água"
Repórter
: O que mudou na sua vida diária após a conversão?
Hieromonge Gabriel: É claro, há coisas que não podemos deixar de modificar. Tendo
se tornado membro da Igreja Ortodoxa Russa, mas ainda vivendo na Suíça, eu
me submeto ao Arcebispo Inocencio de Korsun.
E é claro,minhas relações com a Igreja Católica não podem mais,
naturalmente, permanecem as mesmos.
Repórter : Qual a reação que você espera dos seus Filhos espirituais? Pois
eles devem ser todos os católicos ...
Hieromonge Gabriel: Em primeiro lugar, felizmente sempre soube
lidar de forma respeitosa com todas as pessoas, e tenho certeza que
eles vão respeitar a minha decisão.
Em segundo lugar, nunca mantive minhas opiniões e crenças em segredo. Logo,
todos os meus filhos espirituais conhecem sobre o meu ideal,
vinculado ao cristianismo no Oriente. Então não penso que qualquer um
deles irá se surpreender. Eu não disse nada a eles de antemão
para evitar discussões desnecessárias.
Mas não acho que nada de extraordinário vai acontecer. Acredito
que os meus filhos continuaram vindo buscar as palestras espirituais.
Finalmente, me comunico com essas pessoas regularmente,
e compartilho meus ideais espirituais nesta
relação, e se não fosse assim, elas não viriam até a mim.
Repórter:
E a respeito dos Serviços Divinos?
Hieromonge Gabriel: Claro, a partir de agora não vou poder administrar a
comunhão aos católicos.
Mas antes mesmo da minha conversão era muito raro ministrar a Comunhão, pois
a Skete se encontra distante do grande mundo, o território
no qual ela se encontra é mantido trancado, os serviços também são
privados, e a capela é pequena , para dez pessoas no máximo.
Somente no Natal e na Páscoa, abriamos as portas para todos aqueles que desejavam
se juntar a nós.
Repórter : Se você puder e quiser dar alguns breves conselhos para como os
homens contemporâneos devem organizar a sua vida de oração, o que você
diria?
Hieromonge Gabriel: Se você quer aprender a nadar, é necessário saltar na
água. Só assim você pode aprender. Só quem reza pode sentir o
significado, o gosto e a alegria da oração. Você não pode aprender a
rezar sentado em uma poltrona grande e quente. Se você está pronto
para se ajoelhar, se arrepender sinceramente, para levantar seus olhos e
mãos para o céu, então muitas coisas serão reveladas a você.
Claro que você pode ler muitos livros, ouvir palestras, conversar com as
pessoas, e estes são também meios muito importantes e
ajudam certamente. Mas qual é o valor de todas estas coisas se
não tomarmos as medidas reais depois? Se não começarmos a rezar?
Penso
que você deve entender isso também. Obviamente, se está
perguntando, parte da posição de quem não acredita ...
Repórter : Exatamente. Nossa revista é para aqueles que duvidam.
Hieromonge Gabriel : Não há nada de errado com dúvidas, e mesmo elas são úteis. Contudo,
nós não devemos viver a buscar ter dúvidas. Mas se elas aparecem, é
preciso simplesmente lembrar que todos nós temos uma oportunidade de saber
: "Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e
põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente."(João 20: 27)