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quinta-feira, 1 de março de 2018

Cântico dos cânticos, que é de Salomão.




A introdução chama o poema de "Cântico dos cânticos", uma construção superlativa frequente na Bíblia hebraica para demonstrar algo como o maior e mais belo de sua classe (como o Santo dos Santos). O poema propriamente dito começa com a expressão do desejo da mulher por seu amante e sua auto-descrição às "filhas de Jerusalém": ela insiste em sua cor negra, igualando-a às "tendas de Quedar" (nômades) e às "cortinas de Salomão". Segue um diálogo entre os amantes: a mulher pede um encontro ao homem; ele responde atiçando-a ligeiramente. Os dois competem nos elogios mútuos ("o meu amado é para mim como um ramalhete da hena", "a macieira entre as árvores do bosque", "qual uma açucena entre espinhos"). Esta seção termina com a mulher pedindo às filhas de Jerusalém que não despertem um amor como o dela antes de ele estar pronto.
Os cristãos admitiram a canonicidade do Cântico dos Cânticos desde o princípio, mas, depois que exegetas judeus começaram a interpretar o Cântico de forma alegórica, como um símbolo do amor de Deus por seu povo, os exegetas cristãos seguiram o mesmo caminho, tratando o amor celebrado pelo livro como uma analogia ao amor entre Deus e sua Igreja. Depois de séculos, a ênfase na interpretação mudou: a partir do século XI foi acrescentado um elemento moral e, no século XII, a Virgem Maria passou a ser a noiva. Cada nova interpretação absorvia a anterior sem substituí-la e o comentário bíblico foi se tornando cada vez mais complexo, com diversas camadas de significado. Esta abordagem levou a conclusões não encontradas nos livros mais claramente teológicos da Bíblia, que consideram a relação entre Deus e o homem como desigual. Por outro lado, a leitura de Cântico dos Cânticos como uma alegoria do amor de Deus por sua Igreja sugere que os dois parceiros são iguais, unidos numa relação emocional livremente consentida...

Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.
Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o ungüento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.
Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.
Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.
Não olheis para o eu ser morena, porque o sol resplandeceu sobre mim; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei.
Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?
Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores.
Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor.
Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.
O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios.
Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado.
Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.
Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde.
As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste.

Cânticos 1:1-17
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja 14.ª homilia sobre o amor aos pobres, 38.40




«Um pobre [...] jazia junto do seu portão»
«Felizes os misericordiosos», diz o Senhor, «pois alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). A misericórdia não é a menor das bem-aventuranças: «feliz o que compreende o pobre e o fraco»(Sl 71,13); e também: «o homem bom compadece-se e partilha» (Sl 111,5); e ainda: «sempre o justo se compadece e empresta» (Sl 36,26). tornemos, pois, nossa esta bem-aventurança: saibamos compreender, sejamos bons.

Nem a noite deve deter a tua misericórdia; «não digas: volta amanhã e logo te darei» (Prov 3,28). Que não haja hesitação entre a tua primeira reação e a tua generosidade. [...] «Partilha o teu pão com aquele que tem fome, recolhe em tua casa o infeliz sem abrigo» (Is 58,7) e fá-lo de boa vontade. «Aquele que exerce a misericórdia», diz S. Paulo, «que o faça com alegria» (Rom 12,8).

O teu mérito será redobrado pelo teu zelo; uma dádiva feita de má vontade ou por obrigação não tem graça nem fulgor. É com um coração em festa e sem lamentos que devemos fazer o bem. [...] Então a luz jorrará como a aurora, e as nossas forças não tardarão a restabelecer-se. E haverá quem não deseje a luz e a cura? [...]

Por isso, servos de Cristo, seus irmãos e seus co-herdeiros (Gal 4,7), sempre que tenhamos oportunidade, visitemos Cristo, alimentemos Cristo, agasalhemos Cristo, abriguemos Cristo, honremos Cristo (cf Mt 25,31s). Não só sentando-O à nossa mesa, como alguns fizeram, ou cobrindo-O de perfumes, como Maria Madalena, ou participando na sua sepultura, como Nicodemos. [...] Nem com ouro, incenso e mirra, como os magos, [...] pois o Senhor do universo «quer a misericórdia e não o sacrifício» (Mt 9,13), prefere a nossa compaixão a milhares de cordeiros gordos (Miq 6,7). Apresentemos-Lhe pois a nossa misericórdia pela mão desses infelizes que jazem hoje por terra, para que, no dia em que partirmos daqui, eles nos «conduzam à morada eterna» (Lc 16,9), ao próprio Cristo, nosso Senhor.


"Onde há vontade, há um Caminho"

5ª-feira da 2ª Semana da Quaresma




Evangelho - Lc 16,19-31
Tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro os males; agora ele encontra aqui consolo e tu és atormentado.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 16,19-31

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus:
19 'Havia um homem rico,
que se vestia com roupas finas e elegantes
e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas,
estava no chão à porta do rico.
21 Ele queria matar a fome
com as sobras que caíam da mesa do rico.
E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22 Quando o pobre morreu,
os anjos levaram-no para junto de Abraão.
Morreu também o rico e foi enterrado.
23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos,
o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão,
com Lázaro ao seu lado.
24 Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim!
Manda Lázaro molhar a ponta do dedo
para me refrescar a língua,
porque sofro muito nestas chamas'.
25 Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te
que tu recebeste teus bens durante a vida
e Lázaro, por sua vez, os males.
Agora, porém, ele encontra aqui consolo
e tu és atormentado.
26 E, além disso, há um grande abismo entre nós:
por mais que alguém desejasse,
não poderia passar daqui para junto de vós,
e nem os daí poderiam atravessar até nós'.
27 O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico,
manda Lázaro à casa do meu pai,
28 porque eu tenho cinco irmãos.
Manda preveni-los, para que não venham também eles
para este lugar de tormento'.
29 Mas Abraão respondeu:
'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!'
30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão,
mas se um dos mortos for até eles,
certamente vão se converter'.
31 Mas Abraão lhe disse:
`Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas,
eles não acreditarão,
mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.'
Palavra da Salvação.

 
"Onde há vontade, há um Caminho"

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A alma de um homem





"A alma de um homem encontra-se cheia de vozes, como uma floresta; há lá dez mil línguas como todos os troncos das árvores. Modas, loucuras, memórias, devaneios, medos recônditos, misteriosas esperanças.
Todo o desempenho e normal desenrolar da vida consiste em chegar à conclusão que algumas destas vozes têm autoridade e outras não.
Pode ter-se a tendência para enfrentar o inimigo ou fugir dele, a tendência de servir a Pátria ou de a trair, um modo engenhoso de cozinhar bolos ou de os envenenar.
O único teste seguro para julgar e separar um argumento ou inspiração de outro é este: todos os sentimentos nobres num homem falam a linguagem da eternidade.
Quando um homem está a fazer as três ou quatro coisas que veio fazer nesta Terra, então ele fala como alguém que viva para sempre.
Quando estão em comunidade, falam em termos do absoluto, tal como quando estão a construir essas pequenas comunidades chamadas famílias.

Existem na vida momentos imortais, momentos que possuem autoridade. Os noivos têm razão ao escrever os seus nomes nas palmas das mãos; eles pertencem-se de facto num sentido ainda mais profundo do que supõem."
[Chesterton, The Illustrated London News, 1910]
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Quem são os Pequenos Monges do Pater Noster Mostery



O Pequenos Monges do Último Lugar são aqueles que se dispõem da própria vida, num elo inquebrantável de aliança com Deus e Sua Igreja, ocupando nela, o último lugar, dentro de sua dimensão existencialmente peregrina.

Pequenos Monges do Último Lugar, no sentido restrito e particular de buscar as últimas vontades interiores, a fim de manifestar como primeira, nas ações ordinárias da exterioridade humana, a Vontade do Divino Amor.

Eis a meta pessoal, marca indelével de um Pequeno Monge do Último Lugar: tornar última todas as vontades humanas, para realizar, com plenitude, a Vontade Divina, em primeiro lugar, na completude una de sua própria existência, como semelhança perfeita ao Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, reintegrando numa única e indivisível realidade, a dicotomia racional de corpo e alma. Somos um, em nossa própria existência, uma única essência de corpo, alma e espírito, assim como o Cristo, sendo Filho, é um com o Pai e o Espírito Santo, numa substância só, manifestada em Três Pessoas.

Pequenos Monges do Último Lugar, no sentido amplo do Evangelho, com o propósito de manifestar como última (enquanto que objetivo final), as ações apostólicas da interioridade mística da Igreja, com a finalidade de tornar primordial (enquanto que primícias da atitude), a integração e unidade das diversas ações apostólicas da exterioridade mística da Igreja, presente em cada Carisma do Cristo, instituído no Seu Corpo Místico.

Eis a marca comunitária e fraterna dos Pequenos Monges do Último Lugar: tornar última (e não excluir) todas as vontades institucionais legalistas, expressas de maneiras distintas em cada Carisma Particular do Cristo, para promover plenamente, a Vontade Mística do Carisma do Pater Noster, isto é, a unidade no amor, respeitando-se a pluralidade dos Carismas do Filho, instituidos originalmente com particularidades verdadeiras, no que tange a espiritualidade, ação apostólica, regra de vida, vida de oração, arquetipo missionário, etc, etc, etc.

Neste sentido, os Pequenos Monges do Último Lugar, são portadores de uma vida monástica adaptada para as necessidades do terceiro Milênio de Cristianismo, Milênio da Morte e Ressurreição da Igreja de Jesus Cristo. Como argumento lógico de coerência racional desta postulação, os Pequenos Monges do Último Lugar, são aqueles que compreendem a dimensão vocacional tendo uma origem matricial na razão, segundo a definição de Aristóteles: “onde as habilidades do homem se cruzam com as necessidades do mundo, aí está a verdadeira vocação”; e como fim último, na fé.

Os Pequenos Monges do Último Lugar, células vivas em Cristo, do Carisma Unitivo do Pater Noster, vivem uma experiência mista e mística de integração. Por isso, os Pequenos Monges do Último Lugar, São como as raposas e os pássaros que não tem tocas nem ninhos, na medida em que saem dos ninhos e tocas que os geraram para peregrinar uma experiência de integração e unidade, ouvindo a voz do pastor que chama, através de Pedro, o Papa.

Contudo, podem, os Pequenos Monges do Último Lugar, constituírem edificações físicas que promovam acolhimento e recolhimento de seus filhos e filhas, na medida em que isso se fizer necessário para possibilitar, na prática, o encontro dessas células que trabalham, unidas, no funcionamento dos “aparelhos” apostólicos, os quais, formam, em conjunto, os sistemas eclesiais da Igreja, o Corpo Místico de Cristo, tendo por Cabeça, a Hierarquia Eclesiástica sob a autoridade Apostólica de Pedro, o Sumo Pontífice de Roma, em unidade com os Patriarcados do Oriente, com os “sistemas” Ortodoxos e os “órgãos” do Protestantismo Histórico.

São Francisco de Assis, chamado por Deus para testemunhar a altíssima pobreza, num tempo em que hierarquia estava comprometida com o estado e a riqueza, descobriu a via humilde da comunhão e da unidade...“Amando o clero sem limites e sem julgamentos”.

NOSSO CARISMA: À maneira de São Francisco de Assis, somos chamados a acolher os padres católicos e ortodoxos que, de algum modo, encontram-se “excluídos” no exercício de seu ministério sacerdotal, quer pela contingência limitante da saúde física, psíquica ou espiritual; quer por solidão quando não mais têm condições de atender as exigências do povo; quer por qualquer outro motivo que os façam mergulhar nas “noites escuras” da ingratidão e do abandono alheio, depois de uma vida inteira de doação.





"Onde há vontade, há um Caminho"