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sábado, 17 de fevereiro de 2018

«Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado» (Heb 4,15)




Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Discursos sobre os Salmos, PS 60; CCL 39, 766


«Escutai, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração! [...] Dos confins da terra grito por Vós, com o meu coração desfalecido» (Sl 60,2-3). Dos confins da terra, ou seja, de toda a parte. [...] Não é só uma pessoa que fala assim; e, no entanto, é uma só pessoa, porque não há senão um só Cristo, do qual somos os membros (Ef 5,23). [...] Aquele que grita dos confins da terra está angustiado, mas não foi abandonado. Porque fomos nós, ou seja, o seu corpo, que o Senhor quis prefigurar no seu próprio corpo. [...]

Simbolizou-nos na sua pessoa quando quis ser tentado por Satanás. Lê-se no Evangelho que Nosso Senhor, Cristo Jesus, foi tentado no deserto pelo diabo. Em Cristo, és tu que és tentado, porque Cristo tomou de ti a sua humanidade para te dar a sua salvação, de ti tomou a sua morte para te dar a sua vida, de ti sofreu os seus ultrajes para te dar a sua honra. Foi portanto de ti que Ele tomou as tentações, para te dar a sua vitória. Se somos tentados nele, nele também triunfaremos do diabo.

Reconheces que Cristo foi tentado, e não reconheces que alcançou a vitória? Reconhece-te como tentado ele, reconhece-te como vencedor nele. Ele poderia ter impedido o diabo de se aproximar dele; mas, se não tivesse sido tentado, como nos teria ensinado a maneira de vencer a tentação? Por isso, não é de espantar que, atormentado pela tentação, Ele grite dos confins da terra segundo este salmo. Mas porque não é vencido? O salmo continua: «Conduzi-me ao rochedo». [...] Recorda o Evangelho: «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16,18). Assim, é a Igreja, que Ele quis construir sobre a pedra, que grita dos confins da terra. Mas quem se tornou rochedo, para que a Igreja pudesse ser construída sobre o rochedo? Ouçamos S. Paulo: «O rochedo era Cristo» (1Cor 10,4). É pois sobre Ele que nós somos edificados. Por isso, a pedra sobre a qual somos construídos foi a primeira a ser batida pelos ventos, pelas torrentes e pelas chuvas, quando Cristo foi tentado pelo diabo (Mt 7,25). Eis a fundação inabalável sobre a qual Ele te quis edificar.

 


"Onde há vontade, há um Caminho"

A INCENSAÇÃO AO CÂNTICO EVANGÉLICO NA LITURGIA DAS HORAS



"Durante o Cântico Evangélico nas Laudes e Vésperas, pode ser incensado o altar e, em seguida, também o sacerdote e o povo". (HGLH 261)
O Incenso durante o canto do Benedíctus e do Magníficat fazem parte dos ritos externos da celebração da Liturgia das Horas e está ligada com o simbolismo da Oração da comunidade que sobe ao céu como o incenso (cf. Sl 140) e também com a oferenda que cada um faz de si mesmo em torno do altar.
Também não podemos deixar de lembrar que os cânticos evangélicos são as únicas proclamações do texto do Evangelho na Liturgia das Horas, exceto a proclamação nas vigílias. Por esse motivo a incensação está ligada também com a dignidade do Evangelho como na Missa.

Cantos
 

"Onde há vontade, há um Caminho"

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Um milagre de São Charbel Mackhlouf em nossos dias



São Charbel Makhlouf (1828-1898) foi um dos maiores taumaturgos do século XIX. Monge do rito maronita, já era tido como santo em vida, tendo operado muitos milagres. Sua festividade é celebrada pela Igreja Católica no dia 24 de julho.
Em 1952, quando foi feita a terceira exumação dos seus restos mortais, segundo testemunha ocular, “o corpo foi retirado do caixão e sentado numa cadeiraOs braços e as pernas dobrados, curvados. A cabeça inclinada, balançava dum lado para outro. As vestes sacerdotais e as roupas interiores estavam encharcadas de sangue”[i]. O que levou o papa Pio XII, ao iniciar seu processo de beatificação, a afirmar: “o Pe. Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Foi vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue há 79 anos, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocam com um pedaço de pano suas vestes constantemente úmidas de sangue, alcançam alívio em suas doenças e não poucos até se vêem curados ”[ii].
O número de milagres nessa ocasião foi tão grande, que Anaya, onde está seu mosteiro, foi chamada de “A Lourdes libanesa”. Somente entre 22 de abril de 1950 e 25 de junho de 1955, foram registradas nos anais do Convento São Maron, 237 curas, muitas constatadas e confirmadas por médicos[iii].
Infelizmente a devoção a este santo taumaturgo não é popular no Brasil, a não ser entre os fiéis do rito maronita. O mesmo ocorre em outros países do Ocidente, como nos Estados Unidos. No entanto, este país foi o escolhido por São Charbel, nos nossos dias, para um de seus estupendos milagres que surpreendem o mundo.


"Onde há vontade, há um Caminho"

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

«Rasgai os vossos corações, e não as vossas vestes» (Jl 2,13)

São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja
10.ª Homilia para a Quaresma
Diz o Senhor: «Não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mt 9,13). A nenhum cristão é permitido odiar seja quem for, porque ninguém é salvo senão graças ao perdão dos pecados. […] Que o povo de Deus seja, pois, santo e bom: santo, para se afastar daquilo que é proibido, bom para realizar aquilo que é mandado. Grande coisa é ter uma fé reta e uma doutrina santa; é louvável reprimir a gula, ter uma doçura e uma castidade irrepreensíveis; mas estas virtudes nada são sem a caridade. […]

Meus queridos, todos os tempos convêm para se realizar o bem da caridade, mas a quaresma convida-nos especialmente a fazê-lo. Aqueles que desejam acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo devem esforçar-se, antes de mais, por adquirir esse dom que contém a essência das virtudes e que «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). Assim pois, agora que nos preparamos para celebrar o mistério que ultrapassa todos os outros, aquele pelo qual o sangue de Cristo apagou as nossas culpas, preparemos antes de mais os sacrifícios da misericórdia. Concedamos àqueles que pecaram contra nós o que a bondade de Deus nos concedeu a nós. Esqueçamos as injustiças, deixemos as culpas sem castigo, e que nenhum daqueles que nos ofenderam receie ser pago da mesma moeda. […]

Todos sabemos que somos pecadores; ora, a fim de recebermos o perdão pelos nossos pecados, deve alegrar-nos o fato de termos a quem perdoar. Deste modo, quando dissermos, seguindo o ensinamento do Senhor: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6,11), podemos estar seguros de obter a misericórdia de Deus.

Papa: rezar a oração dos fiéis com espírito de fé

https://www.youtube.com/watch?v=dSx45HmY-KU&feature=em-subs_digest


"Onde há vontade, há um Caminho"

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

DISCERNIMENTO DAS PAIXÕES E PENSAMENTOS - DE EVÁGRIO DO PONTO, MONGE (SÉCULO IV)




Entre os demônios que se opõe a prática das virtudes, os primeiros que adotam uma atitude de combate são aqueles que ostentam as paixões pelo comer, os que insinuam o amor ao dinheiro, e os que nos estimulam na busca da glória que provém dos homens. Todos os demais vêm depois destes e recebem os que são feridos por eles. Realmente, é pouco provável que se caia nas mãos dos espíritos da fornicação senão cair antes na gula. E não há quem, tendo sido pertubado pela ira, não tenha previamente caído nos prazeres de uma boa mesa, pelas riquezas e pela glória. E não há modo de fugir do demônio da tristeza, se não suporta a privação de todas essas coisas. Assim como nada pode fugir do orgulho, ninhada do diabo; se não há erradicado antes a raiz de todos os males, que é o amor pelo dinheiro, sim é verdade, como disse Salomão, que a indigência faz o homem humilde (Pr 10,4).

Resumindo: não sucede que o homem tropece com o Demônio, sem antes não ter sido ferido por esses três principais males. E também diante do Salvador, o Diabo o tentou primeiramente com estes três pessamentos: primeiramente exortando-o a converter as pedras em pães, depois prometendo-o que o mundo se prostaría a seus pés, adorando-o, e como terceira coisa, o tenta com a possibilidade de que a glória o cobriria se, caindo do ponto mais alto do templo, os anjos O pegariam e o salvariam, como Filho de Deus que é. Porém nosso Senhor, se mostra superior a tudo isto, ordena ao Diabo que se afaste dEle, ensinando assim que é impossível rejeitar o Diabo sem depreciar estes três pensamentos.

Todos os pensamentos demoníacos introduzem na alma concepções relativas a objetos sensíveis, e o intelecto, se compenetrando deles, imprime em si mesmo as formas desses objetos. A alma reconhece, então, o demônio que se associa ao próprio objeto. Por exemplo: se em minha mente se apresenta a fisionomia de quem me tem insultado ou ofendido, é evidente que surgirão em mim pensamentos de rancor. Se surgir a lembrança das riquezas e da glória, recordará claramente do objeto, o qual é o motivo da minha angústia. O mesmo acontece com os outros pensamentos: pelo objeto descobrirá quem é que vem a sugeri-los. Sem embargo, não quero dizer que todas as lembranças de tais objetos venham dos demônios. Porque é o intelecto mesmo, acionado pelo homem, que produzem as imagens dos acontecimentos. Provêm dos demônios aquelas lembranças que sucitam a ira ou a concupiscência anomais.
O homem não pode expulsar as lembranças apaixonadas se não presta atenção à concupiscência e à cólera, dissipando a primeira com jejuns, velando e dormindo no chão, e acalmando a segunda com atos de suportação, paciência, perdão e de misericórdia. Das paixões ditas anteriormente surgem quase todos os pensamentos demoníacos que empurram o intelecto a ruína e a perdição. Porém é impossível superar estas paixões se não se depreciam totalmente os banquetes, as riquezas e a glória e ainda o próprio corpo, com fundamento daqueles pensamentos que tão pouco o flagelam. É absolutamente necessário, pois, imitar aqueles que se encontram no mar, em perigo, que atiram para a borda as coisas, a causa da violência dos ventos e das ondas. Porém chegados a este ponto, devemos nos guardar de desprender das coisas para sermos vistos pelos homens, já teremos recebido nossa recompensa, e logo outro naufrágio mais terrível que o primeiro nos aflingirá, e então soprará o vento contrário, o do demônio da vanglória. Portanto, também Nosso Senhor dos Evangelhos, impulsionando em nosso intelecto que é o capitão do barco, nos disse: Cuidado que não faça vossas justiça diante dos homens, para ser vistos por eles: de outra maneira não terias recompensa de vosso Pai que está no Céu (Mt 6,1). E disse mais: E quando rezeis, não sejam hipócritas, porque eles gostam de orar nas sinagogas e nos cantos das ruas, de pé para serem vistos pelos homens: em verdade os digo, que já tiveram seu pagamento (Mt 6,5-16).

Porém neste ponto devemos prestar atenção ao médico das almas e observar como ele cura a cólera com a esmola, e como a oração purifica o intelecto, e ainda mais, o jejum disseca a concupscência: deste modo surge o novo Adão, o qual se renova a imagem dAquele que o criou, no qual não existe – com motivo da impassibilidade – nem homem nem mulher, e – baseados na única fé – nem grego nem judeu, nem circunciso nem incircunciso, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem liberto, senão que tudo está em Cristo.

Pensamentos De Evágrio Pôntico

«Não imagines possuir a Divindade em ti, quando oras, nem deixes tua inteligência aceitar a marca de uma forma qualquer; mantém-te como imaterial diante do Imaterial e compreenderás».
«Não poderias possuir a oração pura, estando perturbado com coisas materiais e agitado por inquietações contínuas, pois a oração é abandono dos pensamentos»,
«A oração é produto da doçura e da ausência de ira».
«Esforça-te por manter teu intelecto surdo e mudo durante a oração: assim poderás orar».
«Se oras verdadeiramente, sentirás uma grande segurança: os anjos te escoltarão como a Daniel e te iluminarão sobre as razões dos seres».
«Se queres orar como convém não entristeças nenhuma alma; senão, corres em vão».
«Bem-aventurada a inteligência que, no momento da oração, torna-se imaterial e despojada de tudo».
«A oração é uma ascenção da inteligência para Deus».
«A oração é a atividade que convém à dignidade da inteligência; é a aplicação mais admirável e mais completa desta».
«Se és teólogo, vais orar verdadeiramente; e se oras verdadeiramente, és teólogo».
«A salmodia depende da sabedoria multiforme; a oração é o prelúdio do conhecimento imaterial e uniforme».
«Quanto mais perto estiver de Deus, tanto melhor será o homem».
«A oração é fruto da alegria e do reconhecimento».
«Enquanto ainda tens atenção para o que provém do corpo; enquanto tua inteligência considera os atrativos externos, ainda não viste o lugar da oração; estás mesmo longe do caminho abençoado que conduz a ele».
«O corpo tem o pão por alimento; a alma, a virtude; a inteligência, a oração espiritual».
«Na hora de orar, encontrarás o fruto de todo sofrimento aceito com sabedoria».
«Os sentimentos mal orientados atrapalham a oração».
«Feliz o espírito livre de qualquer forma durante a oração».
«O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações».
«Aspira a ver a face do Pai, que está no céu: não procure, por nada deste mundo, perceber forma ou rosto durante a oração».
«Pois, quando em tua oração tiveres conseguido ultrapassar qualquer outra alegria, é que finalmente, em toda verdade, terás encontrado a oração».
«Armado contra a ira, não admitas jamais a cobiça, pois é a cobiça que alimenta a ira, esta por sua vez, turva os olhos da inteligência e destrói assim, o estado de oração».
«A oração é uma conversa da inteligência com Deus: que estado não é, pois, necessário, para essa tensão sem retorno, para ir a seu Senhor e conversar com Ele, sem nenhum intermediário?»
«Mantém-te corajoso e ora com energia; afasta as preocupações e e as reflexões que se apresentarem, pois elas te perturbam e te agitam, debilitando o teu vigor».
«Se queres orar dignamente, renuncia-te a todo instante; se suportas toda sorte de provações, resigna-te sabiamente por amor da oração».
«Não te contentes de orar nas atitudes exeriores, mas leva tua inteligência ao sentimento da oração espiritual, com grande temor».
«Não ores para que tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus. Ora, sim, segundo o ensinamento recebido, dizendo: ‘que vossa vontade se cumpra em mim’. Em tudo, pede-lhe que se faça a sua vontade, pois Ele quer o bem e o benefício para tua alma; tu, porém, não é isso necessariamente que procuras».
«A oração sem distração é a intelecção mais alta da inteligência».
«Orando com teus irmãos ou orando só, esforça-te por orar, não por hábito, mas com sentimento».
«Quem ama a Deus conversa incessantemente com Ele, como com um Pai, despojando-se de todo pensamento apaixonado».
«Quem ora em espírito e em verdade, não tira mais das criaturas os louvores que dá ao Criador: é do próprio Deus que ele louva Deus».
«O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações».
«A oração é a exclusão da tristeza e do desalento».

"Onde há vontade, há um Caminho"