O Dr. Bernard Nathanson, americano, chegou a ser
considerado “o Rei do Aborto”. Praticou cinco mil abortamentos numa
clínica que realizava 130 operações desse tipo por dia.
Aos poucos foi concebendo o horror de suas práticas. De judeu ateu que
era tornou-se católico, e foi batizado pelo Cardeal O’Connor, arcebispo
de Nova Iorque, em 09/12/1996. É fascinante a sua história.
Ele mesmo escreveu: “Ninguém tem mais experiência de abortamentos do que eu”.
Fundou em 1969 a Liga Nacional do Direito ao Aborto (NADAL), para fazer
propaganda em favor da legalização oficial da interrupção da gravidez.
Por meio da propaganda nos meios de comunicação social procurava
influenciar a opinião pública.
“A partir de 1971 – escreve ele – dirigi a maior Clínica
abortista do mundo. Tinha dez salas de operação e trinta e cinco
médicos às minhas ordens. Realizávamos cento e trinta abortos por dia,
mesmo aos domingos. Só não trabalhávamos no dia de Natal. Tenho de
confessar que foram praticados, às minhas ordens, sessenta mil abortos. Eu, pessoalmente, fiz uns cinco mil.”
Aos poucos, porém, o Rei do Aborto foi-se compenetrando da gravidade
do que cometia; estava matando crianças inocentes. E foi-se enojando
do seu trabalho.
Ao perceber a hediondez do aborto, Nathanson começou a questionar a
sua própria vida. Pensou em suicidar-se não só por causa dos múltiplos
crimes que cometera, mas também por causa de sua vida passada: teve três casamentos fracassados; não fora bom pai com seu filho José, que estava com trinta e um anos; havia feito o aborto até de um filho seu. Declarou ele: “Eu sentia como a carga do pecado se tornava mais pesada e angustiante”.
Até 1980 foi um judeu ateu. Em 1980 começou a voltar para Deus.
“Persistentemente, amorosamente, desinteressadamente rezavam por
mim, e não tenho a menor dúvida de que tais orações foram atendidas.
Pensando nas pessoas que o fizeram, muitas delas desconhecidas para mim, meus olhos enchem-se de lágrimas.”
Começou então Nathanson a ler os testemunhos de pessoas convertidas à
fé católica. Leu e releu a biografia de Malcom Muggeridge, Walter
Percy, Graham Greene, Simone Weil, Richard Gilman, Pascal, e Cardeal
John Henry Newman.
Durante um ano assistiu aos Cursos de Ética no Instituto
Kennedy, da Universidade de Georgetown, e começou a conversar com
freqüência com o sacerdote John Mc Closkey do Opus Dei. Diz Nathanson:
“Ele soube que eu estava-me aproximando do Catolicismo. Procurou-me e
pusemo-nos a conversar semanalmente. Veio à minha casa e trouxe-me
material para ler. Guiou-me pelo caminho que me conduziu aonde estou
agora. Devo a ele mais a qualquer pessoa.”
Finalmente aos 9/12/96 recebeu o Batismo das mãos do Sr. Arcebispo de
Nova Iorque, Cardeal O’Connor, na catedral de São Patrício. Pouco
depois, num dia de manhã, em Missa simples, da qual participaram cerca
de vinte e cinco pessoas, o próprio Cardeal ministrou-lhe a Crisma e
deu-lhe a Primeira Comunhão. Eis o depoimento do convertido:
“Quando aceitas Cristo, nada perdes. Eu continuo a ser judeu
étnica e culturalmente. Orientando a minha vida para Cristo, não sinto
sujeição a coisa alguma, nem a quero sentir. Havia convertido a minha
vida num caos; ninguém podia ter procedido pior. Agora estou nas mãos de
Deus.”
Com setenta e um anos de idade, Nathanson quer resgatar o tempo e
compensar o mal que cometeu. Exerce suas funções de ginecologista em
zonas pobres, dentro e fora dos Estados Unidos; percorre vários países
como a Espanha e Portugal ensinando a respeitar a vida humana. Editou um
vídeo em que mostra o feto a estremecer no seio materno por causa das
dores que sente quando lhe aplicam o fórceps para extrair. Escreveu
também alguns livros, entre os quais uma autobiografia intitulada “A Mão
de Deus”. Nesse livro declara:
“Fracassei em três casamentos e tenho um filho que é ressentido e
desconfiado, ainda que brilhante na ciência dos computadores. Tenho uma
bagagem moral tão pesada que, se a levasse para o outro mundo, eu me
condenaria por toda a eternidade, talvez de maneira mais aterradora do
que aquela que o poeta Dante descreve na sua Divina Comédia.”
Termina seu livro autobiográfico sem jamais ter justificado o seu
comportamento anterior e exprimindo confiança na misericórdia divina, no
perdão de Deus e na salvação que vem de Jesus Cristo por intermédio da
Igreja Católica:
“Alguém morreu por meus pecados e minha maldade há dois mil anos.
O Deus do Novo Testamento surgiu diante de mim como uma figura amável,
magnânima, incomparavelmente terna,em quem eu podia procurar e encontrar
o perdão que tinha buscado tão desesperadamente durante tanto tempo.”
Antes de seu Batismo, dizia: “Ficarei livre do pecado. Pela primeira vez na vida, sentirei o refúgio e o calor da fé”.
Assista ao vídeo: Aborto - O grito silencioso - Completo - dublado pt-br