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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A todos os queridos irmãos que nos acompanham



Muito estimados em Cristo!
Pax!
Peço divulgar entre os seus, esta petição contra o terrível mal que assola a nossa humanidade, o famigerado Aborto. Nos diz o Senhor: “Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.” Mat 18,6

Sr. Ministro da Saúde Alexandre Padilha;
Sra. Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi H. Hoffmann;

Queremos, por meio deste documento, expressar – respeitosa, mas convictamente, em nome da imensa maioria dos brasileiros e brasileiras[1] –, a nossa indignação diante dos largos passos dados pelo Governo Federal para favorecer a prática do aborto no Brasil.
Não queremos a matança das crianças indefesas e inocentes no ventre de suas mães em nossa Pátria por diversas razões. Dentre essas razões, elencamos três:
O aborto contraria a Lei de Deus que ordena “Não Matarás”[2] e é um pecado que brada aos céus por vingança.
O aborto contraria as mais recentes descobertas das ciências biológicas, uma vez que estas provam haver vida desde a concepção[3]. Aliás, se não houver vida a partir da concepção, nunca mais haverá. Basta o simples bom senso ou o mínimo de raciocínio filosófico para reconhecer essa verdade.
O aborto contraria a declaração da presidente Dilma Rousseff, quando, no perigo de perder a eleição, declarou: “Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer tipo de religião no país”[4]
Diante das razões expostas, pedimos, na intenção de ouvir o importante pedido do Regional Sul-1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que o Governo Federal tome as seguintes medidas urgentes[5]:
1) A demissão imediata da Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Política Especial para Mulheres;
2) A demissão imediata do secretário de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães;
3) O rompimento imediato dos convênios do Ministério da Saúde com o grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Aborto no Brasil.
Sendo isso para o momento e tentando acreditar que o Governo Federal deseja realmente governar para o povo e não para favorecer interesses internacionais[6] voltados à prática do aborto, subscrevemo-nos.

Amparo, 9 de julho de 2012.

Vanderlei de Lima
RG 29.954120-4
Assine também esta petição: http://www.peticao24.com/vida_sim_aborto_nao

Das cartas de São Jerônimo Emiliani a seus confrades




Aos diletíssimos irmãos em Cristo e filhos da Ordem dos Servos dos Pobres. Vosso pobre pai vos saúda e exorta a que persevereis no amor de Cristo e na fiel observância da lei cristã. Foi o que vos ensinei por obras e palavras, enquanto estive convosco, de modo que o Senhor seja glorificado por meu intermédio no meio de vós. O nosso fim é Deus, fonte de todos os bens, e devemos, como repetims em nossa oração, confiar unicamente nele e em mais ninguém. Nosso bom Senhor, querendo aumentar vossa fé (sem a qual, como diz o evangelista, Cristo não pode realizar muitos milagres) e atender vossa oração, decidiu servir-se de vós assim: pobres, humilhados, aflitos, cansados, desprezados por todos, e agora, por fim, privados até da minha presença física, mas não o espírito de vosso pobre e muito amado pai.
Por que vos trata assim, só ele sabe. Podemos, contudo, vos sugerir três motivos: primeiro, nosso bendito Senhor vos adverte que é seu desejo incluir-vos no número de seus filhos queridos, contanto que persevereris em seus caminhos; é assim que faz com seus amigos e os torna santos.
Segundo motivo: ele quer que cada vez mais confieis somente nele e não em outros; porque, como eu já vos disse, Deus não realiza susa obras naqueles que se recusam a colocar somente nele toda a sua fé e toda a sua esperança, mas infunde sempre a plenitude de sua caridade nos que são cheios de fé e de esperança; neles realiza grandes coisas. Portanto, se estiveres repletos de fé e de esperança, Deus fará também em vós grandes coisas e exaltará os humildes. Assim, quando ele vos priva de mim ou de qualquer outro que vós estimais, obriga-vos a escolher entre estas duas coisas: ou vos afastais da fé e voltais às coisas do mundo, ou permaneceis fortes na fé e sois aprovados por Deus.
Ainda há um terceiro motivo: Deus quer prova-nos como o ouro no cadinho. O fogo consome as escórias do ouro, mas o ouro de bom quilate permanece e aumenta de valor. Do mesmo modo Deus procede com o servo bom, que na tribulação permanece firme e espera nele. Deus o eleva e d todas as coisas que abandonou por seu amor, receberá o cêntuplo neste mundo, e a vida eterna no mundo que hé de vir.
É sempre assim que ele trata todos os santos. Foi assim com o povo de Israel, depois de tudo quanto sofrera no Egito: não apenas o retirou de lá com tantos prodígios e alimentou-o com o maná no deserto, vós também permanecerdes firmes na fé contra as tentações, o Senhor vos dará paz e descanso por algum tempo neste mundo, e para sempre no outro.

terça-feira, 24 de julho de 2012



MENSAGEM FINAL
DO ENCONTRO NACIONAL
DA VIDA MONÁSTICA E CONTEMPLATIVA

(Aparecida/SP, 16-19 de junho de 2012)
“IDENTIDADE, MÍSTICA E MISSÃO”
Nossa pátria é o céu (Fl 3,20)
1.    Reunidos em Aparecida, lugar privilegiado da manifestação da fé do povo brasileiro, e onde se pode sentir mais de perto a maternidade carinhosa de Maria, por iniciativa da Conferência dos Religiosos do Brasil e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o incentivo e aprovação da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, acolhidos calorosamente pela Igreja Local, expressamos nossa alegria e gratidão por esta oportunidade de comunhão e convívio fraterno, reflexão e partilha de experiências, oração e celebração, que nos foram proporcionados. Vemos em tudo isto a solicitude da Igreja para com nossas famílias religiosas.
2.    Com o tema “identidade, mística e missão” e o lema “nossa pátria é o céu” (Fl 3,20), procuramos aprofundar a compreensão de que somos consagrados para responder ao olhar de amor do Senhor por todos nós: “não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Somos gratos pelo chamado para a vida monástica e contemplativa, partilhado também por leigos que vivenciam nosso carisma na realidade secular. Reconhecemos que nossa fidelidade a Jesus exige sempre e de novo decisão e empenho, dimensões que marcam o povo de Deus que caminha na história, buscando corresponder à vida de cidadãos do céu (cf. Fl 3,20).
3.    Empenhamo-nos por aprofundar a compreensão de nossa vocação particular na Igreja, nossa identidade, mística e missão; o sentido de pertença e fidelidade criativa à Tradição de nossas famílias religiosas, a conservação do próprio patrimônio espiritual, a comunhão como possibilidade de experiência real do amor vivido e sua celebração diária na liturgia; a dimensão comunitária da experiência de fé, a corresponsabilidade no que diz respeito ao “único necessário” (Lc 10,42), cientes de que “nossa pátria é o céu” (Fl 3,20). Desejamos conservar, alimentar e aprofundar o amor, a fidelidade e a devoção filial à Igreja, ao sucessor de Pedro, em comunhão com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Possamos, com a graça de Deus, receber a força de tornar visível pelo amor fraterno, a unidade da comunhão trinitária que nos abraça e abençoa. Reconhecemos humildemente a presença entre nós de atitudes contrárias às exigências do seguimento radical de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Fl 3, 18-19). Mas também temos a certeza de que Deus escolhe instrumentos frágeis para testemunhar no mundo seu amor (cf. 1Cor 1, 27-28), e acreditamos que Sua misericórdia é grande (1Pd 1,3).
4.    Somos desafiados no cotidiano pelas consequências da mudança de época em que nos encontramos. Isso faz com que os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações entrem em crise. Sentimos tal realidade influenciando e desafiando nossa forma de vida. Desejamos, portanto, que nosso testemunho discreto e simples de amor vivido em todas as suas manifestações, possa ser resposta oferecida por nossas comunidades religiosas ao mundo. Em especial, com a Igreja, através da participação em seu mistério pascal e da ascese e da solicitude orante pela humanidade, suas necessidades e intenções, acolhendo as angústias e dores, as alegrias e esperanças dos homens e mulheres de nosso tempo.
5.    Confiamos na força do amor (cf. Ct 8,6). Por isso, “com os olhos fixos em Jesus” (Hb 12,1), vislumbramos um futuro mais harmonioso nas relações entre hierarquia e carisma, dimensões constitutivas da Igreja. Incentivamos uma pedagogia de mútua apreciação, desde os seminários e casas de formação, até a criação de espaços de autêntico diálogo e mútua colaboração.
6.    Renovamos nosso compromisso em testemunhar alegremente no silêncio da vida a força da fidelidade a nossos carismas. Por isso, entre expressões antigas e novas de vida monástica e contemplativa, assumimos o desafio de dar continuidade à experiência da gratuidade do amor e da comunhão entre nós e nossas famílias religiosas, vivida nestes dias em Aparecida. Propomo-nos favorecer e fomentar o caminho aqui iniciado, sob as bênçãos da Senhora Aparecida, pois, reconhecemos que da Igreja recebemos a fé e a consagração; e nela, com gratidão e alegria, nos consagramos ao Senhor sem reserva, característica dos adoradores que o Pai procura.

Bem-aventurado Ruysbroeck

 
Louvor dos pobres voluntários.
"Mas, o primeiro fruto que nasce da boa vontade é a pobreza voluntária, que é o segundo degrau na escada da vida daquele que ama. Aquele que é pobre espontaneamente, leva uma vida livre e desembaraçada da preocupação por todas as coisas temporais que não lhe são necessárias.
Pois, como um sábio mercador, ele trocou a terra pelo céu ; adequando seus costumes à esta sentença do Senhor Jesus, pela qual está dito : Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro: Lc 16. Non potestis servire Deo et mammonae. E tendo abandonado e desprezado tudo o que podia possuir de amor ou de afeição terrestre, comprou a pobreza voluntária, isto é, o campo no qual descobriu o reino de Deus.
Assim, bem-aventurados os pobres de espírito, isto é, da vontade, ou, os pobres voluntários, porque deles é o reino dos céus: Mt. 5 Beati pauperes spiritu, quoniam ipsorum est regnum coelorum. O reino de Deus. O que é? O reino de Deus é caridade e amor, é o experimento e o exercício de todas as obras boas, de tal modo que aquêle que é pobre de espírito, desta maneira, seja enormemente misericordioso, bom, clemente e caridoso em relação a todos aquêles que tem necessidade de seu socorro; e que se esforça por lhes ser útil, de maneira todavia, que ele possa declarar, em virtude do julgamento do Cristo, e dar testemunho, por causa do grande benefício de Deus e dos dons recebidos de Ele, que pôs todo seu zelo nos atos de misericórdia, e que se entregou. Pois, nas coisas terrestres, não há nada inerente; pois, tudo o que há, é comum a Deus e a todos aquêles que pertencem a família de Deus. Bem-aventurado, com certeza, o pobre voluntário que nada de caduco e efêmero possúi , para seguir a Cristo, e receber cem vezes mais a prova das virtudes; esperando a Glória de Deus e a vida eterna: Mt.19 Deique expectat gloriam et vitam sempiternam. A loucura do avaro. Mas, ao contrário, aquele que é avaro é estranhamente imprudente e insensato, pois ele troca o céu pela terra, ainda que seja certo que ele deva perdê-la cêdo : O pobre de espírito escala os céus : o avaro se precipita no Tártaro. Mt. 19 Se um camelo pode passar por um buraco de uma agulha, também o avaro que se agarra (aos bens da terra) poderá entrar nos céus.
E ainda que ele seja pobre de bens terrestres, se, entretanto ele não preferir a Deus sobre todas as coisas, se morrer na avareza, certamente perecerá.
O avaro escolhe a casca da noz em vez da amêndoa, a casca em vez da gema do ovo. E no entanto, em verdade, aquele que ama o ouro e possui os bens da terra, não faz senão se alimentar de um veneno mortal, e beber na fonte da eterna aflição. E quanto mais bebe, mais sua sede se torna ardente; e quanto mais fica repleto de bens, mais ele os deseja. E ainda que ele possua muitos bens, entretanto, ele não está contente: falta-lhe tudo o que não está com ele; mas o que ele tem lhe parece pouca coisa ou nada. E ele não é amado por ninguém. Pois, como ele está a mercê do mal da avareza, ele não merece ser amado. Porque o avaro se parece com os abraços de Satã. Pode-se comparar, não sem razão, aos abraços do demônio. Pois tudo que se apodera, não quer mais largar: mas, retém na medida, até o último suspiro, tudo o que ele puder adquirir, até mesmo pela artimanha ou pela fraude. Então, queira ou não, perde todas as coisas; e a dor eterna logo se apodera dele: e isto é mais que certo, como é semelhante ao inferno que, qualquer que seja o nome dos condenados que ele recebe, não diz jamais: Prov. 30 7 é demasiado; e ainda que ele tenha tragado um grande número, não se sente melhor por isso. Mas, tudo o que ele agarrou, retém fortemente, e sempre, com a goela escancarada, alcança novos hóspedes para o Tártaro .
Por isso, fiquemos em guarda para não contrair a peste da avareza, 1 Tim. 6  que é como a raiz de todos os vícios, de toda improbidade, e de toda malícia."