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domingo, 18 de março de 2012

Serie Pequenas Biografias I - Beato Vilmos Apor

 
 
Primavera de 1944. Toda a Europa central está ocupada pela Alemanha Nazista.
Após pressionar o governo Húngaro, Hitler conseguiu que se publicasse um decreto que obriga os judeus desse país a morar em guetos, isto com o objetivo de uma deportação próxima. No Dia de Pentecostes, durante uma homilia diante das autoridades civis, um Bispo reage nestes termos: “Quem renega do mandamento fundamental do cristianismo sobre a caridade e pretende que existam homens e raças aos que se deve odiar, quem afirma que se pode oprimir a negros e judeus, inclusive se si orgulha de ser cristão, deveria ser considerado um pagão... Quem participa de tais atos ou os anima comete um pecado grave e não pode ser absolvido enquanto não faça reparação dele”.
Simultaneamente, o prelado escreve uma carta ao Ministro do Interior para lembar-lhe suas responsabilidades diante de Deus. O funcionário reage com uma ameaça de prisão ao que o Bispo responde somente: “Estou pronto”.
Quem era essa valente testemunha de Jesus Cristo?

“Te inspirarei coisas tão formosas...”
Vilmos (Guillermo) Apor nasce no dia 29 de Fevereiro de 1892 em Segesvár, na Transilvânia (região até então húngara e atualmente romana). Sua família terá nove filhos, quatro dos quais morreriam jovens; Vilmos é o sétimo filho. Seu Pai, o Barão Apor, eminente jurista descendente de uma ilustre família, é nomeado em 1895 secretario de Estado do imperador Francisco José; se instala em Viena com sua família, porém morreria em 1998 aos quarenta e sete anos. O pequeno Vilmos, consternado de ver chorar sua mãe, lhe diz com ternura: “Mãezinha, como estou aprendendo a tocar violino, tocarei para você coisas tão formosas que duvidaras da morte do papai”. A viúva educa seus filhos com firmeza, muito atenta a educação religiosa. Vilmos estuda com êxito com os jesuítas. Seus companheiros lhe apreciam por seu temperamento afável, embora decidido. Se alguma vez se acalora nas discussões, nunca deixa de pedir desculpas a quem ofendeu.
Desde sua infância, Vilmos ouve o chamado de Deus; será sacerdote. No final de 1909, é recebido pelo Bispo de Györ, seu parente, entre o grupo de seminaristas dessa diocese do nordeste da Hungria. Após concluir seu doutorado em Teologia com os jesuítas, é ordenado sacerdote no dia 24 de Agosto de 1915. Neste momento o País esta em guerra; Seu irmão mais velho se encontra na frente de batalha, enquanto que sua mãe e suas irmãs cuidam dos feridos.
Depois de seguir  a seu Bispo, transferido para a  sede de Nayvárad (atualmente Oradea) na Transilvânia ( sudeste da Hungria), Vilmos é nomeado vigário de Gyula.
Primeiramente é capelão da Cruz Vermelha em diferentes frentes durante o último período da guerra e no início de 1919 regressa a Gyula, nesta ocasião como pároco, onde permanecerá vinte e cinco anos. Se não é um pregador brilhante, o Padre Apor comove seus fieis mediante a força da convicção que provem de sua profunda fé. No ministério da confissão, sua caridade conquista todos os corações. A chegada do jovem sacerdote coincide com um período difícil, pois, após a derrota militar da Austria-Hungria, se impõe a breve, porém violenta, ditadura comunista de Bela Kun. O comitê revolucionário decreta s suspensão das classes religiosas, porém Vilmos organiza uma manifestação ante ao movimento e obriga ao comitê a retirar a medida. Depois, a Hungria é ocupada pela Romênia. Com o objetivo de intimidar a população, o comando militar toma com reféns os oficiais húngaros, porém o Padre Apor irá a Bucareste para conseguir, com o consentimento da rainha Maria da Romênia, uma ordem de soltura dos reféns.
O tratado de Trianon (1920) divide a Hungria, e a Transilvânia passa a fazer parte da Romênia. Gyula continua sendo húngara, porém de agora em diante é fronteira, o que provoca seu declive econômico. O Bispo Ottorkar Proháska exorta a população a uma conversão profunda, lembrando o glorioso passado católico do país de Santo Estevão (997-1038), o primeiro “rei apostólico” da Hungria. Esse chamado obtêm um grande eco, e Vilmos Apor se empenha com entusiasmo em prol do ressurgimento religioso e social. A partir de 1921, funda em sua própria paróquia a Ação Católica, para trabalhar pela cristianização das famílias e da sociedade em geral e em 1922 surge uma missão popular. O pároco de Gyula prega a seus paroquianos até muito tarde da noite. Como resposta a sua mãe, que lhe aconselha a que se cuide, ele lhe diz; “Não posso despedir os fiéis no momento em que mais necessitam”. Sua generosidade sem limites lhe move inclusive a doar seus objetos mais indispensáveis (os sapatos, por exemplo). É conhecido como o “pároco dos pobres. É-lhe muito prazeroso dedicar-se aos jovens, que conquista mediante seu entusiasmo comunicativo, e também dos deficientes. Celebra muitas vezes a Santa Missa à pessoas idosas. No entanto, sua obra predileta é um lugar de acolhida que fundou para os órfãos.
Todas essas atividades não impedem que o padre Apor perca de vista o mais importante: sua vida espiritual. Com efeito, muitas vezes se o vê rezando na catedral e, a cada ano realiza os Exercícios Espirituais de Santo Inácio com os jesuítas. Sua grande preocupação por viver de modo exemplar o celibato sacerdotal lhe move a combater as tentações da sensualidade mediante a oração, a penitência, o jejum e uma boa atividade física; com as mulheres se mostra amável, porém reservado.

Bispo em Plena Guerra
Em Maio de 1938, tem lugar em Budapeste um Congresso Eucarístico Internacional, presidido pelo Secretario de Estado do Papa Pio XI, Eugenio Pacelli, o futuro Pio XII. A situação política é ameaçadora. Hitler acaba de anexar a Áustria e a ameaça nazista paira então sobre a vizinha Hungria. As encíclicas de Pio XI sobre os assuntos correntes do momento ( Mit Breanner Sorge e Divini Redentoris, 1938) contra o nacional-socialismo e o comunismo se publicam em húngaro em mais de dois milhões de exemplares. Vilmos Apor  é chamado a cooperar com a ação governamental com a finalidade de contestar a penetração da ideologia nazista. Em Janeiro de 1941, o Papa Pio XII o nomeia Bispo de Györ. A consagração episcopal tem lugar em Gyula ( os paroquianos o haviam pedido com insistência). Um Assistente relatava assim suas impressões: “Quando o novo Bispo recebeu a mitra e o báculo e abençoou a assembléia, constatei com surpresa até que ponto seu rosto e toda sua aparência física se haviam transformado; estava com que transfigurado. Se via nele de maneira clara a graça da sucessão apostólica”. O prelado elege com tema de seu bispado: “Crux fimat mitem, mitigat fortem” (A Cruz faz forte ao manso e humilde). Ao constatar que seus sacerdotes tem dificuldades para confiar em seu pastor, ele os acolhe com cordialidade, e todos os dias ao meio-dia dispõem-lhes o tempo no almoço, o que não é habitual na época; assim pode assisti-los em todos os aspectos. Essa bondade paternal não lhe impede, no entanto de ser exigente, especialmente com respeito ao modo de celebrar a Santa Missa e o Oficio Divino. Monsenhor Apor acompanha de perto a formação e a maneira de vestir de seus seminaristas. Recebe aos fieis com incansável paciência e lhes socorre com seus recursos pessoais; nem sequer os alcoólatras e os ociosos notórios são rechaçados.
O Bispo de Györ conhece a doutrina social da Igreja, exposta particularmente por Pio XI na encíclica Quadragésimo anno (1931). É consciente do atraso que leva a Hungria no campo da proteção social. Naquele momento, os Bispos húngaros eram grandes donatários, motivo pelo qual monsenhor Arpor tem a intenção de realizar uma reforma agrária. No entanto, a guerra em curso lhe impedia de levar a termo esse projeto. Pelo ao menos se esforça em ser um amo justo com os camponeses que cultivam as terras episcopais. O Bispo sofre muito ao ver como os trabalhadores captados pela ideologia socialista se afastam da Igreja, porém aproveita todas as ocasiões para cercar-se deles e se ocupa, por mandato do episcopado húngaro, das organizações de jovens trabalhadores cristãos.
Vilmos Apor se tornou Bispo em plena guerra. O Terceiro Reich acaba atacando a União Soviética em Junho de 1941, tenta arrastar a Hungria em sua delirante empreitada, porém os dirigentes húngaros conseguem descartar este assunto por muito tempo. Em Agosto de 1943, o Bispo de Györ se torna presidente do “Movimento Católico Social”, fundado por notáveis que tem a intenção de criar as condições de um renascimento cristão da Hungria após a Guerra. Tem a esperança de que os Estados Unidos da América possa evitar que o país caia sob o jugo comunista. A partir da ocupação alemã da Hungria (10 de Março de 1944), a aviação anglo-saxônica bombardeia intensamente as cidades e no dia 13 de Abril, um bombardeio sobre Györ destrói sua principal fábrica, causando 564 mortes e 1.100 feridos. A cidade será bombardeada ainda vinte e quatro vezes até o fim da guerra. O Bispo se dedica a consolar e socorrer a população.

Chegará o momento de prestar contas
Não obstante, em Junho de 1944 começa a deportação dos judeus da Hungria para os campos de concentração alemães. O Bispo se esforça por ajudar as vitimas enviando comida e roupas e  pede as forças inimigas para poder visitá-las, o que se não lhe permitem. Então, entrega à Gestapo de Györ uma mensagem para Hitler nestes termos: “Também os mandamentos de Deus se impõem ao Führer. Chegará o momento em que deverá prestar contas com Deus  e ao mundo por seus atos”. Essa admoestação lembrava ao ditador o caráter irrevogável do Juízo Final, quando fica fixado o destino eterno de cada pessoa. Jesus Cristo nos o advertiu: “Os que fazem o bem ressuscitarão para a vida, e os que fazem o mal, para a condenação (Jo 5,29)... E estes irão para o castigo eterno e os justos para a vida eterna (Mat 25,46).
“O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte”. (Catecismo da Igreja Católica, n° 1040).
Em Outubro de 1944, Hitler impõe a Hungria um governo de sua devoção, dirigido por Szálay. Em seguida, o cardeal primado Serédi reprova energicamente a este e a sua política de perseguição aos judeus. O Núncio Apostólico do Papa Pio XII na Hungria, Monsenhor Rotta, em colaboração com quatro embaixadores das potências naturais(Suécia, Suíça, Espanha e Portugal), conseguem salvar a vida de numerosos judeus. Por sua parte, o Monsenhor Arpor esconde a vários judeus em seu palácio episcopal e nos telhados da catedral. Um deles que ninguém em Györ havia ousado hospedar, contará com a cordial acolhida que se lhe deu no bispado e nas gestões pessoais do Bispo para encontrar-lhe um esconderijo seguro em Budapeste.
No dia 31 de Outubro de 1944, Monsenhor Mindszenty, Bispo de Veszprém, dirige uma solicitação a Szálazy para suplicar-lhe que entregue as armas a fim de evitar a ocupação e a pilhagem do oeste do país pelo Exercito Vermelho. Firmada também por Monsenhor Apor, essa solicitação não terá mais resposta senão a detenção do Monsenhor Mindszenty. No Natal, os soviéticos alcançam Esztergon, a capital religiosa da Hungria. Monsenhor Apor pode constatar, com motivo dessa primeira ofensiva do Exercito Vermelho, que tipo de libertação esperava aos húngaros; por todas as partes se realizam pilhagens, matanças e violações. Em Março de 1945, a linha de defesa alemã é derrubada pelos russos, que avançam até Györ. Na cidade tem lugar terríveis combates rua a rua. No dia 28 de Março, Quarta-Feira Santa (Cinzas), a torre da catedral em chamas desaba, ateando fogo em todo o edifício. O Bispo havia se retirado para sua residência, salva dos bombardeios, onde haviam se alojado grande numero de refugiados; no extenso sótão estavam escondidas uma centena de mulheres que temiam ser violentadas.

Não permacer impassíveis
A violência sexual contra as mulheres não é por desgraça nem um mal recente nem um crime pertencente a um passado distante. Em sua Carta as mulheres do Dia 29 de Junho de 1995, o Papa João Paulo II escrevia: “Como não lembrar a longa e humilhante historia amiúde “escondida” – de abusos cometidos contra as mulheres no campo sexual?... Não podemos permanecer impassíveis e resignados diante deste fenômeno. É hora de condenar com determinação, empregando meios legislativos apropriados de defesa, as formas de violência sexual que com freqüência tem por objetivo ás mulheres. Em nome do respeito da pessoa não podemos ademais não denunciar a difundida cultura hedonista e comercial que promove a exploração sistemática da sexualidade, induzindo a jovens inclusive de pouca idade a cair nos ambientes da corrupção e fazer um uso mercenário de seu corpo”.  
Decidido a todos os sacrifícios para proteger contra a força brutal a castidade e a honra das mulheres refugiadas em sua casa, o Monsenhor Apor espera com calma os soldados soviéticos. A quarta-feira pela tarde, os primeiros enroupem o bispado, gritando e agitando metralhadoras. Ele lhes entrega relógios, e outros objetos a fim de apaziguar-lhes. Durante toda a noite se nega a ir descansar dizendo: “ Devo ficar aqui caso ocorra alguma coisa”. No dia seguinte, celebra a Missa no sótão onde estão refugiadas as mulheres. Aparecem sem cessar novos soldados, que roubam e golpeiam os refugiados. Um dos soldados ordena ao Bispo que deixe livre o acesso ao sótão. Ante de sua negação, outro grita a seu camarada: “Mete-lhe umas quatro balas no ventre!”. Porém Vilmos não se move. Passa uma segunda noite em vigília sem dormir de quinta para sexta-feira Santa e lê para os fiéis o relato da Paixão do Senhor.
Na sexta-feira, Monsenhor Apor envia dois sacerdotes para que solicitem proteção ao comando soviético para as pessoas refugiadas no bispado; um oficial russo lhe responde com cinismo que os “partidários” russos tem direito a fazer o que quiserem. As 19 horas se apresenta um grupo de soldados bêbados, dirigidos por um major que já havia estado ali pela manhã para espiar. Fingindo amabilidade, o suboficial exige que lhe entreguem as jovens, que naquele momento preparavam uma sopa para os pobres, “para descascar batatas e realizar pequenos trabalhos de costura”, assim, pois, e entra no sótão com alguns soldados. O Bispo se coloca entre eles, prometendo ao major, que repete sua exigência, que lhe enviará um grupo de voluntários, homens e mulheres idosos para atender a seu pedido.
“Tio Vilmos... Socorro!”
Porém o tom sobe, os militares se mostram cada vez mais imperiosos, e o Bispo mais rigoroso na determinação de não deixar partir as jovens; sabe perfeitamente a sorte que as espera. O major, tomado de fúria, agarra o Bispo; empunha sua pistola, porém não se atreve a disparar. Monsenhor Apor aproveita a indecisão para empurrá-lo para fora do sótão, e logo se coloca diante da entrada. Nesse momento, ouve uns gritos de pânico: “Tio Vilmos...Socorro! Os soldados que estavam em baixo tentam seqüestrar as jovens. Monsenhor Apor se precipita no sótão, seguido de seu sobrinho e dois sacerdotes e do major. Sem preocupar-se com sua segurança, o Bispo grita a tropa: “Fora! Fora!”. Então, fora de si o major, ou um de seus homens, abre fogo. O Bispo e atingido por três balas: uma delas só lhe atravessa a roupa, a segunda passa próximo a frente, porém a terceira lhe alcança profundamente no ventre. Seu sobrinho Sándor Pálffy, de 17 años, tenta cobrir o corpo de seu tio mais também é ferido. Temendo um castigo de seus chefes os soldados abandonam rapidamente o bispado.
Um médico que está presente constata que é preciso operar para extrair-lhe a bala. Ao perguntar se o ferimento doe, Monsenhor Apor lhe responde com grande tranqüilidade: “Dói; graças a Jesus Cristo posso sofrer uma Sexta-Feira Santa”. A ambulância que o levou ao hospital é interceptada pelos soldados russos, um par de botas sobe a bordo e com a lanterna, focam o rosto do ferido. Este lhes olha com doçura e lhes abençoa.
Depois da operação, Vilmos Apor, meio inconsciente, exclama varias vezes: Sim! Sim!, sim!... Pouco depois confessa a sua irmã Gizella que por um momento tinha sentido horror a cruz que lhe esperava, e esses “sim”  eram a expressão de sua aceitação, por amor a Deus, dos sofrimentos e da morte. No dia seguinte, um sacerdote que lhe visitava lhe comunicava que nenhuma das mulheres refugiadas no bispado haviam sido violadas. O Bispo, pleno de gozo, sorri e murmura: “Valeu a pena... Dói; graças a Deus por ter aceito meu sacrifício”. O chanceler do Bispo que apresenta uma denuncia a respeito às autoridades soviéticas, é mandado embora com indiferença. Logo terá noticias dos numerosos abusos cometidos pelo Exercito Vermelho, encobertos pelos oficiais. Porém constatará que a proteção celestial alcançou as mulheres por quem o Monsenhor Apor  arriscou a vida.

O martírio uma Páscoa pessoal
No entanto, as dores do prelado chegam a ser insuportáveis  Apenas consegue murmurar: “Ofereço meus sofrimentos pelos fieis”. Na manhã da Páscoa comunga. Pela tarde, sob tensão, o médico constata uma peritonite. O doente se confessa e recebe a Extrema Unção. “Consegue dizer o seguinte:” Saúdo a meus sacerdotes; que permaneçam fieis à Igreja e anunciem com valentia o Evangelho...” Logo perdoa a seus assassinos e oferece sua vida em reparação pela pátria. Vilmo Apor entrega sua alma a Deus na segunda-feira da Páscoa do dia 2 de Abril de 1945, ás uma hora da madrugada. Do dia 9 de novembro de 1997, o Papa João Paulo II o elevou aos altares e o elogiou nestes termos: “ A imagem do Bom Pastor que entrega sua vida por suas ovelhas, o novo beato viveu em primeira pessoa a adesão ao mistério  pascal até o sacrifício supremo. Seu assassinato aconteceu precisamente na sexta-feira Santa,sendo golpeado de morte enquanto defendia seu rebanho. Desse modo experimentou, mediante o martírio, uma Páscoa pessoal. Que monsenhor Vilmos Apor anime aos crentes a seguir sem vacilar a Cristo ao longo da vida. Assim é a santidade a que esta chamado todo cristão”.
As exéquias do Bispo-mártir se celebram no bispado, no altar de Maria, “Patrona da Hungria”. Foi sepultado com grande discrição na capela dos carmelitas. Estava previsto transladar seus retos mortais à catedral depois de sua reconstrução, em 1948 o monumento funerário estava terminado, porém o governo comunista proibiu. Seus restos não poderão ser transladados até 1986.






   

terça-feira, 6 de março de 2012

Meios para Avançar na perfeição - Parte II

 

“Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu” (Mat 5,48)
O principal obstáculo para avançar na perfeição reside na mediocridade da alma, cujas características  e remédios falamos no artigo anterior. Se é verdade que dificilmente um medíocre pode recuperar o seu antigo fervor, diz o Senhor que: “O que é impossível aos homens é possível para Deus” (Lc 18,17). Quem roga ao Senhor e usa os meios adequados rapidamente alcança o que deseja. Santo Afonso Maria de Ligorio, no capitulo 8 de seu livro: Prática do Amor a Jesus Cristo, sugere cinco meios para sair da mediocridade e avançar na perfeição:
- Desejar a perfeição;
- Firme resolução em alcançá-la;
- A meditação;
- A comunhão freqüente;
- A oração;
Em primeiro lugar, o desejo de perfeição. Santo Afonso diz que “são desejos de santidade que como asas nos fazem remontar o voo sobre a terra. Dão-nos forças e aliviam para andar o caminho de santidade”. Só quem deseja verdadeiramente alcançar a perfeição vai sempre adiante. Pelo contrário, os que não têm este desejo, voltarão atrás. Santa Teresa de Jesus dizia: “Ajuda muito ter altos pensamentos para que nos esforcemos a que sejam também as obras”(Caminho de Perfeição, 5). E noutro lugar diz: “ O demônio faz muito estrago, para que as pessoas que têm oração não progridam, ao fazer-lhes entender mal o que é a humildade, fazendo que nos pareça soberba ter grandes desejos e querer imitar os Santos” (Livro da Vida 13). E para desanimar, faz-nos pensar nos nossos pecados passados. Por isso, temos que ter presente que nem sequer os pecados que cometemos podem impedir-nos de alcançar a santidade, se de verdade a desejamos. Antes pelo contrário: “Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28) e, paradoxalmente, os próprios pecados podem ajudar, porque o pecador ao lembrar-se deles, torna-se mais humilde.
O segundo meio para alcançar a perfeição é a resolução, isto é, a decisão firme de dar-se a Deus totalmente. Se ao desejo de perfeição não se juntar esta firme resolução de alcançá-la, nunca passará de um desejo estéril. O preguiçoso está cheio de bons desejos, porém, nunca se decide a aplicar os meios para os realizar. Por isso, se diz que: “O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções”. Pelo contrário, “ a alma que neste caminho(...) começa a caminhar com determinação(...) tem andado grande parte do  caminho”(Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida, 11).
O terceiro meio para alcançar a perfeição é a meditação. Quem não medita as verdades eternas, só por uma graça extraordinária de Deus poderá viver cristãmente. As verdades da fé só se vêem com os olhos da alma e só quando a alma as medita. Por isso, quem não medita não as vê, caminha nas trevas e facilmente se afeiçoa às coisas da terra e despreza as eternas. Pelo contrário, graças à meditação, nascem os pensamentos santos, fortalecem-se os desejos de perfeição e surgem no coração os propósitos firmes de entregar-se completamente a Deus. É muito útil meditar nos novíssimos (morte, julgamento, inferno e paraíso). E também é muito eficaz meditar na vida do Redentor, como nos recorda a Imitação de Cristo: “Seja, pois, a nossa principal preocupação meditar a vida de Jesus. A doutrina excede os ensinamentos de todos os  Santos( I 1§ 1).
O Quarto meio para alcançar a santidade e perseverar na amizade com Deus é comungar com freqüência. A Eucaristia livra-nos das culpas quotidianas e das simples imperfeições ou pecados veniais e, sobretudo, preserva-nos dos pecados mortais. Inclina a alma à virtude e infunde-lhe uma grande facilidade para praticar. É óbvio que, para que a santa Comunhão produza na alma estes efeitos, são muito importantes as disposições com que a pessoa se aproxima ao banquete eucarístico, dedicando um bom tempo à ação de graças, já que “o tempo que passa depois da Comunhão é tempo para fazer fortuna e acumular tesouros de graça para o Céu”
(São João de Ávila).
Finalmente, neste caminho até a perfeição é necessária a oração como dialogo pessoal e intimo com Deus, porque o auxilio da graça é, por um lado, imprescindível e, por outro lado, Deus concede-o só a quem pede. “O Senhor é rico para com todos os que o invocam” ( Rom 10,12). Como as tentações e os perigos nesta vida são contínuos, contínua tem que ser também a nossa oração. Assim no-lo disse o Senhor: “É preciso orar sempre, sem desfalecer” (Lc 18,1). Enfim, quando oremos a Deus, não nos esqueçamos de nos recomendar a Maria, nossa Santíssima Mãe, dispensadora de todas as graças. “Deus – diz São Bernardo – é quem dá a graça, porém concede-a pelas mãos de Maria. Procuremos a graça, mas procuremo-la por Maria”. Se Maria roga por nós, estejamos seguros de que seremos escutados, porque as suas orações são sempre bem acolhidas por Deus e jamais são desatendidas.  
Escrito por: Pe. Pierfilippo Giovanetti, msp
Missionários Servos dos Pobres do Terceiro Mundo

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Direção espiritual (o sacerdote: pastor, pai, médico, mestre, juiz)

 


Pe. Francisco Faus

 Introdução
            Antes de entrar no tema, parece conveniente ter em conta três considerações prévias:
             A) Em primeiro lugar, é patente a importância que o Magistério (Papa, Congregação do Clero) vem dando ultimamente ao tema da direção espiritual pessoal. Ao longo de vários decênios, como sabemos, esta tem sido uma prática um tanto descuidada: não raramente, p.e., em alguns seminários, a direção espiritual tem-se limitado quase que exclusivamente à orientação coletiva, por meio de palestras, meditações e retiros, etc., coisa importante, mas insuficiente.  Vê-se claramente que está havendo agora um desejo de que seja resgatada a prática da direção espiritual no sentido clássico de orientação individual, pessoal.  Assim, por exemplo:
                          a) A Ex. Ap. Pastores dabo vobis (25/3/1992), ao tratar da pastoral vocacional, enuncia um programa que é válido para todos: «É preciso redescobrir a grande tradição do acompanhamento espiritual pessoal, que sempre deu tantos e tão preciosos frutos na vida da Igreja» (n. 40).
                             b) Posteriormente, o Diretório para o ministério e a vida do presbítero, da Congregação para o Clero (31/1/1994), afirma: «Paralelamente ao Sacramento da Reconciliação, o presbítero não deixará de exercer o ministério da direção espiritual. A descoberta e a difusão desta prática em momentos diversos da administração da Penitência é um grande benefício para a Igreja no tempo presente» (n. 54) [1].
             B) Em segundo lugar, como acabamos de ver, o Diretório recomenda o atendimento da direção espiritual em momentos diversos da confissão (com mais calma, com mais tempo). Isso é sempre possível, em maior ou menor medida, a todos os sacerdotes. No entanto, àqueles sacerdotes que julguem sinceramente não ter tempo para tanto, vale a pena recordar que toda confissão, administrada com espírito de fé e de caridade, pode e deve ser também direção espiritual. Lembremos o Santo Cura d’Ars – referencial para nós neste Ano Sacerdotal -, que, mesmo quando só podia dar conselhos brevíssimos na confissão, rasgava horizontes às almas, elevava, orientava, despertava, suscitava em muitos a inquietação vocacional, etc. Seus conselhos eram como dardos de fogo dirigidos ao ponto certo de  cada alma, e mudavam vidas, com a graça de Deus.
             C) Em terceiro lugar, um esclarecimento: esta conferência estará centrada, fundamentalmente, no tema da Direção espiritual em si,  de modo que não trataremos da confissão, objeto de várias intervenções neste Curso [2].
              A exposição estará subdividida em três partes:
             1) Qual a finalidade da direção espiritual?
             2) Quais as condições pessoais do diretor espiritual?
             3) Como exercer a prática da direção espiritual?
 I. Qual a finalidade da direção espiritual?
            A finalidade da direção espiritual só pode ser bem compreendida à luz de alguns conceitos básicos da antropologia cristã e da teologia espiritual, que convém ter sempre presentes.
A)  A antropologia sobrenatural cristã evidencia que o cristão não pode ser compreendido nem ajudado apenas por meio das ciências humanas (psicologia, pedagogia, sociologia, etc.), uma vez que é, ontologicamente (não só moralmente), uma criatura nova (2 Cor 5,17), um homem novo (Ef 4,24), em quem foi restaurada, pelo batismo, a semelhança  com Deus (Catecismo da Igreja Católica [CEC], n. 734, 1701, etc.), pois foi feito, pela graça do Espírito Santo, participante da natureza divina (2 Ped 1,4 e CEC, n. 460).
B)  É muito esclarecedor o processo que se observa – não de modo linear, mas quase que “em espiral ascendente” (como diria Romano Guardini) -, no Evangelho de São João, para ilustrar a vida nova do homem novo:
                         a) Já no prólogo, São João afirma que, aos que crêem em Cristo, Ele deu-lhes o poder de se tornarem [portanto, trata-se de uma transformação] filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus (Jo 1, 12-13). É uma “nova criação”;
                         b) No cap. 3, na conversa com Nicodemos, Jesus declara: Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus (Jo 3,5). É uma referência evidente à necessidade do novo nascimento para a vida nova que se opera pelo Batismo;
                         c) No cap. 3, ao conversar com a Samaritana, Cristo dá mais um passo e ilustra essa vida nova com a imagem da água que não pára de jorrar e subir: O que beber da água que eu lhe der, virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna (Jo 4,14). É uma referência ao dinamismo da vida sobrenatural do cristão, chamada a crescer sem cessar, até desabrochar plenamente na vida eterna (cf. 1 Jo 3,2);
                         d) Finalmente, na festa dos Tabernáculos, o Evangelho de João explicita claramente que essa “água” é a graça do Espírito Santo. Jesus, de pé, clamou: Quem crê em mim, como diz a Escritura, “do seu interior manarão rios de água viva”. Dizia isso referindo-se ao Espírito Santo que haviam de receber os que cressem nele (Jo 7,38-39). Cf. também, por exemplo, Rm 5,5, Rm 6,4, etc, etc.
                         Essa nova vida brota, por assim dizer, da chaga do peito de Cristo crucificado (Jo 19,34), uma vez consumado o Sacrifício redentor, que tem como “fruto” o envio do Espírito Santo (emisit Spiritum: Mt 27,50), do “santificador” (Rm 1,4), daquele que – conforme gosta de frisar a tradição teológica oriental – nos “deifica”, nos “diviniza”, nos “cristifica” (cf. Rm 8,29; Gál 2,20). [3]

             B) Por seu lado, a teologia espiritual, com base nos dados da antropologia cristã, entendida à luz da Revelação, explica que o Espírito Santo, ao criar em nós uma “vida nova”, empata na nossa alma um “novo organismo”, o que a teologia ascética e mística clássica (p.e. Garrigou-Lagrange, Royo Marin), e também o Catecismo da Igreja (n. 1266), chamam “o organismo da vida sobrenatural do cristão”: a graça santificante é infundida na essência da alma, e as virtudes  e dons do Espírito Santo, nas potências da alma (inteligência, vontade…).
                         a) O Catecismo da Igreja Católica, no n. 1266, explica assim esse “organismo”:
                         «A Santíssima Trindade dá ao batizado a graça santificante, a graça da justificação, a qual
                        – torna-o capaz de crer em Deus, de esperar nele e de amá-lo por meio das virtudes teologais;
                        – concede-lhe o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo, por seus dons;
                        – permite-lhe crescer no bem pelas virtudes morais.
                         Assim, todo o organismo da vida sobrenatural do cristão tem a sua raiz no santo Batismo».
                         Isso significa que a direção espiritual deve consistir, principalmente, em orientar e ajudar o dirigido a alimentar e aumentar a vida da graça, a cultivar as virtudes (teologais e morais ou humanas), e a buscar uma purificação e união com Deus cada vez maiores, de modo a se tornar capaz de secundar com delicadeza as moções do Espírito Santo, que não cessa de impelir para uma vida santa por meio dos seus dons.
                         b) Ao mesmo tempo, a teologia espiritual ensina que as fontes da graça, comunicada pelo Espírito Santo, resumem-se fundamentalmente em três:

                         1) Os sacramentos (particularmente, na prática da direção espiritual, os da Reconciliação e da Eucaristia);
                         2) A oração (pela sua eficácia impetratória e transformadora);
                         3) O mérito sobrenatural, ou seja, o amor sobrenatural com que se praticam os atos das virtudes e dos deveres (Cf. CCE nn. 2010 e 2011). Esses atos das virtudes e dos deveres abrangem, permeiam, todos e cada um dos aspectos da vida, desde os mais importantes até os mínimos.
                         Portanto: a direção espiritual deverá cuidar de que o dirigido:
                         – incremente e melhore a participação no Sacramento da Reconciliação, na Santa Missa, nas devoções eucarísticas;
                        – amadureça na vida de oração (oração vocal, mental, contemplativa, lectio divina, devoções sólidas);
                         – aprenda a viver as virtudes teologais e morais no seu próprio estado de vida, no dia a dia, e a santificar os seus deveres (familiares, profissionais, sociais, etc.).
                         c) Finalmente, a teologia espiritual nos lembra que a meta da direção espiritual é, na realidade, a própria meta da vida cristã: a santidade.
                         Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, João Paulo II quis lembrar, com forte insistência, um ensinamento central do Concílio Vaticano II, ensinamento que Paulo VI considerava o “ponto central” desse Concílio: a chamada universal à santidade: «Os cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Lumen gentium, n. 40).
                         Com base nessa proclamação do Concílio, João Paulo II , ao propor o “programa pastoral” da Igreja para o novo milênio quis destacar, com uma ênfase toda especial, essa “chamada universal à santidade”, salientando dois “princípios” que jamais se podem perder de vista, quer na luta pessoal, quer na direção de almas:
                        1) «O horizonte para o qual deve tender todo o caminho pastoral é a santidade» (Novo millennio ineunte, n. 30) [4];
                        2) «Não se trata de inventar um “programa novo”. O programa já existe: é o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradição viva. Concentra-se, em última análise, no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar e imitar » (Ibid., n. 29).
 II. Que condições pessoais que deve ter um bom diretor espiritual?          
            Em primeiro lugar, ter  a consciência clara de que o diretor espiritual não é nem o modelo nem o modelador: «O modelo é Jesus Cristo; o modelador, o Espírito Santo, por meio da graça»[5].
             O seu papel é apenas (nada mais e nada menos) o de ser instrumento nas mãos de Deus. As orientações que o diretor espiritual dá não podem ser “opiniões pessoais”. Ele deve ser sempre, o mais possível, «luz de Deus, voz de Deus, fogo de Pentecostes» (São Josemaria, em São Paulo, em 1974) [6].
             E, como estará em condições de poder falar e agir desse modo?  Tendo também a convicção (que é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade) de que a direção espiritual, por ser tarefa sobrenatural (santificadora), deve-se apoiar, antes de mais nada, nos meios sobrenaturais [7]. Concretamente:
                         a) na sua oração: a começar pela petição humilde e insistente das graças e luzes do Espírito Santo e dos seus dons; e a constante petição pelas pessoas concretas que atende;
                         b) na sua mortificação [8], consciente de que – como lembra São Josemaria Escrivá- «o Espírito Santo é fruto da Cruz [...]. Só quando  homem, fiel à graça, decide colocar no centro da sua alma a Cruz [...], só então é que recebe com plenitude o grande fogo, a grande consolação do Espírito Santo» [9];

                         c) de modo geral, numa sólida vida interior, própria de quem procura seriamente a santidade. Como lemos no Decreto Presbyterorum Ordinis, n. 12: «Embora a graça possa levar a termo a obra da salvação também por ministros indignos, no entanto, prefere Deus ordinariamente manifestar as suas maravilhas através daqueles que se fizeram mais dóceis ao impulso e à direção do Espírito Santo, pela sua íntima união com Cristo e santidade de vida»;
                         d) como fruto da vida interior, o instrumento de Deus estará em condições de manter aceso o zelo apostólico, a vibração que se contagia e leva os outros a vibrar, a desejar servir (suscitam-se, assim, vocações) e a fazer apostolado.
             Pelo que acabamos de comentar, fica claro que o maior inimigo da verdadeira direção espiritual  é a tibieza: «O apóstolo tíbio: este é o grande inimigo das almas» (Forja, n. 488). Por quê?
                         a) em primeiro lugar, porque a tibieza “cega” para as coisas de Deus. Ao tíbio, Cristo diz: És pobre, cego e nu. Dou-te um conselho: [...] compra um colírio para curar os teus olhos, para que enxergues (Apoc 3,7-8). E São Paulo afirma, categórico: O homem não-espiritual não aceita o que é do Espírito de Deus… Ele não é capaz de entendê-lo (1 Cor 2,14);
                         b) em segundo lugar, porque não basta saber, ter ciência, para orientar bem. Além da doutrina bem assimilada, é necessária uma verdadeira vida interior, para que atuem em nós os dons do Espírito Santo: sabedoria, inteligência, conselho… Na realidade, só o santo, ou o que luta por sê-lo, é capaz de “entender”, de “captar” e transmitir a “voz do Espírito Santo”, porque capta “por conaturalidade” (S. Tomás) as luzes de Deus;
                         c) Faltando a luz do Espírito Santo, será fácil que o sacerdote baseie a  orientação dos fiéis na simples sensatez, no palpite do momento; ou então nas ciências humanas: pedagogia, psicologia, que, quando muito, podem ser auxiliares secundárias. Por esse caminho, mesmo que o diretor espiritual dê alguma ajuda, acabará causando muitos estragos. Deixará o organismo sobrenatural em estado de coma (tal é o caso do diretor espiritual “muito amigo”, que escuta e conversa de mil coisas, mas não toca no essencial, e deixa as almas, do ponto de vista da vida sobrenatural, numa “anemia perniciosa”).
                         Dentro dessa perspectiva, a Exortação Pastores dabo vobis, n. 53,  frisa que deve haver uma união indissolúvel entre estudo e piedade. O diretor espiritual deve ter a doutrina – as idéias, as soluções e conselhos – iluminada e aquecida pela piedade.
             O perigo é que, quando não se é exigente consigo mesmo nestes pontos, é fácil acabar na situação medíocre de alguns sacerdotes, diáconos e seminaristas que, nas paróquias ou comunidades, contam com agentes de pastoral, ministros e colaboradores, que são gente de confiança, “braços direitos”, mas que são muito fracos na doutrina, na piedade e nas virtudes. Isso leva inevitavelmente a cair no ativismo, e a pensar que tudo está feito apenas com essa “movimentação”, que às vezes não passa de agitação superficial. É importante que não esqueçamos a grande verdade que se encerra nesta breve frase de Caminho: «Estas crises mundiais são crises de santos» (n. 301), e só os que lutam por ser “santos” as poderão superar.
             Convençamo-nos de que, sem levar a sério o forte apelo para a santidade da Novo millennio ineunte, sem compreender que essa é a mais evidente «urgência pastoral» (n. 30), não será possível superar as grandes crises morais que, no mundo atual, se alastram e agravam de forma cada vez mais sensível, entre fiéis de todas as idades.
             Essas convicções, o diretor espiritual deve aplicar, em primeiro lugar, a si mesmo. É preciso ter sempre presente que a caridade – «vínculo da perfeição» – não tem fim (Cf. 1 Cor,13,8), exige um crescimento contínuo, até a alma chegar à estatura do Cristo em toda a sua plenitude (Ef 4,13). Por isso, o próprio diretor espiritual deverá esforçar-se sinceramente em “crescer” (procurando ter um sólido plano de vida espiritual; recebendo, também ele, o auxílio de uma direção espiritual eficaz, etc.). Caso contrário, deixará facilmente as almas estagnadas, num nível inferior ao que Deus quer.

            III. Como exercer a prática da direção espiritual?
            Podemos refletir sobre este ponto lembrando o esquema clássico das funções do confessor, que também se aplicam ao diretor espiritual: pastor, pai, médico, mestre e juiz (prescindiremos agora da função de juiz, que é mais específica da administração do Sacramento da Penitência: Cf. Jo 20,22-23).
 Pastor
            A parábola do Bom Pastor (Jo 10,1 ss.), ensina-nos que este conhece as suas ovelhas e as chama pelo nome. Isso significa que cada alma, cada uma, é única aos olhos de Deus, e é um “universo“. Por isso, não há receitas genéricas e estereotipadas, válidas para todos, mas é preciso, tanto quanto possível, um esmerado atendimento pessoal. Já víamos, no início da conferência, que não basta a direção espiritual “coletiva”, por importante que seja (palestras, meditações pregadas, etc.).
              Essa forma de proceder é um dos modos de dar a vida pelas ovelhas, porque assim, dispondo-se a um atendimento pessoal, o padre disponibiliza, em favor dos fiéis, o seu tempo, o seu lazer, os seus interesses particulares. Entrega-se. Concretamente, é preciso um empenho sacrificado do sacerdote para organizar os seus horários, de modo a reservar o tempo necessário ao atendimento personalizado (além de ser também generoso, sempre que possível, com os fiéis que o procuram fora de horas).
             Cristo, o Bom Pastor, disse que veio para que tenham vida e a tenham em abundância. A direção espiritual, portanto:
                         a) deve alimentar abundantemente a “vida” espiritual do dirigido, facilitando-lhe as orientações concretas para que essa vida se renove e cresça. O dirigido deveria tirar de cada conversa com o diretor espiritual alguma coisa viva, “prática”, que possa encarnar no dia a dia;

                         b) a direção irá bem quando o interessado, em cada conversa, começar lembrando os propósitos que foram concretizados na conversa anterior;
                         c) neste sentido, o diretor espiritual deverá pedir luzes ao Espírito Santo para acompanhar o crescimento das almas pelo plano inclinado adequado a cada uma delas. Para cada alma, deverá  achar o ritmo, às vezes rápido, às vezes lento ou até muito lento (trabalho de anos e anos), que a faça crescer, sem desanimar nem desistir quando percebe que demoram a perceber-se os frutos da direção.
             É importante que o diretor saiba convencer com alegria a pessoa dirigida, de modo que ela própria, livremente, deseje e queira fazer o que o diretor sugere (porque o diretor só sugere, não manda). Agindo assim, chegará um momento em que a alma que dirige já não se limitará a esperar passivamente os conselhos, mas se adiantará sugerindo “iniciativas”, consultando possíveis lutas, metas novas que sente que Deus lhe pede: sinal de que está tendo vida interior e tornando-se sensível às moções do Espírito Santo.
             Convém recordar também que as almas, normalmente,  não crescem tanto por “acúmulo” (mais práticas, mais devoções, mais mortificações…), como por “intensidade“. Certamente, ao longo do tempo, muitas vezes será preciso “aumentar” as práticas e os horários dedicados à vida espiritual e ao apostolado, mas quase sempre o conselho mais eficaz consistirá em sugerir um modo bem concreto e prático de melhorar a qualidade e a intensidade de algum ponto de luta (aprofundar numa prática de piedade, pôr mais ordem no plano espiritual, melhorar o modo de orar, crescer na caridade com determinadas pessoas, santificar detalhes do trabalho diário, lutar contra defeitos do caráter, etc).
             Como é lógico, convém examinar e comentar com freqüência, na direção, como vão as grandes colunas que sustentam  edifício espiritual: sacramentos, vida de oração, “lectio divina”, virtudes fundamentais…

             Finalmente, a experiência indica que, para garantir a eficácia da direção, convém que o sacerdote, ao conversar com o erigido, se centre nos temas próprios, específicos, da direção espiritual. Poderia atrapalhar a eficácia da direção meter-se imprudentemente em problemas não espirituais nem morais da pessoa, como assuntos financeiros relativos à sua empresa, escola ou loja, aconselhamento sobre organização econômica familiar (investir nisso, aplicar naquilo, etc.), aconselhamento de medicinas alternativas, etc.
 Pai
            Como um bom pai [10], que quer o verdadeiro “bem” dos filhos, o diretor espiritual deve saber compaginar a compreensão com a exigência.
             Um sacerdote bondoso, “paizão“, pode ser muito querido, mas quase com certeza vai “mal-criar” as almas, vai deixá-las enfraquecidas, com vida interior muito frágil. A típica “mãe condescendente” acaba sendo “cúmplice” dos erros e do fracasso moral do filho. Neste sentido, João Paulo II dizia que, hoje, os que se contentassem com uma «oração superficial» seriam «não apenas cristãos medíocres, mas cristãos em perigo» (Novo millennio ineunte, n. 34).
             A experiência evidencia que o diretor que se limita a “consolar” e animar sentimentalmente as pessoas aflitas, sem elevá-las para Deus, com visão de fé, com energia e caridade, não só não ajuda, como faz mal. Quando se trata de mulheres, mais vulneráveis ao sentimentalismo, é preciso convencer-se de que as “lágrimas” não se resolvem com consolos afetuosos (que podem até tornar-se para o sacerdote uma armadilha do diabo), mas com a fé e a caridade de Cristo: ajudando a pessoa a orar mais e melhor, a meditar sobre o amor de Jesus crucificado, a se colocar junto da Mãe dolorosa, e – coisa muito importante nestes casos – a pensar menos em si e mais nos demais (este último ponto é essencial para sofredores e desanimados).
             Lembremos que o pai do filho pródigo não se limita a ser compreensivo, acolhedor e carinhoso. Não é um pai que se limita a abraçar e chorar, e logo se despede do filho, dizendo-lhe: – «Meu filho, vá em paz (para onde?), mas não demore muito a voltar; não deixe de me visitar de vez em quando». Pelo contrário, o pai do pródigo aperta o filho no peito e o leva para dentro da casa paterna, a fim de que lá se instale permanentemente; dá-lhe a melhor veste (símbolo da graça), um anel no dedo (símbolo da dignidade filial recuperada), e prepara um banquete, façamos uma festa (símbolo do amor, da união com Deus): cf. Lc 15,20-24).
             Além disso, para ser bom pai, o diretor precisa de ter a paciência e a misericórdia do pai do filho pródigo. Que as almas nunca vejam o sacerdote magoado, decepcionado, desesperançado, cansado delas. O pai do pródigo não se cansou de esperar.
             Lembremo-nos ainda que a Carta aos Hebreus diz que o bom pai, à imitação de Deus, corrige o filho, para seu bem: Se permanecêsseis sem a correção, seríeis bastardos e não filhos legítimos (Heb 12,8). A correção, feita com caridade e clareza, dói, mas acaba produzindo frutos de aperfeiçoamento, que o filho agradecerá.
 Médico
             Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes (Mc 2,17). Todos somos “enfermos”. Mas a direção espiritual não pode limitar-se a ser um pronto-socorro, uma ajuda emergencial para problemas pontuais (crise conjugal, perda de um ser querido, filho drogado, desemprego, ruína econômica). A verdadeira direção – já o vimos – é uma orientação habitual, para o dia-a-dia, rumo à santidade.
             É natural que muitas vezes os fiéis recorram a nós como “pronto-socorro” espiritual. Logicamente, atenderemos essas consultas e desabafos com dedicação e carinho, como um bom médico, mas mesmo os “acidentados” devem ser ajudados a enxergar mais longe, a compreender o que Deus lhes pede naquelas circunstâncias, a entender com fé a cruz e a abraçá-la.
             Um bom médico nota-se pela capacidade de fazer, quanto antes, um diagnóstico, por ter “olho clínico“. O sacerdote, especialmente em relação às pessoas que começam a  amadurecer espiritualmente ou a assumir colaboração nas tarefas pastorais, deve ter olho clínico para detectar algumas “doenças” que influem em todo o “organismo”, como uma anemia profunda ou uma infecção generalizada. Dentre as principais:
                         a) a doença do sentimentalismo: ter uma religiosidade meramente emocional, que não sabe apoiar-se na cruz, na abnegação, na doação generosa, numa “vida em ordem”, com horários que garantam a fidelidade aos propósitos de orar, meditar, ler, conversar com a família, etc, tanto se a pessoa “sente” vontade e disposição de fazê-lo, como se não “sente”.
                         O que importa é viver de fé, de convicções. É a fé que arrasta o amor. Amor sem raízes de fé, é folha seca ao vento.  Na Encíclica Caritas in veritate, Bento XVI escreve: «Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos» (n. 3).
                         b) a doença do pietismo: muito relacionada com a anterior, que consiste em reduzir o progresso espiritual à simples melhora e incremento de atos de piedade e devoção, sem cuidar de ganhar formação doutrinal nem de se esforçar por adquirir virtudes.  Surge, então, a figura do beato: está metido(a) em mil coisas da igreja, mas que dá mau exemplo, por falta de critério e de virtudes; e assim se desprestigia, pois aparece antes todos como pessoa preguiçosa, maldizente, profissionalmente medíocre, cheia de amor-próprio, vaidade, mexerico, maledicência, inconstância, etc;
                         c) a doença do voluntarismo: é a dos fiéis que, de modo explícito ou implícito, pensam que, afinal, tudo depende de sua força de vontade. Esquecem-se de que Jesus afirmou: Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15, 5). Por causa desse engano, essas pessoas lutam e trabalham sem pedir a ajuda a Deus, sem rezar com constância, sem viver cada vez mais intensamente os sacramentos da Reconciliação e a Eucaristia, sem oferecer mortificações pela sua melhora espiritual e pelo apostolado. Não devemos esquecer o «primado da graça», que tanto frisou João Paulo II na Novo millennio ineunte (n. 38).

             Há ainda situações especiais, que exigem o que poderíamos chamar de medicina especializada: p.e., atendimento de casais em situação irregular (cf. Familiaris consortio, n. 84 e Catecismo da Igreja católica, n. 1651); ou atendimento de viciados em drogas, em pornografia da Internet e da tv, ou obsessivos-compulsivos  com desvios sexuais, etc. Não é possível aqui descer a essa casuística, mas o diretor espiritual deve estar preparado, e, concretamente, ter informações seguras sobre alguns médicos e psiquiatras ou psicólogos católicos de absoluta confiança, para os quais possa encaminhar essas almas.
             Finalmente, um bom médico deve saber agir com pulso quando se torna necessário intervir prontamente com uma cirurgia (Cf. Mt 5,29-30). Por exemplo, de cortar uma ocasião próxima de pecado grave ou de escândalo. Não fazê-lo, equivaleria a deixar que um câncer progredisse ou que um membro fosse sendo tomado pela gangrena: deve agir, porém, com uma clareza e uma energia que estejam impregnadas de caridade, de apoio fraterno, e que não humilhem.
 Mestre
            O diretor espiritual deve ser mestre de almas. Deve, portanto, “ensinar” a adquirir doutrina sólida e a vivê-la na prática, a  formar a consciência, a aprender a orar. Para isso, é necessário que o diretor de almas se prepare e se esforce por ser:
             A) Mestre de doutrina, em primeiro lugar.
                         a) É evidente que hoje, entre os católicos, há um enorme -por vezes, completo – déficit de doutrina: de fé fundamentada em idéias claras e convicções sólidas [11]. Essa carência de doutrina torna a espiritualidade tão frágil como um castelo de papelão. Qualquer vento, na hora da dificuldade ou do cansaço, o derruba (Cf. Mt 7,24 ss);
                         b) Hoje é freqüente, mesmo em católicos convictos, piedosos e apostólicos, uma falta, por vezes espantosa, de conceitos claros acerca das verdades em que acreditam (Trindade, Cristo Deus-Homem, Santa Missa, Igreja, Confissão, pecado, etc.). Falta-lhes uma visão de conjunto, coerente, das verdades da fé, de verdades conhecidas claramente e harmonizadas como as peças que compõem um maravilhoso mosaico (essa é a perspectiva que “deveriam” ter, se a catequese e a orientação espiritual tivessem sido sérias). Sua fé, pelo contrário, pode ser comparada a uma sacola em que se foram jogando e misturando em desordem fragmentos quebrados do mosaico da verdade, juntamente com cacos e pedregulho de erros e interpretações confusas ou até  “heréticas” acerca de muitos pontos da fé;
                         c) Daí a responsabilidade do sacerdote por estar muito preparado para dar doutrina: ler com constância, aconselhar-se com colegas experientes sobre os diversos tipos de obras de doutrina (de dogma, moral, ascética e mística, etc.), que, pouco a pouco, poderá ir aconselhando aos seus dirigidos, a começar pelos pequenos catecismos, pelo “Compêndio do Catecismo da Igreja Católica” e pelo próprio “Catecismo da Igreja Católica, edição típica”, valorizando também muito as exposições sistemáticas e pedagógicas da fé e da moral, do tipo da “A fé explicada”, de Leão XIII, etc.
             B) Mestre de virtudes e da arte da luta ascética.
                         a)  Cristão sem virtudes morais, sem virtudes humanas, é um ser “invertebrado“. Na época atual, todos percebemos as conseqüências negativas de muitas vidas de “gente boa”, que foi “instruída”, mas não foi “formada” na prática das virtudes: falta de fortaleza, de constância, de paciência, de disciplina, de ordem, de autodomínio (gula, castidade), de delicadeza, de abnegação, de mansidão, de espírito de serviço, de desprendimento, etc. (Cf., por exemplo, Catecismo da Igreja Católica, nn. 1803 e 1804);
                         b) Não poucos fiéis, e também seminaristas e sacerdotes, acabam sendo, por causa desse déficit, pessoas problemáticas, despreparadas para enfrentar as responsabilidades, as tentações e os embates da vida [12]. Esqueceram, ou nunca aprenderam, que «onde não há mortificação, não há virtude» [13];

                         c) Talvez hoje, mais do que em outras épocas, seja importante aprofundar – lendo bons livros – na vida e na luta ascética dos santos, bem como nas obras dos autores espirituais clássicos, que são válidas para todas as épocas (Sta. Teresinha, S. Afonso Maria de Ligório, S. Francisco de Sales [Filotéia], Imitação de Cristo, Sta. Teresa de Ávila, S. Josemaria Escrivá, etc, etc.) [14].
              C) Mestre de oração.
                         a) Eis uma tarefa que a Novo millenio ineunte considera prioritária: «Para essa pedagogia de santidade, há a necessidade de um  cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração [...]. A oração cristã, vivendo-a plenamente – sobretudo na liturgia, meta e fonte da vida eclesial, mas também na experiência pessoal -, é o segredo de um cristianismo verdadeiramente vital» (n. 32);
                         b) Daí que o sacerdote, começando por aprofundar ele próprio na oração, deve ficar em condições de poder ensinar, de modo prático, a orar: oração vocal, meditação, oração contemplativa, enfim, as diversas formas de oração maravilhosamente explicadas na quarta parte do Catecismo da Igreja Católica;
                         c) Naturalmente, para isso, é necessário que o diretor espiritual seja homem de oração, homem de adoração, homem de vivência diária da “lectio divina”;
                         d) Enfim, concluindo, vale a pena citar, a esse respeito, umas palavras da Instrução da Congregação para o Clero, O Presbítero, Pastor e Guia da comunidade paroquial, (14/8,2002), n. 27: «Guiar os fiéis a uma vida interior sólida, sobre o fundamento dos princípios da doutrina cristã, como foram vividos e ensinados pelos santos, é obra pastoral muito mais relevante e fundamental [do que planejar e debater planos, novidades e mudanças superficiais]. Nos planos pastorais é precisamente esse aspecto que deveria ser privilegiado. Hoje, mais do que nunca, é necessário descobrir a oração, a vida sacramental, a meditação, o silêncio adorante, o coração a coração com Nosso Senhor, o exercício cotidiano das virtudes que a Ele configuram; tudo isso é  muito mais produtivo do que qualquer discussão e é, de qualquer forma, a condição para a sua eficácia».

 Bibliografia
- João Paulo II: Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores dabo vobis, de 25/3/1992
- João Paulo II: Carta Apostólica Novo millennio ineunte, de 6/1/2001
- Congregação para o Clero: Diretório para o Ministério e a Vida do Presbítero, de 31/1/1994
- Congregação para o Clero: O Presbítero, mestre da Palavra, ministro dos Sacramentos e guia da comunidade em vista do terceiro milênio, de 19/3/1999
- Congregação para o Clero: O Presbítero, Pastor e Guia da Comunidade paroquial, de 14/8/2002
- Bento XVI: Homilias sobre o sacerdócio, nas diversas Missas Crismais
- São Josemaria Escrivá: Amar a Igreja, Ed. Quadrante 2004
 [1] Cf. também: Congregação para o Clero, O Presbítero, mestre da Palavra, ministro dos Sacramentos e guia da comunidade, em vista do terceiro milênio (19/3/1999), cap. IV, par. 3; Instrução da Congregação para o Clero, O presbítero, pastor e guia da comunidade paroquial (14/8/2002), n. 27, etc.
[2] As funções do diretor espiritual como pastor, médico, pai, mestre e juiz irão sendo focalizadas, em particular, de modo sintético, na última parte da exposição.
[3] «O Espírito Santo – explica São Josemaria Escrivá – é o Espírito enviado por Cristo para realizar em nós a santificação que Ele [Cristo] nos mereceu na terra» (É Cristo que passa, n. 130). E S. Cirilo de Alexandria diz: «O Espírito Santo não é um artista que desenhe em nós a divina substância como se fosse alheio a ela; não é assim que nos conduz à semelhança divina. Sendo Deus e procedendo de Deus, Ele mesmo se imprime nos corações que o recebem, como o selo sobre a cera e, dessa forma, pela comunicação de si mesmo e pela semelhança, restabelece a natureza consoante a beleza do modelo divino e restitui ao homem a imagem de Deus» (Tesouro da santa e consubstancial Trindade, 34).
[4] A Instrução da Congregação para o Clero O presbítero, pastor e guia da comunidade paroquial (14/8/2002), frisa insistentemente, na esteira da Carta Novo millennio ineunte, que a primeira prioridade pastoral é a santidade, sendo este «o principal desafio pastoral no contexto do tempo presente», de modo que se torna preciso ensinar e lembrar incansavelmente a todos que «a santidade constitui a meta da existência de cada cristão [...]. A pedagogia da santidade é um desafio, tão exigente como atraente, para todos os que na Igreja detêm responsabilidade de guia e formação» (n. 28).
[5] S. Josemaria Escrivá, Carta 8/8/1956
[6] Que todos nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus  (1 Cor 4,1).
[7] Na Carta Novo millennio ineunte, n. 38, João Paulo II insistia na necessidade de «respeitar um princípio essencial da visão cristã da vida: o primado da graça. Há uma tentação que sempre insidia qualquer caminho espiritual e também a ação pastoral: pensar que os resultados dependem da nossa capacidade de agir e programar. É certo que Deus nos pede uma real colaboração com a sua graça, convidando-nos por conseguinte a investir, no serviço pela causa do Reino, todos os nossos recursos de inteligência e de ação; mas ai de nós, se esquecermos que, “sem Cristo, nada podemos fazer” (cf. Jo 15,5)».
[8] «Os Presbíteros, consagrados pela unção do Espírito Santo e enviados por Cristo, mortificam em si mesmos as obras da carne e se dedicam totalmente ao serviço dos homens, e assim podem avançar na santidade…» (Decreto Presbyterorum Ordinis, n. 12).
[9] É Cristo que passa, n. 137

[10] De fato, mesmo que tenhais milhares de educadores em Cristo, não tendes muitos pais. Pois fui eu que [...] vos gerei no Cristo Jesus (1 Cor 4,15).
[11] «Sempre houve ignorância. Mas hoje em dia a ignorância mais brutal em matérias de fé e de moral disfarça-se, por vezes, com altissonantes nomes aparentemente teológicos. Por isso, o mandato de Cristo aos Apóstolos cobra uma premente atualidade: Ide, e instruí todas as gentes (Mt 8,19)» (São Josemaria Escrivá, Amar a Igreja, Quadrante 2004, p. 69).
[12] Entende-se, por isso, o tom categórico com que a Exortação Apostólica Pastores dabo vobis, no n. 43, afirma referindo-se aos seminaristas: «Sem uma oportuna formação humana, toda a formação sacerdotal ficaria privada do seu necessário fundamento»
[13] São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 180
[14] Cf. Congregação para o Clero, O Presbítero, mestre da Palavra,ministro dos Sacramentos e Guia da comunidade, em vista do terceiro milênio, cap. II, n.2