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sexta-feira, 2 de março de 2012

Não a secularização da Igreja Católica

 

Estudo: Brasil cresce como 'exportador' de missionários cristãos
Quando os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil, em 1549, comandados pelo padre Manuel da Nóbrega, o País era um vasto território a ser colonizado e catequizado.

 Mais de quatro séculos depois, o movimento de catequese vai hoje no sentido contrário: o Brasil se tornou um significativo "exportador" de missionários cristãos para o mundo, apontam estimativas de um recém-publicado estudo americano.

 E isso é parte de uma tendência de fortalecimento do cristianismo no sul do planeta, enquanto a Europa caminha para a secularização, explica o autor da pesquisa, professor Todd Jonhson, do Centro de Estudos do Cristianismo Global da Universidade Gordon-Conwell.

 Segundo cálculos de Johnson, havia no mundo cerca de 400 mil missionários cristãos em 2010, saídos de 230 países. Desses, 34 mil eram brasileiros - quantidade inferior apenas à dos evangelizadores americanos, que somavam 127 mil.

 O número de brasileiros é inédito, explica Johnson à BBC Brasil. Representa um aumento de 70% em relação ao ano 2000 (quando o país tinha cerca de 20 mil missionários no exterior) e tende a crescer. "A quantidade de missionários enviados pelo Sul global supera o declínio (do cristianismo) na Europa", diz o estudioso.

 "No caso da América Latina e do Brasil, isso se justifica por um senso maior de responsabilidade pelo mundo exterior, pela estabilidade econômica, por suas conexões de idioma com a África e por um desejo de oferecer uma evangelização que, diferentemente da praticada pelos EUA, não carrega o fardo de invasões".

 Johnson explica que o estudo inclui todos os grupos cristãos, de católicos romanos a protestantes, pentecostais e igrejas independentes. Ele ressalta que o número é uma "estimativa aproximada", já que muitos dos missionários não estão ligados a grandes congregações, e sim a pequenos grupos autônomos e difusos.

Vida em Moçambique
 Entre eles está a família de Marcos Teixeira, 36 anos, que desde 2007 atua como missionário em Moçambique pela Igreja Evangélica Congregacional de Bento Ribeiro (RJ).

 Ele contou à BBC Brasil que, nos últimos quatro anos, sua família construiu uma escola para crianças de três a cinco anos e uma escolinha de futebol para meninos de 9 a 17 anos. Eles também acompanham pacientes portadores de HIV.

 Sua rotina é contada no blog familiamatriju.blogspot.com (o nome é uma combinação de sílabas dos nomes dos integrantes da família, formada, além de Marcos, por sua mulher, Patrícia, 33 anos, e seus filhos Juliana, 8, e Carlos Eduardo, 1, nascido em Moçambique).

 Evangelizadores desde 2003, Marcos e Patricia dizem que anos antes já sentiam um "chamado" para ir à África, ao ouvir notícias sobre a guerra em Angola. Também já passaram por África do Sul e Bolívia. "Ainda não fomos a Angola, mas aprendemos a amar o povo moçambicano".

Passado colonizador
 O estilo missionário da família se insere no que Todd Johnson descreve como a principal mudança no cenário da evangelização: "antes, era uma ação que saía de um poder colonial rumo a uma colônia" - de Portugal ao Brasil, por exemplo. "Atualmente, quase toda a prática missionária não se encaixa mais nisso".

 Para Jorge Cláudio Ribeiro, professor do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP, as missões vão no rastro da própria imigração brasileira e latino-americana.

 "Muitos migrantes latinos mantêm o catolicismo nos EUA. Em geral, (os missionários) já buscam uma comunidade específica em que atuar. Vão atrás de uma freguesia", diz.

 Mesmo no atual período pós-colonial, ele opina que as missões ainda seguem sendo uma força política, que lança mão de "enviados" para evangelizar pessoas de outras religiões. "Além disso, é uma atividade econômica, uma fonte de emprego".

 Johnson também vê laços econômicos com a atividade missionária. "Pode ser uma atividade rentável para as igrejas que estimulam as doações e para os chamados 'grupos de prosperidade' (igrejas baseadas na Teologia da Prosperidade, movimento que prega o bem-estar material do homem)".

Dificuldades
 Para a família evangelizadora de Marcos Teixeira, porém, os recursos são escassos. "Sem (apoio) contínuo, vivemos com muitas dificuldades, tiramos sustento do que a igreja nos dá para viver em Moçambique. Muitas vezes tiramos das nossas compras para suprir as necessidades dos nossos programas, porque a maioria das crianças (atendidas) só se alimenta das refeições que oferecemos".

 As dificuldades também foram de adaptação no país do leste africano. "Quando chegamos a Moçambique, sofremos roubos, nossa casa era invadida constantemente. Deu vontade de desistir, mas sempre sentíamos Deus nos fortalecendo", disse Marcos por e-mail.

 Ele também se preocupa com o futuro da filha mais velha, Juliana, por achar a educação precária no país africano. Acha que ficará ali por mais dois anos, mas pensa em dar continuidade a seus projetos. "A maior alegria é deixar (pessoas locais) qualificadas para desempenhar o papel que a gente se propôs a desenvolver".

 Indo além do legado, Todd Johnson opina que os missionários cristãos em missão no exterior também devem respeitar lideranças locais. "Uma área potencial de conflito é o paternalismo, a ideia de que 'essas pessoas (locais) não são maturas o suficiente para liderar sua igreja'. É uma atitude similar ao colonialismo".

sábado, 25 de fevereiro de 2012

João Evangelista – Teólogo – A Águia do Céu - Para Estudo e Lectio Divina


João – como ele mesmo afirma – era “o discípulo que Jesus amava” de modo especial, sem dúvida por causa da missão extraordinária que lhe iria confiar, qual seja a de substituí-lo no amparo à Maria Santíssima.
O Apóstolo  predileto era discípulo de João Batista, quando este, vendo Jesus disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” O Evangelista, junto com André, irmão de Pedro, seguiu imediatamente o Salvador.
Pouco depois, já formado o Colégio apostólico, João e seu irmão Tiago, juntamente com Pedro, foram os três mais achegados ao Mestre, e presenciaram a transfiguração no Tabor, a agonia mortal no Getsêmani e outros fatos de maior importância. Na Ultima Ceia, João reclinou a cabeça no peito de Jesus, como que haurindo então as idéias centrais de suas Epístolas e Evangelho; a divindade de Cristo, as maravilhas da graça e a caridade fraterna.
Quando os demais apóstolos abandonaram o Mestre no início da Grande da grande Jornada do sofrimento, João o acompanhou até o Calvário junto a Virgem Maria. E ele foi como testamento sublime que Jesus lhe confiou quando disse: “Eis a tua Mãe!” (Jo 19,7).
Ao anúncio da ressurreição, João correu com Pedro até o sepulcro. Depois, às margens do lago de Tiberíades, reconheceu a Jesus ressuscitado.
Pelo ao menos até o Concílio de apostólico de Jerusalém, João aí permaneceu. Juntamente com Pedro e Tiago, era considerado “coluna” da Igreja (Gál 2,9).
Antiga tradição refere que ele evangelizou a Ásia Menor, onde governou a Igreja de Éfeso, provavelmente logo depois de ter abandonado Jerusalém, durante a perseguição que vitimou o apóstolo Tiago (At 12, 1-3).
De fato, quando Paulo, por volta do ano 52, esteve na Cidade Santa, já não encontrou Pedro nem João.
Tertuliano, pelos fins do século II, nos diz que o apóstolo da caridade foi levado a Roma, onde o imperador Demociano o fez lançar numa caldeira de óleo fervente, da qual saiu ileso, sendo em seguida exilado para Patmos, pequena ilha de uns 40 km² no mar Egeu, onde escreveu o Apocalipse.
Sob o império de Nerva, que reinou após a morte de Domiciano, de 96 a 98, João regressou a Éfeso, onde escreveu as três Epístolas e o Evangelho. Aí mesmo faleceu quase centenário, entre os anos 98 e 100, encerrando-se então a Revelação Bíblica e a Era apostólica. Uma Igreja construída nas montanhas  perto de Éfeso, guarda os sagrados despojos do apóstolo.

Comentário:

O Quarto Evangelho supõe os Sínodos já bem conhecidos. O cristianismo estava muito espalhado e começavam a surgir algumas heresias. Contra a dos gnósticos é que João transcreve os discursos e provas com que o Messias atestava a própria divindade. No Dizer de São Jerônimo, “João provou, com fatos, que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus”.
Realmente, o quarto Evangelho tem em mira complementar a narração dos sínodos , salientando as provas da divindade do Verbo que se fez carne e é a luz do mundo, luz que o mundo não quis receber. Daí os freqüentes debates entre Jesus e os fariseus, que o rejeitam.
Mas então, por que os sínodos quase nada relatam desses discursos de Cristo na Judéia, e suas discussões com os Judeus?
Por esta razão muito simples; porque não se relacionam diretamente com o escopo pelo qual os sinóticos escreveram, e porque estes narraram quase exclusivamente o ministério na Galiléia. Note-se ainda que foi muito breve o ministério em Jerusalém e na Judéia, onde se deram tais discursos e debates, quase sempre diante dos rabinos, que eram bons conhecedores da Sagrada Escritura. Comparem-se com o estilo da pregação ao povo mais simples da Galiléia.
Tudo João conservava vivo na memória e repetia sem cessar em suas alocuções aos fiéis da Ásia Menor.
Pela sua sublimidade especial, João mereceu dos Padres gregos o título de “Teólogo” e seu principal escrito era chamado o “Evangelho espiritual”.
Apesar da diferença considerável entre os sinóticos e o quarto evangelho, a figura de Cristo mostra-se perfeitamente igual nos quatro; humano, misericordioso e ao mesmo tempo firme e claro em sua afirmações e atitudes.
Um exame até superficial do texto demonstra claramente que o “discípulo que Jesus amava” é mesmo João, que com Pedro e Tiago formavam o trio mais próximo do Redentor, no grupo dos doze.
Recentes descobertas comprovam a historicidade do quarto Evangelho e a exatidão das particularidades aí referidas: o poço de Jacó em Sicar (Jo 4,5), os cinco pórticos da piscina de Betésda (Jo 5,2), e o estrado lageado Litóstrotos ou Gábata (Jo 19,13). O autor insiste em afirmar que presenciou o que descreve (Jo 1,14; 19,35); esses e vários outros pormenores sobre lugares e costumes da Palestina o demonstram.
Diversas passagens desse livro santo já se encontram nos Padres apostólicos em inícios do segundo século.
A seguir, Polícrates, Irineu, Justino, Teófilo de Antioquia, e o famoso fragmento  ou Cânon muratoriano são alguns nomes que fazem referência expressa ao mesmo Evangelho de João.
Papias, por exemplo, entre os anos de 110 a 130, lembra que desde a mocidade procurava interrogar os discípulos diretos dos apóstolos sobre o que estes haviam ensinado. E escreveu, no seu livro Esclarecimentos: “O Evangelho de João foi publicado e comunicado às Igrejas pelo próprio João ainda em vida”.
Após o sublime prólogo (Jo 1, 1-18), que mereceu para o apóstolo o apelido de “Águia do Céu”, o quarto evangelho pode dividir-se em quatro partes, além dos dois epílogos ( Jo 20, 30-31e 21, 24-25):

                                                  I Parte: Manifestação de Jesus (Jo 1,19 –*21 )
                                                 II Parte: Pregação de Jesus e oposição dos Ju-
                                                    deos (Jo 5-12).    
                                                III Parte: Discursos e oração na Última Ceia
                                                   (Jo 13--17).
                                                 IV Parte: Paixão, morte e ressurreição de Jesus
                                                   (Jo 18—*21).
                                      
(o asterisco (*) faz referência a capítulos integrais).
  

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estudo dos Anjos - Angeologia

 

Há, no mundo, muitas crenças sobre os anjos. Há antigas lendas que influenciam a crença de muitos ao redor do mundo. A existência dos anjos é verdadeira mas não da forma como todos dizem. Queremos ver o que diz a Bíblia sobre a sua existência e obra. Se não existissem os anjos, muitos versículos da Bíblia ficariam sem explicação.

Seres Criados

Os anjos não são eternos como Deus mas foram criados por Deus (Sal 148:2,5; Col 1:16). Mesmo que a Bíblia mostrando que os anjos foram criados por Deus, a Bíblia não é tão clara sobre quando foram criados. Alguns usam Jó 38:7 para dizer que os anjos foram criados assim que a terra foi feita outros determinam Gênesis 1:1, na sua referência aos “céus” para incluir os anjos. Podem dizer o quiserem pois tudo não passa de opiniões. Somente é seguro dizer que até o fim da criação (Gên. 2:1) os anjos foram criados (Êx. 20:11; Ne. 9:6).

Seres Espirituais e Incorpóreos

Os anjos não têm carne (Luc 24:39), não se casam (Mat. 22:30, portanto, não há sexo), são seres espirituais, sem matéria (I Sam 16:14; Mat. 8:16; 12:45; Luc 7:21; 8:2,32,33; 11:26; Atos 19:12; Efés 6:12; Heb 1:14). A sua qualidade de espírito e incorpóreo se vê por poderem estar presentes em pouco espaço (Mat. 12:45; Luc 8:2,30) e serem invisíveis (Col 1:16). Mesmo os anjos podendo aparecer em forma de homem (Atos 1:10) são espíritos (Heb 1:14) e tomam a forma de homem para nos ajudar. O homem está em um grau inferior aos anjos (Heb 2:7)
Alguns símbolos são usados, dentro da Bíblia, para apresentar os anjos tais como: “vento” (Salmos 104:4) ou “fogo abrasador” Heb 1:7) mas, também são citados como sendo espíritos (Mat. 22:30) e presentes na igreja, com atuações específicas (I Cor 11:10).
Pelo fato de terem sidos criados, os anjos são finitos, têm em começo, são limitados e não têm apetites e desejos carnais. Mesmo sendo espíritos e incorpóreos, não são onipresentes. Essa é uma qualidade reservada somente para Deus.

Seres Racionais, Morais e Imortais
Racionais

Os anjos têm uma inteligência nata e não adquirida (Boyce). A inteligência dos anjos é superior a dos homens (II Sam 14:20). Através da igreja Deus ensina a “multiforme sabedoria de Deus” que é conhecida pelos “principados e potestades nos céus”, uma clara referência aos anjos (Efés 3:10). Mesmo os anjos conhecendo tanto, não são oniscientes (Mat. 24:36; I Ped 1:12).
Que anjos possuem vontade é claramente anunciado (I Pedro 1:12) pois anelam investigar aquilo que não são capazes de entender. A obra da salvação é melhor entendida pelo pecador salvo. A glória da salvação não é conhecida pelos descrentes (I Cor 1:23; 2:14) e nem pelos anjos sejam eles bons ou maus.
II Ped 2:11 mostra que os anjos decidem por não fazer uma ação e essa decisão revela que eles são seres racionais.

Morais

A natureza moral dos anjos pode ser vista através do princípio em eles são abençoados se obedecem ou castigados se desobedecem. Tal tratamento indica tanto a capacidade quanto a responsabilidade. Os anjos que obedecem são chamados anjos santos (Mat. 25:31; Mar 8:38; Luc 8:26; Atos 10:22; Apoc 14:10), anjos eleitos (I Tim 5:21) ou anjos de luz (II Cor 11:14). Os anjos 

Imortais

A qualidade de ser imortal pode ser vista através da afirmação de Jesus (Luc 20:35,36). Os anjos bons e os maus têm existência contínua. Os bons permanecem sob o favor de Deus e os maus recebem o castigo pela eternidade.
O fato de os anjos terem grande poder (Sal 103:20; Col 1:16; Efés 1:21; 3:10; Heb 1:14) também revela as suas qualidades de inteligência, vontade e moral. O poder que eles possuem deve ser exercitado na medida do querer de Deus. Esse controle indica inteligência, vontade e moral.

Condição Original

De tudo que a Bíblia mostra sobre o assunto somente podemos concluir que a condição original dos anjos é boa (Gên. 1:31, “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”). Judas ensina que os anjos maus “não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação” (Judas 1:6) dando-nos a entender que no princípio, estavam na própria habitação, junto dos bons em obediência. Aqueles que caíram, pecaram (II Ped 2:4).
Por Deus ser o Criador, e absolutamente santo (Gên. 18:25; Hab. 1:13), a Sua criação também não teria pecado (Bancroft, p. 286).

Número dos Anjos

A Bíblia nunca dá um número exato de anjos, mas isso não quer dizer que há um pequeno número. Varias vezes a Bíblia dá-nos razão dizer que o número é enorme.
• Deut 33:2 - dez milhares de santos
• Sal 68:17 - vinte milhares, milhares de milhares
• Mar 5:9,15 - muitos
• Mat. 26:53 - doze legiões (cada legião é composta entre 3.000 - 6.000, Berkhof)
• Heb 12:22 - muitos milhares
• Apoc 5:11 - milhões de milhões, e milhares de milhares (Dan 7:10)

Apoc 12:4 relata que a terça parte das “estrelas do céu” foi lançada para a terra. Há os que dizem que isso refere-se aos anjos que caíram, o império Romano ou até os pastores que não ficaram fieis no ministério (Gill). Se esse fosse o número de anjos maus que caíram, para cada anjo mau, há dois anjos bons. Isso é confortante mesmo que não queremos duvidar da suficiência da onipotência de Deus.
Qualquer que seja o número de anjos, eles não são criados instantemente. O número atual de anjos não aumenta (Berkhof).

A Ordem dos Anjos Bons

Existe uma organização entre os anjos. Satanás é chamado o pai (João 8:44) e Miguel é chamado por arcanjo (Judas 1:9) que mostra claramente a existência de ordem entre eles. Os anjos bons são chamados “filhos de Deus” por terem uma origem divina. Os anjos maus têm o nome de: anjos do diabo (Mat. 25:41; Apoc 12:7) mostrando a existência de uma ordem entre eles.

Nomes Diferentes  

São usados vários nomes que nos levam a distinguir ordens angélicas. As obras, o relacionamento com Deus ou os atributos dos anjos podem ser vistos pelos nomes atribuídos a eles: “Filhos de Deus” (Jó 1:6; 2:1; Sal 29:1; 86:6), deuses ou anjos de Deus (Sal 97:7; 138:1; Heb 1:6), seus exércitos (Sal 103:21), servos (Jó 4:18),espíritos (Heb 1:14), santos (Jó 15:15; Sal 89:5,7; Zac 14:5; Dan 8:13), vigias (Dan 4:13, 17) e vários outros nomes em Col 1:16; Efés 1:21 dos quais podemos citar o Sr. E. C. Dargan:
“tronos .... sendo o mais elevado, próximo a Deus e assim chamados, tanto por estarem perto de Deus e sustentarem o trono de Deus como por sentarem eles mesmos sobre tronos aproximando-se mais perto de Deus em glória e dignidade; depois “domínios”, ou senhorios, aqueles que exercem poder ou senhorio sobre os inferiores ou homens; depois “principalidades”, ou “principados”, os de dignidade principesca; finalmente, “potestades”, ou autoridades, aqueles que exercem poder ou autoridade sobre a ordem angélica mais baixa, logo acima do homem.” (citado por T. P. Simmons, p. 135,136).
Os anjos citados em Col 1;16 e Efés 1:21 não são os tipos mas de graus ou dignidades diferentes (Berkhof).


Querubins e Serafins

Os querubins mencionados em Gên. 3:24, estão guardando a entrada ao Paraíso, Êx. 25:18, estão olhando ao propiciatório (Sal 80:1; 99:1; Isa 37:16; Heb 9:5). Eles constituem o carro pelo qual Deus desce ao mundo (II Reis 2:11; Sal 18:10) e são representados pelos seres vivos para mostrar poder e majestade (Ezequiel 1 e Apoc 4, entre outros). Mais do que outras criaturas os querubins revelam o poder, a majestade e a gloria de Deus, guardando a sua santidade no jardim, tabernáculo, templo e na sua descida à terra (Berkhof).
Os serafins só estão citados em Isa 6:2,6 como servos ao redor do trono de Deus. Cantam louvores e estão de prontidão para fazer o que o SENHOR mandar. Talvez a sua obra seja preparar aqueles que querem aproximar-se apropriadamente de Deus (Berkhof).
Sobre os querubins e serafins E. C. Dargan ensina que não são “como seres atuais senão como aparências simbólicas ilustrando verdades da atividade e do governo divino.” (Simmons, p. 136).

Miguel e Gabriel

O anjo Miguel e o anjo Gabriel são os únicos anjos mencionados pelo nome.
Miguel é mencionado em Dan 10:9-13; 10:21; 12:1; Judas 1:9; e Apoc 12:7-9. A sua posição é tida como sendo ‘arcanjo’ (Judas 1:9) e “um dos primeiros príncipes” (Dan 10:13). Parece ser um guerreiro valente que batalha por Jeová.
Gabriel é usado em Daniel 8:16; 9:21 e Luc 1:19,26. Gabriel disse: “assisto diante de Deus” (Luc 1:19). Há sete anjos que “estavam diante de Deus” e há a especulação de que Gabriel seja um destes. O seu trabalho é mediar e interpretar revelações divinas (Dan 8:16). Foi Gabriel que profetizou o nascimento de João Batista (Luc 1:5-19) e de Cristo (Luc 1:26-37).

Anjos de Guarda

Apesar de a tradição e os historiadores gostarem da idéia de um anjo, ou dois (um bom e o outro mau), designados a cada homem, ou pelo menos aos eleitos, a Bíblia não dá credito pleno e claro a essa idéia. Deus é quem cuida dos Seus pela Sua presença e poder. Um anjo seria muito inferior à essa presença divina. A doutrina que supõem um anjo de guarda alimenta uma pratica de adoração aos anjos. Note que havia mais de um anjo nestes casos: Gên. 28:12; II Reis 6:16,17; Mat. 4:11; Luc 16:22. 4

O Serviço dos Anjos Bons
Serviço Usual

O serviço usual deve ser entendido como a ocupação geral dos anjos bons. Eles têm o privilégio de louvar a Deus dia e noite (Sal 103:20; 148:2; Isa 6:1-6; Apoc 5:11). Heb 1:14 revela que a sua obra inclui o ministério aos herdeiros da salvação; alegria na conversão dos herdeiros (Luc 15:10), estão atualmente protegendo os herdeiros (Sal 34:7; 91:11) e, especialmente, os pequeninos (Mat. 18:10). Os anjos estão presentes na igreja (I Cor 11:10; I Tim 5:21) até mesmo conhecendo através dos cultos, sobre a multiforme sabedoria de Deus (Efés 3:10; I Ped 1:12). Esses anjos transportam os salvos para o “seio de Abraão” (Luc 16:22).

Serviço Temporário

Os anjos trabalham durante tempos de transição especiais (patriarcas, a entrega da Lei, a era da conquista da terra prometida, durante o exílio e a restauração do povo de Deus à sua terra e o nascimento, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo) e em resposta à queda dos homens no pecado. Quando terminou o período da revelação divina especial cessou o serviço temporário de intermediários dessas revelações, comunicar as bênçãos ao povo de Deus e executar o Seu juízo sobre os Seus inimigos. Esse serviço só se reiniciará na volta corpórea de Cristo (Berkhof, p. 148). Os versículos que mostram esse serviço sendo feito são: II Sam 24:16,17; II Reis 19:35; I Cron. 21:15,16; II Cron. 32:21; Atos 12:23.

A Ordem dos Anjos Maus e Suas Obras
Anjos Maus

Os anjos maus começaram como anjos bons e deixaram a sua habitação (Judas 1:6; II Ped 2:4). Eles se opõem a Deus e colocam barreiras diante da Sua obra obedecendo a vontade de Satanás (Dan 10:10-14; Zac 3:1; Luc 22:31). Eles afligem o povo de Deus (Mat. 17:15-18; Luc 13:16; II Cor 12:7), atuam como empecilhos diante do povo de Deus (Efés 6:11,12; I Tess 2:18) e procuram enganar os eleitos (II Cor 11:13,14; Mat. 24:24).

Espíritos ou Demônios

Os espíritos maus ou os demônios (considerados por muitos termos sinônimos e um tipo de anjo mau, Mat. 9:34; 12:24; 25:41 - Bancroft; Cloud) são distintamente diferentes pois têm trabalhos separados dos anjos maus (Atos 23:8,9, “nem anjo nem espírito ... uma e outra coisa”). Fazem um trabalho mais pessoal, sujo e violento do que os anjos maus em geral. Têm a prática de habitar nos corpos (Mat. 4:24; 8:16, 28-34; 12:43; Atos 8:6,7; 16:16) e nos ídolos dos descrentes (Lev 17:7; Deut 32:17; I Cor 10:20). Adivinhação e astrologia têm como objetos de adoração aos demônios (Deut 18:10-12; II Crôn 33:6; Atos 16:16-18; 19:13-19). Em comparação aos anjos maus, os demônios são mais impuros (Mat. 12:43-45; Mar 5:8; Luc 4:33-36) e violentos (Mat. 8:28; Mar 9:18,22; Luc 9:39; Apoc 16:14). Note que há um grau de impureza entre eles (Mat. 12:43-45). Há muitas doenças afligidas pelos espíritos maus (físicas: mudez - Mat. 9:32,33; cegueira - Mat. 12:22; doença esquelética - Luc 13:11-13 e mentais: nudez, loucura - Luc 8:26-35; Marcos 9:18, 22).
Os espíritos ou demônios não têm outro fim, revelado pelas Escrituras, a não ser igual aos anjos maus que estão entregues “às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo” (II Ped 2:4; Judas 1:6). As ‘cadeias’ não os limitam a um lugar mas sim à uma condição (escuridão e condenação) (Berkhof, p.149). O lugar será o lago de fogo (Mat. 25:41; Apoc 20:10).
Pela adivinhação e astrologia é praticada a abominação diante do Senhor. Deus quer receber toda a glória. Os que praticam essas abominações não estão buscando ao Senhor e sim aos demônios (Deut 18:10-12; Atos 16:16-18, “espírito de adivinhação”; 19:13-19; II Cron. 33:6)

Satanás

Satanás é o líder de todos os anjos maus sendo chamado o seu pai (João 8:44), o seu príncipe (Mat. 9:34; Efés 2:2) . Sua principal obra é opor-se a Deus (Isa 14:13,14; Atos 13:10). Ele ataca ao homem por que o homem é o principal objeto das suas obras (Gên. 1:26). As Escrituras o apontam como aquele que originou o pecado (Gên. 3:1-3; Ezequiel 28:15; João 8:44; II Cor 11:3; I João 3:8; Apoc 12:9; 20:10) e o deus de toda a impureza (João 12:31; II Cor 4:4) mostrando não a sua soberania mas o controle sobre tudo o que Deus entregou na sua mão. Satanás é de grande poder mas não onipotente, tem influência mas não é soberano (Mat. 10:28; 12:29; Apoc 20:2). O destino de Satanás é o lago de fogo (Mat. 25:41; Apoc 20:10) (Berkhof).

A Nossa Atitude diante dos Anjos Bons e Maus

Deus é o único digno de honra e glória e deve ficar claro que nenhum anjo bom ou mau deve ser servido, adorado ou temido como Deus (Rom. 11:36; Apoc 4:11; 22:8,9). Mesmo o crente, filho de Deus, por estar em Jesus Cristo, tendo uma posição acima dos espíritos maus (Efés 6:16; Heb 2:14; I João 4:4) não é recomendado entrar em contenda com qualquer ser bom ou mal (II Tim 2:24; Judas 1:9), mas os resistir aproximando-se de Deus (Tiago 4:7) sendo firme na fé (I Ped 5:9). A vitória se dá pela força de Cristo (Fil. 4:13) e não da carne (Efés 6:10-18). Há necessidade de sermos submissos ao Senhor para termos a vitoria e é razão suficiente para que não sermos auto confiantes em nossos relacionamentos com as forças do mal. Uma vida morta às concupisciências da carne e ativa em obediência à Palavra de Deus, é a melhor defesa para não cair nos laços do diabo (Efés 6:12-18; I Tim 1:18,19).
Satanás é ativo e os seus anjos estão sempre prontos para lhe obedecer, daí o crente ser instruído a ser vigilante e obediente à Palavra de Deus (I Ped 5:8; II Cor 2:10, 11) nunca dando a mínima oportunidade a Satanás (Efés 4:27). Enche o seu ser com as meditações de Cristo, a Palavra de Deus, e não precisará se preocupar com as concupisciências da carne (Gal 5:16). Assim será sempre pronto a ter a vitória nas lutas que venham (Tiago 4:7,8)

Bibliografia

BANCROFT, Emery H., DD. Christian Theology, Systematic and Biblical, Zondervan Publishing House, Grand Rapids, 1971.
BERKHOF, L, Systematic Theology, Wm E. Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids, 1972.
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