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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A oração de arrependimento

A oração de arrependimento é uma das orações mais apreciadas pela Igreja, e também uma das mais frequentes, ao longo de toda a liturgia da Quaresma: “Misericórdia, Senhor, porque pecámos” (4ª Feira de Cinzas); “Escuta, Senhor, e tem piedade de mim” (6ª Feira de Cinzas); “Tem piedade de mim e escuta a minha oração” (4ª Feira da 1ª semana da Quaresma); “Senhor, não nos trates na medida dos nossos pecados” (2ª Feira da 2ª semana da Quaresma).

Na Sagrada Escritura, os salmos de arrependimento e de perdão são mais abundantes do que os salmos de louvor (24 de arrependimento para 17 de louvor) e encerram belas súplicas do pecador ou do povo arrependido diante de Deus: “Não recordes os meus pecados de juventude e os meus delitos. Lembra-te de mim, Senhor, pelo teu amor e pela tua bondade”(Sl 25,7); “Levanta-te, Senhor, tem piedade de Sião; já é tempo de lhe perdoares” (Sl 102, 14).

A oração de arrependimento é muito importante aos olhos de Deus e não é exclusiva da Quaresma. Trata-se de uma oração para todos os dias do ano. Na verdade, a oração de arrependimento e de perdão deveria ser a primeira a fazer sempre que nos apresentamos, como pecadores que somos, diante de Deus três vezes santo.

Sobre este assunto, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-nos o seguinte: “O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de petição. Lembremos as palavras do publicano: “Tem compaixão de mim que sou pecador” (Lc 18,13). É o começo de uma oração limpa e pura. A humildade confiante repõe-nos na luz da comunhão com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo, bem como dos homens uns com os outros” (CIC 2631). A oração do fariseu não agrada a Deus porque está vazia de qualquer insinuação de arrependimento ou de perdão. Pelo contrário, Deus escuta de imediato a oração daquele que, arrependido, se humilha diante d’Ele.

Os monges da Igreja Oriental Ortodoxa privilegiam a oração que brota do arrependimento sobre todas as outras. A recitação da oração da “filocalia” é contínua entre eles: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de mim, que sou pecador”. São Siluão de Athos dizia que “a oração que fazemos unicamente por rotina, sem termos o coração arrependido dos nossos pecados, não é aceitável por Deus” . Inversamente, e conforme diz S. João de Cárpatos, quando na oração invocamos o nome de Jesus e dizemos: “Tem piedade de mim que sou pecador”, a voz do Senhor responde-nos em segredo: “Filho, os teus pecados são-te perdoados”.

A oração de arrependimento tem que brotar do mais profundo do coração e não dos lábios. Basta que nos reconheçamos pecadores no íntimo do nosso ser e logo Jesus nos está a perdoar. Cristo disse à pecadora pública que, em casa de Simão, Lhe cobriu os pés de beijos e, em silêncio, os banhou com as suas lágrimas e os ungiu com perfumes: “Os teus pecados estão perdoados” (Lc 7, 48). Mas Jesus também gosta de escutar dos nossos lábios as mesmas palavras que escutou de Bartimeu, o cego de Jericó; “Jesus, tem compaixão de mim” (Mc 10, 47).

Na Eucaristia, a Igreja utiliza com frequência a oração de arrependimento. No início costumamos dizer: “Confesso...que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e obras por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa”. Ou podemos dizer: “Senhor, tem misericórdia de nós porque pecámos contra Ti.” Ou apenas : “ Senhor, tem piedade. Cristo, tem piedade.”

Ao rezarmos o Pai Nosso, repetimos: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Não há verdadeira oração de arrependimento se não perdoarmos aos nossos inimigos, cujos pecados, misteriosa e eclesialmente, também são nossos. Talvez esta seja uma das razões por que as orações de arrependimento na Missa se dizem no plural: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.”

Às vezes existem almas que, pela grande confiança que têm no perdão de Deus ou pela provável inocência das suas vidas, evitam a oração tão eclesial de arrependimento. Todavia, esta oração, por múltiplas razões, continua a ser útil e necessária para todos. O facto de nos aproximarmos de Deus com a humildade do pecador e com fé na Sua misericórdia torna-nos agradáveis a Deus, que exalta os humildes.

Todos necessitamos desta súplica de perdão porque todos pecámos e fomos privados da glória de Deus (Rm 3, 23). Segundo S. João na sua primeira carta, se dizemos “não pecámos”, estamos a mentir a Deus (1 Jn 1, 10), que em Jesus nos redimiu das nossas faltas: “ Não chames a contas o Teu servo pois ninguém é justo na Tua presença” (Sl 143/142, 2).

Por solidariedade espiritual, humana e eclesial, temos de começar a nossa oração pedindo, no plural, o perdão dos pecados inumeráveis dos homens de todos os tempos, para que Deus nos perdoe e a nossa oração Lhe seja agradável: “Dos meus olhos correm rios de água porque a tua lei já não é cumprida” (Salmo 119/118, 136).

O Espírito Santo tem como tarefa convencer o mundo no que diz respeito ao pecado da sua falta de fé e de amor (cf. Jo 16, 8-9) e “dar ao coração do homem a graça do arrependimento e do perdão” (CIC 1433). De certa maneira solidária, o pecado daquele que não se quer arrepender é meu e, portanto, eu posso arrepender-me, unido a ele, dos “nossos pecados”. E “o mínimo que ele pode fazer é arrepender-se comigo visto que nos tornámos um só “(Jean Lafrance).

A maravilhosa oração de arrependimento não é própria apenas do tempo da Quaresma; é própria de todos os tempos e de todas as horas. A oração de perdão não é boa apenas para os pecadores (todos o somos!). É perfeitamente apropriada para os justos, que pedem perdão a Deus pelos pecadores, que são um só com eles. “Senhor Jesus, tem piedade de mim que sou pecador”. Amen.

Pe. Ceferino Santos, S.J.
in: nº 73 de “Nuevo Pentecostés”;

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A rica experiência do deserto

                                                

 

Grande parte da história do povo de Deus acontece no deserto. Na bíblia, o deserto significa lugar do encontro com Deus e da gestação do novo. Foi aí que o povo conseguiu fazer a travessia da escravidão para a liberdade; a passagem entre o Faraó que oprimia e o Deus Javé que liberta; a ponte entre o contentar-se com o pão e a busca da dignidade.
Foi também no deserto que o próprio Jesus se preparou para a missão, desarmando o diabo e superando as tentações. Antes dele, João Batista já abandonara o mundo e se refugiara no deserto. Lá recebeu a palavra de Deus, tornou-se “voz que clama no deserto”, convidando o povo a se preparar para receber o Messias.
Mas, por que será que a bíblia insiste tanto em colocar os grandes momentos do povo de Deus e as grandes decisões justamente no deserto? O que ele esconde e revela de tão importante? Que ligação existe entre o deserto, a quaresma, a Páscoa?
Ao ler a bíblia, percebemos que é no deserto que Deus fala ao coração do seu povo: “Eis que vou, eu mesmo, seduzi-la, conduzi-la ao deserto, e falar-lhe ao coração” (Os 2,16). Comparando seu povo à esposa, Deus diz que no deserto lhe falará ao coração e o seduzirá. Ali irá guiá-lo por uma coluna de nuvem; iluminar a sua noite com uma coluna de fogo (Ex 13,21); saciar a sua sede com a água do rochedo (Ex 17,6); oferecer como alimento o maná de cada dia (Ex 16,13ss); revelar as suas Leis e fazer com ele uma Aliança de amor.
O Frei Prudente Nery faz uma bela reflexão onde lembra que, no deserto, Deus permitiu que seu povo experimentasse a sede, para que pudesse perceber a preciosidade da água; que sentisse fome, para aprender o valor do pão e da partilha; que sofresse a solidão, para que compreendesse a importância e o valor dos irmãos. No deserto se viram perdidos, para reconhecer que precisavam de Deus; sentiram saudade do passado, para que aprendessem a valorizar a esperança; foram feridos pelo pecado, para que descobrissem a beleza do perdão.
O deserto nos ensina tudo isso. Só aprendemos a dar valor, quando perdemos algo ou não podemos ter. Somente passando necessidade, valorizamos a alegria de possuir. É na aridez do deserto que se descobre a necessidade de cavar fundo para buscar a água que dá vida. É na sua escuridão que se aprende a valorizar o brilho das estrelas. É na sua solidão e silêncio que se descobre a necessidade de prosseguir, sem se deixar dominar pelo desânimo e pelo cansaço: “Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer” (1Rs 19,4-8).
Cada ano, durante a quaresma, a Igreja nos convida a fazer a experiência do deserto. Na liturgia do primeiro domingo, já vemos Jesus no deserto, sendo tentado, superando as tentações e se preparando para o ministério. Neste tempo, somos convidados a viver mais intensamente a oração, o jejum, a meditação da Palavra na busca da conversão. Desafiados a nos privarmos de algum alimento ou de algo que nos agrada, como forma de solidariedade, proporcionando o mínimo necessário aos que nada têm. Somos convidados a fazer a experiência da sede, para sentirmos o valor da água e ajudarmos a quem não a possui. Olhando para as pedras do deserto, somos desafiados a superar a dureza de nosso coração. “Tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um novo coração de carne” (Ez 36,26).
A experiência do deserto nos mostra que, enquanto há alguns que esbanjam e vivem na fartura, há outros que vivem do lixo ou sobrevivem das migalhas da nossa falsa “caridade”. Enquanto desperdiçamos ou nos entregamos à tentação do consumo exagerado, há milhões que não têm o mínimo para sobreviver. O maná do deserto, que não podia ser guardado, pois estragava de um dia para outro, nos ensina a buscar o “pão de cada dia”, pois se alguém acumula o pão para anos e anos, faltará certamente o pão de hoje e até o de ontem para milhões de irmãos. E isso dói no coração do Pai.
Deus nos convida ao deserto e quer falar ao nosso coração. É esse o lugar privilegiado do encontro com o Senhor da vida e com a vida dos irmãos. Tempo da gestação do novo. Caminho e garantia da Páscoa da libertação.
FONTE: Arquidiocese de Mariana/MG

Confirmada a data da JMJ Rio2013


Pode marcar na agenda, pode avisar aos amigos, pode organizar seu grupo. Foi confirmada hoje, em Roma, a data da Jornada Mundial da Juventude Rio2013. O encontro será de 23 a 28 de julho de 2013.
A data oficial foi decidida durante a reunião entre o Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), que é o Comitê Organizador Central da Jornada, e a comissão do Comitê Organizador Local (COL) do Rio, que está em Roma desde ontem.
Estão participando pelo COL o presidente da comissão e arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, os dois bispos auxiliares que acompanham mais diretamente a Jornada, Dom Antônio Augusto Dias Duarte e Dom Paulo Cezar Costa, monsenhor Joel Portella Amado, da coordenação geral, e os padres Márcio Queiroz, responsável pela Comunicação, e Renato Martins, responsável pelos Atos Centrais.
Entre as questões estão sendo tratadas está também a escolha da logomarca da JMJ Rio2013. A comissão retorna ao Rio amanhã e está prevista uma reunião de todos os setores do Comitê para que seja apresentado o que foi ratificado e o que foi retificado do documento de trabalho do COL, que contem os projetos de cada setor.
Renata Rodrigues
Setor de Comunicação JMJ Rio2013

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O que é Escatologia

                                                                                                                
 
 
Escatologia é o estudo sobre os “últimos acontecimentos”. A palavra vem do grego eschatón (= último). Se refere ao término da história da salvação. Sem isto não compreendemos a vida da Igreja. Os romanos diziam: “em tudo que faças, considera o fim, pois é o fim que dita o itinerário a percorrer”. A realização da Igreja se dará plenamente só na eternidade. O Concílio Vaticano II afirma: “É no fim dos tempos que será gloriosamente consumada [a Igreja], quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos, desde Adão, do justo Abel até o último eleito, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal” (LG,2). “A Igreja à qual somos todos chamados em Jesus Cristo... só será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas; e, como o gênero humano, também o mundo inteiro, que está intimamente unido ao homem e por ele atinge o seu fim, será totalmente renovado em Cristo” (LG,48).
Muitas passagens das Escrituras mostram isso: At 3,21 - “Enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, aquele que o céu deve conservar até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus pela boca dos seus santos profetas”. Quando de sua vinda gloriosa, Cristo inaugurará o seu Reino definitivo e toda a criação será renovada. 1Cor 15,24-28 - “Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés... E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos”. São Paulo nos ensina que este é o “misterioso” desígnio da vontade do Pai na plenitude dos tempos: Ef 1,10 - “Reunir em Cristo todas as coisas que estão na terra e no céu”. Col 1,20 - “E por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quando existe na terra e nos céus”. São Pedro fala dessa renovação do mundo e da gloria da Igreja: 2Pe 3,10-13 - “Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém... Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. Sabemos que São Pedro escreve numa linguagem apocalíptica, e que não pode ser interpretada ao pé da letra.
O que sabemos de certo é que haverá a consumação do universo e a glória da Igreja, segundo o desígnio de Deus. Is 65,16 - “Eis que faço novos céus e nova terra; e ninguém mais se recordará das coisas passadas; elas já não voltarão à mente”. Ap 21,1 - “Vi um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido”. É interessante notar o que Jesus disse aos apóstolos: Mt 19,28 - “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória...” Mt 28,20 - “Eis que estou convosco até a consumação do século”. Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto.
Podemos citar alguns exemplos: S. Hipólito de Roma (†235) - chegou a afirmar que o final do mundo seria no ano 500... Santo Irineu (†202) - confirmava a tese do Ps Barnabé, de que o final seria no ano 6000 após a criação do mundo... Santo Ambrósio (†397) e S. Hilário de Poitres (†367) - apoiaram a mesma tese anterior. S. Gaudêncio de Bréscia (†405) - indicava o ano 7000 após a criação. No século V, com a queda de Roma (476), S. Jeronimo (†420), S.João Crisóstomo (†407), S.Leão Magno (†461), defendiam que face à queda de Roma, o fim do mundo estava próximo... No século VI e VII, S. Gregório Magno (†604) afirmava como próxima a vinda de Cristo... Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos difíceis em que se vive. Por isso a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra: At 1,7 - “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”. Mc 13,32 - “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”. Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36,355). O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data. No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo”.
Com efeito, a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”. Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse: “Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável”.
Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de as divulgar ou refutar” (Curso de Escatologia - D. Estevão Bettencourt, págs. 123 / 124). A esperança da Igreja é a vida eterna onde o Reino de Deus será pleno. Jesus disse a Pilatos: “Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Por isso, a Igreja aguarda vigilante a vinda do Senhor. Era a esperança dos Apóstolos: Col 3,4 - “Quando Cristo, nossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. 1Jo 3,2 - -Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, por quanto o veremos como Ele é-. Fil 3,20 - “Nós porém, somos cidadãos dos céus”. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura”. A Igreja sabe que é peregrina neste mundo. O termo Paróquia quer dizer “terra de exílio”. São Paulo expressa bem esta realidade: 2Cor 5,6 - “Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor”.
E o Apóstolo suspirava estar com Cristo: Fil 1,23 - “Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor”. Fil 1,21 - “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Antes, porém, de reinarmos com Cristo compareceremos diante dele: 2Cor 5,10 - “Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de cada um ser remunerado pelas obras da vida corporal, conforme tiver praticado o bem ou o mal”. E a esperança do Apóstolo é grande: Rom 8,18 - “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não tem proporção alguma com a glória que há de revelar-se em nós “. 2Tm 2,11-12 - “Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com Ele, com Ele viveremos. Se soubermos perseverar com Ele reinaremos”. Tt 2,13 - “Na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
Por esta esperança a Igreja busca a santidade, pois sabe que sem ela “ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14). Ser cristão em última instância, é desejar o céu, buscar a santidade e, para isso, despreender-se de todas as satisfações da terra, aspirando as celestes. Deus fez tudo nesta vida precário, passageiro, transitório, para que não nos acostumemos a viver na terra, como se aqui fosse o céu. O destino da Igreja é o céu, a terra é o caminho. Os santos ansiavam pelo céu, diziam como santa Teresinha: “Tenho sede do céu, dessa mansão bem-aventurada, onde se amará Deus sem restrições”. São belas, sobre o céu, as palavras de São Paulo: 1Cor 2,9 - “Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem coração humano imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 2Cor 5,1 - “Sabemos, com efeito, que, quando for destruída esta tenda em que vivemos na terra, temos no céu uma casa feita por Deus, uma habitação eterna, que não foi feita por mãos humanas”. E não se importava com o próprio envelhecimento: 2Cor 4,16 - “Ainda que em nós se destrua o homem exterior, o interior renova-se de dia para dia”.
Jesus nos chama a olhar para o céu: Mt 6,19-21 - “Não ajunteis para vós tesouros na terra... Ajuntai para vós tesouros no céu... porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração”. A maioria dos homens, mesmo os cristãos, ainda têm o tesouro e o coração na terra; por isso suas vidas espirituais são tíbias e os frutos são poucos. Mt 18,21 - “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, e dá aos pobres, terás um tesouro no céu”. Não é sem razão que S.Leão Magno dizia que “as mãos do pobre são o Banco de Deus”. Mc 8,36 - “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? “ Santo Agostinho perguntava: “De que vale viver bem, se não me é dado viver sempre?” Jo 14,2-3 - “Na cada do meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos um lugar. Depois de ir, e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. Infelizmente hoje, para o mundo, eternidade parece ser uma palavra morta. É a chamada “secularização”, o amor a este século, ao tempo presente.
O materialismo, o relativismo, o liberalismo e o hedonismo (busca do prazer como fim) geraram a perda do infinito, do céu, onde está a grande realização do homem. Por isso hoje ele se arrasta como um verme e se desespera na lama da imoralidade, da depressão e do vazio. Pagamos dolorosamente o preço da perda da fé e da esperança. Só Deus pode satisfazer “a fome” infinita que o homem traz em si - como ensina Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja - pois, as criaturas não podem satisfazê-lo, uma vez que são inferiores ao homem. “Só Deus basta”. O Corpo de Cristo, a Igreja, subsiste em três estados: militante, que está na terra a lutar; padecente, que se purifica no purgatório e triunfante, que já vive a bem-aventurança do céu.
Ensina-nos o Concílio Vaticano II que: “Até que o Senhor venha em sua majestade e com ele todos os anjos, e destruída a morte, todas as coisas lhe sejam sujeitas, alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é”. “A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo, de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunhão dos bens espirituais”(LG, 49). Essa comunhão de bens espirituais, que é um verdadeiro intercâmbio de graças, é a riqueza da “Comunhão dos Santos”.
Diz a “Lumen Gentium” que: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto do Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (idem) São Domingos, já moribundo dizia a seus irmãos : “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida” (CIC, 956). O mesmo dizia Santa Teresinha : “Passarei meu céu fazendo bem na terra” (idem). A Igreja acredita desde os primórdios na salutar “intercessão dos santos” e também na “comunhão com os falecidos”. E nos ensina que : “A nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz a sua intercessão por nós” (CIC, 958). A primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos, a Igreja viu no segundo livro de Macabeus. Judas Macabeus, enfrentando o adversário Nicanor, que desejava destruir o Templo, na época da perseguição do terrível Antíoco Epífanes (166-160) aC., colocando toda a sua confiança em Deus, teve um sonho, uma espécie de visão: -Ora, assim foi o espetáculo que lhe coube apreciar: Onias, que tinha sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso...estava com as mãos estendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus. Apareceu da mesma forma, um homem notável pelos cabelos brancos e pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que o circundava. Tomando a palavra disse Onias: - Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito reza pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus-. Estendendo por sua vez a mão direita, Jeremias entregou a Judas uma espada de ouro, pronunciando essas palavras enquanto a entregava: - Recebe esta espada santa, presente de Deus, por meio da qual esmagarás os teus adversários- - (2Mac15,12-15). Esta visão de Judas Macabeus, mostra o grande sumo sacerdote Onias e o profeta Jeremias, ambos, então, já falecidos, intercedendo pelo povo de Deus. Encontramos na Bíblia, a passagem em que Deus manda a Abimeleque que peça orações a Abraão: -Ele rogará por ti e tu viverás- (Gen20,7-17). Ainda sobre a intercessão dos santos por nós, a Igreja deixou claro no Concílio de Trento (1545-1563): -Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens.
É bom e proveitoso invocar-lhes suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessão, para que nos obtenham os benefícios de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador e Redentor nosso. São ímpios os que negam que se devam invocar os santos que já gozam da eterna felicidade no céu.Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que lhes pedir por cada um de nós em particular é idolatria, repugna à palavra de Deus e se opõe à honra de Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens- (Sessão 25). Enfim, a Igreja é a “comunhão dos santos” . Na profissão de fé solene - o Credo do Povo de Deus - disse Paulo VI : “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações “ (CPD, 30). A Eucaristia que celebramos é a antecipação litúrgica da feliz eternidade no Céu. Esta alegria que não tem fim, sempre foi representada pela festa de Bodas, do Noivo (Jesus) com a Noiva (a Igreja). A Eucaristia é a antecipação da consumação da glória da Igreja.
Diz o Catecismo que : “À oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão na terra, mas também os que já estão na glória do céu” (CIC, 1370). O altar em torno do qual a Igreja celebra a Eucaristia, representa, ao mesmo tempo, dois mistérios: “o altar do sacrifício” e a “mesa do Senhor” (CIC nº 1383). São João viu todo o esplendor da Igreja futura na visão do Apocalipse: a Cidade Santa, a Jerusalém celeste, a Noiva, a Esposa do Cordeiro, a filha de Sião : “Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus” (Ap 21, 9-11). Note que bela comparação: “Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra preciosa, tal como o jaspe cristalino. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel ... A muralha tinha doze fundamentos com os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro ... O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal”.
Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era jaspe, ... Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal” (Apc. 21, 11-21). Este riquíssimo simbolismo tem grande significação em cada uma de suas palavras, e nos revela que esta cidade inimaginável na terra, só pode existir no céu; é a Igreja na sua glória consumada, onde cada um de nós é chamado a viver na comunhão de toda a família de Deus. Ele e o Cordeiro estão presentes, não haverá falta de nada ... Vejamos como continua a descrição: “Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor é o seu templo, assim como o Cordeiro. A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar-lhe-ão a sua opulência. As suas portas não fecharão diariamente, pois não haverá noite ... Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apc. 21. 22-27). E continua a descrição da Cidade celeste : “Não haverá aí nada execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhes prestarão um culto. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.
Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos” (Ap 22, 1-5). Esta longa narração mostra a vitória e a gloriosa consumação final da Igreja. E o Apocalipse termina com o Senhor dizendo: “Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas”(22,14). “O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem ! ... Aquele que atesta estas coisas diz: Sim ! Eu venho depressa ! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (22, 17-21).
A glória futura da Igreja já está garantida, porque o seu Senhor já reina no céu, sentado à direita do Pai, aguardando o momento de consumar o seu Reino. -Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus-(Mc16,19). São Paulo explica na Carta aos Efésios todo o esplendor de Cristo, -Cabeça da Igreja-, já glorificado no céu: -Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal-(Ef 1,20-22). É preciso ter em mente que Jesus glorificado à direita do Pai, é o Verbo Encarnado, perfeitamente homem; assim, a humanidade, por Jesus, -já voltou ao paraíso-, que havia perdido pelo pecado. Desta forma São Paulo nos exorta a vivermos cientes de que a nossa vida -está escondida com Cristo em Deus-: -Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele na glória- (Cl 3,1s) São Leão Magno(†431) dizia que: “Onde a Cabeça está, aí devem estar também os membros do corpo”.
A Igreja tem plena consciência de que a sua glória está assegurada no céu, já que a -Cabeça- já está -sentada à direita do Pai-. Na missa da festa da Ascensão do Senhor, rezamos: - Ó Deus todo poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu Corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória-. É nesta esperança que vive a Igreja: -No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!-(Jo16,33). Sabemos, como nos ensina São Paulo na carta aos tessalonicenses, que a Igreja passará pela terrível “provação final”, que será também o momento de dar ao Senhor a prova maior do seu amor, e que será também a sua maior purificação. Após isto será consumada na sua glória. Então, “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28). Estará então restabelecida a “Família de Deus”, que no Paraíso foi dispersa pelo pecado. Novamente Deus viverá no “jardim” celeste com o homem (Gen 2,5-8), com toda a intimidade e comunhão desejadas desde o princípio. A harmonia que o pecado rompeu será restabelecida plenamente. É a imagem maravilhosa que o Profeta nos dá do Reino do Messias, onde só haverá paz: “Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto a toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu monte santo, porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar” (Is 11, 6-9). Sobre a “última provação” que a Igreja deverá enfrentar, fala o Catecismo da Igreja : “Antes do Advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (cf Lc 18,8; Mt 24,12).
A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (cf Lc 21,12; Jo 15, 19-20) desvendará o “mistério da iniquidade” sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne (cf 2 Tes 2,4-12; 1 Ts 5,2-3; 2 Jo7; 1 Jo 2,18-22) (CIC, 675). O Catecismo explica que a grande impostura religiosa anticrística será uma falsificação do Reino de Deus, a ser implantado na terra, pelo próprio homem, sem a necessidade de Deus. É o ateísmo sistemático - já denunciado no santo Concílio Vaticano II (GS 20,21) - que leva o homem a se rebelar “contra qualquer dependência de Deus”. “Aqueles que professam tal ateísmo - disse o Concílio - sustentam que a liberdade consiste em o homem ser o seu próprio fim e o único artífice e demiurgo [ criador] de sua própria história. E pretendem que esta posição não pode harmonizar-se com o reconhecimento do Senhor ...” (GS, 20). A Igreja sabe que só entrará na glória do Reino passando por uma “Paixão” semelhante a do seu Senhor.
O Catecismo afirma que: “O Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal (cf Ap 20,7-10), que fará a sua Esposa descer do Céu (Ap 21,2-4). Então, finalmente, “haverá um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1) e se realizará o que está escrito: “Eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele enxugará toda a lágrima dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim ! As coisas antigas se foram ! (Ap 21,3-4).
DO Livro: -A MINHA IGREJA- DO Prof. Felipe de Aquino

Parusia - A Segunda Vinda de Cristo



Papa João Paulo II
“Não devemos esquecer que o “éschaton”, isto é, o evento final, entendido de maneira cristã, não é só uma meta posta no futuro mas uma realidade já iniciada com a vinda histórica de Cristo... Sabemos, por outro lado, que as imagens apocalípticas do discurso escatológico [de Jesus, Mt 26, 64] a propósito do fim de todas as coisas, devem ser interpretadas na sua intensidade simbólica. Elas exprimem a precariedade do mundo e o soberano poder de Cristo, em cujas mãos está posto o destino da humanidade. A história caminha rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo. Cristo só nos assegurou que o fim não acontecerá antes que a Sua obra salvífica tenha alcançado uma dimensão universal através do anúncio do Evangelho:
“Esta Boa Nova do Reino será proclamada em todo o mundo para dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim” (Mt 24,14). Jesus diz estas palavras aos discípulos preocupados por conhecer a data do fim do mundo. Eles teriam sido tentados a pensar numa data próxima. Jesus faz com que conheçam que muitos eventos e cataclismos devem acontecer antes e serão apenas “o princípio das dores” (Mc 13, 8). Portanto, como diz Paulo, toda a criação “geme e sofre nas dores do parto” aguardando com impaciência a revelação dos filhos de Deus (cf.Rom 8,19´20). A obra evangelizadora do mundo comporta a profunda transformação das pessoas humanas sob a influência da graça de Cristo. Paulo indicou a finalidade da história no desígnio do Pai de “reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no Céu e na Terra” (Ef 1, 10). Cristo é o centro do universo que atrai todos a Si para lhes comunicar a abundância da graça e da vida eterna. A Jesus o Pai deu “o poder de julgar porque é o Filho do Homem” (Jo 5, 27).
Se o juízo prevê obviamente a possibilidade da condenação, ele contudo é confiado Àquele que é “Filho do Homem”, isto é, a uma pessoa plena de compreensão e solidária com a condição humana. Cristo é um juíz divino com um coração humano, um juíz que deseja dar a vida. Só o enraizamento obstinado no mal pode impedir´lhe fazer este dom, pelo qual Ele não hesitou enfrentar a morte.”
(L’Osservatore Romano, n.17 ´ 25/4/1998)


sábado, 10 de dezembro de 2011

10 de Dezembro - Dia Mundial dos Direitos Humanos


 

Dia dos Direitos Humanos: justiça, dignidade e igualdade

Nova York (RV) - As Nações Unidas celebram, neste sábado, o Dia Internacional dos Direitos Humanos.


Numa mensagem, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, ressalta que "os direitos humanos pertencem a cada um de nós sem exceção, mas se não os conhecemos, se não pretendemos que sejam respeitados e não defendemos o nosso direito e os dos outros, permanecerão somente palavras vazias num documento escrito décadas atrás".


Segundo Ban, a importância dos direitos humanos foi muitas vezes enfatizada este ano. "Em todo o mundo, as pessoas se mobilizaram pedindo justiça, dignidade, igualdade e plena participação, direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Muitos desses ativistas continuaram fazendo manifestações pacíficas, apesar de terem sido várias vezes objeto de repressão violenta" – ressalta ele.


O Secretário-Geral da ONU ressalta que em alguns países, a luta continua e em outros foram obtidos importantes concessões ou a queda de regimes autoritários. Hoje, observando o respeito dos direitos de liberdade, reunião e expressão, os Governos não podem sufocar o debate público e eventuais críticas, bloqueando o acesso à internet e aos vários meios de comunicação social.


Segundo Ban Ki-moon, este ano foi extraordinário para os direitos humanos, pois foram alcançados novos processos de democratização, progressos na responsabilidade por crimes de guerra e contra a humanidade e atingiu-se uma nova e maior consciência dos direitos humanos.


"Tendo em vista os novos desafios que nos esperam, sigamos o exemplo dos ativistas de direitos humanos, deixemo-nos guiar pelo caráter forte e sempre atual da Declaração Universal e façamos todo o possível para que sejam acolhidos e reconhecidos os ideais e aspirações em favor de cada cultura e de cada pessoa" – conclui a mensagem. (MJ)

Celebra-se hoje, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, sob lema, “Dignidade e Justiça para todos”. Comemorar esta data tão transcendental na história da humanidade, na luta pela conquista da liberdade e felicidade para todos os homens e mulheres, é antes de mais, evocar uma longa caminhada histórica, de muitos séculos, plena de dificuldades e obstáculos, de incompreensão, lutas e resistências. Trata-se de um combate que vem de longe, que hoje prossegue em novas circunstâncias, e que porventura, terá de prosseguir sempre, uma vez que os direitos fundamentais terão de constituir uma conquista permanente, alargada e quotidiana de todos os homens.
Continua a estar bem presente na memória colectiva da humanidade, os sangrentos resultados do totalitarismo e da tirania que conduziram à segunda guerra mundial, e a quase destruição de tantos povos e países. As Nações Unidas ergueram-se com uma esperança de convivência internacional e de paz, afirmando-se em 1948, no dia 10 de Dezembro, a universalidade dessa luta pelos direitos do Homem e a necessidade de a fundamentar na solidariedade essencial de todos os seres humanos. Esse foi o grande passo dado então, que hoje nos cumpre celebrar, compreender e aprofundar.
A Guiné-Bissau, figura na lista dos países que proclamaram a sua fé aos direitos fundamentais do homem, ao subscrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como algumas convenções e tratados sobre os direitos humanos. O estado guineense, expressa a sua total fidelidade aos ideais da paz, democracia e das liberdades fundamentais universalmente consagrados.
A expressão desta vontade devia ser traduzida em acções que favoreçam a igualdade dos direitos e de oportunidades, visando o desenvolvimento e o progresso sociais. Infelizmente estas comemorações acontecem numa altura em que o país atravessa uma crise sem precedentes continuando na cauda do relatório do índice do desenvolvimento humano publicado pelo Sistema das Nações Unidas, resultado da corrupção, do clientelismo político, das guerras fratricidas, da violação dos direitos humanos, enfim da má governação.
Paradoxalmente na Guiné-Bissau, a prioridade continua a ser o sector de defesa e segurança, contrariando as declarações do Primeiro-ministro aquando da tomada de posse do actual executivo. Assim dificilmente o país poderá atingir os objectivos do milénio, quando os sectores da Educação, Saúde e das Infra-estruturas são remetidos para segundo plano.
Urge uma tomada de medidas para inverter o rumo das coisas, por isso a Liga, aproveita esta ocasião para convidar todos os guineenses, sem excepção, a unirem-se em torno dos grandes desígnios nacionais, nomeadamente: a reconciliação, a luta pelo desenvolvimento, a solidariedade, a tolerância, a liberdade, a justiça, a convivência pacifica etc.. Aproveita-se ainda esta oportunidade para felicitar a todos os activistas dos direitos humanos que labutam incansavelmente e em condições de alto risco, a favor de uma Guiné-Bissau mais cívica e respeitadora dos direitos humanos, sem no entanto descurar aqueles defensores que labutam na clandestinidade, nomeadamente jornalistas, sindicalistas, médicos e enfermeiros, encorajando-os a prosseguirem com as suas acções.
Oxalá que, nas próximas celebrações do dia Internacional dos Direitos Humanos, haja vontade e coragem política para reajustar os salários dos médicos, engenheiros, docentes etc... dos coronéis, brigadeiros  etc.. quando isso acontecer  estaremos em condições  de dizer que o Know How e saber cientifico são respeitados tal como previsto no sonho de Amílcar Cabral para esta fase de luta.  
Para terminar, às organizações da sociedade civil em particular o Movimento Nacional da Sociedade Civil para A Paz Democracia e Desenvolvimento, vai a nossa inequívoca e incondicional solidariedade nessa luta, para a defesa da causa da democracia e do Estado de direito.

Bissau, 10 de Dezembro de 2007














A ti Caminhante, de um saber antigo.





1.    Hoje começo uma nova vida.
2.    Saldarei este dia com amor em meu coração.
3.    Persistirei até alcançar o êxito.
4.    Sou o maior milagre da natureza.
5.    Viverei este dia como se fosse o ultimo dia da minha   
      vida.
6.    Hoje serei dono de minhas emoções;
   Se me sinto deprimido cantarei;
   Se me sinto triste rirei;
   Se me sinto enfermo, redobrarei meu trabalho;
   Se sinto medo, me lançarei a diante;
   Se me sinto pobre, vestirei roupas novas;
   Se se apodera de mim a confiança excessiva,   
   lembrarei de meus fracassos.

7.    Vou rir do mundo. Enquanto possa rir não serei pobre.
8.    Hoje multiplicarei meu valor em cem por cento.
9.    Agirei agora mesmo. Se não agir, se não atuar, 
      perecerei.
   10. De agora em diante, rezarei. Nunca rezarei pedindo 
         coisas materiais. Rezarei para que Deus me mostre o 
          caminho.