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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A rica experiência do deserto

                                                

 

Grande parte da história do povo de Deus acontece no deserto. Na bíblia, o deserto significa lugar do encontro com Deus e da gestação do novo. Foi aí que o povo conseguiu fazer a travessia da escravidão para a liberdade; a passagem entre o Faraó que oprimia e o Deus Javé que liberta; a ponte entre o contentar-se com o pão e a busca da dignidade.
Foi também no deserto que o próprio Jesus se preparou para a missão, desarmando o diabo e superando as tentações. Antes dele, João Batista já abandonara o mundo e se refugiara no deserto. Lá recebeu a palavra de Deus, tornou-se “voz que clama no deserto”, convidando o povo a se preparar para receber o Messias.
Mas, por que será que a bíblia insiste tanto em colocar os grandes momentos do povo de Deus e as grandes decisões justamente no deserto? O que ele esconde e revela de tão importante? Que ligação existe entre o deserto, a quaresma, a Páscoa?
Ao ler a bíblia, percebemos que é no deserto que Deus fala ao coração do seu povo: “Eis que vou, eu mesmo, seduzi-la, conduzi-la ao deserto, e falar-lhe ao coração” (Os 2,16). Comparando seu povo à esposa, Deus diz que no deserto lhe falará ao coração e o seduzirá. Ali irá guiá-lo por uma coluna de nuvem; iluminar a sua noite com uma coluna de fogo (Ex 13,21); saciar a sua sede com a água do rochedo (Ex 17,6); oferecer como alimento o maná de cada dia (Ex 16,13ss); revelar as suas Leis e fazer com ele uma Aliança de amor.
O Frei Prudente Nery faz uma bela reflexão onde lembra que, no deserto, Deus permitiu que seu povo experimentasse a sede, para que pudesse perceber a preciosidade da água; que sentisse fome, para aprender o valor do pão e da partilha; que sofresse a solidão, para que compreendesse a importância e o valor dos irmãos. No deserto se viram perdidos, para reconhecer que precisavam de Deus; sentiram saudade do passado, para que aprendessem a valorizar a esperança; foram feridos pelo pecado, para que descobrissem a beleza do perdão.
O deserto nos ensina tudo isso. Só aprendemos a dar valor, quando perdemos algo ou não podemos ter. Somente passando necessidade, valorizamos a alegria de possuir. É na aridez do deserto que se descobre a necessidade de cavar fundo para buscar a água que dá vida. É na sua escuridão que se aprende a valorizar o brilho das estrelas. É na sua solidão e silêncio que se descobre a necessidade de prosseguir, sem se deixar dominar pelo desânimo e pelo cansaço: “Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer” (1Rs 19,4-8).
Cada ano, durante a quaresma, a Igreja nos convida a fazer a experiência do deserto. Na liturgia do primeiro domingo, já vemos Jesus no deserto, sendo tentado, superando as tentações e se preparando para o ministério. Neste tempo, somos convidados a viver mais intensamente a oração, o jejum, a meditação da Palavra na busca da conversão. Desafiados a nos privarmos de algum alimento ou de algo que nos agrada, como forma de solidariedade, proporcionando o mínimo necessário aos que nada têm. Somos convidados a fazer a experiência da sede, para sentirmos o valor da água e ajudarmos a quem não a possui. Olhando para as pedras do deserto, somos desafiados a superar a dureza de nosso coração. “Tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um novo coração de carne” (Ez 36,26).
A experiência do deserto nos mostra que, enquanto há alguns que esbanjam e vivem na fartura, há outros que vivem do lixo ou sobrevivem das migalhas da nossa falsa “caridade”. Enquanto desperdiçamos ou nos entregamos à tentação do consumo exagerado, há milhões que não têm o mínimo para sobreviver. O maná do deserto, que não podia ser guardado, pois estragava de um dia para outro, nos ensina a buscar o “pão de cada dia”, pois se alguém acumula o pão para anos e anos, faltará certamente o pão de hoje e até o de ontem para milhões de irmãos. E isso dói no coração do Pai.
Deus nos convida ao deserto e quer falar ao nosso coração. É esse o lugar privilegiado do encontro com o Senhor da vida e com a vida dos irmãos. Tempo da gestação do novo. Caminho e garantia da Páscoa da libertação.
FONTE: Arquidiocese de Mariana/MG

Confirmada a data da JMJ Rio2013


Pode marcar na agenda, pode avisar aos amigos, pode organizar seu grupo. Foi confirmada hoje, em Roma, a data da Jornada Mundial da Juventude Rio2013. O encontro será de 23 a 28 de julho de 2013.
A data oficial foi decidida durante a reunião entre o Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), que é o Comitê Organizador Central da Jornada, e a comissão do Comitê Organizador Local (COL) do Rio, que está em Roma desde ontem.
Estão participando pelo COL o presidente da comissão e arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, os dois bispos auxiliares que acompanham mais diretamente a Jornada, Dom Antônio Augusto Dias Duarte e Dom Paulo Cezar Costa, monsenhor Joel Portella Amado, da coordenação geral, e os padres Márcio Queiroz, responsável pela Comunicação, e Renato Martins, responsável pelos Atos Centrais.
Entre as questões estão sendo tratadas está também a escolha da logomarca da JMJ Rio2013. A comissão retorna ao Rio amanhã e está prevista uma reunião de todos os setores do Comitê para que seja apresentado o que foi ratificado e o que foi retificado do documento de trabalho do COL, que contem os projetos de cada setor.
Renata Rodrigues
Setor de Comunicação JMJ Rio2013

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O que é Escatologia

                                                                                                                
 
 
Escatologia é o estudo sobre os “últimos acontecimentos”. A palavra vem do grego eschatón (= último). Se refere ao término da história da salvação. Sem isto não compreendemos a vida da Igreja. Os romanos diziam: “em tudo que faças, considera o fim, pois é o fim que dita o itinerário a percorrer”. A realização da Igreja se dará plenamente só na eternidade. O Concílio Vaticano II afirma: “É no fim dos tempos que será gloriosamente consumada [a Igreja], quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos, desde Adão, do justo Abel até o último eleito, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal” (LG,2). “A Igreja à qual somos todos chamados em Jesus Cristo... só será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas; e, como o gênero humano, também o mundo inteiro, que está intimamente unido ao homem e por ele atinge o seu fim, será totalmente renovado em Cristo” (LG,48).
Muitas passagens das Escrituras mostram isso: At 3,21 - “Enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, aquele que o céu deve conservar até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus pela boca dos seus santos profetas”. Quando de sua vinda gloriosa, Cristo inaugurará o seu Reino definitivo e toda a criação será renovada. 1Cor 15,24-28 - “Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés... E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos”. São Paulo nos ensina que este é o “misterioso” desígnio da vontade do Pai na plenitude dos tempos: Ef 1,10 - “Reunir em Cristo todas as coisas que estão na terra e no céu”. Col 1,20 - “E por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quando existe na terra e nos céus”. São Pedro fala dessa renovação do mundo e da gloria da Igreja: 2Pe 3,10-13 - “Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém... Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. Sabemos que São Pedro escreve numa linguagem apocalíptica, e que não pode ser interpretada ao pé da letra.
O que sabemos de certo é que haverá a consumação do universo e a glória da Igreja, segundo o desígnio de Deus. Is 65,16 - “Eis que faço novos céus e nova terra; e ninguém mais se recordará das coisas passadas; elas já não voltarão à mente”. Ap 21,1 - “Vi um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido”. É interessante notar o que Jesus disse aos apóstolos: Mt 19,28 - “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória...” Mt 28,20 - “Eis que estou convosco até a consumação do século”. Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto.
Podemos citar alguns exemplos: S. Hipólito de Roma (†235) - chegou a afirmar que o final do mundo seria no ano 500... Santo Irineu (†202) - confirmava a tese do Ps Barnabé, de que o final seria no ano 6000 após a criação do mundo... Santo Ambrósio (†397) e S. Hilário de Poitres (†367) - apoiaram a mesma tese anterior. S. Gaudêncio de Bréscia (†405) - indicava o ano 7000 após a criação. No século V, com a queda de Roma (476), S. Jeronimo (†420), S.João Crisóstomo (†407), S.Leão Magno (†461), defendiam que face à queda de Roma, o fim do mundo estava próximo... No século VI e VII, S. Gregório Magno (†604) afirmava como próxima a vinda de Cristo... Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos difíceis em que se vive. Por isso a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra: At 1,7 - “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”. Mc 13,32 - “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”. Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36,355). O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data. No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo”.
Com efeito, a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”. Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse: “Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável”.
Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de as divulgar ou refutar” (Curso de Escatologia - D. Estevão Bettencourt, págs. 123 / 124). A esperança da Igreja é a vida eterna onde o Reino de Deus será pleno. Jesus disse a Pilatos: “Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Por isso, a Igreja aguarda vigilante a vinda do Senhor. Era a esperança dos Apóstolos: Col 3,4 - “Quando Cristo, nossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. 1Jo 3,2 - -Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, por quanto o veremos como Ele é-. Fil 3,20 - “Nós porém, somos cidadãos dos céus”. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura”. A Igreja sabe que é peregrina neste mundo. O termo Paróquia quer dizer “terra de exílio”. São Paulo expressa bem esta realidade: 2Cor 5,6 - “Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor”.
E o Apóstolo suspirava estar com Cristo: Fil 1,23 - “Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor”. Fil 1,21 - “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Antes, porém, de reinarmos com Cristo compareceremos diante dele: 2Cor 5,10 - “Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de cada um ser remunerado pelas obras da vida corporal, conforme tiver praticado o bem ou o mal”. E a esperança do Apóstolo é grande: Rom 8,18 - “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não tem proporção alguma com a glória que há de revelar-se em nós “. 2Tm 2,11-12 - “Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com Ele, com Ele viveremos. Se soubermos perseverar com Ele reinaremos”. Tt 2,13 - “Na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
Por esta esperança a Igreja busca a santidade, pois sabe que sem ela “ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14). Ser cristão em última instância, é desejar o céu, buscar a santidade e, para isso, despreender-se de todas as satisfações da terra, aspirando as celestes. Deus fez tudo nesta vida precário, passageiro, transitório, para que não nos acostumemos a viver na terra, como se aqui fosse o céu. O destino da Igreja é o céu, a terra é o caminho. Os santos ansiavam pelo céu, diziam como santa Teresinha: “Tenho sede do céu, dessa mansão bem-aventurada, onde se amará Deus sem restrições”. São belas, sobre o céu, as palavras de São Paulo: 1Cor 2,9 - “Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem coração humano imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 2Cor 5,1 - “Sabemos, com efeito, que, quando for destruída esta tenda em que vivemos na terra, temos no céu uma casa feita por Deus, uma habitação eterna, que não foi feita por mãos humanas”. E não se importava com o próprio envelhecimento: 2Cor 4,16 - “Ainda que em nós se destrua o homem exterior, o interior renova-se de dia para dia”.
Jesus nos chama a olhar para o céu: Mt 6,19-21 - “Não ajunteis para vós tesouros na terra... Ajuntai para vós tesouros no céu... porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração”. A maioria dos homens, mesmo os cristãos, ainda têm o tesouro e o coração na terra; por isso suas vidas espirituais são tíbias e os frutos são poucos. Mt 18,21 - “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, e dá aos pobres, terás um tesouro no céu”. Não é sem razão que S.Leão Magno dizia que “as mãos do pobre são o Banco de Deus”. Mc 8,36 - “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? “ Santo Agostinho perguntava: “De que vale viver bem, se não me é dado viver sempre?” Jo 14,2-3 - “Na cada do meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos um lugar. Depois de ir, e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. Infelizmente hoje, para o mundo, eternidade parece ser uma palavra morta. É a chamada “secularização”, o amor a este século, ao tempo presente.
O materialismo, o relativismo, o liberalismo e o hedonismo (busca do prazer como fim) geraram a perda do infinito, do céu, onde está a grande realização do homem. Por isso hoje ele se arrasta como um verme e se desespera na lama da imoralidade, da depressão e do vazio. Pagamos dolorosamente o preço da perda da fé e da esperança. Só Deus pode satisfazer “a fome” infinita que o homem traz em si - como ensina Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja - pois, as criaturas não podem satisfazê-lo, uma vez que são inferiores ao homem. “Só Deus basta”. O Corpo de Cristo, a Igreja, subsiste em três estados: militante, que está na terra a lutar; padecente, que se purifica no purgatório e triunfante, que já vive a bem-aventurança do céu.
Ensina-nos o Concílio Vaticano II que: “Até que o Senhor venha em sua majestade e com ele todos os anjos, e destruída a morte, todas as coisas lhe sejam sujeitas, alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é”. “A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo, de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunhão dos bens espirituais”(LG, 49). Essa comunhão de bens espirituais, que é um verdadeiro intercâmbio de graças, é a riqueza da “Comunhão dos Santos”.
Diz a “Lumen Gentium” que: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto do Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (idem) São Domingos, já moribundo dizia a seus irmãos : “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida” (CIC, 956). O mesmo dizia Santa Teresinha : “Passarei meu céu fazendo bem na terra” (idem). A Igreja acredita desde os primórdios na salutar “intercessão dos santos” e também na “comunhão com os falecidos”. E nos ensina que : “A nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz a sua intercessão por nós” (CIC, 958). A primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos, a Igreja viu no segundo livro de Macabeus. Judas Macabeus, enfrentando o adversário Nicanor, que desejava destruir o Templo, na época da perseguição do terrível Antíoco Epífanes (166-160) aC., colocando toda a sua confiança em Deus, teve um sonho, uma espécie de visão: -Ora, assim foi o espetáculo que lhe coube apreciar: Onias, que tinha sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso...estava com as mãos estendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus. Apareceu da mesma forma, um homem notável pelos cabelos brancos e pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que o circundava. Tomando a palavra disse Onias: - Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito reza pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus-. Estendendo por sua vez a mão direita, Jeremias entregou a Judas uma espada de ouro, pronunciando essas palavras enquanto a entregava: - Recebe esta espada santa, presente de Deus, por meio da qual esmagarás os teus adversários- - (2Mac15,12-15). Esta visão de Judas Macabeus, mostra o grande sumo sacerdote Onias e o profeta Jeremias, ambos, então, já falecidos, intercedendo pelo povo de Deus. Encontramos na Bíblia, a passagem em que Deus manda a Abimeleque que peça orações a Abraão: -Ele rogará por ti e tu viverás- (Gen20,7-17). Ainda sobre a intercessão dos santos por nós, a Igreja deixou claro no Concílio de Trento (1545-1563): -Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens.
É bom e proveitoso invocar-lhes suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessão, para que nos obtenham os benefícios de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador e Redentor nosso. São ímpios os que negam que se devam invocar os santos que já gozam da eterna felicidade no céu.Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que lhes pedir por cada um de nós em particular é idolatria, repugna à palavra de Deus e se opõe à honra de Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens- (Sessão 25). Enfim, a Igreja é a “comunhão dos santos” . Na profissão de fé solene - o Credo do Povo de Deus - disse Paulo VI : “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações “ (CPD, 30). A Eucaristia que celebramos é a antecipação litúrgica da feliz eternidade no Céu. Esta alegria que não tem fim, sempre foi representada pela festa de Bodas, do Noivo (Jesus) com a Noiva (a Igreja). A Eucaristia é a antecipação da consumação da glória da Igreja.
Diz o Catecismo que : “À oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão na terra, mas também os que já estão na glória do céu” (CIC, 1370). O altar em torno do qual a Igreja celebra a Eucaristia, representa, ao mesmo tempo, dois mistérios: “o altar do sacrifício” e a “mesa do Senhor” (CIC nº 1383). São João viu todo o esplendor da Igreja futura na visão do Apocalipse: a Cidade Santa, a Jerusalém celeste, a Noiva, a Esposa do Cordeiro, a filha de Sião : “Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus” (Ap 21, 9-11). Note que bela comparação: “Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra preciosa, tal como o jaspe cristalino. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel ... A muralha tinha doze fundamentos com os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro ... O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal”.
Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era jaspe, ... Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal” (Apc. 21, 11-21). Este riquíssimo simbolismo tem grande significação em cada uma de suas palavras, e nos revela que esta cidade inimaginável na terra, só pode existir no céu; é a Igreja na sua glória consumada, onde cada um de nós é chamado a viver na comunhão de toda a família de Deus. Ele e o Cordeiro estão presentes, não haverá falta de nada ... Vejamos como continua a descrição: “Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor é o seu templo, assim como o Cordeiro. A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar-lhe-ão a sua opulência. As suas portas não fecharão diariamente, pois não haverá noite ... Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apc. 21. 22-27). E continua a descrição da Cidade celeste : “Não haverá aí nada execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhes prestarão um culto. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.
Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos” (Ap 22, 1-5). Esta longa narração mostra a vitória e a gloriosa consumação final da Igreja. E o Apocalipse termina com o Senhor dizendo: “Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas”(22,14). “O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem ! ... Aquele que atesta estas coisas diz: Sim ! Eu venho depressa ! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (22, 17-21).
A glória futura da Igreja já está garantida, porque o seu Senhor já reina no céu, sentado à direita do Pai, aguardando o momento de consumar o seu Reino. -Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus-(Mc16,19). São Paulo explica na Carta aos Efésios todo o esplendor de Cristo, -Cabeça da Igreja-, já glorificado no céu: -Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal-(Ef 1,20-22). É preciso ter em mente que Jesus glorificado à direita do Pai, é o Verbo Encarnado, perfeitamente homem; assim, a humanidade, por Jesus, -já voltou ao paraíso-, que havia perdido pelo pecado. Desta forma São Paulo nos exorta a vivermos cientes de que a nossa vida -está escondida com Cristo em Deus-: -Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele na glória- (Cl 3,1s) São Leão Magno(†431) dizia que: “Onde a Cabeça está, aí devem estar também os membros do corpo”.
A Igreja tem plena consciência de que a sua glória está assegurada no céu, já que a -Cabeça- já está -sentada à direita do Pai-. Na missa da festa da Ascensão do Senhor, rezamos: - Ó Deus todo poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu Corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória-. É nesta esperança que vive a Igreja: -No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!-(Jo16,33). Sabemos, como nos ensina São Paulo na carta aos tessalonicenses, que a Igreja passará pela terrível “provação final”, que será também o momento de dar ao Senhor a prova maior do seu amor, e que será também a sua maior purificação. Após isto será consumada na sua glória. Então, “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28). Estará então restabelecida a “Família de Deus”, que no Paraíso foi dispersa pelo pecado. Novamente Deus viverá no “jardim” celeste com o homem (Gen 2,5-8), com toda a intimidade e comunhão desejadas desde o princípio. A harmonia que o pecado rompeu será restabelecida plenamente. É a imagem maravilhosa que o Profeta nos dá do Reino do Messias, onde só haverá paz: “Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto a toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu monte santo, porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar” (Is 11, 6-9). Sobre a “última provação” que a Igreja deverá enfrentar, fala o Catecismo da Igreja : “Antes do Advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (cf Lc 18,8; Mt 24,12).
A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (cf Lc 21,12; Jo 15, 19-20) desvendará o “mistério da iniquidade” sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne (cf 2 Tes 2,4-12; 1 Ts 5,2-3; 2 Jo7; 1 Jo 2,18-22) (CIC, 675). O Catecismo explica que a grande impostura religiosa anticrística será uma falsificação do Reino de Deus, a ser implantado na terra, pelo próprio homem, sem a necessidade de Deus. É o ateísmo sistemático - já denunciado no santo Concílio Vaticano II (GS 20,21) - que leva o homem a se rebelar “contra qualquer dependência de Deus”. “Aqueles que professam tal ateísmo - disse o Concílio - sustentam que a liberdade consiste em o homem ser o seu próprio fim e o único artífice e demiurgo [ criador] de sua própria história. E pretendem que esta posição não pode harmonizar-se com o reconhecimento do Senhor ...” (GS, 20). A Igreja sabe que só entrará na glória do Reino passando por uma “Paixão” semelhante a do seu Senhor.
O Catecismo afirma que: “O Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal (cf Ap 20,7-10), que fará a sua Esposa descer do Céu (Ap 21,2-4). Então, finalmente, “haverá um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1) e se realizará o que está escrito: “Eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele enxugará toda a lágrima dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim ! As coisas antigas se foram ! (Ap 21,3-4).
DO Livro: -A MINHA IGREJA- DO Prof. Felipe de Aquino

Parusia - A Segunda Vinda de Cristo



Papa João Paulo II
“Não devemos esquecer que o “éschaton”, isto é, o evento final, entendido de maneira cristã, não é só uma meta posta no futuro mas uma realidade já iniciada com a vinda histórica de Cristo... Sabemos, por outro lado, que as imagens apocalípticas do discurso escatológico [de Jesus, Mt 26, 64] a propósito do fim de todas as coisas, devem ser interpretadas na sua intensidade simbólica. Elas exprimem a precariedade do mundo e o soberano poder de Cristo, em cujas mãos está posto o destino da humanidade. A história caminha rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo. Cristo só nos assegurou que o fim não acontecerá antes que a Sua obra salvífica tenha alcançado uma dimensão universal através do anúncio do Evangelho:
“Esta Boa Nova do Reino será proclamada em todo o mundo para dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim” (Mt 24,14). Jesus diz estas palavras aos discípulos preocupados por conhecer a data do fim do mundo. Eles teriam sido tentados a pensar numa data próxima. Jesus faz com que conheçam que muitos eventos e cataclismos devem acontecer antes e serão apenas “o princípio das dores” (Mc 13, 8). Portanto, como diz Paulo, toda a criação “geme e sofre nas dores do parto” aguardando com impaciência a revelação dos filhos de Deus (cf.Rom 8,19´20). A obra evangelizadora do mundo comporta a profunda transformação das pessoas humanas sob a influência da graça de Cristo. Paulo indicou a finalidade da história no desígnio do Pai de “reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no Céu e na Terra” (Ef 1, 10). Cristo é o centro do universo que atrai todos a Si para lhes comunicar a abundância da graça e da vida eterna. A Jesus o Pai deu “o poder de julgar porque é o Filho do Homem” (Jo 5, 27).
Se o juízo prevê obviamente a possibilidade da condenação, ele contudo é confiado Àquele que é “Filho do Homem”, isto é, a uma pessoa plena de compreensão e solidária com a condição humana. Cristo é um juíz divino com um coração humano, um juíz que deseja dar a vida. Só o enraizamento obstinado no mal pode impedir´lhe fazer este dom, pelo qual Ele não hesitou enfrentar a morte.”
(L’Osservatore Romano, n.17 ´ 25/4/1998)


sábado, 10 de dezembro de 2011

10 de Dezembro - Dia Mundial dos Direitos Humanos


 

Dia dos Direitos Humanos: justiça, dignidade e igualdade

Nova York (RV) - As Nações Unidas celebram, neste sábado, o Dia Internacional dos Direitos Humanos.


Numa mensagem, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, ressalta que "os direitos humanos pertencem a cada um de nós sem exceção, mas se não os conhecemos, se não pretendemos que sejam respeitados e não defendemos o nosso direito e os dos outros, permanecerão somente palavras vazias num documento escrito décadas atrás".


Segundo Ban, a importância dos direitos humanos foi muitas vezes enfatizada este ano. "Em todo o mundo, as pessoas se mobilizaram pedindo justiça, dignidade, igualdade e plena participação, direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Muitos desses ativistas continuaram fazendo manifestações pacíficas, apesar de terem sido várias vezes objeto de repressão violenta" – ressalta ele.


O Secretário-Geral da ONU ressalta que em alguns países, a luta continua e em outros foram obtidos importantes concessões ou a queda de regimes autoritários. Hoje, observando o respeito dos direitos de liberdade, reunião e expressão, os Governos não podem sufocar o debate público e eventuais críticas, bloqueando o acesso à internet e aos vários meios de comunicação social.


Segundo Ban Ki-moon, este ano foi extraordinário para os direitos humanos, pois foram alcançados novos processos de democratização, progressos na responsabilidade por crimes de guerra e contra a humanidade e atingiu-se uma nova e maior consciência dos direitos humanos.


"Tendo em vista os novos desafios que nos esperam, sigamos o exemplo dos ativistas de direitos humanos, deixemo-nos guiar pelo caráter forte e sempre atual da Declaração Universal e façamos todo o possível para que sejam acolhidos e reconhecidos os ideais e aspirações em favor de cada cultura e de cada pessoa" – conclui a mensagem. (MJ)

Celebra-se hoje, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, sob lema, “Dignidade e Justiça para todos”. Comemorar esta data tão transcendental na história da humanidade, na luta pela conquista da liberdade e felicidade para todos os homens e mulheres, é antes de mais, evocar uma longa caminhada histórica, de muitos séculos, plena de dificuldades e obstáculos, de incompreensão, lutas e resistências. Trata-se de um combate que vem de longe, que hoje prossegue em novas circunstâncias, e que porventura, terá de prosseguir sempre, uma vez que os direitos fundamentais terão de constituir uma conquista permanente, alargada e quotidiana de todos os homens.
Continua a estar bem presente na memória colectiva da humanidade, os sangrentos resultados do totalitarismo e da tirania que conduziram à segunda guerra mundial, e a quase destruição de tantos povos e países. As Nações Unidas ergueram-se com uma esperança de convivência internacional e de paz, afirmando-se em 1948, no dia 10 de Dezembro, a universalidade dessa luta pelos direitos do Homem e a necessidade de a fundamentar na solidariedade essencial de todos os seres humanos. Esse foi o grande passo dado então, que hoje nos cumpre celebrar, compreender e aprofundar.
A Guiné-Bissau, figura na lista dos países que proclamaram a sua fé aos direitos fundamentais do homem, ao subscrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como algumas convenções e tratados sobre os direitos humanos. O estado guineense, expressa a sua total fidelidade aos ideais da paz, democracia e das liberdades fundamentais universalmente consagrados.
A expressão desta vontade devia ser traduzida em acções que favoreçam a igualdade dos direitos e de oportunidades, visando o desenvolvimento e o progresso sociais. Infelizmente estas comemorações acontecem numa altura em que o país atravessa uma crise sem precedentes continuando na cauda do relatório do índice do desenvolvimento humano publicado pelo Sistema das Nações Unidas, resultado da corrupção, do clientelismo político, das guerras fratricidas, da violação dos direitos humanos, enfim da má governação.
Paradoxalmente na Guiné-Bissau, a prioridade continua a ser o sector de defesa e segurança, contrariando as declarações do Primeiro-ministro aquando da tomada de posse do actual executivo. Assim dificilmente o país poderá atingir os objectivos do milénio, quando os sectores da Educação, Saúde e das Infra-estruturas são remetidos para segundo plano.
Urge uma tomada de medidas para inverter o rumo das coisas, por isso a Liga, aproveita esta ocasião para convidar todos os guineenses, sem excepção, a unirem-se em torno dos grandes desígnios nacionais, nomeadamente: a reconciliação, a luta pelo desenvolvimento, a solidariedade, a tolerância, a liberdade, a justiça, a convivência pacifica etc.. Aproveita-se ainda esta oportunidade para felicitar a todos os activistas dos direitos humanos que labutam incansavelmente e em condições de alto risco, a favor de uma Guiné-Bissau mais cívica e respeitadora dos direitos humanos, sem no entanto descurar aqueles defensores que labutam na clandestinidade, nomeadamente jornalistas, sindicalistas, médicos e enfermeiros, encorajando-os a prosseguirem com as suas acções.
Oxalá que, nas próximas celebrações do dia Internacional dos Direitos Humanos, haja vontade e coragem política para reajustar os salários dos médicos, engenheiros, docentes etc... dos coronéis, brigadeiros  etc.. quando isso acontecer  estaremos em condições  de dizer que o Know How e saber cientifico são respeitados tal como previsto no sonho de Amílcar Cabral para esta fase de luta.  
Para terminar, às organizações da sociedade civil em particular o Movimento Nacional da Sociedade Civil para A Paz Democracia e Desenvolvimento, vai a nossa inequívoca e incondicional solidariedade nessa luta, para a defesa da causa da democracia e do Estado de direito.

Bissau, 10 de Dezembro de 2007














A ti Caminhante, de um saber antigo.





1.    Hoje começo uma nova vida.
2.    Saldarei este dia com amor em meu coração.
3.    Persistirei até alcançar o êxito.
4.    Sou o maior milagre da natureza.
5.    Viverei este dia como se fosse o ultimo dia da minha   
      vida.
6.    Hoje serei dono de minhas emoções;
   Se me sinto deprimido cantarei;
   Se me sinto triste rirei;
   Se me sinto enfermo, redobrarei meu trabalho;
   Se sinto medo, me lançarei a diante;
   Se me sinto pobre, vestirei roupas novas;
   Se se apodera de mim a confiança excessiva,   
   lembrarei de meus fracassos.

7.    Vou rir do mundo. Enquanto possa rir não serei pobre.
8.    Hoje multiplicarei meu valor em cem por cento.
9.    Agirei agora mesmo. Se não agir, se não atuar, 
      perecerei.
   10. De agora em diante, rezarei. Nunca rezarei pedindo 
         coisas materiais. Rezarei para que Deus me mostre o 
          caminho.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amem a este extraordinário Santo – São Serafim Serov de doce candura


 
Bispo Alexander (Mileant)
Traduzido por Olga Dandolo / Matushka Claudia Oliveira

 

Conteúdo





São Serafim (no mundo como: Prohor Mochnin) nasceu em 1759 na cidade de Kursk, em uma família comerciante. Aos 10 anos de idade ele ficou seriamente enfermo. Durante sua doença ele viu em sonho a Mãe de Deus, a Qual prometeu curá-lo. Alguns dias depois acontecia uma procissão em Kursk com o ícone de veneração local e milagroso da Virgem, Mãe de Deus . Devido ao mau tempo a procissão seguiu um caminho mais curto que passava diante da casa dos Mochnin. Depois que a mãe trouxe Serafim para junto da imagem milagrosa ele recuperou-se rapidamente. Na adolescência ele precisava ajudar seus pais na loja da família, porém o comércio pouco o atraía. O jovem Serafim gostava de ler a vida dos santos, freqüentar a Igreja e se isolar para rezar.
Aos 18 anos de idade Serafim decidiu firmemente tornar-se monge. Sua mãe o abençoou com um grande crucifixo de cobre, o qual ele usou durante toda a vida, por cima de suas vestes. Em seguida ele entrou para o mosteiro de Sarov como noviço.
Desde o primeiro dia no mosteiro, a abstinência excepcional de alimentos e sono tornou-se particularidade característica de sua vida. Ele se alimentava apenas uma vez ao dia, e assim mesmo de muito pouco. Às quartas e sextas-feiras não comia nada. Após pedir a benção de seu "staretz" (superior espiritual), ele passou a se embrenhar na floresta com freqüência para oração e meditação religiosa. Daí a pouco tempo ele adoeceu gravemente, e durante três anos foi forçado a ficar acamado a maior parte do tempo.
E mais uma vez ele foi curado pela Santíssima Virgem Maria. Ela apareceu para ele acompanhada por vários santos. Apontando para o venerável Serafim, a Virgem Santíssima falou ao apóstolo João o Teólogo:"Este é da nossa linhagem." Depois, tocando seu flanco com o bastão, Ela o curou.
A tonsura monástica realizou-se em 1786 (quando ele tinha 27 anos). Deram-lhe o nome de Serafim, o que em hebraico significa "ardente, ígneo." Logo ele foi feito hierodiácono. Ele justificava seu nome através do ardor extraordinário da oração. Todo o tempo, exceto um breve descanso, ele passava na Igreja. Através dessa oração e dos serviços religiosos, São Serafim foi digno de poder ver anjos servindo e cantando na Igreja. Durante a liturgia da quinta-feira Santa ele viu o próprio Senhor Jesus Cristo na forma do Filho do Homem, seguindo para a Igreja junto com uma legião celestial e abençoando a todos que rezavam. Assombrado com esta visão o Santo não conseguiu falar por um longo tempo.
Em 1793 São Serafim foi ordenado hieromonge, após o que durante um ano ele oficiou e tomou a Santa Comunhão todos os dias. Após esse tempo, São Serafim começou a retirar-se para sua "ermida distante" - uma floresta afastada cinco quilômetros do Mosteiro de Sarov. Grande foi a perfeição alcançada por ele nesse tempo. Animais selvagens como ursos, coelhos, lobos, raposas e outros - se aproximavam da cabana do asceta. A "staritza" do mosteiro de Diveevo, Matrona Plescheiva, viu pessoalmente São Serafim dando de comer de suas mãos a um urso que veio até ele. "O rosto dele me pareceu excepcionalmente maravilhoso; estava radiante e iluminado, como o de um anjo," - ela descrevia. Enquanto vivia em sua ermida, certa vez São Serafim sofreu muito nas mãos de bandidos. Sendo muito forte fisicamente e estando de posse de um machado, São Serafim não opôs resistência a eles. Em resposta às ameaças e as exigências de dinheiro, ele colocou o machado no chão, cruzou os braços sobre o peito e obedientemente se rendeu a eles. Eles começaram a golpeá-lo na cabeça com o cabo do seu próprio machado. O sangue começou a escorrer de sua boca e ouvidos, e ele caiu sem sentidos. Depois disto eles começaram a bater nele com um pedaço de madeira tosca, davam pontapés e o arrastavam pelo chão. Eles pararam de golpeá-lo somente quando pensaram que ele havia morrido. O único tesouro que os bandidos acharam em sua cela foi o ícone do Enternecimento da Mãe de Deus, diante do qual ele sempre orava. Quando, após algum tempo, os bandidos foram capturados e julgados, o Santo monge tomou a defesa deles diante do juiz. Após as agressões físicas dos bandidos, São Serafim ficou encurvado pelo resto da vida.
Logo depois disso começa o período "pilar" da vida de São Serafim, quando ele passava os dias sobre uma pedra próxima à sua "ermida," e as noites - na espessura da floresta. Quase sem intervalos, ele orava com os braços erguidos para o céu. Essa façanha dele continuou por mil dias.
Por causa da visão especial da Mãe de Deus, ao final de sua vida São Serafim tomou para si a incumbência de tornar-se um "staretz" (ancião). Ele começou a receber todos que vinham procurá-lo atrás de um conselho ou orientação. Muitos milhares de pessoas, de todo tipo de vida e condição, começaram a visitar Serafim, o qual as enriquecia do seu tesouro espiritual adquirido por ele pelos feitos (ou atos) de muitos anos. Todos o viam como uma pessoa dócil, alegre, meditativamente cordial. Ele saudava os que chegavam com as palavras: "Minha alegria"! A muitos ele aconselhava: "Adquire a paz de espírito e milhares se salvarão a teu redor." Não importa quem viesse até ele, ele se inclinava diante de todos até o chão e os abençoava, beijando-lhes as mãos. Ele não necessitava de que os visitantes lhes contassem a seu respeito, pois sabia de antemão aquilo que cada um tinha na alma. Ele dizia ainda: "Alegria - não é pecado. Ela afasta o cansaço, pois, do cansaço surge o desânimo, e não há nada pior do que isto."
"Ah, se você soubesse, - dizia ele certa vez a um monge, - que alegria, que doçura aguardam a alma do justo no Céu, você decidiria suportar com gratidão qualquer tristeza, aflição, perseguição e calúnia nesta vida passageira. Se esta nossa própria cela estivesse cheia de vermes, e se esses vermes estivessem comendo nossa carne no decorrer de toda nossa vida na terra, deveríamos concordar com isso, com todas as nossas forças, afim de não perdermos de forma alguma a alegria celestial que Deus preparou para aqueles que O amam.
Um acontecimento milagroso da transfiguração da face do santo foi descrito por um admirador próximo e discípulo de São Serafim - Motovilov. Aconteceu no inverno, num dia nublado. Motovilov estava sentado sobre um tronco na floresta. São Serafim estava acocorado diante dele falando sobre o sentido da vida cristã, explicando, por que motivo nós, cristãos, vivemos na terra.
"É preciso que o Espírito Santo penetre em nosso coração, - dizia ele. - Tudo aquilo de bom que nós fazemos por Cristo, nos é dado pelo Espírito Santo, porém mais do que tudo a oração, a qual está sempre em nossas mãos."
"Batiushka"(padre) - respondeu Motovilov, - como é que eu posso ver a graça do Espírito Santo; como posso saber se Ele está comigo ou não?"
São Serafim começou a dar-lhe exemplos da vida dos santos e apóstolos, porém Motovilov ainda não entendeu. O santo então tomou-o com firmeza pelo ombro e disse: "nós dois agora, meu caro, estamos no Espírito Santo. Foi como se os olhos de Motovilov se abrissem, e ele viu que o rosto do santo brilhava mais do que o sol. Em seu coração Motovilov sentiu alegria e paz, seu corpo estava cálido, como no verão e ao redor deles se espalhava uma doce fragrância. Ele se apavorou com esta mudança extraordinária, principalmente com o fato de que o rosto do staretz resplandecia igual ao sol. Mas São Serafim disse-lhe: "Não tenha medo, meu caro. Você nem poderia estar me vendo se você mesmo não estivesse na plenitude do Espírito Santo. Agradeça ao Senhor por Sua misericórdia para conosco." Foi assim que Motovilov compreendeu, na mente e no coração o que significava a descida do Espírito Santo e Sua transfiguração no homem.
Os dias das comemorações de São Serafim são: 1o de agosto e 15 de janeiro (19 de julho e 2 de janeiro pelo calendário da Igreja).

Tropário de São Serafim, Tom 4: Tu amaste a Cristo desde a tua juventude, Ó Bendito, e desejando somente a Ele servir, no deserto tu lutastes com trabalho e oração constantes. Com coração penitente e grande amor a Cristo, tu foste escolhido como favorito pela Theotokos. Por este motivo nós clamamos a ti: salva-nos com tuas preces, Ó Serafim nosso bondoso pai.

Kondákion de São Serafim, Tom 2: Tendo deixado a beleza da terra e o que há de corrupto nela, Ó santo, tu te estabeleceste no Mosteiro de Sarov, e ali viveste uma vida angélica, fostes para muitos o caminho para a salvação. Por isto Cristo te glorificou, Ó Pai Serafim, e te enriqueceu com o dom da cura e milagres. E então nós clamamos a ti: Alegra-te, Ó Serafim, nosso bondoso pai.




Deus é fogo, aquecendo e inflamando os corações e as entranhas. Assim, se sentirmos frio no coração, o qual provém do demônio (pois ele é frio), chamaremos pelo Senhor. Ele vindo, aquecerá nosso coração com amor absoluto não apenas por Ele, mas também ao próximo, e a frieza daquele que despreza o bem será afastada da face do Seu calor.
Onde Deus se encontra, ali não existe o mal. Tudo o que vem de Deus é pacífico, saudável e conduz as pessoas ao julgamento de suas próprias imperfeições e à humildade.
Deus nos mostra Seu amor não apenas quando estamos praticando o bem, mas também quando nós O afrontamos com nossos pecados e O desgostamos. Com quanta resignação Ele suporta nossas transgressões! E quando nos pune, como pune com misericórdia! "Não denomine Deus de justo juiz - diz S. Isaac, - pois seu justo julgamento não é visto em seus negócios. É verdade que Davi O chamava de justiceiro e justo, mas o Filho de Deus nos mostrou que Deus é mais bondoso e misericordioso. Onde está Seu julgamento? Nós éramos pecadores, e ainda assim Cristo morreu por nós"(São Isaac o Sírio, Palavra 90).


Razões da Vinda de Cristo

Cristo veio ao mundo por:
1 O amor de Deus pela raça humana: "De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu Seu Filho Único" (Jo. 3:16).
2 A restauração da imagem e semelhança de Deus no homem decaído.
3 A salvação das almas humanas: "Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo mas para que o mundo seja salvo por Ele" (Jo. 3:17).
Assim sendo, nós, seguindo os objetivos do nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, devemos levar nossa vida de acordo com Seus ensinamentos Divinos, para podermos salvar nossas almas através desses ensinamentos.



A fé, de acordo com os ensinamentos de São Antioch, é o início da nossa união com Deus: o verdadeiro crente é a rocha do templo de Deus, preparado para a edificação de Deus Pai, elevado às alturas pelo poder de Jesus Cristo, ou seja, através da Cruz e auxílio da graça do Espírito Santo.
"A fé sem obras - é morta" (Tiago 2:26). As obras da fé são: amor, paz, resignação, caridade, humildade, carregar nossa cruz e nossa vida pelo espírito. A verdadeira fé não pode permanecer sem obras. Aquele que crê verdadeiramente, com certeza faz boas ações.



Todos aqueles que têm firme esperança em Deus, elevam-se a Ele e são iluminados pelo esplendor da luz eterna.
Se uma pessoa não tem cuidados supérfluos consigo mesmo por causa de seu amor a Deus e das boas ações, e sabe que Deus tomará conta dela, então esta esperança é verdadeira e sábia. Mas, se uma pessoa coloca toda sua esperança apenas em suas obras, e dirige-se a Deus em oração apenas quando ocorrem desgraças imprevistas, então ela, percebendo que não dispõe dos meios para superar as dificuldades com suas próprias habilidades, começa a ter esperanças na ajuda de Deus, então essa esperança é tumultuada e falsa. A verdadeira esperança procura o Reino Único de Deus e tem certeza de que tudo o que é necessário para sua vida temporária, seguramente lhe será dado. O coração não consegue ter paz enquanto, não adquirir esta esperança. É ela que consegue apaziguá-lo e introduzir nele a alegria. Os santíssimos lábios do Senhor falaram a respeito dessa esperança: "Vinde a Mim vós todos que estais aflitos sob o fardo, e Eu vos aliviarei" (Mat. 11:28).



Aquele que alcança o perfeito amor a Deus, passa por esta vida como se não tivesse existido. Ele se considera um estranho a tudo aquilo que é visível, aguardando pacientemente o invisível. Ele se transforma completamente pelo amor a Deus e abandona todo apego mundano.
Aquele que ama verdadeiramente a Deus se considera um peregrino e recém-chegado à terra; pois, nele existe a aspiração para Deus, e considera somente a Ele, com a alma e a mente.
Cuidados com a alma. O homem, em seu corpo, é semelhante a uma vela acesa. A vela deve se consumir pelo fogo, e o homem deve morrer. Mas como nossa alma é imortal, nossos cuidados devem ser mais relacionados à alma do que ao corpo: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mat. 16:26); pela qual, como é conhecido, nada no mundo pode servir como resgate? Se a alma por si mesma é mais preciosa do que o mundo inteiro e o reino mundano, então o Reino do Céu é incomparavelmente mais precioso. Nós consideramos a alma como a maior preciosidade pois que Deus não desejava unir Sua essência espiritual a qualquer criação visível além do homem, a quem Ele ama mais do que todas Suas criações, conforme diz Macarius o Grande.



Devemos tratar o próximo com carinho, não demonstrando nem mesmo um pingo de agressividade. Quando nos desviamos de uma pessoa ou ofendemos alguém, é como se uma pedra se instalasse em nosso coração. O espírito perturbado ou desanimado de uma pessoa deve ser animado com palavras de amor.
Quando você vê um irmão cometendo pecado, cubra-o, conforme aconselha São Isaac o Sírio: "Estenda sua vestimenta sobre o pecador e cubra-o."
Em nossos relacionamentos com o próximo, devemos ser igualmente puros na palavra assim como no pensamento; caso contrário faremos nossa vida inútil. Devemos amar nosso próximo como amamos a nós mesmos, de acordo com os mandamentos do Senhor: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Luc. 10:27). Porém não tanto que nosso amor ao próximo, ultrapassando os limites da moderação, nos desvie do cumprimento do primeiro e mais importante mandamento do amor a Deus, como nosso Senhor Jesus Cristo ensina: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim" (Mat. 10:37).



É necessário ser caridoso com os pobres e errantes. Os grandes iluminados e os Padres da Igreja se preocupavam muito com isto. Em relação a esta virtude devemos nos esforçar por todos os meios disponíveis para cumprir os seguintes mandamentos de Deus: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso"e "Eu quero misericórdia e não o sacrifício" (Luc. 6:36; Mat. 9:13). Estas palavras de salvação os sábios observam e os insensatos não. Por esta razão a recompensa não será igual, conforme está dito: "Aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará" (2 Cor. 9:6).
O exemplo de Pedro Doador-de-pão, o qual por um pedaço de pão dado a um mendigo, recebeu o perdão de todos seus pecados (conforme lhe foi revelado em uma visão), nos estimula a sermos caridosos com o próximo, - mesmo uma pequena esmola contribui muito para a obtenção do Reino Celestial.
A esmola deve ser dada com o espírito benevolente, de acordo com os ensinamentos de S. Isaac, o Sírio: "Se você dá qualquer coisa a quem pede, que a alegria de seu rosto preceda sua esmola, e com palavras carinhosas console a aflição dele."


Não é correto julgar ninguém. Mesmo que você tenha visto, com seus próprios olhos, alguém pecando e se enlameando, violando os mandamentos de Deus, conforme está escrito na palavra de Deus: "Não julgueis, e não sereis julgados" (Mat.7:1). "Quem és tu, para julgares o servo de outros? Que esteja firme ou caia, isto é lá com o seu Senhor. Mas ele estará firme, porque poderoso é Deus para o sustentar" (Rom. 14:4). É muito melhor trazer à sua mente as palavras dos apóstolos: "Portanto, quem pensa estar de pé, veja que não caia" (1 Cor. 10:12).
Não devemos alimentar rancor ou ódio pela pessoa que nos hostiliza. Pelo contrário, devemos amá-la, e fazer o bem a esta pessoa, tanto quanto possível seguindo os ensinamentos do nosso Senhor Jesus Cristo: "Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam" (Mat. 5:44). Assim sendo, se nós nos esforçarmos, na dimensão de nossas forças, em cumprir tudo isso, poderemos ter a esperança de que a luz Divina começará a brilhar em nossos corações, iluminando nosso caminho para a Jerusalém celeste.
Por que criticamos nosso próximo? Criticamos porque não nos empenhamos em conhecer a nós mesmos. Aquele que está ocupado em conhecer a si próprio, não tem tempo para perceber as falhas dos outros. Julgue a si próprio e com isto você deixará de criticar os outros. Julgue a má ação, mas não julgue quem a estiver fazendo. Devemos considerar a nós mesmos os maiores pecadores e perdoar qualquer má ação dos outros; devemos odiar apenas o demônio, que os seduziu. Pode acontecer de alguém estar fazendo o que para nós parece mal, mas que por causa de suas boas intenções, é na realidade uma boa ação. Além disso a porta do arrependimento está aberta para todos, e não se sabe quem irá passar por ela primeiro - você, o juiz, ou aquele que foi julgado por você.



Aquele que deseja ser salvo deve sempre ter o coração inclinado para o arrependimento e a penitência. "Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sal. 51:17). Com este espírito contrito a pessoa pode evitar, sem nenhum transtorno, todas as artimanhas do demônio, cujos esforços são todos direcionados para perturbar o espírito da pessoa, e na perturbação, semear suas taras (joio) conforme as palavras do Evangelho: "Senhor, não semeaste bom trigo em Teu campo? Donde vem, pois, o joio? Disse-lhe Ele: foi um inimigo que fez isto" (Mat. 13:27-28). Mas quando uma pessoa se esforça para ter um coração humilde e conservar a paz em seus pensamentos, então todas as artimanhas do inimigo tornam-se insignificantes; pois, onde há paz de pensamentos, ali reside Deus: "Conhecido é Deus em Judá; grande é o seu nome em Israel. E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada, em Sião." (Sal. 76:1-2).
Nós ofendemos a magnitude de Deus com nossos pecados durante a vida inteira. Por esta razão devemos sempre pedir perdão ao Senhor por nossos pecados, com humildade.


O líder da maior das façanhas (a salvação do gênero humano) nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, antes de realizá-la fortaleceu-Se através do jejum prolongado. E todos os ascetas que se preparavam para o trabalho do Senhor, armavam-se com jejum, caso contrário, não ingressavam no caminho da Cruz. Eles mediam o êxito de seu ascetismo pelo sucesso no seu jejum.
Apesar do jejum e, para espanto de todos, os santos Padres não conheciam a debilidade e estavam sempre animados, vigorosos e prontos para o trabalho. As enfermidades entre eles eram raras e suas vidas eram extraordinariamente prolongadas.
Durante o tempo em que o corpo daquele que jejua torna-se delgado e leve, sua vida espiritual atinge a perfeição e se revela através de manifestações miraculosas. O espírito então executa suas ações como se fosse em um corpo sem matéria. É como se os sentimentos externos se fechassem e a mente, destituindo-se do mundano, eleva-se ao céu e imerge por completo na contemplação do mundo espiritual. Entretanto nem todos conseguem colocar sobre si uma regra enérgica de abstinência e de privação de tudo aquilo que pode servir para aliviar as fraquezas. "Quem puder compreender, compreenda" (Mat. 19:12).
Devemos ingerir diariamente alimentos suficientes para fortalecer o corpo, para que o mesmo estando fortificado, seja amigo e auxiliar da alma na realização das virtudes: caso contrário poderá acontecer que, através do enfraquecimento do corpo a alma também enfraqueça. Às quartas e sextas-feiras, principalmente nos quatro períodos de jejum, seguindo o exemplo dos Padres devemos nos alimentar apenas uma vez no dia, - e o Anjo do Senhor se afixará em você.



É necessário sempre ser paciente e aceitar tudo que acontecer, seja o que for, com gratidão por amor a Deus. Nossa vida - é apenas um minuto comparada à eternidade. E por esta razão "Os sofrimentos da presente vida não tem proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada" (Rom. 8:18).
Suporte em silêncio quando seu inimigo insultar você e então abra seu coração somente para o Senhor. Tente de todas as maneiras possíveis perdoar àqueles que o humilham ou desonram, pelas palavras do Evangelho: "Ao que tomar o que é teu, não lho reclames" (Luc. 6:30).
Quando as pessoas nos injuriarem, devemos nos considerar indignos de elogios, imaginando que se fossemos dignos todos estariam nos reverenciando. Devemos sempre e diante de todos nos humilhar, seguindo os ensinamentos de São Isaac o Sírio: "Humilha-te e verás a graça de Deus dentro de ti."

O corpo é o escravo da alma, e a alma - sua rainha. Por esta razão, com freqüência acontece que, pela misericórdia de Deus nosso corpo fica debilitado pelas doenças. Por causa destas doenças nossas paixões enfraquecem e a pessoa cai em si. Além disso, às vezes a enfermidade do corpo nasce das paixões. Aquele que suporta a doença com resignação e gratidão, essa doença é considerada como uma proeza, ou até mais do que isso.
Um certo ancião que sofria de hidropisia, dizia aos irmãos que vinham até ele com o intento de tratá-lo: "Pais, orem para que meu "eu" interno não se submeta a esta doença. E com referência à atual doença, eu rogo a Deus para que Ele não me liberte subitamente dela, pois, ainda que exteriormente se desconjunte meu homem exterior, meu interior renova-se a cada dia" (2 Cor. 4:16).



A paz espiritual é adquirida através das aflições. As Escrituras dizem: "Passamos pelo fogo e pela água; mas por fim, nos destes alívio" (Sal. 65:12). O caminho daqueles que querem servir a Deus está coberto de muitas aflições. Como é que podemos louvar os santos mártires pelos sofrimentos que suportaram por Deus, quando nós não conseguimos nem ao menos suportar uma simples febre?
Nada contribui tanto para adquirir a paz interior, como o silêncio, e, o quanto for possível, a discussão contínua consigo mesmo, e rara com os outros.
Um indício da vida espiritual é a imersão da pessoa para dentro de si e das obras ocultas em seu coração.
Esta paz, como um tesouro de valor inestimável, foi deixada pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos antes de Sua morte dizendo: "Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz" (Jo. 14:27). Os apóstolos também falavam a esse respeito: "E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus" (Fp. 4:7); "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor" (Heb. 12:14).
Assim sendo, devemos voltar todos nossos pensamentos, desejos e ações em direção ao recebimento da paz de Deus, e sempre clamar juntamente com a Igreja: "Senhor, proporcionai-nos a paz!" (Isa.26:12).
É necessário tentar com todas as forças conservar a paz espiritual e não se exaltar pelas ofensas dos outros. Para isto é preciso se controlar sempre e de todas as maneiras do sentimento de raiva, e através da atenção cuidadosa, proteger o intelecto e o coração das divagações impuras.
As ofensas dos outros devem ser suportadas com indiferença; devemos ir nos habituando para esta predisposição, como se os insultos não fossem dirigidos a nós. Este treinamento poderá proporcionar tranqüilidade ao nosso coração e fazer com que ele seja a morada de Deus.
A imagem desta falta de malícia nós vemos na vida de São Gregório o Milagroso. Uma certa mulher imoral exigiu publicamente uma recompensa dele, por causa de um pecado cometido com ela. Ele por sua vez, sem se irritar com ela, humildemente falou para um amigo: pague logo o preço que ela está exigindo. Na mesma hora em que a mulher recebeu a recompensa injusta, ficou possessa. O bispo então orou e expulsou o demônio de dentro dela.
Caso seja impossível não se perturbar então ao menos é preciso conter a língua, segundo a palavra do Salmista: "Estou perturbado, falta-me a palavra" (Sal. 76:5).
Neste caso podemos tomar o exemplo dos santos Spiridon de Tremifunt e Efrém, o sírio. O primeiro suportou o insulto da seguinte maneira: quando ele entrou em um palácio, por exigência do imperador grego, um dos criados que se encontrava no quarto supondo que ele fosse um mendigo, rindo dele não o deixava entrar no quarto e até deu-lhe um tapa no rosto. São Spiridon, sem nenhum rancor, ofereceu a outra face, de acordo com a palavra do Senhor (Mat. 5:39). O abençoado Efrém, vivendo no deserto, certa vez ficou privado de alimento da seguinte maneira: seu discípulo vinha trazendo a comida e sem querer quebrou a vasilha pelo caminho. O Bem aventurado Efrém vendo o discípulo, disse-lhe: "Não se aflija, irmão. Se a comida não quis vir até nós, então nós iremos até ela." E assim fez o monge: sentou-se diante da vasilha quebrada e , recolhendo a comida, a ingeriu. Ele era tão humilde!
Para conservar a paz espiritual, é necessário afugentar o desânimo e esforçar-se para ter um espírito alegre, conforme a palavra do sábio Sirac: "A tristeza matou a muitos; e não há nela utilidade alguma" (Sir. 30:25).
Para conservar a paz espiritual é necessário também por todos os meios evitar julgar os outros. A condescendência para com o irmão e o silêncio conservam a paz espiritual. Quando uma pessoa se encontra neste estado, ela recebe revelações divinas.
Para não incidir em julgamento ao próximo, é preciso ficar atento, não aceitar informações maldosas e manter-se como morto para tudo.
Para conservar a paz espiritual é necessário mergulhar para dentro de si com mais freqüência e perguntar: Onde estou? Diante disto é preciso observar para que os cinco sentidos, principalmente a visão, sirvam ao ser interno e não distraiam a alma com assuntos mundanos, pois os dons da graça são recebidos apenas por aqueles que trabalham ao seu interior e que cuidam de suas almas.



São Serafim dizia aos alunos que tinham ímpetos de tomar para si incumbências exageradas, que não reclamar e humildemente suportar os insultos - isto são nossos "VERIGUES" (correntes de aço e diversos pesos) e "VLASSIANITZA" (roupa grossa de lã bruta e áspera). Estas coisas eram usadas por alguns ascetas, para oprimir seus corpos.
Não é necessário empreender incumbências além das medidas. Ao invés disso, devemos tentar manter nosso amigo - nosso corpo - fiel e capaz de realizar virtudes. É preciso andar pelo caminho central, não se desviando nem para a direita nem para a esquerda (Prov. 4:27); ao espírito dar o espiritual e ao corpo as coisas necessárias para manter a vida temporária. Não se deve recusar também aquilo que a sociedade legalmente exige de nós, conforme a palavra das Escrituras: "Daí pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mat. 22:21).
Devemos condescender com nossa alma em suas fraquezas e imperfeições como toleramos as dos outros, porém, não nos tornando indolentes e continuamente nos estimularmos para o melhor.
Se você comeu demais ou fez algo mais, relacionado à fraqueza humana, não fique indignado, não acrescente dano ao prejuízo, e sim, com valentia, tentando se corrigir mantenha a paz espiritual, de acordo com a palavra do Apóstolo: "Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." (Rom. 14:22). O mesmo sentido está contido nas palavras do Salvador: "Se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus" (Mat. 18:3).
Todo êxito em qualquer coisa nós devemos atribuir ao Senhor e dizer com o profeta: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome daí glória" (Sal. 113:9).



Continuamente nós devemos proteger nosso coração dos pensamentos impuros e impressões, de acordo com as palavras do autor do livro dos Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida" (Prov. 4:23).
Da extensa proteção do coração nasce a pureza, pela qual é possível vislumbrar o Senhor, pela convicção da Verdade eterna: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus" (Mat. 5:8).
Não devemos revelar sem necessidade o que existe de melhor dentro de nossos corações. Aquilo que foi acumulado só permanecerá a salvo dos inimigos visíveis e invisíveis, quando for mantido como um tesouro nas profundezas do coração. Não abra os segredos de seu coração a todos.



Quando alguém aceita qualquer dádiva Divina, ele se alegra em seu coração, mas quando aceita algo diabólico, fica atormentado.
Tendo aceite a dádiva divina o coração do cristão não exige uma persuasão externa de que a dádiva seja realmente do Senhor; mas ele convence-se, pelo seu próprio ato, de que essa aceitação é algo de divino pois ele sente em si prórpio seus frutos espirituais: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, bravura, temperança" (Gal. 5:22-23). E o diabo, ainda que tenha se transfigurado em Anjo de luz (2 Cor. 11:14) ou representado os mais plausíveis pensamentos, o coração ainda assim irá sentir uma certa confusão, agitação nos pensamentos e confusão de sentimentos.
O diabo, assim como o leão, escondendo-se em sua tocaia (Sal. 9:30) secretamente estende as redes dos pensamentos impuros e profanos. Assim sendo, tão logo os notemos, é necessário imediatamente rompê-los através de reflexões piedosas e de orações.
Exige-se ação e grande vigilância, para que durante o canto dos salmos nossa mente se concilie com o coração e os lábios para que o mau cheiro não se misture ao insenso, pois o Senhor desdenha o coração que possui maus pensamentos.
Vamos nos lançar com lágrimas, dia e noite sem cessar, diante da face da graça do Senhor, e Ele purificará nosso coração de todo mau pensamento, para que possamos trazer-Lhe com dignidade as ofertas de nosso serviço. Quando nós não aceitamos os maus pensamentos, colocados em nós pelo demônio, estamos fazendo uma boa ação.
O espírito mau exerce forte influência apenas nos apaixonados; mas os purificados das paixões são atingidos apenas indiretamente ou externamente. Uma pessoa jovem não consegue não se perturbar pelos pensamentos físicos. Mas esse jovem deve orar ao Senhor Deus, e a centelha dos sentimentos depravados será apagada no início. Então a chama não se tornará mais intensa dentro dele.



A preocupação excessiva com os afazeres mundanos é característica do incrédulo e medroso. E ai de nós, se, em nossos cuidados para conosco nós não usarmos como fundação nossa fé em Deus, que importa-se conosco! Se nós não atribuirmos a Ele as bênçãos visíveis que usufruímos nesta vida, então como podemos esperar Dele aquelas bênçãos prometidas para o futuro? Não sejamos tão descrentes; é melhor procurarmos primeiro o Reino de Deus, e todo restante nos será dado em acréscimo - pela palavra do Salvador (Mat. 6:33).



Quando o espírito mau da tristeza se apossa da alma preenchendo-a com amargura e desgosto, não lhe permite orar com o fervor necessário, atrapalha a atenção necessária para a leitura espiritual, priva-a da humildade e benignidade no tratamento com o próximo e faz nascer aversão a qualquer conversação. A alma repleta de tristeza, tornando-se como que insensata e frenética, não consegue aceitar com tranqüilidade um bom conselho e nem responder com doçura as perguntas. Ela foge das pessoas como se fugisse dos culpados de seu embaraço, não compreendendo que a causa de sua enfermidade - está dentro dela. A tristeza é o verme do coração, roendo a mãe que deu-lhe a luz.
Aquele que venceu as paixões, venceu também a tristeza. Mas aquele que foi vencido pelas paixões não escapará das algemas da tristeza. Assim como um enfermo é identificado pela cor de seu rosto, assim também o possuído pela paixão, distingue-se pela tristeza.
Àquele que ama o mundo torna-se impossível não se entristecer. Mas quem menospreza o mundo está sempre alegre. Assim como o fogo purifica o ouro, a tristeza em Deus (penitência) purifica o coração pecador.



O homem é composto de alma e corpo, e por esta razão seu caminho nesta vida deveria ser composto de ações físicas e espirituais - ação e contemplação.
O caminho da vida ativa consiste em: jejum, abstinência, vigília, genuflexão, oração e outros atos físicos, compondo o caminho estreito e difícil o qual, pela palavra de Deus, conduz à vida eterna (Mat. 7:14).
A vida contemplativa consiste na precipitação da mente para o Senhor Deus, na atenção do coração, na oração concentrada e na contemplação de questões espirituais através de tais exercícios.
Qualquer um que deseja levar um modo espiritual de vida, deve começar com a vida ativa, e depois então com a contemplativa, pois sem a vida ativa é impossível levar a contemplativa.
Uma vida ativa serve para nos purificar das paixões pecaminosas e nos eleva a um grau de perfeição ativa; ao mesmo tempo limpa nosso caminho para uma vida contemplativa. Pois apenas aqueles purificados das paixões e os perfeitos conseguem aproximar-se daquela outra vida, conforme pode-se observar das palavras das Sagradas Escrituras: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus!" (Mat. 5:8). "E das palavras de São Gregório o Teólogo: Apenas aqueles que são perfeitos pela sua experiência podem proceder sem perigo à contemplação."
Se for impossível encontrar um guia espiritual que possa nos dirigir no caminho da vida contemplativa, então devemos nos guiar pelas Escrituras Sagradas, pois o Próprio Senhor nos manda aprender delas dizendo: "Vós perscrutais as Escrituras julgando encontrar nelas a vida eterna" (Jo. 5:39). Não se deve abandonar a vida ativa mesmo quando a pessoa a alcançou a tal ponto que conseguiu a contemplativa, pois a vida ativa contribui com a contemplativa e a eleva.



Para poder adotar e perceber a luz de Cristo no coração, é preciso desviar-se das coisas visíveis, externas tanto quanto possível. Em primeiro lugar, devemos purificar a alma com penitência e boas ações com sincera fé no Crucificado. Depois, fechando os olhos físicos, é necessário imergir a mente no fundo do coração e clamar continuamente pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Aí então, na proporção do fervor e o ardor do espírito ao Amado (Luc. 3:22), a pessoa ao chamar este nome encontra deleite, o qual estimula a sede pela luz maior.
Quando a pessoa contempla internamente a luz eterna, aí então sua mente fica limpa e livre de qualquer representação sensorial. Então, estando completamente imerso na contemplação da beleza inconcebível, ele se esquece de todo o sensorial, não quer nem mesmo ver a si próprio, porém, deseja se ocultar no coração do universo, apenas para não ser privado deste bem verdadeiro - Deus.



(da conversação com Motovilov)
O verdadeiro objetivo de nossa vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus. O jejum, a vigília, a oração, as esmolas e todas outras boas ações realizadas por Cristo - são os meios de que dispomos para alcançar o Espírito Santo de Deus. Somente as ações feitas por Cristo nos trazem os frutos do Espírito Santo.
Algumas pessoas dizem que, devemos entender a falta de óleo nas lanternas das virgens loucas como falta de boas ações (veja a parábola das Dez virgens em Mat. 25:1-12). Este entendimento não é inteiramente correto. O que é que falta nas boas ações delas, quando, embora tolas, elas ainda são chamadas de virgens? Pois a virgindade é uma grande virtude semelhante ao estado dos anjos, e poderia servir por si mesma no lugar de outras virtudes. Eu, pobre miserável, penso que elas justamente não tiveram a graça suficiente do Espírito Todo Santo de Deus. Realizando boas ações, essas virgens supunham, por sua insensatez, que para ser cristão é necessário apenas ser virtuoso. "Praticamos uma boa ação e com isto executamos a vontade de Deus"; se com isso, elas teriam recebido ou alcançado a graça do Espírito de Deus, nem se preocuparam em descobrir... Porém essa aquisição do Espírito Santo, é de fato aquele óleo, que faltava às virgens insensatas. É por esta razão que elas são chamadas de tolas (ou loucas), por terem se esquecido sobre o fruto indispensável da virtude - a graça do Espírito Santo - sem o qual não existe salvação para ninguém, pois, "através do Espírito Santo toda alma é vivificada e por sua purificação se eleva, se ilumina pela Unidade Triúnica, num mistério sagrado." O próprio Espírito Santo se aloja em nossa alma, e esta ocupação de nossas almas por Ele, o Todo Poderoso e a coexistência de Sua Trindade Una com nosso espírito é dada somente através do fortalecimento, de nossa parte, do Espírito Santo, o qual prepara em nossa alma e corpo o trono para a coexistência de Deus, o Criador de todas as coisas com nosso espírito, pela palavra irrevogável de Deus: "Andarei entre vós: serei o vosso Deus e vós sereis o Meu povo" (Lev. 26:12).
É este o tal óleo das lanternas das virgens sábias, as quais ardiam com brilho e constância, e essas virgens com suas lanternas acesas podiam esperar pelo Noivo vindo à meia-noite, e entrar com ele na câmara da alegria. Quanto às virgens loucas, vendo que suas lanternas se apagavam, embora tenham ido ao mercado comprar óleo, não conseguiram retornar a tempo, pois as portas estavam trancadas. O mercado - é a nossa vida; as portas não permitindo a entrada para o Noivo - é a morte humana; as virgens sábias e as loucas - são as almas cristãs; o óleo - não são ações, mas sim a graça recebida através delas do Espírito Santo de Deus, transformando a decadência em incorrupção, a morte da alma em vida espiritual, a escuridão em luz, a manjedoura de nossa existência onde as paixões estão amarradas como o gado e os animais, - no templo de Deus, em câmara iluminada pela alegria eterna em Jesus Cristo.



Folheto Missionário número PA8
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466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011
Redator: Bispo Alexandre Mileant