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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amem a este extraordinário Santo – São Serafim Serov de doce candura


 
Bispo Alexander (Mileant)
Traduzido por Olga Dandolo / Matushka Claudia Oliveira

 

Conteúdo





São Serafim (no mundo como: Prohor Mochnin) nasceu em 1759 na cidade de Kursk, em uma família comerciante. Aos 10 anos de idade ele ficou seriamente enfermo. Durante sua doença ele viu em sonho a Mãe de Deus, a Qual prometeu curá-lo. Alguns dias depois acontecia uma procissão em Kursk com o ícone de veneração local e milagroso da Virgem, Mãe de Deus . Devido ao mau tempo a procissão seguiu um caminho mais curto que passava diante da casa dos Mochnin. Depois que a mãe trouxe Serafim para junto da imagem milagrosa ele recuperou-se rapidamente. Na adolescência ele precisava ajudar seus pais na loja da família, porém o comércio pouco o atraía. O jovem Serafim gostava de ler a vida dos santos, freqüentar a Igreja e se isolar para rezar.
Aos 18 anos de idade Serafim decidiu firmemente tornar-se monge. Sua mãe o abençoou com um grande crucifixo de cobre, o qual ele usou durante toda a vida, por cima de suas vestes. Em seguida ele entrou para o mosteiro de Sarov como noviço.
Desde o primeiro dia no mosteiro, a abstinência excepcional de alimentos e sono tornou-se particularidade característica de sua vida. Ele se alimentava apenas uma vez ao dia, e assim mesmo de muito pouco. Às quartas e sextas-feiras não comia nada. Após pedir a benção de seu "staretz" (superior espiritual), ele passou a se embrenhar na floresta com freqüência para oração e meditação religiosa. Daí a pouco tempo ele adoeceu gravemente, e durante três anos foi forçado a ficar acamado a maior parte do tempo.
E mais uma vez ele foi curado pela Santíssima Virgem Maria. Ela apareceu para ele acompanhada por vários santos. Apontando para o venerável Serafim, a Virgem Santíssima falou ao apóstolo João o Teólogo:"Este é da nossa linhagem." Depois, tocando seu flanco com o bastão, Ela o curou.
A tonsura monástica realizou-se em 1786 (quando ele tinha 27 anos). Deram-lhe o nome de Serafim, o que em hebraico significa "ardente, ígneo." Logo ele foi feito hierodiácono. Ele justificava seu nome através do ardor extraordinário da oração. Todo o tempo, exceto um breve descanso, ele passava na Igreja. Através dessa oração e dos serviços religiosos, São Serafim foi digno de poder ver anjos servindo e cantando na Igreja. Durante a liturgia da quinta-feira Santa ele viu o próprio Senhor Jesus Cristo na forma do Filho do Homem, seguindo para a Igreja junto com uma legião celestial e abençoando a todos que rezavam. Assombrado com esta visão o Santo não conseguiu falar por um longo tempo.
Em 1793 São Serafim foi ordenado hieromonge, após o que durante um ano ele oficiou e tomou a Santa Comunhão todos os dias. Após esse tempo, São Serafim começou a retirar-se para sua "ermida distante" - uma floresta afastada cinco quilômetros do Mosteiro de Sarov. Grande foi a perfeição alcançada por ele nesse tempo. Animais selvagens como ursos, coelhos, lobos, raposas e outros - se aproximavam da cabana do asceta. A "staritza" do mosteiro de Diveevo, Matrona Plescheiva, viu pessoalmente São Serafim dando de comer de suas mãos a um urso que veio até ele. "O rosto dele me pareceu excepcionalmente maravilhoso; estava radiante e iluminado, como o de um anjo," - ela descrevia. Enquanto vivia em sua ermida, certa vez São Serafim sofreu muito nas mãos de bandidos. Sendo muito forte fisicamente e estando de posse de um machado, São Serafim não opôs resistência a eles. Em resposta às ameaças e as exigências de dinheiro, ele colocou o machado no chão, cruzou os braços sobre o peito e obedientemente se rendeu a eles. Eles começaram a golpeá-lo na cabeça com o cabo do seu próprio machado. O sangue começou a escorrer de sua boca e ouvidos, e ele caiu sem sentidos. Depois disto eles começaram a bater nele com um pedaço de madeira tosca, davam pontapés e o arrastavam pelo chão. Eles pararam de golpeá-lo somente quando pensaram que ele havia morrido. O único tesouro que os bandidos acharam em sua cela foi o ícone do Enternecimento da Mãe de Deus, diante do qual ele sempre orava. Quando, após algum tempo, os bandidos foram capturados e julgados, o Santo monge tomou a defesa deles diante do juiz. Após as agressões físicas dos bandidos, São Serafim ficou encurvado pelo resto da vida.
Logo depois disso começa o período "pilar" da vida de São Serafim, quando ele passava os dias sobre uma pedra próxima à sua "ermida," e as noites - na espessura da floresta. Quase sem intervalos, ele orava com os braços erguidos para o céu. Essa façanha dele continuou por mil dias.
Por causa da visão especial da Mãe de Deus, ao final de sua vida São Serafim tomou para si a incumbência de tornar-se um "staretz" (ancião). Ele começou a receber todos que vinham procurá-lo atrás de um conselho ou orientação. Muitos milhares de pessoas, de todo tipo de vida e condição, começaram a visitar Serafim, o qual as enriquecia do seu tesouro espiritual adquirido por ele pelos feitos (ou atos) de muitos anos. Todos o viam como uma pessoa dócil, alegre, meditativamente cordial. Ele saudava os que chegavam com as palavras: "Minha alegria"! A muitos ele aconselhava: "Adquire a paz de espírito e milhares se salvarão a teu redor." Não importa quem viesse até ele, ele se inclinava diante de todos até o chão e os abençoava, beijando-lhes as mãos. Ele não necessitava de que os visitantes lhes contassem a seu respeito, pois sabia de antemão aquilo que cada um tinha na alma. Ele dizia ainda: "Alegria - não é pecado. Ela afasta o cansaço, pois, do cansaço surge o desânimo, e não há nada pior do que isto."
"Ah, se você soubesse, - dizia ele certa vez a um monge, - que alegria, que doçura aguardam a alma do justo no Céu, você decidiria suportar com gratidão qualquer tristeza, aflição, perseguição e calúnia nesta vida passageira. Se esta nossa própria cela estivesse cheia de vermes, e se esses vermes estivessem comendo nossa carne no decorrer de toda nossa vida na terra, deveríamos concordar com isso, com todas as nossas forças, afim de não perdermos de forma alguma a alegria celestial que Deus preparou para aqueles que O amam.
Um acontecimento milagroso da transfiguração da face do santo foi descrito por um admirador próximo e discípulo de São Serafim - Motovilov. Aconteceu no inverno, num dia nublado. Motovilov estava sentado sobre um tronco na floresta. São Serafim estava acocorado diante dele falando sobre o sentido da vida cristã, explicando, por que motivo nós, cristãos, vivemos na terra.
"É preciso que o Espírito Santo penetre em nosso coração, - dizia ele. - Tudo aquilo de bom que nós fazemos por Cristo, nos é dado pelo Espírito Santo, porém mais do que tudo a oração, a qual está sempre em nossas mãos."
"Batiushka"(padre) - respondeu Motovilov, - como é que eu posso ver a graça do Espírito Santo; como posso saber se Ele está comigo ou não?"
São Serafim começou a dar-lhe exemplos da vida dos santos e apóstolos, porém Motovilov ainda não entendeu. O santo então tomou-o com firmeza pelo ombro e disse: "nós dois agora, meu caro, estamos no Espírito Santo. Foi como se os olhos de Motovilov se abrissem, e ele viu que o rosto do santo brilhava mais do que o sol. Em seu coração Motovilov sentiu alegria e paz, seu corpo estava cálido, como no verão e ao redor deles se espalhava uma doce fragrância. Ele se apavorou com esta mudança extraordinária, principalmente com o fato de que o rosto do staretz resplandecia igual ao sol. Mas São Serafim disse-lhe: "Não tenha medo, meu caro. Você nem poderia estar me vendo se você mesmo não estivesse na plenitude do Espírito Santo. Agradeça ao Senhor por Sua misericórdia para conosco." Foi assim que Motovilov compreendeu, na mente e no coração o que significava a descida do Espírito Santo e Sua transfiguração no homem.
Os dias das comemorações de São Serafim são: 1o de agosto e 15 de janeiro (19 de julho e 2 de janeiro pelo calendário da Igreja).

Tropário de São Serafim, Tom 4: Tu amaste a Cristo desde a tua juventude, Ó Bendito, e desejando somente a Ele servir, no deserto tu lutastes com trabalho e oração constantes. Com coração penitente e grande amor a Cristo, tu foste escolhido como favorito pela Theotokos. Por este motivo nós clamamos a ti: salva-nos com tuas preces, Ó Serafim nosso bondoso pai.

Kondákion de São Serafim, Tom 2: Tendo deixado a beleza da terra e o que há de corrupto nela, Ó santo, tu te estabeleceste no Mosteiro de Sarov, e ali viveste uma vida angélica, fostes para muitos o caminho para a salvação. Por isto Cristo te glorificou, Ó Pai Serafim, e te enriqueceu com o dom da cura e milagres. E então nós clamamos a ti: Alegra-te, Ó Serafim, nosso bondoso pai.




Deus é fogo, aquecendo e inflamando os corações e as entranhas. Assim, se sentirmos frio no coração, o qual provém do demônio (pois ele é frio), chamaremos pelo Senhor. Ele vindo, aquecerá nosso coração com amor absoluto não apenas por Ele, mas também ao próximo, e a frieza daquele que despreza o bem será afastada da face do Seu calor.
Onde Deus se encontra, ali não existe o mal. Tudo o que vem de Deus é pacífico, saudável e conduz as pessoas ao julgamento de suas próprias imperfeições e à humildade.
Deus nos mostra Seu amor não apenas quando estamos praticando o bem, mas também quando nós O afrontamos com nossos pecados e O desgostamos. Com quanta resignação Ele suporta nossas transgressões! E quando nos pune, como pune com misericórdia! "Não denomine Deus de justo juiz - diz S. Isaac, - pois seu justo julgamento não é visto em seus negócios. É verdade que Davi O chamava de justiceiro e justo, mas o Filho de Deus nos mostrou que Deus é mais bondoso e misericordioso. Onde está Seu julgamento? Nós éramos pecadores, e ainda assim Cristo morreu por nós"(São Isaac o Sírio, Palavra 90).


Razões da Vinda de Cristo

Cristo veio ao mundo por:
1 O amor de Deus pela raça humana: "De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu Seu Filho Único" (Jo. 3:16).
2 A restauração da imagem e semelhança de Deus no homem decaído.
3 A salvação das almas humanas: "Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo mas para que o mundo seja salvo por Ele" (Jo. 3:17).
Assim sendo, nós, seguindo os objetivos do nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, devemos levar nossa vida de acordo com Seus ensinamentos Divinos, para podermos salvar nossas almas através desses ensinamentos.



A fé, de acordo com os ensinamentos de São Antioch, é o início da nossa união com Deus: o verdadeiro crente é a rocha do templo de Deus, preparado para a edificação de Deus Pai, elevado às alturas pelo poder de Jesus Cristo, ou seja, através da Cruz e auxílio da graça do Espírito Santo.
"A fé sem obras - é morta" (Tiago 2:26). As obras da fé são: amor, paz, resignação, caridade, humildade, carregar nossa cruz e nossa vida pelo espírito. A verdadeira fé não pode permanecer sem obras. Aquele que crê verdadeiramente, com certeza faz boas ações.



Todos aqueles que têm firme esperança em Deus, elevam-se a Ele e são iluminados pelo esplendor da luz eterna.
Se uma pessoa não tem cuidados supérfluos consigo mesmo por causa de seu amor a Deus e das boas ações, e sabe que Deus tomará conta dela, então esta esperança é verdadeira e sábia. Mas, se uma pessoa coloca toda sua esperança apenas em suas obras, e dirige-se a Deus em oração apenas quando ocorrem desgraças imprevistas, então ela, percebendo que não dispõe dos meios para superar as dificuldades com suas próprias habilidades, começa a ter esperanças na ajuda de Deus, então essa esperança é tumultuada e falsa. A verdadeira esperança procura o Reino Único de Deus e tem certeza de que tudo o que é necessário para sua vida temporária, seguramente lhe será dado. O coração não consegue ter paz enquanto, não adquirir esta esperança. É ela que consegue apaziguá-lo e introduzir nele a alegria. Os santíssimos lábios do Senhor falaram a respeito dessa esperança: "Vinde a Mim vós todos que estais aflitos sob o fardo, e Eu vos aliviarei" (Mat. 11:28).



Aquele que alcança o perfeito amor a Deus, passa por esta vida como se não tivesse existido. Ele se considera um estranho a tudo aquilo que é visível, aguardando pacientemente o invisível. Ele se transforma completamente pelo amor a Deus e abandona todo apego mundano.
Aquele que ama verdadeiramente a Deus se considera um peregrino e recém-chegado à terra; pois, nele existe a aspiração para Deus, e considera somente a Ele, com a alma e a mente.
Cuidados com a alma. O homem, em seu corpo, é semelhante a uma vela acesa. A vela deve se consumir pelo fogo, e o homem deve morrer. Mas como nossa alma é imortal, nossos cuidados devem ser mais relacionados à alma do que ao corpo: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mat. 16:26); pela qual, como é conhecido, nada no mundo pode servir como resgate? Se a alma por si mesma é mais preciosa do que o mundo inteiro e o reino mundano, então o Reino do Céu é incomparavelmente mais precioso. Nós consideramos a alma como a maior preciosidade pois que Deus não desejava unir Sua essência espiritual a qualquer criação visível além do homem, a quem Ele ama mais do que todas Suas criações, conforme diz Macarius o Grande.



Devemos tratar o próximo com carinho, não demonstrando nem mesmo um pingo de agressividade. Quando nos desviamos de uma pessoa ou ofendemos alguém, é como se uma pedra se instalasse em nosso coração. O espírito perturbado ou desanimado de uma pessoa deve ser animado com palavras de amor.
Quando você vê um irmão cometendo pecado, cubra-o, conforme aconselha São Isaac o Sírio: "Estenda sua vestimenta sobre o pecador e cubra-o."
Em nossos relacionamentos com o próximo, devemos ser igualmente puros na palavra assim como no pensamento; caso contrário faremos nossa vida inútil. Devemos amar nosso próximo como amamos a nós mesmos, de acordo com os mandamentos do Senhor: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Luc. 10:27). Porém não tanto que nosso amor ao próximo, ultrapassando os limites da moderação, nos desvie do cumprimento do primeiro e mais importante mandamento do amor a Deus, como nosso Senhor Jesus Cristo ensina: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim" (Mat. 10:37).



É necessário ser caridoso com os pobres e errantes. Os grandes iluminados e os Padres da Igreja se preocupavam muito com isto. Em relação a esta virtude devemos nos esforçar por todos os meios disponíveis para cumprir os seguintes mandamentos de Deus: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso"e "Eu quero misericórdia e não o sacrifício" (Luc. 6:36; Mat. 9:13). Estas palavras de salvação os sábios observam e os insensatos não. Por esta razão a recompensa não será igual, conforme está dito: "Aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará" (2 Cor. 9:6).
O exemplo de Pedro Doador-de-pão, o qual por um pedaço de pão dado a um mendigo, recebeu o perdão de todos seus pecados (conforme lhe foi revelado em uma visão), nos estimula a sermos caridosos com o próximo, - mesmo uma pequena esmola contribui muito para a obtenção do Reino Celestial.
A esmola deve ser dada com o espírito benevolente, de acordo com os ensinamentos de S. Isaac, o Sírio: "Se você dá qualquer coisa a quem pede, que a alegria de seu rosto preceda sua esmola, e com palavras carinhosas console a aflição dele."


Não é correto julgar ninguém. Mesmo que você tenha visto, com seus próprios olhos, alguém pecando e se enlameando, violando os mandamentos de Deus, conforme está escrito na palavra de Deus: "Não julgueis, e não sereis julgados" (Mat.7:1). "Quem és tu, para julgares o servo de outros? Que esteja firme ou caia, isto é lá com o seu Senhor. Mas ele estará firme, porque poderoso é Deus para o sustentar" (Rom. 14:4). É muito melhor trazer à sua mente as palavras dos apóstolos: "Portanto, quem pensa estar de pé, veja que não caia" (1 Cor. 10:12).
Não devemos alimentar rancor ou ódio pela pessoa que nos hostiliza. Pelo contrário, devemos amá-la, e fazer o bem a esta pessoa, tanto quanto possível seguindo os ensinamentos do nosso Senhor Jesus Cristo: "Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam" (Mat. 5:44). Assim sendo, se nós nos esforçarmos, na dimensão de nossas forças, em cumprir tudo isso, poderemos ter a esperança de que a luz Divina começará a brilhar em nossos corações, iluminando nosso caminho para a Jerusalém celeste.
Por que criticamos nosso próximo? Criticamos porque não nos empenhamos em conhecer a nós mesmos. Aquele que está ocupado em conhecer a si próprio, não tem tempo para perceber as falhas dos outros. Julgue a si próprio e com isto você deixará de criticar os outros. Julgue a má ação, mas não julgue quem a estiver fazendo. Devemos considerar a nós mesmos os maiores pecadores e perdoar qualquer má ação dos outros; devemos odiar apenas o demônio, que os seduziu. Pode acontecer de alguém estar fazendo o que para nós parece mal, mas que por causa de suas boas intenções, é na realidade uma boa ação. Além disso a porta do arrependimento está aberta para todos, e não se sabe quem irá passar por ela primeiro - você, o juiz, ou aquele que foi julgado por você.



Aquele que deseja ser salvo deve sempre ter o coração inclinado para o arrependimento e a penitência. "Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sal. 51:17). Com este espírito contrito a pessoa pode evitar, sem nenhum transtorno, todas as artimanhas do demônio, cujos esforços são todos direcionados para perturbar o espírito da pessoa, e na perturbação, semear suas taras (joio) conforme as palavras do Evangelho: "Senhor, não semeaste bom trigo em Teu campo? Donde vem, pois, o joio? Disse-lhe Ele: foi um inimigo que fez isto" (Mat. 13:27-28). Mas quando uma pessoa se esforça para ter um coração humilde e conservar a paz em seus pensamentos, então todas as artimanhas do inimigo tornam-se insignificantes; pois, onde há paz de pensamentos, ali reside Deus: "Conhecido é Deus em Judá; grande é o seu nome em Israel. E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada, em Sião." (Sal. 76:1-2).
Nós ofendemos a magnitude de Deus com nossos pecados durante a vida inteira. Por esta razão devemos sempre pedir perdão ao Senhor por nossos pecados, com humildade.


O líder da maior das façanhas (a salvação do gênero humano) nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, antes de realizá-la fortaleceu-Se através do jejum prolongado. E todos os ascetas que se preparavam para o trabalho do Senhor, armavam-se com jejum, caso contrário, não ingressavam no caminho da Cruz. Eles mediam o êxito de seu ascetismo pelo sucesso no seu jejum.
Apesar do jejum e, para espanto de todos, os santos Padres não conheciam a debilidade e estavam sempre animados, vigorosos e prontos para o trabalho. As enfermidades entre eles eram raras e suas vidas eram extraordinariamente prolongadas.
Durante o tempo em que o corpo daquele que jejua torna-se delgado e leve, sua vida espiritual atinge a perfeição e se revela através de manifestações miraculosas. O espírito então executa suas ações como se fosse em um corpo sem matéria. É como se os sentimentos externos se fechassem e a mente, destituindo-se do mundano, eleva-se ao céu e imerge por completo na contemplação do mundo espiritual. Entretanto nem todos conseguem colocar sobre si uma regra enérgica de abstinência e de privação de tudo aquilo que pode servir para aliviar as fraquezas. "Quem puder compreender, compreenda" (Mat. 19:12).
Devemos ingerir diariamente alimentos suficientes para fortalecer o corpo, para que o mesmo estando fortificado, seja amigo e auxiliar da alma na realização das virtudes: caso contrário poderá acontecer que, através do enfraquecimento do corpo a alma também enfraqueça. Às quartas e sextas-feiras, principalmente nos quatro períodos de jejum, seguindo o exemplo dos Padres devemos nos alimentar apenas uma vez no dia, - e o Anjo do Senhor se afixará em você.



É necessário sempre ser paciente e aceitar tudo que acontecer, seja o que for, com gratidão por amor a Deus. Nossa vida - é apenas um minuto comparada à eternidade. E por esta razão "Os sofrimentos da presente vida não tem proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada" (Rom. 8:18).
Suporte em silêncio quando seu inimigo insultar você e então abra seu coração somente para o Senhor. Tente de todas as maneiras possíveis perdoar àqueles que o humilham ou desonram, pelas palavras do Evangelho: "Ao que tomar o que é teu, não lho reclames" (Luc. 6:30).
Quando as pessoas nos injuriarem, devemos nos considerar indignos de elogios, imaginando que se fossemos dignos todos estariam nos reverenciando. Devemos sempre e diante de todos nos humilhar, seguindo os ensinamentos de São Isaac o Sírio: "Humilha-te e verás a graça de Deus dentro de ti."

O corpo é o escravo da alma, e a alma - sua rainha. Por esta razão, com freqüência acontece que, pela misericórdia de Deus nosso corpo fica debilitado pelas doenças. Por causa destas doenças nossas paixões enfraquecem e a pessoa cai em si. Além disso, às vezes a enfermidade do corpo nasce das paixões. Aquele que suporta a doença com resignação e gratidão, essa doença é considerada como uma proeza, ou até mais do que isso.
Um certo ancião que sofria de hidropisia, dizia aos irmãos que vinham até ele com o intento de tratá-lo: "Pais, orem para que meu "eu" interno não se submeta a esta doença. E com referência à atual doença, eu rogo a Deus para que Ele não me liberte subitamente dela, pois, ainda que exteriormente se desconjunte meu homem exterior, meu interior renova-se a cada dia" (2 Cor. 4:16).



A paz espiritual é adquirida através das aflições. As Escrituras dizem: "Passamos pelo fogo e pela água; mas por fim, nos destes alívio" (Sal. 65:12). O caminho daqueles que querem servir a Deus está coberto de muitas aflições. Como é que podemos louvar os santos mártires pelos sofrimentos que suportaram por Deus, quando nós não conseguimos nem ao menos suportar uma simples febre?
Nada contribui tanto para adquirir a paz interior, como o silêncio, e, o quanto for possível, a discussão contínua consigo mesmo, e rara com os outros.
Um indício da vida espiritual é a imersão da pessoa para dentro de si e das obras ocultas em seu coração.
Esta paz, como um tesouro de valor inestimável, foi deixada pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos antes de Sua morte dizendo: "Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz" (Jo. 14:27). Os apóstolos também falavam a esse respeito: "E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus" (Fp. 4:7); "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor" (Heb. 12:14).
Assim sendo, devemos voltar todos nossos pensamentos, desejos e ações em direção ao recebimento da paz de Deus, e sempre clamar juntamente com a Igreja: "Senhor, proporcionai-nos a paz!" (Isa.26:12).
É necessário tentar com todas as forças conservar a paz espiritual e não se exaltar pelas ofensas dos outros. Para isto é preciso se controlar sempre e de todas as maneiras do sentimento de raiva, e através da atenção cuidadosa, proteger o intelecto e o coração das divagações impuras.
As ofensas dos outros devem ser suportadas com indiferença; devemos ir nos habituando para esta predisposição, como se os insultos não fossem dirigidos a nós. Este treinamento poderá proporcionar tranqüilidade ao nosso coração e fazer com que ele seja a morada de Deus.
A imagem desta falta de malícia nós vemos na vida de São Gregório o Milagroso. Uma certa mulher imoral exigiu publicamente uma recompensa dele, por causa de um pecado cometido com ela. Ele por sua vez, sem se irritar com ela, humildemente falou para um amigo: pague logo o preço que ela está exigindo. Na mesma hora em que a mulher recebeu a recompensa injusta, ficou possessa. O bispo então orou e expulsou o demônio de dentro dela.
Caso seja impossível não se perturbar então ao menos é preciso conter a língua, segundo a palavra do Salmista: "Estou perturbado, falta-me a palavra" (Sal. 76:5).
Neste caso podemos tomar o exemplo dos santos Spiridon de Tremifunt e Efrém, o sírio. O primeiro suportou o insulto da seguinte maneira: quando ele entrou em um palácio, por exigência do imperador grego, um dos criados que se encontrava no quarto supondo que ele fosse um mendigo, rindo dele não o deixava entrar no quarto e até deu-lhe um tapa no rosto. São Spiridon, sem nenhum rancor, ofereceu a outra face, de acordo com a palavra do Senhor (Mat. 5:39). O abençoado Efrém, vivendo no deserto, certa vez ficou privado de alimento da seguinte maneira: seu discípulo vinha trazendo a comida e sem querer quebrou a vasilha pelo caminho. O Bem aventurado Efrém vendo o discípulo, disse-lhe: "Não se aflija, irmão. Se a comida não quis vir até nós, então nós iremos até ela." E assim fez o monge: sentou-se diante da vasilha quebrada e , recolhendo a comida, a ingeriu. Ele era tão humilde!
Para conservar a paz espiritual, é necessário afugentar o desânimo e esforçar-se para ter um espírito alegre, conforme a palavra do sábio Sirac: "A tristeza matou a muitos; e não há nela utilidade alguma" (Sir. 30:25).
Para conservar a paz espiritual é necessário também por todos os meios evitar julgar os outros. A condescendência para com o irmão e o silêncio conservam a paz espiritual. Quando uma pessoa se encontra neste estado, ela recebe revelações divinas.
Para não incidir em julgamento ao próximo, é preciso ficar atento, não aceitar informações maldosas e manter-se como morto para tudo.
Para conservar a paz espiritual é necessário mergulhar para dentro de si com mais freqüência e perguntar: Onde estou? Diante disto é preciso observar para que os cinco sentidos, principalmente a visão, sirvam ao ser interno e não distraiam a alma com assuntos mundanos, pois os dons da graça são recebidos apenas por aqueles que trabalham ao seu interior e que cuidam de suas almas.



São Serafim dizia aos alunos que tinham ímpetos de tomar para si incumbências exageradas, que não reclamar e humildemente suportar os insultos - isto são nossos "VERIGUES" (correntes de aço e diversos pesos) e "VLASSIANITZA" (roupa grossa de lã bruta e áspera). Estas coisas eram usadas por alguns ascetas, para oprimir seus corpos.
Não é necessário empreender incumbências além das medidas. Ao invés disso, devemos tentar manter nosso amigo - nosso corpo - fiel e capaz de realizar virtudes. É preciso andar pelo caminho central, não se desviando nem para a direita nem para a esquerda (Prov. 4:27); ao espírito dar o espiritual e ao corpo as coisas necessárias para manter a vida temporária. Não se deve recusar também aquilo que a sociedade legalmente exige de nós, conforme a palavra das Escrituras: "Daí pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mat. 22:21).
Devemos condescender com nossa alma em suas fraquezas e imperfeições como toleramos as dos outros, porém, não nos tornando indolentes e continuamente nos estimularmos para o melhor.
Se você comeu demais ou fez algo mais, relacionado à fraqueza humana, não fique indignado, não acrescente dano ao prejuízo, e sim, com valentia, tentando se corrigir mantenha a paz espiritual, de acordo com a palavra do Apóstolo: "Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." (Rom. 14:22). O mesmo sentido está contido nas palavras do Salvador: "Se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus" (Mat. 18:3).
Todo êxito em qualquer coisa nós devemos atribuir ao Senhor e dizer com o profeta: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome daí glória" (Sal. 113:9).



Continuamente nós devemos proteger nosso coração dos pensamentos impuros e impressões, de acordo com as palavras do autor do livro dos Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida" (Prov. 4:23).
Da extensa proteção do coração nasce a pureza, pela qual é possível vislumbrar o Senhor, pela convicção da Verdade eterna: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus" (Mat. 5:8).
Não devemos revelar sem necessidade o que existe de melhor dentro de nossos corações. Aquilo que foi acumulado só permanecerá a salvo dos inimigos visíveis e invisíveis, quando for mantido como um tesouro nas profundezas do coração. Não abra os segredos de seu coração a todos.



Quando alguém aceita qualquer dádiva Divina, ele se alegra em seu coração, mas quando aceita algo diabólico, fica atormentado.
Tendo aceite a dádiva divina o coração do cristão não exige uma persuasão externa de que a dádiva seja realmente do Senhor; mas ele convence-se, pelo seu próprio ato, de que essa aceitação é algo de divino pois ele sente em si prórpio seus frutos espirituais: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, bravura, temperança" (Gal. 5:22-23). E o diabo, ainda que tenha se transfigurado em Anjo de luz (2 Cor. 11:14) ou representado os mais plausíveis pensamentos, o coração ainda assim irá sentir uma certa confusão, agitação nos pensamentos e confusão de sentimentos.
O diabo, assim como o leão, escondendo-se em sua tocaia (Sal. 9:30) secretamente estende as redes dos pensamentos impuros e profanos. Assim sendo, tão logo os notemos, é necessário imediatamente rompê-los através de reflexões piedosas e de orações.
Exige-se ação e grande vigilância, para que durante o canto dos salmos nossa mente se concilie com o coração e os lábios para que o mau cheiro não se misture ao insenso, pois o Senhor desdenha o coração que possui maus pensamentos.
Vamos nos lançar com lágrimas, dia e noite sem cessar, diante da face da graça do Senhor, e Ele purificará nosso coração de todo mau pensamento, para que possamos trazer-Lhe com dignidade as ofertas de nosso serviço. Quando nós não aceitamos os maus pensamentos, colocados em nós pelo demônio, estamos fazendo uma boa ação.
O espírito mau exerce forte influência apenas nos apaixonados; mas os purificados das paixões são atingidos apenas indiretamente ou externamente. Uma pessoa jovem não consegue não se perturbar pelos pensamentos físicos. Mas esse jovem deve orar ao Senhor Deus, e a centelha dos sentimentos depravados será apagada no início. Então a chama não se tornará mais intensa dentro dele.



A preocupação excessiva com os afazeres mundanos é característica do incrédulo e medroso. E ai de nós, se, em nossos cuidados para conosco nós não usarmos como fundação nossa fé em Deus, que importa-se conosco! Se nós não atribuirmos a Ele as bênçãos visíveis que usufruímos nesta vida, então como podemos esperar Dele aquelas bênçãos prometidas para o futuro? Não sejamos tão descrentes; é melhor procurarmos primeiro o Reino de Deus, e todo restante nos será dado em acréscimo - pela palavra do Salvador (Mat. 6:33).



Quando o espírito mau da tristeza se apossa da alma preenchendo-a com amargura e desgosto, não lhe permite orar com o fervor necessário, atrapalha a atenção necessária para a leitura espiritual, priva-a da humildade e benignidade no tratamento com o próximo e faz nascer aversão a qualquer conversação. A alma repleta de tristeza, tornando-se como que insensata e frenética, não consegue aceitar com tranqüilidade um bom conselho e nem responder com doçura as perguntas. Ela foge das pessoas como se fugisse dos culpados de seu embaraço, não compreendendo que a causa de sua enfermidade - está dentro dela. A tristeza é o verme do coração, roendo a mãe que deu-lhe a luz.
Aquele que venceu as paixões, venceu também a tristeza. Mas aquele que foi vencido pelas paixões não escapará das algemas da tristeza. Assim como um enfermo é identificado pela cor de seu rosto, assim também o possuído pela paixão, distingue-se pela tristeza.
Àquele que ama o mundo torna-se impossível não se entristecer. Mas quem menospreza o mundo está sempre alegre. Assim como o fogo purifica o ouro, a tristeza em Deus (penitência) purifica o coração pecador.



O homem é composto de alma e corpo, e por esta razão seu caminho nesta vida deveria ser composto de ações físicas e espirituais - ação e contemplação.
O caminho da vida ativa consiste em: jejum, abstinência, vigília, genuflexão, oração e outros atos físicos, compondo o caminho estreito e difícil o qual, pela palavra de Deus, conduz à vida eterna (Mat. 7:14).
A vida contemplativa consiste na precipitação da mente para o Senhor Deus, na atenção do coração, na oração concentrada e na contemplação de questões espirituais através de tais exercícios.
Qualquer um que deseja levar um modo espiritual de vida, deve começar com a vida ativa, e depois então com a contemplativa, pois sem a vida ativa é impossível levar a contemplativa.
Uma vida ativa serve para nos purificar das paixões pecaminosas e nos eleva a um grau de perfeição ativa; ao mesmo tempo limpa nosso caminho para uma vida contemplativa. Pois apenas aqueles purificados das paixões e os perfeitos conseguem aproximar-se daquela outra vida, conforme pode-se observar das palavras das Sagradas Escrituras: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus!" (Mat. 5:8). "E das palavras de São Gregório o Teólogo: Apenas aqueles que são perfeitos pela sua experiência podem proceder sem perigo à contemplação."
Se for impossível encontrar um guia espiritual que possa nos dirigir no caminho da vida contemplativa, então devemos nos guiar pelas Escrituras Sagradas, pois o Próprio Senhor nos manda aprender delas dizendo: "Vós perscrutais as Escrituras julgando encontrar nelas a vida eterna" (Jo. 5:39). Não se deve abandonar a vida ativa mesmo quando a pessoa a alcançou a tal ponto que conseguiu a contemplativa, pois a vida ativa contribui com a contemplativa e a eleva.



Para poder adotar e perceber a luz de Cristo no coração, é preciso desviar-se das coisas visíveis, externas tanto quanto possível. Em primeiro lugar, devemos purificar a alma com penitência e boas ações com sincera fé no Crucificado. Depois, fechando os olhos físicos, é necessário imergir a mente no fundo do coração e clamar continuamente pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Aí então, na proporção do fervor e o ardor do espírito ao Amado (Luc. 3:22), a pessoa ao chamar este nome encontra deleite, o qual estimula a sede pela luz maior.
Quando a pessoa contempla internamente a luz eterna, aí então sua mente fica limpa e livre de qualquer representação sensorial. Então, estando completamente imerso na contemplação da beleza inconcebível, ele se esquece de todo o sensorial, não quer nem mesmo ver a si próprio, porém, deseja se ocultar no coração do universo, apenas para não ser privado deste bem verdadeiro - Deus.



(da conversação com Motovilov)
O verdadeiro objetivo de nossa vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus. O jejum, a vigília, a oração, as esmolas e todas outras boas ações realizadas por Cristo - são os meios de que dispomos para alcançar o Espírito Santo de Deus. Somente as ações feitas por Cristo nos trazem os frutos do Espírito Santo.
Algumas pessoas dizem que, devemos entender a falta de óleo nas lanternas das virgens loucas como falta de boas ações (veja a parábola das Dez virgens em Mat. 25:1-12). Este entendimento não é inteiramente correto. O que é que falta nas boas ações delas, quando, embora tolas, elas ainda são chamadas de virgens? Pois a virgindade é uma grande virtude semelhante ao estado dos anjos, e poderia servir por si mesma no lugar de outras virtudes. Eu, pobre miserável, penso que elas justamente não tiveram a graça suficiente do Espírito Todo Santo de Deus. Realizando boas ações, essas virgens supunham, por sua insensatez, que para ser cristão é necessário apenas ser virtuoso. "Praticamos uma boa ação e com isto executamos a vontade de Deus"; se com isso, elas teriam recebido ou alcançado a graça do Espírito de Deus, nem se preocuparam em descobrir... Porém essa aquisição do Espírito Santo, é de fato aquele óleo, que faltava às virgens insensatas. É por esta razão que elas são chamadas de tolas (ou loucas), por terem se esquecido sobre o fruto indispensável da virtude - a graça do Espírito Santo - sem o qual não existe salvação para ninguém, pois, "através do Espírito Santo toda alma é vivificada e por sua purificação se eleva, se ilumina pela Unidade Triúnica, num mistério sagrado." O próprio Espírito Santo se aloja em nossa alma, e esta ocupação de nossas almas por Ele, o Todo Poderoso e a coexistência de Sua Trindade Una com nosso espírito é dada somente através do fortalecimento, de nossa parte, do Espírito Santo, o qual prepara em nossa alma e corpo o trono para a coexistência de Deus, o Criador de todas as coisas com nosso espírito, pela palavra irrevogável de Deus: "Andarei entre vós: serei o vosso Deus e vós sereis o Meu povo" (Lev. 26:12).
É este o tal óleo das lanternas das virgens sábias, as quais ardiam com brilho e constância, e essas virgens com suas lanternas acesas podiam esperar pelo Noivo vindo à meia-noite, e entrar com ele na câmara da alegria. Quanto às virgens loucas, vendo que suas lanternas se apagavam, embora tenham ido ao mercado comprar óleo, não conseguiram retornar a tempo, pois as portas estavam trancadas. O mercado - é a nossa vida; as portas não permitindo a entrada para o Noivo - é a morte humana; as virgens sábias e as loucas - são as almas cristãs; o óleo - não são ações, mas sim a graça recebida através delas do Espírito Santo de Deus, transformando a decadência em incorrupção, a morte da alma em vida espiritual, a escuridão em luz, a manjedoura de nossa existência onde as paixões estão amarradas como o gado e os animais, - no templo de Deus, em câmara iluminada pela alegria eterna em Jesus Cristo.



Folheto Missionário número PA8
Copyright © 2002 Holy Trinity Orthodox Mission
466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011
Redator: Bispo Alexandre Mileant

Reflexão para os futuros dias de dificuldade: Daniel, 3, 1-100

O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, de sessenta côvados de altura e seis de largura, e erigiu-a na planície de Dura, na província de Babilônia. Depois convidou os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juristas, os juízes e todas as autoridades das províncias, a comparecerem à inauguração da estátua ereta pelo rei Nabucodonosor. Assim sendo, reuniram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juristas, os juízes e todas as autoridades das províncias para a inauguração da estátua ereta pelo rei, diante da qual todos permaneceram de pé. Então foi feita por um arauto a seguinte proclamação: Povos, nações, (gentes de todas) as línguas, eis o que se traz a vosso conhecimento: no momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, da cornamusa e de toda espécie de instrumentos de música, vós vos prostrareis em adoração diante da estátua de ouro ereta pelo rei Nabucodonosor. Quem não se prostrar para adorá-la será precipitado sem demora na fornalha ardente! Assim, logo que as pessoas ouviram o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, da cornamusa e de toda espécie de instrumentos de música, prosternaram-se todos, povos, nações e gentes de todas as línguas, em adoração diante da estátua de ouro ereta pelo rei Nabucodonosor. Nesse mesmo momento, alguns caldeus aproximaram-se para caluniar os judeus. Dirigiram-se ao rei Nabucodonosor: Senhor, disseram, longa vida ao rei! Tu mesmo, ó rei, proclamaste por edital, que qualquer homem que ouvisse o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, da cornamusa e de toda espécie de instrumentos de música teria de prostrar-se em adoração diante da estátua de ouro, e quem se recusasse seria precipitado na fornalha ardente. Pois bem, há aí alguns judeus, a quem confiaste a administração da província de Babilônia, Sidrac, Misac e Abdênago, os quais não tomaram conhecimento do teu edito, ó rei: não rendem culto algum a teus deuses e não adoram a estátua que erigiste. Nabucodonosor, dominado por uma cólera violenta, ordenou o comparecimento de Sidrac, Misac e Abdênago, os quais foram imediatamente trazidos à presença do rei. Nabucodonosor disse-lhes: É verdade, Sidrac, Misac e Abdênago, que recusais o culto a meus deuses e a adoração à estátua de ouro que erigi? Pois bem, estais prontos, no momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, da cornamusa e de toda espécie de instrumentos de música, a vos prostrardes em adoração diante da estátua que eu fiz?... Se não o fizerdes, sereis precipitados de relance na fornalha ardente; e qual é o deus que poderia livrar-vos de minha mão? Sidrac, Misac e Abdênago responderam ao rei Nabucodonosor: De nada vale responder-te a esse respeito. Se assim deve ser, o Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha ardente e mesmo, ó rei, de tua mão. E mesmo que não o fizesse, saibas, ó rei, que nós não renderemos culto algum a teus deuses e que nós não adoraremos a estátua de ouro que erigiste. Então a fúria de Nabucodonosor desencadeou-se contra Sidrac, Misac e Abdênago; os traços de seu rosto alteraram-se e ele elevou a voz para ordenar que se aquecesse a fornalha sete vezes mais que de costume. Depois deu ordem aos soldados mais vigorosos de suas tropas para amarrar Sidrac, Misac e Abdênago, e jogá-los na fornalha ardente. Esses homens foram então imediatamente amarrados com suas túnicas, vestes, mantos e suas outras roupas, e jogados na fornalha ardente. Esses homens foram então imediatamente amarrados com suas túnicas, vestes, mantos e suas outras roupas, e jogados na fornalha ardente. Mas os homens que, por ordem urgente do rei, tinham superaquecido a fornalha e lá jogado Sidrac, Misac e Abdênago, foram mortos pelas chamas, no momento em que eram precipitados na fornalha os três jovens amarrados. Ora, estes passeavam dentro das chamas, louvando a Deus e bendizendo o Senhor. Azarias, em pé bem no meio do fogo, fez a seguinte oração: Sede bendito e louvado, Senhor, Deus de nossos pais! Que vosso nome seja glorioso pelos séculos! Vós vois justo em todo o vosso proceder; vossas obras são justas, vossos caminhos são retos, vossos julgamentos são eqüitativos. Exercestes um julgamento eqüitativo em tudo aquilo que nos infligistes e em tudo aquilo que infligistes à cidade santa de nossos pais, Jerusalém; foi em conseqüência de um julgamento eqüitativo que vós nos infligistes tudo isso por causa de nossos pecados. Pecamos, erramos afastando-nos de vós; em tudo agimos mal. Não obedecemos a vossos preceitos, não os pusemos em prática, não observamos as leis que nos destes para nossa felicidade. Em todos os males que enviastes sobre nós, em tudo que nos infligistes, foi um justo julgamento que exercestes, (mesmo) entregando-nos nas mãos de inimigos injustos, de ímpios enfurecidos, às mãos de um rei, o mais iníquo e o mais perverso de toda a terra. Agora não ousamos nem mesmo abrir a boca: vergonha e ignomínia para vossos servos e a nós que vos adoramos. Pelo amor de vosso nome, não nos abandoneis para sempre; não destruais de modo algum vossa aliança. Não nos retireis vossa misericórdia em consideração a Abraão, vosso amigo, Isaac, vosso servo, Israel, vosso santo, aos quais prometestes multiplicar sua descendência como as estrelas do céu e a areia que se encontra à beira do mar. Senhor, fomos reduzidos a nada diante das nações, fomos humilhados diante de toda a terra: tudo, devido a nossos pecados! Hoje, já não há príncipe, nem profeta, nem chefe, nem holocausto, nem sacrifício, nem oblação, nem incenso, nem mesmo um lugar para vos oferecer nossas primícias e encontrar misericórdia. Entretanto, que a contrição de nosso coração e a humilhação de nosso espírito nos permita achar bom acolhimento junto a vós, Senhor, como (se nós nos apresentássemos) com um holocausto de carneiros, de touros e milhares de gordos cordeiros! Que assim possa ser hoje o nosso sacrifício em vossa presença! Que possa (reconciliar-nos) convosco, porque nenhuma confusão existe para aqueles que põem em vós sua confiança. É de todo nosso coração que nós vos seguimos agora, que nós vos reverenciamos, que buscamos vossa face. Não nos confundais; tratai-nos com vossa habitual doçura e com todas as riquezas de vossa misericórdia. Ponde em execução vossos prodígios para nos salvar, Senhor, e cobri vosso nome de glória. Que sejam então confundidos aqueles que maltratam vossos servos, que eles sofram a vergonha de ver a ruína de seu poderio e o aniquilamento de sua força. Assim saberão que sois o Senhor, o Deus único e glorioso sobre toda a superfície da terra. Enquanto isso, os homens do rei, que os haviam lá jogado, não cessavam de alimentar a fornalha com nafta, estopa, resina e lenha seca Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:
Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais, digno de louvor e de eterna glória! Que seja bendito o vosso santo nome glorioso, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação! Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória! Sede bendito por penetrardes com o olhar os abismos, e por estardes sentado sobre os querubins, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação! Sede bendito sobre vosso régio trono, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação! Sede bendito no firmamento dos céus, digno do mais alto louvor e de eterna glória! Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Águas e tudo o que está sobre os céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Todos os poderes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Sol e lua, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Estrelas dos céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Ó vós, todos os ventos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Fogo e calor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Frio e geada, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Orvalhos e gelos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Frios e aragens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Gelos e neves, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Noites e dias, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Luz e trevas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Raios e nuvens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Que a terra bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente! Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! E vós, homens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Que Israel bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente! Sacerdotes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Vós que estais a serviço do templo, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Espíritos e almas dos justos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Santos e humildes de coração, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Ananias, Azarias e Misael, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente, porque ele nos livrou da permanência nas trevas, salvou-nos da mão da morte; tirou-nos da fornalha ardente, e arrancou-nos do meio das chamas. Glorificai o Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia. Homens piedosos, bendizei o Senhor, Deus dos deuses, louvai-o, glorificai-o, porque é eterna a sua misericórdia! Então Nabucodonosor, admirado, levantou-se precipitadamente, dizendo a seus conselheiros: Não foram três homens amarrados que jogamos no fogo? Certamente, majestade, responderam. Pois bem, replicou o rei, eu vejo quatro homens soltos, que passeiam impunemente no meio do fogo; o quarto tem a aparência de um filho dos deuses. Dito isto, Nabucodonosor, aproximando-se da porta da fornalha, exclamou: Sidrac, Misac, Abdênago, servos do Deus Altíssimo, saí, vinde! Então Sidrac, Misac e Abdênago saíram do meio do fogo. Os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os conselheiros do rei, em grupos à volta, verificaram que o fogo não tinha tocado nos corpos desses homens, que nenhum cabelo de suas cabeças tinha sido queimado, que suas vestes não tinham sido estragadas e que eles não traziam nem indício do odor de fogo!
Nabucodonosor tomou a palavra: Bendito seja, disse, o Deus de Sidrac, de Misac e de Abdênago! Ele enviou seu anjo para salvar seus servos, os quais, depositando nele toda a sua confiança, e transgredindo as ordens do rei, preferiram expor suas vidas a se prostrarem em adoração diante de um deus que não era o seu. (Em conseqüência) dou ordem, que todo homem, pertencente a qualquer povo, nação ou língua, que ousar falar mal, seja o que for, contra o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, seja despedaçado e sua casa reduzida a um montão de imundícies; porque não há outro deus capaz de realizar uma libertação assim! Depois o rei ainda melhorou a situação de Sidrac, Misac e Abdênago na província de Babilônia. Do rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e pessoas de todas as línguas que habitam a terra, felicidade e prosperidade! Pareceu-me bom fazer-vos conhecer os milagres e prodígios que o Deus Altíssimo operou em mim. Oh! como são grandes seus milagres e como são poderosos seus prodígios! Seu reinado é um reinado eterno, e sua dominação perdura de geração em geração.