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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os Atributos de Deus

     

INTRODUÇÃO
         
Sendo Deus um ser infinito, é impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como ele é. No entanto, ele bondosamente revelou-se mediante linguagem compreensiva a nós.
        Os atributos de Deus indicam vários aspectos do seu caráter. Os atributos de Deus podem ser incomunicáveis ou comunicáveis. Os atributos incomunicáveis são aqueles que referem-se ao que Deus é por si próprio, ou seja, atributos que somente Ele possui. Os atributos incomunicáveis são: onipotência, onipresença, onisciência, infinitude, espiritualidade, imutabilidade, soberania, unidade, eternidade e independência. Os atributos comunicáveis são aqueles com que Deus se relaciona com os seres por Ele criados, também conhecidos como atributos morais. Os atributos comunicáveis são: fidelidade, bondade, santidade, justiça, veracidade, misericórdia, soberania, amor, misericórdia e sabedoria.
        O objetivo desse estudo é demonstrar através da Bíblia os atributos de Deus acima mencionados de uma forma clara e objetiva.

1. OS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS
1.1 ONIPOTÊNCIA
        Deus é onipotente. (Gn 1.1;17.1;18.14;Ex 15.7;Is 40.12;Dn 3.17;Mt 19.26;Ap 15.3;19.6) A onipotência de Deus significa duas coisas: (1) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a sua natureza. Isto não significa que ele possa ou queira fazer alguma coisa contraria a sua natureza - por exemplo , mentir ou roubar. Isso não quer dizer, jamais, que Deus empregue todo o seu poder e autoridade em todos os momentos. Por exemplo, Deus tem poder para exterminar totalmente o pecado, mas optou por não fazer assim até o final da história humana (ver 1Jo 5.19 nota). Em muitos casos, Deus limita o seu poder, quando o emprega através do seu povo (2Co 12.7-10); em casos assim, o seu poder depende do nosso grau de entrega e de submissão a Ele (Ef 3.20).(2) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que possa existir. Toda a vida é sustentada por Deus (Hb 1.3;At 17.25,28;Dn 5.23).
1.2 ONIPRESENÇA
        Deus é onipresente , isto é, o espaço material não o limita em ponto algum.(Gn 28.15,16;Dt 4.39;Js 2.11;Is 66.1;At 7.48,49 e Ef 1.23). No Antigo Testamento, as nações serviam a deuses regionais , ou nacionais, cujo poder limitava-se à localidade ou ritual. Na maioria dos casos, os devotos achavam que tais deidades tinham poder somente nos domínios habitados pelos povos.
        Embora Deus esteja em todo lugar, ele não habita em todo lugar somente ao entrar em relação pessoal com o grupo ou com um indivíduo se diz que Ele habita com eles. O salmista afirma que, não importa para onde formos, Deus está ali (Sl 139.7-12; cf. Jr 23.23,24; At 17.27,28); Deus observa tudo quanto fazemos.
1.3 ONISCIÊNCIA
        Deus é onisciente, porque conhece todas as coisas. (Gn 18.18;II Rs 8.10;Jr 1.4-5;Dn 2.22;At 15.8;Rm 8.27;II Tm 2.19;I Jo 3.20). O conhecimento de Deus é perfeito, ele não precisa arrazoar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente - seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.
        Sendo Deus conhecedor de todas as coisas, ele sabe quem se perdera, mas a presciência de Deus sobre o uso que a pessoa fará do livre arbítrio não obriga a escolher este ou aquele destino. Deus prevê sem intervir. Ele sabe todas as coisas (Sl 139.1-6; 147.5). Ele conhece, não somente nosso procedimento, mas também nossos próprios pensamentos (1Sm 16.7; 1 Rs 8.39; Sl 44.21; Jr 17.9,10). Quando a Bíblia fala da presciência de Deus (Is 42.9; At 2.23; 1Pe 1.2), significa que Ele conhece com precisão a condição de todas as coisas e de todos os acontecimentos exeqüíveis, reais, possíveis, futuros, passados ou predestinados (1Sm 23.10-13; Jr 38.17-20). A presciência de Deus não subentende determinismo filosófico. Deus é plenamente soberano para tomar decisões e alterar seus propósitos no tempo e na história, segundo sua própria vontade e sabedoria. Noutras palavras, Deus não é limitado à sua própria presciência (ver Nm 14.11-20; 2Rs 20.1-7)
1.4 INFINITUDE
        Deus é infinito, isto é, não esta sujeito as limitações naturais e humanas. A sua infinitude é vista de duas maneiras: (1) Em relação ao espaço. A natureza da Divindade esta presente de modo igual em todo o espaço infinito e em todas as suas partes. Nenhuma parte existente esta separada da sua presença ou de sua energia, e nenhum ponto do espaço escapa a sua influencia. Mas, ao mesmo tempo, não devemos esquecer que existe um lugar especial onde sua presença e glória são reveladas duma maneira extraordinária; esse lugar é o céu. (2) Em relação ao tempo, Deus é eterno (Ex. 15.18;Dt 33.27;Jr 10.10 e Ap 4.8-10). Ele existe desde a eternidade e existira por toda a eternidade, o passado, o presente e o futuro são todos como o presente à sua compreensão. Sendo eterno, Ele é imutável.
1.5 ESPIRITUALIDADE
        Deus é espirito (Jo 4.24). Deus é espirito com personalidade; ele pensa, sente e fala. Sendo espírito Deus não esta sujeito as limitações as quais estão sujeitos os seres dotados de corpo físico.
        Ele não possuí partes corporais nem esta sujeito as paixões; sua pessoa não se compõe de nenhum elemento material. Portanto não pode ser visto com os olhos naturais nem apreendido pelos sentidos naturais. Isto não implica que Deus leve uma existência sombria e irreal. Deus é uma pessoa real mas de natureza tão infinita que não se pode aprende-lo pelo conhecimento humano nem tampouco descreve-lo em linguagem humana.

1.5 IMUTABILIDADE
        Deus é imutável, isto é, Ele é inalterável nos seus atributos, nas suas perfeições e nos seus propósitos para a raça humana (Nm 23.19; Sl 102.26-28; Is 41.4; Ml 3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17). Isso não significa, porém, que Deus nunca altere seus propósitos temporários ante o proceder humano. Ele pode, por exemplo, alterar suas decisões de castigo por causa do arrependimento sincero dos pecadores (Jn 3.6-10). Além disso, Ele é livre para atender as necessidades do ser humano e às orações do seu povo. Em vários casos a Bíblia fala de Deus mudando uma decisão como resultado das orações perseverantes dos justos ( Nm 14.1-20; 2Rs 20.2-6; Is 38.2-6; Lc 18.1-8;)
1.6 SOBERANIA
        Deus é soberano, isto é, Ele tem o direito absoluto de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz (Dn 4.35;Mt 20.15;Rm 9.21). Ele possuí esse direito em virtude de sua infinita superioridade em sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante ele para que continue existindo. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão, censurar os seus caminhos.
1.7 UNIDADE 
        Deus é o único Deus (Êx 20.3;Dt 4.35;Is 44.6-8;I Tm 1.17). "Houve, Israel o Senhor nosso Deus é o único Senhor". Este era um do fundamentos da religião do Antigo Testamento; Haverá contradição entre este ensino da unidade de Deus e o ensino da trindade no Novo Testamento? É necessário distinguir entre duas qualidades de unidade, existe a unidade absoluta e a unidade composta. A expressão "Um homem" traz a idéia de unidade absoluta, por que se refere a uma só pessoa. Mas quando lemos que homem e mulher serão "Uma só carne" (Gn 2.24) essa é uma unidade composta, visto que se refere a união de duas pessoas.
A qual classe de unidade se refere Deuteronômio 6.4 ? Pelo fato de a palavra "Nosso Deus" estar no plural (ELOHIM no hebraico) concluímos que se refere a unidade composta. A doutrina da trindade ensina a unidade de Deus como unidade composta, inclusive de três pessoas divinas unidas na essencial unidade eterna.


1.8 ETERNIDADE
        Deus não esta limitado pelo tempo. Os termos eterno, perpetuo e para sempre, são freqüentemente empregados pelos tradutores da Bíblia na tentativa de capitar o sentido das expressões hebraicas e gregas que colocam a Deus dentro da nossa realidade temporal e finita. Ele existia antes da criação: "Antes que os montes nascessem ou que Tu formastes a Terra e o mundo, sim de eternidade a eternidade, Tu és Deus" (Sl 90.2).
1.9 INDEPENDÊNCIA
        Deus é transcendente — Ele é diferente e independente da sua criação (Êx 24.9-18; Is 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9). Seu ser e sua existência são infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Rs 8.27; Is 66.1,2; At 17.24,25). Ele subsiste de modo absolutamente perfeito e puro, muito além daquilo que Ele criou. Ele mesmo é incriado e existe à parte da criação (ver 1Tm 6.16 nota). A transcendência de Deus não significa, porém, que Ele não possa estar entre o seu povo como seu Deus (Lv 26.11,12; Ez 37.27; 43.7; 2Co 6.16).
2. ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS
2.1 FIDELIDADE
        Deus é fiel. Ele é absolutamente digno de confiança; as suas palavras não falharão. Os deuses das religiões do oriente próximo eram volúveis e caprichosos. A grande exceção era o Deus de Israel. Ele é fiel na sua natureza e nas suas ações. A palavra hebraica (AMEN), "verdadeiramente, é derivada de uma das mais notáveis descrições do caráter de Deus, que reflete a sua certeza e fidedignidade.
O senhor comprova a sua fidelidade ao cumprir as suas promessas (Dt 7.9;Js 23.14 e Sl 89.2) 
2.2 BONDADE
        Deus é bom. A bondade de Deus é o atributo em razão do qual ele concede a vida e outras bênçãos as suas criaturas (Sl 25.8;Mt 5.45). Tudo quanto Deus criou originalmente era bom, era uma extensão da sua própria natureza (Gn 1.4,10,12,18,21,25,31). Ele continua sendo bom para sua criação, ao sustenta-la, para o bem de todas as suas criaturas. Deus cuida até dos ímpios (Mt 5.45). Deus é bom principalmente para os seus, que o invocam em verdade (Sl 145.18-20).
2.3 SANTIDADE
        Deus é santo (Êx 15.11;Js 24.19;Is 6.3;I Pe 1.15,16 e Ap 15.3). A santidade de Deus significa a sua absoluta pureza moral; Ele não pode pecar nem tolerar o pecado. O sentido original da palavra santo é separado. Deus está separado do homem no espaço - Ele esta no céu , o homem na Terra ; separado do homem quanto a natureza e caráter - Ele é perfeito, o homem é imperfeito; Ele é divino, o homem é humano; Ele é moralmente perfeito, o homem é pecaminoso. Somente Deus é santo em si mesmo, o povo, os edifícios e os objetos são descritos como santos porque Deus os fez santos e os tem santificado. Os homens santificam a Deus quando o honram e o reverenciam como divino (Nm 20.12 e Lv 10.3) . Quando o desonram, pela violação de seus mandamentos se diz que profanam seu nome. (Mt 6.9)
2.4 JUSTIÇA 
        Deus é justo. Justiça é santidade em ação, a santidade de Deus é manifestada no tratar retamente com suas criaturas. A justiça é obediência a uma norma reta. Deus manifesta este atributo quando livra o inocente, condena o ímpio, quando perdoa o penitente (Sl 51.14), quando julga e castiga seu povo (Is 8.17), quando da vitória a causa dos seus servos fieis (Is 50.4-9). Deus não somente trata justamente como também requer justiça. Quando o homem peca Deus graciosamente justifica o penitente (Rm 4.5).
2.5 VERACIDADE
        "Deus não é homem para que minta" (Nm 23.19). Deus é perfeitamente fiel as suas promessas e aos seus mandamentos (Sl 33.4). Sua integridade moral é sua característica pessoal permanente (Sl 119.160). A veracidade estável e permanente do senhor é o meio através do qual somos santificados, porque a verdade proclamada tornou-se a verdade encarnada (Jo 1.14). Tudo quanto Deus nos revelou é a mais absoluta verdade. Tudo quanto ele fez até agora, no que se fere ao cumprimento de suas promessas, é a garantia definitiva de que ele cumprira tudo o que prometeu (Jo 14.6;T1.1).
2.6 AMOR
        Deus é amor. O amor é o atributo de Deus em razão do qual ele deseja relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem e, mui especialmente, com aqueles que foram santificados em caráter, feitos semelhantes a ele. O amor de Deus é altruísta pois abraça ao mundo inteiro, composto de humanidade pecadora (Jo 3.16;Rm 5.8). A manifestação principal desse seu amor foi a de enviar seu único filho, Jesus para morrer em lugar dos pecadores (I Jo 4.9,10). Alem disso, Deus tem amor paternal especial a aqueles que estão reconciliados com ele por meio de Jesus (Jo 16.27).
2.7 MISERICÓRDIA
        Deus é misericordioso. "A misericórdia de Deus é a divina bondade em ação com respeito as misérias de suas criaturas, bondade que se comove a favor deles, provendo o seu alivio, e , no caso de pecadores impenitentes, demonstrando paciência longânima" (Tt 3.5;Lm 3.22;Is 49.13). Experimentar a misericórdia de Deus significa ser preservado do castigo a que se faz jus. Deus é o juíz supremo que detém o poder para determinar, em última analise, a punição a quem merece. Quando ele nos perdoa do pecado e a culpa, experimentamos a sua misericórdia. A misericórdia de Deus manifestou-se de maneira eloqüente ao enviar Cristo ao mundo (Lc 1.78).
2.8 SABEDORIA
        A sabedoria (Hb. Hochnah) reúne o conhecimento da verdade com a experiência do cotidiano. A sabedoria como conhecimento pode capacitar a pessoa a encher sua mente com uma enorme quantidade de fatos, mas sem qualquer entendimento do seu significado ou aplicação. A verdadeira sabedoria porém orienta.
        O conhecimento que Deus possuí da-lhe o discernimento de tudo quanto existe e o que poderá a vir existir. Tendo em vista o fato que Deus existe por si mesmo seus conhecimentos estão além de nossa simples imaginação; são ilimitados (Sl 147.5). Ele aplica com sabedoria o seu conhecimento. Todas as obras das suas mãos são feitas pela sua grande sabedoria (Sl 104.24), e assim Ele tirar e coloca reis, muda o tempo e as estações, conforme lhe parecer bem (Dn 2.21) 

CONCLUSÃO
        Muito se pode dizer de um ser tão grande como Deus. Compreender a Deus em sua plenitude seria tão difícil como colocar o Oceano num copo, mas Ele tem revelado a si mesmo o suficiente para esgotar a nossa capacidade.
        Depois de estudarmos os atributos de Deus, entendemos, que Ele existe por si mesmo, pois não depende de nenhuma fonte originária para existir. Seu próprio nome Yahweh, declara: "Ele é e continuará sendo". Deus não depende de ninguém para aconselha-lo ou para ensiná-lo. Ele não necessitou de outro ser para ajudá-lo na criação e na providência.
        Agora que sabemos um pouco mais sobre a grandeza de Deus, resta-nós louvá-lo, agradecê-lo e nos momentos difíceis acreditarmos que Ele está cuidando de nós.




terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dia dos Fiéis Defuntos

  

Aprovação de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa Palácio Cardinalício, Lisboa, 4 de março de 1936.
"Leia-me ou lamentá-o", por EDM (Engant de Marie, iniciais com as que se identifica o padre O'Sulivan).
Ainda que pequeno, está destinado a fazer grandes coisas entre os católicos, muitos dos quais estão incrivelmente ignorantes acerca da grande doutrina do Purgatório.
Como conseqüência, eles fazem pouco ou nada para evitá-lo para si mesmos e tampouco ajudam as Almas Sofrentes que estão em terríveis tormentos, esperando pelas Missas e as orações oferecidas por elas.
É nosso mais caro desejo que cada católico lesse este livro e que o comunicasse por todas as partes, tanto como lhe seja possível.

Prefacio: "Leia-me ou lamentá-o"

O titulo é algo alarmante.
Assim, estimado leitor, se tu lês este pequeno livro, verás por ti mesmo quão merecido é.
O livro nos conta como salvar a nós mesmos e a outros de um sofrimento inenarrável.
Alguns livros são bons e alguns outros podem ser de proveito.
Outros são melhores e devem ser lidos sem falta.
Há, sem dúvida, livros de tão excelente mérito por razão de seus conselhos, a convicção que acarretam e a ação urgente a que nos impulsionam.
"Leia-me ou lamentá-o" pertence a essa classe de livros.
É para teu maior interesse, estimado amigo, que o leias e re-leias, para ponderá-lo bem e profundamente em seus conteúdos.
Nunca te arrependerás disto, pelo contrario, grande e amargo será teu arrependimento se tu deixas de estudá-lo em suas substanciosas páginas.
Auxílio, Auxílio, sofremos muito!
Nunca chegaremos a compreender suficientemente de modo claro como uma esmola, pequena ou grande, dada em favor das almas sofrentes, é dada diretamente a Deus.
Que a aceita e recorda como se a houvessem dado diretamente a Ele.
Assim, tudo o que façamos por elas, Deus o aceita como feito para Ele.
É como se o aliviássemos ou liberássemos a Ele mesmo do Purgatório.
E de que maneira nos pagará!
Não há maior sede, pobreza, necessidade, pena, dor, sofrimento que se compare aos das Almas do Purgatório, por tanto não há esmolas mais merecidas, nem mais agradáveis a Deus, nem mérito mais alto para nós, que rezar, pedir celebrações de Missas, e dar esmolas em favor das pobres Santas Almas.
É muito possível que alguns de nossos mais próximos e queridos parentes estejam, todavia sofrendo as purificantes penas do Purgatório e lamentando entre lastimosos gemidos para que os ajudemos e aliviemos.
Não é terrível que sejamos tão duros que não possamos pensar neles, nem tampouco possamos ser tão cruéis que deliberadamente os esqueçamos?
Pelo amor de Cristo, façamos tudo, mas tudo, o que pudermos por elas.
Todo católico deveria unir-se a uma Associação para o bem das Almas do Purgatório Purgatório:
"Tenham piedade de mim, tenham piedade de mim, pelo menos vocês meus amigos, porque a mão do Senhor me tem tocado" (Job 19:21).
Esta é a comovedora súplica que a Igreja Purgante envia a seus amigos na terra.
Terra, comecem, implorem sua ajuda, em resposta a angustia mais profunda.
Muitos dependem de suas orações.
É incompreensível como alguns católicos, ainda aqueles que de uma ou outra forma são devotos, vergonhosamente desatendem as almas do Purgatório.
Parecerá que não crêem no Purgatório.
Certamente é que suas idéias acerca dele são muito difusas.
Dias e semanas e meses passam sem que eles recebam uma Missa dita por elas! Raramente também, ouvem Missa por eles, raramente rezam por eles, raramente pensam em eles! Entretanto estão gozando a plenitude da saúde e a felicidade, ocupados em seus trabalhos; divertindo-se, enquanto as pobres almas sofrem inenarráveis agonias em seus leitos de chamas.
Qual é a causa desta horrível insensibilidade? Ignorância: inexplicável ignorância.
As pessoas não se dão conta do que é o Purgatório.
Não concebem as espantosas penas, nem tem idéia dos largos anos que as almas são retidas nessas horríveis chamas.
Como resultado, fazem pouco ou nada para evitar e a si mesmos o Purgatório, e ainda pior, cruelmente ignoram as pobres almas que já estão ali e que dependem inteiramente deles para ser auxiliadas.
Estimado leitor, lê atentamente este pequeno livro com cuidado e irá bendizer o dia que caiu em tuas mãos.

O que é o Purgatório

É uma prisão de fogo na qual quase todas as almas salvas são submersas depois da morte e na qual sofrem as mais intensas penas.
Aqui está o que os maiores doutores da igreja nos dizem acerca do Purgatório.
Tão lastimoso é o sofrimento delas que um minuto desse horrível fogo parece ser um século.
Santo Tomás Aquino, o príncipe dos teólogos, disse que o fogo do Purgatório é igual em intensidade ao fogo do inferno, e que o mínimo contato com ele é mais aterrador que todos os sofrimentos possíveis desta terra! Santo Agostinho, o maior de todos os santos doutores, ensina que para serem purificadas de suas faltas antes de serem aceitas no Céu, as almas depois de mortas são sujeitas a um fogo mais penetrante e mais terrível do que nenhum que se possa ver, sentir ou conceber nesta vida.
Ainda que este fogo está destinado a limpar e purificar a alma, disse o Santo Doutor, ainda é mais agudo que qualquer coisa que possamos resistir na Terra.
São Cirilo de Alexandria não duvida em dizer que "seria preferível sofrer todos os possíveis tormentos na Terra até o dia final que passar um só dia no Purgatório".
Outro grande Santo disse: Nosso fogo, em comparação com o fogo do Purgatório, é uma brisa fresca ".
Outros santos escritores falam em idênticos termos desse horrível fogo.

Como é que as penas do Purgatório são tão severas?

O fogo que vemos na Terra foi feito pela bondade de Deus para nossa comodidade e nosso bem estar.
Às vezes é usado como tormento, e é o mais terrível que podemos imaginar.
O fogo do Purgatório, pelo contrário, está feito pela Justiça de Deus para penar e purificar-nos e é, por conseguinte, incomparavelmente mais severo.
Nosso fogo, como máximo, arde até consumir nosso corpo; feito de matéria, pelo contrário o fogo do Purgatório atua sobre a alma espiritual, a qual é inexplicavelmente mais sensível a pena.
Quanto mais intenso é o fogo, mais rapidamente destrói a sua vitima; a qual, por conseguinte cessa de sofrer; por quanto o fogo do Purgatório infligi a mais aguda e a mais violenta pena, mas nunca mata a alma nem lhe tira a sensibilidade.
Tão severo como é o fogo do Purgatório, é a pena da separação de Deus, a qual a alma também sofre no Purgatório, e esta é a pena mais severa.
A alma separada do corpo deseja com toda a intensidade de sua natureza espiritual estar com Deus.
É consumida de intenso desejo de voar até Ele.
Ainda é retida, e não há palavras para descrever a angustia dessa aspiração insatisfeita.
Que loucura, então, é para um ser inteligente como o ser humano negar qualquer precaução para evitar tal espantoso feito.
É infantil dizer que não pode ser assim, que não o podemos entender, que é melhor não pensar ou não falar dele.
O feito é que, seja o cremos ou não, todas as penas do Purgatório estão mais altas do que podemos imaginar ou conceber.
Estas são as palavras de São Agustinho.

Sobre o Purgatório, Pode tudo isto ser verdade?

A existência do Purgatório é tão certa que nenhum católico tem tido nunca uma duvida acerca dele.
Foi ensinado desde os tempos mais remotos pela Igreja e foi aceita com indubitável fé quando a Palavra de Deus foi pregada.
A doutrina é revelada na Sagrada Escritura e crida por milhões e milhões de crentes de todos os tempos.
Ainda, tal como o temos remarcado, as idéias de alguns são tão vagas e superficiais neste tema tão importante, que são como pessoas que cerram seus olhos e caminham deliberadamente no fio de um precipício.
Seria bem em recordar que a melhor maneira de cortar nossa estadia no Purgatório - o ainda mais, evitá-lo é ter uma clara idéia dele, e de pensar bem nele e adotar os remédios que Deus nos oferece para evitá-lo.
Não pensar nele é fatal.
É cavar a si mesmos a fossa, e preparar para eles mesmos um terrifico, largo e rigoroso Purgatório.

O Príncipe Polaco:

Houve um príncipe polaco, que por uma razão política, foi exilado de seu pais natal, e chegado à França, comprou um lindo castelo ali.
Desafortunadamente, perdeu a Fé de sua infância e estava, ocupado em escrever um livro contra Deus e a existência da vida eterna.
Dando um passeio uma noite em seu jardim, se encontrou com uma mulher que chorava amargamente.
Perguntou-lhe o porquê de seu desconsolo.
Oh, príncipe, ela replicou, sou a esposa de John Marie, seu mordomo, o qual faleceu faz dois dias.
Ele foi um bom marido e um devoto servente de Sua Alteza.
Sua enfermidade foi larga e gastei todos os recursos em médicos, e agora não tenho dinheiro para ir a oferecer uma Missa por sua alma "".
O príncipe, tocado pelo desconsolo desta mulher, lhe disse algumas palavras, e ainda que professava já não crer mais na vida eterna, lhe deu algumas moedas de ouro para ter a Missa por seu defunto esposo.
Um tempo depois, também de noite, o Príncipe estava em seu estúdio trabalhando febrilmente em seu livro.
Escutou um ruidoso tocar a porta, e sem levantar a vista de seus escritos, convidou a quem fosse a entrar.
A porta se abriu e um homem entrou e parou frente ao escritório de Sua Majestade.
Ao levantar a vista, qual não seria a surpresa do Príncipe ao ver a John Marie, seu mordomo morto, que o olhava com um doce sorriso.
Príncipe, lhe disse, "venho a agradecer-lhe pelas Missas que você permitiu que minha mulher encomendasse por minha alma.
Graças ao Salvador Sangue de Cristo, oferecido por mim, vou agora ao Céu , mas Deus me permitiu vir aqui e agradecer-lhe por suas generosas esmolas".
Logo o agregou solenemente "Príncipe, há um Deus, uma vida futura, um Céu e um Inferno".
Dito isto, desapareceu.
O Príncipe caiu de joelhos e recitou um Credo.

Santo Antônio e seu amigo

Aqui há uma narração de diferente classe, mas não menos instrutiva.
Santo Antônio, o ilustre Arcebispo de Florência, relata que um piedoso cavaleiro havia morrido, o qual tinha um amigo em um convento Dominicano no qual o Santo residia.
Varias Missas foram sufragadas por sua alma.
O Santo se afligiu muito quando, depois de um prolongado lapso, a alma do falecido lhe apareceu, sofrendo muitíssimo.
"Oh meu querido amigo" exclamou o Arcebispo, estás todavia no Purgatório, tu, que levaste tal piedosa e devota vida?".
"Assim é, e terei que permanecer aqui por um largo tempo" replicou o pobre sofredor, "pois em minha vida na terra fui negligente em oferecer sufrágios pelas almas do Purgatório.
Agora, Deus por seu justo juízo aplica os sufrágios que deviam ser aplicados por mim, em favor daqueles pelos quais devia ter rezado".
"Mas Deus, também, em sua justiça, me dará todos os méritos de minhas boas obras quando entrar ao Céu ; mas, primeiro de todo, tenho que expiar minha grave negligência de não me lembrar dos outros".
Tão certas são as palavras de Nosso Senhor "Com a vara com que medes serás medido".
Recorda, tu que lês estas linhas, o terrível destino desse piedoso cavaleiro será o daqueles que deixam orar e recusam ajudar as Santas Almas.

Quanto tempo as almas permanecem no Purgatório?

A extensão em tempo pela qual as almas permanecem no Purgatório depende de:
a) O número de suas faltas;
b) A malícia e a deliberação com que essas foram realizadas;
c) A penitencia feita, ou não, a satisfação feita, ou não, pelos pecados cometidos durante a vida;
d) E também depende dos sufrágios oferecidos por eles depois de suas mortes.
O que se pode dizer com segurança é que, o tempo que as almas passam no Purgatório é, por regra geral, muito mais longo que a gente possa imaginar.
Extraímos algumas citações de livros que falam da vida e as revelações dos Santos.
São Luis Bertrand : seu pai era um exemplar cristão, como naturalmente se podia esperar, sendo o pai de tão grande Santo.
Em um tempo desejou ser um Monge Cartuxo, até que Deus lhe fez ver que não era Sua vontade.
Quando morreu, ao logo de largos anos de praticar cada virtude cristã, seu filho completamente ao cuidado dos rigores da justiça Divina, ofereceu algumas Missas e elevou as mais ferventes súplicas pelo alma do qual o amou tanto.
Uma visão de seu pai no Purgatório o obrigou a multiplicar centenas de vezes seus sufrágios.
Agregou as mais severas penas e largos jejuns a suas Missas e orações.
Assim oito anos completos passaram antes que obtivesse a liberação de seu pai.
São Malaquias tinha uma irmã todavia no Purgatório, o qual fez que redobrasse seus esforços, e assim mesmo, apesar das Missas, orações e heróicas mortificações oferecidas pelo Santo, permaneceu vários anos retida! Se conta que uma santa monja em Pamplona, a qual conseguiu liberar várias Carmelitas do Purgatório, as quais permaneceriam ali pelo término de 30 a 40 anos! Monjas Carmelitas no Purgatório por 40, 50 o 60 anos! qual será o destino daqueles que vivem imersos nas tentações do Mundo, e com suas fortes debilidades? São Vicente Ferrer, depois da morte de sua irmã, orou com incrível fervor por sua alma e ofereceu várias Missas por sua libertação.
Ela apareceu ao Santo ao final de seu Purgatório, e lhe contou que se não fosse por sua poderosa intercessão ante Deus, ela haveria estado ali indeterminado tempo.
Na Ordem Dominicana é regra geral orar pelos Superiores no aniversário de suas mortes.
alguns deste tem morrido vários séculos atrás! eles foram homens eminentes por sua piedade e sabedoria.
Esta regra não seria aprovada pela Igreja se não fosse necessária e prudente.
Não queremos significar com isto que todas as almas estão retidas por tempos iguais nos fogos expiatórios.
Algumas tem cometido faltas leves e tem feito penitencia em vida.
Por tanto, seu castigo será muito menos severo.
Todavia, os exemplos que temos posto aqui são muito oportunos.
Se essas almas, quem gozaram do trato, que viram, seguiram, e tiveram a intercessão de grandes santos, são retidas largo tempo no Purgatório, que será de nós que não gozamos de nenhum desses privilégios?
Porque uma expiação tão prolongada? As razões não são difíceis de entender.
A malicia do pecado é muito grande, o que a nós nos parece uma pequena falta em realidade uma seria ofensa contra a infinita bondade de Deus, é suficiente ver como os Santos se condoeram sobre suas faltas.
Somos fracos, é nossa tendência.
é verdade, mas então Deus nos oferece generosamente abundantes graças para fortalecermos; nos dá a luz para ver a gravidade de nossas faltas, e a força necessária para vencer a tentação.
Se todavia somos fracos, a falta é toda nossa.
Não usamos a luz e a fortaleza que Deus nos oferece generosamente; não rezamos, não recebemos os Sacramentos como deviéramos.
Um eminente teólogo remarca que se as almas são condenadas ao Inferno por toda a eternidade pelo pecado mortal, não há que se assombrar que outras almas devessem ser retidas por largo tempo no Purgatório quem tem cometido deliberadamente incontáveis pecados veniais, alguns dos quais são tão graves que ao tempo de cometê-los o pecador escassamente distingue se são mortais ou veniais.
Também, eles podem ter cometido alguns pecados mortais pelos quais tiveram pouco arrependimento e fizeram pouca ou nenhuma penitencia.
A culpa tem sido remitida pela absolvição, mas a pena devida pelos pecados terá que ser paga no Purgatório.
Nosso Senhor nos ensina que deveremos render contas por cada palavra que dizemos e que não deixaremos a prisão até que tenhamos pago até o último centavo.
Os Santos cometeram poucos e leves pecados, e todavia eles sentem muito e fazem severas penas.
Nós cometemos muitos e gravíssimos pecados, e nos arrependemos pouco e fazemos pouca ou nenhuma penitencia.

Pecados Veniais

Seria difícil calcular o imenso número de pecados veniais que um católico comete.
1) Há um infinito número de faltas no amor, egoísmo, pensamentos, palavras, atos de sensualidade, também em formas variantes, como faltas de caridade no pensamento, palavra, obra, e omissão.
Sensualidade, vaidade, zelos, tibieza e outras inumeráveis faltas.
2) Há pecados por omissão que não pagamos.
Amamos tão pouco a Deus, e Ele clama centenas de vezes por nosso amor.
O tratamos friamente, indiferentemente e até com ingratidão.
Ele morreu por cada um de nós .
Temos-lhe agradecido como se deve? Ele permanece dia e noite no Santíssimo Sacramento do Altar, esperando por nossas visitas, ansioso de ajudar-nos.
Quão pouco vamos a Ele ? Ele ânsia vir a nós na Santa Comunhão, e o recusamos.
Se oferece a Si mesmo por nós cada dia no Altar na Missa e dá oceanos de graças a aqueles que assistem ao Santo Sacrifício.
Ainda alguns são tão preguiçosos de ir a Seu Calvário! Que desperdício de graças!
3) Nossos corações estão cheios de amor a nós mesmos, duros.
Temos casas felizes, esplendida comida, vestido, e abundância de todas as coisas.
Muitos de nossos próximos vivem na fome e a miséria, e lhe damos tão pouco, enquanto que vivemos no desperdício e gastamos com nós mesmos sem necessidade.
4) A vida nos foi dada para servir a Deus, para salvar nossas almas.
Muitos cristãos, sem dúvida , estão satisfeitos de rezar cinco minutos a manhã e cinco à noite! O resto das 24 horas estão dedicados ao trabalho, descanso e prazer.
Dez minutos a Deus, a nossas almas imortais, ao grande trabalho de nossa salvação.
Vinte e três horas e cinqüenta minutos a esta transitória vida! é justo para Deus? Nossos trabalhos, nossos descansos e sofrimentos deveriam ser feitos para Deus! Assim deveria ser, e nossos méritos seriam com certeza grandes.
A verdade é que hoje em dia poucos pensam em Deus durante o dia.
O grande objetivo de seus pensamentos são eles mesmos.
Eles pensam e trabalham e descansam para satisfazer a si mesmos.
Deus ocupa um pequeníssimo espaço em seus dias e suas mentes.
Isto é uma tristeza a Seu Amantíssimo Coração, o qual sempre pensa em nós.

E agora, os pecados Mortais

Muitos cristãos cometem, desafortunadamente, pecados mortais durante suas vidas, mas ainda que os levam ao Sacramento da confissão, não fazem penitência por eles, como já temos dito.
São Brida o venerável, opina que aqueles que passam grande parte de sua vida cometendo graves pecados e confessando-os em seu leito de morte, podem chegar a ser retidos no Purgatório até o Dia Final.
Santa Gertrudes em suas revelações disse que aqueles que cometem muitos pecados graves e que não tenham feito penitencia não gozam de nenhum sufrágio da Igreja por um considerável tempo! Todos esses pecados, mortais ou veniais, se acumulam por 20,30,40,60 anos de nossas vidas.
Todos e cada um deverão ser expiados depois da morte.
Então, é espantoso que algumas almas tenham que estar no Purgatório por tanto tempo?

Porque e para que rezar pelas almas benditas do Purgatório?

O grande Mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo é que nos amemos uns aos outros, genuína e sinceramente.
O Primeiro grande Mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas.
O Segundo, o melhor dito a continuação do Primeiro, é amar ao próximo como a nós mesmos.
Não é um conselho ou um mero desejo do Todo-poderoso.
É Seu grande Mandamento, a base e essência de Sua Lei.
É tanta a verdade encerrada nisto que o toma como doação tudo aquilo que fazemos por nosso próximo, e como uma recusa a Ele quando recusamos a nosso próximo.
Lemos no Evangelho de São Mateus ( Mt 25:34-46), as palavras de Cristo que dirigirás a cada um no Dia do Juízo Final.
Alguns católicos parecem pensar que sua Lei tem caído em desuso, pois nestes dias existe o egoísmo, o amor a si mesmo, e cada um pensa em si mesmo e em seu engrandecimento pessoal.
"E inútil observar a Lei de Deus nestes dias", dizem, "cada um deve olhar por si mesmo ".
Não há tal coisa! a lei de Deus é grandiosa e todavia para sempre terá força de lei.
Por isso, é mas que nunca necessária, mas que nunca nosso dever e por nosso maior interesse.
Estamos moralmente obrigados a rogar pelas almas benditas.
Sempre estamos obrigados a amar e ajudar ao outro, mas quanto maior é a necessidade de nosso próximo, maior e mas estrita é nossa obrigação.
Não é um favor que podemos ou não fazer, é nosso dever; devemos ajudar-nos uns aos outros.
Seria um monstruoso crime, por caso, recusar a tomar e desprezar o alimento necessário para manter-se vivo.
Seria espantoso recusar a ajuda a alguém em uma grande necessidade, passar de longe e não estender a mão para salvar a um homem que está pedindo.
Não apenas devemos ajudar quando é fácil e conveniente, mas sim que devemos fazer qualquer sacrifício para socorrer a nosso irmão em dificuldades.
Agora, quem pode estar mais necessitado de caridade que as almas do Purgatório? Que fome ou sede ou sofrimento nesta Terra pode comparar-se com seus mais terríveis sofrimentos? Nem o pobre, nem o enfermo, nem o sofredor que vemos a nosso redor necessitam de tal urgente socorro.
Ainda encontramos gente de bom coração que se interessa nos sofrentes desta vida, mas, escassamente encontramos gente que trabalha pelas Almas do Purgatório! E quem pode necessitar mais? Entre eles, além do que, podem estar nossas mães, nossos pais, amigos e seres queridos.
Deus deseja que as ajudemos.
Elas são os amigos mais queridos, deseja ajudá-los; deseja muito tê-los próximos d´ Ele no Céu .
Elas nunca mais o ofenderão, e estão destinadas a estar com Ele por toda a Eternidade.
Verdade, a Justiça de Deus demanda expiação pelos pecados, mas por uma assombrosa disposição de Sua Providencia põe em nossas mãos a possibilidade de assisti-los, ou nos dá o poder de aliviá-las e ainda de liberá-las.
Nada agrada mais a Deus que lhes ajudemos.
Estará tão agradecido como se lhe ajudássemos a Ele.
Nossa Senhora quer que os ajudemos:
Nunca, nunca uma mãe desta terra amou tão ternamente a seus filhos falecidos, nunca ninguém consola como Maria busca consolar seus sofrentes meninos no Purgatório, e tê-los com Ela no Céu .
Daremos-lhe grande regozijo cada vez que tirássemos do Purgatório uma alma.
As benditas almas do Purgatório nos devolvem o mil por um:
Mas que poderemos dizer dos sentimentos das Santas Almas? Seria praticamente impossível de descrever seu ilimitada gratidão para aqueles que as ajudam! Cheias de um imenso desejo de pagar os favores feitos por elas, rogam por seus benfeitores com um fervor tão grande, tão intenso, tão constante, que Deus não lhes pode negar nada.
Santa Catarina de Bologna disse :"Tenho recebido muitos e grandes favores dos Santos, mas muito maiores das Santas Almas (do Purgatório)".
Quando finalmente são liberadas de suas penas e desfrutam da beatitude do Céu , longe de esquecer a seus amigos da Terra, sua gratidão não conhece limites.
Prostradas frente ao Trono de Deus, não cessam de orar por aqueles que os ajudaram.
Por suas orações elas protegem a seus amigos dos perigos e os protegem dos demônios que os atacam.
Não cessam de orar até ver a seus benfeitores seguros no Céu , e serão por sempre seus mais queridos, sinceros e melhores amigos.
Se os católicos soubessem quão poderosos protetores se asseguram com apenas ajudar as almas benditas, não seriam tão omissos de orar por eles.
As almas benditas do Purgatório podem encurtar nosso próprio Purgatório:
Outra grande graça que obteremos por orar por elas é um curto e fácil Purgatório, ou sua completa remissão! São João Macias, sacerdote dominicano, tinha uma maravilhosa devoção as Almas do Purgatório.
Obteve por suas orações (principalmente pela recitação do Santo Rosário) a liberação de um milhão quatrocentas mil almas! Em retribuição, obteve para si mesmo as mais abundantes e extraordinárias graças e essas almas vieram consolá-lo em seu leito de morte, e a acompanhá-lo até o Céu .
Este feito é tão certo que foi inserido pela Igreja na bula que decretava sua beatificação.
O Cardeal Baronio recorda um evento similar.
Foi chamado a assistir a um moribundo.
De repente, um exército de espíritos benditos apareceram no leito de morte, consolaram ao moribundo, e dissiparam aos demônios que gemiam, em um desesperado intento por lograr sua ruína.
Quando o cardeal lhes perguntou quem eram, lhe responderam que eram oito mil almas que este homem havia liberado do Purgatório graças a suas orações e boas obras.
Foram enviadas por Deus, segundo explicaram, para levá-lo ao Céu sem passar um só momento no Purgatório.
Santa Gertrudes foi ferozmente tentada pelo demônio quando estava por morrer.
O espírito demoníaco nos reserva uma perigosa e sutil tentação para nossos últimos minutos.
Como não pode encontrar um assalto o suficientemente inteligente para esta Santa, o pensou em molestar sua beatifica paz sugerindo-lhe que ia a passar muitíssimo tempo no Purgatório posto que ela desperdiçou suas próprias indulgências e sufrágios em favor de outras almas.
Mas Nosso Senhor , não contente com enviar Seus Anjos e as milhares de almas que ela havia liberado, foi em Pessoa para afastar a Satanás e confortar a sua querida Santa.
Ele disse a Santa Gertrudes que em troca do que ela havia feito pelas almas benditas, lhe levaria direto ao Céu e multiplicaria cem vezes todos seus méritos.
O Beato Enrique Suso, da Ordem Dominicana, fez um pacto com outro irmão da Ordem pelo qual, quando o primeiro deles morresse, o sobrevivente ofereceria duas Missas cada semana por sua alma, e outras orações também.
Sucedeu que seu companheiro morreu primeiro, e o Beato Enrique começou imediatamente a oferecer as prometidas Missas.
Continuou dizendo-as por um largo tempo.
Ao final, suficientemente seguro que seu santamente morto amigo havia alcançado o Céu , cessou de oferecer as Missas.
Grande foi seu arrependimento e consternação quando o irmão morto apareceu frente a ele sofrendo intensamente e reclamando que não havia celebrado as Missas prometidas.
O Beato Enrique replicou com grande arrependimento que não continuou com as Missas, crendo que seu amigo seguramente estaria desfrutando da Visão Beatifica mas agregou que sempre o recordava em suas orações.
"Oh irmão Enrique, por favor dai-me as Missas, pois é o Preciosíssimo Sangue de Jesus o que eu mais necessito" chorava a sofredora alma.
O Beato recomeçou a oferecê-las, e com redobrado fervor, ofereceu Missas e rogos por seu amigo até que recebeu absoluta certeza de sua liberação.
Logo foi sua vez de receber graças e benções de toda classe por parte de seu querido irmão liberado, e muito mais do que as que haveria esperado.

como podemos ajudar as benditas almas do Purgatório:

A primeira medida é um ir a Associação das Santas Almas.
As condições são simples.
a) Ter teu nome registrado no livro da Associação.
b) Ouvir Missa uma vez a semana (basta a Missa do domingo) pelas Santas Almas.
c) Rezar e promover a devoção as almas Benditas.
d) Contribuir uma vez ao ano com um donativo a Associação, o qual permite a Associação ter Missas perpetuas cada mês.
(Se desejam Missas especiais pelas almas Benditas, é importante mencionar quantas Missas se querem).
Aqueles que desejam ir e não tem a Associação em suas Paróquias, podem enviar seus nomes, intenções e esmolas anuais a Associação das Santas Almas, Irmãs Dominicas do Perpetuo Rosário, Monastério Pio XII, Rua do Rosário 1, 2495, Fátima, Portugal.
Esta Associação está aprovada pelo Cardeal Arcebispo de Lisboa.
A segunda medida para ajudar as almas Benditas, é pedindo Missas oferecidas por elas.
Esta é certamente a mais eficaz das medidas para liberá-las.
Aqueles que não possam oferecer Missas, deveriam assistir a quantas Missas for possível por sua intercessão.
Um homem jovem que ganhava um salário muito modesto lhe contou ao autor deste livro: " Minha esposa morreu uns anos antes.
Tenho 10 Missas oferecidas por ela.
Não posso fazer mais por ela, mas ouvi 1.000 Missas por sua querida alma.
A recitação do Santo Rosário (com suas grandes indulgências) e fazer a Via Crucis (a qual é ricamente doadora de indulgências), são excelentes vias de ajuda as almas.
São João Macias, como vimos, liberou do Purgatório mais de um milhão de almas, principalmente recitando o Santo Rosário e oferecendo suas indulgências por elas.
Outra fácil e eficaz forma de ajuda é a recitação constante de orações breves que contenham indulgências (aplicando ditas indulgências em favor das almas do Purgatório) muita gente tem a costume de dizer 500, ou 1000 vezes cada dia a pequena jaculatória "Sagrado Coração de Jesus, em Vós confio", ou apenas a palavra "Jesus".
Estas são as mais consoladoras devoções; elas trazem oceanos de graças a quem as praticam e dão imenso alivio as Santas Almas.
Aqueles que digam as jaculatórias 500, ou 1.000 vezes, ganham 300.000 dias de indulgências(oitocentos e vinte um anos de indulgências)! Que multidão de almas podemos liberar!!! Quanto não será a quantidade de almas liberadas ao cabo de um mês, de um ano, de cinqüenta anos? e aos que não dizem as jaculatórias.
Que imenso número de graças e favores haverão perdido! é bastante possível que não seja fácil dizer essas jaculatórias 1.000 vezes ao dia.
Mas se não podes dizer 1.000, pelo menos digas 500, ou 200 vezes diárias.
Todavia outra poderosa oração é:
"Pai Eterno, te ofereço o Preciosissimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas Almas do Purgatório".
Nosso Senhor mostrou a Santa Gertrudes um vasto número de almas deixando o Purgatório (cerca de 1.000 cada vez que se recitava!) e indo ao Céu como resultado desta oração, a qual a Santa costumava dizer freqüentemente durante o dia.

O ato heróico:

Consiste em oferecer a Deus em favor das Almas do Purgatório todos os trabalhos de satisfação que praticamos em nossa vida e todos os sufrágios que serão oferecidos para nós depois de nossa morte.
Se Deus premia tão abundantemente a mais insignificante esmola dadas por um pobre homem em Seu nome, que imensa recompensa Ele não dará a aqueles que oferecem seus trabalhos de satisfação em vida e morte pelas Almas que Ele ama tanto.
Este ato não evita que os sacerdotes ofereçam Missas pelas intenções que eles desejem, ou que os laicos não rezem por algumas pessoas ou outras intenções.

As esmolas ajudam as Santas Almas:

São Martim deu a metade de seu manto a um pobre mendigo, apenas para dar-se conta depois que se o havia dado a cristo.
Nosso Senhor apareceu ao Santo e lhe agradeceu.
O Beato Jordam da Ordem Dominica, nunca podia recusar dar esmolas quando se o pediam no nome de Deus.
Um dia havia esquecido seu moedeiro.
Um pobre homem implorava uma esmola pelo amor de Deus.
Em vez de descartá-lo, Jordam, então um estudante, lhe deu seu mais apreciado cinto, o qual apreciava muito.
Pouco tempo depois, entrou em uma Igreja e encontrou seu cinto circundando a cintura de uma imagem de Cristo Crucificado.
Ele também, havia dado suas esmolas a Cristo.
Todos damos esmolas a Cristo.

Conclusão:

Dar todas as esmolas que possamos.
Pedir todas as Missas que estejam em nosso poder.
Escutar todas as Missas, quantas mais, melhor.
Oferecer todas nossas penas e sofrimentos pela liberação das Almas do Purgatório.
Liberaremos incontável quantidade de Almas do Purgatório, as quais nos pagaram 10.000 vezes mas.

Vocação Universal à Santidade

1. A Vocação universal à santidade




























2.. O MILAGRE NAS CAUSAS DE CANONIZAÇÃO

2.1 O Caráter histórico

   Ao apresentar agora algumas reflexões sobre os milagres realizados por Jesus Cristo durante a sua vida terrena, terei como ponto de referência o Santo Padre, João Paulo II que, de Novembro de 1987 a Janeiro de 1988, dedicou a este tema sete discursos na sua audiência semanal, de quarta-feira, assim como outro discurso no dia 5 de Março de 1977 sobre a intercessão da Virgem Santíssima no milagre das bodas de Cana.
   São mais de quarenta milagres de Jesus narrados nos quatro Evangelhos. Este fato torna-se ainda mais importante a ter-se em conta o grande espaço que lhes é dedicado na referida narração, impedindo assim de clássica-los como algo acessório ou artificialmente incluído na narração. Neste sentido, destaca-se o Evangelho de São Marcos, no qual o número de versículos que se referem aos milagres alcança 31% da totalidade do texto e chaga a 47% se excluirmos os seis últimos capítulos sobre a paixão de Jesus Cristo. A este dado estatístico deve-se acrescentar que a narração dos milagres não se encontra no Evangelho, isolada do contexto, mas sim estreitamente entrelaçada com a doutrina de Jesus Cristo e com a reação dos testemunhos presenciais: que não teria sentido formular uma separação entre a pregação de Jesus e as suas obras – entre a doutrina que ensinou e os milagres que acompanharam – sendo-lhes atribuído um distinto peso histórico ou hermenêutico. O Teólogo não pode ignorar esta unidade, pois a economia da revelação é intrinsecamente caracterizada por se apresentar <<mediante ações e palavras intimamente ligadas entre si, de maneira que as obras realizadas por Deus no decorrer da historia da salvação manifestam  e reforçam a doutrina; e, por sua vez, as palavras proclamam as obras e fazem sobressair o mistério que elas encerram>>.  
  Para iniciar a sua catequese sobre o milagre, o Papa cita o testemunho de Pedro à multidão que se havia reunido à volta dos Apóstolos no dia de Pentecostes:<<Israelitas, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por seu intermédio, como vos sabeis... vós o matastes, cravando-o numa cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte>> (At 2,22). Na economia da Encarnação e da Redenção tudo é gratuito, mas – como manifestação do seu amor  que chegou até o fim – Jesus Cristo não nos deixou só a mensagem e os meios de salvação, mas também quis torná-los acessíveis, por nós, reforçando-nos através dos milagres.
  Antes de analisar o significado dos milagres nos seus diferentes aspectos, João Paulo II adverte <<na necessidade de constatar que esses prodígios e sinais pertencem seguramente ao conteúdo integral dos Evangelhos, como testemunhos sobre Jesus Cristo que provem de testemunhos oculares. Não se pode excluir os milagres do texto e do contexto evangélico. A Análise, tanto do texto como do contexto fala a favor do seu caráter “histórico”; testemunha que são atos ocorridos na realidade e realizados efetivamente por Jesus Cristo.
Quem os considera com honestidade intelectual e competência cientifica não pode omiti-los irrefletidamente, como meras inversões posteriores>>.
   Não podemos nos deter numa exposição detalhada deste caráter histórico, de atos realmente acontecidos que exigiria, não só um estudo dos critérios gerais das ciências históricas aceitas também pelos exegetas para a sua aplicação à Sagrada Escritura, mas ainda uma analise pormenorizada dos milagres narrados nos Evangelhos, com uma referência a cada um deles no lugar e nas circunstâncias em que aconteceram. Contudo, temos que acrescentar algumas pontualizações antes de continuar.   
   Em primeiro lugar, ao afirmar-se a historicidade dos milagres de Jesus, estamos a referir que estes atos aconteceram realmente como nos são narrados, de forma que o relato de uma cura deve entender-se no sentido de que, por obra de Jesus Cristo, o doente ficou curado da doença que o afligia. O que lemos nos Evangelhos sobre os milagres não se reduz, pois, a um mero artifício literário sem se basear na realidade para que fique gravada nos ouvintes a doutrina de referência. Antes de concluir o seu Evangelho, São João adverte que <<Jesus na presença dos seus discípulos fez também muitos outros sinais>>, e acrescenta:<<Estes foram escritos para que acreditem que Jesus é o Filho de Deus, e para que acreditando, tenham a vida em seu nome>>. Era domínio publico a fama de Jesus passando pela terra a fazer milagres, como nos recorda São Pedro no dia de Pentecostes. Mas, todavia, a realidade dos milagres de Jesus Cristo não foi negada nem sequer por aqueles que usavam de subterfúgios para o condenar. Estes admitiam os prodígios, mas não aceitavam a sua realização em nome de Deus, pois atribuíam ao poder do príncipe dos demônios.
   Detendo-nos agora no significado dos milagres, devemos recordar que, acima de tudo, testemunham a condição e a missão messiânica de Jesus. A este respeito, é emblemático o episodio do paralítico de Cafarnaum, a quem Jesus disse: <<Filho, os teus pecados te estão perdoados>>. Alguns parentes murmuravam entre si: <<Blasfêmia. Não é o Deus que tem poder para perdoar os pecados?>> Jesus, conhecendo os seus pensamentos, respondeu: <<O que é mais fácil, dizer ao paralítico: Os teus pecados estão perdoados, ou disser-lhe: Levanta-te, toma o teu catre e anda? Pois para que saibais que o filho do homem tem poder na terra para perdoar os pecados – dirigiu-se ao paralítico – a ti te digo: Levanta-te, toma o teu catre e vai para casa. No mesmo instante levantou-se, tomou o catre e saiu na presença de todos>>.
   Do mesmo modo, acrescentamos que Jesus cristo, ao realizar esses prodígios, não atua como representante de Deus que o enviou, mas sim”em nome próprio, consciente do seu poder divino e, ao mesmo tempo, convicto da unidade profunda com o Pai>>. Diz ao leproso: <<Eu o quero limpo>> (Mc 5,41). E à filha de Jairo: <<Eu te digo: Levanta-te>> (Lc 7, 14-15).

2.2 Os milagres de Jesus como sinal  


   Os milagres de Jesus revestem o caráter de sinal. Mostram, em primeiro lugar, o seu poder salvífico. As curas milagrosas relativas às doenças corporais, assim como outros prodígios, estão dirigidas à salvação das almas e à redenção do mundo inteiro.
   Com elas, Jesus Cristo manifesta o seu poder de salvar o homem do mal e destaca que o objetivo principal da sua vinda ao mundo é libertá-lo do mal espiritual, isto é do pecado: <<Todos os “milagres, prodígios e sinais” de Cristo estão em função da sua própria revelação como Messias, como filho de Deus: daquele a quem pertence em exclusivo o poder de libertar o homem do pecado e da morte.
Daquele que é em verdade o salvador do mundo>>. Os milagres evidenciam <<o poder supremo de Jesus Cristo sobre a natureza e sobre as suas leis.
Quando se realiza os milagres com o seu próprio poder, Jesus revela-se também com Filho consubstancial do Pai e igual a Ele no domínio da criação>>.
   Mas, há ainda milagres que apresentam outros aspectos que são complementares relativamente ao significado fundamental da prova do poder divino  do Filho do Homem, em relação com a economia da salvação.
(...) Pode-se afirmar que os milagres de Cristo – manifestação da onipotência divina relativamente ao universos criado, perfeita evidência no seu poder messiânico  sobre os homens e sobre as coisas – são, ao mesmo tempo, os <<sinais>> mediante os quais se revela a obra divina da salvação e se realiza de forma definitiva na história do homem, a economia salvífica que Cristo
introduz, a qual fica assim inscrita neste mundo visível, que é sempre  obra divina. (...) Mediante  estes sinais, os homens são preparados para acolher a salvação que Deus lhes oferece no seu Filho.
Esta é a finalidade essencial de todos os milagres e sinais realizados por Jesus Cristo aos olhos dos seus contemporâneos, como também dos milagres que no decorrer da história serão realizados pelos Apóstolos e discípulos de Jesus recorrendo ao poder salvífico do seu Nome: <<Em nome de Jesus o Nazareno, levanta-te e anda!>> (At 3,6).              
   Além disso, os milagres de Jesus são sinais não só da vontade salvífica de Deus, mas também do seu amor salvífico; brotam da fonte que é o coração misericordioso de Deus, que vive e vibra no Coração humano de Cristo.
Há neles aquilo que o Papa intuía <<uma unidade lógica>>, que mostra com derivam da economia salvífica de Deus e revela o seu amor por nós: também que esse amor redentor não se dirige apenas às almas, mas também aos corpos e a toda a criação.
   Os relatos de Jesus Cristo também se entrelaçam com a chamada à fé, chamada esta que se manifesta de duas formas: em primeiro lugar, a fé precede o milagre e constitui uma condição para que este se realize. Jesus, antes de realizar o prodígio que lhe pedem, exige que se acredite que o coração do homem não se feche a Ele. Dirá a Jairo antes de ressuscitar a sua filha: <<Não temas, tem somente fé>> (Mc 5,36). Da mesma forma, o pai do jovem lunático pedia ao Senhor: <<Se podes algo, compadece-te de nós e ajuda-nos>>. Jesus disse-lhe: <<Se podes...! Tudo é possível ao que crê!>>. Em seguida o pai do jovem exclamou: <<Creio, Senhor ajuda a minha incredibilidade>> (Mc 9, 22-24), e o jovem ficou curado. Ouvimos dos lábios de Jesus Cristo: <<A tua fé te salvou>>, <<a tua fé te curou>>, <<mulher grande é tua fé, que se faça o que tu queres>>. A necessidade da fé como abertura do coração aparece com evidência no relato de São Marcos sobre o escândalo dos habitantes de Nazaré, quando Jesus Cristo ensinava na Sinagoga. Por isso, prossegue o evangelista, O Senhor <<não podia ali realizar obras maravilhosas: somente curou alguns poucos enfermos impondo-lhes as mãos. E estava admirado com a incredulidade deles>> (Mc 6, 1-6).
   Em segundo lugar, a fé surge depois do milagre, provocada na alma dos que o presenciam: <<O milagre é um sinal do poder e do amor de Deus que salvam o homem em Cristo, Mas, precisamente por isto, é ao mesmo tempo um chamado ao homem à fé> Deve levar a acreditar>>.
   Assim, os milagres mostram a existência da ordem sobrenatural, que é objeto da fé; fazem experimentar, de madeira palpável, que a ordem da natureza não esgota a realidade existente. O milagre, constitui um sinal de que esta ordem e, ao mesmo tempo, faz-nos saber que o destino do homem é o Reino de Deus, (...) os milagres fazem parte do projeto da <<nova criação>> e estão, por isso, em relação com a ordem da salvação.
São sinais salvíficos que chamam à conversão e a fé>>.
   Como resumo desta parte de nossa exposição, concluímos que a pessoa e a santidade de Jesus Cristo, a sua vida e obras, a sua mensagem e os milagres que realizou estão harmoniosamente unidos entre si e constituem uma unidade indivisível, de modo que ficaria focalizado sob perspectiva falsa, sendo, portanto, ineficaz, o propósito de abalizá-los como peças soltas, só exteriormente relacionados entre si.

 
Do Livro: O Milagres nas causas de canonização.
Autor: Ricardo Quintana Bescós.     


sábado, 29 de outubro de 2011

Ato de Desagravo e Reparação ao Sagrado Coração de Jesus


Ó Coração dulcíssimo de Jesus! Coração Hóstia. Coração Vítima, para quem os homens ingratos só têm indiferença, esquecimento e desprezo, permiti a vossos filhos da Guarda de Honra virem neste dia de salvação e perdão pedir misericórdia a vossos pés, e dar-vos reparação pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois a vítima adorável no vosso Sacramento de amor.
Ah! Pecadores, nós mesmos, apenas ousamos apresentar-nos!... Cada um teme, a cada um falta a coragem para elevar a voz em favor de seu irmão. Entretanto, ó Jesus, confiado na infinita bondade de vosso Coração e prostrando-nos humildemente perante vossa Majestade três vezes santa, tão indignamente ultrajada pelos crimes que inundam a terra, ousamos dizer-vos: Senhor não castigueis, não castigueis! Ou pelo menos, não castigueis ainda! Vosso amor tão indulgente perdoará nossa temeridade!
Ó Coração de Jesus!... Coração tão generoso, e tão terno. Coração tão amante e tão doce... perdão, primeiramente para nós... perdão para os pobres pecadores! Aceitai nosso desagravo, nossa reparação pelas blasfêmias com que tanto vos ultrajam! Perdão para os blasfemadores!
Reparação pelas profanações de vossos Sacramentos e do santo dia que vos é consagrado... Graça e misericórdia para os profanadores!
Reparação pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo... Graças e perdão para os sacrílegos!
Reparação pela indiferença que de vós aparta tantos cristãos... Graças e perdão para os ingratos!
Reparação por todos os crimes! Ainda uma vez, Senhor, graça e perdão para todos os homens!
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso divino Filho, que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados! Seja ouvido em nosso favor seu Sangue preciosíssimo... Cessem as ofensas!... Estabeleça-se vosso divino amor, reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos reinem convosco no Céu por toda a eternidade. Amém.


Oração reparadora
(Na primeira sexta-feira)

Divino Salvador Jesus! Dignai-vos olhar com amor e misericórdia para os vossos filhos que, unidos em um mesmo pensamento de Fé, de Esperança e de Amor, vêm chorar a vossos pés suas infidelidades e as de seus irmãos os pobres pecadores! Dai, Senhor, que as promessas unânimes e solenes que vamos fazer, toquem vosso divino Coração e dele alcancem misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso, e para todos aqueles que não têm a felicidade de vos amar! Daqui por diante, sim, todos vos prometemos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens: Nós vos consolaremos, Senhor.(Repetir).
Do abandono em que sois deixado no Santo Tabernáculo,
Dos crimes dos pecadores,
Do ódio dos ímpios,
Das blasfêmias proferidas contra vós,
Das injúrias feitas à vossa Divindade,
Dos sacrilégios com que se profana o vosso Sacramento do Amor,
Das imodéstias e irreverências cometidas em vossa presença adorável,
Das traições de que sois a vítima adorável,
Da tibieza do maior número de vossos filhos,
Do desprezo que se faz de vossos convites amorosos,
Da infidelidade daqueles que se dizem vossos amigos,
Do abuso de vossas graças,
Das nossas próprias infidelidades,
Da incompreensível dureza de nossos corações,
Da nossa longa demora em vos amar,
Da nossa frouxidão em vosso santo serviço,
Da amarga tristeza que vos causa a perda das almas,
De vosso longo esperar às portas de nossos corações,
Das amargas repulsas que sofreis,
Dos vossos suspiros de amor,
Das vossas lágrimas de amor,
Do vosso cativeiro de amor,
Do vosso martírio de amor.


Oração

Divino Salvador Jesus, que de vosso Coração deixastes sair esta queixa dolorosa: “Procurei consoladores e não os achei”, dignai-vos de aceitar o fraco tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro e vossa graça, que para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, vossos filhos mais fiéis e dedicados. Nós vos pedimos por vós mesmo que sendo Deus, como o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém.


Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Ó Jesus, verdadeiro Filho de Deus vivo, que do alto de vosso glorioso trono vos dignastes pronunciar em favor de nós estas palavras inefáveis: “Meu filho, dá-me teu coração!”, permiti que correspondendo ao excesso de um tal amor, venhamos oferecer-vos, dedicar-vos, consagrar-vos, inteiramente e para sempre estes fracos e miseráveis corações, de que sois tão cioso! Por muito tempo, Senhor, os oferecemos às criaturas, aos falsos bens deste mundo. Por muito tempo resistimos às vossas graças, rejeitamos vosso convite e em vão procuramos a felicidade que em vós somente se pode encontrar! Instruídos pela própria experiência...confusos pela longa demora em vos amar, tocados pelo inexplicável amor que testemunhais a indignas criaturas, eis-nos aqui suplicando-vos que aceiteis a oferta total que vos fazemos de todos os nossos corações. Recebei-os no vosso amabilíssimo Coração, ó amado Salvador! E guardai-os para sempre! São corações ingratos, infiéis que poderiam ainda atrairçoar-vos e abandonar-vos. Para reparar nossas infidelidades passadas, pretendemos e desejamos, ó Jesus, que todas as pulsações de nossos corações vos sejam daqui por diante outros tantos protestos de amor mais puro, mais dedicado e mais terno.
Unimos estes fracos atos aos atos ardentíssimos que continuamente vos oferece o Coração de vossa Mãe Imaculada, todos os Anjos e todos os Santos!
Finalmente, quiséramos, ó amabilíssimo Salvador, poder consagrar e dedicar a vosso amor os corações de todos os homens que estão na terra e assim suprir a insuficiência de nosso amor para convosco. Aceitai estes humildes desejos, ó Jesus, e dignai-vos abençoá-los, e fazei com que tendo-vos fielmente amado, servido e consolado sobre a terra, como verdadeiros Guardas da Honra, tenhamos a felicidade de oferecer-vos no Céu um eterno hino de Louvor, de Amor e de Bênção. Amém.

Tu, que peregrinas neste mundo em busca da pátria celeste, lembra-te que foi Cristo quem por ti se sacrificou na cruz, imolando todo seu Sagrado Ser ao Pai Celeste. Reza devotamente este Ato de Desagravo ao seu Sagrado Coração, em reparação de  nossos pecados e dos do mundo inteiro. Amém!