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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dia dos Fiéis Defuntos

  

Aprovação de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa Palácio Cardinalício, Lisboa, 4 de março de 1936.
"Leia-me ou lamentá-o", por EDM (Engant de Marie, iniciais com as que se identifica o padre O'Sulivan).
Ainda que pequeno, está destinado a fazer grandes coisas entre os católicos, muitos dos quais estão incrivelmente ignorantes acerca da grande doutrina do Purgatório.
Como conseqüência, eles fazem pouco ou nada para evitá-lo para si mesmos e tampouco ajudam as Almas Sofrentes que estão em terríveis tormentos, esperando pelas Missas e as orações oferecidas por elas.
É nosso mais caro desejo que cada católico lesse este livro e que o comunicasse por todas as partes, tanto como lhe seja possível.

Prefacio: "Leia-me ou lamentá-o"

O titulo é algo alarmante.
Assim, estimado leitor, se tu lês este pequeno livro, verás por ti mesmo quão merecido é.
O livro nos conta como salvar a nós mesmos e a outros de um sofrimento inenarrável.
Alguns livros são bons e alguns outros podem ser de proveito.
Outros são melhores e devem ser lidos sem falta.
Há, sem dúvida, livros de tão excelente mérito por razão de seus conselhos, a convicção que acarretam e a ação urgente a que nos impulsionam.
"Leia-me ou lamentá-o" pertence a essa classe de livros.
É para teu maior interesse, estimado amigo, que o leias e re-leias, para ponderá-lo bem e profundamente em seus conteúdos.
Nunca te arrependerás disto, pelo contrario, grande e amargo será teu arrependimento se tu deixas de estudá-lo em suas substanciosas páginas.
Auxílio, Auxílio, sofremos muito!
Nunca chegaremos a compreender suficientemente de modo claro como uma esmola, pequena ou grande, dada em favor das almas sofrentes, é dada diretamente a Deus.
Que a aceita e recorda como se a houvessem dado diretamente a Ele.
Assim, tudo o que façamos por elas, Deus o aceita como feito para Ele.
É como se o aliviássemos ou liberássemos a Ele mesmo do Purgatório.
E de que maneira nos pagará!
Não há maior sede, pobreza, necessidade, pena, dor, sofrimento que se compare aos das Almas do Purgatório, por tanto não há esmolas mais merecidas, nem mais agradáveis a Deus, nem mérito mais alto para nós, que rezar, pedir celebrações de Missas, e dar esmolas em favor das pobres Santas Almas.
É muito possível que alguns de nossos mais próximos e queridos parentes estejam, todavia sofrendo as purificantes penas do Purgatório e lamentando entre lastimosos gemidos para que os ajudemos e aliviemos.
Não é terrível que sejamos tão duros que não possamos pensar neles, nem tampouco possamos ser tão cruéis que deliberadamente os esqueçamos?
Pelo amor de Cristo, façamos tudo, mas tudo, o que pudermos por elas.
Todo católico deveria unir-se a uma Associação para o bem das Almas do Purgatório Purgatório:
"Tenham piedade de mim, tenham piedade de mim, pelo menos vocês meus amigos, porque a mão do Senhor me tem tocado" (Job 19:21).
Esta é a comovedora súplica que a Igreja Purgante envia a seus amigos na terra.
Terra, comecem, implorem sua ajuda, em resposta a angustia mais profunda.
Muitos dependem de suas orações.
É incompreensível como alguns católicos, ainda aqueles que de uma ou outra forma são devotos, vergonhosamente desatendem as almas do Purgatório.
Parecerá que não crêem no Purgatório.
Certamente é que suas idéias acerca dele são muito difusas.
Dias e semanas e meses passam sem que eles recebam uma Missa dita por elas! Raramente também, ouvem Missa por eles, raramente rezam por eles, raramente pensam em eles! Entretanto estão gozando a plenitude da saúde e a felicidade, ocupados em seus trabalhos; divertindo-se, enquanto as pobres almas sofrem inenarráveis agonias em seus leitos de chamas.
Qual é a causa desta horrível insensibilidade? Ignorância: inexplicável ignorância.
As pessoas não se dão conta do que é o Purgatório.
Não concebem as espantosas penas, nem tem idéia dos largos anos que as almas são retidas nessas horríveis chamas.
Como resultado, fazem pouco ou nada para evitar e a si mesmos o Purgatório, e ainda pior, cruelmente ignoram as pobres almas que já estão ali e que dependem inteiramente deles para ser auxiliadas.
Estimado leitor, lê atentamente este pequeno livro com cuidado e irá bendizer o dia que caiu em tuas mãos.

O que é o Purgatório

É uma prisão de fogo na qual quase todas as almas salvas são submersas depois da morte e na qual sofrem as mais intensas penas.
Aqui está o que os maiores doutores da igreja nos dizem acerca do Purgatório.
Tão lastimoso é o sofrimento delas que um minuto desse horrível fogo parece ser um século.
Santo Tomás Aquino, o príncipe dos teólogos, disse que o fogo do Purgatório é igual em intensidade ao fogo do inferno, e que o mínimo contato com ele é mais aterrador que todos os sofrimentos possíveis desta terra! Santo Agostinho, o maior de todos os santos doutores, ensina que para serem purificadas de suas faltas antes de serem aceitas no Céu, as almas depois de mortas são sujeitas a um fogo mais penetrante e mais terrível do que nenhum que se possa ver, sentir ou conceber nesta vida.
Ainda que este fogo está destinado a limpar e purificar a alma, disse o Santo Doutor, ainda é mais agudo que qualquer coisa que possamos resistir na Terra.
São Cirilo de Alexandria não duvida em dizer que "seria preferível sofrer todos os possíveis tormentos na Terra até o dia final que passar um só dia no Purgatório".
Outro grande Santo disse: Nosso fogo, em comparação com o fogo do Purgatório, é uma brisa fresca ".
Outros santos escritores falam em idênticos termos desse horrível fogo.

Como é que as penas do Purgatório são tão severas?

O fogo que vemos na Terra foi feito pela bondade de Deus para nossa comodidade e nosso bem estar.
Às vezes é usado como tormento, e é o mais terrível que podemos imaginar.
O fogo do Purgatório, pelo contrário, está feito pela Justiça de Deus para penar e purificar-nos e é, por conseguinte, incomparavelmente mais severo.
Nosso fogo, como máximo, arde até consumir nosso corpo; feito de matéria, pelo contrário o fogo do Purgatório atua sobre a alma espiritual, a qual é inexplicavelmente mais sensível a pena.
Quanto mais intenso é o fogo, mais rapidamente destrói a sua vitima; a qual, por conseguinte cessa de sofrer; por quanto o fogo do Purgatório infligi a mais aguda e a mais violenta pena, mas nunca mata a alma nem lhe tira a sensibilidade.
Tão severo como é o fogo do Purgatório, é a pena da separação de Deus, a qual a alma também sofre no Purgatório, e esta é a pena mais severa.
A alma separada do corpo deseja com toda a intensidade de sua natureza espiritual estar com Deus.
É consumida de intenso desejo de voar até Ele.
Ainda é retida, e não há palavras para descrever a angustia dessa aspiração insatisfeita.
Que loucura, então, é para um ser inteligente como o ser humano negar qualquer precaução para evitar tal espantoso feito.
É infantil dizer que não pode ser assim, que não o podemos entender, que é melhor não pensar ou não falar dele.
O feito é que, seja o cremos ou não, todas as penas do Purgatório estão mais altas do que podemos imaginar ou conceber.
Estas são as palavras de São Agustinho.

Sobre o Purgatório, Pode tudo isto ser verdade?

A existência do Purgatório é tão certa que nenhum católico tem tido nunca uma duvida acerca dele.
Foi ensinado desde os tempos mais remotos pela Igreja e foi aceita com indubitável fé quando a Palavra de Deus foi pregada.
A doutrina é revelada na Sagrada Escritura e crida por milhões e milhões de crentes de todos os tempos.
Ainda, tal como o temos remarcado, as idéias de alguns são tão vagas e superficiais neste tema tão importante, que são como pessoas que cerram seus olhos e caminham deliberadamente no fio de um precipício.
Seria bem em recordar que a melhor maneira de cortar nossa estadia no Purgatório - o ainda mais, evitá-lo é ter uma clara idéia dele, e de pensar bem nele e adotar os remédios que Deus nos oferece para evitá-lo.
Não pensar nele é fatal.
É cavar a si mesmos a fossa, e preparar para eles mesmos um terrifico, largo e rigoroso Purgatório.

O Príncipe Polaco:

Houve um príncipe polaco, que por uma razão política, foi exilado de seu pais natal, e chegado à França, comprou um lindo castelo ali.
Desafortunadamente, perdeu a Fé de sua infância e estava, ocupado em escrever um livro contra Deus e a existência da vida eterna.
Dando um passeio uma noite em seu jardim, se encontrou com uma mulher que chorava amargamente.
Perguntou-lhe o porquê de seu desconsolo.
Oh, príncipe, ela replicou, sou a esposa de John Marie, seu mordomo, o qual faleceu faz dois dias.
Ele foi um bom marido e um devoto servente de Sua Alteza.
Sua enfermidade foi larga e gastei todos os recursos em médicos, e agora não tenho dinheiro para ir a oferecer uma Missa por sua alma "".
O príncipe, tocado pelo desconsolo desta mulher, lhe disse algumas palavras, e ainda que professava já não crer mais na vida eterna, lhe deu algumas moedas de ouro para ter a Missa por seu defunto esposo.
Um tempo depois, também de noite, o Príncipe estava em seu estúdio trabalhando febrilmente em seu livro.
Escutou um ruidoso tocar a porta, e sem levantar a vista de seus escritos, convidou a quem fosse a entrar.
A porta se abriu e um homem entrou e parou frente ao escritório de Sua Majestade.
Ao levantar a vista, qual não seria a surpresa do Príncipe ao ver a John Marie, seu mordomo morto, que o olhava com um doce sorriso.
Príncipe, lhe disse, "venho a agradecer-lhe pelas Missas que você permitiu que minha mulher encomendasse por minha alma.
Graças ao Salvador Sangue de Cristo, oferecido por mim, vou agora ao Céu , mas Deus me permitiu vir aqui e agradecer-lhe por suas generosas esmolas".
Logo o agregou solenemente "Príncipe, há um Deus, uma vida futura, um Céu e um Inferno".
Dito isto, desapareceu.
O Príncipe caiu de joelhos e recitou um Credo.

Santo Antônio e seu amigo

Aqui há uma narração de diferente classe, mas não menos instrutiva.
Santo Antônio, o ilustre Arcebispo de Florência, relata que um piedoso cavaleiro havia morrido, o qual tinha um amigo em um convento Dominicano no qual o Santo residia.
Varias Missas foram sufragadas por sua alma.
O Santo se afligiu muito quando, depois de um prolongado lapso, a alma do falecido lhe apareceu, sofrendo muitíssimo.
"Oh meu querido amigo" exclamou o Arcebispo, estás todavia no Purgatório, tu, que levaste tal piedosa e devota vida?".
"Assim é, e terei que permanecer aqui por um largo tempo" replicou o pobre sofredor, "pois em minha vida na terra fui negligente em oferecer sufrágios pelas almas do Purgatório.
Agora, Deus por seu justo juízo aplica os sufrágios que deviam ser aplicados por mim, em favor daqueles pelos quais devia ter rezado".
"Mas Deus, também, em sua justiça, me dará todos os méritos de minhas boas obras quando entrar ao Céu ; mas, primeiro de todo, tenho que expiar minha grave negligência de não me lembrar dos outros".
Tão certas são as palavras de Nosso Senhor "Com a vara com que medes serás medido".
Recorda, tu que lês estas linhas, o terrível destino desse piedoso cavaleiro será o daqueles que deixam orar e recusam ajudar as Santas Almas.

Quanto tempo as almas permanecem no Purgatório?

A extensão em tempo pela qual as almas permanecem no Purgatório depende de:
a) O número de suas faltas;
b) A malícia e a deliberação com que essas foram realizadas;
c) A penitencia feita, ou não, a satisfação feita, ou não, pelos pecados cometidos durante a vida;
d) E também depende dos sufrágios oferecidos por eles depois de suas mortes.
O que se pode dizer com segurança é que, o tempo que as almas passam no Purgatório é, por regra geral, muito mais longo que a gente possa imaginar.
Extraímos algumas citações de livros que falam da vida e as revelações dos Santos.
São Luis Bertrand : seu pai era um exemplar cristão, como naturalmente se podia esperar, sendo o pai de tão grande Santo.
Em um tempo desejou ser um Monge Cartuxo, até que Deus lhe fez ver que não era Sua vontade.
Quando morreu, ao logo de largos anos de praticar cada virtude cristã, seu filho completamente ao cuidado dos rigores da justiça Divina, ofereceu algumas Missas e elevou as mais ferventes súplicas pelo alma do qual o amou tanto.
Uma visão de seu pai no Purgatório o obrigou a multiplicar centenas de vezes seus sufrágios.
Agregou as mais severas penas e largos jejuns a suas Missas e orações.
Assim oito anos completos passaram antes que obtivesse a liberação de seu pai.
São Malaquias tinha uma irmã todavia no Purgatório, o qual fez que redobrasse seus esforços, e assim mesmo, apesar das Missas, orações e heróicas mortificações oferecidas pelo Santo, permaneceu vários anos retida! Se conta que uma santa monja em Pamplona, a qual conseguiu liberar várias Carmelitas do Purgatório, as quais permaneceriam ali pelo término de 30 a 40 anos! Monjas Carmelitas no Purgatório por 40, 50 o 60 anos! qual será o destino daqueles que vivem imersos nas tentações do Mundo, e com suas fortes debilidades? São Vicente Ferrer, depois da morte de sua irmã, orou com incrível fervor por sua alma e ofereceu várias Missas por sua libertação.
Ela apareceu ao Santo ao final de seu Purgatório, e lhe contou que se não fosse por sua poderosa intercessão ante Deus, ela haveria estado ali indeterminado tempo.
Na Ordem Dominicana é regra geral orar pelos Superiores no aniversário de suas mortes.
alguns deste tem morrido vários séculos atrás! eles foram homens eminentes por sua piedade e sabedoria.
Esta regra não seria aprovada pela Igreja se não fosse necessária e prudente.
Não queremos significar com isto que todas as almas estão retidas por tempos iguais nos fogos expiatórios.
Algumas tem cometido faltas leves e tem feito penitencia em vida.
Por tanto, seu castigo será muito menos severo.
Todavia, os exemplos que temos posto aqui são muito oportunos.
Se essas almas, quem gozaram do trato, que viram, seguiram, e tiveram a intercessão de grandes santos, são retidas largo tempo no Purgatório, que será de nós que não gozamos de nenhum desses privilégios?
Porque uma expiação tão prolongada? As razões não são difíceis de entender.
A malicia do pecado é muito grande, o que a nós nos parece uma pequena falta em realidade uma seria ofensa contra a infinita bondade de Deus, é suficiente ver como os Santos se condoeram sobre suas faltas.
Somos fracos, é nossa tendência.
é verdade, mas então Deus nos oferece generosamente abundantes graças para fortalecermos; nos dá a luz para ver a gravidade de nossas faltas, e a força necessária para vencer a tentação.
Se todavia somos fracos, a falta é toda nossa.
Não usamos a luz e a fortaleza que Deus nos oferece generosamente; não rezamos, não recebemos os Sacramentos como deviéramos.
Um eminente teólogo remarca que se as almas são condenadas ao Inferno por toda a eternidade pelo pecado mortal, não há que se assombrar que outras almas devessem ser retidas por largo tempo no Purgatório quem tem cometido deliberadamente incontáveis pecados veniais, alguns dos quais são tão graves que ao tempo de cometê-los o pecador escassamente distingue se são mortais ou veniais.
Também, eles podem ter cometido alguns pecados mortais pelos quais tiveram pouco arrependimento e fizeram pouca ou nenhuma penitencia.
A culpa tem sido remitida pela absolvição, mas a pena devida pelos pecados terá que ser paga no Purgatório.
Nosso Senhor nos ensina que deveremos render contas por cada palavra que dizemos e que não deixaremos a prisão até que tenhamos pago até o último centavo.
Os Santos cometeram poucos e leves pecados, e todavia eles sentem muito e fazem severas penas.
Nós cometemos muitos e gravíssimos pecados, e nos arrependemos pouco e fazemos pouca ou nenhuma penitencia.

Pecados Veniais

Seria difícil calcular o imenso número de pecados veniais que um católico comete.
1) Há um infinito número de faltas no amor, egoísmo, pensamentos, palavras, atos de sensualidade, também em formas variantes, como faltas de caridade no pensamento, palavra, obra, e omissão.
Sensualidade, vaidade, zelos, tibieza e outras inumeráveis faltas.
2) Há pecados por omissão que não pagamos.
Amamos tão pouco a Deus, e Ele clama centenas de vezes por nosso amor.
O tratamos friamente, indiferentemente e até com ingratidão.
Ele morreu por cada um de nós .
Temos-lhe agradecido como se deve? Ele permanece dia e noite no Santíssimo Sacramento do Altar, esperando por nossas visitas, ansioso de ajudar-nos.
Quão pouco vamos a Ele ? Ele ânsia vir a nós na Santa Comunhão, e o recusamos.
Se oferece a Si mesmo por nós cada dia no Altar na Missa e dá oceanos de graças a aqueles que assistem ao Santo Sacrifício.
Ainda alguns são tão preguiçosos de ir a Seu Calvário! Que desperdício de graças!
3) Nossos corações estão cheios de amor a nós mesmos, duros.
Temos casas felizes, esplendida comida, vestido, e abundância de todas as coisas.
Muitos de nossos próximos vivem na fome e a miséria, e lhe damos tão pouco, enquanto que vivemos no desperdício e gastamos com nós mesmos sem necessidade.
4) A vida nos foi dada para servir a Deus, para salvar nossas almas.
Muitos cristãos, sem dúvida , estão satisfeitos de rezar cinco minutos a manhã e cinco à noite! O resto das 24 horas estão dedicados ao trabalho, descanso e prazer.
Dez minutos a Deus, a nossas almas imortais, ao grande trabalho de nossa salvação.
Vinte e três horas e cinqüenta minutos a esta transitória vida! é justo para Deus? Nossos trabalhos, nossos descansos e sofrimentos deveriam ser feitos para Deus! Assim deveria ser, e nossos méritos seriam com certeza grandes.
A verdade é que hoje em dia poucos pensam em Deus durante o dia.
O grande objetivo de seus pensamentos são eles mesmos.
Eles pensam e trabalham e descansam para satisfazer a si mesmos.
Deus ocupa um pequeníssimo espaço em seus dias e suas mentes.
Isto é uma tristeza a Seu Amantíssimo Coração, o qual sempre pensa em nós.

E agora, os pecados Mortais

Muitos cristãos cometem, desafortunadamente, pecados mortais durante suas vidas, mas ainda que os levam ao Sacramento da confissão, não fazem penitência por eles, como já temos dito.
São Brida o venerável, opina que aqueles que passam grande parte de sua vida cometendo graves pecados e confessando-os em seu leito de morte, podem chegar a ser retidos no Purgatório até o Dia Final.
Santa Gertrudes em suas revelações disse que aqueles que cometem muitos pecados graves e que não tenham feito penitencia não gozam de nenhum sufrágio da Igreja por um considerável tempo! Todos esses pecados, mortais ou veniais, se acumulam por 20,30,40,60 anos de nossas vidas.
Todos e cada um deverão ser expiados depois da morte.
Então, é espantoso que algumas almas tenham que estar no Purgatório por tanto tempo?

Porque e para que rezar pelas almas benditas do Purgatório?

O grande Mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo é que nos amemos uns aos outros, genuína e sinceramente.
O Primeiro grande Mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas.
O Segundo, o melhor dito a continuação do Primeiro, é amar ao próximo como a nós mesmos.
Não é um conselho ou um mero desejo do Todo-poderoso.
É Seu grande Mandamento, a base e essência de Sua Lei.
É tanta a verdade encerrada nisto que o toma como doação tudo aquilo que fazemos por nosso próximo, e como uma recusa a Ele quando recusamos a nosso próximo.
Lemos no Evangelho de São Mateus ( Mt 25:34-46), as palavras de Cristo que dirigirás a cada um no Dia do Juízo Final.
Alguns católicos parecem pensar que sua Lei tem caído em desuso, pois nestes dias existe o egoísmo, o amor a si mesmo, e cada um pensa em si mesmo e em seu engrandecimento pessoal.
"E inútil observar a Lei de Deus nestes dias", dizem, "cada um deve olhar por si mesmo ".
Não há tal coisa! a lei de Deus é grandiosa e todavia para sempre terá força de lei.
Por isso, é mas que nunca necessária, mas que nunca nosso dever e por nosso maior interesse.
Estamos moralmente obrigados a rogar pelas almas benditas.
Sempre estamos obrigados a amar e ajudar ao outro, mas quanto maior é a necessidade de nosso próximo, maior e mas estrita é nossa obrigação.
Não é um favor que podemos ou não fazer, é nosso dever; devemos ajudar-nos uns aos outros.
Seria um monstruoso crime, por caso, recusar a tomar e desprezar o alimento necessário para manter-se vivo.
Seria espantoso recusar a ajuda a alguém em uma grande necessidade, passar de longe e não estender a mão para salvar a um homem que está pedindo.
Não apenas devemos ajudar quando é fácil e conveniente, mas sim que devemos fazer qualquer sacrifício para socorrer a nosso irmão em dificuldades.
Agora, quem pode estar mais necessitado de caridade que as almas do Purgatório? Que fome ou sede ou sofrimento nesta Terra pode comparar-se com seus mais terríveis sofrimentos? Nem o pobre, nem o enfermo, nem o sofredor que vemos a nosso redor necessitam de tal urgente socorro.
Ainda encontramos gente de bom coração que se interessa nos sofrentes desta vida, mas, escassamente encontramos gente que trabalha pelas Almas do Purgatório! E quem pode necessitar mais? Entre eles, além do que, podem estar nossas mães, nossos pais, amigos e seres queridos.
Deus deseja que as ajudemos.
Elas são os amigos mais queridos, deseja ajudá-los; deseja muito tê-los próximos d´ Ele no Céu .
Elas nunca mais o ofenderão, e estão destinadas a estar com Ele por toda a Eternidade.
Verdade, a Justiça de Deus demanda expiação pelos pecados, mas por uma assombrosa disposição de Sua Providencia põe em nossas mãos a possibilidade de assisti-los, ou nos dá o poder de aliviá-las e ainda de liberá-las.
Nada agrada mais a Deus que lhes ajudemos.
Estará tão agradecido como se lhe ajudássemos a Ele.
Nossa Senhora quer que os ajudemos:
Nunca, nunca uma mãe desta terra amou tão ternamente a seus filhos falecidos, nunca ninguém consola como Maria busca consolar seus sofrentes meninos no Purgatório, e tê-los com Ela no Céu .
Daremos-lhe grande regozijo cada vez que tirássemos do Purgatório uma alma.
As benditas almas do Purgatório nos devolvem o mil por um:
Mas que poderemos dizer dos sentimentos das Santas Almas? Seria praticamente impossível de descrever seu ilimitada gratidão para aqueles que as ajudam! Cheias de um imenso desejo de pagar os favores feitos por elas, rogam por seus benfeitores com um fervor tão grande, tão intenso, tão constante, que Deus não lhes pode negar nada.
Santa Catarina de Bologna disse :"Tenho recebido muitos e grandes favores dos Santos, mas muito maiores das Santas Almas (do Purgatório)".
Quando finalmente são liberadas de suas penas e desfrutam da beatitude do Céu , longe de esquecer a seus amigos da Terra, sua gratidão não conhece limites.
Prostradas frente ao Trono de Deus, não cessam de orar por aqueles que os ajudaram.
Por suas orações elas protegem a seus amigos dos perigos e os protegem dos demônios que os atacam.
Não cessam de orar até ver a seus benfeitores seguros no Céu , e serão por sempre seus mais queridos, sinceros e melhores amigos.
Se os católicos soubessem quão poderosos protetores se asseguram com apenas ajudar as almas benditas, não seriam tão omissos de orar por eles.
As almas benditas do Purgatório podem encurtar nosso próprio Purgatório:
Outra grande graça que obteremos por orar por elas é um curto e fácil Purgatório, ou sua completa remissão! São João Macias, sacerdote dominicano, tinha uma maravilhosa devoção as Almas do Purgatório.
Obteve por suas orações (principalmente pela recitação do Santo Rosário) a liberação de um milhão quatrocentas mil almas! Em retribuição, obteve para si mesmo as mais abundantes e extraordinárias graças e essas almas vieram consolá-lo em seu leito de morte, e a acompanhá-lo até o Céu .
Este feito é tão certo que foi inserido pela Igreja na bula que decretava sua beatificação.
O Cardeal Baronio recorda um evento similar.
Foi chamado a assistir a um moribundo.
De repente, um exército de espíritos benditos apareceram no leito de morte, consolaram ao moribundo, e dissiparam aos demônios que gemiam, em um desesperado intento por lograr sua ruína.
Quando o cardeal lhes perguntou quem eram, lhe responderam que eram oito mil almas que este homem havia liberado do Purgatório graças a suas orações e boas obras.
Foram enviadas por Deus, segundo explicaram, para levá-lo ao Céu sem passar um só momento no Purgatório.
Santa Gertrudes foi ferozmente tentada pelo demônio quando estava por morrer.
O espírito demoníaco nos reserva uma perigosa e sutil tentação para nossos últimos minutos.
Como não pode encontrar um assalto o suficientemente inteligente para esta Santa, o pensou em molestar sua beatifica paz sugerindo-lhe que ia a passar muitíssimo tempo no Purgatório posto que ela desperdiçou suas próprias indulgências e sufrágios em favor de outras almas.
Mas Nosso Senhor , não contente com enviar Seus Anjos e as milhares de almas que ela havia liberado, foi em Pessoa para afastar a Satanás e confortar a sua querida Santa.
Ele disse a Santa Gertrudes que em troca do que ela havia feito pelas almas benditas, lhe levaria direto ao Céu e multiplicaria cem vezes todos seus méritos.
O Beato Enrique Suso, da Ordem Dominicana, fez um pacto com outro irmão da Ordem pelo qual, quando o primeiro deles morresse, o sobrevivente ofereceria duas Missas cada semana por sua alma, e outras orações também.
Sucedeu que seu companheiro morreu primeiro, e o Beato Enrique começou imediatamente a oferecer as prometidas Missas.
Continuou dizendo-as por um largo tempo.
Ao final, suficientemente seguro que seu santamente morto amigo havia alcançado o Céu , cessou de oferecer as Missas.
Grande foi seu arrependimento e consternação quando o irmão morto apareceu frente a ele sofrendo intensamente e reclamando que não havia celebrado as Missas prometidas.
O Beato Enrique replicou com grande arrependimento que não continuou com as Missas, crendo que seu amigo seguramente estaria desfrutando da Visão Beatifica mas agregou que sempre o recordava em suas orações.
"Oh irmão Enrique, por favor dai-me as Missas, pois é o Preciosíssimo Sangue de Jesus o que eu mais necessito" chorava a sofredora alma.
O Beato recomeçou a oferecê-las, e com redobrado fervor, ofereceu Missas e rogos por seu amigo até que recebeu absoluta certeza de sua liberação.
Logo foi sua vez de receber graças e benções de toda classe por parte de seu querido irmão liberado, e muito mais do que as que haveria esperado.

como podemos ajudar as benditas almas do Purgatório:

A primeira medida é um ir a Associação das Santas Almas.
As condições são simples.
a) Ter teu nome registrado no livro da Associação.
b) Ouvir Missa uma vez a semana (basta a Missa do domingo) pelas Santas Almas.
c) Rezar e promover a devoção as almas Benditas.
d) Contribuir uma vez ao ano com um donativo a Associação, o qual permite a Associação ter Missas perpetuas cada mês.
(Se desejam Missas especiais pelas almas Benditas, é importante mencionar quantas Missas se querem).
Aqueles que desejam ir e não tem a Associação em suas Paróquias, podem enviar seus nomes, intenções e esmolas anuais a Associação das Santas Almas, Irmãs Dominicas do Perpetuo Rosário, Monastério Pio XII, Rua do Rosário 1, 2495, Fátima, Portugal.
Esta Associação está aprovada pelo Cardeal Arcebispo de Lisboa.
A segunda medida para ajudar as almas Benditas, é pedindo Missas oferecidas por elas.
Esta é certamente a mais eficaz das medidas para liberá-las.
Aqueles que não possam oferecer Missas, deveriam assistir a quantas Missas for possível por sua intercessão.
Um homem jovem que ganhava um salário muito modesto lhe contou ao autor deste livro: " Minha esposa morreu uns anos antes.
Tenho 10 Missas oferecidas por ela.
Não posso fazer mais por ela, mas ouvi 1.000 Missas por sua querida alma.
A recitação do Santo Rosário (com suas grandes indulgências) e fazer a Via Crucis (a qual é ricamente doadora de indulgências), são excelentes vias de ajuda as almas.
São João Macias, como vimos, liberou do Purgatório mais de um milhão de almas, principalmente recitando o Santo Rosário e oferecendo suas indulgências por elas.
Outra fácil e eficaz forma de ajuda é a recitação constante de orações breves que contenham indulgências (aplicando ditas indulgências em favor das almas do Purgatório) muita gente tem a costume de dizer 500, ou 1000 vezes cada dia a pequena jaculatória "Sagrado Coração de Jesus, em Vós confio", ou apenas a palavra "Jesus".
Estas são as mais consoladoras devoções; elas trazem oceanos de graças a quem as praticam e dão imenso alivio as Santas Almas.
Aqueles que digam as jaculatórias 500, ou 1.000 vezes, ganham 300.000 dias de indulgências(oitocentos e vinte um anos de indulgências)! Que multidão de almas podemos liberar!!! Quanto não será a quantidade de almas liberadas ao cabo de um mês, de um ano, de cinqüenta anos? e aos que não dizem as jaculatórias.
Que imenso número de graças e favores haverão perdido! é bastante possível que não seja fácil dizer essas jaculatórias 1.000 vezes ao dia.
Mas se não podes dizer 1.000, pelo menos digas 500, ou 200 vezes diárias.
Todavia outra poderosa oração é:
"Pai Eterno, te ofereço o Preciosissimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas Almas do Purgatório".
Nosso Senhor mostrou a Santa Gertrudes um vasto número de almas deixando o Purgatório (cerca de 1.000 cada vez que se recitava!) e indo ao Céu como resultado desta oração, a qual a Santa costumava dizer freqüentemente durante o dia.

O ato heróico:

Consiste em oferecer a Deus em favor das Almas do Purgatório todos os trabalhos de satisfação que praticamos em nossa vida e todos os sufrágios que serão oferecidos para nós depois de nossa morte.
Se Deus premia tão abundantemente a mais insignificante esmola dadas por um pobre homem em Seu nome, que imensa recompensa Ele não dará a aqueles que oferecem seus trabalhos de satisfação em vida e morte pelas Almas que Ele ama tanto.
Este ato não evita que os sacerdotes ofereçam Missas pelas intenções que eles desejem, ou que os laicos não rezem por algumas pessoas ou outras intenções.

As esmolas ajudam as Santas Almas:

São Martim deu a metade de seu manto a um pobre mendigo, apenas para dar-se conta depois que se o havia dado a cristo.
Nosso Senhor apareceu ao Santo e lhe agradeceu.
O Beato Jordam da Ordem Dominica, nunca podia recusar dar esmolas quando se o pediam no nome de Deus.
Um dia havia esquecido seu moedeiro.
Um pobre homem implorava uma esmola pelo amor de Deus.
Em vez de descartá-lo, Jordam, então um estudante, lhe deu seu mais apreciado cinto, o qual apreciava muito.
Pouco tempo depois, entrou em uma Igreja e encontrou seu cinto circundando a cintura de uma imagem de Cristo Crucificado.
Ele também, havia dado suas esmolas a Cristo.
Todos damos esmolas a Cristo.

Conclusão:

Dar todas as esmolas que possamos.
Pedir todas as Missas que estejam em nosso poder.
Escutar todas as Missas, quantas mais, melhor.
Oferecer todas nossas penas e sofrimentos pela liberação das Almas do Purgatório.
Liberaremos incontável quantidade de Almas do Purgatório, as quais nos pagaram 10.000 vezes mas.

Vocação Universal à Santidade

1. A Vocação universal à santidade




























2.. O MILAGRE NAS CAUSAS DE CANONIZAÇÃO

2.1 O Caráter histórico

   Ao apresentar agora algumas reflexões sobre os milagres realizados por Jesus Cristo durante a sua vida terrena, terei como ponto de referência o Santo Padre, João Paulo II que, de Novembro de 1987 a Janeiro de 1988, dedicou a este tema sete discursos na sua audiência semanal, de quarta-feira, assim como outro discurso no dia 5 de Março de 1977 sobre a intercessão da Virgem Santíssima no milagre das bodas de Cana.
   São mais de quarenta milagres de Jesus narrados nos quatro Evangelhos. Este fato torna-se ainda mais importante a ter-se em conta o grande espaço que lhes é dedicado na referida narração, impedindo assim de clássica-los como algo acessório ou artificialmente incluído na narração. Neste sentido, destaca-se o Evangelho de São Marcos, no qual o número de versículos que se referem aos milagres alcança 31% da totalidade do texto e chaga a 47% se excluirmos os seis últimos capítulos sobre a paixão de Jesus Cristo. A este dado estatístico deve-se acrescentar que a narração dos milagres não se encontra no Evangelho, isolada do contexto, mas sim estreitamente entrelaçada com a doutrina de Jesus Cristo e com a reação dos testemunhos presenciais: que não teria sentido formular uma separação entre a pregação de Jesus e as suas obras – entre a doutrina que ensinou e os milagres que acompanharam – sendo-lhes atribuído um distinto peso histórico ou hermenêutico. O Teólogo não pode ignorar esta unidade, pois a economia da revelação é intrinsecamente caracterizada por se apresentar <<mediante ações e palavras intimamente ligadas entre si, de maneira que as obras realizadas por Deus no decorrer da historia da salvação manifestam  e reforçam a doutrina; e, por sua vez, as palavras proclamam as obras e fazem sobressair o mistério que elas encerram>>.  
  Para iniciar a sua catequese sobre o milagre, o Papa cita o testemunho de Pedro à multidão que se havia reunido à volta dos Apóstolos no dia de Pentecostes:<<Israelitas, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por seu intermédio, como vos sabeis... vós o matastes, cravando-o numa cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte>> (At 2,22). Na economia da Encarnação e da Redenção tudo é gratuito, mas – como manifestação do seu amor  que chegou até o fim – Jesus Cristo não nos deixou só a mensagem e os meios de salvação, mas também quis torná-los acessíveis, por nós, reforçando-nos através dos milagres.
  Antes de analisar o significado dos milagres nos seus diferentes aspectos, João Paulo II adverte <<na necessidade de constatar que esses prodígios e sinais pertencem seguramente ao conteúdo integral dos Evangelhos, como testemunhos sobre Jesus Cristo que provem de testemunhos oculares. Não se pode excluir os milagres do texto e do contexto evangélico. A Análise, tanto do texto como do contexto fala a favor do seu caráter “histórico”; testemunha que são atos ocorridos na realidade e realizados efetivamente por Jesus Cristo.
Quem os considera com honestidade intelectual e competência cientifica não pode omiti-los irrefletidamente, como meras inversões posteriores>>.
   Não podemos nos deter numa exposição detalhada deste caráter histórico, de atos realmente acontecidos que exigiria, não só um estudo dos critérios gerais das ciências históricas aceitas também pelos exegetas para a sua aplicação à Sagrada Escritura, mas ainda uma analise pormenorizada dos milagres narrados nos Evangelhos, com uma referência a cada um deles no lugar e nas circunstâncias em que aconteceram. Contudo, temos que acrescentar algumas pontualizações antes de continuar.   
   Em primeiro lugar, ao afirmar-se a historicidade dos milagres de Jesus, estamos a referir que estes atos aconteceram realmente como nos são narrados, de forma que o relato de uma cura deve entender-se no sentido de que, por obra de Jesus Cristo, o doente ficou curado da doença que o afligia. O que lemos nos Evangelhos sobre os milagres não se reduz, pois, a um mero artifício literário sem se basear na realidade para que fique gravada nos ouvintes a doutrina de referência. Antes de concluir o seu Evangelho, São João adverte que <<Jesus na presença dos seus discípulos fez também muitos outros sinais>>, e acrescenta:<<Estes foram escritos para que acreditem que Jesus é o Filho de Deus, e para que acreditando, tenham a vida em seu nome>>. Era domínio publico a fama de Jesus passando pela terra a fazer milagres, como nos recorda São Pedro no dia de Pentecostes. Mas, todavia, a realidade dos milagres de Jesus Cristo não foi negada nem sequer por aqueles que usavam de subterfúgios para o condenar. Estes admitiam os prodígios, mas não aceitavam a sua realização em nome de Deus, pois atribuíam ao poder do príncipe dos demônios.
   Detendo-nos agora no significado dos milagres, devemos recordar que, acima de tudo, testemunham a condição e a missão messiânica de Jesus. A este respeito, é emblemático o episodio do paralítico de Cafarnaum, a quem Jesus disse: <<Filho, os teus pecados te estão perdoados>>. Alguns parentes murmuravam entre si: <<Blasfêmia. Não é o Deus que tem poder para perdoar os pecados?>> Jesus, conhecendo os seus pensamentos, respondeu: <<O que é mais fácil, dizer ao paralítico: Os teus pecados estão perdoados, ou disser-lhe: Levanta-te, toma o teu catre e anda? Pois para que saibais que o filho do homem tem poder na terra para perdoar os pecados – dirigiu-se ao paralítico – a ti te digo: Levanta-te, toma o teu catre e vai para casa. No mesmo instante levantou-se, tomou o catre e saiu na presença de todos>>.
   Do mesmo modo, acrescentamos que Jesus cristo, ao realizar esses prodígios, não atua como representante de Deus que o enviou, mas sim”em nome próprio, consciente do seu poder divino e, ao mesmo tempo, convicto da unidade profunda com o Pai>>. Diz ao leproso: <<Eu o quero limpo>> (Mc 5,41). E à filha de Jairo: <<Eu te digo: Levanta-te>> (Lc 7, 14-15).

2.2 Os milagres de Jesus como sinal  


   Os milagres de Jesus revestem o caráter de sinal. Mostram, em primeiro lugar, o seu poder salvífico. As curas milagrosas relativas às doenças corporais, assim como outros prodígios, estão dirigidas à salvação das almas e à redenção do mundo inteiro.
   Com elas, Jesus Cristo manifesta o seu poder de salvar o homem do mal e destaca que o objetivo principal da sua vinda ao mundo é libertá-lo do mal espiritual, isto é do pecado: <<Todos os “milagres, prodígios e sinais” de Cristo estão em função da sua própria revelação como Messias, como filho de Deus: daquele a quem pertence em exclusivo o poder de libertar o homem do pecado e da morte.
Daquele que é em verdade o salvador do mundo>>. Os milagres evidenciam <<o poder supremo de Jesus Cristo sobre a natureza e sobre as suas leis.
Quando se realiza os milagres com o seu próprio poder, Jesus revela-se também com Filho consubstancial do Pai e igual a Ele no domínio da criação>>.
   Mas, há ainda milagres que apresentam outros aspectos que são complementares relativamente ao significado fundamental da prova do poder divino  do Filho do Homem, em relação com a economia da salvação.
(...) Pode-se afirmar que os milagres de Cristo – manifestação da onipotência divina relativamente ao universos criado, perfeita evidência no seu poder messiânico  sobre os homens e sobre as coisas – são, ao mesmo tempo, os <<sinais>> mediante os quais se revela a obra divina da salvação e se realiza de forma definitiva na história do homem, a economia salvífica que Cristo
introduz, a qual fica assim inscrita neste mundo visível, que é sempre  obra divina. (...) Mediante  estes sinais, os homens são preparados para acolher a salvação que Deus lhes oferece no seu Filho.
Esta é a finalidade essencial de todos os milagres e sinais realizados por Jesus Cristo aos olhos dos seus contemporâneos, como também dos milagres que no decorrer da história serão realizados pelos Apóstolos e discípulos de Jesus recorrendo ao poder salvífico do seu Nome: <<Em nome de Jesus o Nazareno, levanta-te e anda!>> (At 3,6).              
   Além disso, os milagres de Jesus são sinais não só da vontade salvífica de Deus, mas também do seu amor salvífico; brotam da fonte que é o coração misericordioso de Deus, que vive e vibra no Coração humano de Cristo.
Há neles aquilo que o Papa intuía <<uma unidade lógica>>, que mostra com derivam da economia salvífica de Deus e revela o seu amor por nós: também que esse amor redentor não se dirige apenas às almas, mas também aos corpos e a toda a criação.
   Os relatos de Jesus Cristo também se entrelaçam com a chamada à fé, chamada esta que se manifesta de duas formas: em primeiro lugar, a fé precede o milagre e constitui uma condição para que este se realize. Jesus, antes de realizar o prodígio que lhe pedem, exige que se acredite que o coração do homem não se feche a Ele. Dirá a Jairo antes de ressuscitar a sua filha: <<Não temas, tem somente fé>> (Mc 5,36). Da mesma forma, o pai do jovem lunático pedia ao Senhor: <<Se podes algo, compadece-te de nós e ajuda-nos>>. Jesus disse-lhe: <<Se podes...! Tudo é possível ao que crê!>>. Em seguida o pai do jovem exclamou: <<Creio, Senhor ajuda a minha incredibilidade>> (Mc 9, 22-24), e o jovem ficou curado. Ouvimos dos lábios de Jesus Cristo: <<A tua fé te salvou>>, <<a tua fé te curou>>, <<mulher grande é tua fé, que se faça o que tu queres>>. A necessidade da fé como abertura do coração aparece com evidência no relato de São Marcos sobre o escândalo dos habitantes de Nazaré, quando Jesus Cristo ensinava na Sinagoga. Por isso, prossegue o evangelista, O Senhor <<não podia ali realizar obras maravilhosas: somente curou alguns poucos enfermos impondo-lhes as mãos. E estava admirado com a incredulidade deles>> (Mc 6, 1-6).
   Em segundo lugar, a fé surge depois do milagre, provocada na alma dos que o presenciam: <<O milagre é um sinal do poder e do amor de Deus que salvam o homem em Cristo, Mas, precisamente por isto, é ao mesmo tempo um chamado ao homem à fé> Deve levar a acreditar>>.
   Assim, os milagres mostram a existência da ordem sobrenatural, que é objeto da fé; fazem experimentar, de madeira palpável, que a ordem da natureza não esgota a realidade existente. O milagre, constitui um sinal de que esta ordem e, ao mesmo tempo, faz-nos saber que o destino do homem é o Reino de Deus, (...) os milagres fazem parte do projeto da <<nova criação>> e estão, por isso, em relação com a ordem da salvação.
São sinais salvíficos que chamam à conversão e a fé>>.
   Como resumo desta parte de nossa exposição, concluímos que a pessoa e a santidade de Jesus Cristo, a sua vida e obras, a sua mensagem e os milagres que realizou estão harmoniosamente unidos entre si e constituem uma unidade indivisível, de modo que ficaria focalizado sob perspectiva falsa, sendo, portanto, ineficaz, o propósito de abalizá-los como peças soltas, só exteriormente relacionados entre si.

 
Do Livro: O Milagres nas causas de canonização.
Autor: Ricardo Quintana Bescós.     


sábado, 29 de outubro de 2011

Ato de Desagravo e Reparação ao Sagrado Coração de Jesus


Ó Coração dulcíssimo de Jesus! Coração Hóstia. Coração Vítima, para quem os homens ingratos só têm indiferença, esquecimento e desprezo, permiti a vossos filhos da Guarda de Honra virem neste dia de salvação e perdão pedir misericórdia a vossos pés, e dar-vos reparação pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois a vítima adorável no vosso Sacramento de amor.
Ah! Pecadores, nós mesmos, apenas ousamos apresentar-nos!... Cada um teme, a cada um falta a coragem para elevar a voz em favor de seu irmão. Entretanto, ó Jesus, confiado na infinita bondade de vosso Coração e prostrando-nos humildemente perante vossa Majestade três vezes santa, tão indignamente ultrajada pelos crimes que inundam a terra, ousamos dizer-vos: Senhor não castigueis, não castigueis! Ou pelo menos, não castigueis ainda! Vosso amor tão indulgente perdoará nossa temeridade!
Ó Coração de Jesus!... Coração tão generoso, e tão terno. Coração tão amante e tão doce... perdão, primeiramente para nós... perdão para os pobres pecadores! Aceitai nosso desagravo, nossa reparação pelas blasfêmias com que tanto vos ultrajam! Perdão para os blasfemadores!
Reparação pelas profanações de vossos Sacramentos e do santo dia que vos é consagrado... Graça e misericórdia para os profanadores!
Reparação pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo... Graças e perdão para os sacrílegos!
Reparação pela indiferença que de vós aparta tantos cristãos... Graças e perdão para os ingratos!
Reparação por todos os crimes! Ainda uma vez, Senhor, graça e perdão para todos os homens!
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso divino Filho, que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados! Seja ouvido em nosso favor seu Sangue preciosíssimo... Cessem as ofensas!... Estabeleça-se vosso divino amor, reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos reinem convosco no Céu por toda a eternidade. Amém.


Oração reparadora
(Na primeira sexta-feira)

Divino Salvador Jesus! Dignai-vos olhar com amor e misericórdia para os vossos filhos que, unidos em um mesmo pensamento de Fé, de Esperança e de Amor, vêm chorar a vossos pés suas infidelidades e as de seus irmãos os pobres pecadores! Dai, Senhor, que as promessas unânimes e solenes que vamos fazer, toquem vosso divino Coração e dele alcancem misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso, e para todos aqueles que não têm a felicidade de vos amar! Daqui por diante, sim, todos vos prometemos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens: Nós vos consolaremos, Senhor.(Repetir).
Do abandono em que sois deixado no Santo Tabernáculo,
Dos crimes dos pecadores,
Do ódio dos ímpios,
Das blasfêmias proferidas contra vós,
Das injúrias feitas à vossa Divindade,
Dos sacrilégios com que se profana o vosso Sacramento do Amor,
Das imodéstias e irreverências cometidas em vossa presença adorável,
Das traições de que sois a vítima adorável,
Da tibieza do maior número de vossos filhos,
Do desprezo que se faz de vossos convites amorosos,
Da infidelidade daqueles que se dizem vossos amigos,
Do abuso de vossas graças,
Das nossas próprias infidelidades,
Da incompreensível dureza de nossos corações,
Da nossa longa demora em vos amar,
Da nossa frouxidão em vosso santo serviço,
Da amarga tristeza que vos causa a perda das almas,
De vosso longo esperar às portas de nossos corações,
Das amargas repulsas que sofreis,
Dos vossos suspiros de amor,
Das vossas lágrimas de amor,
Do vosso cativeiro de amor,
Do vosso martírio de amor.


Oração

Divino Salvador Jesus, que de vosso Coração deixastes sair esta queixa dolorosa: “Procurei consoladores e não os achei”, dignai-vos de aceitar o fraco tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro e vossa graça, que para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, vossos filhos mais fiéis e dedicados. Nós vos pedimos por vós mesmo que sendo Deus, como o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém.


Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Ó Jesus, verdadeiro Filho de Deus vivo, que do alto de vosso glorioso trono vos dignastes pronunciar em favor de nós estas palavras inefáveis: “Meu filho, dá-me teu coração!”, permiti que correspondendo ao excesso de um tal amor, venhamos oferecer-vos, dedicar-vos, consagrar-vos, inteiramente e para sempre estes fracos e miseráveis corações, de que sois tão cioso! Por muito tempo, Senhor, os oferecemos às criaturas, aos falsos bens deste mundo. Por muito tempo resistimos às vossas graças, rejeitamos vosso convite e em vão procuramos a felicidade que em vós somente se pode encontrar! Instruídos pela própria experiência...confusos pela longa demora em vos amar, tocados pelo inexplicável amor que testemunhais a indignas criaturas, eis-nos aqui suplicando-vos que aceiteis a oferta total que vos fazemos de todos os nossos corações. Recebei-os no vosso amabilíssimo Coração, ó amado Salvador! E guardai-os para sempre! São corações ingratos, infiéis que poderiam ainda atrairçoar-vos e abandonar-vos. Para reparar nossas infidelidades passadas, pretendemos e desejamos, ó Jesus, que todas as pulsações de nossos corações vos sejam daqui por diante outros tantos protestos de amor mais puro, mais dedicado e mais terno.
Unimos estes fracos atos aos atos ardentíssimos que continuamente vos oferece o Coração de vossa Mãe Imaculada, todos os Anjos e todos os Santos!
Finalmente, quiséramos, ó amabilíssimo Salvador, poder consagrar e dedicar a vosso amor os corações de todos os homens que estão na terra e assim suprir a insuficiência de nosso amor para convosco. Aceitai estes humildes desejos, ó Jesus, e dignai-vos abençoá-los, e fazei com que tendo-vos fielmente amado, servido e consolado sobre a terra, como verdadeiros Guardas da Honra, tenhamos a felicidade de oferecer-vos no Céu um eterno hino de Louvor, de Amor e de Bênção. Amém.

Tu, que peregrinas neste mundo em busca da pátria celeste, lembra-te que foi Cristo quem por ti se sacrificou na cruz, imolando todo seu Sagrado Ser ao Pai Celeste. Reza devotamente este Ato de Desagravo ao seu Sagrado Coração, em reparação de  nossos pecados e dos do mundo inteiro. Amém! 


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dons Preternaturais




Dons Preternaturais conferidos aos nossos primeiros pais.

Dom da Integridade: Possui o caráter de aperfeiçoar a natureza do homem, sem a elevar a ordem divina. O dom a integridade é, portanto, um dom gratuito. Quando se diz dom da integridade, é o mesmo que dizer: mantém o homem íntegro como o foi criado por Deus; isto é, que conservava o domínio sobre a natureza humana, protegendo-o da infidelidade.

Deus assim os criou e os preservava, para que a alma do homem fosse sempre assim, estruturada pelo próprio Senhor (Gn 3,8), a fim de que pudesse realizar todas as coisas, conforme a sabedoria e a vontade do Criador, único Senhor.

Vejamos como Deus fala através do Salmista: “Vou te ensinar, vou te instruir no caminho que deves seguir; fitando em ti os meus próprios olhos” (Sl 31,8).
·         Ciência infusa
·         Domínio das paixões
·         Imortalidade do corpo

Dom a Imortalidade: Deus não criou o homem para morte: “Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. Foi por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sb 2,23-24)

Colocamos este versículo, abaixo, para extrair dele uma belíssima alegoria:
“Foi pela mulher que começou o pecado,
e é por causa dela que todos morremos” (Eclo 25,33).

O sentido alegórico: “Por Eva nos veio à morte; mas, por Maria, nos veio à salvação e a vida eterna; mesmo porque Maria é a Mãe do verdadeiro Deus e a vida eterna” (Jo 5,20b).

Dom da Impassibilidade: Finalmente, Deus não nos criou para a dor e o sofrimento: “Deus disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores...” (Gn 3,16a).

Texto: João C. Porto / Poço de Jacó
33catolico / Comunidade São Paulo Apóstolo







Entendendo: O Pecado Original


Os nossos primeiros pais – Adão e Eva – viviam felizes no Paraíso Terrestre, jardim de alegria e harmonia em plenitude estabelecido a eles por Deus.
Tinham a obrigação de, imediatamente depois da criação, cultivar a terra num modo de participar da obra do Criador.
Eles eram destinados a permanecer sempre no Paraíso Terrestre, mas depois, superada a prova, seriam levados ao Céu para gozar da visão beatífica de Deus por toda a eternidade.
Deus tinha concedido-lhes dons naturais, preternaturais e sobrenaturais.
Dons Naturais: São o corpo, a alma e suas respectivas faculdades (da alma são
inteligência e vontade);

Dons Preternaturais: Eram aquelas qualidades que aperfeiçoavam os bens naturais
(corpo, alma e suas respectivas faculdades) dos nossos progenitores. Com o pecado, perderam esses dons e, por isso, não puderam transmiti-los aos seus descendentes. Eram os seguintes:
Integridade: Isto é, o equilíbrio das paixões e a não ter tendência nenhum tipo de
pecado; Impassibilidade: Imunidade contra as dores, sofrimentos, doenças etc;
Ciência Infusa: É o conhecimento infuso dado por Deus de todas as verdades naturais e sobrenaturais que lhes eram necessárias; Imortalidade: Imunidade contra a morte.

Dons sobrenaturais: Consistiam, sobretudo, na Graça Santificante, que lhes faziam
Filhos adotivos de Deus, com tudo o que a acompanhava, isto é, as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade), Virtudes Cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza ou coragem e Temperança) e os Sete Dons do Espírito Santo (Sabedoria, Inteligência ou Entendimento, Ciência, Conselho, Fortaleza ou coragem, Piedade e Temor de Deus).
Esses dons foram concedidos a Adão, chefe da natureza humana, e seriam transmitidos por herança aos seus descendentes. Os progenitores e, sobretudo Adão, pecaram: induzidos pelo Tentador (o Demônio), desobedeceram a um grave mandamento dado a eles por Deus.
Tal pecado chama-se Original, porque envolve e compromete toda a humanidade desde sua origem, isto é, desde Adão, seu chefe.

As conseqüências do Pecado Original

Terríveis foram as conseqüências deste pecado: os nossos progenitores foram expulsos do Paraíso Terrestre e perderam os dons preternaturais e sobrenaturais. A natureza neles decai no estado de pecado, que é a privação da graça santificante; no estado de fraqueza moral, que é a concupiscência (ou desequilíbrio das paixões) e a ignorância; no estado de fraqueza física, que é a sujeição a dores, doenças e à morte.
Essa triste condição passou por herança a todos os descendentes de Adão. Todos os homens, por isso, nascem com o Pecado Original e com as suas desastrosas conseqüências e ele vem transmitido por via da geração natural, porque, por ela, nascem os filhos de Adão.
O Pecado Original é voluntário e, por isso, culpa nossa, só porque Adão o cometeu
voluntariamente, o qual é cabeça da humanidade; e, por esse motivo, Deus exclui do Paraíso quem morre com o Pecado Original (Conforme o Concílio de Lião – 1274 – e o Concílio de Florença:1438 – 1445).
Esta exclusão é o estado especial no qual se encontra as crianças que morrem sem o Batismo e se chama Limbo, defendido pelo Papa Pio VI de encontro ao Sínodo de Pistóia em 1794. Dentre os filhos de Adão, só Maria Santíssima foi preservada do Pecado Original e, por tal motivo, chama-se Imaculada.
O homem, por causa do Pecado Original, deveria permanecer excluído para sempre do Paraíso se Deus, para salvá-lo, não tivesse prometido e mandado do Céu o Seu Filho - Jesus Cristo.
O Pecado Original vem cancelado com o Santo Batismo, que restitui, no homem, os dons sobrenaturais, mas não os preternaturais e, por isso, deixa o homem com a natureza decaída.









































“Tu és pó, e em pó te hás de tornar”

                                      






                                                    
     Prof. Carlos Nougué


Por terem Adão e Eva comido da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, toda a sua descendência passou a nascer em dupla obscuridade: a do pecado e a da ignorância. E, embora com a queda adâmica nosso intelecto não se tenha corrompido em si, o fato é que nossa razão, em maior ou menor intensidade segundo diversos fatores, é não raro enceguecida pelas paixões ou outras causas. São as paixões, por exemplo, o que faz com que os homens não apreendam por si mesmos um ou mais itens da lei natural − sendo, porém, potencialmente capazes de fazê-lo pela propensão habitual chamada sindérese, de que todos somos dotados. Por isso, aliás, é que o Senhor decretou os Dez Mandamentos: para lembrar aos homens aquilo que eles poderiam apreender por si mesmos, mas não o conseguem fazer perfeitamente (quase sempre longe disso) por serem filhos do pecado.
Vítima também da queda do homem é certa operação de nossa razão especulativa: a operação de indução, ou seja, a que remonta às causas ou princípios a partir de seus efeitos. É o modo de operar próprio das chamadas “ciências de credibilidade”, como a História, cujos argumentos se dizem quia a posteriori em contraposição aos argumentos das chamadas “ciências de autoridade”, cujos argumentos se dizem quia a priori exatamente porque, ao contrário daqueles, descem aos efeitos a partir de suas causas ou princípios. Pois bem, qualquer de nós, não fosse o nascer naquela dupla obscuridade, também seria capaz de quaisquer raciocínios quia a posteriori; por isso dizia São Paulo que eram réus de pecado contra Deus os pagãos que não Lhe tinham reconhecido a existência e o fato de ser Criador, já que pelos seus efeitos, a saber, pelas criaturas saídas de sua Arte suprema, seria possível fazê-lo. Como se dera com os Dez Mandamentos, outra vez intervém a misericórdia do Altíssimo e sua vontade de salvação, e Ele ensina pela Revelação também o que poderia ser apreendido pela só razão especulativa do homem se não tivesse havido o pecado; ensina, portanto, não apenas mistérios interiores e operativos da Santíssima Trindade, insondáveis para o intelecto humano. Dizia Santo Tomás de Aquino que, se não nos tivesse Deus revelado a respeito de Si até o cognoscível pelo intelecto humano, só muito poucos, e após muito tempo, e ainda assim com mescla de mais ou menos erros, O poderiam conhecer, impossibilitando-se assim a salvação de grande parte dos eleitos. Não é justamente o que vemos na história da grande filosofia grega com relação a Deus? Primeiramente Xenófanes destrói a concepção antropomórfica dos deuses; depois Anaxágoras de Clazômenas atribui a formação do mundo a uma inteligência, a Inteligência divina, constituída porém de alguma matéria; depois Sócrates, o impressionante Sócrates, afirma a unicidade do Deus (sem todavia eliminar a multiplicidade de deuses, que passam a ser algo como manifestações d’Aquele) e que Ele é não só pura inteligência, e inteligência ordenadora e onisciente, mas inteligência providente, sendo Providência não só com relação ao cosmos, mas especialmente com relação ao homem − que imenso passo!; depois Platão lhe segue as descobertas, mas só parcialmente, e põe Deus (o Demiurgo informador do caos) um degrau abaixo da idéia do Sumo Bem (o que no máximo estava implícito no socratismo, em razão de suas aporias); Aristóteles, por fim, ao mesmo tempo que com seu Primeiro Motor Imóvel prepara quatro das cinco vias tomistas que provam o ser de Deus (a outra é antes platônica), retrocede gravemente com relação à descoberta socrática do Deus-Providência: a Divindade, para o Estagirita, nem sequer conhece os seus efeitos e, portanto, tampouco o homem, porque para o Filósofo, se o Theós, como nóesis noéseos (“pensamento de pensamento”, ou seja, pensamento de si mesmo), conhecesse os efeitos que causa, se rebaixaria e perderia dignidade; ao que responde o Angélico: se, com efeito, a inteligência que Deus tem de Si é perfeitíssima, tanto mais perfeitamente Ele entenderá seus próprios efeitos, pelo fato mesmo de estes estarem virtualmente contidos n’Ele enquanto Principio. (“… dado que do primeiro principio, que é Deus, dependem o céu e toda a natureza, é evidente que Deus, ao conhecer-se a Si mesmo, conhece tudo”, In Met., nn. 2614-2615; cf. também Cont. Gent. I, xlix-l; II, xi). Ademais, e isto é o central quanto ao que nos interessa aqui, durante centenas de anos grandes inteligências como as de Xenófanes, Anaxágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles descobriram, como vimos, muitas verdades com respeito a Deus, mas foram incapazes de vê-Lo como criador de tudo; e, como diz o Aquinate numa de suas últimas obras, o opúsculo Contra murmurantes, se é verdade que não podemos saber pela razão natural que o mundo foi criado no tempo (porque poderia, razoavelmente, ter sido criado co-eternamente a Deus mesmo), por outro lado, contudo, é perfeitamente possível à razão natural constatar, pelas criaturas, ou seja, mediante um raciocínio indutivo ou quia a posteriori, que Deus é criador de tudo, e não apenas seu ordenador ou informador.
Pois com respeito à alma humana, cujo conhecimento, como afirmou pela primeira vez ainda Sócrates, também resulta de um raciocínio indutivo ou quia a posteriori, igualmente andou a grande filosofia grega por caminhos profícuos, mas tortos. Para os físicos ou naturalistas pré-socráticos, a alma é composta de algum tipo de matéria, mais sutil, e não necessariamente tem caráter individual; para os órficos e, de maneira geral, os pitagóricos enquanto órficos, ela é um “demônio” ou emanação da Divindade que, por uma culpa original nunca explicada, cai prisioneira no cárcere de um corpo, e não se identifica com o eu racional e consciente − puro gnosticismo. Com Sócrates ela passa corretamente a identificar-se com o eu racional, perde qualquer mescla de matéria e ganha a legítima primazia sobre o corpo, mas nem por isso é afirmada claramente como espiritual e pois imortal (conquanto nosso grande filósofo pendesse para esta solução; cf. Platão, Apologia de Sócrates). Com Platão, embora a alma mantenha algumas conquistas socráticas e comece a ser entendida em suas diversas potências, ela contudo torna a cair prisioneira do gnosticismo órfico, e passa da primazia sobre o corpo para a necessidade de ver-se livre dele (enquanto para Sócrates o corpo era como um instrumento da alma). Com Aristóteles, por fim, a alma adquire uma feição mais definitiva (mas veja-se que a voluntas só será reconhecida, ainda que confusamente, por Cícero, às portas já do nascimento do Filho do homem) e mantém-se firmemente espiritual (como dizia o próprio Estagirita, a matéria não tem potência para a alma), mas pelo menos não encontramos nas páginas do Filósofo nada definitivo quanto à sua imortalidade; e, embora Aristóteles admita para ela uma origem divina, contraditoriamente não lhe confere o caráter de coisa criada, precisamente porque, como vimos mais acima, para nenhum dos gregos de antes de Cristo Deus é criador de nada (o Demiurgo platônico, como já mencionado mais acima, não é criador, mas informador ou plasmador de uma matéria caótica preexistente). O conhecimento de Deus como criador de tudo a partir do nada era privilégio, antes de Cristo, do povo judeu, por única revelação de Deus mesmo; e o mesmo se diga do conhecimento da alma enquanto espiritual e imortal, embora este só se dê cabalmente com o cristianismo (em especial com Santo Tomás de Aquino e, sobretudo, com o próprio magistério da Igreja).
Pela narrativa divinamente revelada do Gênesis, soube o homem que ele fora criado, no Jardim do Éden, num estado de justiça que incluía não só a imortalidade da alma (o que resulta de sua própria natureza espiritual), mas também a perenidade do corpo graças a uma série de dons preternaturais e, em particular, dos frutos da Árvore da Vida, que o manteriam imperecível até a hora eleita por Deus para a assunção gloriosa do homem inteiro à bem-aventurança. A morte do corpo é a mais grave das penas temporais impostas ao homem pelo pecado de Adão e Eva; tão grave, que a redenção do homem não se podia dar senão com a morte − a morte do próprio Redentor: “Assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens”, diz São Paulo (Rom., V, 12). E, se com o cristianismo sabemos que a alma dos bem-aventurados já pode ter, após a morte do corpo, a visão beatífica da essência de Deus, nem por isso deixará essa alma de se encontrar em estado de incompletude, uma vez que a completude do homem é a da união substancial de alma e corpo − união que não se refará senão com a ressurreição dos corpos no fim dos tempos. Nem por aquilo, ademais, a morte do corpo deixa de ser um castigo; se o deixasse de ser, perderia todo o sentido a morte redentora de Cristo. E qualquer castigo é um mal; mal de pena, e não mal de culpa, que é o pecado; e, como mal de pena, traz luto e lágrimas, lágrimas que, sim, podem secar-se e se secam com o lenço da Esperança cristã, mas que não deixam de ser lágrimas: Frei Reginaldo de Piperno só com a ajuda de Deus se pôde consolar da morte de seu Paizinho amado, Santo Tomás de Aquino; São Bernardo, após muito se conter, acabou por prantear a morte da irmã; e não terá chorado Nossa Senhora, com o coração transpassado de dores, a morte de seu Filho-Deus? e não chorou o mesmo Cristo a morte do amigo Lázaro?
Assim somos os católicos: sabedores da imortalidade da alma e do destino eterno do homem, não deixamos de ver na morte do corpo o castigo que é, sem porém desesperar, porque nos guiamos nesta terra de exílio pela virtude da Esperança e pela firme confiança em Deus, que é o fruto mais eminente daquela Esperança. Assim somos… ou deveríamos ser. Sim, porque infelizmente boa parte dos católicos de hoje, incluindo muitos dos que tão bravamente lutam contra os ataques do mundo moderno à lei natural, acabam por extrapolar da justíssima luta contra o aborto e pelo direito à vida para a luta incorreta contra algo erroneamente chamado “eutanásia” (a palavra grega euthanasía quer dizer “morte sem sofrimento”) e contra a pena de morte. Da pena de morte falarei em outro artigo; aqui falarei apenas da mal denominada “eutanásia”. Mas diga-se desde já: o ser contra aquela e o ser contra esta radicam na mesma coisa, a saber, o fato de boa parte dos católicos atuais, ainda que não raro sem muita consciência disto, assumir uma visão própria de um mundo ateu, para o qual a vida humana é apenas a que termina com a morte do corpo; o assumir uma visão naturalista (ou antes falso-naturalista) que atribui ao homem o destino último de ser pasto de vermes, e que por isso mesmo considera gravemente pecaminosa qualquer forma de tirar a vida a outro ou a si mesmo. Mas no Decálogo, depois de proibir, no Quinto Mandamento, a morte injusta do próximo, não diz Deus que “aquele que pecar com uma besta seja punido de morte” e que não se deve deixar “viver os que consultam os espíritos”, etc. (Êx., XXII, 18-19)? Terá Deus mudado de opinião? Ter-se-á equivocado? E não disse Pio XII que não é a autoridade que tira a vida do condenado, mas o condenado que pelo seu ato gravemente culpável já perdeu o direito à vida? E não escreveu Santo Agostinho que o verdugo “tem lugar necessário nas leis e é incorporado à ordem com que se deve reger uma sociedade bem governada” (De ordine, Lib. II, c. IV, 12)? Mas deixemos para o prometido artigo a questão da pena de morte, e tratemos agora daquilo que vem sendo equivocadamente designado por“eutanásia”.
Vita est motus ab intrinseco”, diz Santo Tomás seguindo a Aristóteles. “A vida é um movimento intrínseco [que vem de dentro]”, o que vale para o conjunto dos entes animados − vegetais, animais ou humanos − e os distingue dos entes inanimados. “Quando uma pedra se move”, diz Arbogastus em “La mort encéphalique” (Courrier de Roma, junho de 2008, in Sim Sim Não Não, n. 163, novembro-dezembro de 2008), “quando uma pedra se move, é porque ela foi movida por alguém ou alguma coisa (força de atração). Ao contrário, o ser vivo tem em si mesmo a fonte de seu movimento (mudança de lugar, nutrição, crescimento, reprodução).” Ora, como dizia ainda Pio XII, “a vida humana [a vida do corpo humano, precisemos] continua na medida em que as ações vitais − diferentemente da simples vida dos órgãos − se manifestem espontaneamente ou com a ajuda de processos artificiais” (“Discurso sobre os problemas de reanimação”). Com efeito, um paciente de disfunções renais graves que só sobreviva graças a sessões de hemodiálise ou um paciente com grave doença cardíaca que permaneça vivo graças unicamente a um marca-passo não deixarão, obviamente, de estar vivos. Mas não podemos tratar a questão da vida sem a abordar pelo ângulo das relações entre corpo e alma.
A vida do corpo de um animal ou de um homem só o é graças à alma, que é a sua forma e seu primeiro ato (“A alma é o primeiro ato de um corpo em potência para ter vida”, diz Santo Tomás). Não obstante, para que a alma não só seja esse primeiro ato mas informe o mesmo corpo, constituindo com ele uma unidade substancial, é preciso que a matéria esteja suficientemente disposta para ser e para continuar informada pela alma. Tentemos entendê-lo: a forma de uma faca, ao contrário de sua matéria, que é oxidável, é em si mesma incorruptível; sucede, no entanto, que como seu ser depende indissociavelmente dessa matéria oxidável, a forma da faca desaparece à medida mesma que se vai oxidando a matéria metálica da faca. Mutatis mutandis, passa-se o mesmo nos animais: a morte é o exato instante em que o corpo se desorganiza de tal modo, que a alma (ou forma do corpo) já não o pode seguir informando, com o que perde o corpo, absolutamente, o seu princípio de animação. No homem, sem embargo, embora no momento da morte também ocorra aquela desorganização corpórea, dá-se algo radicalmente diferente. Enquanto nos animais, com a referida desorganização do corpo, a alma não só deixa de informá-lo, mas morre junto com ele porque também está indissociavelmente vinculada a ele, nos homens não: a alma, por espiritual e pois imortal, não morre com o corpo no momento daquela desorganização, mas se separa dele e sobrevive a ele para sempre. Neste preciso sentido, a alma dos animais está mais para a forma da faca, enquanto a alma dos homens está mais para as substâncias separadas que são os Anjos. Essa diferença propriamente incomensurável traz conseqüências morais que, se não podem ser entendidas por um mundo ateu, não podem, todavia, ser esquivadas pelos católicos.
Sim, porque de tal diferença resulta plenamente válida “a distinção clássica entre meios ordinários e meios extraordinários para a conservação da vida e da saúde” (Arbogastus, ibid.) e um corolário certo: “ninguém é obrigado a utilizar meios extraordinários para conservar uma ou outra. Se, numa situação dada, a vida do paciente só puder ser mantida por meios extraordinários, é lícito suspender seu uso” (idem), suspensão portanto que só erroneamente poderá ser chamada “eutanásia”, sobretudo se se entende “eutanásia” como homicídio. Em poucas palavras: não há pecado em tal ato considerado em si; ao praticá-lo, “o paciente, sua família ou os médicos não cometem nenhuma falta moral. Eles apenas deixam a natureza, tendo chegado ao termo de sua carreira mortal, cumprir sua obra” (idem). Naturalmente, pode haver pecado, por exemplo, de ateísmo em quem por causa dele pratica aquele ato de retirar ou recusar meios extraordinários de manutenção da vida; assim como um juiz, conquanto condenando com justiça um criminoso à morte, o faz porém em sua alma com ódio e espírito de vingança pessoal, e pois sem caridade (veremos o que é esta caridade no artigo sobre a pena de morte). Em ambos os casos, o ato em si segue lícito ainda que seus agentes imediatos se movam por razões ilícitas. Mas para um católico, hão de ser lícitos tanto o ato como seu móvel.
Já dizia Santo Afonso de Ligório que não se deve prolongar a vida além de certo ponto. Como aplicá-lo ao caso que estamos tratando? Entendendo que “o uso dos meios ordinários e o abandono dos meios extraordinários situam o homem de bem e o verdadeiro cristão sobre um cume virtuoso entre dois abismos: o homicídio ou suicídio por omissão (quando os meios ordinários não são utilizados) e a obsessão terapêutica (quando os meios extraordinários são postos em ação sem esperança razoável de restabelecimento para o paciente). [...] Que os pacientes para os quais não existe tratamento moralmente lícito [será ilícito, por exemplo, o transplante de órgão retirado de alguém com morte cerebral, ou seja, ainda vivo] se preparem para a eternidade, seguros de ter feito o humanamente possível para conservar o corpo que o Criador lhes deu em usufruto” (Arbogastus, ibid.).
Que o façamos seguros, sim, de termos feito o possível para conservar o corpo que Deus nos confiou; mas certos, também, de que como filhos do pecado somos pó e em pó havemos de nos tornar; e sobretudo com a Esperança de que, pela graça eficaz de Deus e limpos do pecado mortal, Lhe iremos ver, amorosa e beatificamente, a face por todo o sempre.