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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dogmas Marianos

                                         

Dogmas Marianos; Explicação da Oração da Ave Maria e vários outros assuntos marianos


MARIA NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
DOGMA:
Segundo o Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana
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Definição dos dogmas pela autoridade pela Igreja
O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
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Dogmas de fé
Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
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DOGMAS MARIANOS
1º Dogma: A Maternidade Divina
O dogma da Maternidade Divina se refere a que a Virgem Maria é verdadeira Mãe de Deus. Foi solenemente definido pelo Concílio de Éfeso (431 d.C.). Algum tempo depois, foi proclamado por outros Concílios universais, o de Calcedônia e os de Constantinopla.
O Concílio de Éfeso, do ano 431, sendo Papa São Clementino I (422-432) definiu:
"Se alguém não confessar que o Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, porque pariu segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja anátema."
O Concílio Vaticano II faz referência ao dogma da seguinte maneira: "Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades". (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 66).
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2º Dogma: A Perpétua Virgindade
O Dogma da Perpétua Virgindade se refere a que Maria foi Virgem antes, durante e perpétuamente depois do parto.
"Ela é a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho cujo nome será Emanuel" (Cf. Is., 7, 14; Miq., 5, 2-3; Mt., 1, 22-23) (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 55 - Concílio Vaticano II).
"O aprofundamentamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria inclusive no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo "longe de diminuir consagrou a integridade virginal" de sua mãe. A liturgia da Igreja celebra a Maria como a 'Aeiparthenos' a 'sempre-virgem'." (499-catecismo da Igreja Católica).
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3º Dogma: A Imaculada Conceição
O Dogma da Imaculada Conceição estabelece que Maria foi concebida sem mancha de pecado original. O dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus.
"Declaramos, pronunciamos y definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis."
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4º Dogma: A Assunção de Maria ao Céu em Corpo e Alma
O dogma da Assunção se refere a que a Mãe de Deus, ao cabo de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de novembro de 1950, na Constituição Munificentissimus Deus:
"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espíritu da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência;
para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e con a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".
Agora bem, por que é importante que nós católicos recordemos e aprofundemos no Dogma da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu?
O Novo Catecismo da Igreja Católica responde a esta interrogação:
"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos"(966).
A importância da Assunção para nós, homens e mulheres do começo do Terceiro Milênio da Era Cristã, radica na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.
Mais ainda, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu é um dogma da nossa fé católica, expressamente definido pelo Papa Pio XII pronunciando-se "ex-cathedra". E... Quê é um Dogma?
Posto nos termos mais simples, Dogma é uma verdade de Fé, revelada por Deus (na Sagrada Escritura ou contida na Tradição), e que também é proposta pela Igreja como realmente revelada por Deus.
Neste caso se diz que o Papa fala "ex-cathedra", quer dizer, que fala e determina algo em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja, Mestre Supremo da Fé, com intenção de propor um assunto como crença obrigatória dos fiéis católicos.
O Novo Catecismo da Igreja Católica (966) nos explica assim, citando a Lumen Gneitium 59, que à sua vez cita a Bula da Proclamação do dogma:
"Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de toda macha de pecado original, terminado o curso da sua vida terrena foi levada à glória do Céu e elevada ao trobno do Senhor como Rainha do Universo, para ser conformada mais plenamente a Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte".
E o Papa João Paulo II, em uma das suas catequeses sobre a Assunção, explica isto mesmo nos seguintes termos:
"O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois de sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo se antecipou por singular privilégio" (JPII, 2- Julho-97).
"Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Cristo, Verbo Encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos" (JPII, Audiência Geral do 9-julho-97). Continua o Papa: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem'(Lc. 11,28). Nos estimula a elevar nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial"(JPII, 15-agosto-97).
Os homens e mulheres de hoje vivemos pendentes do enigma da morte. Ainda que o enfoquemos de diversas formas, segundo a cultura e crenças que tenhamos, por mais que o evadimos em nosso pensamento por mais que tratemos de prolongar por todos os meios ao nosso alcane nossos dias na terra, todos temos uma necessidade grande desta esperança certa de imortalidade contida na promessa de Cristo sobre nossa futura ressurreição.
Muito bem faria a muitos cristãos ouvir e ler mais sobre este mistério da Assunção de Maria, o qual nos diz respeito tão diretamente. Por que se chegou a difundir-se a crença no mito pagão da reencarnação entre nós? Se pensarmos bem, estas idéias estranhas à nossa fé cristã vieram metendo-se na medida em que deixamos de pensar, de predicar e de recordar aos mistérios, que como o da Assunção, têm a ver com a outra vida, com a escatologia, com as realidades últimas do ser humano.
O mistério da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu nos convida a fazer uma pausa na agitada vida que levamos para refletir sobre o sentido da nossa vida aqui na terrra, sobre o nosso fim último: a Vida Eterna, junto com a Santíssima Trindade, a Santíssima Virgem Maria e os Anjos e Santos do Céu. O fato de saber que Maria já está no Céu gloriosa em corpo e alma, como nos foi prometido aos que façamos a Vontade de Deus, nos renova a esperança em nossa futura imortalidade e felicidade perfeita para sempre.
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O Catecismo da Igreja Católica dá um Tratamento Todo Especial Para Com A Nossa Mãe, Maria.
§ 2675 A partir dessa cooperação singular de Maria com a ação do Espírito Santo, as Igrejas desenvolveram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na Pessoa de Cristo manifestada em seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas que exprimem essa oração, alternam-se geralmente dois movimentos: um "exalta" o Senhor pelas "grandes coisas" que fez para sua humilde serva e, por meio dela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois ela conhece agora humanidade que nela é desposada pelo Filho de Deus.
§ 2676 Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria.
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-----------------Explicação da Oração da Ave Maria------------------------
"Ave, Maria (alegra-te, Maria).
" A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva , alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela .
"Cheia de graça, o Senhor é convosco."
As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Ap 21,3). "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.
"Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus."
Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada': "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus:
"Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".
"Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..."
Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: "Seja feita a vossa vontade".
"Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte."
Pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à "Mãe de misericórdia", à Toda Santa. Entregamo-nos a ela "agora", no hoje de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos "a hora de nossa morte". Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe , para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso.
A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas. No Oriente, a forma litânica da oração "Acatisto" e da Paráclise ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições armênia, copta e siríaca preferiram os hinos e os cânticos populares à Mãe de Deus. Mas na Ave-Maria, nos "theotokia", nos hinos de Sto. Efrém ou de S. Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.
Maria é a Orante perfeita, figura da Igreja. Quando rezamos a ela, aderimos com ela ao plano do Pai, que envia seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo bem-amado, acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus, que se tornou a mãe de todos os vivos. Podemos rezar com ela e a ela. A oração da Igreja é acompanhada pela oração de Maria, que lhe está unida na esperança.
----------------------------Respeito ao nome de Maria--------------------------
O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos.
-------------------------Veneração e não adoração---------------------
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão ". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente "; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração Mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho".
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Ainda no Catecismo da Igreja Católica... encontramos:
MARIA - MÃE DE CRISTO, MÃE DA IGREJA
Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, convém agora considerar lugar dela no mistério da Igreja. "Com efeito, a Virgem Maria (...) é reconhecida e honrada como a verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. (...). Ela é também verdadeiramente 'Mãe dos membros [de Cristo] (...), porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça' ." (...) Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja .
(Parágrafos relacionados 484-507,721-726)
I. A maternidade de Maria com relação à Igreja
TOTALMENTE UNIDA A SEU FILHO...
O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união), "Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte ." Ela é particularmente manifestada na hora da paixão de Jesus:
A bem-aventurada Virgem avançou em sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com o Filho até a cruz, onde esteve de pé não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou a seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima ela por gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26-27 ).
(Parágrafos relacionados 534,618)
Após a ascensão de seu Filho, Maria "assistiu com suas orações a Igreja nascente ”. Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, "vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra ".
...TAMBÉM EM SUA ASSUNÇÃO...
"Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo ." A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
(Parágrafo relacionado 491)
Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo,
ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte ....
... ELA E NOSSA MÃE NA ORDEM DA GRAÇA
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja ", sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja .
(Parágrafos relacionados 2679,507)
Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. "De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça ."
(Parágrafo relacionado 494)
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira ."
(Parágrafos relacionados 501,149,1370)
"A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força ." "Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Mas, da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variegada cooperação que participa de uma única fonte ."
(Parágrafos relacionados 2008,1545,308)
II- O culto da Santíssima Virgem
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão ". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente "; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho ".
(Parágrafos relacionados 1172,2678)
III. Maria - ícone escatológico da Igreja
Depois de termos falado da Igreja, de sua origem, de sua missão e de seu destino, a melhor maneira de concluir é voltar o olhar para Maria, a fim de contemplar nela (Maria) o que é a Igreja em seu mistério, em sua "peregrinação da fé", e o que ela (Igreja) será na pátria ao termo final de sua caminhada, onde a espera, "na glória da Santíssima e indivisível Trindade", "na comunhão de todos os santos , aquela que a Igreja venera como a Mãe de seu Senhor e como sua própria Mãe:
(Parágrafos relacionados 773,829)
Assim como no céu, onde já está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja em sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, ela brilha como sinal da esperança segura e consolação para o Povo de Deus em peregrinação .
(Parágrafo relacionado 2853)
RESUMINDO
Ao pronunciar o 'fiat" (faça-se) da Anunciação e ao dar seu consentimento ao Mistério da Encarnação, Maria já colabora para toda a obra que seu Filho deverá realizar. Ela é Mãe onde Ele é Salvador e Cabeça do Corpo Místico.
Depois de encerrar o curso de sua vida terrestre, a Santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde já participa da glória da ressurreição de seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros de seu corpo.
"Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu sua junção materna em relação aos membros de Cristo ."


Para Reflexão - O sinal da Santa Cruz

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Em Setembro celebramos, no dia quatorze, a solenidade da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vamos aprofundar o significado e a importância da Cruz e do Sinal da Cruz, bem como a fonte de bênçãos que ela pode ser em nossa vida cristã.
No grande império romano, que abrangia Israel, país do povo de Deus, onde Jesus viveu, foi crucificado e ressuscitou, a crucificação era o modo de levar à morte aqueles que cometiam gravíssimos crimes e eram condenados. A crucificação era a pena máxima para grandes criminosos. A cruz, portanto, era um instrumento de condenação e de morte. E Jesus foi condenado à pena máxima, a morrer crucificado.
A cruz redentora
O amor misericordioso de Deus Pai decidiu salvar a humanidade de seus crimes e pecados para dar-lhe a eterna salvação. Esta salvação foi realizada por meio de Jesus, que veio à humanidade, inaugurou o Reino de Deus, morreu, ressuscitou e voltou para os Céus. Mas por decisão de Deus Pai, seu Filho Jesus deveria “pagar” o perdão e a salvação da humanidade com o “preço” de sua vida, entregue até à morte, e morte pela cruz. Jesus morreu crucificado porque essa era a exigência de Deus Pai para salvar a humanidade. Que mistério!
É dessa forma que a cruz, antes instrumento de condenação à morte, agora se tornou instrumento de salvação eterna. Essa transformação misteriosa e maravilhosa ocorreu porque Jesus a abraçou e nela deu sua vida por amor ao Pai, à humanidade e a cada um de nós.
A cruz recebeu seu novo significado na pessoa de Jesus. Separada e independente de Jesus, ela não tem sentido algum. É em relação a Jesus, o filho de Deus e Salvador, que a cruz se tornou símbolo e fonte de salvação para todos os que n’Ele crêem e seguem Seus passos. A cruz tornou-se, assim, um sinal eloqüente do infinito amor de Jesus por nós e um símbolo muito significativo e muito usado pelos discípulos de Jesus.
Nosso sinal
A cruz é a “marca”, o “carimbo”, o “decalque”, o “logo-tipo” do cristão. Onde há uma cruz se quer lembrar Jesus, o Salvador. Onde há uma cruz se quer declarar a fé no crucificado, pelo qual se “recebe o perdão dos pecados” (Atos 3, 19) e a salvação eterna.
A cruz está presente onde há um discípulo de Jesus. Quando fomos batizados, bem no início da celebração, logo após os pais declararem o nome que dão ao filho, o ministro, os pais e padrinhos “traçam o sinal da cruz” na fronte do batizando. Qual o significado desse gesto? O batizando é “marcado”, “carimbado” com o sinal dos discípulos de Jesus. Imaginemos que a fronte do batizando fosse marcada com uma cruz bem vermelha (do sangue de Jesus) e que ela nunca mais pudesse ser apagada. Onde o batizado estivesse todos saberiam que ele é cristão, discípulo de Jesus. [...] é exatamente esse o significado da “imposição da cruz” no batismo. A partir de então, o batizado “pertence” a Jesus, e é salvo por Jesus crucificado e ressuscitado. A partir do batismo o cristão passa a ter direito de receber todas as graças de salvação e santificação, para toda sua vida cristã, alcançadas e merecidas por Jesus crucificado e ressuscitado.
Fonte de bênçãos
Deve-se compreender muito bem que as bênçãos de salvação e santidade não procedem da cruz, por si só, independente de Jesus crucificado. Ela não é um “amuleto mágico” que tenha uma “força positiva”, que opera sem necessidade de Jesus e da fé n’Ele. Toda bênção de salvação e de santificação procede de Jesus, que foi crucificado, e da fé que depositamos n’Ele, em sua Palavra, em seus sacramentos.
Compreendendo-se muito bem o que foi escrito acima, enetenderemos também o salutar uso devoto da Santa Cruz, quer de preferência com o corpo de Jesus crucificado, quer sem ele.
Encontramos a Cruz de Jesus em múltiplus lugares: na igrejas, capelas e oratórios, pendurada no pescoço das pessoas, nas casas católicas, nas salas de aulas de colégios católicos, nos quartos de hospitais católicos, sobre as sepulturas católicas, em lugares onde houve mortes trágicas, como em rodovias, nos salões de reunião do senado, das câmaras federais, estaduais e municipais, bem como nos salões da justiça federal, estadual e municipal. Bem verdade que, nesses últimos lugares, isto é, nos poderes públicos, a presença do crucificado é apenas uma tradição que se esvaziou completamente, e que é muitas vezes contradita gravemente pelo comportamento daquelas pessoas.
O uso devoto da cruz, iluminado pela fé em Jesus Cristo, filho de Deus e Salvador nosso, torna-se uma fonte constante de bênçãos divinas. Isso porque foi da morte de Jesus na cruz que veio a redenção da humanidade e de cada pessoa em particular. Na sexta feira santa, na celebração da Paixão e Morte do Senhor Jesus, quando o sacerdote ou o diácono apresentam à comunidade a cruz do Senhor, proclama por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”! A comunidade ajoelha-se e responde, dizendo: “ Vinde, adoremos”!
Eis a fonte de bênçãos de toda espécie que brota da cruz: Jesus, que abraçou a cruz e deu sua vida por nós!
A bênção com a cruz
Entre nós católicos, todas as bênçãos dadas pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes, quer sobre pessoas vivas ou falecidas, quer sobre residências, sobre objetos religiosos, sobre veículos etc, sempre se traça o sinal da cruz. Por quê? Porque foi do alto da cruz que Jesus conquistou todas as graças que já foram dadas e as que ainda serão concedidas. Traçar a cruz significa atrair e aplicar, sobre aquele ou aquilo que é abençoado, as graças e bênçãos de Jesus crucificado e ressuscitado.
Quando o Papa, o bispo ou o padre traçam a cruz para abençoar, dizem: “abençoe-vos o Deus todo poderoso, o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo”. (Essas palavras podem mudar um pouco, de acordo com o que esteja sendo abençoado). Todas as bênçãos do Pai providente, do Filho unigênito e do Espírito Santo foram conquistadas por Jesus cruscificado, e comunicadas agora por meio do sinal da cruz.
Traçamos todos os dias, diversas vezes, sobre nós, o “sinal da cruz”. Principalmente quando iniciamos alguma oração. É preciso fazê-lo consciente e não maquinalmente. Com devoção, e não como uma rotina vazia. Ao fazê-lo, em geral, dizemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Na verdade, é como se disséssemos (e podemos dizê-lo): “eu me abençôo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” Ou “eu inicio esta oração... esta refeição... este trabalho... esta viagem.., esta Missa... este terço... em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Não é obrigatório citarmos os nomes da Trindade quando fazemos o sinal da cruz. Podemos fazê-lo em silêncio, mas concentrados no sentido de que pela cruz salvadora queremos atrair bênçãos sobre nós. Alguém também poderia iniciar uma oração, um trabalho, uma refeição etc. dizendo no coração: “eu inicio.., em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, sem fazer o sinal da cruz.

Nosso culto à cruz
É muito significativo levarmos uma cruz no pescoço. De preferência com o corpo de Jesus sobre a cruz. Ela deve nos recordar que fomos “marcados” por ela, no Batismo, como “propriedade” de Jesus, e que, por isso, devemos viver como discípulos d’Ele. Ela deve nos lembrar sempre o infinito amor com que fomos amados por Jesus, que se entregou por nós, pela nossa salvação. Deve lembrar-nos do alto preço pago por Jesus pela nossa salvação e que, por essa razão, devemos nos empenhar ao máximo para conquistá-la, vivendo como bons cristãos. Assim usada, a cruz se torna um sacramental, fonte de bênçãos de proteção contra o inimigo tentador, contra as tentações criadas pelo mundo pagão, contra as contaminações espirituais das falsas religiões e de lugares contaminados. Ela se torna também uma fonte de bênçãos para praticarmos as virtudes, fazermos o bem a todos e evitarmos todo pecado, que anula a salvação conseguida por Jesus na cruz.
E fonte de bênçãos, também a cruz presente em nossos lares, colocada num lugar de destaque e visibilidade. Ela significa que ali há uma família católica que crê em Jesus, que deseja viver como cristã e espera receber a salvação. Também ali, presente como uma imagem de Jesus crucificado, pela fé consciente no poder do Senhor, torna-se fonte de bênçãos de proteção contra todos os males e enfermidades, e atrai as bênçãos de salvação e santidade conquistadas por Jesus na cruz, bênçãos de toda espécie para o casal, para os filhos, para a família e para a própria casa com o que nela há.
Em relação à cruz, deve-se manter sempre muito presente e consciente que seu significado se prende plenamente na pessoa de Jesus crucificado. Ele é a fonte de todas as bênçãos. Ela O recorda na maior prova de amor que Ele nos deu: sua vida até a morte de cruz.
(Fonte: Pe. Alírio José Pedrini, scj - Revista Brasil Cristão - Setembro 2009)


O Catecismo sobre a Oração


COMPÊNDIO DO
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
QUARTA PARTE - A ORAÇÃO CRISTÃ
A Oração - As Expressões e o Combate da Oração

534. O que é a oração?
535. Por que existe um chamado universal à oração?
536. Em que Abraão é um modelo de oração?
537. Como orava Moisés?
538. Que relações têm, no Antigo Testamento, o templo e o rei com a oração?
539. Qual é o papel da oração na missão dos profetas?
540. Qual é a importância dos salmos na oração?
541. Com quem Jesus aprendeu a rezar?
542. Quando rezava Jesus?
543. Como Jesus rezou na sua paixão?
544. Como Jesus nos ensina a rezar?
545. Por que é eficaz a nossa oração?
546. Como rezava a Virgem Maria?
547. Existe no Evangelho uma oração de Maria?
548. Como rezava a primeira comunidade cristã de Jerusalém?
549. Como intervém o Espírito Santo na oração da Igreja?
550. Quais são as formas essenciais da oração cristã?
551. O que é a bênção?
552. Como se pode definir a adoração?
553. Quais são as diversas formas da oração de súplica?
554. Em que consiste a intercessão?
555. Quando se presta a Deus ação de graças?
556. O que é a oração de louvor?
557. Qual é a importância da Tradição em relação à oração?
558. Quais são as fontes da oração cristã?
559. Na Igreja existem diferentes caminhos de oração?
560. Qual é o caminho da nossa oração?
561. Qual é o papel do Espírito Santo na oração?
562. Em que a oração cristã é Mariana?
563. Como a Igreja reza a Maria?
564. De que modo os santos são guias para a oração?
565. Quem pode educar para a oração?
566. Quais são os lugares favoráveis à oração?
567. Quais momentos são mais indicados para a oração?
568. Quais são as expressões da vida de oração?
569. Como se caracteriza a oração vocal?
570. O que é a meditação?
571. O que é a oração contemplativa?
572. Por que a oração é um combate?
573. Há objeções à oração?
574. Quais são as dificuldades da oração?
575. Como fortificar a nossa confiança filial?
576. É possível rezar a todo o momento?
577. O que é a oração da Hora de Jesus?


QUARTA PARTE
A oração cristã - Primeira seção
A oração na vida cristã

534. O que é a oração

A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus de bens conformes à sua vontade. Ela é sempre dom de Deus, que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo, que habita no coração deles.

CAPÍTULO PRIMEIRO
A Revelação da oração

535. Por que existe um chamado universal à oração

Porque Deus toma a iniciativa, mediante a criação, de chamar todo ser do nada, e o homem, mesmo depois da queda, continua a ser capaz de reconhecer o seu Criador, conservando o desejo daquele que o tinha chamado à existência. Todas as religiões e de modo particular toda a história da salvação testemunham esse desejo de Deus por parte do homem, mas é Deus o primeiro a atrair incessantemente toda pessoa ao encontro misterioso da oração.
A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO


536. Em que Abraão é um modelo de oração

Abraão é um modelo de oração porque caminha na presença de Deus, escuta-o e lhe obedece. A sua oração é um combate da fé porque ele continua a crer na fidelidade de Deus, mesmo nos momentos da prova. Além disso, depois de ter recebido na própria tenda a visita do Senhor que lhe confia o próprio desígnio, Abraão ousa interceder pelos pecadores com ousada confiança.

537. Como orava Moisés

A oração de Moisés é típica da oração contemplativa: Deus, que chama Moisés da sarça ardente, entretém-se muitas vezes e longamente com ele "face a face, como alguém que fala com seu amigo" (Ex 33,11). Nessa intimidade com Deus, Moisés haure a força para interceder com tenacidade a favor do povo: a sua oração prefigura assim a intercessão do Único mediador, Cristo Jesus.

538. Que relações têm, no Antigo Testamento, o templo e o rei com a oração

À sombra da moradia de Deus - a Arca da Aliança, depois o templo - desenvolve-se a oração do Povo de Deus sob a guia dos seus pastores. Entre eles Davi é o rei "segundo o coração de Deus", o pastor que ora pelo seu povo. A sua oração é um modelo para a oração do povo, pois é adesão à promessa divina e confiança, cheia de amor, n’Aquele que é o único Rei e Senhor.

539. Qual é o papel da oração na missão dos profetas

Os profetas haurem da oração luz e força para exortar o povo à fé e à conversão do coração. Entram numa grande intimidade com Deus e intercedem pelos irmãos, aos quais anunciam o que viram e ouviram do Senhor. Elias é o pai dos profetas, ou seja, daqueles que procuram a Face de Deus. No Monte Carmelo ele obtém a volta do povo à fé, graças à intervenção de Deus, a quem ele suplicava: "Ouve-me, Senhor, ouve-me!" (1 Rs... 18,37).

540. Qual é a importância dos salmos na oração

Os salmos são o ápice da oração no Antigo Testamento: a Palavra de Deus toma-se oração do homem. Inseparavelmente pessoal e comunitária, essa oração, inspirada pelo Espírito Santo, canta as maravilhas de Deus na criação e na história da salvação. Cristo rezou os salmos e lhes deu cumprimento. Por isso eles permanecem um elemento essencial e permanente da oração da Igreja, adaptados aos homens de todas as condições e de todos os tempos.


A ORAÇÃO É PLENAMENTE REVELADA
E REALIZADA EM JESUS

541. Com quem Jesus aprendeu a rezar

Jesus, segundo o seu coração de homem, aprendeu a rezar com sua mãe e com a tradição hebraica. Mas a sua oração brota de uma fonte mais secreta, pois é o Filho eterno de Deus que, na sua santa humanidade, dirige a seu Pai a oração filial perfeita.

542. Quando rezava Jesus

O Evangelho mostra muitas vezes Jesus em oração. Vemo-lo retirar se na solidão, também de noite. Reza antes de momentos decisivos da sua missão ou da dos Apóstolos. De fato, toda a sua vida é oração, pois está em constante comunhão de amor com o Pai.

543. Como Jesus rezou na sua paixão

A oração de Jesus durante a sua agonia no Horto do Getsêmani e as suas últimas palavras na cruz revelam a profundidade da sua oração filial: Jesus dá cumprimento ao desígnio de amor do Pai e toma sobre si todas as angústias da humanidade, todos os pedidos e intercessões da história da salvação. Ele as apresenta ao Pai que as acolhe e as ouve, para além de toda esperança, ressuscitando-o dos mortos.

544. Como Jesus nos ensina a rezar

Jesus nos ensina a rezar não só com a oração do Pai-nosso, mas também quando ele reza. Desse modo, além do conteúdo, ensina-nos as disposições exigidas para uma verdadeira oração: a pureza do coração que procura o Reino e perdoa os inimigos; a confiança audaz e filial que vai além do que sentimos e compreendemos; a vigilância que protege o discípulo da tentação; a oração em Nome de Jesus, nosso Mediador junto do Pai.

545. Por que é eficaz a nossa oração

A nossa oração é eficaz porque está unida pela fé à de Jesus. Nele a oração cristã se torna comunhão de amor com o Pai. Podemos nesse caso apresentar os nossos pedidos a Deus e ser ouvidos: "Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16,24).

546. Como rezava a Virgem Maria

A oração de Maria se caracteriza por sua fé e por sua generosa oferta de todo seu ser a Deus. A Mãe de Jesus é também a Nova Eva, a "Mãe dos vivos": ela reza a Jesus, seu Filho, pelas necessidades dos homens.

547. Existe no Evangelho uma oração de Maria

Além da intercessão de Maria em Caná da Galiléia, o Evangelho nos apresenta o Magnificat (Lc 1,46-55), que é o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, o agradecimento alegre que sobe do coração dos pobres, porque a esperança deles é realizada pelo cumprimento das promessas divinas.

A ORAÇÃO NO TEMPO DA IGREJA

548. Como rezava a primeira comunidade cristã de Jerusalém

No início dos Atos dos Apóstolos, está escrito que na primeira comunidade de Jerusalém, educada pelo Espírito Santo na vida de oração, os crentes "eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At 2,42).

549. Como intervém o Espírito Santo na oração da Igreja

O Espírito Santo, Mestre interior da oração cristã, forma a Igreja na vida de oração e a faz entrar cada vez mais profundamente na contemplação e na união com o insondável mistério de Cristo. As formas de oração, como expressas nos Escritos apostólicos e canônicos, serão normativas para a oração cristã.

550. Quais são as formas essenciais da oração cristã

São a bênção e a adoração, a oração de súplica e a intercessão, a ação de graças e o louvor. A Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração.


551. O que é a bênção

A bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: nós bendizemos o Todo-poderoso que primeiro nos abençoa e nos enche dos seus dons.


552. Como se pode definir a adoração

A adoração é a prosternação do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador três vezes santo.

553. Quais são as diversas formas da oração de súplica

Pode ser um pedido de perdão ou também uma súplica humilde e confiante para todas as nossas necessidades, tanto espirituais como materiais. Mas a primeira realidade a ser desejada é a vinda do Reino.

554. Em que consiste a intercessão

A intercessão consiste em pedir em favor de outro. Ela nos informa e nos une à oração de Jesus, que intercede junto ao Pai por todos os homens, em particular pelos pecadores. A intercessão deve-se estender também aos inimigos.

555. Quando se presta a Deus ação de graças

A Igreja dá graças a Deus incessantemente, sobretudo ao celebrar a Eucaristia, na qual Cristo a faz participar da sua ação de graças ao Pai. Todo acontecimento se torna para o cristão motivo de ação de graças.

556. O que é a oração de louvor

O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus. É completamente desinteressada: canta a Deus pelo que ele mesmo é e lhe dá glória porque ele é.
CAPÍTULO SEGUNDO
A tradição da oração

557. Qual é a importância da Tradição em relação à oração
Na Igreja, é por meio da Tradição viva que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar. Com efeito, a oração não se reduz ao espontâneo manifestar-se de um impulso interior, mas implica contemplação, estudo e compreensão das realidades espirituais de que se faz experiência.

NAS FONTES DA ORAÇÃO

558. Quais são as fontes da oração cristã

São: a Palavra de Deus, que nos dá a "sublime ciência" de Cristo (Fl 3,8); a Liturgia da Igreja, que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação; as virtudes teologais; as situações cotidianas, porque nelas podemos encontrar a Deus. 2652-2662. “Amo-vos, Senhor, e a única graça que vos peço é de vos amar eternamente. Meus Deus, se a minha língua não pode repetir, a cada instante, que vos amo, quero que o meu coração vo-lo repita todas as vezes que respiro" (São João Maria Vianney).
O CAMINHO DA ORAÇÃO

559. Na Igreja existem diferentes caminhos de oração

Na Igreja existem diferentes caminhos de oração, ligados aos diferentes contextos históricos, sociais e culturais. Cabe ao Magistério discernir a fidelidade deles à tradição da fé apostólica, e cabe aos pastores e aos catequistas explicar seu sentido, sempre relacionado a Jesus Cristo.

560. Qual é o caminho da nossa oração

O caminho da nossa oração é Cristo, porque ela se dirige a Deus nosso Pai, mas chega a Ele somente se, pelo menos implicitamente, nós orarmos em nome de Jesus. A sua humanidade é, com efeito, o único caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a rezar a nosso Pai. Por isso, as orações litúrgicas concluem com a fórmula: "Por nosso Senhor Jesus Cristo".

561. Qual é o papel do Espírito Santo na oração

Uma vez que o Espírito Santo é o Mestre interior da oração cristã e "nós não sabemos o que pedir nem como pedir" (Rm 8,26), a Igreja nos exorta a invocá-lo e a implorá-lo em todas as ocasiões: "Vem, Espírito Santo!".
562. Em que a oração cristã é Mariana

Em virtude da sua singular cooperação com a ação do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar a Maria e de orar com Maria, a Orante perfeita, para com Ela engrandecer e invocar o Senhor. De fato, Maria, «mostra-nos o caminho» que é o Seu Filho, o único Mediador..

563. Como a Igreja reza a Maria

Em primeiro lugar com a Ave-maria, oração com que a Igreja pede a intercessão da Virgem. Outras orações marianas são o Rosário, o hino Acatisto, a Paráclise, os hinos e os cânticos das diversas tradições cristãs.

GUIAS PARA A ORAÇÃO

564. De que modo os santos são guias para a oração

Os santos são os nossos modelos de oração e a eles pedimos também que intercedam, junto à Santíssima Trindade, por nós e pelo mundo inteiro. A intercessão deles é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história da Igreja, diversos tipos de espiritualidade, que ensinam a viver e a praticar a oração.

565. Quem pode educar para a oração

A família cristã constitui o primeiro lugar da educação para a oração. A oração familiar cotidiana é particularmente recomendada, porque é o primeiro testemunho da vida de oração da Igreja. A catequese, os grupos de oração, a "direção espiritual" constituem uma escola e uma ajuda à oração.
566. Quais são os lugares favoráveis à oração

Pode-se rezar em qualquer parte, mas a escolha de um lugar apropriado não é indiferente para a oração. A igreja é o lugar próprio da oração litúrgica e da adoração eucarística. Também outros lugares ajudam a rezar, como um "recanto de oração" em casa; um mosteiro; um santuário.
CAPÍTULO TERCEIRO
A vida de oração

567. Quais momentos são mais indicados para a oração

Todos os momentos são indicados para a oração, mas a Igreja propõe aos fiéis ritmos destinados a alimentar a oração contínua: orações da manhã e da noite, antes e depois das refeições; liturgia das Horas; Eucaristia dominical; santo Rosário; festas do ano litúrgico. 2697-2698 2720. “É preciso lembrar-se de Deus com mais freqüência do que se respira" (São Gregório Nazianzeno).

568. Quais são as expressões da vida de oração

A tradição cristã conservou três modos para exprimir e viver a oração: a oração vocal, a meditação e a oração contemplativa. Seu traço comum é o recolhimento do coração.

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

569. Como se caracteriza a oração vocal

A oração vocal associa o corpo à oração interior do coração. Até a mais interior das orações não poderia ficar sem a oração vocal. Em todos os casos ela deve sempre brotar de uma fé pessoal. Com o Pai-nosso, Jesus nos ensinou uma fórmula perfeita de oração vocal.

570. O que é a meditação

A meditação é uma reflexão orante, que parte sobretudo da Palavra de Deus, na Bíblia. Põe em ação a inteligência, a imaginação, a emoção, o desejo, para aprofundar a nossa fé, converter o nosso coração e fortificar a nossa vontade de seguir Cristo. É uma etapa preliminar para a união do amor com o Senhor.
571. O que é a oração contemplativa

A oração contemplativa é um simples olhar sobre Deus, no silêncio e no amor. É um dom de Deus, um momento de fé pura durante o qual o orante procura Cristo, remete-se à vontade amorosa do Pai e recolhe o seu ser sob a moção do Espírito. Santa Teresa de Ávila a define como uma íntima relação de amizade, "na qual nos entretemos muitas vezes a sós com Deus por quem nos sabemos amados".


O COMBATE DA ORAÇÃO

572. Por que a oração é um combate

A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida de nossa parte, porque aquele que reza combate contra si mesmo, o ambiente e sobretudo contra o Tentador, que faz de tudo para o distrair da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza.

573. Há objeções à oração

Além de conceitos errôneos, muitos pensam não ter tempo de rezar ou que seja inútil rezar. Aqueles que rezam podem desanimar diante das dificuldades e dos aparentes insucessos. Para vencer esses obstáculos são necessárias a humildade, a confiança e a perseverança.

574. Quais são as dificuldades da oração

A distração é a dificuldade habitual da nossa oração. Ela tira a atenção de Deus e pode até revelar aquilo a que estamos apegados. O nosso coração então deve voltar-se humildemente ao Senhor. A oração é muitas vezes insidiada pela aridez, cuja superação permite na fé aderir ao Senhor, mesmo sem uma consolação sensível. A acídia é uma forma de preguiça espiritual devida ao relaxamento da vigilância e à deficiente guarda do coração.

575. Como fortificar a nossa confiança filial

A confiança filial é posta à prova quando pensamos não ser ouvido. Temos de nos perguntar então se Deus é para nós um Pai cuja vontade procuramos fazer, ou é um simples meio para obter o que queremos. Se a nossa oração se une à de Jesus, sabemos que ele nos concede muito mais deste ou daquele dom: recebemos o Espírito Santo que transforma o nosso coração.

576. É possível rezar a todo o momento

Rezar é sempre possível, porque o tempo do cristão é o tempo de Cristo ressuscitado, o qual "está conosco todos os dias" (Mt 28,20). Oração e vida cristã são, por isso, inseparáveis. 2742-2745 2757. “É possível, até no mercado ou durante um passeio solitário, fazer uma freqüente e fervorosa oração. É possível também na loja, ao comprarmos ou ao vendermos, ou também enquanto cozinhamos" (São João Crisóstomo).


577. O que é a oração da Hora de Jesus

É chamada assim a oração sacerdotal de Jesus na Última Ceia. Jesus, o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, dirige-a ao Pai quando chega a Hora da sua "passagem" para ele, a Hora do seu sacrifício.

sábado, 20 de agosto de 2011

Castelo Interior ou Moradas

Santa Teresa de Ávila: Uma Rápida Analise do Castelo Interior ou Moradas

Teresa de Ávila, como ficou conhecida por sua cidade de nascimento Teresa de Cepeda y Ahumada (1515-1582), escreveu, dentre outras obras, três tratados místicos, de que o mais importante é O Castelo Interior, no qual relata sua experiência iluminativa alcançada depois de rigorosa disciplina espiritual que a fez viajar por seu mundo interior até os mais profundos estados de consciência.
Mas essa notável escritora e poetisa do período áureo da literatura espanhola, o século de Cervantes, não foi uma intelectual de gabinete e sim mulher de ação comprometida com o ideal de melhorar a humanidade. Como freira carmelita, tomou a iniciativa de reformar a Ordem do Carmelo, recuperando-lhe a vida de recolhimento e oração. Correspondeu-se com os grandes de seu tempo, assim autoridades civis como eclesiásticas, propondo as mudanças necessárias e fundou conventos de monjas descalças em varias regiões da Espanha, com o que exerceu relevante influência na Igreja e na sociedade. Se escreveu, em prosa e em verso, obras tão belas que lhe garantem lugar de relevo nas letras universais, não foi por pretensão literária - que não possuía de nenhum modo -, mas para ensinar às suas irmãs de fé um padrão mais elevado de vida, como convém aos que abraçam a religião.
S. Teresa nasceu em 28.3.1515, em Ávila, região central da Espanha e faleceu em 4.10.1582. Aos 20 anos, ingressou, contra a vontade do pai, no convento carmelita da Encarnação e fez os votos, aos 22. Empenhou-se na reforma do Carmelo, tendo a colaboração de S. João da Cruz. Criou a Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD), à qual propôs a pobreza, o recolhimento e a oração. Em 1562, fundou o primeiro convento reformado, em Ávila. Seguiram-se-lhe mais 31 até o fim de sua vida. Escreveu O Livro das Fundações, Constituições, Livro da Vida, Caminho de Perfeição, O Castelo Interior, Contas de Consciência e Meditações sobre os Cantares, além de escritos menores, cartas e poesias. Eleita padroeira da Espanha em 1617, foi canonizada em 1622 e declarada doutora da Igreja em 1970. É conhecida como a Santa dos Êxtases por suas extraordinárias experiências místicas.          
O Castelo Interior foi redigido em 1577, no curto espaço de dois meses, numa espécie de escrita automática, como se fosse recebido do Alto. É obra da maturidade espiritual de S. Teresa, que contava então 62 anos e já havia entrado em consciência cósmica, após uma sucessão de despertares que marcaram sua existência terrena repleta de enfermidades, atribulações, trabalhos constantes e mesmo perseguições por parte daqueles que não aceitavam idéias reformistas. Como todos os escritos de S. Teresa, O Castelo não se destinava à leitura do grande público, e sim à instrução das carmelitas descalças, como um guia de espiritualidade. Tornou-se, no entanto, sua mais conhecida obra, quer pela perfeição da narrativa, "pela elegância despreocupada que deleita ao extremo", no dizer de Frei Luis de León, quer, sobretudo pela acurada análise que faz da psique humana, interessando, por isso, também à ciência psicológica, nesta nossa época em que a expansão da consciência tem sido a proposta da mais sã psicologia.
Teresa parte da idéia de que a felicidade, que ela chama de Deus, está dentro de cada um de nós e não pode ser encontrada em nenhum outro lugar, visto ser um estado de consciência, cujo aflorar demanda o autoconhecimento, pois o homem - afirma - não é a idéia que tem de si mesmo, mas uma alma ou consciência com vários graus de perfeição que abriga no mais recôndito o verdadeiro ser. A entrada nessa esfera de consciência, no entanto, não depende de conhecimento intelectivo e sim de experiência direta que caracteriza o saber místico, a verdadeira sabedoria. É pelo autoconhecimento, lastreado na introspecção, que o ser humano consegue compreender-se e se transformar, de ser psíquico em Eu superior, ensejando a renovação da mente e o nascer para uma vida completamente nova, fruto de aliança definitiva da personalidade com o homem interior, o grande desconhecido.
Para explicar essa experiência transformadora, pela qual ela própria passara, Teresa vale-se da linguagem metafórica, que é a forma natural de expressão mística, porquanto a linguagem usual é insuficiente para expressar as realidades que transcendem. Duas são as principais imagens adotadas pela autora: o castelo e o casamento que são símbolos relacionados tradicionalmente com a necessidade que tem o homem em seu crescimento pessoal de se libertar da imaturidade psíquica e das formas limitadas de vida, com vistas na plena realização de suas potencialidades. Teresa não inventou esses símbolos, nem foi a primeira escritora que fez uso deles, visto que encontram suas raízes já no próprio texto bíblico. O castelo representa a alma humana, ou a esfera intima do ser, o centro individual de segurança, porque os castelos são construções sólidas, de difícil acesso, erigidas geralmente em lugares altos e isolados, nos campos ou nos bosques, longe da turba da cidade. São protegidos contra as inundações e os ataques externos. Têm geralmente torres elevadas que conotam a evolução ou ascensão, e representam o elo entre a terra e o céu, como nas igrejas e nas catedrais. Os castelos expressam, assim como os templos, o desejo de aproximação com Deus e de canalização do poder divino para a Terra. Nos contos de fada, os castelos abrigam jovens à espera de um príncipe, qual a Bela Adormecida, ou um príncipe à procura de uma jovem para desposar, como a Cinderela. Na psicanálise, usa-se a figura da casa, similar ao castelo, para exemplificar o aparelho psíquico: o porão, geralmente escuro, denota o inconsciente e seus instintos, ao passo que os cômodos iluminados significam a consciência; entre luzes e sombras, há meios tons. No que tange ao casamento, o simbolismo é bastante claro. Já no Cântico dos Cânticos, ele traduz a experiência mais secreta da alma - uma relação pessoal e intensa determinada pela necessidade vital de alteridade, a que se deve a geração da vida. Sob o aspecto social, o casamento, disciplinado na legislação dos povos, implica relação duradoura, constância, mútuo interesse, comunhão de vida e de bens, auxilio recíproco, deveres e, até há bem pouco tempo, indissolubilidade. Trata-se, na linguagem mística, não de imagem sexual, como pode parecer aos menos avisados, nem de sexualidade reprimida, como querem ver no texto teresiano alguns críticos que desconhecem a base poética da psique, mas a representação da união transformadora que produz a vida santificada.
Teresa concebe a alma humana como um castelo de sete pavimentos ou andares que são os vários graus de consciência pelos quais a pessoa tem de passar até chegar ao topo e ao centro, onde se dá a plenitude iluminativa: "É de considerar nossa alma como um castelo todo de diamante ou mui claro cristal, onde há muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas. Que se bem o considerarmos, não é outra coisa a alma do justo senão um paraíso onde Ele disse ter suas delícias". Mas, para desfrutar desse paraíso, faz-se necessária a introspecção a que nem todos estão acostumados. É preciso, em primeiro lugar, entrar no castelo, porque as pessoas, em sua maioria, ficam de fora, fascinadas com as coisas do mundo exterior. Com o objetivo de não confundir o leitor, Teresa adverte em tom pedagógico: "Parece que digo algum disparate: porque se este castelo é a alma, claro que não se trata de entrar, pois se é ele mesmo, pareceria desatino dizer a alguém que entrasse num aposento já estando dentro". O paradoxo, no entanto, é só aparente, porque mesmo no espaço físico há modos de estar. Há quem está mas não percebe e não tira nenhum proveito da estada - vê, mas não enxerga, ouve, mas não escuta, porque o pensamento está muito longe, e é como se não estivesse no local. Sabe-se de longa data que a alma tem em si algo de terreno (inferior) e de divino (superior): em geral, as pessoas comuns ficam com o terreno, não tomando posse nunca do nível superior, íntimo. É, pois, preciso entrar no castelo (voltar-se para o íntimo) e percorrer seus aposentos, num movimento ascensional, até descobrir a própria identidade iluminada. Não basta, portanto, ter a noção de "possuir uma alma". É imperioso aprofundar-se em si mesmo para chegar aos patamares mais altos da consciência e viver como um ser superior, ou divino. Enquanto a alma não necessita de esforço para viver seu aspecto terreno, necessita de muito esforço para viver superiormente, visto que é estreito o caminho que conduz para cima. Assim, o centro da alma - que Teresa diz ser o espírito - não é reconhecido facilmente pelo homem (diga-se, pela própria alma), porque as ilusões turbam o entendimento. E é inútil o homem saber que é uma alma, se não experimenta todos os aspectos dessa alma. É, pois, somente esse conhecimento experimental, próprio dos grandes sábios e místicos, que produz a compreensão e a iluminação. Essa expansão da consciência cura as inquietações da alma, operando a aliança do homem exterior com o homem interior, de modo que o primeiro passe a ser comandado pelo segundo. À melhor parte da alma, só se adentra com muito trabalho e esforço justificados pela necessidade de superar a ignorância. "Não é pequena lástima e confusão - pergunta Teresa - que por nossa culpa não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos? Não seria grande ignorância que perguntassem a alguém quem era e não conhecesse nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra?". É, pois, imprescindível saber por experiência, o grande bem que há na alma, o que se dá pela entrada em si. A introspecção é justamente o adentrar da alma em si. Isso depende só do querer. A chave posta à disposição de quem quer entrar é, segundo Teresa, dúplice: a oração e a reflexão. Não a oração decorada, mera repetição de palavras, mas a oração reflexiva, com concentração do pensamento e afastamento de todo e qualquer cogitar profano. Na oração, ensina S. Teresa, não é importante o muito falar, mas o muito amar. Trata-se da oração contemplativa, expressão de amor, que traz contentamento grande e quieto da vontade, no dizer da escritora.
O castelo da alma com sete andares e muitas moradas, imaginado por Teresa de Ávila, não é como os castelos que estamos acostumados a ver. É construído em forma de palmito, tendo em seu núcleo a parte saborosa envolvida em muitas coberturas. Tampouco os cômodos ou moradas estão dispostos linearmente, senão abaixo, acima e ao redor. As moradas são graus de consciência e amor. Nesse castelo, os órgãos dos sentidos são os serviçais que, no entanto, governam mal a casa e deixam entrar animais peçonhentos (as paixões), descurando ademais da limpeza. Por isso, se a chave da porta principal do castelo é a oração, as chaves das várias moradas são a humildade e a  devoção. Humildade para reconhecer os pontos obscuros do castelo com vistas em eliminá-los; devoção ao grande ser que habita o centro do castelo.
Nas três primeiras moradas, há muita impureza, porque, estando mais próximas do solo, são mais vulneráveis às paixões, ao orgulho pessoal, ao amor narcísico, à avidez e às vaidades. Ao tomar ciência dessa poluição, quem entra nessas moradas, deve em primeiro lugar proceder à faxina, penitenciando-se de suas falhas. Cuida-se de extirpar o apego ao mundo, combater os maus pensamentos e sentimentos e de mudar o modo de falar e de vestir. As quartas moradas oferecem um colírio para os olhos da alma. Por estarem mais próximas da câmara real, são belas e iluminadas. Nelas não entram animais repelentes e, mesmo que entrem, não lhes fazem dano, porque a alma está purificada e fortalecida - já não tem apegos e sente prazer no recolhimento interior - deixa de pensar e passa a amar. É o início da vida iluminada, e uma força que parte do centro e do alto do castelo, puxa a alma para mais perto da morada central. Nas quintas moradas, a  oração começa a produzir o fruto da união. A alma torna-se compassiva, recebendo a marca do amor incondicional, que é a característica divina do homem. Livre da egoicidade, o homem se transforma (a lagarta se faz borboleta) e quer a todo preço chegar ao centro. Foi neste estágio de sua ascensão que Santa Teresa recebeu as visões e os êxtases, pelos quais ficou conhecida - ela é chamada de a "Santa dos Êxtases". Na definição que a própria autora nos oferece, esses êxtases são "vôos do espírito", ou saídas de si, pelas quais a alma experimenta uma união fugaz com o divino e se sente estimulada a prosseguir em sua subida espiritual e abandonar de vez as conversações e confortos terrenos. Enquanto os êxtases são arroubos da alma, as visões de Deus e de multidão de anjos, são intuições da presença divina na alma, intuições que ela chama de visões intelectuais, porque os olhos carnais, em verdade, nada vêem. A consciência capta essa presença sem a intermediação dos órgãos dos sentidos. Com tais experiências, Santa Teresa tomou conhecimento mais perfeito da grandeza do ser que habita o castelo, aumentou o autoconhecimento e a humildade, e confirmou uma vez mais a pequenez das coisas terrenas. Vê-se assim que tanto os êxtases como as visões têm por fim aumentar a capacidade de compreensão, que, ao lado da compaixão, é a característica básica da consciência cósmica. "Em Deus - diz - vêem-se todas as coisas, e Ele as tem todas em si mesmo". Mas, por causa desses êxtases e dessas visões, teve a santa de enfrentar a incompreensão alheia, sendo vítima de acusações e reprovações até de seus superiores hierárquicos. As sextas moradas são ainda mais belas, porque freqüentadas pelo senhor do castelo. Nelas a alma realiza os esponsais com a divindade. As tribulações, todavia, continuam, porque as outras pessoas com quem necessariamente ela convive, não a entendem (Santa Teresa, como todo místico, destoa do grupo social) e a criticam e desprezam. É a noite escura da alma que precede a plena e definitiva transformação. Por fim, nas sétimas moradas, que são as mais ricas e bonitas, a alma une-se, em casamento, com a divindade. Neste estágio, a pessoa percebe a sutil divisão entre alma e espírito, o centrum securitatis. O matrimônio espiritual nada mais é do que a divinização da alma que, purificada, fortalecida e iluminada, passa a desfrutar da paz que excede todo o entendimento. Neste mais alto patamar, a vontade de servir ao próximo toma vulto, porque a alma se reconhece como instrumento cósmico para servir às criaturas. Então, quem se havia afastado do mundo para melhor compreender sua real identidade, estando já definitivamente livre dos apegos  e das ilusões,  volta ao convívio social para trabalhar com redobrado vigor em prol de todos os seres. A experiência mística só se completa e se confirma pelo serviço desinteressado. É a faceta Marta que se ativa na alma. Nes­te passo do livro, Santa Teresa reabilita a figura evangélica de Marta, irmã de Maria. Em Lucas, 10:38-42, lemos que Marta hospedou Jesus em sua casa, e sua irmã, Maria, quedou-se assentada aos pés do Mestre a ouvir-lhe os ensinamentos, enquanto Marta agitava-se de um lado para outro, fazendo os preparativos para bem servir ao convidado ilustre, até que pediu ao Divino Mestre que ordenasse à irmã  fosse ajudá-la a pôr a mesa. Ao que Jesus respondeu: "Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada". Pelo diálogo, tem-se a impressão de que o Mestre reprovou Marta e elogiou Maria, vale dizer, exaltou a contemplação e deu pouca importância ao trabalho. Teresa de Ávila, no entanto, dá interpretação mais adequada à passagem bíblica: Maria, a contemplativa, não é mais importante do que Marta, a laborativa, porque no grande castelo da alma, "Marta e Maria hão de andar juntas para bem hospedar o Senhor, e tê-lo sempre consigo". Enfaticamente, pergunta a autora: Como Maria, assentada sempre aos pés do Mestre, lhe poderia dar boa hospedagem se a irmã Marta não a ajudasse? De fato, sem Marta, não há regalos, não há festa, não há boa hospedaria. Marta e Maria são facetas de uma mesma pessoa. O verdadeiro místico não se limita a contemplar, mas age e age sempre para o melhoramento do mundo. Contemplação e trabalho se unem na personalidade mística. Da mesma forma como a fé sem obras é morta, a contemplação sem a ação perde muito de seu valor. Diz-se mesmo que a missão do místico é trazer os céus à Terra para que esta se transforme em paraíso. Para completar, portanto, ascensão da alma, é mister o serviço desinteressado porque de nada vale represar o amor extraordinário que existe na alma de todo ser humano. Além disso, a melhor parte, a que se refere Jesus, vem depois de muito trabalho e mortificação. É notório naqueles que atingem a iluminação o desejo de trabalhar para melhorar o mundo. Foi assim com Sidarta Gautama que tendo-se afastado do mundo por seis anos em disciplina ascética, voltou iluminado para ensinar a humanidade a livrar-se do sofrimento, exercendo seu magistério durante 45 anos. Foi assim com Jesus que, iluminado nas águas do Jordão, não deixou nenhum dia sequer de pregar, ensinar, curar os enfermos e ressuscitar os mortos. Foi assim com Paulo de Tarso: depois da conversão, não deixou de trabalhar, enfrentando perigos e tormentas para pregar a boa nova, além de prover o próprio sustento como tecelão. Assim também com o seráfico Francisco de Assis, que trabalhava manualmente, consertando igrejas, além de ministrar a palavra de conforto aos doentes e sofredores. E foi assim, também, com Santa Teresa: após sua iluminação, em idade madura, não descansou um minuto sequer, fundando e administrando conventos e atuando como reformadora e mestra espiritual, para o que teve de realizar viagens em condições precárias para diversos pontos da Espanha. 
Deste breve passeio que acabamos de fazer pelas moradas de Teresa de Ávila, conclui-se que os ensinamentos dessa insuperável mestra de espiritualidade continuam válidos hoje, decorridos mais de quatro séculos, como continuarão sempre para aqueles que, no dizer de René Fulop-Miller, "querem transcender a enfermidade do ego e do mundo, para enveredar pelo caminho da perfeição até Deus".