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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lectio Divina

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

BÍBLIA E COTIDIANO CAMINHAM JUNTOS


Apresentamos um método para leitura da Bíblia, com o qual você poder ler, meditar, rezar e contemplar o texto bíblico de modo que compreenda o que Deus disse para o povo na situação em que viviam e o que está querendo dizer para nós hoje.
 ORIGEM DO MÉTODO DA LECTIO DIVINA
Um monge, Guigo, por volta dos anos 1.150, via quanto o texto bíblico era utilizado nos momentos de oração. Percebia que lendo o texto, era possível reler o passado à luz do presente e trazendo uma grande contribuição para o futuro. O que temos na Bíblia é a história de um povo que conseguiu perceber a presença de Deus em sua caminhada. A Palavra de Deus é vista como sinal rememorativo, dando uma visão do que foi proferido no passado, o que perdura no presente e aponta para um olhar numa perspectiva de futuro.
 
Guigo sentia que a Palavra de Deus comprometia e que o conjunto dos livros que formam a Bíblia era tido dentro de uma unidade. Dentro dessa unidade, percebia que estavam presentes três níveis de compreensão: literário, histórico e o teológico. Cada um tem sua especificidade, o primeiro está mais próximo do texto, o segundo leva mais em consideração a situação histórica em que o texto foi escrito e o terceiro está  diretamente relacionado com a mensagem de Deus.

Orígenes é o grande idealizador do termo Lectio Divina. Muitos traduzem Lectio Divina por leitura divina, outros por leitura orante. O que nos importa é o valor que esse método tem para nossa vida. A Lectio Divina é resultado da prática da leitura que os cristãos faziam e fazem da Bíblia. Essa prática usada pelos cristãos, já é um resquício da tradição das comunidades do Antigo Testamento. As comunidades liam os textos bíblicos que eram passados de geração em geração.

A grande contribuição de Guigo foi a de sistematizar os passos da Lectio Divina. Ele sugere que sejam seguidos quatro passos. O termo utilizado para cada momento é degrau. Com o intuito de partilhar a forma como compreender melhor o texto bíblico, resolveu escrever um livrinho no qual intitulou "A Escada dos Monges". Escreve para outro monge dizendo: "certo dia, durante o trabalho manual, quando estava refletindo sobre a atividade do espírito humano, de repente se apresentou à minha mente, a escada dos quatro degraus espirituais: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Essa é a escada dos monges, pela qual eles sobem da terra ao céu. É verdade, a escada tem poucos degraus, mas ela é de uma altura tão imensa e  inacreditável que, enquanto a sua extremidade inferior se apoia na terra, a parte superior penetra nas nuvens e investiga os segredos do céu". E diz mais: "A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento. A meditação é uma diligente atividade da mente que, com a ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta. A oração é o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo que afaste os males e conceda as coisas boas. A contemplação é uma elevação da mente sobre si mesma que, suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna".

A Lectio Divina supõe alguns princípios:

·        a unidade da Escritura,
·        atualidade ou encarnação da Palavra e a Fé em Jesus Cristo, vivo na Comunidade.
  Os quatro degraus pedem que o leitor fique atento à:
 1. LEITURA: ler o texto várias vezes até criar uma maior familiaridade. Pronunciar bem as palavras. Entrar em contato com o texto utilizando-se de muita atenção, respeito, escuta... Sugerimos que essa leitura também seja criteriosa, evitando e até excluindo uma leitura fundamentalista. É preciso ver o texto dentro do seu contexto e origem.
 2. MEDITAÇÃO: Esse passo é um convite para que atualizemos o texto e consigamos trazê-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade. A meditação é um ótimo espaço para que se medite e reflita o que há de semelhante e diferente entre a situação do texto com o hoje. Depois, é importante resumir tudo o que foi ruminado numa frase. Essa frase o ajudará a recordar durante o dia o que foi meditado. É um prolongamento da meditação. Aos poucos vai havendo uma relação do que foi meditado com a vida de quem está meditando.
 3. ORAÇÃO: Praticamente a oração está presente em todas as etapas. É importante que haja uma transparência no ato da oração e que o orante seja realista. Ele pode usar o momento tanto para louvor, ação de graças, súplica, pedido de perdão, rezar algum salmo, recitar preces já existentes. É importante que esse momento possa ajudá-lo na reflexão da frase escolhida.
 4. CONTEMPLAÇÃO: depois de ler, meditar e orar o texto bíblico e sua realidade, chegou a hora de contemplar todo esse percorrido. "A contemplação nos ajuda a entender que Deus está presente na realidade". Pela contemplação é possível perceber a presença de Deus. E com isso somos convidados ao compromisso com a realidade.
 Resumindo:
·        A leitura responde a pergunta: O que diz o texto?
·        A meditação responde: O que diz o texto para mim, para nós?
·        A oração responde: O que o texto me faz dizer a Deus?
·        E a contemplação ajuda a responder: Estou pronto para nova missão?
 Os quatro degraus seguem um dinamismo onde a cada momento o leitor da Bíblia é convidado a recomeçar todo o processo. Quem deseja conhecer melhor esse método adquira a coleção "Tua Palavra é Vida", editora Loyola. Essa coleção faz uma caminhada pela História da Salvação, narrada na Bíblia.
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 Fonte: O Desafio - Jornal da Família Salvatoriana  - Outubro 2000, nº 108
 

SOBRE A ORAÇÃO DE JESUS


A "oração de Jesus" é a veio até nós por um escritor russo desconhecido, que escreveu o "Caminho do Peregrino". O herói do livro, um homem pobre que perde tudo o que possui devido a uma sequência de calamidades e parte para uma jornada, buscando aprender como "rezar incessantemente". Ele finalmente chega a um mosteiro onde aprende que orar não é uma ocupação da mente mas uma ocupação do coração. Lá ele aprende a rezar a "oração de Jesus" até que ela se torne a música de fundo em tudo o que ele fizer e onde quer que vá. Uma vez que a oração se torna parte de seu espírito, ele reza inconscientemente por todo o dia e alcança seu objetivo de "orar sem cessar".
Não precisamos ter esse objetivo de rezar incessantemente para nos beneficiarmos de um exercício como a Oração de Jesus. Há um pronunciado "efeito centralizador" com a oração. Ela nos aquieta e nos prepara para escutar a Deus. Direciona nossa atenção para além das necessidades de nossa vida diária neste mundo e nos recorda do outro, nos conectando com matérias mais profundas, capacitando-nos a relembrar quem somos e de Quem somos.
A Oração de Jesus em si mesmo é a fórmula simples, "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende compaixão de mim, pecador". Geralmente é associada com nossa respiração, de modo que ao inalarmos dizemos em voz alta ou silenciosamente, "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus", e ao exalarmos, "tende compaixão de mim, pecador".
Não há nada de mágico sobre essa fórmula particular, e ela pode ser modificada para satisfazer seu gosto ou estilo pessoal. Pode-se optar por qualquer fórmula que agrade e ao escolhê-la, ela vai funcionar do mesmo modo. Contudo, será melhor se for "rítmica", "ressonante" e "adequada". Algumas pessoas escolhem uma oração que se ajusta ao rítmo de seu passo enquanto caminham. Embora isso não seja necesário, algum rítmo é importante para fazer com que a oração seja "uma" conosco. Ressonância requer que a oração tenha suavidade e flua por si mesma. E "adequada" significa que estejamos confortáveis com a fórmula e não precisemos ficar procurando uma "melhor" a cada instante.
Abba Isaac disse: "A fórmula para contemplação consiste da constante repetição: "Senhor, apressai-vos em socorrer-me, O Deus socorrei-me sem demora" (Salmo 40,13). Outras formas incluem, mas certamente não se limitam a:
"Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende compaixão de mim."
. "Senhor Jesus Cristo, tende compaixão de mim."
. "Senhor, tende compaixão, Cristo, tende compaixão, Senhor, tende compaixão."
. "Senhor, tenha compaixão".
. "Senhor Jesus Cristo, venha o teu reino."
. "Pai, Senhor, vinde em meu auxílio".
. "Oh Senhor Jesus, Santo de Deus, ajude-me a ser santo, eu suplico".
. "Senhor Jesus, pense em mim".
. "Venha, Senhor Jesus".
. "Maranatha, Nosso Senhor, vinde"
. "O Senhor é meu pastor, nada me falta".
. "Meu Senhor e meu Deus".
. "Creio Senhor, mas aumentai minha fé".
. "Lembra-te de mim quando chegares ao teu Reino".
. "Senhor Jesus Cristo, vós sois a luz do mundo. Enchei minha mente com paz, meu coração com amor".
. "Senhor Jesus Cristo, vós sois a luz do mundo. Enchei nossas mentes com paz, nossos corações com amor".
. "Jesus, Maria, amo-Vos, salvai almas!" (veja a origem desta invocação no site "Almas Pequeníssimas
"Podemos invocar o Nome de Jesus em diversos contextos. Cada pessoa há de encontrar a forma mais apropriada à sua oração individual. Contudo, qualquer que seja a forma usada, o coração e o centro da invocação devem ser o próprio santo Nome, a palavra Jesus. Aí reside toda a força da invocação.
A invocação do Nome deve trazer Jesus à nossa mente. O Nome é o símbolo e o portador da pessoa de Cristo. De outra forma, a invocação do Nome seria mera idolatria verbal. "A letra mata mas o espírito vivifica" (2Cor3,6).
A presença de Jesus é o conteúdo real e a substância do Santo Nome. O Nome tanto significa a presença de Jesus, como traz sua realidade.
Isto conduz à adoração pura. Ao pronunciar o Nome, deveríamos responder à presença de Nosso Senhor. "Prostrando-se, adoraram-no" (Mt 2,14). Pronunciar refletidamente o Nome de Jesus é conhecer que Nosso Senhor é tudo. "Por isso Deus o exaltou grandemente e lhe deu um Nome que está sobre todo o nome, de modo que ao Nome de Jesus se dobre todo o joelho" (Fl 2,8-10).
Leituras sugeridas:
1."A invocação do Nome de Jesus" , "Relatos de um peregrino russo". - ed. Paulus, col. "Oração dos Pobres";
2. "Vivendo a Oração de Jesus" - por Irma Zaleski - ed. Santuário (tem nas Paulinas, etc.)



"Sobre a Oração Incessante, da Vida de São Gregório Palamas, Arcebispo de Tessalonica, o milagroso, por São Nicodemos do Monte Santo, editor da Filocália, sobre a Necessidade da Oração Constante para todos os Cristãos em geral. Não permita que alguém pense, meu querido irmão cristão, que apenas pessoas em ordens religiosas, ou monges são obrigados a rezar sem cessar a todo o tempo, e não os leigos. Não, não! É dever de todos nós cristãos permanecer sempre em oração. Pois veja o que Sua Beatitude, o Patriarca de Constantinopla, Filoteus, escreve na Vida de São Gregório de Salonica. Aquele santo tinha um amigo querido, de nome Job, um homem simples mas extremamente virtuoso. Uma vez, conversando com ele, o prelado disse da oração que todo cristão em geral deve sempre trabalhar em oração e rezar incessantemente, como é ordenado pelo Apóstolo Paulo para todos os cristãos em geral. "Orai sem cessar"(I Tess. 5:17); e o Profeta David diz de si mesmo, apesar de ser um rei e tendo que cuidar de seu reino: "Tenho sempre o Senhor diante de mim" (Sl. 15:8), querendo dizer que "em oração, sempre vejo mentalmente o Senhor diante de mim." E Gregório o Teólogo ensina a todos os cristãos e diz a eles que devemos mais frequentemente lembrar o nome de Deus em oração do que inalar o ar! Dizendo isto e muito mais ao seu amigo Job, o santo prelado acrescentava que em obediência aos mandamentos dos santos, devemos não apenas rezar sempre, mas devemos ensinar a todos a fazer o mesmo, todas as pessoas em geral: monges e leigos, os sábios e os simpes, homens, mulheres e crianças e induzi-los a rezar incessantemente.
Ouvindo isto, pareceu ao velho Job ser isso uma nova proeza e ele começou a argumentar, dizendo ao santo que rezar sem cessar era apenas para os ascetas e monges, vivendo fora do mundo e suas vaidades, mas não para leigos que têm tantas preocupações e tanto trabalho. O santo argumentava com novos testemunhos que confirmavam aquela verdade e apresentava irrefutáveis provas disso, mas o velho Job não se deixou convencer por elas. Então São Gregório, evitando palavras e argumentos inúteis, silenciou e em seguida cada um foi para sua cela no mosteiro. Mais tarde, enquanto Job rezava em seus aposentos, apareceu-lhe um anjo enviado por Deus, dizendo-lhe que Deus deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade (Tim. 2:4) e reprendendo-o por haver contradito São Gregório e se oposto a um fato óbvio do qual depende a salvação dos cristãos, admoestou-o em nome de Deus a prestar atenção a si mesmo no futuro e resguardar-se de dizer a quem quer que seja, algo contrário àquele trabalho de salvamento de almas, por conseguinte, opondo-se à vontade de Deus, e que mesmo em sua mente ele não deveria abrigar nenhum pensamento contra esta obra e não deveria sequer permitir-se pensar diferente do que São Gregório lhe dissera. Em seguida, aquele simples ancião Job, correu a São Gregório e caindo aos seus pés, pediu-lhe perdão por contradizê-lo e por ter tido tal amor à disputa e revelou-lhe tudo que o anjo de Deus lhe dissera.
Veja meu querido irmão, que é dever de todos os cristãos, pequenos e grandes, sempre praticar a oração mental: "Senhor Jesus Cristo, tenha piedade de mim!" de modo que suas mentes e corações adquiram o hábito de sempre pronunciar estas santas palavras. Deixe-se convencer de como isto dá prazer a Deus e quão grande bem se origina disto, já que Ele em seu infinito amor pelos homens, enviou um anjo dos céus para nos dizer isto, de modo que ninguém tenha dúvida alguma sobre isso.
Mas, o que os leigos dizem? Estamos sobrecarregados de trabalhos e cuidados mundanos; como é possível para nós rezar incessantemente? Respondo a eles que Deus não ordenou nada impossível para nós, mas apenas coisas que podemos fazer. Então, isto pode ser realizado por qualquer um buscando a salvação de sua alma. Se isso fosse impossível seria impossível para todo leigo em geral, então não deveríamos encontrar um número tão grande de pessoas que têm conseguido no mundo este tipo de oração incessante.
Um dos representantes de uma grande multidão de tais pessoas é o pai de São Gregório de Salonica, este incrível Constantino, que, embora estivesse vivendo uma vida na corte, era chamado de o pai e instrutor do imperador Andronico, e diariamente estava ocupado com negócios do estado, além de seus deveres como chefe de família, tendo uma grande fortuna e uma tropa de escravos, bem como esposa e filhos, e apesar disso estava constantemente com Deus e tão habituado à oração mental incessante que frequentemente esquecia que o imperador e os cortesãos estavam falando com ele sobre negócios do império, e repetia as perguntas duas ou até mais vezes. Isto perturbava os outros cortesãos que, não sabendo a causa, reprendiam-no por esquecer o assunto tão rapidamente e preocupando o imperador com suas perguntas repetidas. Mas o imperador, sabendo a causa disso, defendia-o e dizia: "Constantino tem seus próprios pensamentos que às vezes o impedem de prestar total atenção aos nossos negócios."
Houve também um grande número de pessoas semelhantes que, vivendo no mundo, foram totalmente devotadas à oraçção mental, como é testificado nos registros históricos deles. Por conseguinte, meus irmãos cristãos, como São Chrisóstomo eu vos imploro pelo amor da salvação de suas almas, não negligenciem o trabalho de tal oração. Imitem aqueles de quem eu lhes falei e sigam-lhes tanto quanto possível. À princípio, isto pode ser muito difícil para vocês, mas assegurem-se, diante da Face do Todo Poderoso Senhor, que o simples nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, constantemente invocado por vós, vai ajudar-lhes a vencer todas as dificuldades e ao fim de um tempo vocês estarão acostumados a esse trabalho e irão saborear quão doce é o nome do Senhor. Em seguida vocês saberão por experiência que esse trabalho n‹o é impossível e não é difícil, mas pelo contrário, duplamente possível e fácil. Daí porque São Paulo, conhecendo melhor a grande benção que essa oração nos traz, ordenou-nos rezar incessantemente. Ele não nos teria proposto essa obrigação se esta fosse extremamente difícil e impossível, sabendo de antemão que neste caso, não nos sendo possível realizá-la, estaríamos lhe desobedecendo e transgredindo seu mandamento e deveríamos por conseguinte, merecer condenação e punição. E esta não seria a intenção do Apóstolo. Além do mais, levem em consideração o modo de oração, como é possível rezar incessantemente, principalmente rezando com a mente, e isto sempre nos é possível se o quisermos. Pois mesmo quando nos sentamos para algum trabalho manual, ou ao caminhar, ou ao nos alimentarmos, bebermos, poderemos sempre rezar com a mente, praticar a oração mental, agradando assim a Deus, oração verdadeira. Vamos trabalhar com nosso corpo e rezar com nossa alma. Deixemos nosso homen exterior realizar seus trabalhos corporais e nosso homem interior estar consagrado ao serviço de Deus, e nunca afrouxar nesse trabalho espiritual da oração mental, como o Homem-Deus Jesus também nos ordena, dizendo nos Evangelhos santos: "Mas voz, quando orardes, entrai em vossos aposentos e quando tiverdes fechado vossas portas, orai ao vosso Pai em segredo (Mat. 6:19). O quarto de vossa alma é vosso corpo; nossas portas são nossos cinco sentidos. A alma entra em seu aposento quando a mente não vagueia para um lado e para outro entre assuntos mundanos e coisas tais, mas permanece dentro de nosso coração. Nossos sentidos ficam como que fechados e permanecem assim enquanto não permitimos que eles se agarrem às coisas sensíveis externas e desse modo, nossa mente permanece livre de todo apego mundano e através da oração mental fica unida a nosso Deus e nosso Pai. "E vosso Pai que vê em segredo vos recompensará publicamente", acrescenta o Senhor, que vê em segredo, vê a oração mental, vos recompensará com grandes graças. Pois esta oração é também verdadeira e perfeita oração que enche a alma com a divina graça e presentes espirituais, como a mirra, que, quanto mais fortemente você tampa o frasco, mais perfumado este se torna. Assim também com a oração. Quanto mais você guardá-la dentro do seu coração, mais ela se multiplica na Divina graça. Abençoados são aqueles que praticam esse trabalho dos céus pois através dele vencem todas as tentações dos malvados demônios, como David venceu o orgulhoso Golias. Por ele são saciados os desejos desordenados da carne, como os três jovens se saciaram na fornalha. Por este trabalho da oração mental, as paixões são domadas, como Daniel venceu as bestas selvagens. Por ele, o orvalho do Santo Espírito cai em vossos corações, como Elias fez chover no Monte Carmelo. Esta oração mental sobe até o trono de Deus e é guardada em potes de ouro, esparge sua fragrância diante do Senhor, como São João, Evangelista viu na Revelação: "Vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma cítara e taças de ouro cheias de perfume, que são as orações dos santos" (Rev. 5:8). Esta oração mental é a luz iluminando a alma do homem e inflamando seu coração com o fogo do amor de Deus. É um elo unindo Deus ao homen, o homen a Deus. Oh incomparável graça da oração mental! Ela coloca o homem na posição de um constante interlocutor com Deus. Oh, trabalho verdadeiramente maravilhoso! Corporalmente você se relaciona com homens enquanto mentalmente conversa com Deus. Os anjos não tem voz audível, mas mentalmente oferecerem constante adoração a Deus. Nisto consiste toda atividade deles e toda sua vida é consagrada a isto. Então, você também, irmão, quando entrar em seus aposentos e fechar sua porta, i.e., quando sua mente não vaguear para lá e para cá mas entrar dentro do seu coração e os seus sentidos estiverem confinados e isolados das coisas desse mundo, e assim você rezar sempre, então você será como os santos anjos, e seu Pai, vendo sua oração em segredo, vendo o que você Lhe oferece do recesso de seu coração, vai recompensá-lo abertamente com grandes presentes espirituais. E o que mais você deseja, quando, como eu disse, você estiver sempre, mentalmente, diante da face de Deus e constantemente conversando com Ele - fale com o Senhor, sem o Qual nenhum homem pode ser abençoado, aqui ou na outra vida.
E finalmente, meu irmão, quem quer que você seja, depois de pegar esse livro em suas mãos e lê-lo até o fim, se desejar experienciar efetivamente os benefícios que a alma recebe através da oração mental, eu rezo para que você gentilmente não se esqueça, quando começar a rezar essa oração, com um simples gemido, "Senhor, tenha piedade!", de oferecer a Deus a petição por uma alma pecadora dele, que trabalhou um pouco na composição desse livro e aquele que pagou pela impressão e publicação, pois eles estão em grande necessidade de sua oração, de maneira que eles obtenham a misericórdia de Deus para suas almas, tanto quanto pelas suas. Amém, Amém!"
(traduzido por Jandira, de uma página encontrada na Internet - não me perguntem onde, pois não me lembro mais... :-)


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dogmas Marianos

                                         

Dogmas Marianos; Explicação da Oração da Ave Maria e vários outros assuntos marianos


MARIA NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
DOGMA:
Segundo o Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana
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Definição dos dogmas pela autoridade pela Igreja
O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
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Dogmas de fé
Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
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DOGMAS MARIANOS
1º Dogma: A Maternidade Divina
O dogma da Maternidade Divina se refere a que a Virgem Maria é verdadeira Mãe de Deus. Foi solenemente definido pelo Concílio de Éfeso (431 d.C.). Algum tempo depois, foi proclamado por outros Concílios universais, o de Calcedônia e os de Constantinopla.
O Concílio de Éfeso, do ano 431, sendo Papa São Clementino I (422-432) definiu:
"Se alguém não confessar que o Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, porque pariu segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja anátema."
O Concílio Vaticano II faz referência ao dogma da seguinte maneira: "Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades". (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 66).
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2º Dogma: A Perpétua Virgindade
O Dogma da Perpétua Virgindade se refere a que Maria foi Virgem antes, durante e perpétuamente depois do parto.
"Ela é a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho cujo nome será Emanuel" (Cf. Is., 7, 14; Miq., 5, 2-3; Mt., 1, 22-23) (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 55 - Concílio Vaticano II).
"O aprofundamentamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria inclusive no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo "longe de diminuir consagrou a integridade virginal" de sua mãe. A liturgia da Igreja celebra a Maria como a 'Aeiparthenos' a 'sempre-virgem'." (499-catecismo da Igreja Católica).
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3º Dogma: A Imaculada Conceição
O Dogma da Imaculada Conceição estabelece que Maria foi concebida sem mancha de pecado original. O dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus.
"Declaramos, pronunciamos y definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis."
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4º Dogma: A Assunção de Maria ao Céu em Corpo e Alma
O dogma da Assunção se refere a que a Mãe de Deus, ao cabo de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de novembro de 1950, na Constituição Munificentissimus Deus:
"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espíritu da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência;
para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e con a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".
Agora bem, por que é importante que nós católicos recordemos e aprofundemos no Dogma da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu?
O Novo Catecismo da Igreja Católica responde a esta interrogação:
"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos"(966).
A importância da Assunção para nós, homens e mulheres do começo do Terceiro Milênio da Era Cristã, radica na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.
Mais ainda, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu é um dogma da nossa fé católica, expressamente definido pelo Papa Pio XII pronunciando-se "ex-cathedra". E... Quê é um Dogma?
Posto nos termos mais simples, Dogma é uma verdade de Fé, revelada por Deus (na Sagrada Escritura ou contida na Tradição), e que também é proposta pela Igreja como realmente revelada por Deus.
Neste caso se diz que o Papa fala "ex-cathedra", quer dizer, que fala e determina algo em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja, Mestre Supremo da Fé, com intenção de propor um assunto como crença obrigatória dos fiéis católicos.
O Novo Catecismo da Igreja Católica (966) nos explica assim, citando a Lumen Gneitium 59, que à sua vez cita a Bula da Proclamação do dogma:
"Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de toda macha de pecado original, terminado o curso da sua vida terrena foi levada à glória do Céu e elevada ao trobno do Senhor como Rainha do Universo, para ser conformada mais plenamente a Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte".
E o Papa João Paulo II, em uma das suas catequeses sobre a Assunção, explica isto mesmo nos seguintes termos:
"O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois de sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo se antecipou por singular privilégio" (JPII, 2- Julho-97).
"Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Cristo, Verbo Encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos" (JPII, Audiência Geral do 9-julho-97). Continua o Papa: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem'(Lc. 11,28). Nos estimula a elevar nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial"(JPII, 15-agosto-97).
Os homens e mulheres de hoje vivemos pendentes do enigma da morte. Ainda que o enfoquemos de diversas formas, segundo a cultura e crenças que tenhamos, por mais que o evadimos em nosso pensamento por mais que tratemos de prolongar por todos os meios ao nosso alcane nossos dias na terra, todos temos uma necessidade grande desta esperança certa de imortalidade contida na promessa de Cristo sobre nossa futura ressurreição.
Muito bem faria a muitos cristãos ouvir e ler mais sobre este mistério da Assunção de Maria, o qual nos diz respeito tão diretamente. Por que se chegou a difundir-se a crença no mito pagão da reencarnação entre nós? Se pensarmos bem, estas idéias estranhas à nossa fé cristã vieram metendo-se na medida em que deixamos de pensar, de predicar e de recordar aos mistérios, que como o da Assunção, têm a ver com a outra vida, com a escatologia, com as realidades últimas do ser humano.
O mistério da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu nos convida a fazer uma pausa na agitada vida que levamos para refletir sobre o sentido da nossa vida aqui na terrra, sobre o nosso fim último: a Vida Eterna, junto com a Santíssima Trindade, a Santíssima Virgem Maria e os Anjos e Santos do Céu. O fato de saber que Maria já está no Céu gloriosa em corpo e alma, como nos foi prometido aos que façamos a Vontade de Deus, nos renova a esperança em nossa futura imortalidade e felicidade perfeita para sempre.
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O Catecismo da Igreja Católica dá um Tratamento Todo Especial Para Com A Nossa Mãe, Maria.
§ 2675 A partir dessa cooperação singular de Maria com a ação do Espírito Santo, as Igrejas desenvolveram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na Pessoa de Cristo manifestada em seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas que exprimem essa oração, alternam-se geralmente dois movimentos: um "exalta" o Senhor pelas "grandes coisas" que fez para sua humilde serva e, por meio dela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois ela conhece agora humanidade que nela é desposada pelo Filho de Deus.
§ 2676 Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria.
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-----------------Explicação da Oração da Ave Maria------------------------
"Ave, Maria (alegra-te, Maria).
" A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva , alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela .
"Cheia de graça, o Senhor é convosco."
As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Ap 21,3). "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.
"Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus."
Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada': "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus:
"Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".
"Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..."
Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: "Seja feita a vossa vontade".
"Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte."
Pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à "Mãe de misericórdia", à Toda Santa. Entregamo-nos a ela "agora", no hoje de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos "a hora de nossa morte". Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe , para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso.
A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas. No Oriente, a forma litânica da oração "Acatisto" e da Paráclise ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições armênia, copta e siríaca preferiram os hinos e os cânticos populares à Mãe de Deus. Mas na Ave-Maria, nos "theotokia", nos hinos de Sto. Efrém ou de S. Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.
Maria é a Orante perfeita, figura da Igreja. Quando rezamos a ela, aderimos com ela ao plano do Pai, que envia seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo bem-amado, acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus, que se tornou a mãe de todos os vivos. Podemos rezar com ela e a ela. A oração da Igreja é acompanhada pela oração de Maria, que lhe está unida na esperança.
----------------------------Respeito ao nome de Maria--------------------------
O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos.
-------------------------Veneração e não adoração---------------------
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão ". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente "; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração Mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho".
___________________
Ainda no Catecismo da Igreja Católica... encontramos:
MARIA - MÃE DE CRISTO, MÃE DA IGREJA
Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, convém agora considerar lugar dela no mistério da Igreja. "Com efeito, a Virgem Maria (...) é reconhecida e honrada como a verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. (...). Ela é também verdadeiramente 'Mãe dos membros [de Cristo] (...), porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça' ." (...) Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja .
(Parágrafos relacionados 484-507,721-726)
I. A maternidade de Maria com relação à Igreja
TOTALMENTE UNIDA A SEU FILHO...
O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união), "Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte ." Ela é particularmente manifestada na hora da paixão de Jesus:
A bem-aventurada Virgem avançou em sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com o Filho até a cruz, onde esteve de pé não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou a seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima ela por gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26-27 ).
(Parágrafos relacionados 534,618)
Após a ascensão de seu Filho, Maria "assistiu com suas orações a Igreja nascente ”. Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, "vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra ".
...TAMBÉM EM SUA ASSUNÇÃO...
"Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo ." A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:
(Parágrafo relacionado 491)
Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo,
ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte ....
... ELA E NOSSA MÃE NA ORDEM DA GRAÇA
Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é "membro supereminente e absolutamente único da Igreja ", sendo até a "realização exemplar (typus)" da Igreja .
(Parágrafos relacionados 2679,507)
Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. "De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça ."
(Parágrafo relacionado 494)
"Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora. protetora, medianeira ."
(Parágrafos relacionados 501,149,1370)
"A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força ." "Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Mas, da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variegada cooperação que participa de uma única fonte ."
(Parágrafos relacionados 2008,1545,308)
II- O culto da Santíssima Virgem
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão ". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente "; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho ".
(Parágrafos relacionados 1172,2678)
III. Maria - ícone escatológico da Igreja
Depois de termos falado da Igreja, de sua origem, de sua missão e de seu destino, a melhor maneira de concluir é voltar o olhar para Maria, a fim de contemplar nela (Maria) o que é a Igreja em seu mistério, em sua "peregrinação da fé", e o que ela (Igreja) será na pátria ao termo final de sua caminhada, onde a espera, "na glória da Santíssima e indivisível Trindade", "na comunhão de todos os santos , aquela que a Igreja venera como a Mãe de seu Senhor e como sua própria Mãe:
(Parágrafos relacionados 773,829)
Assim como no céu, onde já está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja em sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, ela brilha como sinal da esperança segura e consolação para o Povo de Deus em peregrinação .
(Parágrafo relacionado 2853)
RESUMINDO
Ao pronunciar o 'fiat" (faça-se) da Anunciação e ao dar seu consentimento ao Mistério da Encarnação, Maria já colabora para toda a obra que seu Filho deverá realizar. Ela é Mãe onde Ele é Salvador e Cabeça do Corpo Místico.
Depois de encerrar o curso de sua vida terrestre, a Santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde já participa da glória da ressurreição de seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros de seu corpo.
"Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu sua junção materna em relação aos membros de Cristo ."


Para Reflexão - O sinal da Santa Cruz

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Em Setembro celebramos, no dia quatorze, a solenidade da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vamos aprofundar o significado e a importância da Cruz e do Sinal da Cruz, bem como a fonte de bênçãos que ela pode ser em nossa vida cristã.
No grande império romano, que abrangia Israel, país do povo de Deus, onde Jesus viveu, foi crucificado e ressuscitou, a crucificação era o modo de levar à morte aqueles que cometiam gravíssimos crimes e eram condenados. A crucificação era a pena máxima para grandes criminosos. A cruz, portanto, era um instrumento de condenação e de morte. E Jesus foi condenado à pena máxima, a morrer crucificado.
A cruz redentora
O amor misericordioso de Deus Pai decidiu salvar a humanidade de seus crimes e pecados para dar-lhe a eterna salvação. Esta salvação foi realizada por meio de Jesus, que veio à humanidade, inaugurou o Reino de Deus, morreu, ressuscitou e voltou para os Céus. Mas por decisão de Deus Pai, seu Filho Jesus deveria “pagar” o perdão e a salvação da humanidade com o “preço” de sua vida, entregue até à morte, e morte pela cruz. Jesus morreu crucificado porque essa era a exigência de Deus Pai para salvar a humanidade. Que mistério!
É dessa forma que a cruz, antes instrumento de condenação à morte, agora se tornou instrumento de salvação eterna. Essa transformação misteriosa e maravilhosa ocorreu porque Jesus a abraçou e nela deu sua vida por amor ao Pai, à humanidade e a cada um de nós.
A cruz recebeu seu novo significado na pessoa de Jesus. Separada e independente de Jesus, ela não tem sentido algum. É em relação a Jesus, o filho de Deus e Salvador, que a cruz se tornou símbolo e fonte de salvação para todos os que n’Ele crêem e seguem Seus passos. A cruz tornou-se, assim, um sinal eloqüente do infinito amor de Jesus por nós e um símbolo muito significativo e muito usado pelos discípulos de Jesus.
Nosso sinal
A cruz é a “marca”, o “carimbo”, o “decalque”, o “logo-tipo” do cristão. Onde há uma cruz se quer lembrar Jesus, o Salvador. Onde há uma cruz se quer declarar a fé no crucificado, pelo qual se “recebe o perdão dos pecados” (Atos 3, 19) e a salvação eterna.
A cruz está presente onde há um discípulo de Jesus. Quando fomos batizados, bem no início da celebração, logo após os pais declararem o nome que dão ao filho, o ministro, os pais e padrinhos “traçam o sinal da cruz” na fronte do batizando. Qual o significado desse gesto? O batizando é “marcado”, “carimbado” com o sinal dos discípulos de Jesus. Imaginemos que a fronte do batizando fosse marcada com uma cruz bem vermelha (do sangue de Jesus) e que ela nunca mais pudesse ser apagada. Onde o batizado estivesse todos saberiam que ele é cristão, discípulo de Jesus. [...] é exatamente esse o significado da “imposição da cruz” no batismo. A partir de então, o batizado “pertence” a Jesus, e é salvo por Jesus crucificado e ressuscitado. A partir do batismo o cristão passa a ter direito de receber todas as graças de salvação e santificação, para toda sua vida cristã, alcançadas e merecidas por Jesus crucificado e ressuscitado.
Fonte de bênçãos
Deve-se compreender muito bem que as bênçãos de salvação e santidade não procedem da cruz, por si só, independente de Jesus crucificado. Ela não é um “amuleto mágico” que tenha uma “força positiva”, que opera sem necessidade de Jesus e da fé n’Ele. Toda bênção de salvação e de santificação procede de Jesus, que foi crucificado, e da fé que depositamos n’Ele, em sua Palavra, em seus sacramentos.
Compreendendo-se muito bem o que foi escrito acima, enetenderemos também o salutar uso devoto da Santa Cruz, quer de preferência com o corpo de Jesus crucificado, quer sem ele.
Encontramos a Cruz de Jesus em múltiplus lugares: na igrejas, capelas e oratórios, pendurada no pescoço das pessoas, nas casas católicas, nas salas de aulas de colégios católicos, nos quartos de hospitais católicos, sobre as sepulturas católicas, em lugares onde houve mortes trágicas, como em rodovias, nos salões de reunião do senado, das câmaras federais, estaduais e municipais, bem como nos salões da justiça federal, estadual e municipal. Bem verdade que, nesses últimos lugares, isto é, nos poderes públicos, a presença do crucificado é apenas uma tradição que se esvaziou completamente, e que é muitas vezes contradita gravemente pelo comportamento daquelas pessoas.
O uso devoto da cruz, iluminado pela fé em Jesus Cristo, filho de Deus e Salvador nosso, torna-se uma fonte constante de bênçãos divinas. Isso porque foi da morte de Jesus na cruz que veio a redenção da humanidade e de cada pessoa em particular. Na sexta feira santa, na celebração da Paixão e Morte do Senhor Jesus, quando o sacerdote ou o diácono apresentam à comunidade a cruz do Senhor, proclama por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”! A comunidade ajoelha-se e responde, dizendo: “ Vinde, adoremos”!
Eis a fonte de bênçãos de toda espécie que brota da cruz: Jesus, que abraçou a cruz e deu sua vida por nós!
A bênção com a cruz
Entre nós católicos, todas as bênçãos dadas pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes, quer sobre pessoas vivas ou falecidas, quer sobre residências, sobre objetos religiosos, sobre veículos etc, sempre se traça o sinal da cruz. Por quê? Porque foi do alto da cruz que Jesus conquistou todas as graças que já foram dadas e as que ainda serão concedidas. Traçar a cruz significa atrair e aplicar, sobre aquele ou aquilo que é abençoado, as graças e bênçãos de Jesus crucificado e ressuscitado.
Quando o Papa, o bispo ou o padre traçam a cruz para abençoar, dizem: “abençoe-vos o Deus todo poderoso, o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo”. (Essas palavras podem mudar um pouco, de acordo com o que esteja sendo abençoado). Todas as bênçãos do Pai providente, do Filho unigênito e do Espírito Santo foram conquistadas por Jesus cruscificado, e comunicadas agora por meio do sinal da cruz.
Traçamos todos os dias, diversas vezes, sobre nós, o “sinal da cruz”. Principalmente quando iniciamos alguma oração. É preciso fazê-lo consciente e não maquinalmente. Com devoção, e não como uma rotina vazia. Ao fazê-lo, em geral, dizemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Na verdade, é como se disséssemos (e podemos dizê-lo): “eu me abençôo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” Ou “eu inicio esta oração... esta refeição... este trabalho... esta viagem.., esta Missa... este terço... em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Não é obrigatório citarmos os nomes da Trindade quando fazemos o sinal da cruz. Podemos fazê-lo em silêncio, mas concentrados no sentido de que pela cruz salvadora queremos atrair bênçãos sobre nós. Alguém também poderia iniciar uma oração, um trabalho, uma refeição etc. dizendo no coração: “eu inicio.., em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, sem fazer o sinal da cruz.

Nosso culto à cruz
É muito significativo levarmos uma cruz no pescoço. De preferência com o corpo de Jesus sobre a cruz. Ela deve nos recordar que fomos “marcados” por ela, no Batismo, como “propriedade” de Jesus, e que, por isso, devemos viver como discípulos d’Ele. Ela deve nos lembrar sempre o infinito amor com que fomos amados por Jesus, que se entregou por nós, pela nossa salvação. Deve lembrar-nos do alto preço pago por Jesus pela nossa salvação e que, por essa razão, devemos nos empenhar ao máximo para conquistá-la, vivendo como bons cristãos. Assim usada, a cruz se torna um sacramental, fonte de bênçãos de proteção contra o inimigo tentador, contra as tentações criadas pelo mundo pagão, contra as contaminações espirituais das falsas religiões e de lugares contaminados. Ela se torna também uma fonte de bênçãos para praticarmos as virtudes, fazermos o bem a todos e evitarmos todo pecado, que anula a salvação conseguida por Jesus na cruz.
E fonte de bênçãos, também a cruz presente em nossos lares, colocada num lugar de destaque e visibilidade. Ela significa que ali há uma família católica que crê em Jesus, que deseja viver como cristã e espera receber a salvação. Também ali, presente como uma imagem de Jesus crucificado, pela fé consciente no poder do Senhor, torna-se fonte de bênçãos de proteção contra todos os males e enfermidades, e atrai as bênçãos de salvação e santidade conquistadas por Jesus na cruz, bênçãos de toda espécie para o casal, para os filhos, para a família e para a própria casa com o que nela há.
Em relação à cruz, deve-se manter sempre muito presente e consciente que seu significado se prende plenamente na pessoa de Jesus crucificado. Ele é a fonte de todas as bênçãos. Ela O recorda na maior prova de amor que Ele nos deu: sua vida até a morte de cruz.
(Fonte: Pe. Alírio José Pedrini, scj - Revista Brasil Cristão - Setembro 2009)


O Catecismo sobre a Oração


COMPÊNDIO DO
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
QUARTA PARTE - A ORAÇÃO CRISTÃ
A Oração - As Expressões e o Combate da Oração

534. O que é a oração?
535. Por que existe um chamado universal à oração?
536. Em que Abraão é um modelo de oração?
537. Como orava Moisés?
538. Que relações têm, no Antigo Testamento, o templo e o rei com a oração?
539. Qual é o papel da oração na missão dos profetas?
540. Qual é a importância dos salmos na oração?
541. Com quem Jesus aprendeu a rezar?
542. Quando rezava Jesus?
543. Como Jesus rezou na sua paixão?
544. Como Jesus nos ensina a rezar?
545. Por que é eficaz a nossa oração?
546. Como rezava a Virgem Maria?
547. Existe no Evangelho uma oração de Maria?
548. Como rezava a primeira comunidade cristã de Jerusalém?
549. Como intervém o Espírito Santo na oração da Igreja?
550. Quais são as formas essenciais da oração cristã?
551. O que é a bênção?
552. Como se pode definir a adoração?
553. Quais são as diversas formas da oração de súplica?
554. Em que consiste a intercessão?
555. Quando se presta a Deus ação de graças?
556. O que é a oração de louvor?
557. Qual é a importância da Tradição em relação à oração?
558. Quais são as fontes da oração cristã?
559. Na Igreja existem diferentes caminhos de oração?
560. Qual é o caminho da nossa oração?
561. Qual é o papel do Espírito Santo na oração?
562. Em que a oração cristã é Mariana?
563. Como a Igreja reza a Maria?
564. De que modo os santos são guias para a oração?
565. Quem pode educar para a oração?
566. Quais são os lugares favoráveis à oração?
567. Quais momentos são mais indicados para a oração?
568. Quais são as expressões da vida de oração?
569. Como se caracteriza a oração vocal?
570. O que é a meditação?
571. O que é a oração contemplativa?
572. Por que a oração é um combate?
573. Há objeções à oração?
574. Quais são as dificuldades da oração?
575. Como fortificar a nossa confiança filial?
576. É possível rezar a todo o momento?
577. O que é a oração da Hora de Jesus?


QUARTA PARTE
A oração cristã - Primeira seção
A oração na vida cristã

534. O que é a oração

A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus de bens conformes à sua vontade. Ela é sempre dom de Deus, que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo, que habita no coração deles.

CAPÍTULO PRIMEIRO
A Revelação da oração

535. Por que existe um chamado universal à oração

Porque Deus toma a iniciativa, mediante a criação, de chamar todo ser do nada, e o homem, mesmo depois da queda, continua a ser capaz de reconhecer o seu Criador, conservando o desejo daquele que o tinha chamado à existência. Todas as religiões e de modo particular toda a história da salvação testemunham esse desejo de Deus por parte do homem, mas é Deus o primeiro a atrair incessantemente toda pessoa ao encontro misterioso da oração.
A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO


536. Em que Abraão é um modelo de oração

Abraão é um modelo de oração porque caminha na presença de Deus, escuta-o e lhe obedece. A sua oração é um combate da fé porque ele continua a crer na fidelidade de Deus, mesmo nos momentos da prova. Além disso, depois de ter recebido na própria tenda a visita do Senhor que lhe confia o próprio desígnio, Abraão ousa interceder pelos pecadores com ousada confiança.

537. Como orava Moisés

A oração de Moisés é típica da oração contemplativa: Deus, que chama Moisés da sarça ardente, entretém-se muitas vezes e longamente com ele "face a face, como alguém que fala com seu amigo" (Ex 33,11). Nessa intimidade com Deus, Moisés haure a força para interceder com tenacidade a favor do povo: a sua oração prefigura assim a intercessão do Único mediador, Cristo Jesus.

538. Que relações têm, no Antigo Testamento, o templo e o rei com a oração

À sombra da moradia de Deus - a Arca da Aliança, depois o templo - desenvolve-se a oração do Povo de Deus sob a guia dos seus pastores. Entre eles Davi é o rei "segundo o coração de Deus", o pastor que ora pelo seu povo. A sua oração é um modelo para a oração do povo, pois é adesão à promessa divina e confiança, cheia de amor, n’Aquele que é o único Rei e Senhor.

539. Qual é o papel da oração na missão dos profetas

Os profetas haurem da oração luz e força para exortar o povo à fé e à conversão do coração. Entram numa grande intimidade com Deus e intercedem pelos irmãos, aos quais anunciam o que viram e ouviram do Senhor. Elias é o pai dos profetas, ou seja, daqueles que procuram a Face de Deus. No Monte Carmelo ele obtém a volta do povo à fé, graças à intervenção de Deus, a quem ele suplicava: "Ouve-me, Senhor, ouve-me!" (1 Rs... 18,37).

540. Qual é a importância dos salmos na oração

Os salmos são o ápice da oração no Antigo Testamento: a Palavra de Deus toma-se oração do homem. Inseparavelmente pessoal e comunitária, essa oração, inspirada pelo Espírito Santo, canta as maravilhas de Deus na criação e na história da salvação. Cristo rezou os salmos e lhes deu cumprimento. Por isso eles permanecem um elemento essencial e permanente da oração da Igreja, adaptados aos homens de todas as condições e de todos os tempos.


A ORAÇÃO É PLENAMENTE REVELADA
E REALIZADA EM JESUS

541. Com quem Jesus aprendeu a rezar

Jesus, segundo o seu coração de homem, aprendeu a rezar com sua mãe e com a tradição hebraica. Mas a sua oração brota de uma fonte mais secreta, pois é o Filho eterno de Deus que, na sua santa humanidade, dirige a seu Pai a oração filial perfeita.

542. Quando rezava Jesus

O Evangelho mostra muitas vezes Jesus em oração. Vemo-lo retirar se na solidão, também de noite. Reza antes de momentos decisivos da sua missão ou da dos Apóstolos. De fato, toda a sua vida é oração, pois está em constante comunhão de amor com o Pai.

543. Como Jesus rezou na sua paixão

A oração de Jesus durante a sua agonia no Horto do Getsêmani e as suas últimas palavras na cruz revelam a profundidade da sua oração filial: Jesus dá cumprimento ao desígnio de amor do Pai e toma sobre si todas as angústias da humanidade, todos os pedidos e intercessões da história da salvação. Ele as apresenta ao Pai que as acolhe e as ouve, para além de toda esperança, ressuscitando-o dos mortos.

544. Como Jesus nos ensina a rezar

Jesus nos ensina a rezar não só com a oração do Pai-nosso, mas também quando ele reza. Desse modo, além do conteúdo, ensina-nos as disposições exigidas para uma verdadeira oração: a pureza do coração que procura o Reino e perdoa os inimigos; a confiança audaz e filial que vai além do que sentimos e compreendemos; a vigilância que protege o discípulo da tentação; a oração em Nome de Jesus, nosso Mediador junto do Pai.

545. Por que é eficaz a nossa oração

A nossa oração é eficaz porque está unida pela fé à de Jesus. Nele a oração cristã se torna comunhão de amor com o Pai. Podemos nesse caso apresentar os nossos pedidos a Deus e ser ouvidos: "Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16,24).

546. Como rezava a Virgem Maria

A oração de Maria se caracteriza por sua fé e por sua generosa oferta de todo seu ser a Deus. A Mãe de Jesus é também a Nova Eva, a "Mãe dos vivos": ela reza a Jesus, seu Filho, pelas necessidades dos homens.

547. Existe no Evangelho uma oração de Maria

Além da intercessão de Maria em Caná da Galiléia, o Evangelho nos apresenta o Magnificat (Lc 1,46-55), que é o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, o agradecimento alegre que sobe do coração dos pobres, porque a esperança deles é realizada pelo cumprimento das promessas divinas.

A ORAÇÃO NO TEMPO DA IGREJA

548. Como rezava a primeira comunidade cristã de Jerusalém

No início dos Atos dos Apóstolos, está escrito que na primeira comunidade de Jerusalém, educada pelo Espírito Santo na vida de oração, os crentes "eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At 2,42).

549. Como intervém o Espírito Santo na oração da Igreja

O Espírito Santo, Mestre interior da oração cristã, forma a Igreja na vida de oração e a faz entrar cada vez mais profundamente na contemplação e na união com o insondável mistério de Cristo. As formas de oração, como expressas nos Escritos apostólicos e canônicos, serão normativas para a oração cristã.

550. Quais são as formas essenciais da oração cristã

São a bênção e a adoração, a oração de súplica e a intercessão, a ação de graças e o louvor. A Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração.


551. O que é a bênção

A bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: nós bendizemos o Todo-poderoso que primeiro nos abençoa e nos enche dos seus dons.


552. Como se pode definir a adoração

A adoração é a prosternação do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador três vezes santo.

553. Quais são as diversas formas da oração de súplica

Pode ser um pedido de perdão ou também uma súplica humilde e confiante para todas as nossas necessidades, tanto espirituais como materiais. Mas a primeira realidade a ser desejada é a vinda do Reino.

554. Em que consiste a intercessão

A intercessão consiste em pedir em favor de outro. Ela nos informa e nos une à oração de Jesus, que intercede junto ao Pai por todos os homens, em particular pelos pecadores. A intercessão deve-se estender também aos inimigos.

555. Quando se presta a Deus ação de graças

A Igreja dá graças a Deus incessantemente, sobretudo ao celebrar a Eucaristia, na qual Cristo a faz participar da sua ação de graças ao Pai. Todo acontecimento se torna para o cristão motivo de ação de graças.

556. O que é a oração de louvor

O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus. É completamente desinteressada: canta a Deus pelo que ele mesmo é e lhe dá glória porque ele é.
CAPÍTULO SEGUNDO
A tradição da oração

557. Qual é a importância da Tradição em relação à oração
Na Igreja, é por meio da Tradição viva que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar. Com efeito, a oração não se reduz ao espontâneo manifestar-se de um impulso interior, mas implica contemplação, estudo e compreensão das realidades espirituais de que se faz experiência.

NAS FONTES DA ORAÇÃO

558. Quais são as fontes da oração cristã

São: a Palavra de Deus, que nos dá a "sublime ciência" de Cristo (Fl 3,8); a Liturgia da Igreja, que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação; as virtudes teologais; as situações cotidianas, porque nelas podemos encontrar a Deus. 2652-2662. “Amo-vos, Senhor, e a única graça que vos peço é de vos amar eternamente. Meus Deus, se a minha língua não pode repetir, a cada instante, que vos amo, quero que o meu coração vo-lo repita todas as vezes que respiro" (São João Maria Vianney).
O CAMINHO DA ORAÇÃO

559. Na Igreja existem diferentes caminhos de oração

Na Igreja existem diferentes caminhos de oração, ligados aos diferentes contextos históricos, sociais e culturais. Cabe ao Magistério discernir a fidelidade deles à tradição da fé apostólica, e cabe aos pastores e aos catequistas explicar seu sentido, sempre relacionado a Jesus Cristo.

560. Qual é o caminho da nossa oração

O caminho da nossa oração é Cristo, porque ela se dirige a Deus nosso Pai, mas chega a Ele somente se, pelo menos implicitamente, nós orarmos em nome de Jesus. A sua humanidade é, com efeito, o único caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a rezar a nosso Pai. Por isso, as orações litúrgicas concluem com a fórmula: "Por nosso Senhor Jesus Cristo".

561. Qual é o papel do Espírito Santo na oração

Uma vez que o Espírito Santo é o Mestre interior da oração cristã e "nós não sabemos o que pedir nem como pedir" (Rm 8,26), a Igreja nos exorta a invocá-lo e a implorá-lo em todas as ocasiões: "Vem, Espírito Santo!".
562. Em que a oração cristã é Mariana

Em virtude da sua singular cooperação com a ação do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar a Maria e de orar com Maria, a Orante perfeita, para com Ela engrandecer e invocar o Senhor. De fato, Maria, «mostra-nos o caminho» que é o Seu Filho, o único Mediador..

563. Como a Igreja reza a Maria

Em primeiro lugar com a Ave-maria, oração com que a Igreja pede a intercessão da Virgem. Outras orações marianas são o Rosário, o hino Acatisto, a Paráclise, os hinos e os cânticos das diversas tradições cristãs.

GUIAS PARA A ORAÇÃO

564. De que modo os santos são guias para a oração

Os santos são os nossos modelos de oração e a eles pedimos também que intercedam, junto à Santíssima Trindade, por nós e pelo mundo inteiro. A intercessão deles é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história da Igreja, diversos tipos de espiritualidade, que ensinam a viver e a praticar a oração.

565. Quem pode educar para a oração

A família cristã constitui o primeiro lugar da educação para a oração. A oração familiar cotidiana é particularmente recomendada, porque é o primeiro testemunho da vida de oração da Igreja. A catequese, os grupos de oração, a "direção espiritual" constituem uma escola e uma ajuda à oração.
566. Quais são os lugares favoráveis à oração

Pode-se rezar em qualquer parte, mas a escolha de um lugar apropriado não é indiferente para a oração. A igreja é o lugar próprio da oração litúrgica e da adoração eucarística. Também outros lugares ajudam a rezar, como um "recanto de oração" em casa; um mosteiro; um santuário.
CAPÍTULO TERCEIRO
A vida de oração

567. Quais momentos são mais indicados para a oração

Todos os momentos são indicados para a oração, mas a Igreja propõe aos fiéis ritmos destinados a alimentar a oração contínua: orações da manhã e da noite, antes e depois das refeições; liturgia das Horas; Eucaristia dominical; santo Rosário; festas do ano litúrgico. 2697-2698 2720. “É preciso lembrar-se de Deus com mais freqüência do que se respira" (São Gregório Nazianzeno).

568. Quais são as expressões da vida de oração

A tradição cristã conservou três modos para exprimir e viver a oração: a oração vocal, a meditação e a oração contemplativa. Seu traço comum é o recolhimento do coração.

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

569. Como se caracteriza a oração vocal

A oração vocal associa o corpo à oração interior do coração. Até a mais interior das orações não poderia ficar sem a oração vocal. Em todos os casos ela deve sempre brotar de uma fé pessoal. Com o Pai-nosso, Jesus nos ensinou uma fórmula perfeita de oração vocal.

570. O que é a meditação

A meditação é uma reflexão orante, que parte sobretudo da Palavra de Deus, na Bíblia. Põe em ação a inteligência, a imaginação, a emoção, o desejo, para aprofundar a nossa fé, converter o nosso coração e fortificar a nossa vontade de seguir Cristo. É uma etapa preliminar para a união do amor com o Senhor.
571. O que é a oração contemplativa

A oração contemplativa é um simples olhar sobre Deus, no silêncio e no amor. É um dom de Deus, um momento de fé pura durante o qual o orante procura Cristo, remete-se à vontade amorosa do Pai e recolhe o seu ser sob a moção do Espírito. Santa Teresa de Ávila a define como uma íntima relação de amizade, "na qual nos entretemos muitas vezes a sós com Deus por quem nos sabemos amados".


O COMBATE DA ORAÇÃO

572. Por que a oração é um combate

A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida de nossa parte, porque aquele que reza combate contra si mesmo, o ambiente e sobretudo contra o Tentador, que faz de tudo para o distrair da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza.

573. Há objeções à oração

Além de conceitos errôneos, muitos pensam não ter tempo de rezar ou que seja inútil rezar. Aqueles que rezam podem desanimar diante das dificuldades e dos aparentes insucessos. Para vencer esses obstáculos são necessárias a humildade, a confiança e a perseverança.

574. Quais são as dificuldades da oração

A distração é a dificuldade habitual da nossa oração. Ela tira a atenção de Deus e pode até revelar aquilo a que estamos apegados. O nosso coração então deve voltar-se humildemente ao Senhor. A oração é muitas vezes insidiada pela aridez, cuja superação permite na fé aderir ao Senhor, mesmo sem uma consolação sensível. A acídia é uma forma de preguiça espiritual devida ao relaxamento da vigilância e à deficiente guarda do coração.

575. Como fortificar a nossa confiança filial

A confiança filial é posta à prova quando pensamos não ser ouvido. Temos de nos perguntar então se Deus é para nós um Pai cuja vontade procuramos fazer, ou é um simples meio para obter o que queremos. Se a nossa oração se une à de Jesus, sabemos que ele nos concede muito mais deste ou daquele dom: recebemos o Espírito Santo que transforma o nosso coração.

576. É possível rezar a todo o momento

Rezar é sempre possível, porque o tempo do cristão é o tempo de Cristo ressuscitado, o qual "está conosco todos os dias" (Mt 28,20). Oração e vida cristã são, por isso, inseparáveis. 2742-2745 2757. “É possível, até no mercado ou durante um passeio solitário, fazer uma freqüente e fervorosa oração. É possível também na loja, ao comprarmos ou ao vendermos, ou também enquanto cozinhamos" (São João Crisóstomo).


577. O que é a oração da Hora de Jesus

É chamada assim a oração sacerdotal de Jesus na Última Ceia. Jesus, o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, dirige-a ao Pai quando chega a Hora da sua "passagem" para ele, a Hora do seu sacrifício.