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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Compeendendo o Catolicismo



Catolicismo

Para a Igreja Católica, todos aqueles que receberam o sacramento do batismo são católicos. A maioria, porém (cerca de 80%) é formada por não-praticantes. A pouca adesão às missas de domingo é um reflexo desse comportamento. Segundo A World Christian Encyclopedia, nas cidades pequenas do interior, 65% da população vai à missa de domingo, enquanto nas grandes cidades a adesão varia de 10% a 20%. De acordo com os últimos dados disponíveis, 18% participam de grupos formados por leigos (não-religiosos), como o Movimento da Renovação Carismática e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Estrutura - Em 2000, de acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica no Brasil contava com seis cardeais, 54 arcebispos (38 na ativa e 16 eméritos), 351 bispos (268 na ativa e 83 eméritos) e mais 413 membros, entre abades, coadjutores e bispos auxiliares. Havia ainda 15 mil padres e 38 mil freiras. A Igreja se organiza no país, em 268 dioceses e mais de 8 mil paróquias. A Igreja Católica experimenta rápida ascensão no número de administrações eclesiásticas durante a primeira metade do século XX. As dioceses, que em 1900 eram 19, passam a 114 em 1940. No entanto, a influência do Catolicismo é forte desde o descobrimento. Ordens e congregações religiosas assumem, já no período colonial, os serviços nas paróquias e nas dioceses, a educação nos colégios e a catequização indígena.
Comunidades Eclesiais de Base - As CEBs são grupos formados por leigos que se multiplicam pelo país após a década de 60, sob a influência da Teologia da Libertação. Curiosamente, foram idealizadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, integrante da corrente católica mais conservadora. Com o decorrer do tempo, as CEBs vinculam o compromisso cristão à luta por justiça social e participam ativamente da vida política do país, associadas a movimentos de reivindicação social e a partidos políticos de esquerda. Um dos principais teóricos do movimento é o ex-frade brasileiro Leonardo Boff. Apesar do declínio que experimentam nos anos 90, continuam em atividade milhares de núcleos em todo o país. Em 2000, de acordo com pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), do Rio de Janeiro, existem cerca de 70 mil núcleos de Comunidades Eclesiásticas de Base no Brasil.
Renovação Carismática Católica - De origem norte-americana, o movimento carismático chega ao Brasil em 1968, pelas mãos do padre jesuíta Haroldo Hahn, e retoma valores e conceitos esquecidos pelo racionalismo social da Teologia da Libertação. Os fiéis resgatam práticas como a reza do terço, a devoção à Maria e as canções carregadas de emoção e louvor. A RCC valoriza a ação do Espírito Santo - uma das formas de Deus, na doutrina cristã, expressa no Mistério da Santíssima Trindade -, o que aproxima o movimento de certo modo, dos protestantes pentecostais e dos cristãos independentes neopentecostais. Ganha força principalmente no interior e entre a classe média. Em 2000, soma 8 milhões de simpatizantes, representados em 95% das dioceses, na forma de grupos de oração. Desse total, 2 milhões são jovens entre 15 e 29 anos, atraídos pela proposta renovadora e alegre, embalada pelas canções de padres cantores, como Marcelo Rossi, religioso paulistano que se torna fenômeno de mídia em 1998 com o lançamento do CD Músicas para Louvar o Senhor.
A Igreja Católica no Brasil - Até meados do século XVIII, o Estado controla a atividade eclesiástica na colônia, responsabiliza-se pelo sustento da Igreja Católica e impede a entrada de outros cultos no Brasil, em troca de reconhecimento e obediência. Em 1750, o agravamento dos conflitos entre colonos e padres por causa das tentativas de escravização dos índios leva à expulsão dos jesuítas pelo marquês de Pombal. No entanto, só em 1890, após a proclamação da República, ocorre a separação entre a Igreja e o Estado e fica garantida a liberdade religiosa. A partir da década de 30, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas incentiva a Igreja a valorizar a identidade cultural brasileira, o que resulta na expansão de sua base social para as classes médias e as camadas populares. A instituição apóia a ditadura do Estado Novo, em 1937, a fim de barrar a ascensão da esquerda. Em 1952 cria-se a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a primeira agremiação episcopal desse tipo no mundo, idealizada por dom Hélder Câmara, para coordenar a ação da Igreja. No fim dos anos 50, a preocupação com as questões sociais fortalece movimentos como a Juventude Universitária Católica (JUC). Desse movimento sai, em 1960, a organização socialista Ação Popular (AP).
Durante a década de 60, a Igreja Católica, influenciada pela Teologia da Libertação, movimento formado por religiosos e leigos que interpreta o Evangelho sob o prisma das questões sociais, atua em setores populares, principalmente por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A instalação do regime militar de 64 inaugura a fase de conflitos entre Igreja e Estado. O auge da crise acontece em 1968, com a implantação do Ato Institucional n° 5 (AI-5), quando grande número de católicos se alia aos grupos oposicionistas, de esquerda, para lutar contra a repressão e os abusos que violam a ordem jurídica e os direitos humanos. A ação é intensa nos anos 70.
A partir dos anos 80, com o papa João Paulo II, começa na Igreja o processo da romanização. O Vaticano controla a atividade e o currículo de seminários, e diminui o poder de algumas dioceses, como a de São Paulo - comandada na época pelo cardeal-arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, afinado com os propósitos da Teologia da Libertação, que a Santa Sé pretende refrear. Após o engajamento da Igreja na luta pela redemocratização, nos anos 70 e 80, os movimentos mais ligados à Teologia da Libertação cedem espaço, a partir da década de 80, à proposta conservadora da Renovação Carismática.
O maior ramo do cristianismo e o mais antigo como igreja organizada. O termo católico deriva do grego katholikos, universal. Exprime a idéia de uma igreja que pode levar a salvação a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. Tem uma rígida hierarquia, centrada na autoridade do papa, que é eleito pelo colegiado superior da Igreja e o representa.
A sede da Igreja fica no Vaticano, um pequeno Estado independente no centro de Roma, Itália. Um dos pontos históricos de sua doutrina é a canonização dos cristãos que a Igreja acredita terem sido mártires ou realizado atos milagrosos, reconhecendo-os santos. Os fiéis católicos veneram os santos como intermediários entre os homens e Deus. Maria, mãe de Jesus Cristo, é considerada a maior intermediária entre os fiéis e seu filho. Segundo a doutrina da Imaculada Conceição, a mãe de Jesus teria nascido sem pecado e concebido seu filho virgem. E teria ascendido aos céus viva. A veneração aos santos e os dogmas de Maria são dois dos principais pontos que distinguem os católicos dos cristãos protestantes.
Sacramentos
A missa é o principal ato litúrgico católico e seu ponto culminante é a Eucaristia, um dos sete sacramentos da Igreja, momento em que os fiéis ingerem uma hóstia de trigo, embebida ou não em vinho, os quais, de acordo com a liturgia, estão transubstanciados no próprio corpo e no sangue de Jesus Cristo. Os demais sacramentos são o batismo (ingresso na fé e na comunidade da Igreja com a unção do Espírito Santo, habitualmente no recém-nascido), crisma (confirmação do batismo e da fé), penitência ou confissão, casamento, ordenação e unção dos enfermos. As missas são rezadas em latim até a década de 60, quando o Concílio Vaticano II autoriza o uso da língua de cada país.
Festas religiosas
Além de Natal, Páscoa e Pentecostes - principais festas cristãs -, existem outras comemorações de grande importância para os católicos. No Corpus Christi, dez dias após o Pentecostes, os fiéis celebram a presença de Jesus Cristo na eucaristia. Em muitos lugares, procissões de fiéis percorrem ruas decoradas com mosaicos coloridos, retratando temas religiosos. O Dia de Reis, 6 de janeiro, lembra a visita dos três reis magos (Gaspar, Melchior e Baltasar) ao menino Jesus recém-nascido em Belém, quando o presenteiam com ouro, incenso e mirra, substâncias que representam sua realeza, sua divindade e sua humanidade.
A comemoração do Dia de Nossa Senhora de Aparecida, a santa padroeira do Brasil, é restrita ao país. Em 12 de outubro, feriado nacional, milhares de fiéis se dirigem à Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), para homenageá-la.
História e Organização
A história do catolicismo está associada à expansão do Império Romano e ao surgimento dos novos reinos em que este se divide. A partir do século XVI, sua difusão se acentua com as grandes navegações, a chegada dos europeus à Ásia e a colonização da América. Sua administração está estruturada em regiões geográficas autônomas chamadas dioceses, dirigidas por bispos subordinados ao papa e ao colégio de cardeais. No decorrer de sua história milenar surgem inúmeras ordens religiosas, como a dos Beneditinos e a dos Franciscanos, que possuem monastérios e conventos, objetivos e devoções diferenciados. O casamento de sacerdotes é proibido desde a Idade Média na maioria absoluta das ordens, salvo em algumas igrejas orientais unidas a Roma, como a maronita. As mulheres são admitidas no trabalho missionário, em monastérios e mosteiros, mas não no sacerdócio.
Os papas
Desde a Idade Média os papas são eleitos por um colégio especial de cardeais. Com o decreto de Gregório X, no início do século XIII, o conclave torna-se uma votação secreta para evitar a interferência de pressões externas. Atualmente existem cerca de 150 cardeais no mundo, dos quais aproximadamente 120 têm direito a votar. A escolha do novo papa começa com uma missa solene na Basílica de São Pedro. Depois, os cardeais se dirigem à Capela Sistina, onde é realizada a eleição, que pode durar vários dias. Durante esse processo, eles ficam incomunicáveis e são proibidos de deixar o local da votação.
O primeiro pontífice foi o apóstolo Pedro, no século I. Desde então, a Igreja Católica já teve 264 papas, entre eles João XXIII, um dos mais populares de todos os tempos. Seu papado, de 1958 a 1963, inaugura uma nova era na história do catolicismo, marcada por profunda reforma religiosa e política. João XXIII convoca o Concílio Vaticano II, responsável por mudanças que permitem maior integração da Igreja Católica com o mundo contemporâneo. Ele busca, também, amenizar a hostilidade no interior do cristianismo, promovendo o diálogo e a união entre suas vertentes (catolicismo, protestantismo e Igreja Ortodoxa). No plano político, enfatiza a necessidade de o papa intervir como conciliador em questões internacionais.
No poder desde 1978, o papa atual, o polonês Karol Wojtyla (1920-), adota o nome de João Paulo II. Ele é o primeiro não italiano a ser eleito para o cargo em 456 anos. Seu papado procura promover o crescimento do catolicismo, ameaçado pela crescente secularização e pelo crescimento do protestantismo, restaurando a identidade católica. Ele enfatiza o conteúdo moralizante da doutrina, defendendo o celibato clerical e condenando aos fiéis práticas como o divórcio, o uso de métodos artificiais de contracepção e o aborto. Também incentiva o lado místico, expresso pelo apoio à corrente Renovação Carismática. Sob sua liderança, a Igreja Católica admite, pela primeira vez, ter cometido erros durante a Inquisição.
Movimentos teológicos recentes
Renovação Carismática Católica - Surge nos Estados Unidos, em meados da década de 60, com o objetivo de reafirmar a presença do Espírito Santo no catolicismo. Preserva as doutrinas básicas e enfatiza a crença no poder do Espírito Santo, que, segundo os carismáticos, realiza milagres, como a cura de fiéis.
Teologia da Libertação
Surgido na década de 60, principalmente na América Latina, o movimento tem um histórico conflituoso com o Vaticano por associar o cristianismo a questões políticas e sociais. Defende a luta por justiça social como um compromisso cristão. O teólogo brasileiro e ex-frade franciscano Leonardo Boff é um dos formuladores do movimento. No livro Jesus Cristo Libertador (1972) admite o emprego das teorias marxistas na análise do atraso das sociedades do terceiro mundo.
Essa posição, apoiada por outros teólogos e sacerdotes latino-americanos, o leva a um conflito com setores conservadores da Igreja. Em 1984 é condenado pelo Vaticano ao silêncio por um ano, sendo proibido de se manifestar publicamente como punição pelas idéias contidas no livro Igreja, Carisma e Poder. Em 1992, ao ser sentenciado a novo período de silêncio, Leonardo Boff renuncia ao sacerdócio.
O Catolicismo é uma religião que surgiu a partir do ano 50 depois de Cristo, a partir da deturpação do verdadeiro Cristianismo.
Jesus Cristo (Yehoshua haMashiach) é judeu, e sempre pregou o Judaísmo, e sempre praticou o Judaísmo.
Portanto, os verdadeiros seguidores de Jesus também pregam e praticam o Judaísmo.
O Catolicismo surgiu aproximadamente no ano 50 depois de Cristo, quando alguns dos seguidores de Jesus Cristo começaram a dizer que não é necessário obedecer a certos mandamentos da Lei de Deus (Torah), e assim se tornaram hereges.
A origem mais remota do Catolicismo ocorreu quando Paulo de Tarso começou a dizer aos gentios que estavam se convertendo a Deus que eles não precisavam fazer a circuncisão para serem salvos.
Este fato é mencionado no livro católico de Atos dos Apóstolos, capítulo 15, versículos 1 e 2, onde consta o seguinte:
“E alguns que desceram da Judéia ensinavam os irmãos, dizendo: se não fordes circuncidados segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos. Mas havendo resistência e discussão não pouca de Paulo e de Barnabé contra eles, resolveram subir Paulo e Barnabé e alguns outros deles, para os apóstolos e anciãos em Jerusalém, sobre aquela questão.”
Na realidade, os gentios precisam fazer a circuncisão para serem salvos, pois está escrito na Bíblia, em Gênesis 17:9-14 e em Levítico 12:3 que Deus ordenou que todos os homens sejam circuncidados, e está escrito em Êxodo 12:49 e em Números 15:15-16 que Deus disse que a Lei é a mesma para os israelitas e para os estrangeiros, e está escrito em Gênesis 17:9-14 que Deus mandou que fossem circuncidados também os servos estrangeiros de Abraão, e está escrito em Êxodo 12:48 que os estrangeiros também devem fazer a circuncisão, e está escrito em Isaías 51:1 que os incircuncisos não entrarão em Jerusalém, e está escrito em Ezequiel 44:9 que os incircuncisos não entrarão no Santuário de Deus, e está escrito em Isaías 56:3-7 que os estrangeiros que se juntarem a Javé (Yahveh) e abraçarem o Seu pacto, entrarão no Seu Santuário, o que mostra que eles terão feito a circuncisão, pois caso contrário não poderiam entrar no Santuário de Javé (Yahveh), e vemos em Gênesis 17:9-11 que o pacto de Javé (Yahveh) é a circuncisão.
Portanto, vemos que os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo (Yeshua haMashiach) eram aqueles que estavam dizendo aos gentios que eles precisavam fazer a circuncisão para serem salvos (Atos 15:1), e vemos que Paulo de Tarso se desviou do caminho de Deus, e passou a desobedecer aos mandamentos de Deus, e passou a pregar a desobediência aos mandamentos de Deus.
Consta no livro católico de Atos dos Apóstolos que Barnabé, Pedro e Tiago teriam concordado com Paulo de Tarso, mas o trecho Gálatas 2:11-13 mostra que na realidade Tiago, Pedro e Barnabé não concordavam com Paulo de Tarso.
Então ocorreu uma divisão, e aqueles que continuaram obedecendo aos mandamentos de Deus foram posteriormente chamados ebionitas, e aqueles que começaram a dizer que não é necessário obedecer a alguns mandamentos da Lei de Deus, foram mais tarde chamados católicos.
O Catolicismo contém várias doutrinas heréticas, das quais as principais são as seguintes:
1) O antinomismo, doutrina falsa que diz que Jesus Cristo aboliu a Lei de Deus, e que depois de Jesus Cristo mudou tudo, e que alguns mandamentos da Lei de Deus não precisam mais ser obedecidos. Os versículos Mateus 5:17-19 mostram que esta doutrina é falsa.
2) O Cristoteísmo, doutrina falsa que diz que Jesus Cristo é Deus. O versículo Deuteronômio 6:4, repetido por Jesus Cristo em Marcos 12:29, mostra que esta doutrina é falsa.
3) A doutrina do nascimento virginal de Jesus Cristo. Esta doutrina é falsa, pois as profecias diziam que o Messias seria da semente de Davi (2 Samuel 7:12-16 e 1 Crônicas 17:11-14 e Salmos 89:20-38), e José é que era da semente de Davi, como se vê na genealogia que está em Mateus 1:6-16, de modo que se Jesus não tivesse sido gerado por José, ele não seria da semente de Davi, e conseqüentemente não poderia ser o Messias (ou Cristo), e no manuscrito Codex Sinaiticus, da versão siríaca do Evangelho segundo Mateus, consta que José gerou Jesus, e no livro antigo chamado Dialogus Timothei et Aquila consta a transcrição do versículo Mateus 1:16 com a seguinte redação: Jacó gerou José, e José gerou Jesus.
4) A doutrina da Santíssima Trindade, que diz que Deus é três mas é um. Esta doutrina é falsa, pois está escrito em Deuteronômio 6:4 que Deus é um.
Para apoiar estas suas doutrinas heréticas, os católicos fizeram alterações no texto do Evangelho segundo Mateus, e compuseram outros evangelhos, sendo que, para comporem os seus 4 Evangelhos, eles se basearam no verdadeiro Evangelho, que é o texto autêntico do Evangelho segundo Mateus, e acrescentaram várias coisas.
Posteriormente, surgiram outras doutrinas falsas no Catolicismo, como, por exemplo, a doutrina da imaculada conceição de Maria, e a doutrina da ascensão de Maria, doutrinas estas que têm por objetivo endeusar Maria, mãe de Jesus, violando assim o mandamento de Deus que está em Êxodo 20:3, onde está escrito que Deus disse para nós não termos outros deuses diante d’Ele.
Surgiram também várias práticas erradas no Catolicismo, como, por exemplo, a prática de fazer pedidos a pessoas que já morreram, e que são consideradas santas pela Igreja Católica, prática esta que é uma forma de politeísmo, e é uma violação ao mandamento de Deus, que está em Êxodo 20:3, pois as pessoas que fazem pedidos aos santos atribuem a eles poderes sobrenaturais, de modo que os santos são deuses para essas pessoas. Essa prática é também violação do mandamento de Deus que está em Deuteronômio 18:10-12, onde está escrito que Deus proibiu que façamos pedidos a mortos. Além disso, fazem imagens dos santos, e se inclinam diante das imagens, violando o mandamento de Deus, que está em Êxodo 20:4-5.
Vertente do Cristianismo mais disseminada no mundo, o Catolicismo é a religião que tem maior número de adeptos no Brasil. Baseia-se na crença de que Jesus foi o Messias, enviado à Terra para redimir a Humanidade e restabelecer nosso laço de união com Deus (daí o Novo Testamento, ou Nova Aliança).
Um dos mais importantes preceitos católicos é o conceito de Trindade, ou seja, do Deus Pai, do Deus Filho (Jesus Cristo) e do Espírito Santo. Estes três seres seriam ao mesmo tempo Um e Três.
Na verdade, existem os chamados Mistérios Principais da Fé, os quais constituem os dois mais importantes pilares do Catolicismo. Eles são:
· A Unidade e a Trindade de Deus. · A Encarnação, a Paixão e a Morte de Jesus.
O termo "católico" significa universal, e a primeira vez em que foi usado para qualificar a Igreja foi no ano 105 d.C., numa carta de Santo Inácio, então bispo de Antioquia.
No século 2 da Era Cristã, o termo voltou a ser usado em inúmeros documentos, traduzindo a idéia de que a fé cristã já se achava disseminada por todo o planeta. No século 4 d.C., Santo Agostinho usou a designação "católica" para diferenciar a doutrina "verdadeira" das outras seitas de fundamentação cristã que começavam a surgir.
Mas foi somente no século 16, mais precisamente após o Concílio de Trento (1571), que a expressão "Igreja Católica" passou a designar exclusivamente a Igreja que tem seu centro no Vaticano. Cabe esclarecer que o Concílio de Trento aconteceu como reação à Reforma Protestante, incitada pelo sacerdote alemão Martin Lutero.
Em linhas gerais, podemos afirmar que o Catolicismo é uma doutrina intrinsecamente ligada ao Judaísmo. Seu livro sagrado é a Bíblia, dividida em Velho e Novo Testamento. Do Velho Testamento, que corresponde ao período anterior ao nascimento de Jesus, o Catolicismo aproveita não somente o Pentateuco (livros atribuídos a Moisés), mas também agrega os chamados livros "deuterocanônicos": Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus e alguns capítulos de Daniel e Ester. Esses livros não são reconhecidos pelas religiões protestantes.
O Catolicismo ensina que o fiel deve obedecer aos Sete Sacramentos, que são:
Batismo: O indivíduo é aceito como membro da Igreja, e portanto, da família de Deus.
Crisma: Confirmação do Batismo.
Eucaristia (ou comunhão): Ocasião em que o fiel recebe a hóstia consagrada, símbolo do corpo de Cristo.
Arrependimento ou Confissão: Ato em que o fiel confessa e reconhece seus pecados, obtendo o perdão divino mediante a devida penitência.
Ordens Sacras: Consagração do fiel como sacerdote, se ele assim o desejar, e após ter recebido a preparação adequada.
Matrimônio: Casamento
Extrema-unção: Sacramento ministrado aos enfermos e pessoas em estado terminal, com o intuito de redimi-las dos seus pecados e facilitar o ingresso de suas almas no Paraíso.
O Culto a Maria e aos santos

Além do culto a Jesus, o Catolicismo enfatiza o culto à Virgem Maria (mãe de Jesus Cristo) e a diversos santos. Este, aliás, foi um dos pontos de divergência mais sérios entre a Igreja Católica e outras correntes cristãs. Para os evangélicos, por exemplo, a crença no poder da Virgem e dos santos enquanto intermediadores entre Deus e os homens constitui uma verdadeira heresia. No entanto, os teólogos católicos diferenciam muito bem a adoração e a veneração: eles explicam que, na liturgia católica, somente Deus é adorado, na pessoa de Jesus, seu filho unigênito. O respeito prestado à Virgem Maria e aos santos (estes últimos, pessoas que em vida tiveram uma conduta cristã impecável e exemplar) não constitui um rito de adoração.
Vale ressaltar que o processo de canonização - que consagra uma pessoa como "santa" - é minucioso, estende-se ao longo de vários anos e baseia-se numa série de relatos, pesquisas e provas testemunhais.
Céu e o Inferno

A recompensa máxima esperada pelo fiel católico é a salvação de sua alma, que após a morte adentrará o Paraíso e lá gozará de descanso eterno, junto de Deus Pai, dos santos e de Jesus Cristo.
No caso de um cristão morrer com algumas "contas em aberto" com o plano celestial, ele terá de fazer acertos - que talvez incluam uma passagem pelo Purgatório, espécie de reino intermediário onde a alma será submetida a uma série de suplícios e penitências, a fim de se purificar. A intensidade dos castigos e o período de permanência nesse estágio vai depender do tipo de vida que a pessoa levou na Terra.
Mas o grande castigo mesmo é a condenação da alma à perdição eterna, que acontece no Inferno. É para lá que, de acordo com os preceitos católicos, são conduzidos os pecadores renitentes. Um suplício e tanto, que jamais se acaba e inclui o convívio com Satanás, o senhor das trevas e personificação de todo o Mal.
Mas quais são, afinal, os pecados?Pecar é não obedecer aos 10 Mandamentos de Moisés, incorrer num dos Sete Pecados Capitais, desrespeitar os 5 Mandamentos da Igreja ou ignorar os Mandamentos da Caridade.
Os 10 Mandamentos da Lei de Deus são:
1. Amar a Deus sobre todas as coisas. 2. Não tomar Seu santo nome em vão. 3. Guardar domingos e festas. 4. Honrar pai e mãe. 5. Não matar. 6. Não pecar contra a castidade. 7. Não furtar. 8. Não levantar falso testemunho. 9. Não desejar a mulher do próximo. 10. Não cobiçar as coisas alheias.
Os Sete Pecados Capitais são:
1. Gula 2. Vaidade 3. Luxúria 4. Avareza 5. Preguiça 6. Cobiça 7. Ira
Os Mandamentos da Igreja são:
1. Participar da Missa nos domingos e festas de guarda. 2. Confessar-se ao menos uma vez ao ano. 3. Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição. 4. Santificar as festas de preceito. 5. Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Madre Igreja.
E os Mandamentos da Caridade são:
1. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente. 2. Amarás a teu próximo como a ti mesmo.
O Catolicismo é um nome religioso aplicado a dois ramos do cristianismo. Em uso casual, as pessoas falam de "católicos" ou de "Catolicismo", geralmente pretendem indicar os aderentes à Igreja Católica Romana. No entanto, no seu sentido geral (sem o C maiúsculo), o nome é usado por muitos cristãos que: acreditam que são os descendentes espirituais dos Apóstolos em vez de parte de uma sucessão apostólica física; celebram seus cultos de forma litúrgica; creêm em sacramentos como meios de graça; possui uma organização episcopal da Igreja, sendo exemplo disso os católicos romanos. O Credo dos Apóstolos, que diz "Eu acredito... na Santa Igreja Católica..." é recitado todas as semanas em milhares de igrejas cristãs.
No seu sentido mais estreito, o termo é usado para referir a Igreja Católica Apostólica Romana, sob o Papado. Estas 24 igrejas sui iurisestão em comunhão total e afirmam ter mais de um bilhão de aderentes, o que as transforma na maior denominação cristã do mundo. As suas características distintivas são a aceitação da autoridade do Papa, o Bispo de Roma, e a comunhão com ele, e aceitarem a sua autoridade em matéria de "fé" e "moral" e a sua afirmação de "total, supremo e universal poder sobre toda a Igreja".
OBSERVAÇÃO: Esta denominação é frequentemente chamada Igreja Católica Romana, muito embora o seu nome formal seja apenas "Igreja Católica".
Significado de "Catolicismo"
Os credos e o Catolicismo

A palavra católico surge nos principais credos (definições de fé semelhantes a preces) cristãos, nomeadamente no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno. Os cristãos da maior parte das igrejas, incluindo a maioria dos protestantes, afirmam a sua fé "numa única santa Igreja católica e apostólica". Esta crença refere-se à sua crença na unidade última de todas as igrejas sob um Deus e um Salvador. No entanto, neste contexto, a palavra católico é usada pelos crentes num sentido definitivo (i.e., universal), e não como o nome de um corpo religioso. Neste tipo de uso, a palavra é geralmente escrita com c minúsculo, enquanto que o C maiúsculo se refere ao sentido descrito neste artigo.
Catolicismo

No cristianismo ocidental, as principais fés a se considerarem católicas, além da Igreja Católica Romana, são a Igreja Católica Antiga, a Velha Igreja Católica, a Igreja Católica Liberal, a Igreja Católica Carismática, a Associação Patriótica Católica Chinesa e alguns elementos anglicanos (os "Anglicanos da Alta Igreja", ou os "Anglo-Católicos"). Estes grupos têm crenças e praticam rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano, mas diferem substancialmente destes no que diz respeito ao estatuto, poder e influência do Bispo de Roma.
As várias igrejas da Ortodoxia de Leste e Ortodoxia Oriental pensam em si próprias como igrejas Católicas no sentido de serem a Igreja "universal". As igrejas Ortodoxas vêem geralmente os "Católicos" Latinos como cismáticos heréticos que saíram da "verdadeira igreja católica e apostólica" (veja Grande Cisma. Os Patriarcas da Ortodoxia Oriental são hierarcas autocéfalos, o que significa, grosso-modo, que cada um deles é independente da supervisão directa de outro bispo (embora ainda estejam sujeitos ao todo do seu sínodo de bispos). Não estão em comunhão com o Papa e não reconhecem a sua reivindicação à chefia da Igreja universal enquanto instituição terrena. Existem também Católicos de Rito Oriental cuja liturgia se assemelha à dos Ortodoxos, e que também permitem a ordenação de homens casados, mas que reconhecem o Papa Romano como chefe da sua igreja.
Alguns grupos chamam a si próprios Católicos, mas esse qualificativo é questionável: por exemplo, a Igreja Católica Liberal, que se originou como uma dissensão da Velha Igreja Católica mas que incorporou tanta teosofia na sua doutrina que já pouco tem em comum com o Catolicismo.
Catolicismo Romano

A principal e maior denominação Católica é a "Santa Igreja Católica Apostólica Romana". Tem esse nome porque todos os seus aderentes estão em comunhão com o Papa e Bispo de Roma, e a maior parte das paróquias seguem o Rito Latino ou Romano na prece, embora haja outros ritos.
Existem mais de setenta denominações de igrejas brasileiras: como a Igreja Católica Apostólica Brasileira, Velha Igreja Católica,Igreja Católica Carismática, Igreja Católica Conservadora do Brasil, Igreja Católica Primitiva, entre outras.
Anglo-Catolicismo

O Anglicanismo, sendo embora uma única igreja, está na prática dividido em dois ramos, os "Anglicanos da Alta Igreja", também chamados Anglo-Católicos e os "Anglicanos da Baixa Igreja", também conhecidos como a facção Evangélica. Embora todos os elementos da Comunhão Anglicana recitem os mesmos credos, os Anglicanos da Baixa Igreja tratam a palavra Católico no credo como um mero sinónimo antigo para universal, ao passo que os Anglicanos da Alta Igreja a tratam como o nome da igreja de Cristo à qual pertencem eles, a Igreja Católica Romana, e outras igrejas da Sucessão Apostólica.
O Anglo-Catolicismo tem crenças e pratica rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano. Os elementos semelhantes incluem a celebração de sete ritos, tendo o Batismo e a Santa Ceia como sacramentos; a crença na Real Presença de Cristo na Eucaristia; a devoção à Virgem Maria e aos santos (mas não hiperdulia); a descrição do seu clero ordenado como "padres"; o vestir vestimentas próprias na liturgia da igreja, e por vezes até mesmo a descrição das suas celebrações Eucarísticas como Missa. A sua principal divergência do Catolicismo Romano reside no estatuto, poder e influência do Bispo de Roma. Também na crença e aderência aos 39 Artigos de Religião, que definiu o Anglicanismo como denominação protestante. Usa também o Livro de Oração Comum em sua liturgia.
O desenvolvimento da ala Anglo-Católica do Anglicanismo teve lugar principalmente no Século XIX e está fortemente associado ao Movimento de Oxford. Dois dos seus líderes, John Henry Newman e Henry Edward Manning, ambos ordenados cléricos anglicanos, acabaram por aderir à Igreja Católica Romana e por se tornarem Cardeais.
Embora o termo Catolicismo seja geralmente usado para designar o Catolicismo Romano, muitos Anglo-Católicos usam-no para se referirem também a si próprios, como parte da Igreja Católica geral (e não apenas Romana). Na verdade, algumas igrejas anglicanas, como a Catedral de St. Patrick em Dublin ou a "Catedral Nacional" da Igreja da Irlanda (anglicana), referem-se a si próprias como parte da "Comunhão Católica" e como "Igrejas Católicas" em anúncios dentro e em torno delas.
História e influência

A igreja cristã primitiva na regiao do Mediterraneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antióquia, Alexandria, Constantinopla e Roma.
O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que supostamente morreu em Roma e é considerado o primeiro papa1) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que dividiu a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Grande Cisma.
A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das facções Protestantes.



A Bíblia

Estudo Bíblico



"A glória de Deus está em encobrir a palavra,
e a glória dos Reis é investigar o discurso"
(Prov. XXV,2)

I - Introdução

Cada religião é conhecida por sua prática mais característica. Assim, o Catolicismo tem na Missa seu ato essencial de culto a Deus. Os espíritas têm como ação típica a invocação dos espíritos, para conhecer algo do além, isto é, a necromancia, e os protestantes de todos os naipes são conhecidos pela sua insistência na Bíblia, que eles lêem e recomendam ler com insistência, como se pela leitura se achasse a salvação. 
O pressuposto desses protestantes – hoje, para mascarar suas divisões, eles ocultam inicialmente o nome de sua seita, e se dizem genérica e vagamente "evangélicos" – é que qualquer pessoa, por mais desprovida de conhecimentos que seja, pode ler com fruto a Escritura, porque o próprio Espírito Santo vai inspirar a ela o sentido verdadeiro do que está escrito. A Bíblia seria, então, mais fácil de ser entendida do que um romance de banca de jornal, ou que um gibi. Além disso, cada um poderia dar a interpretação que desejasse, ou que julgasse ter entendido do texto sagrado. A Sagrada Escritura não teria um significado objetivamente correto. Todas as interpretações seriam sempre certas, ainda que fossem interpretações contraditórias. É o que se chama de livre exame da Bíblia, princípio proclamado por Lutero para destruir o poder do Papa.
O resultado desse livre exame da Escritura Sagrada foi uma quase infinita multiplicação de seitas. Tal sistema instaurou uma verdadeira Babel bíblica. Hoje, há milhares de seitas "evangélicas", cada qual dando uma interpretação diferente do texto sagrado, e todas se proclamando verdadeiras.
No fundo, cada protestante é uma "igreja", não podendo, de fato, existir a Igreja de Cristo. O protestantismo se ergue contra o poder infalível do Papa, e, para combatê-lo, proclama a infalibilidade individual de cada "crente".
Cada um deveria ler a Bíblia, e cada um teria um entendimento diferente da Sagrada Escritura, negando-se, assim, que haja realmente um sentido objetivamente verdadeiro e desejado por Deus. Nega-se, desse modo, que haja "uma só fé". Deus teria feito a Bíblia como uma "Obra Aberta": ela teria milhares de sentidos possíveis, todos possivelmente verdadeiros, mas nenhum exclusivamente verdadeiro e único.
Daí o slogan protestante: "Leia a Bíblia".
Ora, curioso é que a própria Bíblia não contenha nenhum texto que diga: "Leia a Bíblia". Isso é bem natural, porque ninguém pode dar testemunho de si mesmo (Jo.V, 31). Nem nos dez mandamentos, dados por Deus a Moisés, nem nas palavras de Cristo se acha a recomendação de que os cristãos devessem ler a Bíblia.
Por que essa omissão? De onde, então, tiram os protestantes, de todas as seitas e matizes, essa lei - ou recomendação - de que todos devem ler a Sagrada Escritura?
Se fosse a leitura da Bíblia necessária para a nossa salvação, certamente Nosso Senhor Jesus Cristo teria dito aos Apóstolos que a lessem, e que ordenassem a todos sua leitura. Cristo teria ainda ordenado que se distribuíssem Bíblias a todos. Nesse caso, Ele talvez tivesse dito: "Ide e imprimi" em vez de "Ide, pois, e ensinai a todas as gentes..." (Mt. XXVIII, 19). Ele não ordenou: "Leiam a Bíblia" e nem "Distribuam Bíblias a todos os povos". Nem mesmo afirmou: "Recomendem que todos os homens leiam a Bíblia".
E por que jamais disse isso? Evidentemente, os livros – mesmo os sagrados – são escritos para serem lidos. Portanto, Deus fez as Sagradas Escrituras para serem lidas. Mas lidas por quem? Por todos?
É claro que não. Se nem todos têm competência para entender o que está nos livros comuns, e menos ainda nos livros especializados e científicos, muito menos ainda terão para compreender os livros da Escritura Sagrada, que são profundíssimos. Um leitor despreparado, ou sem conhecimento conveniente, não vai entender o texto, ou vai entendê-lo erradamente, ficando num estado pior do que o de ignorância. Porque pior que não saber, é entender errado.
Por isso, Deus disse no Livro dos Provérbios: "assim como um espinheiro está na mão de um bêbado, assim está a parábola na boca do ignorante" (Prov. XXVI, 7).
Os livros sagrados devem, então, ser lidos só por alguns? Por quem? Quem teria a missão de ler a Escritura e explicá-la aos sábios e ao povo mais simples?
Antes de responder a essa questão, para efeito didático, vejamos algumas citações que facilitarão a compreensão da resposta.

II - A palavra de Deus exige elucidação, porque "a letra mata"

Das palavras dos Provérbios, que citamos em epígrafe, se depreende que Deus "encobre" sua palavra. Encobre, isto é, em latim "cela", oculta, vela suas palavras. Ora, se Deus visa salvar-nos por meio da Revelação, por que ocultar, encobrir o que Ele quer nos comunicar?  
Parece haver nisso uma contradição, porque o que se quer conhecido não deve ser ocultado. Entretanto, Deus como que cobriu com um véu suas palavras, envolvendo-as em mistério.
Também os Apóstolos ficaram intrigados pelo fato de que Jesus só falava ao povo em parábolas e comparações, e perguntaram ao Divino Mestre: "Por que razão lhes falas por meio de parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: "Porque a vós é concedido conhecer os mistérios de Reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido. (...) Por isso lhes falo em parábolas, porque, vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem, nem entendem" ( Mt, XIII, 10 e 13).
Cristo, Nosso Senhor e nosso Redentor, nos mostra que a palavra de Deus, embora deva, em princípio, ser comunicada a todos, nem a todos deve ser comunicada a qualquer hora. Alguns, por seus pecados e dureza de coração, não devem recebê-la senão veladamente, pela parábola, para que não a profanem, e nem lhes seja ela uma causa de acréscimo de culpa. Por isso, também, é que Jesus nos disse: " Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis vossas pérolas aos porcos" (Mt, VII, 2).
Há, pois, pessoas que, por seus pecados, estão reduzidas a tal estado, que a revelação, em vez de lhes fazer bem, lhes será ocasião de novas culpas. Nesses casos - nos quais se prevê antes um desprezo pelo que Deus revelou do que um acatamento pelo seu ensinamento – cabe muitas vezes evitar comunicar o que é santo.
Portanto, nem a todos convém falar, a qualquer hora, das coisas de Deus, nem dar-lhes nas mãos a Escritura Sagrada, quando é previsível que irão debochar dela, ou deturpá-la. Quando se presume que isso será o mais provável, deve-se salvar a pérola preciosa e não dá-la aos porcos. Ou, pelo menos, esperar o tempo mais oportuno para falar. Porque... " há tempo de calar e tempo de falar" ( Ecles. III, 7).
Por essas razões, é que a sabedoria de Deus muitas vezes encobre suas palavras. E a glória dos mestres autorizados consiste em investigar o discurso de Deus, por meio da exegese de suas parábolas. O próprio Cristo nos deu exemplo de como se deve fazer essa investigação, ao explicar aos Apóstolos a parábola do semeador (Mt. XIII, 18-23).
A Sagrada Escritura foi, pois, dada para ser lida especialmente por alguns que tenham autoridade ou sabedoria, e que, depois, devem ensiná-la ao povo mais simples, que a deve ouvir.
Por isso, está dito no Eclesiástico: "O sábio investigará a sabedoria de todos os antigos, e fará o seu estudo nos profetas. Conservará no seu coração as instruções dos homens célebres, e penetrará também nas subtilezas das parábolas. Indagará o sentido oculto dos provérbios, e ocupar-se-á dos enigmas das parábolas (Sir.XXXIX, 1-3).
Não assim os iniciantes, não assim... Pois que está dito por Deus: "Eles [os operários, que fazem trabalhos com as mãos] não se assentarão na cadeira do juiz, e não entenderão as leis da justiça; não ensinarão as regras da moral nem do direito, e não se acharão ocupados na inteligência das parábolas" ( Sir. XXXVIII, 38).
Para os protestantes – sempre igualitários – todos os homens são suficientemente sábios para ler e, principalmente, para interpretar a Escritura, indo, assim, contra o que diz a própria Escritura Sagrada.
Mas Jeremias os contesta dizendo: "Como dizeis vós: Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Verdadeiramente o estilete mentiroso dos escribas gravou a mentira. Os sábios estão confundidos, aterrados e presos, porque rejeitaram a palavra do Senhor e nenhuma sabedoria há neles" (Jer. VIII, 8).
Voltaremos a esse verso misterioso sobre o estilete mentiroso dos escribas que gravou a mentira....
Dissemos que a investigação da palavra de Deus exige uma certa sabedoria e uma certa autorização, e isso é dito também por São Paulo, ao prevenir que "a letra mata": "Deus nos fez idôneos ministros do Novo Testamento, não pela letra, mas pelo espírito, porque a letra mata, mas o espírito vivifica"(II Cor. III, 6).
Portanto, é a própria Bíblia que nos previne que "a letra mata".
Entretanto, os protestantes lêem essa palavra e confiam na letra.
Não compreendendo que "a letra mata", os que se dizem hoje "evangélicos" passam por cima de outro texto de São Paulo que nos ensina: "Por isso Isaías diz: ‘Senhor, quem creu em nossa pregação?’ (Is. LIII,1 e LII, 7) "Logo, a Fé é pelo ouvido, e o ouvido pela palavra de Cristo" (Rom. X, 16-17).
São Paulo deduz dos termos usados por Isaías - Diz e Pregação - que a Fé vem pelo ouvido e não pela leitura, embora Isaías tivesse escrito suas palavras, e não dito, ou pronunciado. O livro de Isaías devia, então, ser ouvido pelo povo judeu, isto é, explicado por alguém idôneo, e não simplesmente ser lido por todos.
Essa explicação é confirmada noutro passo das Escrituras Sagradas, exatamente tratando da leitura de Isaías, nos Atos dos Apóstolos, quando o Diácono Felipe é enviado por Deus a falar com o eunuco da Rainha de Candace que, em viagem, lia a Sagrada Escritura: "Correndo Felipe, ouviu que lia o Profeta Isaías e disse: ‘Compreendes o que lês?’ Ele disse: ‘Como o poderei (eu compreender) se não houver alguém que me explique?" (At. VIII, 30-31).
Portanto, é a própria Bíblia quem nos diz que não é possível compreendê-la, se não houver alguém que a explique!
A Religião verdadeira tem por princípio o Verbo de Deus, isto é, a Palavra de Deus: "No princípio era o Verbo" (Jo. I, 1). Se, no plano divino, o princípio está no Verbo, no plano humano, o princípio da Fé é pelo ouvido, porque "a Fé vem pelo ouvido" (Rom. X, 16-17 ), e não pelo olho que lê. Pelo olho, vem a letra que mata" (II Cor. III,6).
Por todas essas razões, Cristo Nosso Senhor não mandou ler a Bíblia, e sim ouvir o que Ele revelou na Bíblia, repetindo cinco vezes, no Sermão da Montanha, o verbo ouvir e não o verbo ler: "Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás...’" (Mt. V, 21).
Ora, isso não "foi dito aos antigos". Foi escrito.
Apesar disso ter sido escrito e não dito, Jesus Cristo, ao citar o livro de Moisés, diz ao povo: "Ouvistes" e não "lestes". E diz "ouvistes", porque normalmente o povo judeu ouvia a leitura da Escritura nas Sinagogas, onde era lida pelos Mestres: os Rabis e Doutores da Lei.
Por cinco vezes, no Sermão da Montanha, Cristo emprega a expressão "Ouvistes o que foi dito aos antigos", em vez de "lestes", embora se referisse a um texto escrito (Cfr. Mt V, 21, 27, 33, 38 e 43). Essa insistência no uso do verbo ouvir e não do verbo ler é significativa. Devemos ouvir, mais do que ler a palavra de Deus, porque a Fé vem pelo ouvido, enquanto a letra mata. Cabe aos mestres idôneos e autorizados ler e explicar ao povo o que está escrito. E esse foi também o exemplo deixado por Jesus Cristo que, quando ia à Sinagoga, tomava o Rolo das Escrituras, lia um trecho e o explicava ao povo, que ouvia e não lia: "Foi a Nazaré, onde se tinha criado, e entrou na Sinagoga, segundo o seu costume, em dia de sábado e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías..." (Luc. IV 16-17).
O costume dos judeus era ir ouvir a leitura e a explicação das Escrituras na Sinagoga, aos sábados.
Repetidamente, na Sagrada Escritura, Cristo diz que se deve ouvir a palavra de Deus. Praticamente Ele não usa o verbo ler. Só uma vez, no Apocalipse, aparece o verbo ler, mas imediatamente seguido do verbo ouvir: "Bem aventurado aquele que lê e aquele que ouve as palavras dessa profecia, e observa as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo"(Apoc. I, 3).
E por que teria sido usado aí, no Apocalipse, o verbo ler?
Julgamos que, sendo o Apocalipse um livro profético, o mais misterioso da Sagrada Escritura, Cristo usa nele o verbo ler imediatamente seguido do verbo ouvir, porque seria extremamente difícil captar e meditar as palavras desse livro apenas ouvindo. Cristo acrescenta ainda o verbo observar ao ler, porque não basta ler e ouvir se não se observar, isto é, se não se puser em prática o que se leu ou ouviu. Esse excepcional uso do verbo ler na Escritura não muda, porém, a regra geral com relação à importância e preponderância única do verbo ouvir.
Aliás, para confirmar o que dissemos note-se que o verbo ouvir aparece sistematicamente no final de cada carta do Apocalipse. Sete vezes ali se utiliza a fórmula final: "Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Apoc. II, 7; II, 11; II, 17; II, 29; III, 6; III, 11; III, 22).
Embora seja cansativo multiplicar as citações, é preciso repeti-las aos protestantes, pois não se está tratando com bons entendedores, para os quais meia palavra basta. Está se tratando com maus leitores, para os quais muitas letras não são suficientes.
Vejamos, então, uma primeira citação dos Evangelhos: "Todo aquele que ouve minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna." (Jo. V,24).
Note-se: tem a vida eterna quem ouve, não quem lê. Porque que adianta ler, se não houver quem explique (Cfr At. VIII, 30-31).
E mais: "Todo aquele, pois, que ouve essas minhas palavras, e as observa, será semelhante ao homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha" (Mt. VII, 24).
Notem-se três coisas:
1) O uso do verbo ouvir e não do verbo ler, que seria o preferido pelos "evangélicos";
2) Não basta ouvir. É preciso ainda observar as palavras de Deus. Não basta, então, a Fé. São necessárias as obras, pelas quais se observa a palavra de Deus;
3) Quem ouve e observa as palavras de Cristo constrói sua casa sabiamente sobre a rocha, sobre a pedra, isto é, sobre Pedro.
E assim como Cristo não ordenou aos Apóstolos: "Ide e imprimi e distribuí Bíblias", assim também não disse: "Quem vos lê, a Mim lê". Pelo contrário, Cristo disse: "Quem vos ouve, a Mim ouve" (Lc. X, 16).
Não se pense que no Antigo Testamento fosse diferente, pois que no Livro da Sabedoria se pode encontrar a seguinte regra: "Qui audet me, non confundetur" "Aquele que me ouve, não será confundido" (Sir. XIV, 30).
No Livro do Eclesiástico (Sirac) também se pode ter a confirmação do que dizemos: "Se inclinares teu ouvido, receberás a doutrina, e se amas escutar, serás sábio" (Sir. VI, 34).
Conclui-se, então, que é também pelo ouvido - e não pela vista e pela leitura da letra - que se adquire a sabedoria. Pois, se a Fé vem pelo ouvido, como poderia a Sabedoria vir pela vista e pela leitura?
E como poderia ser de outro modo, se Cristo é essa mesma Sabedoria feita Homem?
Os protestantes gostam de se referir ao texto em que Cristo fala de seus "irmãos", isto é, de seus parentes, dizendo: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a praticam" (Jo. VIII,21); e eles interpretam literalmente a palavra "irmãos" desse texto, dizendo que Cristo teve, então, irmãos carnais. Deveriam também interpretar literalmente o resto da frase, concluindo que eles (os protestantes) não são "irmãos" de Jesus, porque eles não ouvem, mas lêem as palavras de Cristo.
Noutra ocasião disse Nosso Senhor: "Bem aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc. XI,28).
Ao contar a parábola do semeador, Cristo conclui solenemente dizendo: " E dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mc. IV, 9).
Aliás, nessa parábola do semeador, no Evangelho de São Mateus, Cristo utiliza cinco vezes o verbo ouvir, e nenhuma vez o verbo ler. Se Ele quisesse que fizéssemos o que fazem os protestantes com a Bíblia, Ele bem facilmente poderia ter usado aí, pelo menos uma vez, o verbo ler. Não usou, para que – exatamente – não caíssemos no erro luterano de que é obrigatório ler a Bíblia para que nos salvemos (Cfr Mt. XIII, 18, 19, 20, 22, 23).
Repetidamente, Cristo adverte aos judeus e a nós, dizendo: "Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mc. IV, 23).
Também São Paulo prefere o verbo ouvir ao verbo ler - e poderia São Paulo ter um preferência diferente daquela de Cristo? - pois diz na I epístola a Timóteo: "... e fazendo isso, te salvarás a ti mesmo e àqueles que te ouvirem" (I Tim. IV 23).
Já São João nos diz: "Quem conhece a Deus, nos ouve, quem não é de Deus, não nos ouve. Nisso distinguireis o espírito da verdade e o espírito do erro" (I Jo. IV,6).
Claríssimo, pois. Para distinguir quem busca a verdade daquele que busca o erro, aí está a regra: quem tem o espírito do erro não quer ouvir! Mas o protestante só quer ler.
Deus ordenou a Jeremias, o Profeta, que clamasse: "Anunciai isso à casa de Jacó, e fazei-o ouvir em Judá, dizendo: Ouve, povo insensato, que não tens coração; vós que tendes olhos, não vedes; tendes ouvidos, não ouvis" (Jer. V, 20-21). Isso se aplica tão perfeitamente aos hereges que parece até ter sido dito diretamente para os que se dizem "evangélicos", que lêem mas não entendem, e que se recusam a ouvir.
O livro de Jó expõe a mesma doutrina: "Eis que tudo isso não é senão uma parte de suas obras, e, se apenas temos ouvido um ligeiro murmúrio de sua voz, quem poderá compreender o trovão de sua grandeza" (Job. XXVI, 14).
Se as obras da criação são para nós, agora, como que um murmúrio da voz de Deus, que nos fala através delas - murmúrio, porque na criação material vemos apenas vestígios de Deus, e nelas vemos a Deus longinquamente - como poderemos compreender por nós mesmos - sem a orientação da autoridade posta por Cristo, Pedro, aquele que tem as chaves do reino dos Céus - como poderemos entender o trovão da voz de Deus na Sagrada Escritura?

III - O verbo ler na Sagrada Escritura

Vimos que, excepcionalmente, aparece na Sagrada Escritura o verbo ler junto com uma recomendação laudatória no Apocalipse (I, 3). Mas que, mesmo aí, esse verbo é imediatamente seguido do verbo ouvir e do verbo observar.
Também noutras vezes em que é usado o verbo ler, sempre ele é seguido de alguma observação restritiva.
Vimos a passagem muito notável dos Atos dos Apóstolos (VIII, 30 -31), na qual se observa que não adianta ler, se não houver quem explique o texto.
Quando os Reis magos foram até Herodes perguntar onde nascera o Rei dos judeus, ele consultou os Príncipes dos Sacerdotes e os Escribas sobre a questão. Estes disseram que "Estava escrito" (Mt, II, 5) que era em Belém. Os Príncipes dos sacerdotes e os Escribas sabiam bem o que estava escrito: que era em Belém que nasceria o Messias. Mas não se abalaram para ir até lá. Os magos, que não leram, foram adorar o Redentor em Belém. Os escribas não foram porque não adianta ler sem compreender.
Quando Cristo Deus entrou triunfante em Jerusalém as crianças o aclamaram, o que desgostou aos fariseus, que exigiram dele que fizesse calar as crianças. E Cristo, então, lhes disse, repreendendo-os: "Nunca lestes: da boca das crianças e dos meninos de peito fizestes sair um perfeito louvor?" (Mt. XXI, 16).
Com essas palavras Cristo lhes mostrava que, embora tendo lido a Sagrada Escritura, isso de nada lhes tinha valido, pois eles não inclinavam seu ouvido à Sabedoria.
São Paulo, repreendendo os Gálatas por se aterem às práticas da lei judaica, lhes diz: "Dizei-me, vós, os que quereis estar debaixo da lei, não lestes a lei?" (Gál. IV, 21). E, a seguir, lhes demonstra que eles não haviam entendido as Escrituras.
A crítica aos que entendiam mal a Escritura é repetida várias vezes nos Evangelhos, sempre utilizando a expressão "Não lestes".
Assim, São Mateus nos conta que Jesus, respondendo aos fariseus que criticavam os discípulos de Jesus por colher espigas no sábado - o que era proibido pela letra da lei - disse-lhes: "Não lestes o que fez Davi quando teve fome, e ele e os que com ele iam?" (Mt. XII, 3). "Não lestes na lei que aos sábados os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?" (Mt. XII, 5).
Contradizendo a leitura dos fariseus sobre o direito de repúdio da mulher, Cristo lhes disse: "Não lestes que quem criou o homem no princípio, criou-os homem e mulher..." (Mt. XIX, 4)."Jesus disse-lhes: ‘Nunca lestes nas escrituras: "A pedra que fora rejeitada, pelos que edificavam, tornou-se a pedra angular (...)?"
Em todos esses textos, o verbo ler é empregado contra os fariseus, mostrando que a simples leitura da Bíblia não lhes foi levada em mérito e sim em agravamento de culpa.
Portanto, não basta ler a Bíblia.
Quando Cristo se refere à profecia de Daniel de que um dia a "abominação da desolação" seria "posta no lugar santo", Ele previne: "Quem lê, entenda" (Mt, XXIV, 15). Esse "entenda" imediatamente depois do verbo ler, mostra que não adiantava ler sem entender. Quantos, hoje, que nem entendem um simples artigo de jornal, pretendem entender a Sagrada Escritura! Mal lêem e pior entendem!
Noutra ocasião, quando um Doutor da Lei veio consultar a Jesus sobre o que deveria fazer para alcançar a vida eterna, Cristo lhe perguntou: "O que está escrito na Lei? E como lês tu?" (Lc. X, 26).
A interrogação "como lês tu?" mostra que a leitura depende da compreensão. Portanto, a simples leitura da Bíblia não é suficiente. Para alcançar a vida eterna duas coisas são necessárias: compreender a Revelação e fazer o que se compreendeu que Deus exige de nós. Portanto, só ler não adianta.
Os saduceus e fariseus - tais quais os protestantes, hoje - liam as escrituras e isso de nada lhes adiantou. Pelo contrário, aumentou-lhes a culpa.
Aos saduceus que vieram questionar Cristo sobre a ressurreição, citando o texto da lei do sororato, Cristo respondeu: "Errais não compreendendo as escrituras, nem o poder de Deus" (Mt. XXII, 29).
Em seguida, disse Jesus a esses mesmos saduceus: "E acerca da ressureição dos mortos, não tendes lido o que Deus disse, falando convosco: Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Ora, Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mt XXII, 31).
Porque o texto estava no livro sagrado, Cristo deveria ter dito que Deus havia escrito. Em vez disso, Ele usa os verbos dizer e falar e não escrever. De novo, fica claro que ler só, não adianta: é preciso bem entender.
Os grandes leitores da Bíblia no tempo de Jesus eram os fariseus. Como os protestantes, hoje, eles eram capazes de citar capítulos e versículos dos livros sagrados que eles sabiam de memória, sem jamais bem compreender o que haviam decorado. Foram os fariseus leitores da Bíblia que não viram a luz e mataram o Filho de Deus. Diante da luz da verdade, eles não viram a luz. Eles foram "cegos ao meio dia" (Deut. XXVIII, 29). Por isso, Jesus os chamou de "cegos" (Mt XV, 14) e "guias de cegos" (Mt. XXIII, 16).
Foi acerca dos fariseus, leitores e mestres da Bíblia, que profetizou Isaías, dizendo: "Surdos, ouvi, e vós, cegos, abri os olhos para ver. Quem é cego, senão o meu servo (Israel)? E quem é surdo, senão aquele a quem enviei os meus profetas? Quem é cego como o dileto, e surdo como o servo do Senhor? Tu, que vês tantas coisas, não as observarás? Tu, que tens os ouvidos abertos, não ouvirás?" (Is. XLII 18-20). Repare-se que, nesse texto, Deus não repreende os judeus por não lerem a Bíblia. Ler, eles liam. O mal é que não entendiam. Eram leitores cegos. Como tantos outros, hoje. Estultos e cegos" (Mt. XXIII, 17).
Como castigo do orgulho com que os judeus liam os livros sagrados, sem quererem ouvir a palavra de Deus, a própria Sagrada Escritura diz: "Porque o Senhor espalhou sobre vós um espírito de adormecimento, ele fechará os vossos olhos, cobrirá (com um véu) os vossos profetas e príncipes, que têm visões. A visão de todos eles será para vós como as palavras de um livro selado, que, quando o derem a um homem que sabe ler, e lhes digam: ‘Lê esse livro’, ele responde: ‘Não posso, porque está selado’. Dar-se-á a um homem que não sabe ler e se dirá:‘Lê ‘; ele responderá: ‘Não sei ler" (Is. XXIX, 10-13).
Desse texto se deduz que não adianta querer ler um livro selado. Ora, a Escritura é um livro selado, e suas chaves foram dadas a Pedro. Quem não tem as chaves não pode abrir esse livro. E quem pretende saber lê-lo sem ter as chaves ou sem saber ler, está fazendo isso com o véu do adormecimento e da ilusão sobre os olhos.
Um homem que saiba ler deve ter a humildade de não pretender fazer isso sem a autorização e a aprovação daquele que tem as chaves. Só se deve ler a Bíblia com espírito de humildade, aceitando o que o Papa ligou e desligou a respeito do texto sagrado.
Os fariseus - como os protestantes, hoje - eram desses pretensiosos que julgavam saber ler, e por isso Deus os castigou com a cegueira de seu próprio orgulho, pois que davam importância à letra da Escritura, letra que mata, julgando estar em sua leitura a salvação. Por isso, Nosso Senhor Jesus Cristo os advertiu, argumentando contra eles: "Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna; elas são as que dão testemunho de Mim; e não quereis vir a Mim, para terdes vida. (...) Moisés, em quem vós confiais, é que vos acusa. Porque se vós crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim; porque ele escreveu de Mim. Porém, se vós não dais crédito aos seus escritos, como haveis de dar crédito às minhas palavras?" (Jo. V, 39-40 e 45 a 47).
Essas frases de Jesus Cristo são extremamente importantes para o tema que estamos analisando, e nelas sublinhamos as palavras decisivas.
Em primeiro lugar, Cristo argumenta contra os fariseus dizendo que eles acreditavam - como os protestantes, hoje - que das Escrituras é que eles obteriam a vida eterna. Ora, a vida eterna só se obtém por meio de Cristo, e não da "letra que mata" (II Cor. III, 6). Não é lendo a Bíblia que se alcança a vida eterna.
Em segundo lugar, note-se que Cristo, argumentando ad hominem, diz: já que vós, fariseus, dizeis crer nas Escrituras, examinai-as e nelas vereis que elas falam de Mim.
Finalmente, repare-se que Cristo diz que os fariseus confiavam em Moisés, mas não davam crédito a seus escritos.
Portanto, é possível ler a Escritura sem crer nela. Pois é assim também que fazem os protestantes de ontem e de hoje: dizem confiar na Bíblia, mas recusam crer no que ela ensina.
Para forçar a Sagrada Escritura a concordar com eles, os fariseus deturpavam o que ela dizia, acusando Cristo de violar a Lei. O mesmo fizeram, depois, os primeiros hereges; e a mesma coisa fazem hoje; e farão no futuro, os hereges de amanhã. Por isso São Pedro escreveu, dos que lêem a Bíblia forçando interpretações falsas: "(...) os indoutos e inconstantes adulteram [as palavras de São Paulo] (como também as outras Escrituras) para a sua própria perdição" (II Pe. III,16).
Que os rabinos dos judeus liam as Escrituras nas Sinagogas e não as entendiam, porque não davam crédito a seu significado e sim apenas à letra, está registrado em várias passagens da Bíblia. Assim: "Porque os habitantes de Jerusalém e os seus chefes, não conhecendo esse [Cristo] nem as vozes dos Profetas, que cada sábado lêem, condenando – O, as cumpriram" (At. XIII, 27).
Portanto, os rabinos judeus liam as escrituras mas não as entenderam, pois não reconheceram a Cristo Redentor. O próprio Moisés, a quem os rabinos judeus diziam seguir e do qual liam com cuidado os textos, até contando as letras - as letras que matam - profetizou sobre eles ao dizer: "Eis que os filhos de Israel não me ouvem (Ex. VI, 12).
Isso é confirmado noutra passagem que diz praticamente a mesma coisa: "Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados" (At. XV, 21). Era lido e não era acreditado. Que adiantava, então, aos rabinos e judeus lerem a Bíblia nas suas sinagogas? Que adianta aos hereges lerem as letras da Escritura, se não as entendem, e por isso morrem, mortos pela letra?
As Escrituras Sagradas eram lidas por autoridades idôneas, muitas vezes estabelecidas diretamente por Deus, as quais o povo devia ouvir, atendendo ao que era lido e explanado. Isso pode ser confirmado por inúmeros textos da Bíblia. Citaremos, com risco de sermos monótonos, alguns deles.
Em primeiro lugar, cabia aos sacerdotes e anciãos ler a lei, para ensiná-la ao povo, que devia ouvir e não ler: "Escreveu, pois, Moisés, esta lei, e a entregou aos sacerdotes filhos de Levi, que levavam a arca da Aliança do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. E ordenou-lhes, dizendo: "todos os sete anos, no ano da remissão, na solenidade dos tabernáculos, quando todos os filhos de Israel se juntarem para aparecer diante do Senhor, teu Deus, no lugar que o Senhor tiver escolhido, lerás as palavras desta lei diante de todo o povo, o qual OUVIRÁ, estando congregado todo o povo num mesmo lugar, tanto homens como mulheres, meninos e estrangeiros, que estão dentro de tuas portas, para que, OUVINDO, aprendam e temam o Senhor vosso Deus, e guardem e cumpram todas as palavras desta lei; e para que também seus filhos, que agora ignoram, as possam ouvir, e temam o Senhor seu Deus durante todos os dias que viverem na terra, da qual, passado o Jordão, ides tomar posse" (Deut. XXXI, 9 – 13).
A passagem é claríssima. Não é o povo que deve ler. O povo comum deve ouvir. É o contrário do que querem os hereges protestantes: querem eles mesmo ler, embora não sejam idôneos nem capazes.
No mesmo livro do Deuteronômio, há outra passagem que dá direito e obrigação também ao Rei, para ler a Escritura: "Depois que [o Rei] se tiver sentado no trono de seu reino, escreverá para si num livro o Deuteronômio desta lei, recebendo o exemplar dos sacerdotes, da tribo de Levi. Te-lo-á consigo e o lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor, seu Deus, e a guardar as suas palavras e cerimônias que estão prescritas na lei" (Deut. XVII, 18-19).
O rei - e não qualquer um - tem direito e obrigação de ler a lei, depois de recebê-la dos sacerdotes.
Já no Exôdo, Moisés fez o mesmo: leu a lei para o povo que ouvia: "E tomando o livro da Aliança [Moisés] o leu na presença do povo, o qual disse: ‘Faremos tudo o que o Senhor disse [e não escreveu] e seremos obedientes (Ex. XXIV, 7).
Josué, quando recebeu a autoridade sobre o povo, seguiu o mesmo costume: ele lia a lei. O povo a ouvia: "E primeiramente Josué abençoou o povo de Israel. Depois disso, leu todas as palavras da benção e da maldição e tudo o que estava escrito no livro da lei" (Jos. VIII, 34). Josué leu porque era a autoridade idônea. O povo apenas ouviu.
Quando foi encontrado o livro da lei, no tempo do Rei Josias, ele reuniu o povo na casa do Senhor, "e, estando eles [membros do povo] a ouvir na casa do Senhor, o Rei leu todas as palavras do livro" (II Cr. XXXIV, 30).
Que era direito e dever dos Reis e Sacerdotes ler a lei ao povo que ouvia, se constata na manutenção desse costume através dos tempos. Também Esdras agiu assim: "O Sacerdote Esdras levou, pois, a lei para diante da multidão dos homens e das mulheres. e de todos os que a podiam entender, no primeiro dia do sétimo mês. Leu naquele livro claramente, no meio da praça que fica diante da porta das águas, desde manhã até o meio dia, na presença dos homens, das mulheres e dos sábios. Todo o povo tinha os ouvidos atentos" (II Esd. VIII, 2-3).
No Eclesiástico (Sabedoria de Sirac) se pode encontrar a seguinte lição: "Inclina o teu ouvido e recebe a palavra da Sabedoria" (Sir. II 2). E ainda: "Se me ouvires, receberás a instrução, e se fores amigo de ouvir serás sábio" (Sir. VI, 34). E mais: "Apliquei um pouco o meu ouvido e logo a recebi [a sabedoria]" ( Sir. LI, 21).
Não é, portanto, a mera leitura da Bíblia que traz a sabedoria.
Isaías não ensina diferentemente: "O Senhor deu-me uma língua erudita, para eu saber sustentar com a palavra o que está cansado; Ele me chama pela manhã, pela manhã chama aos meus ouvidos, para que eu o ouça como a um mestre" (Is. L, 4-5). "Ouvi-me com atenção, e comei o bom alimento e a vossa alma se deleitará com manjares substanciosos. Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim. Ouvi e vossa alma viverá" (Is. LV, 2-3).
Repetimos: não está dito: "Lêde e vossa alma viverá". E sim: "Ouvi e vossa alma viverá".
Para o profeta Jeremias, Deus disse: "Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém" (Jer. II,2). Deus não mandou que Jeremias mandasse o povo ler a profecia, nem que pusesse diante dos olhos a letra que mata, mas que gritasse aos ouvidos do povo a sua palavra. Por isso, logo depois, Jeremias recomenda: "Ouvi as palavras do Senhor" (Jer. II, 4).
E ainda em outra passagem, Deus reitera ao profeta: "E o Senhor me disse: Prega em alta voz todas estas palavras, nas cidades de Judá e fora de Jerusalém, dizendo: ‘Ouvi as palavras desta aliança e observai-as’. Ouvi a minha voz". "E não a ouviram, nem prestaram ouvidos, mas cada um seguiu a depravação do seu coração maligno. "E o Senhor me disse: ‘Uma conjuração se descobriu entre os varões de Judá e entre os moradores de Jerusalém. Tornaram às suas antigas maldades de seus pais, que não quiseram ouvir as minhas palavras" ( Jer. XI, 6-9).
E mais: "Porém, não ouviram, nem inclinaram o seu ouvido, mas endureceram a sua cerviz, para não me ouvirem, nem receberem a instrução. Apesar disso, se me ouvirdes..." (Jer. XVII, 23-24). "... e vossos pais não me ouviram, nem inclinaram o seu ouvido ( Jer. XXXIV,14). "Não ouviram, nem inclinaram o seu ouvido para se converterem de suas maldades e para não sacrificarem a deuses estranhos" (Jer. XLIV, 5).
Nos Atos dos Apóstolos está dito: "Vai a esse povo e dize-lhes: ‘Com o ouvido ouvireis e não entendereis, e, vendo, vereis e não distinguireis. Porque o coração desse povo tornou-se insensível, e são duros dos ouvidos, e fecharam os seus olhos para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos e entendam com o coração, e se convertam, e Eu os sare" (Atos, XXVIII, 26-28).
Como o protestante lê que "O ouvido do sábio busca a doutrina" (Prov. XVIII, 15), e continua apenas lendo?
E como continua apenas lendo, se está dito que "o ouvido virtuoso ouvirá a Sabedoria" (Sir. III, 31), e não que "lerá" a sabedoria?
Dirão: "Esses são livros que não aceitamos como inspirados". Confessarão, assim, que são eles que determinam o que foi inspirado ou não; que é sua opinião que vale, e não o que ensina a Igreja.
Mesmo assim, por que não compreendem que os Salmos, que eles aceitam como inspirados, dizem a mesma doutrina? Nos salmos se pode encontrar esta palavra: "Escuta, ó filho, vê e inclina o teu ouvido" (Sl. XLIV, 5).
E mais: "Ouvi todos isso, ó nações, estai atentos vós todos os que povoais a terra" (Sl XLVIII,2). "A minha boca falará a sabedoria e a meditação de meu coração é sensata. Inclinarei à parábola o meu ouvido..." (Sl. XLVIII 4-5).
Também o salmo LXXVII, 20 repete a mesma lição: "Escuta - não diz lê - a minha lei, povo meu. Inclina os teus ouvidos às palavras de minha boca". A lei estava escrita; entretanto, Deus manda não que se leia, mas que se ouça.
É monótono repetir tantas vezes a mesma coisa, mas a teimosia exige a repetição. Por isso, foi também que Deus insistiu tanto no uso do verbo ouvir e não do verbo ler.
Tendo demonstrando que os Salmos ensinam a mesma coisa que os Provérbios, citaremos mais uma passagem desse livro: "Filho meu, ouve meus discursos e inclina o teu ouvido às minhas palavras" (Prov. IV, 20). "Inclina o teu ouvido, e ouve as palavras da sabedoria, e aplica o coração às minhas palavras" (Prov. XXII, 17).
E mais uma vez: "Meu filho, atende à minha sabedoria, e inclina o teu ouvido à minha prudência" (Prov. V, 1). O ensinamento é constante e invariável: deve-se ouvir. O ensinamento que se repete não é: deve-se ler. Só os protestantes insistem em não ouvir. Eles só pensam que sabem, e que devem ler. Que todos sabem, e que todos devem ler. E exigem que se leia, não que se ouça. A recomendação deles, portanto, é contrária à de Deus.
Às palavras sábias e inspiradas que até aqui reproduzimos, o protestante poderia responder: "Não ouvi a voz dos que ensinavam, nem dei ouvidos aos mestres" (Prov. V, 13). Nosso Senhor Jesus Cristo os previne, com as palavras do evangelho de São João, de que são seus discípulos os que ouvem a voz do pastor, daquele que foi posto pelo porteiro, pois ninguém pode se dar a si mesmo o título de pastor. Deve e só pode recebê-lo do porteiro. E o porteiro tem que ter as chaves da porta, para abrir e fechar. E as chaves foram dadas a Pedro. Portanto, quem não reconhece a voz do pastor autorizado pelo porteiro, não pode se salvar: "Mas o que entra pela porta é pastor das ovelhas. A este o porteiro abre e as ovelhas ouvem a sua voz, ele as chamará pelo nome e as tirará para fora" (Jo. X, 2).
Inúmeros outros textos poderiam ser citados comprovando, todos, esta mesma lição: nem todos devem ler a Sagrada Escritura. Todos somos obrigados a ouvir o que Deus nos ensinou por ela. E quem Deus encarregou de ensinar a Revelação? Cristo deu a Pedro as chaves do Reino dos Céus (Cfr. Mt. XVI,13-20). É pois o papa, sucessor de Pedro, quem tem o munus de ensinar o que está contido na Revelação.
É o que diz Leão XIII, na encíclica Providentissimus Deus: "É preciso observar que, se os escritos antigos são mais ou menos difíceis de serem entendidos, para entender a Bíblia há, em acréscimo, ainda outras razões particulares. Porque a linguagem bíblica é usada, sob inspiração do Espírito Santo, para expressar muitas coisas que estão além do poder e do alcance da razão; noutras palavras, os mistérios divinos e tudo o que está relacionado com eles. Há, muitas vezes, em algumas passagens uma plena e escondida profundidade de significado, que a letra expressa com dificuldade e que as leis da interpretação gramatical dificilmente garantem. Mais ainda, o próprio sentido literal freqüentemente admite outros sentidos, adaptados para ilustrar o dogma ou para confirmar a moral. Porque, é preciso reconhecer que a Sagrada Escritura está envolta em uma certa obscuridade religiosa, e que nem toda pessoa pode penetrar em seu interior sem um guia: Deus assim dispondo, como ensinavam comumente os Santos Padres, para que os homens pudessem investigar as Escrituras com mais ardor e seriedade, e para que, o que fosse atingido com mais dificuldade calasse mais profundamente na mente e no coração; e, mais que tudo, para que eles pudessem compreender que Deus entregou as Sagradas Escrituras para a Igreja, e que lendo e fazendo uso de sua palavra, eles deveriam seguir a Igreja como sua Guia e sua Mestra.
A necessidade de haver uma Guia e Mestra para compreender a Sagrada Escritura decorre, então, do próprio modo como Deus a fez redigir.
E por que Deus não fez os homens com capacidade de lerem e entenderem a Sagrada Escritura sem necessitar de outro homem como mestre e guia? Por que quer Deus que o homem aprenda pela boca de outro e receba a Fé pelo ouvido? Não poderia Deus ter feito como os protestantes pensam que Ele fez, inspirando cada um para que lesse a Escritura e dando ao leitor a compreensão de seu sentido objetivo por inspiração divina direta?
Deus não fez assim porque Ele quer salvar os homens por meio de homens. Por isso, Ele escolheu Apóstolos e Discípulos e lhes ordenou: "Ide, pois, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mat. XXVIII, 19).
Deus quis que alguns homens fossem meio de salvação para outros para que os homens se amassem mutuamente, visto que ensinar a verdade a um homem é praticar um ato de sumo amor por ele.
A posição protestante, que não admite nenhum homem como intermediário como meio de ensinar a verdade, é contrária ao que revela a própria Bíblia, que nos mostra que Deus incumbiu alguns de ensinarem outros, e que a Fé vem pelo ouvido. A recusa de ter qualquer mestre é reveladora de um profundo orgulho. E é uma atitude tão contrária à realidade que os mesmos que não admitem que um homem ensine outro, vão de porta em porta ensinando a outros que devem ler a Bíblia. E, depois, lêem na Bíblia que "A letra mata" (II Cor. III, 6).

IV - Sentidos das palavras e da Escritura

Erram também os protestantes ao supor que possam, sozinhos, compreender os vários sentidos da Sagrada Escritura. Antes de qualquer análise desses sentidos, porém, haver-se-ia que levantar um problema preliminar: quais os livros que fazem parte da Bíblia? Os judeus tinham muitos outros livros religiosos que, entretanto, não foram considerados inspirados por Deus, e, por isso, nunca fizeram parte da lista dos livros da Sagrada Escritura. Eram os chamados livros apócrifos. Também depois da ressureição de Cristo e de sua Ascenção ao Céu surgiram muitos livros apócrifos que não foram tidos como inspirados e nem foram incluídos no rol dos livros do Novo Testamento. Tipos de palavras

Quem julgou quais livros fazem parte dos textos inspirados por Deus? Essa é uma questão fundamental. De sua solução dependerá a fé. Entre os antigos judeus, foi a tradição que estabeleceu os critérios de inspiração. No Novo Testamento, foram a Tradição e a Igreja que determinaram quais os livros inspirados por Deus e que devem fazer parte do cânon das Escrituras.
Conhecidos quais os livros componentes da Bíblia, há que tratar ainda de outros problemas de interpretação.

Não pretendemos fazer, neste simples artigo, uma exposição exaustiva de exegese. Visamos apenas indicar certos problemas existentes na leitura da Bíblia. Por isso, nos ateremos apenas a aludir a alguns pontos mais importantes da exegese bíblica.
As palavras humanas são de três tipos diferentes.
Algumas palavras têm um só sentido: são as palavras unívocas. Ex. copo, giz, vento, água.
Um segundo tipo de palavras é o daquelas que têm vários sentidos diferentes, sem qualquer relação entre si: são as palavras equívocas. Ex. manga, que tanto pode significar uma fruta quanto uma parte do vestuário. Vela é um segundo exemplo de palavra equívoca, porque pode significar um objeto para ser aceso e iluminar, ou uma tela para captar o vento e mover um barco. E não há relação alguma entre vela de pavio e vela de navio.
O terceiro tipo de palavras é o daquelas que têm vários sentidos com alguma relação entre si. Essas são as chamadas palavras análogas. Por exemplo, a palavra pé pode ser usada para designar uma parte do corpo humano, uma parte de um animal, ou ainda o pé de uma cadeira. É claro que essas três coisas designadas pela palavra pé têm algo em comum que as torna semelhantes. Todas sustentam algo. Mas é claro também que o pé de uma cadeira só é pé por analogia ou semelhança com o pé humano: ambos dão sustentação, ao corpo do homem e à cadeira. Pé é uma palavra análoga.
Ora, ao falarmos ou escrevermos, usamos os três tipos de palavras, o que pode provocar enganos ou erros de interpretação do que queremos dizer. Com as Sagradas Escrituras ocorre o mesmo: Deus usou os três tipos de palavras, o que pode provocar erros de interpretação.
Tome-se, por exemplo, a palavra irmão. Se a palavra irmão for tida como unívoca – significando filhos de um mesmo casal – então, quando se lê que os irmãos de Jesus foram a seu encontro, se concluirá que Nossa Senhora teve vários filhos, e que, portanto, não permaneceu virgem. E essa é a interpretação seguida pelos pastores protestantes.
Ora, esses mesmo pastores, ao falarem a seus correligionários na praça, se referem a eles como irmãos. Considerando, eles, que a palavra irmão é unívoca, estarão dizendo que todos os que estão na praça são seus irmãos carnais, e estarão afirmando que houve com os pais deles um número enorme de adultérios. O pastor estaria ofendendo a todos, chamando-os de filhos adulterinos. Evidentemente, isso é um absurdo.
Quando o pastor chama seus correligionários de irmãos, ele está usando o termo em sentido análogo: ele quer dizer que todos os correligionários são irmãos numa mesma crença, no caso, crença herética.
Portanto, o termo irmão é análogo, e não unívoco. Irmãos de Jesus, então, não significa irmãos carnais. Na linguagem bíblica, irmão quer dizer apenas parente. Por isso, Abraão chamava Lot de irmão (Gn. XIII, 8) quando este era, na verdade, seu sobrinho (Gn. XII, 5).
O fato de haver nas Sagradas Escrituras termos unívocos, análogos e equívocos pode provocar interpretações falsas, que redundam até em heresia.
De que nos adiantaria termos a Bíblia se, não tendo meio de distinguir o sentido das palavras - que variam conforme o seu tipo - não a interpretaríamos segundo o sentido que Deus quis usar? Modos de empregar as palavras
Há ainda outra dificuldade proveniente dos vários sentidos que pode ter uma palavra, conforme é empregada de modo relativo ou absoluto.
Veja-se outro exemplo: a palavra odiar.
Essa palavra normalmente significa querer o mal, isto é, a perda de um bem. Deus condena o ódio, e Cristo ordenou que amássemos o nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. Entretanto, Cristo disse: "Aquele que não odiar seu pai e sua mãe por minha causa, não pode ser meu discípulo" (Luc. XIV, 26)
Isso parece, à primeira vista, ser o contrário do que Deus ordenou no quarto mandamento do Decálogo: "Honra teu pai e tua mãe para que tenhas uma vida dilatada sobre a terra que o Senhor teu Deus te dará" (Ex. XX,12).
Evidentemente, Cristo não pode ter ordenado que se odeie aos pais, nem pode ter posto o ódio aos pais como condição para ser seu discípulo. Cristo empregou o verbo odiar em sentido relativo, e não em sentido absoluto. Ele quis dizer que, havendo oposição entre o amor aos pais e o amor a Deus, deve-se preferir o serviço de Deus e até abandonar os pais, se for necessário, para servir a Deus, praticando com relação aos pais um ato de ódio relativo. Entre o amor absoluto, que devemos somente a Deus, e o amor relativo aos pais, devemos, caso seja necessária uma opção, preferir o amor a Deus.
A Sagrada Escritura, como qualquer outro tipo de texto, emprega as figuras de estilo próprias da linguagem humana: usa de metáforas, comparações, hipérboles, sinédoques, etc.
Freqüentemente, é impossível, portanto, tomar as palavras em seu sentido próprio. Deve-se entendê-las figuradamente, de acordo com o tipo de figura de retórica utilizada.
Assim, quando Cristo chama Herodes de "essa raposa" (Luc. XIII, 32) seria absurdo entender o termo de modo literal e não metafórico. Quando Ele chama os fariseus de "filhos do demônio" (Jo. VIII 44), embora o demônio não possa de fato ter filhos de modo próprio - pois ele não tem corpo nem capacidade de gerar filhos - ele pode ter "filhos" de modo analógico. Portanto, a expressão "filhos do demônio" aplicada aos fariseus não é propriamente uma metáfora, e sim uma outra forma de analogia.
A Sagrada Escritura contém livros de vários gêneros literários diferentes. Lá, existem livros históricos, proféticos, hinos, orações, textos jurídicos ou legais, livros sapienciais. Conforme o gênero literário empregado, há um modo diverso de entender as palavras. O que é contado num livro histórico são fatos realmente acontecidos. As imagens empregadas nas profecias são figuras simbólicas de fatos futuros não acontecidos. Assim, os animais da profecia de Daniel são símbolos de reinos que haveriam de vir, e a própria Bíblia os explica assim (Dan. VII, 17).
É importante compreender que as palavras podem ter variações de significado conforme a época em que foram usadas. Hoje, a palavra "formidável" significa coisa de grande valor, excelente, como quando se diz: "Esse livro é formidável". Entretanto, a palavra formidável, originalmente, queria dizer "coisa que dá medo". Esse significado desapareceu em nossos dias. Por essa razão, deve-se conhecer o significado e o contexto histórico de um texto.
Cada autor emprega as palavras no sentido em que eram usadas em sua época. É necessário, pois, conhecer o contexto histórico em que viveu o autor de um livro sagrado.
Nosso Senhor Jesus Cristo, para ensinar ao povo, freqüentemente empregava parábolas, que são pequenas histórias fictícias, contendo ensinamentos doutrinários, morais e místicos.
O Evangelho contém inúmeras parábolas, a ponto de São Marcos dizer: "Não lhes falava sem parábolas, porém tudo explicava em particular a seus discípulos" (Mc. IV, 34).
Por que falar em parábolas? Por que, muitas vezes, Nosso Senhor se exprimia parabolicamente e não falava diretamente?
Os próprios Apóstolos, certa vez, fizeram essa pergunta a Jesus, que lhes respondeu, dizendo: "Porque a vós é concedido conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido. Porque ao que tem lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem" (Mt. XIII, 11 –13).
A parábola contém um ensinamento literal facilmente acessível aos homens simples, mas, sem qualquer violação do sentido literal primeiro, pode conter outros ensinamentos doutrinários, morais, ou místicos.
Isso nos conduz à questão dos sentidos das Sagradas Escrituras.
Normalmente distinguem-se quatro sentidos fundamentais nas Sagradas Escrituras:
1 - O Sentido Literal;
2 - O Sentido Doutrinário;
3 - O Sentido Moral;
4 - O Sentido Místico.
O sentido literal é o fundamental, e nele, sem violação ou sem forçar o texto, podem ser encontrados os outros três sentidos fundamentais.
Daí, os famosos versos: "Littera gessa docet; quid credas, allegoria;
Moralis, quid agas; quo tendas, anagogia"
(A letra ensina os fatos; o que deves crer, a alegoria;
O que deves fazer, o moral; a que deves tender, a anagogia)
Sentido literal é aquele que é expresso de modo verdadeiro, real, atual, imediato e desejado pelo autor do texto sagrado. É o sentido que decorre diretamente do texto, sem que seja feita uma dilatação, ou extensão, do sentido das palavras além do normal; é o sentido atual, e não uma dedução silogística; imediato, e não por analogia ou simbolicamente.
O sentido literal, ele mesmo, pode ter vários sentidos diversos. Por exemplo, na profecia de Caifás. Ao dizer ele: "Convém que morra um homem pelo povo" (Jo XI, 50). A própria seqüência do Evangelho explica que Caifás, ao dizer isso, profetizou, dizendo de fato outra coisa (Cfr. Jo. XI, 51).
Além disso, pode-se inferir, legitimamente, um sentido derivado do literal: é o Sentido Derivativo, ou conseqüente, que é aquele que legitimamente decorre do sentido genuíno literal.
É o que faz São Paulo ao citar a frase de Jeremias "Não se glorie o sábio no seu saber, nem o forte na sua força, nem se glorie o rico em suas riquezas" (Jer. IX, 23). São Paulo diz: "O que se gloria, glorie-se no Senhor" (I Cor. I, 31).
Do sentido literal pode-se ainda fazer uma acomodação, quer extensiva, quer alusiva. Pela acomodação, as palavras da Sagrada Escritura são aplicadas analogicamente a um outro sujeito ou a coisa diferente daquela a que se aplicava originalmente um texto escriturístico anterior, ou ainda fazendo-se alusão a palavras usadas na Escritura em outro contexto.
Acomodação extensiva é aquela que foi feita usando o texto do Eclesiástico: "Noé foi encontrado perfeito e justo, e no tempo da ira tornou-se a reconciliação dos homens" (Jer XLIV, 17"), aplicando-se o que foi dito de Noé para outros personagens santos.
Acomodação alusiva foi o que fez Nosso Senhor Jesus Cristo ao usar as palavras do Salmo VI, 9: "Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade, porque o Senhor ouviu a voz de meu pranto", no Sermão da Montanha: "Então eu lhes direi bem alto: "Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniqüidade" (Jo. VII, 23).
O sentido literal inclui o sentido próprio e o sentido figurativo.
Quando a Bíblia fala do braço de Deus, ela não quer dizer que Deus, de fato, tenha braço. É um modo figurado de dizer que Deus tem poder. Esse sentido figurativo sempre tem base no sentido literal, mas não deve ser entendido de modo próprio.
No sentido literal está incluído o sentido típico.
Chama-se típico esse sentido porque usa um "tipo" (pessoa, animal, coisa ou fato acontecido) como imagem ou figura de outro, que seria o antitipo.
O Tipo conduz ao sentido espiritual, isso é, ao Antitipo.
Exemplos de Tipo e de Antitipo são Isaac e Cristo, o sacrifício de Abraão e o sacrifício do Calvário, o sono de Adão e morte de Cristo, e tantos outros mais.
O sentido típico difere do sentido acomodatício, porque é realmente expresso. Difere da conseqüência, porque é atualmente expresso, e não deduzido. Difere do literal, porque não é expresso imediatamente.
O Sentido Típico é chamado Alegórico, ou doutrinário, quando exprime uma verdade em que se deve crer.
Chama-se Sentido Moral, quando exprime o que se deve fazer.
Finalmente, chama-se Sentido Místico, quando exprime aquilo que devemos amar, e a que devemos tender.
Assim, Jerusalém, a cidade santa dos judeus, alegoricamente, significa a Igreja Católica; moralmente, significa o céu, o bem esperado, que só se alcança pela prática dos mandamentos; e, misticamente, representa a alma.

V - Conclusão

Levando em conta tudo isso, compreende-se que é extremamente difícil interpretar corretamente a Bíblia, e que imensa confusão produz o livre exame.
Por isso, São Pedro previne em sua segunda Epístola: "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular" (II Pe. I, 20).
Daí a necessidade de Deus ter dado a alguém "as chaves" de sua interpretação. Foi Pedro quem recebeu essas chaves, quando o próprio Cristo lhe disse: "Bem aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque não foi a carne, ou o sangue que te inspiraram, mas meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro, e sobre essa pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus" (Mt. XVI, 17-20)
Portanto, somente o Papa pode dar a interpretação certíssima e indubitável das Sagradas Escrituras, devendo os fiéis ouví - la e observá-la docilmente.
Compreende-se agora claramente o que disseram os Provérbios:
"Assim como o espinheiro está na mão do bêbado, assim está a parábola no boca dos ignorantes" (Mt. XXI, 42)


Para citar este texto:
MONTFORT Associação Cultural