«O Abandono na Providência divina», cap. 11, §§
191ss - Jean-Pierre de Caussade (1675-1751), jesuíta
Desde a origem do mundo que Jesus
Cristo vive em nós; Ele opera em nós durante todo o tempo da nossa vida […];
começou em Si mesmo e continua nos seus santos uma vida que nunca acaba. […] Se
«nem caberiam no mundo inteiro os livros que era preciso escrever» sobre o que
Ele fez e disse e sobre a sua própria vida, se o Evangelho esboça apenas alguns
traços, se a primeira hora é tão desconhecida e tão fecunda, quantos evangelhos
não seria preciso escrever para narrar a história de todos os momentos desta
vida mística de Jesus Cristo, que multiplica os milagres indefinidamente e os
multiplicará eternamente, uma vez que os tempos mais não são do que a história
da ação divina? O Espírito Santo gravou em traços infalíveis e incontestáveis
alguns momentos desta vasta duração, coligindo nas Escrituras algumas gotas
deste mar e revelando de que maneira secreta e desconhecida trouxe Jesus Cristo
ao mundo. […]
O resto da história desta ação divina, que consiste em toda a vida mística que Jesus vive nas almas santas até ao fim dos séculos, é o objeto da nossa fé. […] O Espírito Santo já não escreve evangelhos senão nos corações; todas as ações, todos os momentos dos santos são o evangelho do Espírito Santo; as almas santas são o papel, os seus sofrimentos e atos são a tinta. Com a pena da sua ação, o Espírito Santo escreve um evangelho vivo. E só poderemos lê-lo quando for publicado na glória, após ter saído da imprensa desta vida.
Oh, que bela história! Que livro belo o Espírito Santo está a escrever! Ele está no prelo, santas almas, e não há dia em que não se componham as letras, não se aplique a tinta, não se imprimam as folhas. Mas estamos na noite da fé: o papel é mais negro do que a tinta […]; trata-se de uma língua do outro mundo, que não compreendemos; só podereis ler este evangelho no Céu.
O resto da história desta ação divina, que consiste em toda a vida mística que Jesus vive nas almas santas até ao fim dos séculos, é o objeto da nossa fé. […] O Espírito Santo já não escreve evangelhos senão nos corações; todas as ações, todos os momentos dos santos são o evangelho do Espírito Santo; as almas santas são o papel, os seus sofrimentos e atos são a tinta. Com a pena da sua ação, o Espírito Santo escreve um evangelho vivo. E só poderemos lê-lo quando for publicado na glória, após ter saído da imprensa desta vida.
Oh, que bela história! Que livro belo o Espírito Santo está a escrever! Ele está no prelo, santas almas, e não há dia em que não se componham as letras, não se aplique a tinta, não se imprimam as folhas. Mas estamos na noite da fé: o papel é mais negro do que a tinta […]; trata-se de uma língua do outro mundo, que não compreendemos; só podereis ler este evangelho no Céu.
"Onde há vontade, há um Caminho"

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