O objeto da guerra contra as paixões é a impassibilidade - estado abençoado
atingido por muitos Santos.
"Aquele que tornou-se um amante de Deus e pretende participar, ainda
que imperfeitamente, na impassibilidade de Deus, na santidade espiritual, na
serenidade, quietude e humildade, e experimentar o gosto de júbilo e alegria
que nasce dessas virtudes, deve esforçar-se em conduzir seus pensamentos às
coisas divinas com olhos claros e desanuviados, fruindo insaciavelmente a Luz
Divina. Um homem que tenha implantado essa atitude em sua alma torna-se deus,
na medida em que isso seja possível, e é amado e recebido por Ele como alguém
que corajosamente tomou para si esse trabalho grande e difícil. Ele torna-se
capaz, apesar de sua natureza ainda estar ligada à matéria, de conversar com
Deus enviando-lhe pensamentos puros despidos de paixões carnais"(São
Basílio, o Grande).
Isso não significa que alguém que seja impassível nunca sinta nenhuma
paixão. Ele ainda tem uma natureza decaída, e a terá até a morte. Assim, por
serem as paixões inextrincavelmente parte dessa natureza, elas devem ser
conquistadas, nunca porém desarraigadas.
"A impassibilidade não impede que seja atacado pelos demônios pois se
esse fosse o caso, nós sairíamos fora do mundo (I Co. 5, 10). Melhor
explicando, ser impassível significa permanecer-se inconquistado quando
atacado. E assim, como os guerreiros com armaduras ouvem o som de setas
sibilantes quando são atacados, mas permanecem sem ferimentos dada a resistência
das armaduras, imunes na batalha, assim também permaneceremos se estivermos
vestidos com justiça na armadura da luz e com o elmo da salvação"
(Diadochus).
"Graças a muitos tipos de virtudes, visíveis ou invisíveis, que os
santos adquiriram, as paixões perdem poder sobre eles não podendo assim
levantarem-se facilmente para atacá-los. Desse modo, a mente não precisa mais
ficar prestando atenção nas paixões e pode ser ocupada com pensamentos, estudos
e investigando as mais perfeitas contemplações... Assim que as paixões começam
a se mover e serem excitadas, a mente é subitamente elevada por cima delas por
uma percepção das coisas Divinas. Então, as paixões permanecem sem efeito"
(São Isaac, o Sírio).
"As almas, que tem por Deus um amor ardente e insaciável, estão
destinadas à vida eterna, por essa razão a libertação das paixões é concedida a
elas e elas obtém perfeitamente a radiosa participação da inexprimível e
mística amizade do Espírito Santo, a plenitude da Graça" (São Macário, o
Grande - Homily 10).
"Como o céu é adornado pelas estrelas, a impassibilidade, é adornada
pelas virtudes; pois a impassibilidade é nada mais do que o céu interno na
mente, onde os jogos e armadilhas dos demônios são encarados como simples
brinquedos. E assim o verdadeiro impassível é aquele que... elevou sua mente
acima de todas as coisas criadas e subjugou todos os seus sentidos, mantendo
sua alma na presença de Deus, dirigindo-se sempre para Deus mesmo quando isso
está além de suas forças... Aquele a quem foi concedido tal estado, enquanto
ainda no corpo, tem Deus sempre habitando nele como seu Guia para todas as
palavras, atos e pensamentos... O impassível não vive mais, mas é Cristo que
vive nele (Gal. 2, 20)" (São João Clímaco - A Escada Santa).
"Onde há vontade, há um Caminho"

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