No caminho Monástico Eremítico
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Os Monges Eremitas do Monte Tabor, de Santo Antão e de São
Paulo de Tebas, recebem o nome de «Monte Tabor», no qual segundo a tradição
ocorreu a Transfiguração de Jesus. Com a leitura das linhas seguintes poderá
conhecer um pouco melhor o caminho monástico destes monges eremitas.
Segundo
o Evangelho segundo São Lucas (Lc 9,28-36), Jesus levando Consigo um pequeno
grupo de entre os Seus discípulos, apenas:
«Pedro, João e Tiago subiu
ao monte para orar. Enquanto orava o aspecto do seu rosto modificou-se, e as
vestes tornaram-se-Lhe de uma brancura fulgurante.»
Jesus conduziu Pedro, João e Tiago ao deserto do monte
para orar. Também o monge eremita homem de oração é chamado ao deserto.
Chamado a permanecer nele como hóstia de louvor; a contemplar, como Maria
(irmã de Marta) que se «sentara aos pés do Senhor e
escutava a Sua palavra»
(Lc 10,39-42); a subir o monte da «intimidade divina»; a reproduzir com
fidelidade a imagem de Deus.
A vocação dos monges eremitas não é «alheamento»,
assim nos recorda um monge do deserto (Evágrio Pontico, séc. IV): «É monge
aquele que está separado de todos para estar unido a todos».
«E dois homens conversavam com
Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da Sua
morte, que ia dar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de
sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam
com Ele. Quando eles iam a separar-se de Jesus, Pedro disse-Lhe: «Mestre, é
bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra
para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma
nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da
nuvem veio uma voz que disse: «Este é o Meu Filho predilecto, escutai-O».»
A
escuta e a meditação da Palavra de Deus no Antigo e Novo Testamento, aqui
representados neste trecho do Evangelho em Jesus, Moisés e Elias, de modo
particular no exercício da «Lectio divina», como a Santíssima Virgem Maria,
que «conservava todas as
coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2,19), é no dia-a-dia do monge eremita um dos atos
importantes para que se vá transformando cada dia mais naquele que é «a imagem visível do Deus
invisível» (Cl 1,15). As palavras «tendas» e «nuvem» (que
na linguagem bíblica simboliza a glória de Deus ou a sua presença no
tabernáculo) as quais lembram o êxodo do povo israelita do Egito para a Terra
Prometida, recorda aos monges eremitas a sua condição de peregrinos na terra.
O despertar de Pedro e dos companheiros que «estavam a cair de sono»
recorda-nos o dever de estar vigilante, de caminhar cada dia com sobriedade e
discrição, com o olhar fixo em Cristo.
«E, quando a voz se fez
ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias,
nada contaram a ninguém do que tinham visto.»
O
monge eremita, pregando não por palavras mas pelo seu testemunho de vida
escondida com Cristo em Deus, deve no dia-a-dia, com zelo, guardar o
silêncio; não um silêncio qualquer, mas sim um «silêncio monástico»,
necessário para crescer na união com Deus. Para o monge eremita o silêncio
não é uma 'pausa' semelhante à que ocorre, quando depois de muita actividade
se realiza um breve retiro espiritual; é sim o meio necessário onde se
desenvolve e floresce a vocação à vida monástica eremítica.
Segundo
o evangelista São Lucas (Lc 9,37), Jesus e os discípulos que levara Consigo «No dia seguinte, ao descerem do
monte, veio-lhes ao encontro uma grande multidão.». É
próprio do monge eremita orar pelas pessoas que o procuram em busca das suas
orações; do mesmo modo também o faziam os nossos Santos Padres e Madres do
Deserto. Na consagração a Deus na vida monástica puramente contemplativa, a
qual é também doação aos homens e mulheres nossos irmãos, o monge eremita,
correspondendo com fidelidade ao amor de Deus faz da sua vida uma entrega
absoluta ao dinamismo interior da caridade; ora e intercede pelas
necessidades da Igreja e de toda a Humanidade; e junto com o seu testemunho
de vida escondida com Cristo em Deus colabora na renovação e transformação da
realidade concreta do mundo. Na realidade foi principalmente com a imolação
de Si mesmo e com a oração fervorosa ao Pai que Nosso Senhor Jesus Cristo
remiu a humanidade, escrava do brilho falso existente no pecado e oprimida
por ele. Por isso, conforme as palavras de S.S. Papa João XXIII (Causa
praeclara): «todo aquele que pretender imitar este aspecto
especificamente interior da missão salvífica de Cristo exerce um autêntico
apostolado, embora não realize qualquer actividade apostólica exterior ».
No
monte da Transfiguração, Jesus Cristo que é a Luz Verdadeira (Jo 1,9),
fortalece a fé dos discípulos que levara Consigo. Antes de prosseguir até
Jerusalém onde consumará a Sua obra redentora Jesus prepara-os deste modo
para o momento da noite, quando morrer na cruz. Neste trecho do
Evangelho mostra-se ao monge eremita de modo claro que a sua jornada na terra
é um «caminhar na fé», e também um «procurar subir» cada vez mais, com a
ajuda de Deus, o monte da «pureza interior e união com Deus». Conforme nos
diz São João Clímaco (Escada, D. 27): «a fé é a asa da oração». Uma
fé viva estimula a esperança. Num outro capítulo (Escada, D. 30) São João
Clímaco diz-nos: «A caridade, a impassibilidade e a adopção filial somente
se distinguem pelo nome. Como a luz, o fogo e a chama concorrem a um único
efeito, ocorre o mesmo com essas três realidades».
Progredindo
em união com Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cada
monge ermita é chamado a procurar em todas as acções do dia-a-dia, a maior
glória de Deus, colaborando tanto quanto for possível na obra redentora de
Jesus Cristo, obra cuja morte na cruz em Jerusalém foi predita por Moisés e
Elias a Pedro, João e Tiago no monte da Transfiguração.
Os
monges eremitas recebem também o nome «de Santo Antão e de São Paulo de
Tebas». Na concretização prática do género de vida monástica, os monges
eremitas recebem os modelos, os ensinamentos e a herança espiritual da
tradição monástica primitiva, designadamente dos «Padres e Madres do
Deserto»; de entre eles, Santo Antão e São Paulo de Tebas são
nossos patronos principais.
«A
hesiquia é um culto e uma constante presença ante Deus» – São João
Clímaco
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"Onde há vontade, há um Caminho"

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