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sexta-feira, 16 de março de 2018

EREMITAS: Monges Eremitas do Monte Tabor, de Sto. Antão e de S. Paulo de Tebas




No caminho Monástico Eremítico


Os Monges Eremitas do Monte Tabor, de Santo Antão e de São Paulo de Tebas, recebem o nome de «Monte Tabor», no qual segundo a tradição ocorreu a Transfiguração de Jesus. Com a leitura das linhas seguintes poderá conhecer um pouco melhor o caminho monástico destes monges eremitas.

Segundo o Evangelho segundo São Lucas (Lc 9,28-36), Jesus levando Consigo um pequeno grupo de entre os Seus discípulos, apenas:
«Pedro, João e Tiago subiu ao monte para orar. Enquanto orava o aspecto do seu rosto modificou-se, e as vestes tornaram-se-Lhe de uma brancura fulgurante.»

Jesus conduziu Pedro, João e Tiago ao deserto do monte para orar. Também o monge eremita homem de oração é chamado ao deserto. Chamado a permanecer nele como hóstia de louvor; a contemplar, como Maria (irmã de Marta) que se «sentara aos pés do Senhor e escutava a Sua palavra» (Lc 10,39-42); a subir o monte da «intimidade divina»; a reproduzir com fidelidade a imagem de Deus.
A vocação dos monges eremitas não é «alheamento», assim nos recorda um monge do deserto (Evágrio Pontico, séc. IV): «É monge aquele que está separado de todos para estar unido a todos».

«E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da Sua morte, que ia dar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando eles iam a separar-se de Jesus, Pedro disse-Lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o Meu Filho predilecto, escutai-O».»

A escuta e a meditação da Palavra de Deus no Antigo e Novo Testamento, aqui representados neste trecho do Evangelho em Jesus, Moisés e Elias, de modo particular no exercício da «Lectio divina», como a Santíssima Virgem Maria, que «conservava todas as coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2,19), é no dia-a-dia do monge eremita um dos atos importantes para que se vá transformando cada dia mais naquele que é «a imagem visível do Deus invisível» (Cl 1,15). As palavras «tendas» e «nuvem» (que na linguagem bíblica simboliza a glória de Deus ou a sua presença no tabernáculo) as quais lembram o êxodo do povo israelita do Egito para a Terra Prometida, recorda aos monges eremitas a sua condição de peregrinos na terra. O despertar de Pedro e dos companheiros que «estavam a cair de sono» recorda-nos o dever de estar vigilante, de caminhar cada dia com sobriedade e discrição, com o olhar fixo em Cristo.

«E, quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.»
O monge eremita, pregando não por palavras mas pelo seu testemunho de vida escondida com Cristo em Deus, deve no dia-a-dia, com zelo, guardar o silêncio; não um silêncio qualquer, mas sim um «silêncio monástico», necessário para crescer na união com Deus. Para o monge eremita o silêncio não é uma 'pausa' semelhante à que ocorre, quando depois de muita actividade se realiza um breve retiro espiritual; é sim o meio necessário onde se desenvolve e floresce a vocação à vida monástica eremítica.

Segundo o evangelista São Lucas (Lc 9,37), Jesus e os discípulos que levara Consigo «No dia seguinte, ao descerem do monte, veio-lhes ao encontro uma grande multidão.». É próprio do monge eremita orar pelas pessoas que o procuram em busca das suas orações; do mesmo modo também o faziam os nossos Santos Padres e Madres do Deserto. Na consagração a Deus na vida monástica puramente contemplativa, a qual é também doação aos homens e mulheres nossos irmãos, o monge eremita, correspondendo com fidelidade ao amor de Deus faz da sua vida uma entrega absoluta ao dinamismo interior da caridade; ora e intercede pelas necessidades da Igreja e de toda a Humanidade; e junto com o seu testemunho de vida escondida com Cristo em Deus colabora na renovação e transformação da realidade concreta do mundo. Na realidade foi principalmente com a imolação de Si mesmo e com a oração fervorosa ao Pai que Nosso Senhor Jesus Cristo remiu a humanidade, escrava do brilho falso existente no pecado e oprimida por ele. Por isso, conforme as palavras de S.S. Papa João XXIII (Causa praeclara): «todo aquele que pretender imitar este aspecto especificamente interior da missão salvífica de Cristo exerce um autêntico apostolado, embora não realize qualquer actividade apostólica exterior ».

No monte da Transfiguração, Jesus Cristo que é a Luz Verdadeira (Jo 1,9), fortalece a fé dos discípulos que levara Consigo. Antes de prosseguir até Jerusalém onde consumará a Sua obra redentora Jesus prepara-os deste modo para o momento da noite, quando morrer na cruz. Neste trecho do Evangelho mostra-se ao monge eremita de modo claro que a sua jornada na terra é um «caminhar na fé», e também um «procurar subir» cada vez mais, com a ajuda de Deus, o monte da «pureza interior e união com Deus». Conforme nos diz São João Clímaco (Escada, D. 27): «a fé é a asa da oração». Uma fé viva estimula a esperança. Num outro capítulo (Escada, D. 30) São João Clímaco diz-nos: «A caridade, a impassibilidade e a adopção filial somente se distinguem pelo nome. Como a luz, o fogo e a chama concorrem a um único efeito, ocorre o mesmo com essas três realidades».

Progredindo em união com Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cada monge ermita é chamado a procurar em todas as acções do dia-a-dia, a maior glória de Deus, colaborando tanto quanto for possível na obra redentora de Jesus Cristo, obra cuja morte na cruz em Jerusalém foi predita por Moisés e Elias a Pedro, João e Tiago no monte da Transfiguração.

Os monges eremitas recebem também o nome «de Santo Antão e de São Paulo de Tebas». Na concretização prática do género de vida monástica, os monges eremitas recebem os modelos, os ensinamentos e a herança espiritual da tradição monástica primitiva, designadamente dos «Padres e Madres do Deserto»; de entre eles, Santo Antão e São Paulo de Tebas são nossos patronos principais.


«A hesiquia é um culto e uma constante presença ante Deus» – São João Clímaco



"Onde há vontade, há um Caminho"

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