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sexta-feira, 30 de março de 2018

A PÁSCOA DE JESUS




O salmo dois, exuberantemente messiânico e centrado no senhorio de Deus sobre todas as coisas, principia revelando aquela que é a essência do pecado, a rebelião do homem contra o criador; e a recusa do homem em se submeter ao governo soberano de Deus. Nesse particular, antes de se consubstanciar em atos deliberadamente atentatórios contra a lei de Deus, o pecado é um estado da condição humana marcado por um ser/fazer, que se pretende emancipado de Deus e indiferente ao santo e justo império da sua “boa, agradável e prefeita vontade”.
A história é antiga e deita raízes lá no Jardim no Éden, quando, em infeliz consonância cm a serpente, Adão e Eva deram as costas a Deus e passaram a viver de conformidade com a sua vontade caída e inteiramente corrompida. É ratificando essa irreverente postura que se abre o salmo dois.
Os reis da terra se levantam contra o Senhor; e os príncipes insubordinam-se contra o ungido do Senhor, Jesus Cristo, e proclamam, em altaneiro som, que não aceitam o senhorio do Filho de Deus; a sua regência; o seu comando sobre tudo e todos. O gesto é acintoso e sumamente revelador de corações maus e ingratos para com aquele que é a fonte suprema de todo o bem; e que nos criou para a promoção do seu justo louvor e da sua merecida glória.
No salmo em apreço, a impiedade humana é traduzida na força estilística dos verbos utilizados: “rompamos e sacudamos”. Tem-se aqui, de modo ostensivo, uma espécie de conspiração contra o Altíssimo. O uso da palavra “algemas” indicia a pernóstica leitura que o homem pecador faz do Deus santo, que, por essa ótica distorcida, passa a ser encarado como um ser mau, que escraviza o homem e o impede de viver a sua vida de forma plena; assim agindo, o homem ignora, por pura corrupção, que é somente em Deus que encontramos completa e suficiente satisfação. Ademais, o caráter de Deus é posto em cheque, da mesma maneira que a serpente fez no malévolo diálogo que travou com Adão e Eva no Éden.
A resposta de Deus, que não tarde e não falha consorcia riso santo e furor certeiro. O riso divino é sinalização cabal de que toda tentativa do homem de viver à revelia de Deus é rematada loucura; trágica escolha, que receberá, no seu devido tempo, o merecido juízo. Mesmo que os homens não gostem ou insistam em ignorar, a ira de Deus é uma verdade recorrentemente ensinada nas Escrituras Sagradas; e da qual somente poderemos escapar se estivermos abrigados em Jesus Cristo, o nosso bendito Salvador. Salvador esse que é também Senhor, por Deus constituído como Rei supremo, aquele cujo reinado jamais terá fim; e diante de quem todas as pessoas, sem exceção e sem distinção, haverão de se curvar, e confessar que ele é o Senhor.
Por fim, o Deus misericordioso, que não leva em conta os tempos da ignorância espiritual dos homens, conforme preconiza o apóstolo Paulo no solene sermão proferido no Areópago de Atenas, apela aos homens que se arrependam; insta com eles para que abandonem o pecado e “beijem o Filho”; refugiem-se na insecável fonte da sua maravilhosa graça; da sua salvífica graça; da sua superabundante graça, infinitamente maior do que o nosso indigno pecado.
Belíssimo em toda a sua arquitetura composicional, o salmo dois começa com a rebelião dos homens contra o seu criador, mas se conclui com a bendita promessa de salvação que Deus faz e estende a todos os que, confrontados com a impactante mensagem do evangelho, arrependem-se dos seus pecados e creem na pessoa e na obra redentora do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.

Salmo 2
– 1Por que os povos agitados se revoltam? *
por que tramam as nações projetos vãos?
=2Por que os reis de toda a terra se reúnem, †
e conspiram os governos todos juntos *
contra o Deus onipotente e o seu Ungido?
– 3“Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, *
“e lançar longe de nós o seu domínio!”
– 4Ri-se deles o que mora lá nos céus; *
zomba deles o Senhor onipotente.
– 5Ele, então, em sua ira os ameaça, *
e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz:
– 6“Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, *
e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
=7O decreto do Senhor promulgarei, †
foi assim que me falou o Senhor Deus: *
“Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!
=8Podes pedir-me, e em resposta eu te darei †
por tua herança os povos todos e as nações, *
e há de ser a terra inteira o teu domínio.
– 9Com cetro férreo haverás de dominá-los, *
e quebrá-los como um vaso de argila!”
– 10E agora, poderosos, entendei; *
soberanos, aprendei esta lição:
– 11Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória *
e prestai-lhe homenagem com respeito!
– 12Se o irritais, perecereis pelo caminho, *
pois depressa se acende a sua ira!
– Felizes hão de ser todos aqueles *
que põem sua esperança no Senhor!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Os reis de toda a terra se reúnem
e conspiram os governos todos juntos
contra o Deus onipotente e o seu Ungido.
Ant. 2 Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica.

São João 14,2
2. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Jo -14,2

São Mateus, 26, 20-25
20. Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21. Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22. Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23. Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24. O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!
25. Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28. porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30. Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras.

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