“O misticismo cristão distingue-se dos outros
misticismos porque tende a ser democrático enquanto que os outros
são aristocráticos. O neófito moderno encontra-se possuído pela
ideia de que se ergue no mundo espiritual. É uma ambição digna de
um merceeiro que quer ser baronete. No mundo espiritual um homem tem
que se humilhar para ser exaltado. Existe muito deste snobismo
místico sobre preparação, purificação e iniciação. Trata-se de
furtar um caminho a outros para obter a posse da verdade, não porque
seja óbvia, mas por ser secreta.
O facto de tantos estudantes modernos do
transcendente possuírem o desejo de pertencer a uma aristocracia
espiritual, de se sentar em tronos pelos quais há que competir, tal
como com os lugares de um governo, é uma prova simples e suficiente
de que não possuem em si mesmos sequer os rudimentos da
espiritualidade. O misticismo cristão obedece ao princípio de que a
vida moral não é um puzzle egoísta no qual o diabo geralmente
apanha a pessoa mais confiante em si própria.
A verdadeira chave do misticismo cristão não é
tanto a entrega, que é dolorosa e complexa, mas mais o esquecer-se
de si, tal como o experimentamos em presença de um nascer do sol ou
de o rosto de uma criança, o qual é para nós tão natural como
cantar a um passarinho.”
G, K. Chesterton, O Mistério dos Místicos, Daily
News, 30.08.1901.
Tradução de António Campos, Presidente da Sociedade Chesterton Portugal.
Tradução de António Campos, Presidente da Sociedade Chesterton Portugal.
Tudo é uma posição da mente, e neste momento estou em uma posição confortável. Vou sentar-me e deixar que as maravilhas e aventuras pousem em mim como moscas. Há muitas delas, garanto. O mundo nunca sofrerá com a falta de maravilhas, mas apenas com a falta da capacidade de se maravilhar.
– G. K. Chesterton
"Onde há vontade, há um Caminho"
