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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A soberba – Escritos de Evágrio Pôntico



A soberba é um tumor da alma, cheio de pus. Se maduro, explodirá, emanando terrível fedor. O resplandor do relâmpago anuncia o estrondo do trovão e a presença da vanglória anuncia a soberba. A alma do soberbo alcança grandes altitudes e, daí, cai no abismo. Sofre de soberba o apóstata de Deus, quando atribui às suas próprias capacidades as coisas bem sucedidas. Como aquele que cai numa teia de aranha, assim cai aquele que se apóia nas suas próprias capacidades. A abundância de frutos dobra os ramos da árvore; a abundância de virtudes humilha a mente do homem. O fruto caído na terra é inútil para o lavrador e avirtude do soberbo não é aceita por Deus. A cana sustenta o ramo carregado de frutos e o temor de Deus a alma virtuosa. Como o peso dos frutos quebra o ramo, também a soberba abate a alma virtuosa. Não entregues tua alma à soberba e não terás fantasias terríveis. A alma do soberbo é abandonada por Deus e se converte em objeto de maligna alegria dos demônios. À noite, imagina manadas de bestas que o assaltam e, durante o dia, vê-se alterado por pensamentos vis. Quando dorme, facilmente se sobressalta e, quando vela, se assusta com a sombra de um pássaro. O sussurar das copas das árvores aterroriza o soberbo e o som da água destroça a sua alma. Aquele que efetivamente tem se oposto a Deus, rejeitando sua ajuda, vê-se depois assustado por vulgares fantasmas.
Humilde e moderado é aquele que reconhece este parentesco; porém, o Criador fez tanto a Ele como o soberbo. Não desprezes o humilde: efetivamente ele está mais seguro que tu, caminha sobre a terra e não se precipita; porém, aquele que se eleva mais para o alto, quando cai se espatifa. O monge soberbo é como uma árvore sem raízes e não suporta o ímpeto do vento. Uma mente sem jactância é como uma cidade bem fortificada e quem a habita será incapturável. Um sopro arrasta a pena e o insulto leva o soberbo à loucura. Uma bolha [de sabão] levada pelo vento desaparece e a memória do soberbo perece. A palavra do humilde adoça a alma, enquanto que a do soberbo está cheia de jactância. Deus acolhe a oração do humilde; ao contrário, se exaspera com a súplica do soberbo. A humildade é a coroa da casa e mantém seguro quem ali entra. Quando te elevares ao topo da virtude, precisarás de muita segurança. Aquele que efetivamente cai, rapidamente se recupera; porém, aquele que se atira de grandes alturas, corre risco de morte. A pedra preciosa brilha no bracelete de ouro e a humildade humana resplandece nas muitas virtudes.
A ira – Escritos de Evágrio Pôntico
A ira é uma paixão furiosa que, com freqüência, faz perder o juízo àqueles que têm o conhecimento, embrutece a alma e degrada todo o conjunto humano. Um vento impetuoso não derruba uma torre e a animosidade não arrasta a alma mansa. A água se move pela violência dos ventos e o homem irado se agita pelos pensamentos irracionais. O monge irado vê alguém e range os dentes. A difusão da neblina condensa o ar e o movimento da ira torna nublada a mente do irado. A nuvem que avança ofusca o sol e, assim, o pensamento rancoroso entorpece a mente. O leão na jaula sacode continuamente a porta tal como o violento, em sua cela, quando é acometido pelo pensamento da ira. É deliciosa a vista de um mar tranqüilo, porém, certamente não é mais agradável que o estado de paz; com efeito, os golfinhos nadam no mar calmo e os pensamentos voltados para Deus emergem um estado de serenidade. O monge magnânimo é uma fonte tranqüila, uma bebida agradável oferecida a todos, enquanto que a mente do irado se vê continuamente agitada e não dará água a quem tem sede e, se a der, será esta turva e nociva; os olhos do irado estão arregalados e cheios de sangue, anunciando um coração em conflito. O rosto do magnânino mostra tranqüilidade e os olhos benignos estão voltados para baixo.
A mansidão do homem é lembrada por Deus e a alma pacífica se converte no templo do Espírito Santo. Cristo recosta sua cabeça nos espíritos mansos e apenas a mente pacífica se converte em morada da Santa Trindade.
As raposas montam guarda na alma rancorosa e as feras se agasalham no coração rebelde.
O homem honesto se afasta das casas de mal conduta assim como Deus de um coração rancoroso. Uma pedra que cai na água a agita, tal como um discurso maligno no coração do homem. Afasta da tua alma os pensamentos de ira, não permita a animosidade no recinto do teu coração e não te perturbes no momento da oração; efetivamente, como a fumaça da palha ofusca a visão, assim a mente se vê perturbada pelo rancor durante a oração.
Os pensamentos do irado são descendentes das víboras e devoram o coração que lhes gerou. Sua oração é um incenso abominável e seus salmos emitem um som desagradável. A oferta do rancoroso é como um doce cheio de formigas que certamente não encontrará lugar nos altares aspergidos pela água benta.
O irado terá sonhos perturbadores e se imaginará assaltado pelas feras. O homem magnânimo, que não guarda rancor, se exercita com discursos espirituais e, durante a noite, recebe a solução dos mistérios.


"Onde há vontade, há um Caminho"

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