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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os três jovens na fornalha ardente


Houve um rei de Babilônia, tão poderoso e tão soberbo, que ordenou que todos os seus súditos prestassem honras divinas à sua estátua de ouro, que levantara nos campos de Dura. Este soberbo rei chamava-se Nabucodonosor.
Houve também um rei dos medos, igualmente soberbo, que ordenou que pelo espaço de 30 dias a nenhum deus se fizesse orações ou sacrifício: unicamente em sua honra deviam ser feitas todas as orações e sacrifícios. E o nome deste rei dos medos era Dario.
Nabucodonosor, ordenou que todo aquele que transgredisse as suas ordens fosse lançado em uma fornalha de fogo; e Dario, que os desobedientes aos seus decretos fossem atirados à caverna dos leões.
Ora, havia três jovens hebreus em Babilônia, chamados Sidrac, Misac e Abdênago, todos eles ocupando altos cargos públicos. Estes, não obstante os seus cargos públicos, desobedeceram a Nabucodonosor e disseram que não adorariam a sua estátua, pois a adoração só ao Deus do céu é devida.
Com igual firmeza Daniel, que também ocupava o elevado cargo de sátrapa do reino, não deu importância ao régio mandato e, como de costume, três vezes por dia punha o joelho em terra para adorar ao Deus do Céu e agradecer-lhe os benefícios.
Nabucodonosor, sabendo da desobediência dos três jovens hebreus, mandou acender a fornalha sete vezes mais intensamente que de costume e mandou atirar ao fogo Sidrac, Misac e Abdênago. De modo semelhante ordenou Dario, que Daniel fosse lançado aos leões. Mas eis como Deus Nosso Senhor veio em socorro dos seus servos fiéis.
Um Anjo desceu em meio às chamas da fornalha, afastou as chamas e fez correr no meio da fornalha uma brisa fresca e suave, de modo que nem sequer neles tocou o fogo nem lhes fez mal algum. Ao ver tal prodígio o rei Nabucodonosor exclamou cheio de espanto: “vejo os quatro mancebos que, soltos e livres, caminham no meio das chamas, sem que estas lhe façam mal algum; e o quarto mancebo é semelhante a um Anjo de Deus.” Isto dito, mandou que os três jovens saíssem da fornalha. Saídos que foram, cercaram-nos todos os que ali estavam, admirados de que o fogo não tivesse tido nenhum pode sobre os seus corpos. Nenhum cabelo de suas cabeças estava queimado, as suas vestes eram como se não tivessem passado pelo fogo, e nem sequer o cheiro da fumaça lhes ficara nos corpos. No entanto, dizem os livros santos, que tal era o fogo da fornalha que suas línguas lhe saíam devoradoras pela boca afora. Três dos servos, que deviam lançar nas chamas aos três hebreus, descuidaram-se e foram carbonizados por essas línguas de fogo.
Foi também assim que Daniel foi salvo da morte.
Um Anjo desceu do céu e fechou a boca dos leões. Estes submissos, mansos, nenhum mal fizeram a Daniel. Pelo contrário, vieram deitar-se a seus pés.
Testemunhou tão grande milagre o próprio Dario, que debruçado sobre a entrada da caverna, assim falou: “Daniel, servo de Deus vivo (o teu Deus), a Quem serves tão fielmente, pôde livrar-te dos dentes dos leões?” E Daniel respondeu de lá de dentro: “O meu Deus enviou o seu Anjo e este me salvou.” Depressa foi Daniel tirado para fora, e viram todos com espanto, que os leões o haviam deixado ileso.
Este milagre se tornou mais patente com o que aconteceu depois. Pois foram lançados aos leões, em lugar de Daniel, os seus acusadores perante o rei, e este, antes que chegassem ao fundo, já haviam sido estraçalhados pelos esfomeados dentes daquelas feras (Dan. III e IV).
Não foi esta, entretanto, a única vez que Daniel foi lançado aos leões, e que escapou por meio de um Anjo. Em outra ocasião, destruíra ele o ídolo, chamado Bel, e matara um monstro que os babilônios adoravam como Deus. Cheios de ódio foram estes a Ciro, que então governava, e disseram: “entrega-nos Daniel, ou mataremos a ti e a tua família.” Grandemente atemorizado com tal ameaça, entregou-lhes Daniel. De posse do profeta, foi o povo a uma caverna de leões e lá o lançaram.
Havia muito tempo que os leões passavam fome, e seis dias deixaram com eles a Daniel. Mas o Anjo o salvou também desta feita daquelas feras, e lhe deu de comer da maneira, não menos maravilhosa, que passamos a narrar.
Morava nesse tempo na Judeia um profeta chamado Abacuc. Tinha este uma lavoura e muitos servos nela trabalhavam. Um dia, aprontou um almoço para os seus trabalhadores, pô-lo em uma cesta e partiu para a lavoura. Ora, no caminho apareceu-lhe um Anjo do Senhor e lhe ordenou que levasse aquele alimento a Daniel, que estava em Babilônia, na caverna dos leões. Respondeu-lhe Abacuc que nem sabia onde era Babilônia e nem em que lugar de Babilônia se encontrava a tal caverna. O Anjo não se deu por achado. Tomou a Abacuc pelos cabelos, levou-o pelos ares, e o depositou às bordas da caverna dos leões em Babilônia. E feita a entrega do alimento a Daniel, de novo levou a Abacuc para o lugar de onde o havia tirado.
Quando já sete dias haviam passado desde que Daniel fora lançado à caverna, foi o rei com sua comitiva ver que haviam feito do profeta aqueles terríveis e esfomeados animais. É fácil imaginar o seu espanto ao ver o profeta são e salvo. Mandou tirá-lo da caverna e em seu lugar mandou lançar a ela aqueles que haviam tramado a sua morte. Foram incontinente devorados, ali, debaixo de suas vistas (Dan. XIV).


"Onde há vontade, há um Caminho"

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