A
Igreja Católica, no Natal de 1961, anuncia o que seria um dos maiores
acontecimentos dos últimos tempos de sua existência: o Concílio Vaticano II que
teve sua convocação no dia 25 de janeiro de 1962 pelo Papa João XXIII que quis
e fez o seu encaminhamento. O término já foi com o Papa Paulo VI, que aceitou e
o levou adiante até a sua conclusão em 8 de dezembro de 1965, nesse processo de
mudanças e a posterior consolidação pelos Papas João Paulo II e o atual Papa
Bento VI.
João
XXIII assume o papado em uma situação bastante difícil pós-guerra, formação dos
blocos do EUA, da União Soviética, o surgimento das reivindicações
sociais e a revisão da mensagem evangélica. Era chamado de um Papa simples que
ia à praça dialogar com os fiéis e sempre dizia que gostaria de ser um simples
padre do interior. Ao mesmo tempo que era bondoso se tornava rigoroso quando
necessário, sendo mais decidido, a sua simplicidade e humildade o tornavam
vigoroso e transparente, procurava sempre em suas homilias citar as
bem-aventuranças (MT 5,1-11), os pobres e artesões da paz.
Todos
os concílios anteriores tinham como objetivos mostrar onde se encontrava a fé
católica. O Concílio Vaticano é um Sínodo Teológico. Havia na época três
correntes predominantes no mundo teológico: a) A Teologia Tomista,
conservadora, onde os teólogos viam São Tomás de Aquino como um grande tesouro
para a Igreja; b) A Teologia das Fontes, formada por teólogos, que acreditavam
nas riquezas da Igreja presentes na Patrística, na Bíblia e na liturgia
deveriam ser recuperadas. Embora, todos os teólogos venerassem são Tomás de
Aquino; c) A Teologia Moderna voltada par o mundo moderno, onde os
teólogos queriam um diálogo com o mundo. Que a igreja falasse uma linguagem que
os homens e mulheres compreendessem. Cito por exemplo o documento OPtatam
Totius sobre a formação sacerdotal, este documento mostra que o equilíbrio
entre essas correntes foram alcançados.
Conforme
as palavras do beato João XXIII, o Concílio Vaticano II foi convo-cado para:
“Oferecer uma possibilidade de suscitar em todos os seres humanos, pensamentos
e propósitos de paz: Provenientes das realidades espirituais e sobrenaturais da
inteligência e da consciência humana, iluminadas e guiadas por Deus, criador e
redentor da humanidade.”
A
modernização da Igreja e o atraimento dos cristãos afastados da religião. O
Papa passa a dividir parte de seu poder com os cardeais e gerou transformações
e a ideia de que, por meio de outras religiões é possível conhecer a Deus e a
salvação. Os frutos foram surgindo citamos, por exemplo, a celebração da
eucaristia na língua de cada povo ou nação e voltada para os fiéis. O
ecumenismo e as relações com outras religiões, a participação de vários
cientistas do mundo, na academia de Ciências do vaticano, deu maior liberdade
aos teólogos para interpretar a Bíblia, principalmente para nós da América
latina com a teologia da libertação e a formação das comunidades de Base, sendo
que um número muito pequeno de algumas comunidades foram usadas por
políticos partidários e oportunistas.
As
constituições do Vaticano II: Dei verbum, Lumen Gentium, Sacrosanctum
Concilium; e Gaudium et Spes. As declarações: Dignitatis humanae, Nostra
Aetate, Gravissimum Educationis.
Os
decretos: Ad Gentes, Optatam Totius, Perfectae Caritatis, Christus Dominus,
Unitate Redintegratio, Orientalium Ecclesiarum e Inter Mirifica, Presbyterorum
Ordinis, Apostolicam Actuositatem. Esses documentos foram escritos
inicialmente nas línguas: Alemão, Belorrusso, Chinês, Espanhol, Francês,
Hungaro, Inglês, Italiano, Latim, Português, Swahili, Tcheco.
A
Igreja continua valorizando a vida em todos os sentidos, condenando o aborto,
apoiando a família e condenando o capitalismo e o consumismo. A continuidade
das aplicações das decisões ficou a cargo de João Paulo II, que reconheceu os
erros cometidos pela Igreja no passado durante estes 2000 anos de
história da Igreja, incluindo o julgamento de Galileu Galilei pela inquisição.
Levou
a evangelização dos ensinamentos de Jesus Cristo em todo o mundo, que lhe deram
o nome carinhoso de o Papa Peregrino e a aqui no Brasil de João de Deus,
inclusive a nossa Goiânia foi agraciada pela sua visita missionária e
apostólica e lutou bastante pela queda do muro de Berlim, respeitado por todos
os chefes de nações e por todas as religiões.
A
Igreja está sempre atualizada e dando abertura para as necessidades da vida
pós-modernidade. É verdade que no final do século XX e no início do século XXI,
alguns Cardeais chegaram solicitar um novo Concílio, por exemplo, o Cardeal de
Milão, no Sínodo dos Bispos europeus na década de noventa e no Brasil e na
América Latina em 2002. Esta ideia foi reforçada por alguns cardeais e depois
não levaram adiante por acharem que não era viável, porque o atual episcopado
era de perfil conservador. Muitos problemas apresentados continuam presentes
ainda hoje na sociedade e há contraversão, carecendo de reflexão e
debates.
Urgem
eventuais exageros e adaptar a legislação da Igreja às circunstâncias e
exigências do mundo de hoje e várias polêmicas. Cito por exemplo, os milhares
de padres afastados de suas celebrações por se casarem, lembrando que o clero é
constituído por ministros sagrados que receberam o Sacramento da Ordem.
Será sempre Padre, não existe ex-padre, sendo que muitos continuam
engajados em suas comunidades com suas esposas e outros a espera de sua
liberação, discute-se a longa demora da liberação para o matrimônio.
O
Papa João Paulo II começou a renovar o rosto da Igreja criando a JMJ (jornada
Mundial da juventude) e o Papa Bento XVI dando continuidade ao trabalho que
realizará em 2013 no Rio de Janeiro a JMJ, cuja campanha bote fé, foi lançada
neste ano em nossa arquidiocese “A Cruz de Jesus como Caminho de Esperança”, em
preparação para o encontro do próximo ano. Fé é o encontro com o Senhor,
é a experiência da caminhada em comunidade, é a adesão a Jesus Cristo. E a
Igreja viva militante é a depositária dessa fé. Ela é o sacramento de Cristo e instrumento
de união do homem com Deus, e da unidade de todo gênero humano. No dia 11 de
outubro deste ano o Papa Bento XVI proclamou o “Ano da fé” alusivo aos 50 anos
do CVII, para que os leigos busquem aprofundar mais na fé cristã católica.
Diante dos desafios atuais é um tempo de conversão a Deus, de revigorar nossa
fé no Cristo Ressuscitado e reafirmar nosso compromisso com a missão
evangelizadora de discípulos e missionários através do batismo.
OS
Bispos do Brasil, do Episcopado Latino Americano e do Caribe, com a presença de
Bento XVI reunidos em Aparecida passa a priorizar em todas as dioceses o
envolvimento de todos os católicos leigos na participação da vida da Igreja,
nas várias pastorais enfatizando a participação das mulheres. A assumir o compromisso
de batizado, pois, através do batismo somos inseridos na Igreja viva dando
inicio a vida cristã e começando nossa missão de discípulos e missionários
levando a palavra de Deus através da Bíblia ou da escuta da mesma, ela que
anima toda vida pastoral.
“Meu
Pai é glorificado quando produzis muito fruto e vos tornais meus discípulos”(Jo
15,8).
Recebo
críticas construtivas de colegas Pastores ex-alunos, sobrinho e compadre,
sempre batendo na mesma tecla, professor o que é católico de carteirinha? Digo
que seria os católicos não praticantes, que aparecem só em momentos sociais de
batizados, mortes ou casamentos. São católicos que não assumem o seu
compromisso perante a Igreja.
É
justamente isto que o Papa Bento XVI, os Bispos do Brasil, da América Latina e do
Caribe repassaram para as dioceses de todo o Brasil, que estão empenhadas em
levar o discernimento e o envolvimento de todos os católicos na participação da
vida da Igreja, de estar em sintonia com o Papa, respeitando a sua autoridade,
missão e a hierarquia de seus membros que desempenham a função de governar na
fé e de guiar nas questões morais e de vida cristã aos fiéis católicos. Ter
conhecimento do Catecismo da Igreja Católica, dos dez mandamentos, dos
sacramentos, dos documentos citados e os novos, de rezar e meditar o Creio, o
Pai-Nosso e demais orações, de ter experiências e vivenciar a vida em
comunidade, através de seu testemunho e de difundir os ensinamentos de Jesus
Cristo. Fazer com que todos os católicos lêem os documentos que são desconhecidos,
de mudar o modo de escutar a palavra, discernir os sinais dos tempos, de ter
acesso à interioridade de fé de vida em Cristo.
Toda
a Igreja está voltada para Jesus Cristo e a serviço de toda a humanidade. No
templo ocorre o encontro de comunidades onde todos estão a serviço da vida. A
Igreja ou comunidade é suscitada por Nosso Senhor Jesus Cristo, através dos
dons, dos carismas. O Carisma de nossa missão é servir, ter cuidado com o
orgulho próprio (egoísmo), com a vaidade. O servir tem que ser com humildade,
que é transparência e verdade. A Igreja perpetua através de sua evangelização,
o carisma pode estar presente numa pessoa (individual) ou num grupo
(comunitário).
Na
comunidade, toda a ação provém do Pai, todo o serviço provém de Jesus Cristo e
todos os dons e carismas provêm do Espírito Santo. Cada dom recebido deve ser
colocado a serviço de todos, como dom gratuito para o bem de cada comunidade e
de cada pessoa humana.
O
engajamento de todos nas diversas pastorais aproveitando os seus dons e
carismas, cada qual escolhendo a pastoral que lhe sinta bem e útil em poder
servir. Citamos a catequese (Batismo, Eucaristia, Crisma), cursos bíblicos, de
grupos e encontros de jovens, de noivado, de casais; na liturgia: Da acolhida,
dos acólitos, dos animadores, dos leitores, da cantoria, dos ministros da
eucaristia; dos grupos de orações, dos grupos de visitas a doentes, dos
ministros da esperança, da criança, da saúde, dos imigrantes, do sopão, dos
enxovais para gestantes das pessoas carentes, da terra: Sem terra, sem moradia,
dos excluídos, dos vicentinos, da liga Católica, do apostolado da oração, dos
carcerários, dos povos de rua, enfim atividades é que não faltam.
A
decisão é sua! De viver e ter experiência de vida em comunidade, vida de
doação, e procurar ser sempre santo, isto é, ser honesto, dar bom exemplo
de vida na comunidade, no trabalho, no lazer, no lar, lembrando também que
somos seres humanos estamos sujeitos a tropeçar, porque somos pecadores. Somos
chamados à santidade e a santidade de cada um vai depender dos atos,
ações e atitudes de cada um, em dar testemunho de vida.
“Que
o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais
eficaz”. E também para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis das
atividades humanas: os indivíduos, a família e a vida social do século XXI, de
voltar para as novas condições de vida introduzidas no mundo que abriram novos
caminhos para o apostolado de cada cristão.
A
Evangelização deve pregar e levar a palavra de Deus de todas as formas e meios
de comunicação, pela internet e nos templos, pois Deus se faz presente, no
local em que a comunidade está presente. Na nossa Arquidiocese
podemos citar o exemplo do Pe. Robson de Oliveira da CSsR., que com sua equipe
está evangelizado em todo Brasil e em alguns Países, levando o nome da
Trindade Santa ,o Deus único, que é Pai, que é Filho, que é Espírito Santo.
Difundindo o reino do Divino Salvador que é da verdade, da justiça, do amor e
da Paz. “Quem acolhe a Palavra tem o poder de tornar-se filho de Deus, filho
gerado não pela carne ou pelo querer do ser humano, mas do próprio Deus” (Jo
1,12ss).
Cujo
Templo consagrado leva o nome de Santuário Basílica do Divino Pai Eterno,
localizado na cidade de Trindade, que passou a desenvolver, movimentar na parte
turística e comercial devido a grande chegada de devotos diariamente para o
encontro de várias comunidades para a celebração Eucarística no Santuário
Basílica, para adorar, para louvar, bendizer, agradecer e pedir bênçãos ao Divino
Pai Eterno, renovando a esperança e fortalecendo na fé.
Parabéns
a todos os católicos por este grande acontecimento dos 50 anos do Concílio
Vaticano II e que o Emanoel “Deus conosco” envie seu Espírito sobre todos os
cristãos, não cristãos, enfim para toda a humanidade para que haja a paz, a
justiça, a verdade em cada ser humano e que todos possam viver em
harmonia com dignidade e alegria. E que neste natal o Verbo encarnado nos abra
os nossos corações e nos ilumine em nossa caminhada.
(Gumercindo
Alves da Silva Zate-Gugu, professor de Biologia,
