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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Judas Iscariotes o traidor de Jesus

 

Judas Iscariotes (em hebraico יהודה איש־קריות, Yehudhah ish Qeryoth; em grego bíblico Iouda Iskariôth - Mc 3, 19; 14, 10; Lc 6; 16 - ou Iouda Iskariotes - Mt 10, 4; Lc 22, 3; Jo 12, 4) foi um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, que, de acordo com os Evangelhos, veio a ser o traidor que entregou Jesus Cristo aos seus capturadores por 30 moedas de prata. Era filho de Simão de Queriote (Jo 6, 71; 13, 26). Judas, em grego Ioudas, é uma helenização do nome hebraico Judá (יהודה, Yehûdâh, palavra que significa "abençoado" ou "louvado"), sendo, por sinal, o nome de apóstolo que mais vezes aparece nos Evangelhos (vinte vezes) depois do de Simão Pedro.
Etimologia de Iscariotes
São várias as explicações etimológicas que, ao longo dos tempos, foram surgindo para o nome "Iscariotes". A mais provável é uma conotação política, ligando-o ao grupo dos sicários, uma ramificação do grupo dos zelotes que perpetrava violentos ataques – geralmente com punhais, e daí o seu nome latino de sicarii – contra as forças romanas na Palestina. Por isso, se argumenta que Judas Iscariotes, alegadamente, teria sido um membro deste grupo e que o seu nome seria a transliteração de homem do punhal, em hebraico ish sicari. Outros derivam o seu nome do aramaico saqar, palavra que significava alguém "mentiroso", que é "falso".
Outra possibilidade é que Iscariotes fosse usado como apelido, em hebraico ish Qeryoth, que significa homem de Queriote. (João 6:71; 13:26) Também, podia ser designado filho/descendente/natural de Queriote. Queriote – de acordo com a interpretação inicialmente veiculada por São Jerónimo – seria o nome simplificado da aldeia, ou mais provavelmente um conjunto de aldeias, de Queriote-Ezron (Josué 15:21) – nome que significa "cidades de Ezron" – localizada na província romana da Judéia (no território da Tribo de Judá) e que é comumente identificada com a moderna Qirbet el-Qaryatein, situada a cerca de 20 km a Sul de Hébron.

O seguimento apostólico

Judas Iscariotes foi escolhido como um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, sendo apresentado, na listagem dos seus nomes, sempre em último lugar (Mateus 10, 2-4; Marcos 3, 16-19; Lucas 6, 13-16). Mais tarde, ele tornou-se infiel e iníquo, conforme apresentado no Novo Testamento. Era o encarregado da bolsa do dinheiro dos apóstolos: «tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava» (João 12, 6). Teria demonstrado exteriormente a sua fraqueza na cena da unção com óleo perfumado em Betânia, onde testemunhou que estava mais apegado ao dinheiro do que propriamente aos gestos concretos com que Jesus demonstrava a sua missão (João 12, 1-6).
Embora os Evangelistas digam claramente que «Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar» (João 6, 64) e tivesse sido, de algum modo, aduzido e predito, caso se leia o Salmo 55 como uma referência ao que viria a suceder com Jesus, que o traidor seria um "amigo íntimo" - «Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado […] Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo» (Salmo 55, 12-13) -, não é certo nem correto afirmar-se que estivesse predestinado quem seria o traidor.

A traição

Judas entregou Jesus por 30 moedas de prata (Mateus 26, 15; 27, 3), que provavelmente seriam siclos e não denários como frequentemente se julga e afirma. Esse era o preço de um escravo (Êxodo 21, 32). De acordo com o autor do Evangelho de Mateus, os principais sacerdotes decidiram não colocar essas moedas no Tesouro do Templo de Jerusalém, mas, em vez disso compraram um terreno no exterior da cidade para sepultar defuntos (Mateus 27, 6.7). Segundo Zacarias, profeta do Antigo Testamento, a vida e o ministério do prometido Messias (ou Cristo) seria avaliado em 30 moedas de prata (Zacarias 11, 12-13). Isto significava que, segundo a leitura dos acontecimentos feita pelo evangelista Mateus, os líderes religiosos judaicos foram induzidos a avaliar a vida e ministério de Jesus de Nazaré como dotada de bem pouco valor.
A motivação da sua ação é justificada ou explicada, nos Evangelhos, de diferentes modos. Assim, nos Evangelhos mais antigos, os de Mateus e de Marcos, tal deveu-se à sua avareza (Mateus 26, 14-16; Marcos 14, 10-11). Já nos Evangelhos de Lucas e de João o seu procedimento é subordinado à influência direta de Satanás - ο σατανας - (Lucas 22, 3; João 13:2. 27) sobre as suas ações.

A morte  

Os autores do Novo Testamento, relendo à luz da sua Fé as escrituras do Antigo Testamento, procuraram, de algum modo, mostrar que a morte de Judas fora análoga à que as Escrituras apresentavam para o "desesperado" (II Samuel 17:23: «Vendo Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa [...], se enforcou e morreu») e para o "ímpio" (Sabedoria 4:19: «Em breve os ímpios tornar-se-ão cadáver sem honra, objeto de opróbrio para sempre entre os mortos: o Senhor os precipitará de cabeça para baixo, sem que digam palavra, e os arrancará de seus fundamentos. Serão completamente destruídos, estarão na dor e sua memória perecerá.»).
Assim, no caso do Mateus 27:5 se relata que Judas Iscariotes ao sentir remorsos decide suicidar-se por enforcamento: «E Judas, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar», e no livro dos Atos 1:18, o seu autor conta que caiu de cabeça para baixo, rebentando ruidosamente nos rochedos pelo meio: «Adquiriu um campo com o salário de seu crime. Depois tombando para frente arrebentou ao meio e todas as vísceras se derramaram». Procurando-se harmonizar e combinar os dois relatos da sua morte pode-se dizer que Judas se terá enforcado, mas que a corda - ou o ramo da árvore onde esta estava atada - se terá quebrado. A vaga por ele deixada - segundo Atos 1:26 - foi preenchida por Matias.

Duas lições da traição de Judas Iscariotes, segundo o Papa

Intervenção na audiência geral sobre o apóstolo que traiu Jesus

A traição de Judas Iscariotes a Jesus oferece duas lições, segundo Bento XVI: Cristo respeita a liberdade do ser humano e espera o arrependimento do pecador, pois é misericordioso.
O Papa expôs estas conclusões aos 30.000 peregrinos que participaram nesta quarta-feira, na praça de São Pedro, da audiência geral, dedicada a apresentar a figura do apóstolo que por trinta moedas de prata entregou seu Mestre aos membros do Sinédrio.
Para o bispo de Roma, compreender a vida de Judas significa compreender também aspectos decisivos do mistério da relação do homem com Deus.
Inclusive após sua morte, não é possível oferecer um juízo definitivo, reconheceu: «Ainda que ele tenha se afastado para se enforcar, não nos corresponde julgar seu gesto, pondo-nos no lugar de Deus, que é infinitamente misericordioso e justo».
Repassando as páginas dos quatro evangelhos, o bispo de Roma sublinhou antes de tudo que ele fazia parte dos doze apóstolos, como Pedro, João ou Tiago.
«Por que ele traiu Jesus?», perguntou o Papa ao falar do apóstolo que cumpria as funções de ecônomo.
«Alguns recorrem à avidez pelo dinheiro; outros oferecem uma explicação de caráter messiânico: Judas teria ficado decepcionado ao ver que Jesus não entrava no programa de libertação político-militar de seu próprio país», respondeu.
O Papa constatou que os evangelhos «insistem em outro aspecto: João diz expressamente que “o diabo tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o propósito de entregá-lo”».
O Novo Testamento, recordou, «vai muito além das motivações históricas e explica o sucedido baseando-se na responsabilidade pessoal de Judas, que cedeu miseravelmente a uma tentação do Maligno».
«Em todo caso, a traição de Judas continua sendo um mistério -- assegurou. Jesus o tratou como um amigo, mas, em seus convites a segui-lo pelo caminho das bem-aventuranças, não forçava sua vontade nem o impedia de cair nas tentações de Satanás, respeitando a liberdade humana.»
E quando uma pessoa peca, como Judas, citando o capítulo V da «Regra» de São Bento de Núrsia (480-547), exortou a «não desesperar nunca da misericórdia de Deus», pois, como diz a primeira carta de João, «Deus é maior que nossa consciência» (3, 20).
O Papa tirou, portanto duas lições.
«A primeira – assinalou: Jesus respeita a nossa liberdade. A segunda: Jesus espera que tenhamos a disponibilidade para arrepender-nos e para converter-nos; é rico em misericórdia e perdão.»
«De fato, quando pensamos no papel negativo que Judas desempenhou, temos de situá-lo na maneira superior com que Deus dispôs os acontecimentos», indicou.
Sua traição, continuou aprofundando, «levou à morte de Jesus, que transformou este tremendo suplício em um espaço de amor salvífico e na entrega de si mesmo ao Pai».
«Em seu misterioso projeto de salvação -- declarou --, Deus assume o gesto injustificável de Judas como motivo de entrega total do Filho pela redenção do mundo.
Ao final de sua intervenção, o pontífice fez referência também a Matias, que substituiu Judas Iscariotes por decisão dos onze apóstolos, depois de ter demonstrado fidelidade a Cristo durante a sua vida pública.
«Tiramos daqui uma última lição -- assegurou: ainda que na Igreja não faltem cristãos indignos e traidores, a cada um de nós corresponde contrabalançar o mal que eles realizam com nosso testemunho limpo de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.»
Com esta meditação, o Papa concluiu a série de intervenções sobre os doze apóstolos que começou no dia 17 de maio. Elas fazem parte de um conjunto de catequeses sobre as origens da Igreja e sua relação com Cristo, começada em 15 de março.

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