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domingo, 5 de agosto de 2012

A construção pessoal e social



Cada um de nós imprime um estilo peculiar ao relacionamento com os outros, com o ambiente, a partir do que temos dentro, dos nossos desejos, frustrações, sonhos, de nossa forma específica de encarar o mundo.
Pessoas que vivem no mesmo ambiente, que tiveram as mesmas oportunidades, que viveram na mesma família, podem levar vidas muito diferentes. Há sim uma grande influência do ambiente cultural, não somos ilhas. Mas cada um de nós é peculiar no traçado do seu caminho. Fazemo-lo em profunda interação com pessoas, grupos e organizações. Copiamos muitas formas de pensar e agir. Mas ainda assim o estilo, as escolhas, o foco, a interpretação que damos têm toques pessoais.
A sociedade nos coloca alguns parâmetros que interferem na nossa percepção e conduta. Reconhecemos logo uma pessoa de determinado país pela fala, por algumas atitudes, valores, pontos de vista. Mas dentro de cada país, em cada organização, em cada cidade há pessoas com posturas, atitudes, formas de ver, avaliar, amar, agir muito diferentes.
Eu construo o meu mundo dentro de outros mundos. Eu projeto e busco o que me interessa, o que me convém entre inúmeras outras escolhas possíveis. Posso fazer milhares de amigos diferentes, mas termino escolhendo e sendo escolhido por alguns.
Lado a lado, trabalhando juntos, às vezes morando juntos, temos pessoas otimistas e pessimistas diante dos mesmos fatos, situações, escolhas. A cultura interfere em nossa visão da realidade, mas eu recrio o mundo, o reinterpreto, o reelaboro a partir dos meus óculos, dos meus padrões mentais, emocionais e éticos.
Nossas escolhas dependem da aprendizagem intelectual, emocional e ética
Vou fazendo escolhas, criando o meu mundo peculiar a partir da minha visão de idéias, de como percebo o mundo, os outros, a mim mesmo. Essa visão tem componentes racionais, emocionais e éticos. As minhas escolhas mudam dependendo do humor, do grau de paz, satisfação e otimismo em que me encontro. Mas dependem também do meu sistema de valores, da minha atitude ética fundamental diante da vida, dos outros de mim mesmo.
O sistema de valores tem uma grande influência familiar, religiosa, de estamento ou classe social, mas eu faço uma síntese de valores que orienta minhas escolhas nas leituras que faço, no que vejo no cinema, na TV, nas pessoas com quem interajo mais, nas atividades em que me envolvo e, principalmente, no modo como faço tudo isso.
Lado a lado convivem pessoas abertas e fechadas, empreendedoras e acomodadas, realizadas e perdidas. Se a sociedade fosse tão poderosa, se o ambiente nos moldasse significativamente, faríamos escolhas semelhantes. E mesmo influenciados por muitas variáveis culturais, escolhemos formas de viver muito diferentes e podemos encontrar afinidades com pessoas e grupos às vezes distantes, pertencentes a culturas diferentes da nossa.
Posso ler o mesmo jornal que o meu colega e termos e alimentarmos visões antagônicas ou, ao menos, diferenciadas de mundo. Podemos com as mesmas leituras construir universos diferentes. Formatamos o mundo de formas diferentes, a partir das mesmas idéias básicas e de situações de vida semelhantes.
Na educação, de um lado "homogeneizamos" - organizamos valores, visões de mundo – de outro podemos ajudar na busca da autonomia, da nossa especificidade, de fazer nossas sínteses ideológico-emocionais-éticas.

Educação como construção intelectual, emocional e ética
Na educação ajudamos a construir
·  a competência intelectual – conhecer e organizar o sistema de idéias
·   a competência emocional – conhecer e integrar os sentimentos, a  afetividade
·   a competência ética – organizar nosso sistema de valores
Cada um de nós se apropria das idéias de forma comum dentro de uma cultura e, ao mesmo tempo, de forma específica. No emocional existem alguns traços comuns e diferentes em determinadas culturas: um latino e um oriental lidam de forma diferente com o toque, com a aproximação. Ao mesmo tempo, cada um, dentro da mesma cultura, organiza o seu sistema emocional e também o de valores.
Há valores comuns a grupos, a organizações, a países. Há, ao mesmo tempo, valores pessoais, que vão sendo construídos e modificados de forma mais lenta do que parece.
A educação tem dado muito valor às idéias (ao racional). Começa a estar atenta ao emocional. Ainda precisa trabalhar também as atitudes e valores, integrando tudo – idéias, emoções e valores – para modificar nossa ação. E a ação ajuda a perceber novas idéias, a desenvolver novas emoções e a reorganizar novos valores. 

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