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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Santo Agostinho e o Agostinismo



O livro é uma introdução à vida e a obra do bispo de Hipona (354-430 d.C.). A obra divide-se em duas partes. A primeira, intitulada “Santo Agostinho” é por sua vez subdividida em a Vida, a Obra e o Homem. s. Na segunda parte, chamada “O Agostinismo”, Marrou discorre sobre a influência do pensamento agostiniano ao longo da história. Nascido em Tagaste, África (Argélia atual), Agostinho era um “romano da África”, pois sua religião e a sua família estavam já profundamente romanizadas: Agostinho saiu de um meio social relativamente humilde, pois seu pai, Patrício, era um pequeno proprietário pertencente à classe dos curiales, notáveis provinciais esmagados pela responsabilidade coletiva em matéria fiscal – o que podemos traduzir por pequena burguesia em vias de proletarização” (p. 14) Nestas condições, o melhor caminho pra ascensão social era uma boa educação, notadamente a educação nas artes liberais, tais como a retórica. Para sua educação dependeu da ajuda do patrocínio de um amigo da família, Romaniano. Enquanto estudava, deu aulas para sobreviver. Ensinou retórica em Tagaste, Cartago, Roma e Milão. Durante esta época, uniu-se a uma concubina com a qual teve um filho, Adeodato. Mas aquele tipo de relacionamento feria tanto as normas da sua classe social, quanto as normas da Igreja Católica, da qual a sua mãe, Mônica, era devota. Esta planejava para ele um casamento que lhe permitisse adequar-se às normas da Igreja bem como ascender socialmente. Para atender a estas ambições, deixou a mulher com a qual vivia. O casamento planejado, no entanto, nunca aconteceu. Por esta época, as inquietações espirituais e filosóficas de Agostinho o levaram a procurar o Cristianismo. Mas decepcionou-se com a “impureza” gramatical e literária da Bíblia. Além disso, as dificuldades com uma vida de castidade o afastavam da moral cristã. Aproximou-se, então, do Maniqueísmo, movimento religioso, que ensinava que a realidade era formada por dois princípios absolutos, iguais e antagônicos: o Bem e o Mal. Durante algum tempo, tornou-se ouvinte do movimento, mas, aos poucos, foi se dando conta que a tal consistência filosófica do grupo era fictícia. Neste período, enquanto ensinava retórica em Milão, tornou-se freqüentador da igreja onde pregava o bispo Ambrósio. Acompanhava as pregações inicialmente por interesse na sua retórica. Terminou também por se interessar pela sua exegese alegórica, que o ajudou a lidar com as dificuldades do texto bíblico. Também entrou em contato com o neo-platonismo cristão, uma maneira de ver a teologia que permitiu a Agostinho vencer suas resistências filosóficas em relação ao Cristianismo. Para que acontecesse a sua conversão faltava ainda renunciar as ambições temporais e abraçar a vida de fé. O momento dramático acontece em agosto de 386, quando a leitura de uma passagem da carta de Paulo aos Romanos o convence definitivamente a fazer tal renúncia. Tornar-se cristão, para Agostinho, bem como para muitos dos seus contemporâneos, significava abraçar um ideal contemplativo. Com essa intenção, refugia-se com sua mãe e alguns amigos, numa propriedade rural em Cassiciacum, para um período de oração e estudos.



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