
MENSAGEM FINAL
DO ENCONTRO NACIONAL
DA VIDA MONÁSTICA E CONTEMPLATIVA
(Aparecida/SP, 16-19 de junho de 2012)
“IDENTIDADE, MÍSTICA E MISSÃO”
Nossa pátria é o céu (Fl 3,20)
DO ENCONTRO NACIONAL
DA VIDA MONÁSTICA E CONTEMPLATIVA
(Aparecida/SP, 16-19 de junho de 2012)
“IDENTIDADE, MÍSTICA E MISSÃO”
Nossa pátria é o céu (Fl 3,20)
1. Reunidos em Aparecida, lugar privilegiado
da manifestação da fé do povo brasileiro, e onde se pode sentir mais de perto a
maternidade carinhosa de Maria, por iniciativa da Conferência dos Religiosos do
Brasil e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o incentivo e
aprovação da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de
Vida Apostólica, acolhidos calorosamente pela Igreja Local, expressamos nossa
alegria e gratidão por esta oportunidade de comunhão e convívio fraterno,
reflexão e partilha de experiências, oração e celebração, que nos foram
proporcionados. Vemos em tudo isto a solicitude da Igreja para com nossas
famílias religiosas.
2. Com o tema “identidade,
mística e missão” e o lema “nossa pátria é o céu” (Fl 3,20), procuramos
aprofundar a compreensão de que somos consagrados para responder ao olhar de
amor do Senhor por todos nós: “não fostes vós que me escolhestes, fui eu que
vos escolhi” (Jo 15,16). Somos gratos pelo chamado para a vida monástica e
contemplativa, partilhado também por leigos que vivenciam nosso carisma na
realidade secular. Reconhecemos que nossa fidelidade a Jesus exige sempre e de
novo decisão e empenho, dimensões que marcam o povo de Deus que caminha na
história, buscando corresponder à vida de cidadãos do céu (cf. Fl 3,20).
3. Empenhamo-nos por aprofundar a
compreensão de nossa vocação particular na Igreja, nossa identidade, mística e
missão; o sentido de pertença e fidelidade criativa à Tradição de nossas
famílias religiosas, a conservação do próprio patrimônio espiritual, a comunhão
como possibilidade de experiência real do amor vivido e sua celebração diária
na liturgia; a dimensão comunitária da experiência de fé, a corresponsabilidade
no que diz respeito ao “único necessário” (Lc 10,42), cientes de que “nossa
pátria é o céu” (Fl 3,20). Desejamos conservar, alimentar e aprofundar o amor,
a fidelidade e a devoção filial à Igreja, ao sucessor de Pedro, em comunhão com
a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB). Possamos, com a graça de Deus, receber a força de
tornar visível pelo amor fraterno, a unidade da comunhão trinitária que nos
abraça e abençoa. Reconhecemos humildemente a presença entre nós de atitudes
contrárias às exigências do seguimento radical de Nosso Senhor Jesus Cristo
(cf. Fl 3, 18-19). Mas também temos a certeza de que Deus escolhe instrumentos
frágeis para testemunhar no mundo seu amor (cf. 1Cor 1, 27-28), e acreditamos
que Sua misericórdia é grande (1Pd 1,3).
4. Somos desafiados no cotidiano
pelas consequências da mudança de época em que nos encontramos. Isso faz com
que os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais
se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações entrem em crise.
Sentimos tal realidade influenciando e desafiando nossa forma de vida.
Desejamos, portanto, que nosso testemunho discreto e simples de amor vivido em
todas as suas manifestações, possa ser resposta oferecida por nossas
comunidades religiosas ao mundo. Em especial, com a Igreja, através da participação
em seu mistério pascal e da ascese e da solicitude orante pela humanidade, suas
necessidades e intenções, acolhendo as angústias e dores, as alegrias e
esperanças dos homens e mulheres de nosso tempo.
5. Confiamos na força do amor
(cf. Ct 8,6). Por isso, “com os olhos fixos em Jesus” (Hb 12,1), vislumbramos
um futuro mais harmonioso nas relações entre hierarquia e carisma, dimensões
constitutivas da Igreja. Incentivamos uma pedagogia de mútua apreciação, desde
os seminários e casas de formação, até a criação de espaços de autêntico
diálogo e mútua colaboração.
6. Renovamos nosso compromisso em
testemunhar alegremente no silêncio da vida a força da fidelidade a nossos
carismas. Por isso, entre expressões antigas e novas de vida monástica e contemplativa,
assumimos o desafio de dar continuidade à experiência da gratuidade do amor e
da comunhão entre nós e nossas famílias religiosas, vivida nestes dias em
Aparecida. Propomo-nos favorecer e fomentar o caminho aqui iniciado, sob as
bênçãos da Senhora Aparecida, pois, reconhecemos que da Igreja recebemos a fé e
a consagração; e nela, com gratidão e alegria, nos consagramos ao Senhor sem
reserva, característica dos adoradores que o Pai procura.
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