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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carlo Acutis: um jovem "anticonformista" aluno do Instituto "Leão XIII" de Milão


O Instituto Leão XIII, de Milão, houve entre seus alunos o jovem Carlo Acutis (1991-2006), portador de uma vida "extraordinária dentro do ordinário", que deixou uma lembrança indelével em todos aqueles que o conheceram – razão pela qual foi iniciado o seu processo de beatificação.

A Diocese de Milão já começou o recolhimento de testemunhos de pessoas que afirmam ter recebido por intermédio de Carlo vários tipos de graça (1).  Os jesuítas que dirigem o Leão XIII aperfeiçoaram o seu temperamento espiritual já forte, observando como o Espírito Santo faz milagres e graças, mesmo no atual contexto social, onde vemos tantos jovens expostos ao desregramento e à idolatria falsa. Damos, nestas páginas, um resumo do perfil de Carlo Acutis - convite para um conhecimento mais profondo (2) que já levou muitos a considerá-lo um providencial "amigo no Senhor", usando uma expressão favorita de S. Inácio de Loyola.
Vastos interesses e uma forte busca espiritual
Em uma sociedade onde tudo parece estar perseguindo o "prazer", submetidos a um hedonismo desenfreado, onde até mesmo "mensagens ocultas" são símbolos de referência explícita ao "desejo" que nada tem a ver com o espírito, caminhar "contra a corrente" – especialmente para um adolescente – significa afastar-se, material e espiritualmente, desta popular forma de vida.
A decisão de colocar os valores de Deus e os valores cristãos no centro da vida geralmente acontece para pessoas que tenham atingido, pelo menos, a chamada "maioridade", fase em que se pode estar mais facilmente "em silêncio". Mas o que diríamos de uma pessoa que reze o Rosário, que faça com que as pessoas acreditem em outros valores, que esteja no computador não para conversar em "chats", mas para procurar tópicos da vida espiritual, cartões agiográficos ou imagens sagradas, fosse um adolescente? E se esta pessoa não fosse sumariamente aquilo que se diz de um de "fanático" ou "perturbado mental", isolado de tudo e de todos, mas um jovem cheio de vida, feliz, sorridente, sempre pronto para dar auxílio ou apenas uma palavra de conforto?
Talvez seja difícil acreditar em um fato destes, já que estamos acostumados a ouvir no "boletim do sábado à noite" a crônica negra dos crimes que a mídia propaga, como a morte de tantas vidas jovens, para não mencionar aqueles que sofreram uma "overdose" no caminho trágico da dependência de drogas...
Mas existe uma outra realidade, menos conhecida e mais positiva, da qual Carlo Acutis (1991-2006) foi testemunha em sua breve e intensa vita.
Ele era um jovem cheio de interesses, em especial a informática; aqueles que o conheciam, além de definí-lo um verdadeiro "gênio" do computador (o site que ele criou é um testemunho claro), podiam constatar que ele ainda era envolvido no voluntariado, na edição de filmes, na direção e edição de vários jornais escolares e grupos envolvidos em iniciativas socialmente úteis.
Mas essa atividade – testemunhada por quem o conhecia – era acrescida dentro de um contexto de vida espiritual forte e consciente. Isso o levou à participação da missa diária, a permanecer em adoração diante da Eucaristia, a adquirir o gosto da oração autêntica, que para si teve um papel importante na recitação do Santo Rosário. Tudo isso era claramente indicado no seu website, que ainda está online, editada agora por aqueles que o conheceram e apreciaram (3). Muitas páginas foram deixadas como Carlo tinha criado.

Dentre estas páginas, podemos citar uma que, particolarmente, demonstra a sua bravura e grande senso estético: uma verdadeira "mostra ondine" sobre os milagres eucarísticos mundiais.

Outra indicação de seu notável interesse pela vida dos Santos é uma longa página por ele escrita chamada "Meus amigos do Céu", que contém dezenas de "guias" sobre a vida de santos, beatos e servos de Deus que haviam-lhe particularmente interessado e que deixaram, sobremaneira, uma marca em sua vida espiritual.

Apenas com base nesses interesses digamos "alternativos" em respeito àqueles que geralmente são cultivados na adolescência e graças a um "empurrãozinho" de uma forte fé, Carlo tentava de todas as maneiras trazer almas a Deus, sugerindo às pessoas que conhecessem o caminho de Deus e que tivessem uma vida verdadeiramente cristã, "alimentando-se" do Corpo e Sangue de Cristo – elementos que nunca faltaravam nos seus dias. A frase-chave do seu site, escrito em letras grandes, ele diz, por isso mesmo o original: A Eucaristia é a minha estrada para o Céu..
Eventos significativos da vida de Carlo Acutis
Carlo Acutis nasceu em Londres (Inglaterra) a 03 de maio de 1991, local onde residiam em razão de exigências profissionais de seus genitores, André e Antonia. Recebeu alguns dias depois de nato (a 18 de maio) o Batismo, na Igreja de Nossa Senhora das Dores, também naquela cidade. Nesta ocasião, sua mãe - profundamente católica - preparou um bolo na forma de um cordeirinho para agradecer ao Senhor para a entrada de Carlo na comunidade cristã. Nesta igreja, havia uma estátua de Nossa Senhora de Fátima, a qual Carlo seria muito dedicado, ponderando e meditando, muitas vezes, sobre as mensagens enviadas para os pastores.

Sobre a importância fundamental do sacramento do Batismo, muitas vezes reduzidas a celebração do consumismo banal, Carlo assim expressava-se: "O Batismo é importantíssimo, porque permite que as almas sejam salvas graças ao retorno à vida divina As pessoas não percebem. o quanto significa esse dom infinito, e além do confete, presentes e roupas brancas, absolutamente não se preocupam em entender o significado deste grande dom que Deus dá à humanidade. ".





A infância de Carlo desenvolve-se sob o carinho e afeto não só dos pais e parentes próximos, mas também de algumas babás. A criança mostrava-se alegre, animada, mas ao mesmo tempo suave - "raro nesta idade". Se algum coleguinha fazia-lhe qualquer coisa errada, Carlo não reagia instintivamente, e citava o motivo: "O Senhor não seria feliz se eu reagisse violentamente. "
Já com doze anos de idade, frequentava a missa diariamente, também em seu período de férias, portando da Eucaristia a força para viver de forma santa e tão diversa de seus contemporâneos…
Em uma ocasião, preferiu ir em peregrinação a Assis (Itália), ao invés de escolher outros locais de entretenimento - um comportamento que desperta muita curiosidade daqueles que estavam ao seu redor, como alguns de seus parentes, que chamavam de "vítima dos pais", pensando que estavam estes impor tal comportamento.
Mas a realidade era diferente, como o próprio Carlo confidenciou a seu pai espiritual antes de sair desta dimensão terrena: "Assis é o lugar onde me sinto mais feliz". Ele admirava S. Francisco, especialmente sua grande humildade.
Após o colegial, ele foi matriculado no Liceo Classico Leão XIII, dirigida pelos Padres Jesuítas, oportunidade em que foi orientado espiritualmente pelo Pe. Roberto Gazzaniga, s.j. Carlo não era o primeiro da classe, mas conseguia resultados muito bons; dispunha-se sempre com alegria e generosidade para ajudar os amigos e todos ao seu redor, especialmente na utilização do PC, convicto que era da importância do uso construtivo dos computadores e da internet, conceito expresso pelo Papa João Paulo II e também reafirmado hoje pelo Papa Bento XVI. Repetidamente, colocava os seus conhecimentos à serviço da criação de apresentações multimídia e outras iniciativas promovidas pelo Instituto.
Carlo demonstrava interesse especial para aqueles colegas menos considerados, para aqueles que se sentiam "excluídos". Disse assim um amigo, como testemunha: "Carlo era uma pessoa muito disponível para fazer amizade com todos, e acompanhava com os colegas que tinham alguns problemas para se socializar. Isso acontecia com alguns jovens da nossa turma Carlo era sempre interessado em tentar envolvê-los e fazer com que eles estivessem integrados na classe. Carlo ia à Missa várias vezes por semana; ele tinha muita fé, acreditava no diálogo íntimo com o Senhor e rezava o Rosário todos os dias. Após a morte de Carlo voltei para Igreja e acho que isso pode ser mérito de uma intercessão de Carlo.".
Estas são algumas máximas apresentadas por Carlo no site. Assim dizia: "decidi ajudá-los, compartilhando alguns dos meus segredos mais especiais para aqueles que desejem rapidamente alcançar o objetivo da santidade:
1)Você deve querer isso com todo o seu coração, e se esse desejo ainda não tiver aflorado em seu coração, deve pedir com insistência ao Senhor.
2) Vá à missa todos os dias e faç a Santa Comunhão.
3) Lembre-se de recitar o Rosário todos os dias.
4) Leia todos os dias uma passagem da Santa Escritura.
5) Se você puder fazer um momento de adoração eucarística diante do altar, lugar onde Jesus está realmente presente, verá o quão maravilhosamente pode aumentar o seu nível de santidade.
6) Vá ao confessionário toda semana, mesmo que os pecados sejam banais.
7) Faça pedidos e ofereça flores para o Senhor e Nossa Senhora, a fim de ajudar os outros.
8) Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de modo que ele se torne seu melhor amigo."
A religião para Carlo não era "fanatismo" ou superficialismo. Na verdade, a sua cultura no tocante à fé - considerando sua pouca idade - era muito amplo, a ponto de seu professor de religião na escola, quando não conseguia se lembrar exatamente de algumas citações do Evangelho, pedir-lhe ajuda – e nunca era decepcionado com suas respostas!
Na igreja seu comportamento foi exemplar, característica de quem não comparecia apenas ao local como "hábito": agia com o devido respeito e, ocasionalmente, chamava a atenção daqueles que não se comportavam adequadamente no ambiente sagrado.
Sua confiança em Deus era total e manifestava seu amor pela vida, que brilhava em seu sorriso radiante e em seu jeito calmo de lidar com os pequenos problemas diários. Apesar de pertencer a uma família rica, não ostentava o este fato com a roupas de "grife" ou outros objetos que poderiam atrair a atenção, preferindo que o interesse das pessoas fosse dirigido a outros bens, como amar e agradecer ao Senhor ...
Tendo incluído no seu site muitas figuras dos Santos, destacou o fato de que essas criaturas não eram "extraordinárias" por natureza ou predestinação, mas que os Santos foram pessoas como nós: resta-nos seguir o seu exemplo, vivendo de acordo com os ensinamentos o Evangelho.
Carlo, para oferecer as agiografias, a vida dos beatos e servos de Deus, "retirou" do nosso site algumas fotos e artigos, especificamente as páginas dedicadas à Venerável Maria Teresa González-Quevedo (texto e fotografias) e duas imagens da Serva de Deus, Santa Scorese. Dado o "sujeito" em questão, o "perdoamos" de bom grado, eis que, na verdade, estamos satisfeitos com a esperança de que, de lá do alto, rezam eles para o sucesso do nosso trabalho apostólico.
O amor ao Senhor também uniu-se ao amor ao próximo, amor demasiado grande: Carlo não deixava de dar o seu apoio à pessoas "altamente colocadas", como àqueles destituídos da sorte. A caridade, tomado em seu sentido original de amor, era abundante na vida de Carlo, uma instituição de caridade silenciosa, oculta, tal como Jesus aconselhou-nos no Evangelho: "Não saiba o que dá tua mão esquerda a mão direita, de modo que a tua esmola permaneça em segredo: e teu Pai que vê em secreto, te recompensará "(Mateus 6:1-6). Esse é um traço comum a muitos santos, como assim explicitamos em nossa revista dedicada a S. Giuseppe Moscati. De fato, uma testemunha, por exemplo, relatou que ela observava, enquanto o Prof. Moscati, numa igreja fechada, inseria na caixa de ofertas luxuosas oferendas ao Santuário de Nossa Senhora de Pompéia, crendo que estava sozinho.
Além disso, o centro da existência de Carlo Acutis foi a Eucaristia, assim como era na vida de S. Giuseppe Moscati, e os frutos resultantes deste amor pode ter sido o mesmo, apesar de concluída em alguns lugares, formas e em momentos diferentes.
Um exemplo de como Carlo tinha no coração o bem-estar daqueles que tinham muito menos do que ele. Conta a avó materna, chamada Luana, falando de um mendigo que Carlo havia dormindo no chão, num jardim público de Assis: "Carlo lembrou-me todas as noites para preparar a comida para levar para o pobre homem, colocando sempre perto do seu bolso algum dinheiro, para que quando acordasse, tivesse o dinheiro perto de si." Exemplo de amor que não exige nada em troca, que sentia a alegria de dar e sem esperar nada em troca...
O exemplo que nos foi dado por Carlo nos leva a refletir sobre como a riqueza não é um mal em si, mas o valor que você dá aos bens materiais, não o egoísmo que muitas vezes dele resulta. O desejo de "manter tudo a si próprio", sem que o próximo participe desta bênção é o mal real.
Ninguém poderia imaginar que o Senhor iria em breve chamar a si o adolescente cheio de força, e que gozava de boa saúde: a doença que o atingiu, um tipo de leucemia do tipo M3 (já em fase aguda), foi inicialmente confundida com uma simples "caxumba". O mal escondido alastrou-se rapidamente, apesar dos muitos tratamentos, até a partida de Carlo, tudo isso no espaço de um mês. O Senhor chamou-o para o céu às 6:45h de 12 de outubro de 2006. Ele tinha apenas 15 anos de idade.
Durante o curso da doença, os pais ouviram-no dizer: "Ofereço todos os sofrimentos desta minha partida ao Senhor, ao Papa e à Igreja, não para fazer o Purgatório e ir direto para o Paraíso." 
Aqui estão algumas palavras da mensagem de um jovem tão "diferente" dos outros que, mesmo no sofrimento, nunca deixou de confiar no Senhor e oferecer tudo para o gozo do céu, e para o bem dos outros.
A morte não é o fim de nada, mas um verdadeiro começo – e em 12 de Outubro de 2006 a verdadeira vida de Carlo começa...



Um comentário:

  1. O então Papa João Paulo II fazia inúmeros pedidos em suas viagens apostólicas aos jovens de todo o mundo, que fossem dirigidos seus esforços cotidianos para uma vida de santidade, pois, conhecendo e vivendo a vontade de Deus, via nesse ato de entrega a única forma da juventude encontrar a sua vida que se esconde com Cristo (cef. Cl 3,3). Como podemos perceber, seu esforço Apostólico está sendo reconhecido pelo Pai Celestial, onde já começa a colher seus frutos.
    Gracias, Querido Beato João Paulo II

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