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terça-feira, 20 de março de 2012

Nossa Senhora dos Necessitados - Uma devoção esquecida, mas quão necessária!

 

Valdis Grinsteins

Na maioria das vezes, as pessoas que recorrem a Nossa Senhora o fazem implorando seu auxílio por ocasião de doença, perda de emprego, desejo de conversão etc. Muitos porém, esquecem-se de pedir por aqueles que mais necessitariam da ajuda de Maria Santíssima: os que nada pedem a Ela.
Na Itália, cuja população é teológica por excelência, surgiu uma devoção à Mãe de Deus com essa intenção.
Imaginemos uma pessoa doente, por exemplo, um parente nosso. Chegamos determinado dia em sua casa e percebemos que ele sofre aguda dor na perna, caminhando com dificuldade. Nossa primeira (e óbvia) pergunta será: ele já consultou um médico? Compreende-se a indagação, pois somente pessoas que se dedicaram a estudar determinada doença saberão melhor combatê-la, diagnosticar a enfermidade e indicar o remédio mais adequado para sua cura. De tal modo isto é evidente que, ao fazer a pergunta, ninguém vai explicar ao doente por que assim age. Salta aos olhos.
Preocupa-se com a saúde do corpo, esquece-se da saúde da alma
Ora, com as doenças da alma ocorre exatamente o mesmo. Apenas certas pessoas têm mais condições de nos ajudar, e, em alguns casos, somente alguém com muitíssima capacidade. E por isso mesmo seria absurdo não pedir o auxilio delas. Se elas estão prontas para isso, se querem nos ajudar, se para nós é um alívio ser por elas auxiliados, então, por que não recorrer a esses especialistas?
Mas (e aqui está o contraditório dasituação) isto que todos admitem em relação às doenças corporais, muitos têm dificuldade em aceitar quanto às doenças da alma! Quando surge uma grave doença corporal ou uma epidemia, mobilizam-se o governo, a mídia, entidades de caridade etc. Aparecem propagandas: “Cuidado! Tal doença tem cura! Use o remédio indicado!” Ou então: “Tal doença pode ser preventivamente detectada e assim debelada!”; “Atendimento gratuito nos postos de saúde do governo” etc. Tomar-se-á conhecimento do perigo e muitos atenderão à advertência.
Como explicar essa assombrosa contradição?
Por que então esta diferença: preocupação pela saúde de corpo e negligência pela da alma? Porque não se tem difundido suficientemente a devoção a Nossa Senhora, que está velando por todos e cada um de nós a cada segundo. Ela pode curar doenças corporais e, sobretudo, as da alma. Seu poder de curar é maior que o da soma de todos os governos do mundo.
Sejamos honestos, caro leitor. A tal ponto isto é assim, que mesmo bons católicos talvez ficassem surpresos se encontrassem numa rua um cartaz com os dizeres: “Não se drogue! Reze confiantemente e Nossa Senhora o livrará do vício”. Ou então: “Não pense em suicídio! Aquilo que você considera impossível resolver, Nossa Senhora solucionará, para Ela nada é impossível!”. Ora, num país de maioria católica como o nosso, isso não deveria nos surpreender; entretanto causaria estranheza.
Alguns católicos até julgariam errado empreender uma campanha pública de devoção a Nossa Senhora como meio para solucionar os problemas. Consideram que não se deve misturar vida privada com vida pública. De tal modo o laicismo contemporâneo penetrou em nossas vidas, que tendemos a separar inteiramente as convicções religiosas da esfera pública. Somos católicos interiormente, mas na vida prática agimos como ateus.
Portanto, não fiquemos só na teoria.
Muitos poderão se perguntar: mas que posso eu fazer? Resposta: rezar a Nossa Senhora dos Necessitados, ou seja, à Senhora daqueles que mais necessitam de ajuda, tão miseráveis que nem sequer fazem o pedido. Se uma campanha de saúde pública ressalta a necessidade de se levar ao médico aquele que por ignorância não o procura, façamos agora uma campanha em prol da saúde espiritual daqueles que não pedem por si mesmos a ajuda segura de Nossa Senhora. As olvidadas origens de uma devoção mariana
Tais reflexões vêm à mente quando se visita o santuário da Madonna dei Bisognosi (Nossa Senhora dos Necessitados) na Itália. Numa isolada localidade da Província de L’Aquila, uma antiga capela dentro de um convento acolhe o peregrino. Logo à entrada, deparamo-nos com afrescos em todas as paredes, representando episódios da vida de Nosso Senhor, Nossa Senhora e de Santos.
No altar, uma imagenzinha de madeira muito tosca, representando Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, provavelmente do século XII. A capela e essa devoção datam do século VI, mas a imagem hoje venerada é posterior. O Papa São Bonifácio IV foi miraculado por intercessão de Nossa Senhora enquanto representada na referida imagem. Para agradecer sua cura, visitou o Santuário no dia 11 de junho de 610, deixando uma cruz, que até hoje se conserva.
Entrando no recinto, chama especialmente a atenção uma parte da capela. Nela vemos, ainda em bom estado de conservação, um afresco pintado por volta do ano 1440, representando uma cena terrível: o Juízo Universal, no qual figura, na parte inferior, o inferno. Vêem-se ali demônios torturando os pecadores que lá tiveram a desgraça de cair. Mas com um detalhe: o pintor decidiu colocar os nomes de alguns pecados que levam homens e mulheres ao inferno. Assim, o vício da inveja, representado por Judas, que se encontra preso no próprio braço de Satanás; o vício da gula, representado por um pecador que está sendo comido pelo demônio; o vício da impureza, representado por um pecador a quem o demônio tortura o corpo inteiro por toda a eternidade. Terrível quadro, espantosa situação! Mas ocasião para excelente meditação, com vistas a se evitar a queda.
Aumenta o contraste comparar o sofrimento dos condenados com a paz que gozam os bem-aventurados no Céu, representados acima dos condenados. Aí tudo é ordem e harmonia. Cantam ou rezam todos juntos, não passam por qualquer necessidade, é a felicidade eterna.
O dever de rezar por quem não reza
Pareceu-me especialmente feliz a colocação de tal afresco na capela de Nossa Senhora dos Necessitados. Realmente, quão necessitados estão de nossas orações, sacrifícios e boas ações todos os pecadores, para não terem a desgraça eterna de caírem no inferno! Pensa-se pouco neles. Contudo eles custaram o sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pensa-se tão pouco nisso que, na aparição de Nossa Senhora em Fátima, Ela pede aos homens rezar por eles. Assim, ao final de cada dezena do terço, reza-se a jaculatória: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem”. Notem que a oração está no plural. Não se diz “livrai-me”, mas livrai-nos, porque temos o dever, lembrado de forma tão clara por Nossa Senhora, de pedir uns pelos outros.
Imaginemos certa mãe com dois filhos. Um deles atende aos pedidos da mãe, o outro mal se lembra de que ela existe. Certamente essa mãe está contente com o primeiro e triste com o segundo.
Mas imaginemos que o primeiro faz tudo o que pode para que o segundo passe a obedecer à mãe. Ajuda o irmão, procura levá-lo junto a ela etc. Não ficará a mãe especialmente grata a esse filho, que não só lhe obedece, mas procura ajudar seu irmão também a obedecer? Por assim dizer, o amor e a gratidão da mãe se multiplicam.
Isso acontecerá conosco se procuramos ajudar nossos irmãos doentes espiritualmente. Como prêmio por essa caridade, Nossa Senhora atenderá com maior presteza nossos pedidos.
Rezemos, portanto, a Nossa Senhora dos Necessitados, pelos doentes de alma — verdadeira legião neste nascente século XXI. 
Fonte: Catolicismo


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