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terça-feira, 6 de março de 2012

Meios para Avançar na perfeição - Parte II

 

“Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu” (Mat 5,48)
O principal obstáculo para avançar na perfeição reside na mediocridade da alma, cujas características  e remédios falamos no artigo anterior. Se é verdade que dificilmente um medíocre pode recuperar o seu antigo fervor, diz o Senhor que: “O que é impossível aos homens é possível para Deus” (Lc 18,17). Quem roga ao Senhor e usa os meios adequados rapidamente alcança o que deseja. Santo Afonso Maria de Ligorio, no capitulo 8 de seu livro: Prática do Amor a Jesus Cristo, sugere cinco meios para sair da mediocridade e avançar na perfeição:
- Desejar a perfeição;
- Firme resolução em alcançá-la;
- A meditação;
- A comunhão freqüente;
- A oração;
Em primeiro lugar, o desejo de perfeição. Santo Afonso diz que “são desejos de santidade que como asas nos fazem remontar o voo sobre a terra. Dão-nos forças e aliviam para andar o caminho de santidade”. Só quem deseja verdadeiramente alcançar a perfeição vai sempre adiante. Pelo contrário, os que não têm este desejo, voltarão atrás. Santa Teresa de Jesus dizia: “Ajuda muito ter altos pensamentos para que nos esforcemos a que sejam também as obras”(Caminho de Perfeição, 5). E noutro lugar diz: “ O demônio faz muito estrago, para que as pessoas que têm oração não progridam, ao fazer-lhes entender mal o que é a humildade, fazendo que nos pareça soberba ter grandes desejos e querer imitar os Santos” (Livro da Vida 13). E para desanimar, faz-nos pensar nos nossos pecados passados. Por isso, temos que ter presente que nem sequer os pecados que cometemos podem impedir-nos de alcançar a santidade, se de verdade a desejamos. Antes pelo contrário: “Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28) e, paradoxalmente, os próprios pecados podem ajudar, porque o pecador ao lembrar-se deles, torna-se mais humilde.
O segundo meio para alcançar a perfeição é a resolução, isto é, a decisão firme de dar-se a Deus totalmente. Se ao desejo de perfeição não se juntar esta firme resolução de alcançá-la, nunca passará de um desejo estéril. O preguiçoso está cheio de bons desejos, porém, nunca se decide a aplicar os meios para os realizar. Por isso, se diz que: “O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções”. Pelo contrário, “ a alma que neste caminho(...) começa a caminhar com determinação(...) tem andado grande parte do  caminho”(Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida, 11).
O terceiro meio para alcançar a perfeição é a meditação. Quem não medita as verdades eternas, só por uma graça extraordinária de Deus poderá viver cristãmente. As verdades da fé só se vêem com os olhos da alma e só quando a alma as medita. Por isso, quem não medita não as vê, caminha nas trevas e facilmente se afeiçoa às coisas da terra e despreza as eternas. Pelo contrário, graças à meditação, nascem os pensamentos santos, fortalecem-se os desejos de perfeição e surgem no coração os propósitos firmes de entregar-se completamente a Deus. É muito útil meditar nos novíssimos (morte, julgamento, inferno e paraíso). E também é muito eficaz meditar na vida do Redentor, como nos recorda a Imitação de Cristo: “Seja, pois, a nossa principal preocupação meditar a vida de Jesus. A doutrina excede os ensinamentos de todos os  Santos( I 1§ 1).
O Quarto meio para alcançar a santidade e perseverar na amizade com Deus é comungar com freqüência. A Eucaristia livra-nos das culpas quotidianas e das simples imperfeições ou pecados veniais e, sobretudo, preserva-nos dos pecados mortais. Inclina a alma à virtude e infunde-lhe uma grande facilidade para praticar. É óbvio que, para que a santa Comunhão produza na alma estes efeitos, são muito importantes as disposições com que a pessoa se aproxima ao banquete eucarístico, dedicando um bom tempo à ação de graças, já que “o tempo que passa depois da Comunhão é tempo para fazer fortuna e acumular tesouros de graça para o Céu”
(São João de Ávila).
Finalmente, neste caminho até a perfeição é necessária a oração como dialogo pessoal e intimo com Deus, porque o auxilio da graça é, por um lado, imprescindível e, por outro lado, Deus concede-o só a quem pede. “O Senhor é rico para com todos os que o invocam” ( Rom 10,12). Como as tentações e os perigos nesta vida são contínuos, contínua tem que ser também a nossa oração. Assim no-lo disse o Senhor: “É preciso orar sempre, sem desfalecer” (Lc 18,1). Enfim, quando oremos a Deus, não nos esqueçamos de nos recomendar a Maria, nossa Santíssima Mãe, dispensadora de todas as graças. “Deus – diz São Bernardo – é quem dá a graça, porém concede-a pelas mãos de Maria. Procuremos a graça, mas procuremo-la por Maria”. Se Maria roga por nós, estejamos seguros de que seremos escutados, porque as suas orações são sempre bem acolhidas por Deus e jamais são desatendidas.  
Escrito por: Pe. Pierfilippo Giovanetti, msp
Missionários Servos dos Pobres do Terceiro Mundo

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