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sábado, 25 de fevereiro de 2012

João Evangelista – Teólogo – A Águia do Céu - Para Estudo e Lectio Divina


João – como ele mesmo afirma – era “o discípulo que Jesus amava” de modo especial, sem dúvida por causa da missão extraordinária que lhe iria confiar, qual seja a de substituí-lo no amparo à Maria Santíssima.
O Apóstolo  predileto era discípulo de João Batista, quando este, vendo Jesus disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” O Evangelista, junto com André, irmão de Pedro, seguiu imediatamente o Salvador.
Pouco depois, já formado o Colégio apostólico, João e seu irmão Tiago, juntamente com Pedro, foram os três mais achegados ao Mestre, e presenciaram a transfiguração no Tabor, a agonia mortal no Getsêmani e outros fatos de maior importância. Na Ultima Ceia, João reclinou a cabeça no peito de Jesus, como que haurindo então as idéias centrais de suas Epístolas e Evangelho; a divindade de Cristo, as maravilhas da graça e a caridade fraterna.
Quando os demais apóstolos abandonaram o Mestre no início da Grande da grande Jornada do sofrimento, João o acompanhou até o Calvário junto a Virgem Maria. E ele foi como testamento sublime que Jesus lhe confiou quando disse: “Eis a tua Mãe!” (Jo 19,7).
Ao anúncio da ressurreição, João correu com Pedro até o sepulcro. Depois, às margens do lago de Tiberíades, reconheceu a Jesus ressuscitado.
Pelo ao menos até o Concílio de apostólico de Jerusalém, João aí permaneceu. Juntamente com Pedro e Tiago, era considerado “coluna” da Igreja (Gál 2,9).
Antiga tradição refere que ele evangelizou a Ásia Menor, onde governou a Igreja de Éfeso, provavelmente logo depois de ter abandonado Jerusalém, durante a perseguição que vitimou o apóstolo Tiago (At 12, 1-3).
De fato, quando Paulo, por volta do ano 52, esteve na Cidade Santa, já não encontrou Pedro nem João.
Tertuliano, pelos fins do século II, nos diz que o apóstolo da caridade foi levado a Roma, onde o imperador Demociano o fez lançar numa caldeira de óleo fervente, da qual saiu ileso, sendo em seguida exilado para Patmos, pequena ilha de uns 40 km² no mar Egeu, onde escreveu o Apocalipse.
Sob o império de Nerva, que reinou após a morte de Domiciano, de 96 a 98, João regressou a Éfeso, onde escreveu as três Epístolas e o Evangelho. Aí mesmo faleceu quase centenário, entre os anos 98 e 100, encerrando-se então a Revelação Bíblica e a Era apostólica. Uma Igreja construída nas montanhas  perto de Éfeso, guarda os sagrados despojos do apóstolo.

Comentário:

O Quarto Evangelho supõe os Sínodos já bem conhecidos. O cristianismo estava muito espalhado e começavam a surgir algumas heresias. Contra a dos gnósticos é que João transcreve os discursos e provas com que o Messias atestava a própria divindade. No Dizer de São Jerônimo, “João provou, com fatos, que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus”.
Realmente, o quarto Evangelho tem em mira complementar a narração dos sínodos , salientando as provas da divindade do Verbo que se fez carne e é a luz do mundo, luz que o mundo não quis receber. Daí os freqüentes debates entre Jesus e os fariseus, que o rejeitam.
Mas então, por que os sínodos quase nada relatam desses discursos de Cristo na Judéia, e suas discussões com os Judeus?
Por esta razão muito simples; porque não se relacionam diretamente com o escopo pelo qual os sinóticos escreveram, e porque estes narraram quase exclusivamente o ministério na Galiléia. Note-se ainda que foi muito breve o ministério em Jerusalém e na Judéia, onde se deram tais discursos e debates, quase sempre diante dos rabinos, que eram bons conhecedores da Sagrada Escritura. Comparem-se com o estilo da pregação ao povo mais simples da Galiléia.
Tudo João conservava vivo na memória e repetia sem cessar em suas alocuções aos fiéis da Ásia Menor.
Pela sua sublimidade especial, João mereceu dos Padres gregos o título de “Teólogo” e seu principal escrito era chamado o “Evangelho espiritual”.
Apesar da diferença considerável entre os sinóticos e o quarto evangelho, a figura de Cristo mostra-se perfeitamente igual nos quatro; humano, misericordioso e ao mesmo tempo firme e claro em sua afirmações e atitudes.
Um exame até superficial do texto demonstra claramente que o “discípulo que Jesus amava” é mesmo João, que com Pedro e Tiago formavam o trio mais próximo do Redentor, no grupo dos doze.
Recentes descobertas comprovam a historicidade do quarto Evangelho e a exatidão das particularidades aí referidas: o poço de Jacó em Sicar (Jo 4,5), os cinco pórticos da piscina de Betésda (Jo 5,2), e o estrado lageado Litóstrotos ou Gábata (Jo 19,13). O autor insiste em afirmar que presenciou o que descreve (Jo 1,14; 19,35); esses e vários outros pormenores sobre lugares e costumes da Palestina o demonstram.
Diversas passagens desse livro santo já se encontram nos Padres apostólicos em inícios do segundo século.
A seguir, Polícrates, Irineu, Justino, Teófilo de Antioquia, e o famoso fragmento  ou Cânon muratoriano são alguns nomes que fazem referência expressa ao mesmo Evangelho de João.
Papias, por exemplo, entre os anos de 110 a 130, lembra que desde a mocidade procurava interrogar os discípulos diretos dos apóstolos sobre o que estes haviam ensinado. E escreveu, no seu livro Esclarecimentos: “O Evangelho de João foi publicado e comunicado às Igrejas pelo próprio João ainda em vida”.
Após o sublime prólogo (Jo 1, 1-18), que mereceu para o apóstolo o apelido de “Águia do Céu”, o quarto evangelho pode dividir-se em quatro partes, além dos dois epílogos ( Jo 20, 30-31e 21, 24-25):

                                                  I Parte: Manifestação de Jesus (Jo 1,19 –*21 )
                                                 II Parte: Pregação de Jesus e oposição dos Ju-
                                                    deos (Jo 5-12).    
                                                III Parte: Discursos e oração na Última Ceia
                                                   (Jo 13--17).
                                                 IV Parte: Paixão, morte e ressurreição de Jesus
                                                   (Jo 18—*21).
                                      
(o asterisco (*) faz referência a capítulos integrais).
  

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