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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Rosto de: Lourenço da Ressurreição


 
Nicolau Herman (Lourenço da Ressurreição), nasceu em 1614, em Hériménil, Lorena (actual região do mesmo nome do Nordeste Francês), numa família profundamente cristã.

Aos 18 anos, num dia de Inverno, olhando a natureza despojada, pensando que dentro de pouco tempo as árvores desfolhadas voltariam a florescer, Nicolau é iluminado por uma evidência e uma simplicidade imediatas, percebendo que na base desse processo anual, existe um Ser pessoal, inteligente e cheio de amor. Então, a sua fé em Deus se personifica, recebendo essa graça da Providência e do poder de Deus, que admitirá mais tarde, nunca se ter apagado de sua alma.

Este mesmo ano, a Lorena era ocupada pela França, e o Duque Carlos IV, expulso do seu país, juntou tropas para reconquistar as suas terras. Nicolau alistou-se no exército do Duque de Lorena. Nessa Guerra de Trinta Anos, tristemente célebre pela crueldade desumana, os soldados não recuavam diante de pilhagens ou qualquer gênero de violência. Mais tarde, Nicolau lastimará o seu passado, deplorando os seus pecados diante de Deus. Se ignoramos naquilo que consistiam verdadeiramente, o que é certo é que a precedente graça tinha desaparecido da sua vida. Duas vezes se encontrará diante da morte; finalmente uma ferida o obrigará a deixar as armas aos 21 anos.

O tempo da cura para o corpo, foi-o também para a alma; e a experiência vivida aos 18 anos voltou à tona. Então resolveu entregar-se a Deus e mudar a conduta passada. Adotou algum tempo a vida de eremita com outro companheiro. Mas, desconcertado ao ver que ele passava da alegria à tristeza, da paz à tribulação, do fervor à ausência de devoção, não perseverou neste caminho. Foi então para Paris onde foi mordomo na casa do senhor Fieubert, onde ele dirá ter sido “um pesadão que quebrava tudo.”

É aí que o Convento dos Carmelitas da rua Vaugirard (hoje, Instituto Católico) começou a atraí-lo; e mais, um dos seus tios era da Ordem. Nicolau decide aos 26 anos pedir a entrada como irmão converso (não sacerdote), e tomou por nome Irmão Lourenço da Ressurreição. Lourenço era o nome do santo patrono da sua paróquia natal; Ressurreição lhe recordara talvez o renascimento da árvore despojada a quando dos seus 18 anos.

Primeiro, foi cozinheiro ao longo de 15 anos, depois sapateiro do seu convento; após dez anos de penosa caminhada, num sentimento doloroso por causa dos seus pecados, um ato de abandono determinante o liberta, e pouco a pouco, o faz encontrar o seu próprio caminho espiritual: viver o trabalho como tempo de oração, as tristezas, como as alegrias, na “Presença de Deus”; transformando todas as suas ocupações à “maneira de pequenas conversas com Deus, sem prever, como calhar…sem necessidade de delicadezas, estar com bondade e simplicidade.” O único método da vida espiritual do Irmão Lourenço foi de certo modo o exercício da Presença de Deus que consistiu em “agradar e acostumar-se na divina companhia, detendo-se amorosamente com Ele em todo o tempo.” Assim, a alma é conduzida “insensivelmente a este simples olhar, a esta visão amorosa de Deus em tudo, que é a mais santa e mais eficaz maneira de oração.” “Na via de Deus, os pensamentos são tidos em conta como pouco, o amor faz tudo.” O encanto do Irmão Lourenço atrai numerosas pessoas que lhe vem pedir conselhos: é assim que as suas cartas ou notas dados oralmente chegaram até nós.

No início de 1691, o Irmão Lourenço adoece. Como o seu mal aumentava, deram-lhe o Sacramento dos Enfermos. A um religioso que lhe perguntara o que ele fazia e com que ocupava o seu espírito, ele respondeu: “Faço o que farei na eternidade, bendigo a Deus, louvo a Deus, adoro e amo-O de todo o coração, eis o nosso trabalho, meus irmãos, adorar a Deus e amá-lo, sem se preocupar do resto.” Depois, com a paz e a tranqüilidade de alguém que adormece, o Irmão Lourenço morre em 12 de Fevereiro de 1691, aos 77 anos.

Pouco tempo depois, o abade José de Beaufort, vigário geral do cardeal de Noailles, e amigo do carmelita sapateiro ao longo de um quarto de século, fez conhecer a mensagem de Lourenço em duas obras biográficas que, em 1991, foram publicadas numa edição crítica. Selado com o selo da simplicidade e da verdade, essa mensagem não envelheceu em três séculos.

A prática da Presença de Deus, como maneira orante, aconselhada pelo Irmão Lourenço, valeu-lhe uma irradiação inter-confessional. A sua espiritualidade do dever de estado faz com que todos os estados de vida nele se encontrem. Se a sua insistência sobre as virtudes teologais, fé, esperança e caridade, lembram os ensinamentos de São João da Cruz, a locução de Lourenço denuncia uma familiaridade com Santa Teresa de Jesus, recordando em particular a “oração recolhida, de meditação”. Enfim, o quietismo não teve nenhuma influência nele: o seu abandono confiante inscreve-se na colaboração da alma à obra divina, e, a ascese como meio de dispor o corpo e o espírito ao encontro do Deus vivo.

Tradução da biografia de Lourenço da Ressurreição - Site do Carmelo de França

 

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