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domingo, 20 de novembro de 2011

Reflexão sobre o agir com o próximo





















Por que te inquietas com os juizos dos homens e que te importam seus vãos pensamentos?
Eles vêem quando muito o exterior; seus olhos não penetram no fundo da alma, aonde estão escondidos o bem e o mal. Não te aflijas pois se eles te condenarem, nem te ensoberbeças se te louvarem. Prosta-te porém diante de Deus e dize-lhe: "Se perscrutares, Senhor, nossas iniquidades quem poderá estar em vossa presença?". (Sal - 129,3)
Alguns exageram a importância do que eles chamam reputação e no excessivo calor com que a defendem, há muitas vezes mais amor próprio que zelo verdadeiro. Jesus Cristo, carregado
de ultrajes, deu-nos outro exemplo: "calou-se e não abriu a boca." (Sal - 38,10).
Todos os santos foram como ele perseguidos e caluniados. Quando tivermos feito o que de nós dependia para não escadalizar a nossos irmãos, nossa conciência estará sossegada; nada mais nos resta senão ficar em paz na humilhação.
Deus sabe tudo, isto basta. "pouco se me dá, escrevia São Paulo aos Corintios, pouco se me dá ser julgado por vós, ou por algum tribunal humano; eu não me julgo a mim mesmo; quem me julga é o Senhor. Não julgueis pois antes do tempo, até que o Senhorvenha;ele pora patenteo que está oculto nas trevas, manifestará os segredos dos corações, e então cada um receberá de Deus o louvor que merece" (I Cor 4,3-5).
Para vos contentar, Deus de minha alma, não tenho trabalhado, porque sois bom de contentar e com vossa bondade vós acomodais ao que posso e ao que sei. No que se refere à minha salvação tendes-me descoberto vossa vontade para que a não erre; nas coisas que não são desta importância, em que não tenho necessidade de ter certeza do que nelas quereis, aceitais a boa intenção e o desejo, ainda que seja diferente do que vós quereis nestas coisas.
Sofreis-me quando me vedes errar, e ajudais-me para levantar, e nunca diante de vós sou tão mau que vosso piedoso juízo não ache razão para me favorecer, para que o não seja. Convosco, meu Deus, sempre estou bem. Mas os homens , curtos no entendimento, afeiçoados no juízo, diferentíssimos nas inclinações e pareceres, como é possivél contentá-los?
Aprovam e desaprovam sem consideração; um quer que sofra, quando outro quer que me vingue. Um me tem por humilde, quando outro me tem por hipócrita: Tudo é deste modo se fundamento. E quando me fora possível contentá-los a todos, que ganharia com isso? Que proveito tiraria para minha salvação? Concedei-me Senhor, a graça de poder levar com paciência as fraquezas de meu próximo. 

Livro terceiro Imitação de Cristo Cap.XXXVI

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