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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Lutar contra a mediocidade espiritual


Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito – Mat 5 43-48

Não há duvida que a primeira condição para todos os que queiram caminhar seriamente para a santidade, tal como recordava João Paulo II é a “perfeição da caridade” (Chistifideles laici, 16), vocação universal de todo homem, que consiste na luta quotidiana contra a mediocridade espiritual.
A mediocridade espiritual é própria  daqueles cristãos que pretendem empreender o caminho da santidade, até  à união intima com Deus, só meio a meio, sem generosidade, com pouco esforço, quase sem renúncias, porém, sabendo que só em Deus existe a verdadeira felicidade.
Na Sagrada Escritura encontramos várias denúncias deste estilo de vida: “maldito aquele que cumpre com negligência a missão que Deus lhe Deus” ( Jr 48,10). “Conheço a tua conduta: não és frio ou quente. Quem dera que fosses frio ou quente! Porque és morno, nem frio nem quente, estou prestes a vomitar-te de minha boca.” (Ap 3, 15-16).
São José Maria Escrivã no seu Livro Caminho (pp 331), indica-nos alguns sintomas  deste mal.
Trata-se de uma lista provavelmente não exaustiva, mas útil para fazer um exame de consciência sobre este aspecto da nossa vida espiritual. Diz o Santo:

“És Morno:
- se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor:
- se procuras com cálculo o modo de diminuir os teus deveres;
- se não pensas mais que em ti e na tua comodidade;
- se as tuas conversas são ociosas e vãs;
- se não aborreces o pecado venial;
- se atuas por motivos humanos”.

Um sintoma deste mal consiste em não dar importância aos pecados veniais. É uma falta de zelo – consciente e querida, fundada em muitas idéias errôneas – em coisas espirituais: “Que não devemos ser minuciosos”; “Que Deus é misericordioso e que por isso não se fixa muito nas coisas pequenas”; “Que os outros também fazem o mesmo”. E tantas outras desculpas semelhantes.
É obvio que a raiz da mediocridade não reside nos pecados veniais, mas em fazer a paz com as pequenas faltas, como podem ser as distrações na oração, as palavras inúteis, os desejos de ficar sempre bem visto diante dos outros, as murmurações (falar dos defeitos dos outros), os ressentimentos manifestados com palavras, etc. Estes pecados podem ser evitados coma ajuda de Deus, ajuda que devemos pedir na oração.
A mediocridade favorece o nosso apego a este gênero de pecados e, consequentemente, impede-nos  de chegar à perfeição, porque o pecado venial diminui o fervor da caridade, aumenta as dificuldades para a prática das virtudes (cada vez se apresenta como mais difíceis) e predispõe para o pecado mortal, que chegará se não reagirmos com prontidão.
E como reagir contra estes pecados, e sobretudo contra a mediocridade que nos apega a eles?  Em primeiro lugar, devemos procurar a contrição sincera, que nos leva a não fazer as pazes com estes pecados e debilidades. Para ter contrição dos pecados cometidos, é muito útil que aprenda-mos a colocar-nos na presença de Deus, as pés da cruz. Se queremos medir a maldade dos nossos pecados, necessitamos de um ponto de referencia e para isso não há nada melhor que fixar a nossa atenção no amor de Cristo, isto é, cravar os nossos olhos no Crucificado, expressão máxima deste amor. Sem isto não daremos o justo peso às nossas faltas e facilmente nos vencerá a tendência a justificá-las.
Um outro instrumento útil nessa luta é o recurso à mortificação. Porém, devemos, antes de mais nada, distinguir entre as mortificações passivas e as mortificações ativas. As primeiras que chamamos passivas, compreendem todas aquelas contrariedades que encontramos (contra as quais nos “chocamos”) no dia-a-dia, no trabalho e na vida com os outros: defeito de pessoas com as que devemos conviver, inconvenientes no trabalho, incompreensões na família, etc. Para aceitar estas mortificações diárias será muito útil recordar com freqüência, possivelmente todas as manhãs, que o dia que começamos será também caracterizado pela cruz, mas que este pode ser em si mesmo já uma cruz especialmente pesada e a que mais nos custe levar. Depois, há as que chamamos mortificações ativas, isto é, aquelas que nos preocupamos. Entre estas, temos que distinguiras mortificações interiores ( por exemplo, afastar pensamentos e fantasia sou lembranças nocivas) e as exteriores ( não olhar para o que nos pode causar dano, evitar conversas inúteis, murmurações, etc.).Muitas vezes tratar-se-á de renunciar a comodidades, a divertimentos... Estas são coisas e prazeres que em si mesmas podem não ser más, inclusive podem ser totalmente lícitas, contudo, não serão uma ajuda para o nosso progresso na vida espiritual.
Se tendemos a apegar-nos aos pecados veniais, recordemos o que diz São João da Cruz:” Quem procura Deus querendo continuar com seus gostos, procura-o de noite e assim não o encontrará ( Cântico Espiritual 3,3).

Escrito pelo Padre Pierfilippo Giovanetti , msp
Missionários Servos dos Pobres do Terceiro Mundo


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