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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mais um grande Profeta: Isaías

Profeta Isaías
Dos quatro grandes Profetas do Antigo Testamento, um dos maiores e o mais antigo dentre eles é Isaías, considerado o Profeta da Redenção porque, melhor do que ninguém, predisse a vinda do Salvador. “Gênio religioso tão grande, marcou profundamente sua época, e fez escola”.
Poeta, “artista da palavra, mestre incomparável da língua hebraica, verdadeiro músico tirando por vezes de um vocabulário abundante e bem ritmado efeitos impressionantes”, “é entre os Profetas o que Salomão é entre os reis. ... Fala com os reis como um deles; apresenta-se com majestade diante dos príncipes de seu povo e diante dos potentados do mundo. Em todas as situações é mestre em sua matéria, mestre das expressões, grandioso com simplicidade, sublime sem afetação”. Pudera! Antes de anunciar suas divinas profecias, teve seus lábios purificados por um serafim com um carvão ardente...
“Ouvi, Céus, e tu, ó Terra, escuta, porque o Senhor é quem fala. Criei filhos e os eduquei; porém eles se revoltaram contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o asno o estábulo do seu dono; mas Israel não Me conheceu, e meu povo não teve entendimento” (Is 1, 2-3). É com estas grandiosas e pungentes palavras mostrando a bondade de Deus e a ingratidão do povo eleito que Isaías inicia seu livro.
Filho de Amós, do sangue real de Judá segundo antiga tradição dos hebreus, Isaías — “Javé salva” — nasceu em Jerusalém por volta do ano 765 A.C. Seu estilo nobre e elevado faz supor que recebeu educação das melhores da sua época.
Casado e com dois filhos, Isaías deu-lhes nomes simbólicos. O primeiro, Scar-Jasub, quer dizer “um resto voltará”; de acordo com comentaristas das Sagradas Escrituras, queria significar que, após muitas vicissitudes e derrotas, sobreviveria um resto, do qual nasceria o Messias prometido. O segundo filho chamava-se Chas-Bas, que significa “apressai-vos em devastar”, e anunciaria a devastação dos reinos de Israel e da Assíria.

Nasce a vocação profética

Isaías não nasceu Profeta. Sua vocação foi-lhe dada “no ano em que morreu o rei Ozias” (Is 6, 1), após espetacular visão: Deus mostrou-se a ele, sentado em Seu trono, guardado por serafins de seis asas, que clamavam um para o outro “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos; toda a Terra está cheia de Sua glória” (Is 6, 3).
Diante disso Isaías humilhou-se, lembrando-se de seus pecados: “Ai de mim”, gemeu, “que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, habito no meio dum povo que tem os seus também impuros, e vi com meus olhos o Senhor dos exércitos” (Is 6, 5).
Esse ato de humildade foi agradável a Deus. Ordenou que um serafim tomasse do altar, com uma tenaz, uma brasa, e com ela purificasse os lábios de Isaías. Nesse momento “estremeceram os umbrais das portas à voz do que clamava e a casa encheu-se de fumo”. E essa voz divina, à vista da depravação de Judá, indagava: “Quem enviarei Eu? E quem irá por nós?”
Nesse momento, Isaías, cheio de zelo pela glória de Deus, exclamou: “Aqui me tens, Senhor; envia-me” (Is, 6, 8). E tornou-se assim um Profeta, e dos maiores dentre eles. Pregou em Judá (o reino do sul) mais ou menos ao mesmo tempo em que Amós e Oséias pregavam em Israel (reino do norte).
Sua “participação ativa nos assuntos de seu país faz de Isaías um herói nacional. É também um poeta genial. O brilho do estilo, a novidade das imagens fazem dele o grande ‘clássico’ da Bíblia. .... Isaías é o Profeta da fé e, nas graves crises que a nação atravessa, pede que confiem só em Deus; é a única oportunidade de salvação. Sabe que a prova será dura, mas espera que sobreviva um ‘resto’, do qual o Messias será o rei. Isaías é o maior dos profetas messiânicos”.
De aspecto grave e majestoso, a presença de Isaías transmitia um imponderável de grandeza e bondade, que a todos impressionava. Durante mais de 40 anos, sob os reinados de Joatão, de seu filho Acaz, de Ezequias e Manassés, interveio nos grandes acontecimentos de seu tempo, que não eram propícios.
Ao mesmo tempo que predisse grandes castigos para o povo prevaricador, anunciou também a vinda do Redentor, de um resto que permanecerá fiel, de uma virgem: “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel” (Is 7, 14); “foi posto o principado sobre o seu ombro; e será chamado Admirável, Conselheiro, Deus forte, Pai do Século futuro, Príncipe da paz. O seu império estender-se-á cada vez mais e a paz não terá fim; sentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer pelo direito e pela justiça, desde agora para sempre; fará isto o zelo do Senhor dos exércitos” (Is 9, 6-7). “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade; e será cheio do espírito do temor do Senhor” (Is 11, 2-3).
Ozias, que governou longamente, e seu filho Joatão, tiveram um bom e próspero reinado. Há povos que não sabem conviver com a riqueza sem corromper-se, e esse foi o caso dos antigos judeus. A miséria moral e espiritual do país era tão grande quanto o era sua prosperidade material. “A prática da religião exteriorizava-se em numerosos atos públicos de culto, em funções litúrgicas, mas era destituída de sincero sentimento interior e de vida moral correspondente”. O que levava o Senhor a dizer pela boca do Profeta à nação desviada: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai de diante dos meus olhos a malícia dos vossos pensamentos, cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo, socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva” (Is 1, 16-17).


Idolatria e sacrifícios humanos

E essa degradação aumentou ainda no reinado de Acaz, um dos monarcas mais ímpios de Judá, príncipe idólatra que fechou o Templo e imolou o próprio filho ao ídolo Moloc. A idolatria trouxe consigo a corrupção de costumes, de tal modo que Isaías increpou, com linguagem severa e cheia de ameaças, dirigentes e povo: “Ouvi a palavra do Senhor, ó príncipes de Sodoma, escuta a lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” (Is 1, 10). “Eu lhes darei meninos para príncipes, e dominá-los-ão efeminados” (Is 3, 4), “pois fizeram, como os de Sodoma, pública ostentação do seu pecado, e não o encobriram” (Is 3, 9).
Como castigo, o reino de Judá foi invadido e devastado pelos reis da Síria e de Israel, aliados contra Acaz. Jerusalém, a capital, foi assediada como por uma pinça, tendo numa das pontas Rasin, rei da Síria, e na outra, Phaceu, rei de Israel. Acaz, contra o parecer de Isaías que o aconselhava a pôr sua esperança no rei dos Céus, recorreu à ajuda do rei da Assíria, Teglat-Falasar, em condições ruinosas.
Essa aliança, que colocava Judá sob sua tutela, precipitou também a ruína do reino de Israel, predita por Isaías, assim como o aniquilamento de sua capital, a Samaria. Com o fracasso de sua missão junto a Acaz, Isaías retirou-se para a vida privada.
Voltará a aparecer no tempo de Ezequias, filho e sucessor de Acaz, rei piedoso que encetou a reforma dos costumes e combateu a idolatria.
Nessa época, a Assíria começava a disputar, com o Egito, a hegemonia na Ásia ocidental.

Assíria X Egito: grandes entram em conflito

Isaías teve também que enfrentar a guerra que convulsionava todas as nações asiáticas. Contra o poder assírio, começou a levantar-se, como grande potência, o Egito. Espremidos entre os dois colossais contendores, ficavam os pequenos reinos do Oriente Próximo. Entre eles surgiram dois partidos: um propenso a negociar com a Assíria, outro a somar-se à oposição, encabeçada pelo Egito.
“Isaías, em nome de Deus, pregava a neutralidade, combatia toda a esperança fundamentada nos homens, e incitava a pôr toda a confiança em Javé, fundador e protetor da nação”. Por isso, contra o parecer de todos os ministros, desaconselhou o rei a se aliar com o Egito; mas não foi ouvido.
Sucedeu então o pior para Judá: Senaqueribe, rei dos assírios, partindo de Nínive, em campanhas fulminantes, desbaratou os egípcios e voltou-se contra o ingrato reino, cercando Jerusalém com inumerável exército.




Volta a Deus e vitória milagrosa dos judeus

Ezequias, vendo que tudo estava perdido, voltou-se para Deus como seu único refúgio e pediu o auxílio do Profeta para aplacar a cólera divina. Isaías sustentou-o em sua resistência, prometendo-lhe o auxílio divino. E eis que, durante a noite que antecedia a batalha decisiva, apareceu “o anjo do Senhor e feriu cento e oitenta e cinco mil homens no campo dos assírios. E quando surgiu a manhã, eis que todos estavam reduzidos a cadáveres” (Is 37, 36).
Falecendo mais tarde Ezequias, foi sucedido por seu filho, o degenerado Manassés. Isaías retirou-se para os bastidores, e nada mais se conhece dele depois de 700 A.C. Antiga tradição judaica “mencionada e admitida como autêntica por muitos dos primeiros Padres da Igreja, atribui-lhe a morte cruel mas gloriosa do martírio: o ímpio Manassés teria feito serrar seu corpo ao meio com uma serra de madeira”9.
Na Segunda parte de seu livro, Isaías anuncia o Salvador como o Servo de Deus que deverá sofrer verdadeira Paixão. Anuncia também a próxima libertação e a glória da futura Jerusalém.


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