Total de visualizações de página

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lectio Divina

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

BÍBLIA E COTIDIANO CAMINHAM JUNTOS


Apresentamos um método para leitura da Bíblia, com o qual você poder ler, meditar, rezar e contemplar o texto bíblico de modo que compreenda o que Deus disse para o povo na situação em que viviam e o que está querendo dizer para nós hoje.
 ORIGEM DO MÉTODO DA LECTIO DIVINA
Um monge, Guigo, por volta dos anos 1.150, via quanto o texto bíblico era utilizado nos momentos de oração. Percebia que lendo o texto, era possível reler o passado à luz do presente e trazendo uma grande contribuição para o futuro. O que temos na Bíblia é a história de um povo que conseguiu perceber a presença de Deus em sua caminhada. A Palavra de Deus é vista como sinal rememorativo, dando uma visão do que foi proferido no passado, o que perdura no presente e aponta para um olhar numa perspectiva de futuro.
 
Guigo sentia que a Palavra de Deus comprometia e que o conjunto dos livros que formam a Bíblia era tido dentro de uma unidade. Dentro dessa unidade, percebia que estavam presentes três níveis de compreensão: literário, histórico e o teológico. Cada um tem sua especificidade, o primeiro está mais próximo do texto, o segundo leva mais em consideração a situação histórica em que o texto foi escrito e o terceiro está  diretamente relacionado com a mensagem de Deus.

Orígenes é o grande idealizador do termo Lectio Divina. Muitos traduzem Lectio Divina por leitura divina, outros por leitura orante. O que nos importa é o valor que esse método tem para nossa vida. A Lectio Divina é resultado da prática da leitura que os cristãos faziam e fazem da Bíblia. Essa prática usada pelos cristãos, já é um resquício da tradição das comunidades do Antigo Testamento. As comunidades liam os textos bíblicos que eram passados de geração em geração.

A grande contribuição de Guigo foi a de sistematizar os passos da Lectio Divina. Ele sugere que sejam seguidos quatro passos. O termo utilizado para cada momento é degrau. Com o intuito de partilhar a forma como compreender melhor o texto bíblico, resolveu escrever um livrinho no qual intitulou "A Escada dos Monges". Escreve para outro monge dizendo: "certo dia, durante o trabalho manual, quando estava refletindo sobre a atividade do espírito humano, de repente se apresentou à minha mente, a escada dos quatro degraus espirituais: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Essa é a escada dos monges, pela qual eles sobem da terra ao céu. É verdade, a escada tem poucos degraus, mas ela é de uma altura tão imensa e  inacreditável que, enquanto a sua extremidade inferior se apoia na terra, a parte superior penetra nas nuvens e investiga os segredos do céu". E diz mais: "A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento. A meditação é uma diligente atividade da mente que, com a ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta. A oração é o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo que afaste os males e conceda as coisas boas. A contemplação é uma elevação da mente sobre si mesma que, suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna".

A Lectio Divina supõe alguns princípios:

·        a unidade da Escritura,
·        atualidade ou encarnação da Palavra e a Fé em Jesus Cristo, vivo na Comunidade.
  Os quatro degraus pedem que o leitor fique atento à:
 1. LEITURA: ler o texto várias vezes até criar uma maior familiaridade. Pronunciar bem as palavras. Entrar em contato com o texto utilizando-se de muita atenção, respeito, escuta... Sugerimos que essa leitura também seja criteriosa, evitando e até excluindo uma leitura fundamentalista. É preciso ver o texto dentro do seu contexto e origem.
 2. MEDITAÇÃO: Esse passo é um convite para que atualizemos o texto e consigamos trazê-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade. A meditação é um ótimo espaço para que se medite e reflita o que há de semelhante e diferente entre a situação do texto com o hoje. Depois, é importante resumir tudo o que foi ruminado numa frase. Essa frase o ajudará a recordar durante o dia o que foi meditado. É um prolongamento da meditação. Aos poucos vai havendo uma relação do que foi meditado com a vida de quem está meditando.
 3. ORAÇÃO: Praticamente a oração está presente em todas as etapas. É importante que haja uma transparência no ato da oração e que o orante seja realista. Ele pode usar o momento tanto para louvor, ação de graças, súplica, pedido de perdão, rezar algum salmo, recitar preces já existentes. É importante que esse momento possa ajudá-lo na reflexão da frase escolhida.
 4. CONTEMPLAÇÃO: depois de ler, meditar e orar o texto bíblico e sua realidade, chegou a hora de contemplar todo esse percorrido. "A contemplação nos ajuda a entender que Deus está presente na realidade". Pela contemplação é possível perceber a presença de Deus. E com isso somos convidados ao compromisso com a realidade.
 Resumindo:
·        A leitura responde a pergunta: O que diz o texto?
·        A meditação responde: O que diz o texto para mim, para nós?
·        A oração responde: O que o texto me faz dizer a Deus?
·        E a contemplação ajuda a responder: Estou pronto para nova missão?
 Os quatro degraus seguem um dinamismo onde a cada momento o leitor da Bíblia é convidado a recomeçar todo o processo. Quem deseja conhecer melhor esse método adquira a coleção "Tua Palavra é Vida", editora Loyola. Essa coleção faz uma caminhada pela História da Salvação, narrada na Bíblia.
 -----------------
 Fonte: O Desafio - Jornal da Família Salvatoriana  - Outubro 2000, nº 108
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

“Todo o conteúdo destes Blog é livre para uso, até porque o Espírito Santo não cobra 'Direitos Autorais' ”