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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aprendendo com os Padres do Deserto

                                     
OS PADRES DO DESERTO

         Os Padres do Deserto viveram entre os séculos III e VI. À primeira vista, encarnaram uma espiritualidade que nos parece um pouco estranha; mas, examinando melhor seus ditos, descobrimos sua atualidade.

         Os monges primitivos falam por experiência. Não imaginam nenhuma teoria sobre a natureza do ser humano, mas experimentaram em seu próprio corpo o que significa ser pessoa humana, como se parece o caminho para Deus, qual caminho dá certo e qual conduz ao abismo.
         Quando os Padres do Deserto pensam em Deus, pensam também em sua imagem como pessoas. Seu relacionamento com Deus é marcado por lealdade e sinceridade e, diante de Deus, reconhecem quem são.

         Um dos maiores mestres da espiritualidade cristã da atualidade é o monge beneditino alemão Anselm Grüm, escreve ele: “Os monges primitivos conseguiram através de uma ascese conseqüente, de um autoconhecimento honesto e de um constante bater à porta de Deus tornar-se totalmente permeáveis ao amor e á luz de Deus. Devemos aproveitar das ricas fontes que nos oferece a tradição cristã. Uma fonte clara e sempre refrescante para a vida espiritual são os escritos dos monges primitivos. Suas palavras são, pois, cheias de fascínio pelo Deus que, só ele, pode satisfazer nosso desejo mais profundo”.
         Os Padres do Deserto, também são conhecidos como anacoretas ou eremistas. Os primeiros foram São Paulo de Tebas; Santo Antão, chamado o “Pai dos Monges”; São Pacômio, que foi o primeiro a reunir os eremitas num mosteiro, no ano 318, na Tebaida, às margens do rio Nilo. São Marcário, São Basílio e São Bento seguiram o exemplo de São Pacômio.

                                 REGRA DE SÃO BENTO – CAPÍTULO 73

         Escrevemos esta Regra para que, seguindo-a nos mosteiros, demonstremos possuir certa honestidade na maneira de viver e algum início de vida religiosa.
         Quanto ao mais, para aquele que se apressa em alcançar a perfeição da vivência monástica, existem os ensinamentos dos Santos Pais, cujo seguimento leva o ser humano ao ponto mais alto da perfeição celestial. Com efeito, que página ou palavra de autoridade divina, seja do Antigo, seja do Novo Testamento, não é norma seguríssima para a vida humana? Ou que livro dos Santos Pais católicos não nos diz, em sua ressonância, que devemos correr por um caminho direto até chegamos ao nosso Criador? E também as Conferências (Colações) dos Pais, as instituições e Vidas deles, assim como a Regra de nosso Santo Pai Basílio, que outra coisa são senão os instrumentos das virtudes dos monges de vida santa e obedientes?
Para meditação:
         “O Patriarca Antônio falou ao Patriarca Poimém: “A maior obra dos homens é esta: ser capaz de apresentar seus pecados a Deus e estar preparado para as tentações até o último suspiro” (Apot. 4).
                                         MAGNITUDE DOS SANTOS PADRES
         É de suma importância o estudo dos Padres da Igreja para profundidade da doutrinação da fé, dos primórdios da História da Igreja e da Sagrada Teologia.
         A magnitude dos Santos Padres para a teologia vem do fato de que uma opinião defendida por todos os Padres de uma determinada época, se for em matéria de fé ou moral, é considerada como infalivelmente verdadeira.
         O conhecimento dos Santos Padres da Igreja é conhecer o fervor da experiência com Deus, a fortaleza da fé católica, a ortodoxia da doutrina e o Cristo PANTOCRATOR (em grego significa “aquele que tem poder sobre tudo”).
         Depois de São Paulo Apóstolo, o maior teólogo de todos os tempos é Santo Tomás de Aquino.
         Em suas duas Portentosas SUMAS, ele declara expressamente que Deus é o sujeito (subiectum) de toda a sua ciência teológica.
         No princípio da CONTRA GENTILES, fazendo suas palavras de Santo Hilário, diz: “Estou consciente de que o principal ofício da minha vida é referente a Deus, de modo que toda palavra minha e todos os meus sentidos dele falem (I sobre a Trindade 37; PL 10, 48 D.)” E, na SUMMAE THEOLOGIAE, também declara: “Ora, na doutrina sagrada, tudo é tratado sob a razão de Deus, ou porque se trata de Próprio Deus ou de algo que a Ele se refere como a seu princípio ou a seu fim”.
         Segundo o Papa Pio XI “A Suma Teológica é o céu visto da terra”.

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