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sábado, 16 de julho de 2011

Vida Contemplativa - Continuação

A importância da vida contemplativa para a Igreja

Deus Nosso Senhor dispôs em sua providência que sua Igreja fosse adornada de diferentes vocações (I Cor 12) e distribuiu os seus dons nos mais diversos modos. O tempo pascal é uma ocasião privilegiada para nos apresentar estas várias vocações suscitadas pelo Espírito Santo e agradecermos a Deus por elas.
A tradição da Igreja se acostumou a reconhecer nas pessoas de Pedro e João, as duas dimensões da vida cristã: apostólica e contemplativa. Pedro afirma que está disposto a dar a vida pelo seu Mestre (Lc. 22,33) mas é João que, reclinado no seu peito, perscruta no silêncio o segredo da verdadeira fidelidade.
Foi João quem conseguiu que Pedro entrasse onde Jesus estava sendo interrogado. (Jo 18,16) Entretanto, ele não teve medo, nem negou o seu Mestre, como Pedro fez, mas permaneceu até o fim junto à cruz. (Jo 19, 26) Chama-nos a atenção o fato do discípulo amado correr mais depressa que Pedro para chegar ao sepulcro. (Jo. 20,4). Entretanto, ele não entra antes que Pedro. (Jo 20,5) Depois de ver, logo acredita, mas não se manifesta antes que a prudência de Pedro chegue a uma conclusão concreta. (Jo 20,8) Os Padres interpretaram a figura de Pedro como ícone daquele que possui autoridade, enquanto João representa o carisma, o autêntico discípulo contemplativo.
Nestes relatos, devemos entender como devem se harmonizar estas duas dimensões necessárias da vida da Igreja. De um lado a instituição – lenta e prudente, de outro lado, o carisma - ágil e direto. Apesar de chegar primeiro e de acreditar imediatamente, João não pode se antecipar a Pedro (A hierarquia da Igreja). Outro relato interessante mostra que é João que identifica o ressuscitado na praia: “É o Senhor!” (Jo 21,7)
Diante disto, contestamos a visão errada daqueles que acham que a única função do contemplativo é rezar. Que ele não deve se intrometer em polêmicas ou defender a doutrina santa. Entretanto, a história mostra que sua missão vai muito além disso... Quando houve um impasse no Concílio de Nicéia, Santo Atanásio mandou que buscassem Santo Antão, e este grande eremita, com apenas uma frase, calou os argumentos dos arianos: “Ele é Deus e eu o vi!” Isto significa que ele O conhece profundamente e trata com Ele na sua intimidade!
Esta é a importância do contemplativo! Ele existe para lembrar aos teólogos e Prelados que este Deus de quem estão falando, não é um simples objeto de estudo, mas uma pessoa muito próxima e real! Pedro não foi capaz de identificá-lo, mas João disse: É o Senhor!
Em muitas outras ocasiões, como na questão iconoclasta (referente ao culto das sagradas imagens), foram justamente os monges, os grandes defensores da verdadeira fé. De fato, os maiores doutores da Igreja foram homens de profunda contemplação, pois, somente o estudo não é capaz de dar a visão clara das coisas espirituais...
Uma outra passagem muito interessante é aquela que encerra o evangelho: Pedro pergunta a Jesus: “O que vai ser deste?” E recebe esta resposta: “Que te importa que ele fique assim até que eu venha. Quanto a ti, vem e segue-me.” (Jo 21,22) Entendemos que, enquanto o contemplativo permanece, os seculares devem seguir em frente. O primeiro se mantém diante do Deus imóvel no hoje eterno da fé. O segundo, caminha na história se comprometendo com seus desafios e realidades concretas. Isto deve ser assim, para que a Igreja não perca a referência do que é essencial, quando se interfere nas diversas situações do século.
De fato, em muitas ocasiões de crise e de desintegração da fé, observamos que a vida contemplativa foi fundamental para efetuar a reforma da Igreja, trazendo de volta a visão sobrenatural das coisas e purificando o mundanismo que, constantemente se infiltra em seu seio. Como observou o Santo Padre: “com pesar, constatamos novamente, hoje, que foi permitido a Satanás joeirar os discípulos diante de todo o mundo.” (homilia de quinta-feira santa)
Cabe a nós, assumir com fidelidade esta vocação de discípulos amados que reconhecem o Senhor!

Entendemos que, enquanto o contemplativo permanece, os seculares devem seguir em frente. O primeiro se mantém diante do Deus imóvel no hoje eterno da fé. O segundo, caminha na história se comprometendo com seus desafios e realidades concretas. Isto deve ser assim, para que a Igreja não perca a referência do que é essencial, quando se interfere nas diversas situações do século


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Fonte: El Ermitaño, n.º 6 - mai-2011. Boletim mensal, Carmelitas Eremitas.
Mosteiro Santo Elias – ATIBAIA – SP – BRASIL – CP 3300 – CEP 12948-110 mosteirocarmelita.com.br

Um comentário:

  1. Oi Gostei muito do site de vocês. Sou um apaixonado pela vida contemplativa. Tenho também um site sobre o assunto: vidacontemplativa.wordpress.com

    Um forte abraço.

    Pa e bem!

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