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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pecado

O ORGULHO A RAÍZ DE TODOS OS MALES

Já foi dito pela divina sabedoria que o orgulho é a “Radix Omnium Malorum”, ou seja, a raiz de todos os males. De fato, este foi o grande pecado inicial dos anjos caídos, Lúcifer à frente deles, e que lhes ocasionou a queda nas trevas eternas. Assim, todos os outros pecados seguem a este, originam-se deste e se confirmam nele. E como os demônios jamais se dão por vencidos nem renegam suas faltas, é justamente na indução a este pecado, que consiste a sua maior arma também contra o homem. Eles, peritos em orgulho, sabem fazer do orgulho a arma perfeita para levar os homens à perdição eterna.

  E perguntamos! Porque mesmo é que este pecado é tão grave e tão pernicioso? Porque o orgulho é a centelha maléfica, que faz o homem ensoberbecer-se, elevar-se não só acima dos seus irmãos, mas até mesmo acima do próprio Deus. No Evangelho, Jesus dá a lição, chave eterna: quem de vocês quiser ser o maior, seja o menor de todos. E Ele próprio, Poder Supremo, dá o exemplo de antiorgulho, lavando os pés de seus apóstolos. Ora, vejam a perfídia, até Pedro, num primeiro momento se nega aceitar – pretensa humildade frente aos outros – que o Mestre lhe lave os pés. Vejam, mesmo ali há uma centelha do orgulho, de quem diz: os outros tudo bem, mas eu não me submeto a isso. Ou seja, eu sou melhor, ou sou diferente dos outros, eu sou o único. Enfim, você já sabe esta história!
  
 Mas se esta atitude de Jesus explica o caminho pelo exemplo, talvez não identifique a verdadeira fonte do pecado do orgulho. Onde reside este força negativa, hedionda, terrível e destruidora, capaz de ser a raiz de todos os pecados? Reside no brado insano dado por simples criaturas, míseras, vermes, infinitamente vermes, infinitamente diminutas, que se jactam de alçar alturas, levantarem vôos, suspenderem-se acima do seu Criador e Deus, ao tempo em que pisam naqueles que imaginam inferiores. Toda montanha será arrasada, diz a Divina Sabedoria; todo vale será preenchido! Tanto maior o infinito e elevado da torre, tanto maior o abismo onde ela cairá. De fato, Deus, Supremo Poder, Único Poder Real, incomensurável pelo infinito, está de tal forma acima das criaturas, que qualquer arroubo ufano delas, por mínimo que seja, simbolizará sempre um “roubo” de poder, portanto crime de lesa Deus. E nenhuma criatura tem direito de se imaginar igual ou maior que Deus.
   
E o mundo, infelizmente está permeado de arrogantes. Está mais povoado de torres ufanas e orgulhosas que as grandes florestas de árvores. Orgulho opressivo, de quem esmaga a todos que o rodeiam. Que é, por exemplo, o “orgulho americano”, síntese plena da nação – tão em voga hoje – que de tão assoberbada, torna-se ignóbil? Eles não escondem a desfaçatez descarada de quem fere e mata impunemente, e nem fazem caso de mostrar arrependimento pelo número sem fim de crimes cometidos pelo mundo! Acaso esmagar um pobre povo afegão, já arrasado, famélico e destruído, é prova de valentia? Golias maldito, cujos dias estão contados, onde está o Bin Laden, o troféu que pretendias mostrar ao mundo? Vais buscar no Sadam Hussein a vingança pelo outro desastre? Então aguarda!
  
 Olhem para trás, na senda dos povos. Vasculhem a história de qualquer raça ou força. Busquem até mesmo na raiz dos tempos o mais forte dos impérios. Que foi feito deles? Onde estão seus restos, senão sepultados no esquecimento? Que resta de todos senão alguns pobres vestígios, pedras apenas, carcomidas pelo tempo? Cheias de musgo e líquenes! Quem sabe ossos quebrados pela tirania em sepulcros velhos? Quem sabe alguns vestígios de sangue com que o orgulho deles tentou marcar a história? De sobra, quem sabe as máquinas do tempo conseguissem ainda captar os vestígios, dos sons destas sociedades mortas, espancadas pelo próprio orgulho e pela insanidade de seu desafio.
  
 Nada, nada, nada desagrada mais a Deus, que o brado ufano daquele que se quer fazer mais que os outros. Orgulho degradante das pessoas, gente como a gente, que anda com as ventas empinadas no ar, feito girafa ao farejar a chuva. Olhos de desprezo para os menos favorecidos, se não olhos de desprezo, coração ufano, disfarçado, a explodir no peito. Senhorio arrogante da “ciência” própria, mal sabem eles, que não passam de poleiros de diabos – pobres diabos que são – eis que o orgulho é o imã que atrai o demo. Tobogã perfeito que conduz ao inferno.
   
Orgulho de quem se faz soberbo e ufano de seus próprios dons. Da sua maior sabedoria. Do seu maior conhecimento. Orgulho que, na verdade, nem sempre se mostra nas faces, nos gestos e nos trejeitos, mas certamente que explode dos corações, das almas e cuja nefasta ação a tudo contamina. E isso, nem sempre a gente vê! Mas Deus vê! Quantas lágrimas na terra o orgulho já fez derramar! Rios e caudais de lágrimas sentidas, de milhões de faces. Quantas desgraças havidas no correr dos tempos! Quem é capaz de avaliar o estrago que este pecado já cometeu na terra? Acaso não é ele a raiz de todos os outros pecados?
  
 Orgulho, orgulho, orgulho, especialmente dentro da nossa Igreja Católica! Orgulho dos altos prelados especialmente, altos pastores – estes que pastoreiam a si mesmos – já incapazes de ouvir os rogos do povo que suplica! Eis que as suas cabeças, como torres da Babilônia, já ultrapassaram as nuvens do céu em altura e excedem os antigos zigurates em dimensão. Orgulho, que não os deixa mais ouvir o grito dos profetas! Ai de ti, Jerusalém, que matas os teus profetas! Que extingues a profecia! Nós somos a profecia, dizem, a verdade está em nós. Quem nos ousa desafiar? Onde está o zelo humilde pelo rebanho? Onde está o zelo do Bom Pastor, Aquele que dá a vida pelas ovelhas? Onde está o zelo ardente pala Casa de Deus? Acaso é cuidar das almas o encher barrigas?
  
 Acaso é zelo pela casa Deus vossas intermináveis reuniões? Vossas discussões inócuas? Onde está o sentimento humilde que penetra as realidades? Onde está a Sabedoria, filha maior da humildade, que é capaz de penetrar fundo na verdadeira e única causa de todos os males da terra: satanás e sua corja infame! Acaso o céu quer de vós a ação dos burocratas, dos administradores de caixa diocesano? De catadores de recursos? Quantos de vós estais ricos pelo vosso comércio? O Céu clama, do Céu retorna o eco, do grito das almas que se vão, ressequidas, raquíticas por falta do Alimento Eterno. E quanto aos gritos que partem do inferno, pavoroso, tonitruante, que arrepia até o íntimo das entranhas, vindo das almas que se perdem, porque não foram por vós alertadas sobre a pavorosa realidade do inferno?
   
Todo mal erguido em torres ruirá. Torres, de pontas espetadas contra o céu, estas são já incapazes de baixar os olhos para a terra. Se baixassem, quem sabe seus olhos se voltariam para a Palavra de Deus que já não mais é seguida. Então veriam que a boa doutrina já não chega ao povo. Veriam que alguns seminários católicos se tornaram “pastos de Asmodeu” como disse Nossa Senhora em Lá Sallete. Veriam que o povo já não reza mais, porque seus pastores também não rezam! Veriam que os católicos já não amam a Santa Missa, porque os pastores as celebram friamente! Veriam que o povo de Deus só pensa mais em riqueza, porque eles próprios também se ligaram somente a ela. Veriam que o povo de Deus se desgarra, porque eles ao invés de conduzirem com amor, dominam sobre elas com soberba e orgulho! Cada alma trocada pelo vosso prestígio pessoal será testemunha contra no tribunal eterno. Elas vos julgarão!
   
Orgulho, orgulho, orgulho dos sacerdotes de Cristo, pastores imediatos de Deus, orgulho que lhes fecha os ouvidos e já não lhe deixam mais sequer ouvir os gritos suplicantes que partem dos confessionários vazios. Sim, os confessionários são as câmaras de eco do Senhor Altíssimo. É deles que partem os brados de socorro que vêem da terra. É deles que parte o grito: até quando Senhor? Isso não é mais pecado, dizem! Como se a Lei do Senhor fosse algo mutante ou descartável! Não precisa mais de confissão, dizem! Como se fosse houvesse outra porta, que não a do confessionário, para se entrar na mansão Eterna. Orgulho! Quem lhes deu o direito de alterar a Lei pela própria conta? Acaso vosso pastor maior o Papa, não vos diz exatamente o contrário? Acaso, vocês entram nos céus sem estarem nos confessionários antes, expedindo as fichas de entrada para as almas? Ou pensam que o pastor encontra a porta aberta antes de entrar a última ovelha?
  
 Orgulho, orgulho, orgulho, entre os próprios leigos e irmãos. Orgulho de quem recebe do Senhor um especial carisma, e dele faz trampolim para o infinito. Orgulho arrogante, de todos aqueles que se deliciam na sua pretensa sabedoria, quando tantas vezes ela não passa de simples conhecimento humano, de simples regra humana, de simples lei humana. De que vos adianta o saber pretenso de quem mais alto grita, se no dia a dia a humildade vos falta e se satã vos guia? Ninguém pode pregar o que não vive! Veneno ardiloso, néctar do inferno, eis que o orgulho forma um verdadeiro rio de lama, por onde desliza lento e inexorável o “barco de Caronte”, o mitológico barqueiro do inferno. É para lá que ele vai! Já o Rio da Vida, este é destinado somente ao deleite dos simples, e dos humildes, porque é dele que verte a seiva límpida – a Sabedoria divina – que conduz ao Eterno.
  
 Orgulho, orgulho, orgulho, semente maldita que não poupa nem os pequeninos. Já desde a mais tenra idade o orgulho começa. A criança bonitinha rejeita instintivamente a mais feia. A criança branca se afasta das da raça negra. A mais inteligente faz pouco caso das menos favorecidas.As ricas fazem pouco caso das pobres. As mais cheirosinhas desdenham das menos asseadas. Resultado este estigma orgulhoso de rejeição muitas vezes acompanha a pessoa até a morte. Verdade, porém, os próprios pais em casa fazem a mesma coisa, ou seja, ensinam seus filhos o mesmo comportamento arrogante. Há casos de apelidos, por exemplo, em que certas crianças são tão massacradas, que levam este estigma pelo resto de suas vidas. Há certos grupinhos arrogantes que se formam em certas escolas, que são como verdadeiros diabinhos vivos, naquilo que desfazem, desconsideram ou rebaixam os outros.

  Orgulho, orgulho, orgulho também na doutrina, na “igreja” particular de cada um. Não bastassem as 40 mil seitas, todas dilacerando a Divina Palavra, temos ai milhões de católicos cheios de uma cega doutrina particular, divorciada da obediência ao papa, e cada vez mais distante daquilo que o Evangelho pede. Quem entende ainda a doutrina da Cruz que salva? Do perdão, única porta para entrar no céu? Da oração única escada para chegar a Deus? Da obediência ao Papa, aos bispos, ao clero, estes todos como integrantes fiéis do Corpo Místico de Cristo. O certo é que o orgulho desta doutrina herética e independente fez descer um véu de assombro sobre toda a humanidade.

  Um abismo infinito separa a doutrina de um Deus humilde, que se faz criança, frente a pretensão arrogante de um simples espírito de luz e criatura que se fez trevas. De um Deus que sendo Todo Poderoso, vai nascer num palheiro, enquanto o “príncipe” das trevas o procurava num palácio rico! De um Deus que sendo Criador Supremo, ao infinito se rebaixa e lava os pés dos outros, enquanto os arrogantes espíritos do mal se julgam senhores soberanos e sonham com o trono de Deus. Há quanta insensatez também a do homem que se julga alguma coisa, por mínimo que seja! Pudesse ele ao menos acrescentar um sopro à conta de seus minutos parcos! Mas não, ignóbil, diminuto, tudo aquilo que consegue é ver morrer na garganta rouca o próprio grito.
  
 Nenhuma centelha de Sabedoria é capaz de brotar do orgulho. A Sabedoria divina apenas aos pequeninos se revela, escondendo-se propositadamente aos entendidos e sábios deste mundo. Tal a ofuscação das mentes que o orgulho provoca, que até mesmo os super “inteligentes” moradores do báratro infernal – os espíritos das trevas – por causa do seu desmedido orgulho, são incapazes de perceber que contribuem decisivamente para o bem daqueles que Deus ama: os humildes e pequeninos da terra! É só para eles que se verga o Senhor Supremo, para os elevar, de acordo com Sua Santíssima e Eterna vontade.
  
 Porque é exatamente este se fazer pequeno, sentir-se pequeno, aceitar-se pequeno, saber-se diminuto diante de Deus, é que encanta ao Senhor dos Senhores. Porque a humildade está para a obediência, assim como o orgulho está para a rebeldia. Deus ama a obediência e “odeia” a rebelião aos seus decretos eternos! E nem o Céu, nem a própria terra foram criados para os orgulhosos e os rebeldes. Dia virá, e este dia não está longe, em que só “os mansos possuirão a terra”. É só para estes que o Senhor reserva as delícias do ser sem fim.
   
Assim, o orgulho, geratriz única de todos os vícios, é na verdade a negação do próprio Deus. É a rejeição plena da vontade divina sobre as próprias vidas, e significa, pois, rebeldia ao plano Eterno do Criador de todas as coisas. Esta recusa, individual e intencional de cada um, é de fato a mais horrível causa das catástrofes da terra. Não há espaço no seio de Deus, para quem se coloca acima da Sua Santíssima Vontade. Diante de Deus, todos os homens são iguais em tamanho e essência. O que os difere para maior no sentimento divino é apenas a humildade, com que se colocam diante Dele, não há outro motivo.
   
Eis ai o exemplo maior de Maria Santíssima. Ela foi maior, porque foi a mais pequena e a mais humilde. Ela, como ninguém, soube conformar-se com a Divina Vontade para sua vida, chegando ao grau extremo da capacidade humana. Impossível ser mais humilde que Maria – imã poderoso que repele o orgulho – eis porque de nenhuma forma os demônios conseguiram aproximar-se dela. Ela, que jamais ergueu sua fronte, sequer elevou os olhos acima de pessoa alguma, ela que se fez serva última das servas e dos servos seus, nossa Mãe querida foi insuplantável. Enfim, Ela, que por seus méritos poderia estar já no Céu, escolheu estar até o fim aos pés da Cruz.
   
Por isso, a cada dia a humildade de Maria esmaga a cabeça do orgulhoso inferno. Eles em sua insensatez absurda imaginam por vencer a Deus, tomando para sempre o coração do homem. Para isso, montaram um pavoroso exército, infernal e terreno, organizado, muito   bem disposto, sempre atento e ativo. Hoje parecem ter já tomado todos os postos-chave de domínio do mundo. Todas as instituições, todos os poderes do mundo, todas as riquezas da terra. Tudo está em suas mãos. A vitória lhes parece garantida! Afinal, todas as armas que lhes parecem importantes estão totalmente em suas mãos.
   
Mas eles esquecem do eterno veredicto que sobre eles pesa: a Mulher vos esmagará a cabeça! Maria, com seus súplices apelos, com suas aparições em toda a terra, combatida e ridicularizada até mesmo pela própria Igreja, segue em frente com um simples plano. Moldado no sofrimento de uns poucos que ainda aceitam sofrer, na dor de algumas poucas almas vítimas que se imolam ainda pelos pecadores, enfim, na oração de alguns pequenos grupos aguerridos, que apesar de tudo insistem na oração, com apenas estes, junto com a graça e o Amor de Deus, ela segue imbatível rumo a vitória final. De fato, qualquer analista humano, ateu, ao qual fossem mostrados os detalhes da batalha, jamais apostaria em Maria.
   
Já algumas vezes falei sobre aquilo que São Paulo chama de “as perfeições invisíveis de Deus”. Vou deixar neste final de texto, mais uma prova da perfeição de Deus. E ela se refere à nossa inteligência. Dizem que Deus, para nos preservar depois de Adão, se obrigou a nos velar a face, a esconder nossa inteligência, a um nível 40 vezes inferior ao que ele tinha. O motivo, é que esta inteligência era tal, que levava Adão – e o homem que viria após ele – a querer ser sempre maior do que Deus. Orgulho, óbvio! Assim Deus se obrigou a nos tornar menos inteligentes, mais dependentes e mais humildes, para termos ainda que mínima, uma chance de aceitar a Sua supremacia absoluta. Acaso não são os inteligentes os que mais renegam a Deus? Imaginem se mesmo estes fossem ainda 40 vezes mais sabidos! Todos os homens se perderiam, pois junto com o tentador faria uma barreira intransponível entre nós e Deus. Ai nós estaríamos todos espetados para sempre nos chifres de satanás!

   Sim, dizem que demônios têm chifres. Chifres são sempre um sinônimo de arrogância e de poder. Poder e arrogância, sempre fazem sua morada em torres – desde a Torre de Babel foi assim. Pois bem! Assim como da torre de Babel nem vestígios ficaram na terra, também não ficarão, agora – muito proximamente – os vestígios do orgulho que o homem arrogante plantou. A morada dos mortos, a solidão eterna, este é o destino dos chifres. Este o destino das cabeças coroadas de arrogância e dos corações estufados de orgulho! Nenhum deles subirá aos céus. Torres são para serem trucidadas! Esmagadas!
  
 Quem, pois, não quiser perder a cabeça, que apare os chifres da própria arrogância! Que corte rente e queime com ferro em brasa, para que não mais cresçam! O rinoceronte, por instinto, sapateia em cima da fogueira até que ela apague. Por vontade própria, que cada sapateie todos os dias na cabeça do próprio orgulho, para que ele nunca mais acenda. Quem não quer ser esmagado depois, que esmague agora o próprio coração e o livre do vento ufano e da soberba vil.

 Reze o Rosário! Ele o fará humilde!
 Reze três Rosários por dia e sufoque todo o orgulho!

O VIL ORGULHO - Dia virá, e este dia não está longe, em que só os mansos possuirão a terra.

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