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terça-feira, 19 de julho de 2011

Misticismo

Misticismo - Pequeno Histórico

Atitude espiritual que tem por objetivo realizar a união da alma com a divindade, por diversos meios, como o ascetismo, a devoção, o amor e a contemplação.
Esoterismo
v. tb. Ascetismo; Cabala
O misticismo nasce do esforço do indivíduo para alcançar uma realidade absoluta ou divina que estaria em íntima conexão com as coisas. Envolve um conjunto de disposições afetivas, intelectuais e morais, cuja meta final é a comunhão com Deus.
Misticismo é a atitude espiritual que objetiva realizar a união da alma com a divindade, por diversos meios, como o ascetismo, a devoção, o amor, a contemplação etc. Forma com a teologia os dois pólos do conhecimento religioso. Se o misticismo é intuitivo, emocional, subjetivo e particular, apreendido por contato direto e incomunicável, a teologia é uma explicação analítica, de tipo racional, dos mistérios da religião. Nas religiões primitivas, em que a doutrina não constitui domínio específico, a distinção não é tão clara. Elementos místicos já estão presentes no xamanismo e na magia, que valorizam o conhecimento e o poder derivados de uma experiência singular, fora da esfera do senso comum.

Principais tipos - O misticismo pode ser de liberação, de identidade e teísta. O primeiro é próprio do budismo e objetiva libertar o ser humano das condições inerentes à existência; o segundo, característico do hinduísmo e do neoplatonismo, tenta a identificação do indivíduo com o Todo ou o Um universais; e o teísta, presente no judaísmo, cristianismo e islamismo, busca realizar a união do indivíduo com um Deus pessoal e transcendente.
Para o misticismo teísta, o indivíduo não se dissolve nem se anula no encontro com a divindade transcendente; a união das pessoas humana e divina resulta de um dom gratuito concedido por Deus. A libertação e a identidade buscadas pelos outros dois tipos decorre de técnicas de autocontrole físico e psíquico (ioga, danças, meditação etc.). Todos três evitam as limitações da racionalidade e realizam a purificação ascética por meio de jejum, penitência, pobreza e celibato, em busca de independência em relação ao mundo material, às demandas do corpo.

Judaísmo e Islã - O misticismo judaico se manifesta nas visões dos profetas do Antigo Testamento e nas visões apocalípticas do judaísmo pós-bíblico. A cabala se desenvolveu numa direção mais próxima do ocultismo. Sua obra maior, o Zohar (Livro do esplendor), do século XIII, descreve a vida íntima de Deus e transmite conhecimentos ocultos que permitem "aderir" a ele.
O sufismo, crença e prática mística do islamismo, prega a união pessoal com Deus por meio de vários caminhos místicos, capazes de proporcionar uma avaliação da natureza do homem e de Deus e facilitar a experiência da presença do amor e da sabedoria divina no mundo.

Misticismo cristão - Os elementos místicos do cristianismo já aparecem na teologia do apóstolo Paulo, em sua aspiração a uma relação direta com o Cristo. Essa tendência mística tomou, no cristianismo oriental (como em Orígenes e outros religiosos), a forma de comunicação com o Verbo -- princípio único inteligível, organizador de todas as coisas. Alguns místicos, como são Bernardo de Claraval (1090-1153) e os religiosos do mosteiro de Saint Victor, sentiam-se como "noivas" do Redentor; outros, como são Boaventura, identificaram a própria vida com a Paixão de Cristo.
O misticismo dos dominicanos alemães medievais, sobretudo do mestre Eckhart (c.1260-1327), contém elementos teológicos e especulativos. O principal tema da mística de Eckhart é o nascimento do Cristo na alma humana, sinal da união com Deus. Segue a filosofia aristotélica tomista com influências do neoplatonismo de Plotino (século III) e do teólogo e filósofo britânico João Escoto Erígena (século IX).
Outros grandes místicos católicos foram as visionárias medievais, como a sueca santa Brígida e a italiana santa Catarina de Siena. O flamengo Jan van Ruysbroeck, cujo misticismo está relacionado ao dos dominicanos, é um dos maiores escritores holandeses medievais. Do misticismo flamengo descende a devotio moderna (devoção moderna) -- religiosidade simples e piedosa das comunidades anteriores à Reforma, avessa ao intelectualismo da escolástica, e que adaptava as altas aspirações místicas à austera vida racional da nascente cultura citadina do século XIV. A devotio moderna influenciou homens tão diferentes como Erasmo de Rotterdam e Lutero. A obra que traduz seu espírito característico é a Imitatio Christi (Imitação de Cristo), atribuída a Tomás de Kempis (c.1380-1471), um dos livros mais lidos do cristianismo ocidental.
O misticismo católico combinou experiências extra-sensoriais (visões) com uma vida ativa de trabalho. Expressou-se na Espanha do século XVI em santa Teresa de Ávila, são João da Cruz e Juan de los Ángeles (1536-1609), grandes espíritos religiosos e também grandes escritores. Na França, a tendência mística foi precedida e preparada pelo humanismo cristão de são Francisco de Sales e do cardeal Pierre de Bérulle (1575-1629), fundador da ordem dos oratorianos. Os grandes místicos franceses do século XVII são Jean-Jacques Olier, da igreja de Saint Sulpice, a carmelita Marie de L'Incarnation e o abade de Saint-Cyran, da abadia de Port-Royal. No século XX houve debates dentro do catolicismo a respeito da natureza da mística: para uns, é uma graça especial concedida por Deus aos eleitos; para outros, seria o fruto natural da vida cristã.

Mística cristã não-católica - O protestantismo também desenvolveu várias tendências místicas, embora os iniciadores da Reforma não as tenham cultivado. Manifestam-se na filosofia de Jakob Böhme (1575-1624) e no pietismo dos séculos XVII e XVIII, como a seita dos irmãos morávios, sob a liderança de Nikolaus Ludwig Zinzendorf (século XVIII).
Nas igrejas orientais, uma das principais figuras da revivificação mística é Gregório Palamas (século XIV), para quem Deus se manifesta em pessoa no corpo do fiel. A mística bizantina difundiu-se no Oriente cristão e seus adeptos na Rússia dos séculos XVIII e XIX foram os startsy (plural de staretz) -- monges ascetas no modelo dos eremitas dos desertos do Egito, Síria e Palestina. O mais conhecido é o monge Serafim de Sarov (1759-1833). A figura do staretz foi difundida no mundo ocidental pelo livro Relato de um peregrino russo, editado a partir de manuscrito encontrado num mosteiro ortodoxo, de autor desconhecido, que conta experiências místicas ao longo de toda uma vida de ascese e busca de Deus.


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