Total de visualizações de página

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mistica Cristã


O MÍSTICO DE NOSSO TEMPO

O maior teólogo do século XX, Karl Rahner, profetizou que “o homem do século XXI ou seria místico ou não seria nada”.

Essa profecia cai profundamente sobre a humanidade, o homem místico afugenta as “síndromes” do nada. Mas, nem todo místico provoca essa libertação total das crises interiores. É preciso entender o místico que Karl Rahner quis dizer. Se não, acorreríamos a todo misticismo de hoje como sendo saudável, como as meditações transcendentais, a cabala, a yoga, as inúmeras seitas, etc.

O místico real e verdadeiro é aquele que é íntimo do Espírito Santo. Essa é a grande resposta da Igreja do Concílio Vaticano II ao homem de hoje: ser depositário de um Novo Pentecostes favorecendo essa intimidade.

O grande problema é que a humanidade caminha para o individualismo, que significa o fim das dependências pessoais e do convívio. A sociedade moderna exige relacionamentos, mas jamais convívio.

O relacionar-se compreende uma boa conversa, uma ótima educação. Mas, conviver é ser íntimo, e o erro é que para muitos intimidade é sexo. Na verdade, o individualismo fez crescer uma selva de erros que confundiu e fez distanciar o homem dele mesmo.

A grande via para o homem moderno é buscar o convívio, é exercitar-se no conviver para ser íntimo. E conviver é viver em comum com o outro ou dentro do outro. É viver no outro. É aquilo que Jesus fez com os coxos, aleijados e com a cruz. Ele teve compaixão, sofreu junto e morreu por todos. Por isso, Jesus se tornou tão íntimo dos homens que quis estar com eles até o fim dos tempos.

Agora, o Espírito quer ser íntimo, quer conviver. Foi justamente isso que aconteceu com os apóstolos. O Espírito entrou dentro deles e os impulsionou num forte entusiasmo carismático.

Esses grandes evangelizadores chegaram num estado tão grande de intimidade com Deus que suas ações, gestos e palavras eram comandadas pelo Espírito. Assim os apóstolos viveram a vida de uma forma estranha que transformaram uma época. Isso tudo levaram as pessoas convertida ao cristianismo num ardor tão forte ao Cristo que, inauguraram a era dos homens e mulheres que preferiam a morte que a negação de Jesus. Esse tempo seria o século dos mártires.

O tempo atual que a Igreja vive está propício para essa grande convivência com o Espírito Santo. Ela vive um Novo Sopro da graça do Espírito. Daí que o fiel católico a de beber da intimidade e convívio com o Espírito de Deus. Agora é a hora de saciar das águas impetuosas do Espírito, de viver dentro Dele e de ser um com Ele, ou seja, de ser místico.

Esta é a grande pista para os problemas do homem moderno, estar em repleta convivência com o Espírito Santo.

Um dos maiores teólogos do Espírito Santo, Heribert Muller, relata que a família é um reflexo perfeito da Santíssima Trindade.

Então, o Pai é como se fosse o “eu”, o Filho é como se fosse o “tu” e o Espírito Santo é como se fosse o “nós”. Portanto, o Espírito Santo é relacionamento, mais ainda, é o convívio. Ele age não só, mas unido à pessoa, é o “nós”.

O Espírito quer ter a necessidade ser “nós” na oração, no coração, no pensamento, no cotidiano, nos sonhos, nas lágrimas e na vida de cada um. Não há como negar diante da crise das solidões e dos pânicos que a grande via da cura é a intimidade com o Espírito Santo. E com isso fazer deste século o século dos novos mártires, o século dos vivos, dos felizes, dos esperançosos… ou seja, o século dos íntimos de Deus.
Sim este deverá ser o século dos místicos!

Mas precisamos entender: “o que seja ser místico?”; assim como “o que é a mística cristã”? “Os Místicos Profetas ou Profecia?”

O que seja o Místico?

No início do milênio terceiro, existe o fascínio pelo transcendente. Tudo isso nos fala da sede de valores espirituais e de interioridade que existe no mundo de hoje. Enquanto na década de sessenta se falava da "morte de Deus" e da "cidade secular" onde prevalece o individualismo, a indiferença religiosa e secularismo admitem agora (que) o "retorno de Deus".

Ao mesmo tempo, abriram-se “new age, a la carte, onde cada um organiza seu próprio menu espiritual.

O místico o que será???

O místico penetra no mistério de Deus através da mediação da Sua Palavra, nos sacramentos e na oração. Na mística há uma dualidade: a união com Deus conduz o homem para cancelar sua plenitude, mas não a pessoa. É uma relação permanente do eu com o Tu eterno; da misericórdia abismal com a miséria abismal.

Muitas vezes erroneamente vemos o místico como o homem dos êxtases, dos arrombamentos, dos carismas, das visões, do fora do tempo, do iluminado, do alienado.
O Místico faz uma experiência mística que é algo que vem da iniciativa de Deus, que se comunica livremente aos seres humanos. Em que a submissão a Deus, requer disponibilidade para realizar a transformação que leva a participar de sua vida divina.

Existe uma experiência mística cristã na dimensão trinitária, pelo Espírito, em Cristo, nós caminhamos para o Pai. É uma experiência gradual e crescente de união com Deus na pessoa de Cristo. Isso também leva à missão, a comunhão com os outros, para superar o individualismo e comprometida com a história da salvação.

A experiência mística é algo que vem da iniciativa de Deus, que se comunica livremente aos seres humanos.

A experiência mística lembra que a união com Deus é a plenitude de todos os valores e o paradigma da vocação, mas, na nossa condição histórica, a experiência de Deus é ao mesmo tempo, como os esforços para a libertação e a plena comunhão e humanizadora.
A experiência mística, ajuda-os a perceber que o mundo como ele está não responde aos desígnios de Deus e que Ele, através de Cristo, veio a nos comunicar o seu reino ou projeto sobre a humanidade: a liberdade de projeto, a fraternidade e a solidariedade. Uma conseqüência desta observação foi fornecido nos místicos de se comprometer com o projeto de Deus, porque "funciona como o Senhor".

A experiência mística cristã não pode ser fechada no campo da consciência. É sempre uma que experiência que compromete com a vida. Os místicos eram pessoas que, a partir da experiência de Deus, foram entregues ao serviço dos irmãos do testemunho e anúncio da Boa Nova e da interpelação da sociedade, quando respondiam ao projeto de Deus.

“O que é a mística cristã”?

A experiência mística cristã é uma experiência que leva à verdadeira libertação de toda escravidão. A experiência mística cristã se concentra em Deus como o único absoluto, como por si só suficiente para saciar a sede de plenitude do coração humano. Isto dá à pessoa uma grande liberdade de bens temporais e se abre para as exigências da justiça e do amor. À luz da experiência mística as grandes

testemunhas descobriram também a dignidade do ser humano, criado por Deus e redimido por seu Filho Jesus.

A mística cristã é uma mística que acompanha o ser humano em seu processo de crescimento. Essa união de Deus com o homem é uma união de santo com o pecador, do justo com o injusto. Consiste em uma união mística de missão e trabalho.

A experiência mística Cristã da historia, e da própria carne, necessitando de salvação e de unir responsabilidades proféticas e formativas.

A formação cristã é permanente. O cristão quer e deseja sempre estar em processo de formação. Não se reduzem a um caminho de aprendizagem e adestramento. É um processo de liberdade e que possa crescer e dar frutos.

A Mística se transformou e se converteu em uma coisa extraordinária. Porém devemos fazê-la parte de nossa vida e do ordinário de nosso dia a dia.

O sentido da mística esta presente no caminho formativo como mistério pessoal.
No evangelho de São João, a presença de Jesus é apresentada através de uma série de acontecimentos em que a oração é valorizada como espaço da presença de Cristo. E vivida como experiência mistagógica.

A função do mestre entre seus discípulo quando eles dizem a Jesus: ensina-nos a orar: é uma presença Habitada, cheia de momentos em que podemos entrar na habitação onde mora Deus( nós mesmo).

Um aspecto da mística de Santa Teresa é quando nos chama a atenção para entramos em contato para falarmos com aquele que nos ama.

A existência é uma experiência de si, como conhecimento de Deus e do DIVINO.
A negligência e o descuido de si mesmo e da própria pessoa humana leva ao abandono e ao desconhecimento de si e desprezo de seu próprio trabalho e própria vida. Nossos jovens se ocupam de muitas coisas, mas não se ocupam de si.

O cuidado de si é o ato de assumir para si a responsabilidade de si mesmo e podermos governar os conflitos que surgem dentro de nós.

Exercer essa responsabilidade é um exercício de conhecer a si mesmo. CONHECER A VERDADE. A verdade exige que o sujeito se modifique se transforme e traga um destino para si mesmo. Traz uma transformação para o sujeito. Desta maneira podemos encontrar-nos com o pensamento de Santa Teresa, e encontrarmos com nossa própria interioridade e caminhar pelas sete moradas. Viver uma força interior dada com generosidade pelo Senhor.

A educação na mística deve completar um serviço na igreja e no mundo. A missão é um serviço que brota da união com Deus. Apesar de nossa pequenez brota de um AMOR maior: Deus!
 
Os Místicos Profetas ou Profecia?

A análise da experiência mística dos profetas bíblicos nos faz constatar uma série de elementos que nos guiam em nossa busca de Deus e nos ajudam a discernir a autenticidade das experiências místicas.

Devem integrar a fé com a vida de contato com Deus, abrindo-se ao serviço dos outros, ao amor da justiça. Para ser verdadeiros profetas devemos experimentar a presença e a proximidade de Deus falar com ele em oração, para ouvir sua resposta à leitura da Sua Palavra na Escritura e na vida, comprometer-se com o plano divino e com o mundo em que se vive cumprir a missão na fraqueza.

A experiência mística deve incentivar a esperança no meio das crises purificadoras da fé e ante contemplação da ação de Deus na história. Explodir em louvor e de

ação de graças. As várias nuances da experiência mística particular de cada um dos profetas enriquecem esses elementos. Eles são como uma sinfonia em que a mesma melodia é tocada por instrumentos diferentes.

1. Elias, como expressão dos elementos de uma verdadeira experiência mística: "vivia em sua presença [de Deus] e contemplava em silêncio a sua passagem, intercedeu pelo povo e proclamava com valentia sua vontade, ele defendeu os direitos de Deus e se ergueu em defesa dos pobres contra os poderosos deste mundo (cf. 1 Rs cc.18-19)”.

2. A vida do profeta Jeremias apresenta em forma existencial a relação intima entre mística e profecia e as etapas pelas que temos que passar no comprimento da missão. Além disso, o fato de que ele viveu em uma mudança de época em que muitas coisas do passado já não permaneciam e enfrentava o desafio do novo, fazem atuais suas experiências. Também estamos vivendo uma mudança de época que nos apresenta o desafio da desaparição de muitas seguridades que mantinham nossa fé e nos impulsionavam a testemunhar os valores do evangelho.

Como agricultor, Jeremias sabia sobre a exploração dos reis e do trabalho duro de seus compatriotas. Foi uma pessoa alegre, calma, extremamente sensível, sincero e com um forte senso de justiça para ver o sofrimento de seu povo. Que o levaram a denunciar a injustiça. Para ele, a religião foi fundamental para conhecer o Senhor, praticando a lei e a justiça e julgar a causa dos pobres e indigentes (Jr 22,15-16). Ele era um místico que viveu na presença de Deus e encontrou-o em tudo, como na contemplação do trabalho da argila pelo oleiro (Jr 18,6).

A pregação profética de Jeremias estava orientada por quatro perspectivas que aparecem no segundo capítulo de seu livro :

    ajuda as pessoas a
Ø recordar o passado quando no êxodo experimentou a libertação feita por Deus e responde fielmente.
    Examinava o presente do povo que tinha caído na
Ø infidelidade e o confrontava com o passado.
    Indicava ao lideres como
Ø culpados dessa situação e
    anunciava o juízo de Deus.
Ø

Isso lhe trouxe sofrimento: perseguições, críticas, xingamentos, insultos, deboche, prisões. Chegou a maldizer o dia de seu nascimento (Jeremias 20,14-18). Trabalhou vinte e três anos antes de ver os resultados da sua pregação e ficou desanimado ao ponto de não querer mais proclamar a palavra do Senhor (20,9), porém não podia resistir em a fazer isso porque a palavra era como um fogo que não podia resistir. Foi Profeta por palavra e por testemunho de sua vida. Ele era uma profecia ambulante.

Jeremias nos ensina a aceitar no caminho de nossa mística e profecia tudo aquilo que se opõe a ela e nos faz sofrer, para continuar a missão a pesar de não termos grandes resultados. Assim como ele temos que apoiar-nos na Palavra de Deus, na oração e na comunidade fraterna.

Assim, Jeremias soube encontrar novos motivos de Fé e de esperança no meio da crise generalizada dos valores tradicionais da Fé.

Nada é perdido, se temos o olhar da fé. "Vê em tudo a mão de Deus que guia e age."
Como na vida de Jeremias, mais cedo ou mais tarde, a crise aparece havemos que aceitar o processo de purificação, quando se rompem os seus próprios esquemas e experiência sensível de Deus desaparece, quando havemos que enfrentar problemas e dificuldades inesperados.

Então ai devemos viver abertos a ação amorosa de Deus lembrando-nos sempre que é preciso “aceitar as surpresas que transtornam teus planos derrubam teus sonhos, dão rumo totalmente diverso ao teu dia e, quem sabe, à tua vida. Não há acaso. Dá liberdade ao Pai para que Ele mesmo conduza a trama dos teus dias”.  

A presença de Deus torna-se ausência. A oração de lamentação e súplica substitui a paz e alegria (12, 1-4, 20, 14-18, 17, 14-17). Em uma terceira fase, a prova e superar a crise, começa a entrar numa crescente maturidade da vida mística. Nessa fase, Jeremias escreveu os capítulos 30-33, que são chamados de "livro da consolação" e anunciou a nova lei e nova aliança escrita no coração (31,31-34).

Nossa vida mística atinge a maturidade, quando aceitamos completamente o mistério de Deus e da realidade da pessoa com as qualidades e limitações que isso implica.
Ser um profeta e místico é algo que não pode ser separado da vida do crente que se abre ao mistério de Deus e Seus caminhos que não são nossos.

 Os leigos são chamados a serem os novos profetas testemunhando a presença e a ação de Deus no coração do mundo.

Ao mesmo tempo, aprendemos a encontrar Deus em todas as circunstâncias, em todas as pessoas, em todos os eventos. Em outras palavras, ter uma visão contemplativa da realidade com uma contemplação comprometida.

A partir da convicção da presença do Espírito Santo em todos os batizados para renovar a consciência da possibilidade de encontro com Deus experimentado em cada momento da vida diária.

Todo cristão é chamado a viver a experiência contemplativa de Deus presente em todas as circunstâncias da história e da vida pessoal. Maria é um modelo para toda essa contemplação que leva, enquanto no serviço dos outros, como fez levando o filho de Deus em seu seio, e vai ajudar sua prima Isabel.

Somos chamados a viver e transmitir uma espiritualidade sólida e uma mística e profecia, que é construída sobre a experiência de um Deus amoroso, que nos pede para expressar esse amor na proximidade e compromisso com nossos irmãos e irmãs, especialmente com crianças, os marginalizados, e a sociedade. Também com todos os que vivem a nova pobreza, que menciona o documento de Aparecida, no n. 65, convencidos de que “ninguém pode dizer que ama a Deus a quem não vê, senão é capaz de amar a seu irmão que vê. E temos o preceito DELE: que quem ama a Deus ame também a seu irmão” (I Jo 4,20-21).

Marta e Maria devem caminhar sempre juntas, como nos diz Teresa, porque “no entardecer seremos examinados no amor “ (João da Cruz.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

“Todo o conteúdo destes Blog é livre para uso, até porque o Espírito Santo não cobra 'Direitos Autorais' ”