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terça-feira, 12 de julho de 2011

Chamados à santidade

                                                 
                                                                    


Sede santos, porque Eu sou santo.” (1Pe 1,16). Todos nós somos chamados à santidade. É o nosso objetivo. É aquilo para o qual fomos criados. É a razão a nossa existência.
Os santos são uma “uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7, 9) são aqueles que vivem na beatitude eterna junto com o Pai.
Então, quem são os santos que estão nos altares das nossas igrejas? São uma pequena (atrevo-me a dizer ínfima) parte dos santos que estão no paraíso. São aqueles nossos irmãos que viveram a sua fé de uma forma invulgar, e cujas vidas podem conter exemplos e ensinamentos que nos ajudem a viver a nossa santidade. São aqueles que a Santa Igreja nos coloca como exemplos a seguir. Aquelas vidas que podem inspirar a nossa a cumprir o seu verdadeiro objetivo.
Claro que estes exemplos, por vezes espetaculares, por vezes mais simples, tem de ter um cunho de autenticidade. Por isso, o processo que a igreja utiliza para declarar Santo um dos seus filhos não se baseia apenas em análises humanas da vida do candidato, tem de conter um sinal do Divino. O processo para declarar um Santo como tal, sofreu algumas alterações ao longo da história, mas sempre exigiu um sinal de Deus, um milagre. Hoje o processo é relativamente longo e passa por varias etapas:
1. Odor de santidade
Para se dar início ao processo o candidato tem de falecer em “odor de santidade” ou seja, aqueles que com ele conviveram e que o acompanharam na sua morte tem de estar convictos que a vida e morte dele foram de molde a levá-lo ao paraíso. Muitas vezes a dor da separação faz-nos ver os atributos do morto de uma forma pouco objetiva. Para nos precavermos desse erro de avaliação o Vaticano impõe uma moratória de cinco anos sobre a data da morte. Ou seja, se cinco anos após a morte, o “odor de santidade” persistir junto daqueles que privaram com o candidato então o processo pode avançar. Em casos especiais, o Papa pode dispensar este tempo e dar início quase imediato ao processo. Estes casos não são a norma. São casos de irmãos nossos, cujas vidas tiveram um impacto tão grande na comunidade cristã, que é praticamente impossível que o odor de santidade se extinga. Foram os casos recentes de Madre Teresa de Calcutá e do Papa João Paulo II, ambos considerados por muitos como “santos vivos”. Nestes casos, esperar os cinco anos era uma pura perda de tempo, pois o impacto que eles deixaram sobre nós foi tão grande que o odor de santidade não se extinguiria nunca. Nesta fase, se a pessoa investigada for admitida, recebe o tratamento de "Servo de Deus".
2. Virtude heróica
O segundo passo é a análise da vida do candidato para determinar se demonstrou uma vivência da fé extraordinária. Se viveu de molde a servir de exemplo para o resto da igreja. Este processo, essencialmente teológico, pode ser mais ou menos longo dependendo do candidato, se escreveu muito ou pouco, se há muito para analisar ou não na sua vida pública e privada. Terminado este processo que é instruído a nível diocesano por um “postulador da causa” e analisado pela Congregação para a Causa dos Santos, o candidato é proclamado “Venerável” ou “ Mártir” (caso tenha morrido em defesa da fé) e os fieis são convidados pela Igreja a pedir milagres por sua intercessão.
3. A Beatificação
Uma vez encontrado um milagre reconhecido como tal, o “Venerável” é declarado “Beato”. Este é o reconhecimento feito pela Igreja de que a pessoa a quem é atribuída se encontra no Paraíso, em estado de beatitude, e pode interceder por aqueles que lhe recorrem em oração.
O milagre deve ser uma cura inexplicável à luz da ciência e da medicina, consultando inclusive, se tal for necessário, médicos ou cientistas de outras religiões e até, ateus. Deve ser uma cura perfeita, duradoura e que ocorra rapidamente. Comprovado o milagre é expedido um decreto, a partir do qual pode ser marcada a cerimônia de beatificação.
4. A canonização
A canonização é a inscrição de um nome no Cânon (lista) dos santos e ocorre, por decreto papal se se verificar um milagre por intercessão de um Beato ou de um Mártir. A partir desse momento o novo Santo é proposto à veneração da Igreja Universal, e entendido por todos como um exemplo a seguir, já que cumpriu de forma exemplar, o objetivo último a que todos nós somos chamados – a Santidade.
Por isso conhecer a vida dos nossos melhores, dos santos, pode ser de grande utilidade para nós. Como disse Santo Inácio de Loiola após ler um livro sobre vidas de santos, “o que estes fizeram, porque não hei eu de fazer também?” Façamos como eles. Que estes exemplos sejam de forma a inspirar-nos ainda mais a seguir a Perfeição de Cristo e fazer de nós, um dia Santos, tal como o nosso Pai é santo.

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